PSICOLOGIA PARA TODOS

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Archive for the month “Março, 2017”

CONVERSA ENTRE AMIGOS – 3

Ontem de manhã, quando dava o meu passeio habitual, o senhor que tinha conversado comigo na semana anterior, estava à minha espera à porta do café, solicitando que entrasse para podermos conversar mais um bocado.
Ele tinha visto no «ACADEMIA.edu» a versão inicial do livro «AUTOTERAPIA» publicado sob o título «SELF-THERAPY» e tinha gostado. Contudo, não achava fácil executar tudo o que tinha lido sem uma ajuda, pelo menos, pontual e esporádica.
Assim, começámos a conversa para esclarecer aquilo que mais lhe interessava.

 

P: Não acha que tudo aquilo que diz nesse artigo tem de ser devidamente acompanhado?
R: Antes de tudo, tenho de confessar que tudo isso começou comigo, quando entrei em depressão profunda e a única ajuda que tive foi a do psiquiatra que me medicou durante quase ano e meio, diziendo que eu tinha de resolver os «conflitos» antigos que tinha com o meu pai.
Com o meu pai, a única divergência que tinha tido, era a de não ter ingressado no curso de Direito logo depois de terminar o curso dos liceus, mas esse facto devia-se essencialmente a dificuldades financeiras.
Por isso, depois de ser conservador interino na Biblioteca Nacional de Goa durante 3 anos, ingressei na Força Aérea, esperando ir para os TAIP, depois dos 4 anos de serviço obrigatório por contrato.
Contudo, não foi isso que aconteceu e fui destacado para Angola ao fim de mais de 3 anos de serviço.
Na minha 2ª comissão em Angola, depois de destacamentos nos Açores e Guiné e com 8 anos de serviço no quadro permanente, nos momentos em que estava totalmente frustrado, em Luanda, já tinha lido, os livros de Pierre Daco que estavam ao meu alcance.
Mesmo depois dessa comissão, a Força Aérea obrigava-me a continuar no activo, sem poder ter licença ilimitada findos os 8 anos de oficial do quadro permanente, para ingressar na TAP, onde ganharia pelo menos mais do que o quíntuplo e ficaria em muito melhores condições.
Afinal, o meu total desengano e a minha grande frustração era ocasionada pela Força Aérea que, durante 7 anos não me deu autorização para continuar o curso de Direito que já tinha iniciado em 1958, nem me libertou da sua tutela.
Tudo isto já tinha começado e repercutir-se fortemente na minha saúde, provocando constantes diarreias, mal-estar, enxaquecas, descontrolo cardíaco, transpiração abundante, dores musculares e várias outras «mazelas». São as tais doenças psicossomáticas. Tive de me «desenrascar» por mim próprio e tudo isto foi conversado com o meu amigo Antunes (J).

P: Essa leitura de que me falou, ajudou muito?
R: Posso garantir que essa leitura, vagarosa, bem introjectada e cuidadosa, deu-me a ideia de que existem muitas coisas que se passam na nossa vida que nos podem incomodar imenso num determinado momento e em certas condições e passar depois a um esquecimento voluntário ou «forçado», podendo servir de «gatilho» para haver disparos, anos mais tarde, às vezes, sem darmos conta disso e nos momentos mais inesperados.

P: Já estou a compreender. Mas o que se faz lendo e compreendendo essas coisas?
R: Respondendo por mim, posso dizer que comecei a compreender que existem mais causas, do que «culpas», para os nossos comportamentos, que são os efeitos que, às vezes, podem não nos interessar.
Por exemplo, se tivermos medo dos relâmpagos, pode ser que a causa tenha sido o facto de ver a avó muito aflita nos momentos de trovoada. Uma criança impressiona-se muito com isso e vendo a avó com medo, pode julgar que ter medo pode ajudar em alguma coisa. Esconder-se debaixo duma almofada pode ajudar a reduzir ou a não ouvir o estrondo dos trovões. São sinais condicionais que ficam associados aos nossos comportamentos.
Comecei a compreender tudo isto quando tive as magníficas aulas de Psicologia Geral com o Prof. Orlindo Gouveia Pereira e assisti, em 1973, aos seminários que o Doutor Victor Meyer, da Faculdade de Medicina do Hospital de Middllesex, Londres, conduziu nos Hospitais de Santa Maria e Júlio de Matos.
Quando regressei de Luanda, eu já estava, desde 1970, no curso de Psicologia do ISPA que, por ser privado, não me exigia a tal autorização da «tropa» para tirar o curso.

P: Isso serviu de muito?
R: Tudo isso fez-me compreender que a minha depressão não poderia ser ultrapassada com os comprimidos que me estavam a receitar mas sim com uma metodologia diferente. Além disso, até me podiam deixar na sua dependência e degradar a saúde.
Com essa depressão, eu estava tão «em baixo» que fui retirado das tripulações e colocado numa Direcção de Serviço e, pouco depois, fui dado com incapaz para o de serviço de vôo.
Foi por isso que passei à reserva através duma Junta de Saúde, em 22 de Abril de 1974.
Comecei a ler muito sobre esses temas e compreendi que não basta só «desvendar» as dificuldades passadas ou recalcadas mas sim descobrir a maneira de as ter podido evitar ou de as ultrapassar.
Por isso, a psicanálise não me seduzia, mas uma análise profunda ajudaria a descobrir as causas.
Era necessário examinar as capacidades e possibilidades de cada um e saber de que modo se poderia ter actuado de maneira diferente para não sentir a «carga» dessas dificuldades.
Para isso, só o comportamentismo ou «behaviorismo» também não chegava.
Seria necessário juntar as duas coisas, ter uma visão global (gestalt) e descobrir o sentido da vida para alterar as nossas cognições.
A descoberta de muitos livros como o «Man´s Search For Meaning» de Viktor Flankl e «Psychoanalyse Yourself», de Edward Pickworth Farrow e diversos outros sobre Modificação do Comportamento, ajudaram-me a compreender que muitos dos nossos comportamentos (efeitos) são modificáveis desde que se alterem as «causas» ou estímulos que os provocam ou ocasionam. Muitas vezes, eles são incentivados por estímulos esporádicos e «despretensiosos» mas que causaram em nós algum impacto anterior, funcionando como sinais condicionais.

P: É interessante esta maneira de utilizar a psicologia! Nunca tinha pensado assim.
R: É muito natural que não pense assim, especialmente se estiver a ver os programas de televisão em que os da Polícia Judiciária parecem estar a falar mais em Psicologia do que os Psicólogos que lá aparecem.
A minha ideia é completamente diferente.
Todos os problemas passam-se na nossa cabeça. É aí que temos de actuar. Quem melhor do que o próprio pode fazer isso? Como é que uma pessoa consegue actuar exactamente como qualquer outra? Cada um tem os seus recursos e é com eles que deve actuar. Se souber como agir, melhor ainda. Não tem de ficar dependente de alguém que o vá orientar e monitorizar. Foi o que aconteceu comigo e, até certo ponto, com o meu amigo Antunes (B).
Também, como é que se poderia adivinhar que, no caso dele, os problemas académicos ou o insucesso da filha se deviam à falta de assistência do pai em casa, por estar «quase casado» com a Empresa Financeira onde trabalhava? E os problemas dele? E aqueles que ele provocava na mulher, que se sentia desamparada?
Tudo isso tinha de ser compreendido por ele através da leitura que ele se prontificou a fazer a partir das conversas que teve comigo, mas que se podem difundir também com palestras que estou a propor (B/109).
Se cada um souber o modo como os comportamentos funcionam, isoladamente e em grupo, muitos deles poderão ser modificados desde que se saiba quais são as causas.
E, quem melhor do que o próprio pode saber isso? Como poderá compreender toda essa problemática se não analisar o seu comportamento na interacção com o meio envolvente? Como poderá conseguir analisar tudo isso se não tiver calma e discernimento suficientes? E a humildade, com sinceridade, que é necessária para reconhecer as causas que, frequentemente, confundimos com culpas? A necessidade de apresentarmos uma boa imagem é tão grande que, geralmente, descobrimos «justificações» para tudo. Os outros poderão «aclarar» isso melhor do que cada um? E quem poderá praticar, por nós, o relaxamento mental que é necessário para isso?

P: Então, o que se deve fazer?
R: Por isso, julgo que é melhor e mais apropriado cada um despir-se sozinho, tanto quanto necessário, para ir descobrindo as suas características, que contém muitas qualidades e inúmeros defeitos. Algumas vezes, pode necessitar de ajuda especializada, mas só naquilo que não conseguir compreender e analisar devidamente. Para isso, também tem de compreender o funcionamento do comportamento. Por isso, julgo que as leituras são importantes e os livros «Psicologia para Todos» (F) e «Interacção Social» (K) são essenciais.
Contudo, apenas a leitura de «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» (D) em que se fala da utilização da modificação do comportamento na prática do dia-a-dia, pode ajudar imenso. Se uma criança «birrenta», ocasionou a «des-união» dos pais e conseguiu a sua «re-união» através da modificação do seu próprio comportamento, qual a razão de os mais velhos não conseguirem fazer o mesmo? E, se essa criança, através da modificação do seu comportamento aprendeu as técnicas necessárias, qual a razão de os mais velhos não as poderem aprender para as empregar com eficiência?

P: Acha que isso chega?
R: De modo algum. Por isso, a maneira de se chegar a um relaxamento mental está bem explicado nesse novo livro sobre «AUTO{psico}TERAPIA» (P). Necessita de prática e de persistência que só pode ser de cada um. Os conselhos não servem para mais nada a não ser como orientação e ajuda inicial, momentânea ou temporária e pontual. Às vezes, até podem frustrar quando a pessoa não conseguir atingir aquilo que o técnico diz ser possível. Porém, esse técnico pode ser um factor de orientação, encorajamento e de motivação para que o «paciente» leve a bom termo a sua tarefa. Aconteceu especialmente com a Cidália, de «Eu Também Consegui!» (C). Contudo existem pessoas que são renitentes em praticar o relaxamento e até se recusam o ler o que é
necessário. Os «casos» descritos em «Psicoterapias Difíceis» (M) são elucidativos e, quando o meio ambiente familiar, profissional ou social não ajudam, as coisas podem ficar ainda piores.

P: Se me diz que o ambiente familiar é muito importante, já me está a implicar nisso e parece-me que está a dizer que eu tenho de mudar alguma coisa em mim próprio para dar apoio ao meu filho.
R: Veja como chegou a esta conclusão sem eu ter de lhe dizer isto numa consulta. O que mais me importa é que as pessoas, lendo os livros, vejam reflectidos neles em alguns dos seus traços e, fazendo as comparações necessárias, descubram de que modo terão de se modificar para alterar o meio ambiente da maneira que mais lhes agradar ou fôr necessário, precisando, às vezes, de alguma ajuda suplementar de técnicos competentes e honestos.

P: Isso consegue-se com a ajuda de livros?
R: Da minha parte, posso garantir que sim. O Antunes (B) dirá quase a mesma coisa. O Júlio (E) necessitou de algum apoio para os primeiros ensaios. A Cidália (C) teve alguma ajuda durante bastante tempo. Faltam também os casos da Cristina, da Germana, do Januário (L), da Isilda, da «nova paciente» (H). Lendo com cuidado as suas histórias, podem-se tirar muitas ilações e confrontando-as com as do «Mijão», do «Calimero», da «Perfeccionista» e do «Pasteleiro», verificar de que modo o meio ambiente pode influenciar negativamente os comportamentos que dependem, em grande parte, do mesmo. Como os pais fazem grande parte do comportamento dos filhos, verificou-se o modo como a «JOANA» (D), conseguiu modificar rapidamente o seu comportamento desde que os pais alteraram o seu.

P: Já estou a compreender.
R: É por este motivo que, depois de 40 anos de clínica, estou que a lutar pela prevenção mais do que pela cura. Tudo se torna mais vantajoso, harmonioso, económico e fácil de lidar, sem receio de sobressaltos desnecessários.
É a herança que podemos deixar aos nossos descendentes para um mundo melhor do que o nosso.
Quando tiver entre mãos o novo livro de «AUTO{psico}TERAPIA» (P), leia com muito cuidado o capítulo «PREVENÇÃO e PROFILAXIA» para se certificar do que estou a dizer agora.

P: Estou a lembrar-me que muito se pode fazer também na nossa religião católica.
R: É uma constatação interessante mas que exige perguntas: “Qual religião?” “Só a nossa?” “E as outras?”
Concordo plenamente, desde que a religião seja de concórdia e não de ódio. O mesmo acontece com muitas práticas, como as de Psicologia Positiva. Mindfullness, Yoga, Meditação, etc. e muito já escrevi sobre isto neste blog. O importante é a cabeça de cada um e os valores que ela pratica e defende.
Falando por mim, posso dizer que os meus antepassados imediatos foram católicos, mas os mais remotos foram hindús. E os mais remotos ainda não sei o que foram. Contudo, em Goa, todos nos dávamos muito bem uns com os outros, a ponto de o proprietário duma devalaia chamar «prima» à minha mãe. No meu tempo, nunca houve problemas. Contudo, uma intransigência de que tive conhecimento foi a do vigário da nossa paróquia, não deixando que um hindú custeasse as despesas das festas da semana-santa. Apesar de ser «gãocar», isto é habitante legítimo e antigo dessa paróquia, não foi autorizado. A intolerância parece que foi do pároco de quem também nunca gostei. O que diria agora o Papa Francisco? Também, nisto, o mais importante é a cabeça de cada um, com os valores que introjectou na estruturação da sua personalidade e o modo como utiliza os seus recursos. A Psicologia é para todos e não existe religião, credo, etnia, género ou qualquer outra peculiaridade que a diferencie. O importante é a pessoa humana e o seu ambiente.

P: Gostei desta conversa que me esclareceu bastante. Fico à espera do livro, já que diz que a leitura é muito importante. Mas, não consigo compreender a importância que lhe atribui.
R: Deixe-me ser muito «ordinário» com o exemplo que lhe vou dar! As nossas estradas e ruas não são das melhores e, muitas vezes, existem pedrinhas que incomodam, obstáculos que teremos de passar ou enfrentar, além de poças de água e lama barrenta. Se, por ouvir dizer ou por não lermos alguma coisa séria e científica sobre isso, não soubermos que a água pode molhar e a lama estragar certo calçado ou que os carros podem esparrinhar água e sujar a roupa, além de nos atropelar, não teremos o cuidado suficiente para nos precavermos disso, olhando bem para o terreno que iremos  pisar, calculando todas as situações. Se não houver livros que nos dêem as noções necessárias para a precaução a ter ou de «defesas e capacidades de ultrapassagem» a manter nas circunstâncias adversas, até somos capazes de «alegremente» «meter a pata na poça»! Compreendeu agora o meu ponto de vista?
Se não tivermos o cuidado de nos precavermos ANTES, conhecendo o que é necessário, teremos de ficar a maldizer a sorte e os estragos sofridos DEPOIS, quando tudo isso poderia ter sido evitado.
Até à próxima quinta-feira para lhe entregar o livro, ou para publicar em novo post com o capítulo de que falei.

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CONVERSA ENTRE AMIGOS – 2

Ao comentário no último post (19) sobre «ESCOLA / CONFLITOS»:

“Conheci a Drª Zélia há muitos anos.
O grupo acabou de ler todos os artigos da «ESCOLA / CONFLITOS» e gostou muito.
Houve uma pessoa que mora junto de vocês e gostaria de falar sobre a psicoterapia porque tem um filho com dificuldades e não pode disponibilizar de dinheiro para as consultas, nem deseja sujeitar-se aos medicamentos que podem fazer mal.
Pode ser que esse senhor possa contactar pessoalmente o Dr. Noronha num dia em que ele esteja mais disponível.
Suponho que será numa quinta-feira.
Obrigado pela ajuda dada e que talvez possam continuar a dar.”

tinha respondido que nesta quinta-feira estaria disponível para conversar com o senhor de quem a Fernanda falava nesse comentário.

 

Estava a chegar ao café por onde passo vulgarmente, quando vi um senhor aproximar-se de mim, chamar-me pelo meu nome e dizer que era a pessoa de quem a Fernanda me tinha falado no seu comentário.
Com esta constatação, convidou-me a entrar para o café a fim de podermos conversar mais à vontade sem ter necessidade de nos preocuparmos com a chiva e o trânsito, para o caso de estarmos a passear.
Ele tinha lido todos os 19 posts da «ESCOLA / CONFLITOS» e muitos mais, mas não sabia como poderia utilizar os conhecimentos adquiridos, com o seu filho, que estava a «claudicar» no 10º ano. Antes disso, o rapaz não tinha tido qualquer insucesso escolar, apesar de as notas se situarem numa média de 3 na escala de 0-5. Esta constatação fez-me lembrar também o «caso» do «Calimero» (M), ocorrido (ou socorrido?) nos princípios deste século.

P: Se eu não tenho qualquer apoio dado pelo Estado nem sistema de saúde a que possa recorrer, como é que vou tentar resolver ou, pelo menos, diminuir o problema?
R: O que lhe posso dizer imediatamente é que, não sabendo qual é a verdadeira causa das dificuldades do seu filho e como não tem qualquer apoio em consultas ou exames de despistagem e avaliação, será bom ler o livro «IMAGINAÇÃO ORIENTADA» (J) em que um problema semelhante foi discutido com o meu amigo Antunes cujo caso está descrito no livro «ACREDITA EM TI. SÊ PERSEVARANTE!» (B). Embora este último livro já esteja publicado, o anterior ainda não está. Mas parte essencial da conversa que tive com o Antunes e que pode ser necessária para si, está no livro anterior «Para Que Serve a Psicologia?» publicado, há muitos anos, pela Plátano Editora.

P: Eu devo poder obter os livros, mas o que faço depois?
R: Tem de verificar se existem problemas em sua casa que possam afectar o filho. O Antunes estava completamente ocupado, preocupado e obcecado em «trabalhar» e amealhar dinheiro para que, em caso de «eventualidade», a família não sofresse as dificuldades que ele tinha passado. Por isso, deixou a mulher «desequilibrada», apesar de se dar muito bem com ela e ocasionou as dificuldades escolares da filha porque o ambiente familiar não era harmonioso e apoiante na idade em que ela estava. Sem o devido apoio em casa, ela começou a preocupar-se com isso e tudo se reflectiu no seu insucesso escolar, que foi aumentando com o tempo, assim como com o seu comportamento social que ficou desestabilizado (ou desinquieto?).

P: Acha que eu poderei resolver a situação com isso? A ritalina não poderia ser uma ajuda?
R: Antes de tudo tenho de o prevenir contra a ritalina e outros produtos psicotrópicos que podem ter efeitos muitíssimo prejudiciais. Há algum tempo, alertei um pai quanto a isso e os descalabros do filho desse casal desavindo e separado, começaram a ficar reduzidos só quando o pai resolveu deixar de administrar ao filho esse medicamento receitado pelo médico e prestar-lhe mais atenção quando estava com ele. Contudo, agora vai ter de «lutar» contra os telemóveis e a internet… que «consomem» a maior parte de tempo de muitas crianças.
Por isso, no seu caso, depois de ler os livros que recomendei, pode ser que obtenha alguma capacidade de conseguir observar todo o comportamento e a interacção familiar e, especialmente, com o filho. Também deve poder dialogar com os professores para saber notícias mais fidedignas acerca do comportamento dele.
Mas, é muito importante o senhor conhecer o modo como o comportamento humano funciona em termos reais e não fantasiosos, tal como, às vezes, se apresenta nos meios de comunicação social. Para isso, recomendo que leia pelo menos o livro «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» (D) onde são abordados muitos temas do funcionamento do comportamento humano, de forma muito prática e científica e que o podem ajudar a compreender tudo aquilo de que acabei de falar. São muitos anos de consultas a pais e crianças transformados num livro. Essa JOANA também tinha vários problemas de comportamento a ponto de obrigar os pais a «separarem-se». Depois de compreender aquilo de que lhe falei, conseguiram modificar o seu próprio comportamento, assim como o da filha, voltando a viver juntos e em harmonia, para terem outro filho e ajudar a JOANA (birrenta) a aprender a «educar» o irmão, cerca de 8 anos mais novo.

P: Já agora, o que é feito dessa JOANA?
R: A Joana, que já tinha tirado um curso superior, casada, com família, devido às dificuldades que começamos a passar por cá, emigrou para a Austrália, levou também o irmão, com família constituída e estão todos muito bem. Os pais, já reformados, é que passam lá grande parte do tempo, deixando a casa de Sintra para qualquer deles vir passar férias quando apetecer. Ficou tudo quase em família e os dois filhos têm a ajuda dos pais (avós) para tomar conta das crianças.

P: Acha que eu poderei também fazer isso?
R:  Não sei a que se refere mas, no caso da filha do Antunes, bastou o pai começar a interagir mais e melhor com ela e a ajudá-la nos trabalhos escolares para as suas notas começarem a subir e o seu comportamento modificar-se completamente num sentido adequado a ponto de se tornar um exemplo e um incentivo para toda a turma. Para conseguir isso, também o Antunes teve de ler muita coisa, especialmente os originais dos livros anteriores que lhe recomendei, assim como os de Reeducação (I), além de praticar aquilo que hoje em dia já está num guia resumido e sistematizado, muito específico para a «AUTO{psico}TERAPIA» (P). Assim, cada um pode praticar todas as noites o necessário para conseguir um comportamento equilibrado, mais ideias para desenvolver as suas próprias possibilidades e manter uma interacção familiar e social mais saudável.

P: Será isso tão importante?
R: Acho que é o mais importante. Se cada um não estiver de bem consigo próprio e com os outros, com ideias claras, bom senso e calma, de que maneira poderá ajudar os outros. Para isso tem de ler muito, o que pode fazer começando por consultar muitos dos posts que já estão publicados e que se referem a reforço, motivação, reforço do comportamento incompatível, frustração, autoterapia, biblioterapia, psicoterapia, aprendizagem, etc. Tudo isso já está explicado a muitas pessoas. É por isso que desejo publicar esta nossa conversa num post novo. Também é pela mesma razão que advogo as palestras que podem ser direccionadas para grupos de cerca de 30 pessoas (B/109). Nessas reuniões podem-se explicar vários conceitos e práticas a muita gente ao mesmo tempo, além de incentivar todos a praticar o relaxamento muscular, instanteâneo e mental durante um mês, despendendo apenas uma hora à noite, para o conseguir continuar posteriormente, com um dispêndio de 5 minutos apenas, todas as noites, à hora de dormir, a fim de conseguir ter um sono tranquilo ou um relaxamento mental capaz de ajudar a solucionar muitos problemas que todos temos de enfrentar ao longo da vida.

P: Já que diz que é bastante importante ler, se não conseguir os livros numa biblioteca, como é que os poderei obter? É uma despesa que parece que ainda posso fazer.
R: Antes de tudo, oriente-se pelo blog dos livros que lhe vai dar toda a informação. Os livros publicados pelo Centro de Psicologia Clínica não se encontram nas livrarias. Só podem ser adquiridos pessoalmente ou pelo correio contactando através do meu e-mail. Os anteriores, que os têm de substituir enquanto não se fizer a nova edição do CPC, podem ser adquiridos numa livraria ou com pedidos feitos à Plátano. O Antunes adquiriu-os pessoalmente e, naquele tempo, o Centro ainda não tinha pensado na colecção da Biblioterapia. Em último recurso, eu posso fornecê-los, se os quiser receber pessoalmente porque solicita-los-ei à Plátano, como faço habitualmente.
Mas digo que a leitura é muitíssimo importante não só para ajudar o seu filho como até para melhorar o relacionamento em casa e no emprego e ajudar a desenvolver-se pessoalmente.

P: Se eu não conseguir fazer tudo o que está a dizer, o que poderá acontecer?
R: Não posso prever exactamente o que pode acontecer. Mas posso imaginar que o filho vá criando mais problemas do que aqueles que já tem, sentindo-se desencorajado e diminuído perante os outros, além de vos preocupar ainda mais. Veja na «JOANA» o caso do filho do bancário, amigo do pai dela que ia «descarrilando» aos poucos enquanto o pai não adquiriu as noções adequadas do funcionamento do comportamento humano. Se o seu filho entrar em frustração, não sei qual será a sua resposta ou reacção. Pode sentir-se deprimido e entrar em conformismo, maldizendo a sorte. Pode, sem querer, reagir contra os pais que não lhe deram o apoio de que ele necessitava num determinado momento. Uma das consequências poderá ser a delinquência? Muito daquilo que se pode adquirir e melhorar com um pequeno «investimento» agora, não será possível se se deixar passar algum tempo. O rapaz pode fazer uma aprendizagem de «maus hábitos» os quais será difícil erradicar. Se houver reforço secundário negativo aleatório, pode-se criar o vício. As companhias podem desencaminha-lo porque o estudo pode não proporcionar a satisfação desejada. Basta só isso para «desencaminhar», havendo muitíssima dificuldade em «tentar endireitar» mais tarde. Julgo que é uma ocasião que não deve perder agora.

P: Vou um bocado aflito mas menos desconhecedor dos factos reais. Obrigado por tudo.
R: Eu é que lhe agradeço a oportunidade de poder preparar já um novo post que deve ajudar muita gente. É bom que as pessoas intervenham logo que possível para termos uma sociedade mais equilibrada e próspera. É exactamente por isso que estou a manter os blogs, a preparar os livros e a tentar publica-los, acompanhados de palestras. Depois da «AUTOTERAPIA» (P), penso continuar com «Eu Não Sou MALUCO!» (E), «Psicoterapias Difíceis» (M) e «Imaginação Orientada» (J) se não tiver também de republicar o livro de JOANA (D). Tudo depende da aceitação que tiver e dos pedidos que as pessoas fizerem em relação aos livros que fôr publicando, em tiragem muito reduzida.

P: Oxalá que tenha sorte naquilo que está a fazer. Contudo, parece-me uma tarefa que vai dar muito que fazer.
R: Esta ideia de intervir com blogs «Psicologia para Todos» e «Terapia Através de Livros» além do facebook, nasceu de várias conversas com alunos do ISMAT, consulentes e outras pessoas conhecidas.
Julgo que é muito mais prático evitar que os desequilíbrios aconteçam do que tentar reduzi-los depois de terem provocado alguns estragos, muitas vezes irremediáveis. Os nossos comportamentos ou desequilíbrios são efeitos de causas anteriores que parecem, às vezes irrisórias e sem importância, mas que, no momento,  tiveram um grande impacto na nossa vida, naquele momento. Podem passar ao aparente esquecimento mas também podem funcionar como recalcamentos que são um gatlho que pode ser pressionado em qualquer ocasião inesperada (A).
Foi neste sentido que já fiz propostas de actuação que não criaram o entusiasmo necessário para levar a efeito uma tarefa tão boa e necessária na sociedade actual.
Vejo os tempos actuais como de muito desencanto para a maioria da população que não tem emprego, dinheiro que chegue, nem serviços que apoiem. Já existem estudos estatísticos que dizem que as doenças metais aumentaram 25% nos últimos tempos. O que fará toda esse gente? E quando tem filhos e netos que sofrem e que poderiam ser ajudados pelos mais idosos? Esperemos que o tempo e as circunstâncias vão melhorando.
Estou sinceramente preocupado com a saúde mental que, em vez de ficar degradada, pode ser melhorada no nosso país com medidas simples e económicas. Não temos de ficar à espera de «novidades» que venham de fora quando temos essas possibilidades no nosso país, ensaiadas há mais de 30 anos, com bons resultados. Na Inglaterra, já estão a tentar fazer isso, só há uma dezena de anos. Veja os posts sobre Biblioterapia.

É necessário que as pessoas adiram e que as diversas instituições ajudem.
No seu caso, desejo boa sorte e, se possível, espero que vá dando notícias.

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