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ESCOLA / CONFLITOS – 17

QUALIDADES, PREPARAÇÃO E TREINO DO PROFESSORescol-conf-c

Qualidades

 Por qualidades, queremos significar as características essenciais que um profissional do ensino deve ter para poder transmitir conhecimentos aos seus alunos motivando-os a que os apreendam com gosto e a façam deles uma boa utilização posterior quando necessário e útil, para si e para a sociedade.

Infelizmente, aquilo que em primeiro lugar se verifica em quase todas as sociedades, é a preparação técnica de quem vai exercer a docência, sem a mínima preocupação com a sua capacidade de transmitir os conhecimentos, motivando os alunos a aprender com interesse. Sob este ponto de vista, seria essencial fazer selecção ou orientação, aconselhamento e acompanhamento adequados de todos os candidatos a professores. Pior ainda, é a utilização de mão-de-obra barata e não qualificada, não pela inexistência de docentes competentes, mas por razões financeiras e de poupança.mario-70

Por isso, antes de tudo, é importante que as Escolas e Faculdades de preparação de docentes, a qualquer nível, tenham um corpo de orientadores e conselheiros que desde o início possam encorajar os candidatos a prosseguirem na carreira docente. Os que não fossem antecipadamente seleccionados para o ensino, teriam muitas opções, grande parte das vezes mais remuneradoras. Os que não tivessem uma avaliação antes da conclusão do curso, deveriam ser avaliados quando decidissem enveredar pela carreira docente.

Evitar-se-ia assim o grande número de pessoas que se dedicam ao ensino porque não conseguem outro emprego mais a seu Interacção-B30gosto, porque desejam ficar colocados em determinados locais, ou porque se enganaram inicialmente na sua escolha profissional.

 

Características da personalidade de um bom professor

  1. Ser emocionalmente estável: conseguir manter a calma e o bom humor em todos os momentos, especialmente quando a situação exigir que o professor seja o orientador, o árbitro ou o amigo e conselheiro.Joana
  2. Ser persistente e resistente à frustração: muitas são as ilusões que os professores vão perdendo ao longo da sua carreira. Sem falar nas condições económicas e financeiras, as próprias condições de trabalho nunca são as ideais, nem os alunos são sempre receptivos e colaborantes; muitos deles vêm de famílias perturbadas; lidar com eles exige uma dose bastante grande de resistência à frustração porque na maior parte das vezes as medidas tomadas não dão os resultados pretendidos (P).
  3. Ser sociável: dar-se bem tanto com os alunos como com os colegas, encarregados de educação, pessoal administrativo e auxiliar, mantendo um bom relacionamento mesmo em momentos de conflito e de divergência de pontos de vista (K).
  4. Ser responsável: é importante que o professor com o seu exem­plo, mostre aos alunos que os horários e as normas Acredita-Bdevem ser cumpridos, assim como a palavra dada deve ser respeitada, assu­mindo cada um a responsabilidade dos seus actos; para tanto, a flexibilidade e a benevolência são qualidades bastante importan­tes (D).
  5. Ser flexível: a flexibilidade tem muito a ver com a ausência de autoritarismo; faz que o professor se adapte facilmente às diferentes situações, à maneira de ser dos seus alunos e suas famílias para depois os conseguir orientar de modo a alcançar a solução mais adequada para cada situação. A flexibilidade ajuda ainda o professor a dar aos alunos o apoio indispensável para que eles se tornem pessoas verdadeiramente instruidas e respeitadas (B).
  6. Ser benevolente: muitas vezes as crianças (e até os adultos) se distraem involuntariamente, porque estão preocupadas Difíceis-Bcom outras coisas, praticando actos irreflectidos. Reconhecê-los, corrigi-los, evitá-los ou até ajudar os alunos a prever esses momentos, é uma tarefa que vale a pena ser exercida pelo professor.
  7. Sentir segurança e autoridade: qualquer técnico que esteja numa situação de orientação e controlo, necessita sentir e demonstrar que é capaz de «aguentar» e resolver as situações que forem surgindo, por pior que sejam ou pareçam (M).
  8. Ser criativo: um professor deve ajudar a desenvolver as capacidades dos alunos; não deve impor, mas fazer evidenciar aquilo que o aluno já possui, orientando-lhe as capacidades naturais para apreender um número de conhecimentos cada vez maior (G).Psicopata-B
  9. Saber ajudar os alunos a aprender: transmitir conhecimentos sem dar a impressão de estar a ensinar, mas dialogar de modo a ajudar os alunos a adquirir voluntariamente os conhecimentos que lhes são transmitidos.
  10. Ser directo: saber encarar uma situação com naturalidade e sem preconceitos, indo directamente ao assunto ou cerne da questão, sem rodeios ou falsas justificações e assumindo a responsabilidade dos seus actos.
  11. Ser objectivo: tentar apreender as situações com realismo e sem subjectivismos ou ideias pré-concebidas (Q).Biblio
  12. Ser paciente: o ensino exige muita paciência porque cada aluno percebe a seu tempo e é frequentemente necessário repetir a informação diversas vezes e até desculpar pequenas distracções que podem não ser voluntárias mas ocasionadas pelas circunstâncias do momento (I).
  13. Ser autónomo: o professor necessita ser um modelo de actuação para os seus alunos; a autonomia é importante na medida em que ajuda cada um a responsabilizar-se e a trabalhar por si sem ficar à espera da orientação, apoio ou protecção dos outros; os alunos vão crescendo e é importante que se tornem cada vez mais autónomos e responsáveis (E).
  14. Tentar ser justo: manter um relacionamento equivalente com todos os alunos, sem favorecer qualquer um, quer seja neuropsicologia-Bmais ou menos intelectualmente dotado, bem ou mal comportado, de estrato social ou económi­co favorecido ou desfavorecido (A).
  15. Ser apoiante: é importante que os alunos sintam que o professor é uma pessoa em quem podem depositar toda a confiança e com quem devem ser sinceros. É geralmente importante que sintam da parte do professor um apoio forte e incondicional, já que muitas vezes é ele o substituto dos próprios pais (C).

A qualidade do que se ensina depende essencialmente das características pessoais do professor, da relação com as turmas, da capacidade de motivar os alunos e de orientar as actividades das aulas, da segurança Maluco2demonstrada e do apoio que os alunos sentem no «seu» professor (Highet, 1972).

 

Preparação

A preparação é uma das facetas importantes da formação do professor. Contudo, parece-nos que existe um investimento muito maior na vertente científica e técnica do que na humana, pedagógica e de relacionamento interpessoal. Se o investimento nesta segunda vertente fosse idêntico ao da primeira, teríamos mais professores dedicados e
Saude-Bcompetentes, capazes de resolver confli­tos e até de reduzi-los ou evitá-los. Porém são frequentes as queixas de pais insatisfeitos e alunos mal avaliados.

Os professores ficam tecnicamente bem preparados mas humanamente incapazes de resolver simples dificuldades que ocorrem em qualquer relacionamento humano. Não necessitamos da escola para verificar isso. Em qualquer emprego existem querelas. Porém, na escola, o professor é o único que tem de lidar com 20 a 30 alunos de cada vez, cada um com um tipo de educação e ambiente familiar diferente e, muitas vezes, perturbado. Que treino tem o professor para conseguir não sucumbir à mais pequena dificuldade? Que preparação teórica lhe é dada durante o seu curso de formação para a docência? As disciplinas de sociologia, psicologia, relações humanas, gestão de Consegui-Bconflitos, pedagogia e didáctica têm o mesmo «peso» das restantes disciplinas «científicas»? (F)

O assunto transcende-nos, mas compete-nos alertar os investigadores para que tomem conta dele e façam o planeamento dos currículos e das cargas horárias dos diversos cursos destinados aos agentes do ensino com a devida ponderação. Se esse planeamento for feito de acordo com a experiência ganha pelos ensinamentos colhidos em muitos anos de ensino e investigação, é certamente melhor do que se for realizado por alguns técnicos essencialmente teóricos e que nunca deram uma aula. Estes poderão exercer o papel de investigadores e conselheiros técnicos mas nunca o de planeadores definitivos. Porém, julgamos que nenhuma opinião de professores mais experimentados se solicita e se toma em consideração quando da elaboração de Psicologia-Ccurrículos, as formas de avaliação, etc.. As greves, tanto dos alunos como dos professores, podem ser uma consequência do estado pouco satisfatório a que o nosso ensino chegou.

Também em relação a este ponto, as disciplinas e as especialidades de psicologia, sociologia, relações humanas e gestão de conflitos são muito importantes, não só num currículo de docência mas ainda na assessoria das Escolas de ensino ou nos próprios centros de decisão.

Enquanto a preparação científico-técnica nos desilude um pouco, o treino pedagógico-profissional afigura-se-nos bastante fraco. O forte é a teoria; porém, a prática é o que mais interessa, especialmente quando as qualidades do Organizar-Bprofessor não são devidamente evidenciadas, avaliadas, orientadas e desenvolvidas ao longo da formação. Portanto, a prática é da máxima importância (N).

 

Treino

Queremos significar por treino, toda a prática pedagógica inicial que os docentes deveriam ter como quaisquer outros profissionais. Porém, enquanto os outros profissionais tais como engenheiros, médicos, enfermeiros, advogados, etc., só iniciam o seu estágio ou prática profissional após a conclusão dos respectivos cursos, sendo os mesmos indispensáveis para sucess2o exercício da profissão, na docência isso não acontece. Actualmente só se exige um estágio, tal como o antigo exame de estado, para a profissionalização ou provimento definitivo do cargo de professor. Contu­do, para o exercício da profissão, os professores podem ter habilitação própria, habilitação suficiente e habilitação insuficiente. Fazemos esta última referência porque se chegou ao ponto de pessoas só com o 5º ano dos Liceus darem aulas ao 5º ano; ou seja, a níveis actuais, os habilitados só com o 9º ano poderiam dar aulas do 9º ano.
Que prática pedagógica têm os professores com habilitação própria que dão aulas antes de se profisionalizarem?
Que prática pedagógica têm os professores com habilitação suficiente que dão aulas nas nossas escolas? E que nível de habilitação técnico-científica possuem?apoio2
Que habilitação técnico-científica e que preparação pedagógica têm os professores que só com o curso secundário dão aulas no ensino preparatório ou secundário?

Seria lógico que se promovessem a médicos praticantes os alunos do 3º ano de medicina? Seriamos capazes de aceitar como engenheiros aqueles que acabam de se inscrever no curso superior de engenharia? Porquê a anomalia que se verifica no ramo educacional? Será o menos importante? Como se poderão formar devidamente os cidadãos do futuro?
Embora o ideal para a dignificação da profissão de docência é que ela fosse ser exercida exclusivamente por pessoas com reed-como-bqualidades exigidas a um bom professor, parece de extrema importância que ela nunca seja atribuída a não ser a indivíduos tecnicamente preparados e pedagogicamente treinados. Infelizmente, não é isso que acontece, com todos os inconvenientes que daí decorrem.

Este treino não se pode fazer em menos do que dois anos durante os quais o técnico, já cientificamente preparado, deve ter sempre apoio de um colega mais habilitado e mais capaz. Em vez de estruturar demasiadamente o estágio com normas e orientações, seria muito mais importante que o docente em preparação fosse sempre criativo e permanentemente confrontado com os factos do dia-a-dia, aprendendo a resolver os diversos conflitos que ocorrem geralmente nas aulas. O orientador deveria ser essencialmente «apoiante» e capaz deAdolescencia-B «obrigar» o docente em preparação a resolver por si próprio as dificuldades, discutindo posteriormente todas as acções efectuadas e as alternativas possíveis. O seu bom relacionamento com os alunos e pelo restante pessoal, também deveria ser avaliada e desenvolvida durante o treino.
Este treino deveria ter também o apoio de psicólogos e gestores, além de pedagogos e especialistas na disciplina do futuro professor.

Tudo isto exige um esforço financeiro bastante vultuoso, mas uma racionalização adequada das forças que se encontram em acção no ministério respectivo pode dar um contributo bastante grande.

Educar-BUm outro ponto importante é dotar as escolas com meios audiovisuais indispensáveis e com manutençäo adequada. Caso contrário, a eficiência será reduzida. Podem-se filmar aulas de professores «novos» e «mais antigos», analisá-las e discuti-las para se alterar aquilo que for necessário. Se os novos professores tiverem um termo de comparação e uma possibilidade de aprender por modelo (e porque não por identificação), a preparação dos novos professores terá tendência a melhorar.

A transcrição do conteúto do livro com este título vai continuar com a publicação do post nº 18.

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