PSICOLOGIA PARA TODOS

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ESCOLA / CONFLITOS – 15

ELIMINAR AS DESMOTIVAÇÕESescol-conf-c

Numa escola de Lisboa, os armários de cada disciplina onde os professores guardavam toda a documentação, livros, cassetes, gravadores, fichas de trabalho e todo o material necessário para as aulas, encontravam-se numa das salas de aula. Um professor que estava a preparar as suas lições, necessitou subitamente de um livro e teve de ir a essa sala. Como estava a decorrer uma aula, bateu à porta, pediu licença à colega e entrou.

Ao entrar, ficou admirado com o que se passava na sala de aula: uma aluna estava junto do quadro, em cima de uma cadeira, com o giz numa das mãos e o apagador na outra. De vez em quando escrevia no quadro o que a professora ou os colegas lhe diziam. Reinava uma confusão tremenda dentro da sala de aula. Uns falavam, outros riam, alguns olhavam desconsolados para aquele cenário, mas poucos escreviam ou prestavam atenção ao que a professora dizia.

O professor tirou o livro que necessitava, agradeceu à colega e saiu pensando consigo próprio: “Como se poderão dar aulas num ambiente destes?” “O que aprenderão os alunos?” “Que motivação terão para aprenderem a neuropsicologia-Bmatéria escolar no reino da confusão, em que quase todo o tempo de aula é desperdiçado com brincadeira improdutiva?”

Não havia naquela aula a mínima motivação, indispensável para uma aprendizagem razoável. Na adolescência e pré-adolescência, as crianças têm a motivação geral da curiosidade e da competência, com o objectivo de sucesso, que deve ser devidamente reforçado para que funcione como incentivo duma motivação posterior. O que se verificava com aqueles alunos naquela sala de aula era um reforço para comportamentos lúdicos, de desatenção, de desinteresse pela matéria académica, como se a desordem estivesse a ser reforçada para continuar em todas as aulas. E se esse comportamento ficasse suficientemente reforçado nessa aula até ao ponto de ocasionar Psicologia-Bgeneralização para outras aulas? A desmotivação para a aprendizagem académica não estaria a ser uma variável, introduzida provavelmente sem intenção, por falta de controlo da professora em causa? Por acaso, ainda bem que os alunos eram capazes de fazer uma discriminação entre essa aula e as restantes; caso contrário, o ensino estaria comprometido pelo descuido de uma professora que não tinha noções suficientes de pedagogia, modificação do comportamento e psicologia de grupo (K).

***

O relato de uma professora a uma colega diz mais ou menos o que se segue.Interacção-B30

“Imagina o nosso jovem colega a defender um método moderno de ensino insurgindo-se contra o antigo sistema, classificado, por ele, de «fascizante». Não aceita que os alunos devam estar sentados nos seus lugares, a ouvir o professor, para poderem compreender as matérias e tomar apontamentos. Diz ele que cada um aprende como entende, sem ter de estar com o mínimo de atenção nas aulas. Os resultados da turma nessa disciplina foram os piores; nas restantes, os alunos comportavam-se de maneira tradicional, embora com bastante liberdade para se sentirem completamente à vontade com os professores e os resultados alcançados foram satisfatórios.Joana

Como era Directora de Turma do 7º ano, necessitei de fazer um aviso importante aos meus alunos; não tendo possibilidade de os contactar ao longo de todo o dia, resolvi bater à porta da sala de aula para lhes dar a informação. Quando entrei, alguns alunos estavam sentados sobre as mesas com as pernas a balouçar e a conversar, tal como o professor; outros riam e conversavam e poucos, sentados normalmente, copiavam para os cadernos o que estava escrito no quadro. Entretanto, alguns entraram nesse momento porque tinham saído para ir à casa de banho e outros já se preparavam para abandonar a sala de aula. Perguntei ao meu colega se podia fazer rapidamente um aviso à turma e depois de ter a sua concordância, pedi aos alunos que se sentassem todos nas Acredita-Bcadeiras e tomassem atenção. Os alunos reagiram rápida e ordeiramente e, depois de todos acomodados e transmitida a informação necessária, agradeci ao meu colega e saí da sala.

Mais tarde encontrámo-nos na sala de professores e ele disse-me que talvez tivesse estranhado o comportamento dos alunos; era uma aula em que eles estavam à vontade e aprendiam uma língua estrangeira em moldes completamente modernos. Como também dava aulas de língua estrangeira, perguntei-lhe se o resultado obtido pelo seu método era superior ao obtido por essa turma em outra língua estrangeira, leccionada de maneira tradicional. Perguntei-lhe também se os resultados obtidos no ano antecedente tinham sido mario-70satisfatórios. Respondeu que os alunos estavam a tomar contacto com a língua e que os mal sucedidos eram os que pouco ou nada se interessavam pela aprendizagem.

As minhas últimas perguntas e exclamações, todas seguidas, foram efectuadas para obrigar o colega a reconsiderar o «seu método de ensino» e a pensar nas consequências negativas que o mesmo estava a trazer para os alunos:
− Se o seu método é tão bom, o insucesso já verificado, especialmente em comparação com os resultados de outras turmas é devido à incapacidade dos alunos ou à falta de capacidade pedagógico-didática do professor?
− Se o método «considerado fascizante» não é bom, qual a justificação do melhor resultado obtido pelos mesmos alunos na Bibliooutra língua estrangeira?
− Se o método é considerado «fascizante», porquê o «bom relacionamento», espontâneo, voluntário e ordeiro dos alunos com a professora da outra língua estrangeira que entrou na sala?
− Não será uma total desmotivação para a aprendizagem de uma língua, aquilo que estava a acontecer na sua aula, reforçando um comportamento de desinteresse e de desordem, sem os alunos terem possibilidade de apreender a matéria necessária?

Fazendo estas perguntas, acrescentei:
− Os alunos podem até julgar que todo aquele rebuliço que notei nas suas aulas é vantajoso e encorajado pelo professor. ComoSaude-B Directora de turma tenho obrigação de zelar pelos interesses dos meus alunos. Tudo o que disse não foi uma crítica mas uma tentativa de ajuda para o «colega» repensar e reavaliar o seu método e ensino.

****

Numa escola muito pequena, todas as salas de aula do rés-do-chão, com janelas bastante baixas, davam para os corredores do pátio de recreios. Os alunos que por vezes não tinham aulas, passavam junto das janelas e alguns punham-se a olhar para dentro, faziam «momices», riam-se através dos vidros e, por vezes, se alguma das janelas estava aberta, metiam a cabeça para dentro da sala e tentavam conversar com os que estavam na aula. Por sua vez, os Maluco2alunos que estavam dentro da sala distraiam-se, achavam graça, sorriam para os seus colegas «engraçadinhos» e até tentavam responder às suas gracinhas.

Para conseguirem ter mais sossego dum modo geral, os professores que davam aulas nessas salas, costumavam fechar as janelas e baixar as persianas, tendo, por isso, de trabalhar com luzes acesas. No tempo frio e chuvoso de inverno, essas aulas passavam-se normalmente. No entanto, quando surgia o bom tempo em muitos dias de Inverno ou se aproximava a Primavera, era difícil e muito desagradável tanto para os alunos como para o professor continuar a ter aulas de persianas corridas.

Psicopata-BTudo aquilo que estava a acontecer era desmotivante quer para os alunos quer para os professores. Os alunos distraiam-se e não conseguiam apreender a matéria. Os professores que desejavam sucesso na sua tarefa de ensino não conseguiam transmitir aos alunos os conceitos que desejavam. Quer uns quer outros se sentiam frustrados embora a reacção de qualquer deles não conseguisse ser a mais adequada: os alunos distraiam-se com o que se passava fora e os professores irritavam-se e zangavam-se com os alunos nos constantes momentos em que isso acontecia.

O Conselho Directivo resolveu fazer reuniões separadas com alunos e professores para expor o problema e solicitar dos dois grupos uma colaboração específica: dos alunos pedia-se que tentassem não ligar importância àquilo que Consegui-Balguns colegas menos avisados faziam fora da aula (evitando o reforço desse seu com­portamento); aos professores solicitava-se que não ligassem importância às possíveis distracções esporádicas dos alunos, reforçando-os imediatamente quando se portassem bem. Foram-lhes dadas noções de reforço do comportamento incompatível em modificação do comportamento (F). Em seguida, todos os alunos da escola foram avisados que deviam evitar fazer barulho junto das salas nas horas de aulas, não se aproximar das janelas abertas nem espreitar para dentro das salas de aula. Foi-lhes também recomendado que fossem para as suas salas de aula e estudassem qualquer coisa quando os professores faltassem. O Conselho Directivo conseguiu ainda que dois professores com horário incompleto e de muito boa vontade, ajudassem os alunos a ocupar os tempos Imagina-Blivres especialmente quando algum professor faltava.

Toda esta tentativa de entendimento foi reforçada pelo Conselho Directivo, que pediu aos professores e empregados para tomarem especial nota dos alunos que se portavam bem, divulgando os seus nomes em cada reunião de Conselho Pedagógico para que os alunos fossem recompensados ou elogiados pelo seu comportamento. A colaboração foi boa atendendo às dificuldades iniciais e ao comportamento vulgarmente mantido por professores e alunos. Contudo, além da iniciativa inédita do Conselho Directivo, o êxito dependeu imenso da pequenez da escola, do reduzido número de alunos e da compreensão e colaboração dos professores. A desmotivação reduziu-se nesse ano lectivo, o rendimento escolar aumentou e a colaboração entre professores, alunos, pessoal administrativo, Depressão-Bauxiliar e pais foi muito maior do que em outros anos. Porém, no ano lectivo seguinte, com a mudança do Conselho Directivo as coisas tornaram-se bem diferentes, originan­do-se muitos conflitos, processos disciplinares, faltas de castigo e mal-entendidos que quase tinham sido eliminados. Com a descrição deste acontecimento, parece-nos que a atitude do Conselho Directivo é muito importante, servindo o seu comportamento de modelo para todos os restantes membros do agregado escolar (D).

Um dos professores que tinha todos os dias aulas nas salas do rés-do-chão, depois de combinar com os seus alunos que iriam ignorar a existência dos possíveis espectadores que se aproximassem das janelas, resolveu deixar as persianas abertas em todas as aulas. Ninguém olharia para eles e a aula decorreria como se nada de especial estivesseDifíceis-B a acontecer fora da sala. Quando algum dos curiosos insistia um pouco mais com as suas manobras de distracção, o professor aproximava-se da janela e, num tom calmo e afável, convidava-os a afastarem-se para que os colegas pudessem trabalhar sem se distraírem (I).

Havia dias em que os alunos se esqueciam do que tinham combinado com o professor e distraíam-se facilmente com as momices dos que se aproximavam das janelas. Sempre que isto acontecia, o professor, muito serenamente, fazia-lhes lembrar que se eles queriam que os colegas se afastassem das janelas, o melhor que tinham a fazer era ignorarem por completo (extinção) a sua presença.

Psi-Bem-CAo fim de aproximadamente dois anos de convívio com a mesma turma, o professor conseguiu que a maioria dos alunos ignorasse a presença dos que se aproximavam das janelas e estes, por sua vez, como ninguém lhes ligava importância, acabavam por se afastar. Graças à sua persistência, equilíbrio emocional e conhecimento humano, este professor ajudou os seus alunos, através das técnicas de modificação do comportamento, a aprender como se extingue um comportamento desagradável, conseguindo ao mesmo tempo que eles estivessem com atenção nas aulas (P).

A transcrição do conteúto do livro com este título vai continuar com a publicação do post nº 16.

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