PSICOLOGIA PARA TODOS

BLOG QUE AJUDA A COMPREENDER A MENTE E OS COMPORTAMENTOS HUMANOS. CONSULTA-O E ESCREVE-NOS, FAZ AS PERGUNTAS E OS COMENTÁRIOS QUE QUISERES E COLABORA PARA MELHORAR ESTE BLOG. «ILUMINA» O TEU PRÓPRIO CAMINHO OU O MODO COMO FAZES AS COISAS…

ESCOLA / CONFLITOS – 6

CONFLITO ALUNO-ALUNOescol-conf-c

O quotidiano

Terminada a aula, todos saíram a correr para o recreio. Manuel tropeçou no pé do Paulo e, embora não tivesse caído, ficou tão irritado que, perante o pasmo dos colegas, rapidamente se virou, chamou vários nomes feios ao Paulo e aos pais dele e deu-lhe um murro com tanta força que lhe deixou o nariz a sangrar. Apanhado desprevenido, o Paulo ainda reagiu dando um empurrão no Manuel que o fez cair sem no entanto se magoar.

Como a sua Directora de Turma não estava na escola, o Paulo, dirigiu-se imediatamente ao Conselho Directivo levando consigo dois colegas que tinham presenciado o que se passara e fez queixa do Manuel. A Presidente do Conselho Directivo ouviu-os a ambos e pediu-lhes que participassem o ocorrido, por escrito, às respectivas Directoras de Turma, o que eles fizeram de imediato.

Joana-BIncidentes como este são frequentes e, se não forem resolvidos com bom senso, podem dar origem a conflitos sérios em que se envolvem os pais e a própria instituição educativa. As causas podem situar-se numa falta de princípios éticos que os pais não conseguem proporcionar aos filhos ou a falhas no desenvolvimento da personalidade dos mesmos, devido a deficiências na interacção familiar e social (D).

Para obviar muitos inconvenientes provocados pela eclosão de conflitos maiores entre pais e escola por causa de incidentes desta natureza, quando a Directora de Turma do Manuel soube o que acontecera, tanto através da Presidente do Conselho Directivo como das participações escritas pelos alunos, chamou ambos. Como o Manuel é que tinha Saude-Biniciado a briga, visto que tropeçara no pé do Paulo, a Directora de Turma, em primeiro lugar, fez-lhe pedir desculpa pelos nomes feios que chamara aos pais do Paulo e, em segundo lugar, fê-lo prometer que nunca mais reagiria daquela maneira só por ter tropeçado no pé do colega. No final, pediu-lhes que apertassem as mãos, o que ambos fizeram. Disse-lhes ainda que confiava em ambos e na promessa feita pelo Manuel; por isso sabia que não iriam existir mais problemas entre os dois (K).

Depois de eles abandonarem a sala, a Directora de Turma que já tinha avisado os pais do Manuel, pediu a sua comparência na escola e recebeu-os contando pormenorizadamente o ocorrido. Disse-lhes ainda que no caso de haver Psicologia-Creincidência no comportamento do Manuel, ele seria certamente castigado de acordo com a gravidade do seu comportamento. Os pais não só tiveram de compreender o problema como ainda conseguiram, a conselho de amigos, solicitar terapia especializada para o rapaz. Dentro de pouco tempo esta terapia tornou-se extensiva aos pais (aconselhamento familiar), visto que eles próprios necessitavam de dar ao filho uma ajuda mais adequada (F).

 

A DelinquênciaInteracção-B30

Francisca era extremamente agressiva para com as suas colegas. Eram constantes as queixas de furtos cometidos por esta rapariga, além de agressões quando alguém a indicava como possível autora do desaparecimento de material escolar. A Directora de Turma resolveu chamar a mãe para discutir o assunto e solicitar informações acerca da vida familiar da Francisca. A reacção da mãe foi negativa com respostas extremamente evasivas e agressivas. Parecia que nada do que se passava com a mãe, tinha a ver com a vida e comportamento da filha, além de que a vida particular, segundo ela, não era da conta da escola (A).Imagina-B

Perante uma reacção deste género, a Directora de Turma não teve outra alternativa senão entregar o caso, por escrito, ao Conselho Directivo, que iria investigar e tomar as decisões necessárias. A rapariga não podia continuar a agredir as colegas nem a perturbar as aulas com os seus actos. O caso teve de ser solucio­nado por especialistas que tentaram saber um pouco da vida familiar da Francisca. Descobriram que a mãe «era solteira» e recebia frequentes «visitas de homens em casa». Nessas ocasiões, era necessário que a filha vagueasse por onde podia, juntando-se com outras raparigas da sua idade iniciadas na delinquência.Psicopata-B

As suas reacções eram consequência de dissabores aos quais não se podia furtar, sendo previsíveis nos casos de frustração como o que foi descrito. Para evitar os constantes conflitos aluno-aluno que ocorriam na escola, foi imprescindível procurar a colaboração com a mãe, fazê-la compreender a situação e tentar remediá-la, dentro do possível, «salvando» pelo menos parte do desenvolvimento saudável da personalidade da Francisca.

Houve envolvimento de diversos especialistas necessários nas escolas modernas que são frequentadas por alunos sem a mais pequena motivação para uma carreira académica e com total falta de apoio afectivo, moral e educacional dos Maluco2seus familiares (G).

Embora todo o trabalho necessário tivesse durado cerca de um ano lectivo, valeu a pena porque ao menos a Francisca conseguiu sentir-se menos frustrada do que anteriormente, reduzindo bastante os seus níveis de agressão e deixando de caminhar rapidamente para a delinquência em que já se estava a iniciar.

Ainda que o «caso» não ficasse totalmente resolvido, os professores fizeram o melhor que puderam para evitar que tomasse outras proporções. Seriam necessários muitos especialistas, entre psicólogos, assistentes sociais, conselheiros educacionais e médicos para assessorar e ajudar os professores a deslindar, evitar ou minimizar muitos casos neuropsicologia-Bsemelhantes que frequentemente surgem no contexto escolar.

 

A Droga

O Mestre Fernandes era professor de trabalhos oficinais e sempre fora bem aceite pelos alunos. Um dia, numa aula sua, um aluno do 8º ano agrediu um colega no queixo com tamanha violência que este teve de ser levado para o hospital onde lhe foram prestados os primeiros socorros, tendo ficado com a boca quase imobilizada durante 15 dias.Acredita-B

Este conflito interpessoal cuja resposta foi tão violenta, iniciou-se com uma pequena discussão acerca do trabalho do Rafael. Além de não cumprir aquilo que estava programado, perturbava os outros e especialmente o Filipe, mais novo e franzino do que ele, ameaçando-o. O professor interveio e o agressor insurgiu-se contra essa intromissão, respondendo incorrectamente (não será o bullying?).

Sendo incomodado de novo, o António queixou-se. O professor, verificando o sucedido, mandou sair da aula o outro rapaz. O Rafael, em vez de acatar prontamente a ordem, disse ao Filipe: − Tu julgas que mandas aqui? −  e deu-lhe inesperadamente um soco tão violento no queixo que o deitou ao chão. Nada mais havia a fazer a não ser socorrer o Consegui-BFilipe, comunicar o facto aos seus pais bem como aos pais do Rafael e relatar o ocorrido ao Conselho Directivo que, de imediato, tomou conta da ocorrência.

Todos os intervenientes foram chamados a depor, logo que possível. O Filipe dizia que nada de anormal se passara e que o professor «se metera» com o agressor desnecessariamente. Os restantes alunos, testemunhas do acontecimento, pouco ou nada diziam. Contudo, os professores que estavam a averiguar os factos, sentiam que existia algo de esquisito no comportamento e interacção daquela turma. Apesar do Mestre Fernandes, professor já muito conhecido e prestigiado afirmar que o Filipe fora agredido violentamente e sem razão para tal, nenhum dos alunos concordava abertamente com a sua versão; admitiam vagamente que a intervenção do professor podia Difíceis-Bter sido a causa de resposta tão violenta. Também nenhum dos alunos dizia abertamente que o professor fora a causa do incidente. Tudo se passara de maneira muito estranha.

Com estas conclusões, os professores averiguantes aconselharam os pais a estarem alerta e a fazerem «investigações» por sua conta e risco, especialmente junto dos filhos, dispondo-se a ajudá-los particularmente naquilo que lhes fosse possível. Entretanto, até que se conseguissem melhores esclarecimentos acerca do sucedido, o Rafael foi castigado com uma repreensão escrita e prevenido de que caso reincidisse, teria seguramente um castigo de acordo com essa falta. A queixa do incidente com agressão fora arquivada por falta de confirmação Psi-Bem-Cde que o Filipe provocara o rapaz e que este não reagira em sua legítima defesa.

Com uma estreita colaboração entre pais e professores, descobriu-se que o Rafael se drogava e, provavelmente, sentindo necessidade de «droga» naquele dia, estava a pressionar o seu colega para que lhe emprestasse algum dinheiro. Era um procedimento «normal» naquela turma de alguns alunos com idades entre os 16 e os 18 anos que traficavam e consumiam droga. Sendo alunos com bastante insucesso escolar, embora possuindo bom nível intelectual, os seus problemas de personalidade e de interacção familiar davam origem a procedimentos fora do comum.

mario-70Chantagens, extorsões e ameaças constantes eram pressões que alguns dos alunos desta turma sofriam dos mais «sabidos», com a ameaça de que seriam severamente punidos se contassem alguma coisa, fosse a quem fosse. E as ameaças não tardavam a ser ensaiadas ao mais pequeno deslize dos incautos. Só essa turma estava «dentro do jogo» que ali se passava e, com medo, ninguém se atrevia a fazer queixa.

Alguns destes rapazes eram filhos de pais ricos, outros pertenciam a camadas populacionais mais desfa­vorecidas, mas todos provinham de famílias em conflito. Uns viviam com os avós e outros estavam a ser educados em instituições de solidariedade social.

BiblioConflitos desta natureza podem não ser esporádicos, mas têm de ser resolvidos ou, se possível, evitados. Os professores nada puderam fazer neste caso a não ser tratar os alunos com bom senso, tentando resolver as dificuldades de maneira muito discreta e propondo a solução de os enviar para instituições adequadas quando o seu comportamento se tornasse muito desadequado.

Quando um aluno se encontra drogado ou necessita da sua «dose», pode não conseguir controlar-se, por mais que se esforce. O conflito é inevitável a não ser que o professor, com conhecimento de causa, utilize muito bom senso tentando evitar qualquer comportamento que possa parecer mais agressivo ao aluno em questão. São casos que têm de ser tratados por especialistas que deviam estar a apoiar as escolas, pois os professores têm exclusivamente Depressão-Bpara si a tarefa fundamental de transmitir aos alunos os conhecimentos necessários ao bom desenvolvimento das suas capacidades cognitivas e criativas. Apesar disso, nas circunstâncias actuais, os professores também necessitam de se empenhar em algumas sessões de educação cívica que, infelizmente, são necessárias. E aos professores assiste o direito de exigir que técnicos qualificados os apoiem em tarefas que não são do seu domínio.

A transcrição do conteúdo do livro com este título vai continuar com a publicação do post nº 7.

Consultou todos os links mencionados neste post?

Já leu os comentáriosVisite-nos no Facebook.arvore-2

Clique em BEM-VINDOS

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

 

Anúncios

Single Post Navigation

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: