PSICOLOGIA PARA TODOS

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ESCOLA / CONFLITOS – 11

CONFLITOS E FRUSTRAÇÕESescol-conf-c

Existem ocasiões em que nem o professor nem os alunos conse­guem dar conta de que algo de «anormal» está a acontecer, envolvendo alguns, ou até toda a classe. Vejamos um exemplo.

Estava-se na aula de História, do 6º ano, no 3º tempo da manhã. A sala de aula era rectangular mas demasiadamente pequena para 20 alunos; as carteiras estavam dispostas em forma de U ficando a maior parte dos alunos frente a frente e, por isso, numa situação propícia à conversa e distracção. A aula decorria nor­malmente mas em determinado momento, dois alunos foram chamados à atenção pela professora porque estavam a conversar num tom de voz que perturbava a sequência da aula. Em seguida, um outro aluno que habitualmente se comportava com correcção, conversou e riu perturbando mais uma vez a aula. A professora repreendeu-o e pediu-lhe que saísse da aula. Foi tudo tão rápido que nem lhe ocorreu outro tipo de actuação porque a brincadeira exagerada durava já bastante tempo prejudicando a aprendizagem.

O conflito fundamental era a professora querer ordem e sossego na aula para os alunos poderem aprender a matéria necessária Interacção-B30e os alunos desejarem brincadeira e desordem. Como conciliar esses dois interesses antagónicos? A solução mais prática que ocorreu à professora nesse momento, foi remover da sala o agente causador (imediato) do barulho na sala de aula, eliminando assim o instigador de um dos interesses antagónicos, já que o outro − ter sossego −  era imprescindível para o bom resultado académico.

Com a admoestação da professora, o aluno preparou a sua pasta e saiu − frustrado por ter sido castigado mais do que os outros que tinham maior culpa − batendo a porta com grande estrondo, «deslocando» assim a sua raiva contra a porta, por ter sido injustamente castigado (A). Será a tal resposta instintiva e instantânea classificada como da inteligência emocional? Psicologia-B

Surgiu aqui um novo conflito. A professora queria manter a autoridade e o aluno, queria protestar contra o castigo «injusto». Como resolver este novo conflito? São ocasiões em que é difícil ponderar cuidadosamente as medidas a serem tomadas, tornando-se, por vezes, impossível adoptar qualquer outro comportamento que normalmente seria considerado mau. Contudo, entre mau e pior ou péssimo, o mais recomendável passa a ser o mau. São opções que têm de ser feitas, às vezes, muito rapidamente (K).

Joana-BImediatamente, a professora voltou a abrir a porta, saiu da aula e chamou o aluno que ainda estava no corredor. Este acorreu à chamada da professora que o mandou entrar de novo para a sala de aula. Depois, dentro da sala mas ainda junto da porta, a profes­sora perguntou-lhe se não sabia sair da sala sem bater com a porta ao que o aluno respondeu que sabia (F).

Esta pergunta envolveu um grande risco, visto que o aluno poderia ter respondido mal ou ser indelicado, tanto mais que se sentia injustamente castigado. Contudo, um docente tem de correr certos riscos e assumir a sua posição, sujeitando-se aos dissabores daí decorrentes. Porém, ouvir uma resposta positiva foi um alívio e um indício para Psicopata-Bcontinuar na mesma linha de acção, com um tom de voz firme, mas sereno e muito mais afável (reforço pela resposta dada e incentivo para continuação de comportamento semelhante).

Então − disse-lhe a professora − torna a sair e mostra que sabes fechar a porta como deve ser. O aluno saiu da sala fechando a porta com cuidado e já mais «descongestionado».

Com o bom senso e a ponderação exigidos nestes casos, de regresso a casa, a professora não esqueceu o que tinha acontecido com este aluno e chegou à seguinte conclusão: Após 3 horas de trabalho intenso durante uma aula de extrema importância para os alunos, em precárias condições de trabalho, a paciência esgota-se e o equilíbrio emocional Saude-Baltera-se. Depois de ter repreendido dois alunos que perturbaram a aula, a professora perdeu a calma e acabou por mandar sair um aluno que habitualmente se portava bem. Feita esta «reflexão», a professora decidiu agir de maneira a contrabalançar os factos ocorridos (J) (P) (Q).

No dia seguinte, a primeira aula da manhã era exactamente com a mesma turma. Depois de todos os alunos estarem sentados nos seus lugares e antes de iniciar a aula, a professora disse à turma que lamentava o incidente ocorrido na última aula, pois o aluno que fora castigado, tivera sempre um comportamento correcto nas aulas. No entanto, esperava que compreendessem e muito especialmente o aluno em questão, que nas condições em Maluco2que se trabalhava naquela sala de aula, tendo de rever e esclarecer determinada matéria muito necessária para a ficha de avaliação, era imprescindível silêncio e concentração. Depois de ter interrompido duas vezes a aula para chamar a atenção de dois alunos que a perturbaram, quando novamente outro aluno conversou e riu alto provocando nova interrupção, «perdeu a paciência» e mandou sair da aula um aluno que em condições normais poderia ter sido somente chamado à atenção.

Pediu então à turma que reconsiderasse e que todos procurassem colaborar para que não se repetissem mais incidentes semelhantes ao sucedido naquela aula. Da sua parte e dado o bom relacionamento entre eles (professsor−alunos), neuropsicologia-Bsabiam perfeitamente com o que poderiam contar. Nem sempre é possível manter a calma total. Os professores têm de compreender os alunos e estes têm de entender os professores, ajudando-se e desculpando-se mutuamente.

Este incidente, que ocorreu de forma espontânea e inesperada não é raro e acontece com frequência; porém, foi rápida e facilmente sanado graças ao bom relacionamento professor-alunos, ao bom senso e calma da professora e à consideração que a mesma tinha pelos seus alunos. As más condições de trabalho (sala muito pequena, carteiras dispostas em U, pouca ventilação e luminosidade) contribuíram para que se desencadeasse
mario-70uma situação que poderia ter-se transformado num conflito maior. Devido ao comportamento da professora, não só se desvaneceu por completo aquilo que poderia ter sido a origem de um conflito grave mas o mesmo foi ainda aproveitado para reforçar a colaboração e compreensão entre aluno e professor.

A transcrição do conteúdo do livro com este título vai continuar com a publicação do post nº 12.

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