PSICOLOGIA PARA TODOS

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ESCOLA / CONFLITOS – 12

PUNIÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕESescol-conf-c

Por ser de extrema importância o resultado da punição quando uma pessoa entra em conflito consigo própria ou com os outros e se sente, muitas vezes, frustrada, abordam-se neste capítulo diversas causas e consequências que podem fazer degenerar uma situação aceitável num descontrolo total.

Do mesmo modo como uma recompensa, sempre fixa e constante cria um «direito» e provoca uma «habituação», a punição origina comportamentos previsíveis. Após uma punição constante, cujo objectivo fundamental é atingir um determinado resultado, torna-se geralmente necessário aumentar a sua frequência e/ou intensidade para se obter o resultado inicial. Porém, como a punição provoca, na generalidade, medo e ansiedade, qualquer destas respostas desencadeia reacções fisiológicas pouco saudáveis, podendo a punição constante e sistemática originar danos psicopatológicos bastante graves como a depressão aprendida.

Face à possibilidade de uma punição, o organismo entra em conflito procurando enfrentar a situação ou fugir dela. Quando a Psicologia-Bpunição é inevitável, o organismo vai tentar aligeirar os seus efeitos através de com­portamentos diversos. Se não conseguir enfrentar a situação ou fugir, entra em ansiedade e depressão. Quando o indivíduo não consegue eximir-se à punição, a fim de reduzir até certo ponto o grau da frustração a que fica sujeito, tornando o comportamento mais «económico», «deixa-se ficar, abandonando-se por completo». A este estado, chama-se «depressão aprendida» por ter sido aprendida como uma maneira mais «económica» de resistir à frustração e por não poder evitar a punição.

Contudo, quando uma pessoa com uma resposta de fuga ou de evitamento consegue escapar duma experiência desagradável, a Interacção-B30resposta é reforçada (recompensada) pela redução do desagrado ou mal-estar. Este reforço negativo aumenta a probabilidade da ocorrência de comportamento semelhante em situação idêntica e de aprendizagem de respostas do mesmo tipo, dadas da mesma maneira, em situações futuras e perante indícios semelhantes. São reacções neuróticas que o indivíduo utiliza para a diminuição da sua ansiedade, designadas na teoria psicanalítica como «mecanismos de defesa». Segundo Martin (1973), classificam-se em: «deslocamento», «recalcamento», «anulação», «racionalização», evitamento físico ou tiques comportamentais, utilização de afectos positivos para reduzir afectos negativos, traços superficiais de personalidade e processos cognitivos. Alguns exemplos foram já dados no capítulo FRUSTRAÇÃO.neuropsicologia-B

O «deslocamento» é uma situação em que o indivíduo utiliza outra pessoa ou coisa como seu alvo. Por exemplo, quando o pai bate num filho e este não pode ripostar, a sua raiva contra o pai pode ser dirigida contra o irmão mais novo ou contra o gato que nada tem a ver com o assunto. Verificou-se em experiências laborato­riais que pessoas previamente insultadas, sem possibilidade de ripostar, davam castigos maiores do que outras a quem não era infligido qualquer castigo. Por ser um «mecanismo» de utilização muito frequente, são dados diversos exemplos nos capítulos CONFLITOS EVITÁVEIS, CONFLITOS ALUNO-ALUNO, Saude-BFRUSTRAÇÃO e CONFLITOS E FRUSTRAÇÕES.
Geen e Berkowitz (1967) verificaram essa predisposição na experiência que realizaram com «Mr. Anderson», descobrindo também que as condições ambientais (físicas e verbais) podem ser facilitadoras de agressão. A má disposição orgânica do indivíduo, o insulto, a visão de cenas de violência ou de objectos utilizados em agressões, podem facilitar o desencadeamento de actos violentos por modelagem.
Por exemplo, o professor pode «deslocar» ou, mais vulgarmene «descarregar», as suas frustrações pessoais ou socio-profissionais nos alunos, criando dificuldades superáveis ou evitáveis. Essa «descarga» pode ser mais violenta se o aluno apresentar sinais ou indícios de agressividade. Os alunos podem perturbar a aula ou não estudar ou Acredita-Bprovocar rixas com os colegas ou professores, como «deslocamento» dos seus problemas familiares ou intrapsíquicos (bullying?). Esses «desacatos» também podem ter uma força maior do que a habitual se o aluno acabar de ter problemas com alguém ou se o professor for injusto, menos compreensivo ou violento.

O «recalcamento» é uma estratégia de evitamento que exige da pessoa «não pensar mais no assunto» relacionado com as experiências desagradáveis. Coloca-se uma pedra sobre os factos desagradáveis da vida. Porém, só enquanto a força psíquica é suficiente, esses factos desagradáveis podem ficar esquecidos. Logo que essa força diminui, todos os afectos negativos (raiva, tristeza, etc.) relacionados com esses factos têm tendência a evidenciar-se.

Psicopata-BPor exemplo, um aluno que tem dificuldades no relacionamento com os familiares, colegas ou professores, pode conseguir «investir» todas as suas potencialidades na aprendizagem das matérias escolares «recalcando» ou «esquecendo-se» dos problemas da interacção socio-familiar. Porém, se adoece ou entra no período da adolescência ou se o relacionamento familiar piora, pode não conseguir «esquecer-se» dessas dificuldades e ficar suficientemente perturbado de modo a baixar totalmente no seu rendimento escolar (B) (E) (G) (I) (M).

A «anulação» ou «negação» é outra estratégia de evitamento que consiste em não admitir a ocorrência do facto desagradável. Muitas vezes afirma-se o contrário e cada um convence-se dessa «verdade». Contudo, existem ocasiões em que a dúvida reaparece e provoca danos que não se controlam no momento.Maluco2

A história da raposa e das uvas é paradigmática. Do mesmo modo, o aluno ou o professor podem querer «negar» que existe qualquer problema, apesar do mesmo ser bastante evidente. Um facto ocorrido há bem pouco tempo numa escola C+S, com alunos do 8º ano, pode ser elucidativo (ver capítulo CONFLITO PROFESSOR- ALUNO: Reconhecimento Antecipado).

Na «racionalização», existe um empenho bastante grande em «ver» as coisas da maneira mais prática e objectiva possível. Por exemplo, um general quando dá ordens para atacar, valoriza as suas razões de natureza estratégica Consegui-Bapesar de saber que provocará a morte de muita gente. Também, um médico, quando vê o paciente despido preocupa-se com a sua dedicação profissional, «não se lembrando» de qualquer fantasia erótica. Este é o mecanismo de «racionalização». Quando um aluno é castigado pode «compreender» que procedeu mal, e um professor abusivamente desrespeitado numa aula pode «aceitar» que abusou da sua autoridade, embora nem um nem outro quisessem que os factos ocorressem dessa maneira.
No exemplo do capítulo antecedente (CONFLITOS E FRUSTRAÇÕES), a professora de História não só obrigou os alunos a «racionalizar» como os ajudou a compreender melhor a situação a fim de evitar futuras repetições. Porém, sem a colaboração e com comportamentos díspares dos diversos professores, é provável que os alunos mario-70entrem inicialmente em «dissonância cognitiva», que discriminem a seguir a situação e que adoptem consciente e voluntariamente comportamentos diferentes com cada um dos professores. É o que os alunos intervenientes no exemplo do capítulo antecedente pareceram prenunciar por estarem habituados a ser «malcriados» com os outros professores.

O evitamento físico de estímulos que provocam reacções emocionais, pode consistir em tiques com­portamentais tais como fechar os olhos, voltar a cabeça, deixar de falar em público, não aceitar a inclusão em grupos, não ter namoro ou apresentar outros comportamentos fóbicos, obsessivos ou compulsivos. Contudo, todas estas estratégias não evitam o aparecimento de pensamentos e pulsões interiores.biblio-b30
Nestes casos, a solução principal é tentar o relaxamento, praticando-o intensamente (nas horas de ócio, antes de dormir, ao viajar, num convívio social e durante as actividades profissionais) e utilizá-lo, a seguir nos momentos de maior ne­cessidade até se tornar um hábito fácil de utilizar para evitar a tensão nervosa. Por isso, vale a pena consultar o livro MANIPULAÇÃO POSITIVA DA TENSÃO NERVOSA (P).

A utilização de afectos positivos para reduzir afectos negativos pode consistir nos comportamentos de beber, comer, dormir ou ter actividades sexuais que diminuam ou reduzam momentâneamente os estados afectivos negativos a que uma pessoa se encontra sujeita: tristeza, raiva, medo, irritação, etc.. «Afogar as má­goas» é uma frase com que Depressão-Bos alcoólicos exemplificam bem este conceito.
Este comportamento de fuga ao afecto negativo com a contraposição do afecto positivo, que por sua vez provoca reforço negativo (quase sempre aleatório), pode criar o «vício» de beber, comer, ter comportamentos estereotipados ou sexuais desadequados, compulsivos ou ritualísticos. Seria vantajoso que os afectos negati­vos fossem reduzidos quer através da «racionalização», quer através do relaxamento ou da «sublimação» que consiste na utilização de toda a energia «neurótica» para a conssecução de objectivos aceitáveis e válidos.

Os traços superficiais de personalidade como os de feminilidade, quando mediados de ansiedade, podem reflectir modos de evitar respostas competitivas, agressivas ou de afirmação em relação a outros homens. A extrema cortesia, o Joanapedantismo, o formalismo, podem também servir como estratégias de evitamento.

As respostas interpretativas da situação reduzem as emoções e os afectos negativos. A resposta que obtém reforço, tem tendência a ser repetida e de ocorrer em futuras ocasiões. Porém, as respostas que se desviam das crenças socialmente aceites ou que saem do consenso vulgar, apesar de clara evidência do contrário, podem ser classificadas como delírios ou fuga da realidade.

Resumindo, qualquer resposta a um castigo ou punição, implica geralmente a activação exagerada do sistema nervoso autónomo provocando uma situação «estressora» (A), passível de ser aliviada só com estratégias do tipo cognitivo, Imagina-Bgeralmente em situação psicoterapêutica (J) (Q). Em conclusão, sabe-se que uma punição provoca uma resposta de fuga que proporciona reforço negativo quando é bem-sucedida. Porém, quando existe insucesso, instala-se a frustração que provoca a atitude mais «económica» de não dar, constantemente, qualquer resposta, conduzindo à «depressão aprendida» que, quando muito prolongada, pode conduzir à extrema depauperação e debilidade fisiopsicológica.

A transcrição do conteúdo do livro com este título vai continuar com a publicação do post nº 14.

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