PSICOLOGIA PARA TODOS

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CONVERSA ENTRE AMIGOS – 3

Ontem de manhã, quando dava o meu passeio habitual, o senhor que tinha conversado comigo na semana anterior, estava à minha espera à porta do café, solicitando que entrasse para podermos conversar mais um bocado.
Ele tinha visto no «ACADEMIA.edu» a versão inicial do livro «AUTOTERAPIA» publicado sob o título «SELF-THERAPY» e tinha gostado. Contudo, não achava fácil executar tudo o que tinha lido sem uma ajuda, pelo menos, pontual e esporádica.
Assim, começámos a conversa para esclarecer aquilo que mais lhe interessava.

 

P: Não acha que tudo aquilo que diz nesse artigo tem de ser devidamente acompanhado?
R: Antes de tudo, tenho de confessar que tudo isso começou comigo, quando entrei em depressão profunda e a única ajuda que tive foi a do psiquiatra que me medicou durante quase ano e meio, diziendo que eu tinha de resolver os «conflitos» antigos que tinha com o meu pai.
Com o meu pai, a única divergência que tinha tido, era a de não ter ingressado no curso de Direito logo depois de terminar o curso dos liceus, mas esse facto devia-se essencialmente a dificuldades financeiras.
Por isso, depois de ser conservador interino na Biblioteca Nacional de Goa durante 3 anos, ingressei na Força Aérea, esperando ir para os TAIP, depois dos 4 anos de serviço obrigatório por contrato.
Contudo, não foi isso que aconteceu e fui destacado para Angola ao fim de mais de 3 anos de serviço.
Na minha 2ª comissão em Angola, depois de destacamentos nos Açores e Guiné e com 8 anos de serviço no quadro permanente, nos momentos em que estava totalmente frustrado, em Luanda, já tinha lido, os livros de Pierre Daco que estavam ao meu alcance.
Mesmo depois dessa comissão, a Força Aérea obrigava-me a continuar no activo, sem poder ter licença ilimitada findos os 8 anos de oficial do quadro permanente, para ingressar na TAP, onde ganharia pelo menos mais do que o quíntuplo e ficaria em muito melhores condições.
Afinal, o meu total desengano e a minha grande frustração era ocasionada pela Força Aérea que, durante 7 anos não me deu autorização para continuar o curso de Direito que já tinha iniciado em 1958, nem me libertou da sua tutela.
Tudo isto já tinha começado e repercutir-se fortemente na minha saúde, provocando constantes diarreias, mal-estar, enxaquecas, descontrolo cardíaco, transpiração abundante, dores musculares e várias outras «mazelas». São as tais doenças psicossomáticas. Tive de me «desenrascar» por mim próprio e tudo isto foi conversado com o meu amigo Antunes (J).

P: Essa leitura de que me falou, ajudou muito?
R: Posso garantir que essa leitura, vagarosa, bem introjectada e cuidadosa, deu-me a ideia de que existem muitas coisas que se passam na nossa vida que nos podem incomodar imenso num determinado momento e em certas condições e passar depois a um esquecimento voluntário ou «forçado», podendo servir de «gatilho» para haver disparos, anos mais tarde, às vezes, sem darmos conta disso e nos momentos mais inesperados.

P: Já estou a compreender. Mas o que se faz lendo e compreendendo essas coisas?
R: Respondendo por mim, posso dizer que comecei a compreender que existem mais causas, do que «culpas», para os nossos comportamentos, que são os efeitos que, às vezes, podem não nos interessar.
Por exemplo, se tivermos medo dos relâmpagos, pode ser que a causa tenha sido o facto de ver a avó muito aflita nos momentos de trovoada. Uma criança impressiona-se muito com isso e vendo a avó com medo, pode julgar que ter medo pode ajudar em alguma coisa. Esconder-se debaixo duma almofada pode ajudar a reduzir ou a não ouvir o estrondo dos trovões. São sinais condicionais que ficam associados aos nossos comportamentos.
Comecei a compreender tudo isto quando tive as magníficas aulas de Psicologia Geral com o Prof. Orlindo Gouveia Pereira e assisti, em 1973, aos seminários que o Doutor Victor Meyer, da Faculdade de Medicina do Hospital de Middllesex, Londres, conduziu nos Hospitais de Santa Maria e Júlio de Matos.
Quando regressei de Luanda, eu já estava, desde 1970, no curso de Psicologia do ISPA que, por ser privado, não me exigia a tal autorização da «tropa» para tirar o curso.

P: Isso serviu de muito?
R: Tudo isso fez-me compreender que a minha depressão não poderia ser ultrapassada com os comprimidos que me estavam a receitar mas sim com uma metodologia diferente. Além disso, até me podiam deixar na sua dependência e degradar a saúde.
Com essa depressão, eu estava tão «em baixo» que fui retirado das tripulações e colocado numa Direcção de Serviço e, pouco depois, fui dado com incapaz para o de serviço de vôo.
Foi por isso que passei à reserva através duma Junta de Saúde, em 22 de Abril de 1974.
Comecei a ler muito sobre esses temas e compreendi que não basta só «desvendar» as dificuldades passadas ou recalcadas mas sim descobrir a maneira de as ter podido evitar ou de as ultrapassar.
Por isso, a psicanálise não me seduzia, mas uma análise profunda ajudaria a descobrir as causas.
Era necessário examinar as capacidades e possibilidades de cada um e saber de que modo se poderia ter actuado de maneira diferente para não sentir a «carga» dessas dificuldades.
Para isso, só o comportamentismo ou «behaviorismo» também não chegava.
Seria necessário juntar as duas coisas, ter uma visão global (gestalt) e descobrir o sentido da vida para alterar as nossas cognições.
A descoberta de muitos livros como o «Man´s Search For Meaning» de Viktor Flankl e «Psychoanalyse Yourself», de Edward Pickworth Farrow e diversos outros sobre Modificação do Comportamento, ajudaram-me a compreender que muitos dos nossos comportamentos (efeitos) são modificáveis desde que se alterem as «causas» ou estímulos que os provocam ou ocasionam. Muitas vezes, eles são incentivados por estímulos esporádicos e «despretensiosos» mas que causaram em nós algum impacto anterior, funcionando como sinais condicionais.

P: É interessante esta maneira de utilizar a psicologia! Nunca tinha pensado assim.
R: É muito natural que não pense assim, especialmente se estiver a ver os programas de televisão em que os da Polícia Judiciária parecem estar a falar mais em Psicologia do que os Psicólogos que lá aparecem.
A minha ideia é completamente diferente.
Todos os problemas passam-se na nossa cabeça. É aí que temos de actuar. Quem melhor do que o próprio pode fazer isso? Como é que uma pessoa consegue actuar exactamente como qualquer outra? Cada um tem os seus recursos e é com eles que deve actuar. Se souber como agir, melhor ainda. Não tem de ficar dependente de alguém que o vá orientar e monitorizar. Foi o que aconteceu comigo e, até certo ponto, com o meu amigo Antunes (B).
Também, como é que se poderia adivinhar que, no caso dele, os problemas académicos ou o insucesso da filha se deviam à falta de assistência do pai em casa, por estar «quase casado» com a Empresa Financeira onde trabalhava? E os problemas dele? E aqueles que ele provocava na mulher, que se sentia desamparada?
Tudo isso tinha de ser compreendido por ele através da leitura que ele se prontificou a fazer a partir das conversas que teve comigo, mas que se podem difundir também com palestras que estou a propor (B/109).
Se cada um souber o modo como os comportamentos funcionam, isoladamente e em grupo, muitos deles poderão ser modificados desde que se saiba quais são as causas.
E, quem melhor do que o próprio pode saber isso? Como poderá compreender toda essa problemática se não analisar o seu comportamento na interacção com o meio envolvente? Como poderá conseguir analisar tudo isso se não tiver calma e discernimento suficientes? E a humildade, com sinceridade, que é necessária para reconhecer as causas que, frequentemente, confundimos com culpas? A necessidade de apresentarmos uma boa imagem é tão grande que, geralmente, descobrimos «justificações» para tudo. Os outros poderão «aclarar» isso melhor do que cada um? E quem poderá praticar, por nós, o relaxamento mental que é necessário para isso?

P: Então, o que se deve fazer?
R: Por isso, julgo que é melhor e mais apropriado cada um despir-se sozinho, tanto quanto necessário, para ir descobrindo as suas características, que contém muitas qualidades e inúmeros defeitos. Algumas vezes, pode necessitar de ajuda especializada, mas só naquilo que não conseguir compreender e analisar devidamente. Para isso, também tem de compreender o funcionamento do comportamento. Por isso, julgo que as leituras são importantes e os livros «Psicologia para Todos» (F) e «Interacção Social» (K) são essenciais.
Contudo, apenas a leitura de «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» (D) em que se fala da utilização da modificação do comportamento na prática do dia-a-dia, pode ajudar imenso. Se uma criança «birrenta», ocasionou a «des-união» dos pais e conseguiu a sua «re-união» através da modificação do seu próprio comportamento, qual a razão de os mais velhos não conseguirem fazer o mesmo? E, se essa criança, através da modificação do seu comportamento aprendeu as técnicas necessárias, qual a razão de os mais velhos não as poderem aprender para as empregar com eficiência?

P: Acha que isso chega?
R: De modo algum. Por isso, a maneira de se chegar a um relaxamento mental está bem explicado nesse novo livro sobre «AUTO{psico}TERAPIA» (P). Necessita de prática e de persistência que só pode ser de cada um. Os conselhos não servem para mais nada a não ser como orientação e ajuda inicial, momentânea ou temporária e pontual. Às vezes, até podem frustrar quando a pessoa não conseguir atingir aquilo que o técnico diz ser possível. Porém, esse técnico pode ser um factor de orientação, encorajamento e de motivação para que o «paciente» leve a bom termo a sua tarefa. Aconteceu especialmente com a Cidália, de «Eu Também Consegui!» (C). Contudo existem pessoas que são renitentes em praticar o relaxamento e até se recusam o ler o que é
necessário. Os «casos» descritos em «Psicoterapias Difíceis» (M) são elucidativos e, quando o meio ambiente familiar, profissional ou social não ajudam, as coisas podem ficar ainda piores.

P: Se me diz que o ambiente familiar é muito importante, já me está a implicar nisso e parece-me que está a dizer que eu tenho de mudar alguma coisa em mim próprio para dar apoio ao meu filho.
R: Veja como chegou a esta conclusão sem eu ter de lhe dizer isto numa consulta. O que mais me importa é que as pessoas, lendo os livros, vejam reflectidos neles em alguns dos seus traços e, fazendo as comparações necessárias, descubram de que modo terão de se modificar para alterar o meio ambiente da maneira que mais lhes agradar ou fôr necessário, precisando, às vezes, de alguma ajuda suplementar de técnicos competentes e honestos.

P: Isso consegue-se com a ajuda de livros?
R: Da minha parte, posso garantir que sim. O Antunes (B) dirá quase a mesma coisa. O Júlio (E) necessitou de algum apoio para os primeiros ensaios. A Cidália (C) teve alguma ajuda durante bastante tempo. Faltam também os casos da Cristina, da Germana, do Januário (L), da Isilda, da «nova paciente» (H). Lendo com cuidado as suas histórias, podem-se tirar muitas ilações e confrontando-as com as do «Mijão», do «Calimero», da «Perfeccionista» e do «Pasteleiro», verificar de que modo o meio ambiente pode influenciar negativamente os comportamentos que dependem, em grande parte, do mesmo. Como os pais fazem grande parte do comportamento dos filhos, verificou-se o modo como a «JOANA» (D), conseguiu modificar rapidamente o seu comportamento desde que os pais alteraram o seu.

P: Já estou a compreender.
R: É por este motivo que, depois de 40 anos de clínica, estou que a lutar pela prevenção mais do que pela cura. Tudo se torna mais vantajoso, harmonioso, económico e fácil de lidar, sem receio de sobressaltos desnecessários.
É a herança que podemos deixar aos nossos descendentes para um mundo melhor do que o nosso.
Quando tiver entre mãos o novo livro de «AUTO{psico}TERAPIA» (P), leia com muito cuidado o capítulo «PREVENÇÃO e PROFILAXIA» para se certificar do que estou a dizer agora.

P: Estou a lembrar-me que muito se pode fazer também na nossa religião católica.
R: É uma constatação interessante mas que exige perguntas: “Qual religião?” “Só a nossa?” “E as outras?”
Concordo plenamente, desde que a religião seja de concórdia e não de ódio. O mesmo acontece com muitas práticas, como as de Psicologia Positiva. Mindfullness, Yoga, Meditação, etc. e muito já escrevi sobre isto neste blog. O importante é a cabeça de cada um e os valores que ela pratica e defende.
Falando por mim, posso dizer que os meus antepassados imediatos foram católicos, mas os mais remotos foram hindús. E os mais remotos ainda não sei o que foram. Contudo, em Goa, todos nos dávamos muito bem uns com os outros, a ponto de o proprietário duma devalaia chamar «prima» à minha mãe. No meu tempo, nunca houve problemas. Contudo, uma intransigência de que tive conhecimento foi a do vigário da nossa paróquia, não deixando que um hindú custeasse as despesas das festas da semana-santa. Apesar de ser «gãocar», isto é habitante legítimo e antigo dessa paróquia, não foi autorizado. A intolerância parece que foi do pároco de quem também nunca gostei. O que diria agora o Papa Francisco? Também, nisto, o mais importante é a cabeça de cada um, com os valores que introjectou na estruturação da sua personalidade e o modo como utiliza os seus recursos. A Psicologia é para todos e não existe religião, credo, etnia, género ou qualquer outra peculiaridade que a diferencie. O importante é a pessoa humana e o seu ambiente.

P: Gostei desta conversa que me esclareceu bastante. Fico à espera do livro, já que diz que a leitura é muito importante. Mas, não consigo compreender a importância que lhe atribui.
R: Deixe-me ser muito «ordinário» com o exemplo que lhe vou dar! As nossas estradas e ruas não são das melhores e, muitas vezes, existem pedrinhas que incomodam, obstáculos que teremos de passar ou enfrentar, além de poças de água e lama barrenta. Se, por ouvir dizer ou por não lermos alguma coisa séria e científica sobre isso, não soubermos que a água pode molhar e a lama estragar certo calçado ou que os carros podem esparrinhar água e sujar a roupa, além de nos atropelar, não teremos o cuidado suficiente para nos precavermos disso, olhando bem para o terreno que iremos  pisar, calculando todas as situações. Se não houver livros que nos dêem as noções necessárias para a precaução a ter ou de «defesas e capacidades de ultrapassagem» a manter nas circunstâncias adversas, até somos capazes de «alegremente» «meter a pata na poça»! Compreendeu agora o meu ponto de vista?
Se não tivermos o cuidado de nos precavermos ANTES, conhecendo o que é necessário, teremos de ficar a maldizer a sorte e os estragos sofridos DEPOIS, quando tudo isso poderia ter sido evitado.
Até à próxima quinta-feira para lhe entregar o livro, ou para publicar em novo post com o capítulo de que falei.

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