PSICOLOGIA PARA TODOS

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ESCOLA / CONFLITOS – 5

COMO GERIR UM CONFLITO?escol-conf-c

Uma das cozinheiras da cantina duma escola do centro do país, muito atenciosa, delicada e afável para com todas as pessoas, tinha uma filha com 14 anos, quando, de repente, ficou à espera de mais um bebé. Andava radiante pois gostava de ter um rapaz e isso ia acontecer. O bebé tão esperado nasceu, foi o «ai Jesus» da casa e, quando fazia qualquer disparate, achavam-lhe muita graça. O bom do rapaz, que agora já não é bebé, faz todos os disparates, não é punido no momento preciso e, à medida que vai crescendo, a mãe não mais consegue controlá-lo. Tem sido sempre uma preocupação e um pesadelo para os pais, quer durante a escola primária quer actualmente no secundário. No entanto, o rapaz foi sempre transitando de ano, pois o seu aproveitamento tem sido razoável. Ao fazer os 10 anos, terminou a 4ª classe e entrou como aluno na escola onde a mãe trabalhava. Escusado será dizer que continuou a fazer disparates mas, desta vez, com a ajuda e aprovação de alguns professores que lhe davam aulas. O rapaz era muito pequeno e franzino mas vivaço e simpático. Alguns dos seus professores achavam-lhe graça e, como era filho da cozinheira que sempre fora atenciosa, procuravam fazer-lhe algumas das suas vontades e não o castigavam (A).Joana

Com uma «educação» deste tipo e o reforço constante de todos os comportamentos desadequados, não era de esperar outro desfecho senão abusos da parte duma criança que era «reforçada» essencialmente quando fazia disparates. Provavelmente, quando alguma vez se portava bem, todos achavam «natural» e nem se preocupavam em «reforçar» ou dar a entender que esse seria o melhor comportamento a desenvolver e manter. O rapaz fazia cada vez mais disparates por ser o único comportamento que os outros notavam e achavam graça. Se alguém o tentava chamar à atenção depois de algum procedimento desadequado, ele refilava, não obedecia e os outros cediam: a desobediência era reforçada. Se entrasse em conflito com alguém por Interacção-B30desobediência ou não acatamento das normas, de que modo se iria resolver a situação? Estariam todos na disposição de aceitar as suas «manias» e «abusos»? Por acaso, a sua capacidade de «abusar» impunemente das situações e das pessoas foi uma vez posta à prova.

Num dia de Primavera, enquanto decorriam as aulas da tarde, uma das professoras novas nessa escola, que aguardava o início da sua aula das 14:30, dirigiu-se ao bar para beber um sumo. Não havia mais pessoas no recinto a não ser a professora e as duas empregadas do bar. De repente, aparece um rapazinho pequeno, franzino, de olhar vivaço e em tronco nu. Aproxima-se do bar e pede um Pirata.Psicologia-B

A professora avalia rapidamente a situação e tenta gerir favoravelmente um conflito latente entre:
▫ o interesse do rapaz em estar fora da sala de aula e andar pela escola em tronco nu;
▫ a necessidade de manter a ordem e a «decência» na escola.

Era um conflito intrainstitucional em que membros diferentes tinham interesses antagónicos; se eclodisse, poderia ser prejudicial quer para os docentes (não conseguir manter a ordem), quer para o discente (ser um aluno «mal educado»).Difíceis-B
Enquanto a empregada ia buscar o Pirata à arca frigorífica, essa professora que não permitia «abusos», embora fosse muito compreensiva para todos os alunos, pergunta ao rapaz:

− Ouve, meu menino, onde é que tu estás? Estás na praia?
− Eu? Não; estou aqui, na escola – respondeu o Fernando.
− Na escola? Tens a certeza?
− Sim.Saude-B
− E não estás em horas de aula?
− Saí da aula porque estava calor e a professora deixou-me sair.
− Bem, se tens a certeza que estás na escola vais em primeiro lugar vestir imediatamente a camisa porque a escola não é lugar para andar em tronco nu. Se tens aula e saíste porque estavas com calor é melhor voltar imediatamente para lá e continuar o teu trabalho. Está entendido? − disse a professora muito calmamente mas com um ar muito sério.
− Está.Psicopata-B
− Então vamos tratar de vestir imediatamente a camisa e voltar para a aula − e, perante a ligeira hesitação vislumbrada no rapaz, acrescentou − Caso não concordes, eu própria acompanho-te ao Conselho Directivo para podermos comunicar a falta aos teus pais.
Esta actuação da professora poderia ter gerado um conflito ainda maior do que o anteriormente enquadrado. E se a criança não obedecesse? Contudo, essa professora já tinha posto em equação as prováveis respostas do Fernando.

Em primeira hipótese, avaliando o seu porte e a maneira muito «fanfarrona» de pedir o Pirata, imaginou que uma atitude Maluco2firme e serena não admitindo recusas, deveria obrigar o rapaz a cumprir a «ordem».
Em segunda hipótese, qualquer recusa inicial, seria contrariada pela professora com firmeza e persuasão.
Em terceira hipótese, o Fernando teria de ser levado ao Conselho Directivo, por ela própria em virtude de estar fora da aula e em tronco nu, sendo o facto posteriormente transmitido  aos pais para toma­rem as providências necessárias na sua educação.
Além disso, o professor que o deixara sair da aula fizera-o de boa fé ou também nada poderia reclamar contra a professora que o mandara regressar à sala de aula.

A primeira hipótese vingou e enquanto o rapazito se afastava muito calado, uma das empregadas do bar exclamou:Depressão-B
− Senhora doutora, não sabe? Este é o filho da nossa cozinheira.
− Não, não sabia. Mas mesmo que soubesse, faria exactamente o que acabei de fazer.
− Isso era o que todos os professores deviam fazer.
Esta exclamação da empregada mostra o quanto os reforços obtidos nas diversas ocasiões ajudam a moldar não só o comportamento imediato mas ainda a personalidade do indivíduo (F).

Quando a professora estava a acabar de beber o sumo chegou a cozinheira e perguntou:
− Senhora doutora, foi a senhora que mandou o meu filho vestir a camisa e voltar para aula?
− Fui sim.Acredita-B
− Ainda bem; nem calcula como lhe estou agradecida. Eu não conseguia que ele vestisse a camisa e assim vestiu-a logo. Todos os professores o deviam castigar quando ele faz disparates; Mas há professores que até o deixam sair da aula quando ele quer, como foi o caso de hoje. Agora já foi para a aula. Eu não consigo ter mão nele há já muito tempo e os senhores professores não o castigando quando ele faz disparates, parece-me que também não me estão a ajudar. Eu sei que o fazem por bem, porque gostam dele e de mim mas não parece que esteja certo.
− É verdade. Se assim é, parece-me que tem razão. Agora que já o conheço, sempre que o chegar a ver fazendo algum disparate procurarei conversar com ele e ajudá-lo a compreender o que não deve fazer (K).Imagina-B

Embora a actuação dos pais seja essencial para a formação dos conceitos sobre ética, moral, civismo, etc., muitos são aqueles que não conseguem «controlar» a situação por já terem cedido demais nos primeiros tempos de vida dos seus filhos (D). Se também os professores não derem a sua contribuição quando possível ou se essa contribuição for no sentido negativo e prejudicial, o controlo da situação será muito difícil (N).
A professora em questão, poderia ter relegado o caso para o Conselho Directivo, não tomando parte activa e não se preocupando com a «educação» de um aluno que ela nem conhecia nem pertencia à sua direcção de turma. Porém, se todos os professores se demitirem de intervir na vida da escola, a boa harmonia e convivência podem ficar prejudicadas.

Consegui-B

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