PSICOLOGIA PARA TODOS

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ESCOLA / CONFLITOS – 10

FRUSTRAÇÃOescol-conf-c

Frustração é a consequência da não realização dum comportamento motivado.
Por exemplo, se vamos pela rua e tropeçamos, sem querer, numa pedra, sujando os sapatos, pode este acontecimento não ter qualquer efeito frustrante. Porém, se a nossa intenção ou objectivo era chegar ao fim da caminhada com os sapatos completamente limpos, o facto de os sujar minimamente já se torna frustrante (D).

Existem três situações em que ocorre a frustração:
● quando não se consegue atingir o objectivo por causa de um obstáculo;
● se não se atinge o objectivo apesar de realizar o comportamento necessário;
● quando, atingido o objectivo, o resultado é diferente do desejado, apesar de se ter realizado o comportamento necessário.
Em qualquer destes três casos, como a frustração acontece a níveis diferentes, o seu resultado também se apresenta em graus diversos.Interacção-B30

Para que ocorra a frustração, é necessário que se verifiquem duas condições essenciais:
● obstáculo ou erro na escolha do objectivo;
● relação entre o obstáculo e o comportamento motivado.

Na generalidade, segundo Pereira (1974), as situações frustrantes mais frequentes para a pessoa humana são:
● restriçäo na actividade da criança;
Psicologia-B● impedimento da expressão autoerótica;
● perda de atenção e carinho;
● desmame;
● treino de micção e defecação na criança imatura;
● perda de amor, segurança e suporte;
● imdependência forçada na adolescência;
● dificuldades económicas e outras na vida familiar, conjugal, sexual, escolar, profissional, social, etc.;
Joana-B● antevisão da própria morte.

Contudo, no nosso dia-a-dia, sujeitamo-nos quase permanentemente a frustrações ligeiras, do mesmo modo como resolvemos conflitos com uma frequência bastante grande.
A frustração é produzida por situações semelhantes às de punição, fazendo com que o sujeito se afaste delas. Qualquer tipo de frustração exige que a mesma seja ultrapassada. Porém, a frequente redução da frustração com fuga à mesma, provoca aprendizagem, embora a longo prazo e, às vezes, deletéria, porque o organismo recebe reforço negativo quando consegue desviar-se da situação desagradável que não deixa atingir o objectivo desejado. Esta Saude-Baprendizagem é mediada de ansiedade. Contudo, pode ser mais proveitosa do que outro tipo de aprendizagem, quando a mesma habitua o sujeito a ultrapassar dificuldades, preparando-o para enfrentar futuros obstáculos (J).

Várias são as respostas possíveis que um organismo em frustração pode dar; por exemplo:
● investir contra a barreira ou obstáculo;
● agredir outra pessoa ou coisa;
● retirar-se ou fugir;
● persistir, sem qualquer resultado;Difíceis-B
● negar o acontecimento;
● tentar um compromisso;
● mudar de estratégia ou de plano de acção.

Quaisquer destas respostas podem observar-se quer em experiências laboratoriais quer em situações do dia-a-dia.
A primeira possível resposta − agressão directa ao obstáculo − verifica-se muito frequentemente quando, por exemplo, um aluno impede um colega de concretizar o seu objectivo, o de sentar-se num determinado lugar, sendo imediatamente agredido Psicopata-Bpor esse colega.

A agressão a um alvo substituto pode observar-se nos alunos que são repreendidos pelo professor. Não podendo ripostar como desejariam, agridem sem razão um colega, «deslocando» a sua raiva contra esse alvo que substitui o professor (bullying?).

Também muitos professores «deslocam» para os alunos a sua raiva contra o sistema ou contra os problemas profissionais, sociais ou familiares. Vemo-los assim, repreenderem alunos, sem motivo para tal, ou castigarem-nos injustamente, arranjando uma «justificação» para isso (A).

A resposta de retirada ou fuga é caracterizada pelo abandono do neuropsicologia-Bterreno de luta pela parte dos alunos mais fracos, desistindo de lutar ou enfrentar os mais fortes que não os deixam jogar em determinados locais ou ocupar certos lugares. Reconhecendo a impossibilidade de vencer o «obstáculo», «fazem meia-volta» e desistem de atingir o seu alvo: jogar em determinado lugar ou tentar ocupá-lo (bullying?).

A persistência inoperante é a resposta geralmente escolhida por pessoas que têm um fraco poder de lógica e abstracção para avaliar e julgar a situação global. É uma resposta desadequada, especialmente quando se adivinha com antecipação que não se vai obter bom êxito. Certos alunos, depois de convidados a sair da aula, insistem até ser necessário pô-los fora da sala quase à força. É um comportamento que piora a situação, podendo ser conotado Acredita-Bcom desrespeito, teimosia e desafio à autoridade do professor. No capítulo CONFLITO PROFESSOR-ALUNO: Resolução com Modelagem temos um exemplo da tentativa desta resposta, possível geradora de conflito.

A procura de um compromisso é uma forma de actuação em que se baseiam os estilos de negociação (K). Exige boa capacidade intelectual, flexibilidade e poder de argumentação. Os alunos ricos ou pobres, inteligentes ou menos capazes, bem ou mal comportados chegam a acordos entre si, para cada um atingir o seu objectivo preferido que é antagónico ao objectivo do outro. Por exemplo, entre aqueles que perturbam as aulas e os que querem estudar; entre aqueles que têm dinheiro e não querem estudar, apesar de desejarem boas notas e os que não tendo dinheiro, desejam Maluco2possuir certos objectos caros, não se importando de fazer os trabalhos de casa dos seus colegas ricos; fazem-se acordos e assumem-se compromissos: estes sujeitam-se a trabalhar para os outros e aqueles comprometem-se a pagar os trabalhos realizados pelos colegas, embora contra o seu desejo. Para um bom treino em respostas de compromisso, a actuação em grupo é extremamente importante.

A «negação» do acontecimento ou da sua expectativa é uma resposta que se utiliza com frequência para «salvar a face». O aluno pode negar que tenha respondido a uma prova em que foi mal sucedido. Pode também dizer que essa disciplina não tem valor quando afinal fez tudo para conseguir levantar a nota. Depois de um ano de intenso estudo, Consegui-Bexclusivamente para obter o primeiro prémio num trabalho de fim de ano, o aluno pode afirmar que nunca se preocupou com o prémio, logo que soube que o vencedor era um seu colega.

Porém, a resposta mais inteligente e adequada para a frustração é a mudança de estratégia ou de plano de acção. O aluno que foi castigado pode imediatamente aceitar o castigo, declarar-se culpado e arrependido daquilo que fez, levando, assim, os professores a relevarem a punição. Reconhecer prontamente uma falta cometida pode levar os professores a tomar em conta a sinceridade e a espontaneidade do aluno, beneficiando-o no futuro com a sua confiança (C).

Imagina-BDiversas situações ligeiramente frustrantes podem ser benéficas para a aprendizagem. Nas experiências efectuadas em laboratório e situações reais, descobriu-se que uma tarefa interrompida por um motivo plausível é mais facilmente relembrada do que se fosse completada. Por exemplo, uma professora numa turma começa a explicar a meio da aula uma matéria muito importante e interessante que é interrompida com o toque da sineta, enquanto noutra turma a explicação é iniciada no começo da aula e terminada antes do toque de saída. Comparando a taxa de memorização destas duas turmas é provável que a primeira turma (matéria interrompida por motivo plausível) memorize melhor a matéria do que a segunda (matéria completada), provavelmente devido ao factor da frustração ligeira provocado pela interrupçäo duma tarefa interessante, por motivo mario-70justificável (fim da aula pelo toque da campainha).

A esta capacidade de memorização maior, chama-se efeito de Zeigarnick (K) que pode ser devidamente aproveitado em muitas aulas que de outra maneira poderiam ser consideradas enfadonhas. Estes conhecimentos dos fenómenos psicológicos estão a ser largamente explorados em telenovelas, anúncios publicitários, etc., conseguindo-se deixar o espectador em «suspense» e criando um clima de expectativa que se pretende colmatar com uma acção que pode ser favorável para quem manipula a situação.

A resposta à frustração será obtida, em cada caso, segundo a personalidade e a situação global. Cada indivíduo irá responder à Bibliofrustração de maneira bastante diversa, com comportamentos que vão desde a depressão total até à imensa satisfação obtida em ultrapassar as dificuldades (E). Porém, em certos casos e em determinadas personalidades, a frustração pode provocar perturbações interpessoais ou intrapsíquicas, com as quais é necessário ter cuidado para evitar situações neuróticas.

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