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ESCOLA / CONFLITOS – 7

CONFLITO PROFESSOR-ALUNOescol-conf-c

 

Reconhecimento Antecipado

João era um aluno do 6º ano, com problemas de comportamento e desinteresse total pelas matérias a estudar, parecendo ter necessidade de chamar sobre si a atenção dos professores. Não levava o material necessário para as aulas nem tinha qualquer caderno diário em ordem. Contudo, a professora de Português embora desconhecesse as causas que levavam o João a ter um tal comportamento, achou que ele podia ter o caderno diário de Português e nele registar aquilo que se fazia na aula.

Como atingir os objectivos, intervindo de modo a evitar um conflito com o aluno, já que nenhum dos professores conseguira reduzir o desinteresse dele pelas aulas? Era necessário avaliar a situação, evitar a eclosão do conflito e utilizar os indicadores situacionais para tirar partido do contexto global. neuropsicologia-B

A professora conversou com o João, disse que estava pronta a ajudá-lo a organizar o caderno de Português mas que para isso contava com a boa vontade e colaboração dele. Se este pedido funcionasse como estímulo para uma resposta colaborante do João, não só se evitaria o conflito, como se teria a certeza de que um pedido feito de maneira afável poderia funcionar futuramente como incentivo à colaboração e possível reforço. Se não houvesse colaboração da parte do João, também não existiria incentivo para conflito. A professora não dava qualquer «ordem» que tivesse de ser cumprida, com risco de desobediência.

O que aconteceu, foi o João na aula seguinte aparecer com um caderno que iria ser o caderno diário de Português. A primeira Saude-Betapa estava ganha, com vantagens e indicações de que para o João um certo tipo de diálogo poderia ser bem aceite e talvez até estimulante.

A partir desse momento, e em todas as aulas, o João era constantemente solicitado pela professora a responder a perguntas e a ler em voz alta.

Apercebendo-se da boa colaboração do João, a professora resolveu continuar a tirar partido da situação, reforçando-o e transformando esse reforço em incentivo futuro para uma colaboração ainda mais proveitosa.

Psicologia-CA professora, embora distante da mesa do João, perguntava- lhe de vez em quando: – Já copiaste o que está no quadro? O que estás a fazer?

Quando o João respondia: − Sim. Já copiei − ou − Estou a copiar − ou ainda − Vou copiar − a professora reforçava sempre o seu comportamento com exclamações de elogio ou incitamento para continuar a melhorar no seu trabalho. Deste modo, o João, embora sabendo pouco, trazia diariamente o seu caderno para a aula e escrevia nele como os outros colegas faziam. A professora verificava frequentemente o caderno e, por vezes, os trabalhos não estavam completos; no entanto, conseguir que o João tivesse um caderno e o utilizasse, era já uma pequena vitória, uma vez que com os restantes professores o conflito era permanente. A participação do João iria Interacção-B30aumentar com o tempo e melhoraria bastante se os restantes professores o tratassem do mesmo modo.

Em todas as aulas de Português, a professora mantinha um certo contacto com o João, mesmo sem se aproximar dele mas chamando-o pelo nome e perguntando-lhe como estava a decorrer o trabalho. Deste modo, o comportamento do João modificou-se nas aulas de Português. Obtendo alguma atenção da professora que já o reforçava aleatoriamente, o João sentia-se útil e ocupava-se mais com os seus trabalhos.

Na primeira reunião do conselho de turma, todos os professores se queixaram do João quanto ao seu comportamento perturbador, desinteresse e falta permanente dos cadernos diários e do restante material. Somente a Psicopata-Bprofessora de Português disse que o João trabalhava na aula e tinha o caderno em dia, tendo explicado depois aos colegas o porquê deste acontecimento.

 

Resolução com modelagem

No decorrer de uma aula de História de uma turma do 5º ano, o professor utilizou a palavra «quotidiano». Alguns alunos não sabendo o significado da mesma, pediram que os esclarecesse. Então o professor resolveu perguntar a um Joana-Bdeles o significado dessa palavra, ao que o Antero respondeu com um ar insolente:

− Não sei, não quero saber, nem me interessa. Quero lá saber disso!

Estava iniciado desde logo um conflito aluno-professor que poderia ser prejudicial para o aluno, já que o professor tinha sido correcto para com ele, e este, por sua vez fora extremamente incorrecto e indelicado. Alguma coisa tinha de ser feita para evitar o desrespeito pelo professor e pela sua autoridade na aula. Se tentasse que o aluno pedisse desculpa, a sua recusa poderia piorar ainda mais a situação conflitual com consequências imprevisíveis para o aluno e desagradáveis para o professor. Mandando-o sair da aula, a recusa poderia «ser Depressão-Bnegociada»,ou o cumprimento desse pedido poderia futuramente levar a um diálogo em que se esclarecesse melhor o comportamento pouco «educado» do rapaz.

Ponderada assim a situação, o professor pediu ao aluno que saísse da aula, dizendo-lhe:

− Já que não existe interesse, podes sair da aula.

O aluno, no início recusou mas depois, perante a atitude firme do professor, pareceu amedrontado e saíu. Entretanto, os outros alunos disseram ao professor:Maluco2

− «Sotôr», mas ele é o filho do Director e o senhor pô-lo na rua?

Então o professor, quis tirar proveito duma situação que, embora desagradável, lhes poderia dar a oportunidade duma apren­di­zagem por modelo (abstracto) de democracia, «educação» e respeito pelos outros e explicou-lhes:

− O filho do Director é um aluno como qualquer outro. Todos são meus alunos; para todos vai igualmente o meu carinho e consideração. Portanto, seja quem fôr que se comporte incorrectamente na aula terá de ser punido de acordo com o seu Consegui-Bcomportamento.

Conversaram em seguida, tentando discutir o porquê do comportamento do Antero e aos poucos descobriu-se que os alunos também não concordavam com os privilégios e favores que lhe eram concedidos pelos restantes professores, só por ser filho do Director. Se existisse democracia (que na época era mais duvido­sa do que agora…), todas as pessoas deveriam ser tratadas com equidade e sem privilégios especiais pelo facto de pertencerem a determinada classe social, grupo étnico, religioso ou económico. Cada pessoa, de acordo com a posição que desempenha na sociedade tem as suas obrigações e direitos inerentes.

Acredita-BTornando assim uma situação desagradável numa aula de educação cívica, o professor e os alunos conseguiram em conversas posteriores fazer compreender ao próprio rapaz que o seu comportamento de querer vantagens e privilégios «à sombra» da posição do pai, não só o «empobrecia» como o «deixava nas más graças» dos seus colegas da escola. Continuando assim, o que é que lhe aconteceria fora da escola e no mundo do trabalho onde não existisse protecção paterna? E se a mesma pudesse continuar a existir, ficaria sempre na dependência do pai? Com a confiança e o à vontade que criaram nestas discussões amigáveis, os colegas, na ausência do professor, até brincavam com ele dizendo que em vez de ser «filho da mãe» teria de ser «filho do pai». Achando graça a todo esse arrazoado, Antero começou a compreender a situação ridícula em que se colocara por sua própria Difíceis-Bcriancice.

Se a intervençãodo professor não tivesse sido firme, serena e cheia de bom senso, provavelmente o conflito instalar-se-ia obrigando a medidas severas sem qualquer utilidade para o aluno ou para o professor.

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