PSICOLOGIA PARA TODOS

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Archive for the month “Abril, 2017”

CONVERSA ENTRE AMIGOS − 5

Depois de ter recebido o comentário:
O meu nome é Edmar da Silva, sou psicoterapeuta e promotor e animador da leitura para grupos de pessoas.
Neste sentido, desenvolvo formações para biblioterapia em Portugal e no Brasil.
Desenvolvo alguns projetos na área da Leitura em Lisboa, Barreiro e Algarve. 
Depois de ler este poste e de ter consultado o seu blogue PSICOLOGIA PARA TODOS apeteceu-me falar consigo pessoalmente para discutir algumas das suas ideias sobre BIBLIOTERAPIA que estou a incentivar e que são compartilhadas no seu blogue TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS.
Como já sei o local por onde vai passar na quinta-feira, podemos encontrar-nos e bater um papo durante algum tempo para debater ideias novas, que até podem ser difundidas no seu blogue para mais gente tomar conhecimento das vantagens, como diz que gosta?
Eu também estou a manter o blogue SOS DAS EMOÇÕES” e o projecto de amigos de leitura,
encontramo-nos no café por onde passo e mantivemos um diálogo salutar e esclarecedor.

 

ES: Já li os seus blogues e parece-me que é fã da Biblioterapia. Como eu também estou a desenvolver projetos semelhantes, incluindo o gosto pela leitura, gostaria de saber de que modo desenvolveu essa sua ideia que diz ser muito mais antiga do que a de Neil Frude, da Inglaterra.
MN: Agradeço o seu interesse nesta conversa mas parece-me que tenho de ir às origens de tudo o que me aconteceu.

ES: Se não está com pressa, leve o tempo que quiser mas esclareça-me.
MN: Antes de tudo, tenho de dizer que tudo começou comigo.
Em 1967, quando estava como navegador da Força Aérea na base das Lajes, tive a oportunidade de saber que poderia ingressar na SUISSAIR se tivesse o brevet civil.
Consegui obter o brevet civil e, como já estava a sentir-me cansado e fisicamente depauperado com taquicardias, diarreias, transpiração abundante e inesperada, vertigens, etc., devido ao trabalho árduo a que estávamos sujeitos na Força Aérea, fiquei à espera de completar os 8 anos de serviço como oficial do quadro permanente para poder pedir licença ilimitada. Porém, naquela ocasião, depois de obter o brevet civil, consegui saber que poderia ter ingresso imediato na TAP. Por isso, só me faltava esperar pelo fim dos 8 anos. Porém, o meu espanto foi muitíssimo grande quando, súbita e inesperadamente, de forma intimidatória, fui nomeado à pressa para uma comissão de 2 anos em Angola.

ES: Isso foi desagradável?
MN: Não só foi desagradável como piorou toda a situação da saúde, com agravamento dos sintomas. Uma vez em Luanda, como estava no Comando da 2ª Região Aérea, tinha à mão os livros de Pierre Daco, que fui lendo e dos quais gostei. Consegui
algumas explicações para os meus sintomas, mas os mesmos não cederam porque, onde estava, nem acompanhamento psiquiátrico podia ter, quanto mais psicológico. Quando regressei a Lisboa, em 1970, os sintomas agravaram-se e fui parar às mãos de um psiquiatra que me medicava e dizia que eu tinha de resolver os conflitos que deveria ter tido com o meu pai. Passados mais de 40 anos, ainda não sei a que conflitos ele se referia, a não ser o de não ter podido iniciar, por razões pecuniárias, o curso de Direito logo que terminei o 7º ano do Liceu, com dispensa de exame para ingresso na Faculdade, em 1953.
Entretanto, como a Força Aérea não me tinha autorizado a continuar o curso de Direito que já tinha começado a frequentar em 1958, matriculei-me no curso de Psicologia Clínica, no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, vulgo ISPA, que era uma instituição particular e não me exigia a tal autorização mas apenas propinas.

ES: Mas matriculou-se lá por causa dos seus problemas?
MN: Não foi por isso, mas sim porque um amigo meu também lá estava, já mais adiantado e eu dava-me muito bem com ele.
Nos primeiros anos, com a medicação que estava a tomar e com o conhecimento de que eu já estava numa Universidade, as pressões na Força Aérea foram aumentando e a pouca frequência das aulas, bem como a minha saúde não ajudaram a progredir, até que fui dado como necessitando de sair das tripulações e ficar numa Direcção-Geral, com tempo de vôo reduzido ao mínimo, já que continuava a ser medicado em psiquiatria.
O importante, é que a medicação deixava-me ainda pior e com vontade de «desaparecer» porque até a saúde física ia ficando cada vez mais degradada. Uma das vezes em que conduzia à noite, comecei a ver ou a ter a ilusão de que dois carros vinham contra mim. Resolvi deixar de tomar a medicação e «ir aguentando». Não conseguia ler nem estudar coisa alguma, a não ser esporadicamente, tendo feito exames só em duas ou três disciplinas, até que, em 1973, consegui assistir a «workshops» de terapia comportamental, nos Hospitais de Santa Maria e Júlio de Matos, orientadas pelo Doutor Victor Meyer, Reader in Clinical Psychology da Faculdade de Medicina do Middlessex Hospital, de Londres. Porém, também isso não me resolvia o problema, mas fazia compreender que tinha de reagir comportamentalmente. Como seria possível?
Comecei a ler muita coisa sobre modificação do comportamento até que as aulas da Psicologia Geral com o Prof. Orlindo Gouveia Pereira me ajudaram a compreender as teorias de aprendizagem e condicionamento de Thorndike, Pavlov e Skinner, baseadas nas suas experiências.

ES: Quer dizer que se baseou nessas teorias para resolver os seus problemas?
MN: De maneira alguma. Só isso não chegava, mas as leituras parece que me ajudaram a compreender e suportar a situação um pouco melhor. Por isso, continuei a ler muita coisa sobre isso e sobre a psicanálise de Freud, o que também necessitava para as disciplinas do curso, que fui concluindo aos poucos.
Ingressei também num grupo de alunos de terapia comportamental onde o relaxamento de Jacobson era muito valorizado.
Entretanto, como a minha situação médica se agravava, em vez de melhorar, fui dado como incapaz para o serviço de vôo por uma Junta de Saúde, em 22 de Abril de 1974, com o diagnóstico de neurose depressiva reactiva grave.
Assim, tendo mais tempo livre para estudar, consegui concentrar-me um pouco mais e ir respondendo a mais disciplinas, em regime militar, isto é, marcando a data do exame com o professor, até que, com o «25 de Abril», os «revolucionários» exigiram passagem administrativa sem nota, o que fez baixar a minha média, apesar de ter trabalhos preparados para algumas cadeiras em que estava matriculado no 3º e 4º anos.

ES: Isso prejudicou-o em alguma coisa?
MN: Prejudicou-me a média final do curso e a impossibilidade de sua conclusão antes da época normal dos exames. Mas, como os futuros «clientes» não se preocupariam com isso, não me importei. Como a minha mulher ia nessa ocasião a Inglaterra para se especializar na integração nas classes normais, de crianças com dificuldades, também a acompanhei e tirei esses cursos. Nesses cursos, estágios e visitas às escolas que tivemos de fazer, por nossa vontade, estávamos ocupados o dia inteiro e quase que não tínhamos tempo para dormir. Entusiasmei-me quanodo que os ingleses utilizavam muito a modificação do comportamento e, sabendo do adiantado de meu curso, dos «workshops» em Lisboa e vendo o meu entusiasmo na aprendizagem das técnicas de reintegração, os futuros colegas quase me empurraram para a Ordem dos Psicólogos Britânica a fim de obter a cédula para clinicar na Inglaterra.
Como estivera com Victor Meyer em Lisboa e ele me conhecia bem, quando lhe falei sobre o assunto, disse-me que contactasse Lawrence Burns, Associate e dirigente da BPS, já que ele era o responsável pela clínica da Psicologia no Hospital de Rochadale e eu estaria uns dias em Nottingham. O ingresso na Ordem dos Psicólogos Britânica exigia um doutoramento americano ou um mestrado inglês ou um exame na Ordem, com entrevista especializada. Quando contactei Lawrence Burns, ele disse-me que fizesses o diagnóstico dum obsessivo-compulsivo que ele estava a tratar no momento e discutiu comigo o tratamento. Disse-lhe que a dessensibilização seria boa de imediato, mas que a saciação (flooding) o poderia ajudar ainda mais se não nos esquecêssemos de tentar saber qual era a «causa» das suas dificuldades. Olhando para mim de forma perscrutadora, parece que gostou da resposta mas inquiriu de que modo eu pensava fazer isso. Disse-lhe que, nestes casos, um relaxamento mental tão profundo quanto possível, com uma tentativa de análise do passado seria excelente e era assim que faria se o caso me fosse entregue, o que poderia não acontecer no grupo de terapia comportamental em que estava a tentar fazer um pré-estagio, em Lisboa.
Depois da entrevista, parecendo que tinha ficado satisfeito, disse-me não havia vaga para eu trabalhar no Hospital mas que seria bom eu falar com H. R. Beech, em Birmingham e dirigir-me depois à sede da Ordem dos Psicólogos, em Londres.
Quando no hospital de Birmingham fui falar com Beech, parecendo que já estava informado sobre o meu assunto, disse-me que a única vaga que exista se destinava a um dos dois candidatos ingleses com belíssimas notas. Gostaria que eu ficasse lá, mas a minhas expensas, o que não me convinha naquela época.
Quando fui a Londres e pedi o formulário para me candidatar, logo que souberam do meu nome, disseram que, por indicação de Lawrence Burns, regressando a Lisboa e terminando o curso, deveria mandar o diploma de finalização e uma cópia do conteúdo das cadeiras, devidamente traduzido. Não tinha de fazer mais nenhum exame.
Logo que regressei a Lisboa, como estava «desempregado» consegui frequentar aulas extra e fazer dois estágios escolares obrigatórios, em vez de um – terapia comportamental e grupanálise – os quais não me deram a satisfação que eu desejava.
Na terapia comportamental, o relaxamento não me satisfazia e era muito estruturado, moroso, pouco eficaz e de efeito reduzido. Na grupanálise, quase que faziam adivinhações e arranjavam justificações para os desequilíbrios. Por isso, comecei a experimentar o tipo de relaxamento que utilizo agora e com o qual comecei a dar-me muito bem. O trabalho era intenso e quase que não tinha tempo para dormir. Logo que chegou a época dos exames, finalizei o curso antes dos meus colegas regulares, não-trabalhadores nem militares, e enviei a papelada para a Inglaterra.

ES: Isso foi violento, não foi?
MN: Só sei que fiquei tão «embrulhado» nos acontecimentos, que me esqueci que estava «doente», mas nunca me esqueci do relaxamento, todas as noites, à minha maneira. De vez em quando, também me lembrava do meu passado e tentava analisá-lo com frieza, objectividade e bom-senso.
Entretanto, comecei o estágio profissional onde me empenhei em aplicar testes diversos e a corrigi-los. Fui continuando as leituras, especialmente as relacionadas com a psicanálise e modificação do comportamento até que as experiências de Eysenck me elucidaram quando ao reforço negativo e ao aumento progressivo da sua intensidade com um segundo sinal condicional antecipado. Além disso, em “Psychoanalyse Yourself”, Pickworth Farrow falava da sua experiência na autoanálise e Victor Franckl apresentava os seus trabalhos nos campos de concentração em “Man´s Search for Meaning”.
Dois meses depois de enviar a papelada para Inglaterra, recebia uma comunicação de que que já era Graduate Member (nº 0092843/1975) da BPS, com direito a clinicar legalmente na Inglaterra. Portanto, antes de Portugal, eu já estava inscrito na Inglaterra. Isso entusiasmou-me bastante e, como estava no fim do estágio profissional, já me podia inscrever no Sindicato Nacional dos Profissionais de Psicologia e exercer a clínica em Portugal.
Fiquei tão entusiasmado com o que estava a conseguir que, passados os dois anos obrigatórios sobre a minha incapacidade para o vôo, quando poderia ingressar na TAP depois de 1976, desisti dessa possibilidade bastante lucrativa e continuei em Psicologia que já me estava a fascinar e envolver-me completamente.

ES: Foi um bom percurso. E depois?
MN: Como não era fácil conseguir clientes, comecei com estágios voluntários em dois hospitais de cada vez, que continuei durante 4 anos, e comecei a dar aulas de Psicologia e Psicopatologia a enfermeiros. Nesses cursos, utilizando os conhecimentos adquiridos na modificação do comportamento, consegui apoiar alguns dos alunos e seus familiares, o que me entusiasmou muito. Porém, a pouco e pouco a clientela foi aumentando e comecei a conseguir iniciar um tratamento que tinha idealizado para mim, com bons resultados e que estava decidido a experimentar nos outros. Quando, em 1976, comecei essa experiência que se prolongou até 1979 verifiquei que 23% dos 71 pacientes estudados tinham resolvido os seus problemas e que 63% tinham melhorado, não podendo muitos deles continuar o tratamento por falta de financiamento.

ES: O resultado parece ter sido bom.
MN: Para mim, foi bom porque os estudos citados por Eysenck não apresentavam resultados que chegassem a 70%. Isso entusiasmou-me de tal maneira que pensei candidatar-me a mestrado mas, quando tentei isso enviando o currículo e o plano de pesquisa, recebi a informação de que já tinha a equivalência para mestrado e que era melhor enveredar por um doutoramento. Por isso, para não perder tempo e a força anímica que me ajudava a conseguir trabalhar incansavelmente, matriculei-me na California Christian University que me exigia trabalho de prática clínica, 4 trabalhos de pesquisa e um exame-questionário feito num estabelecimento diplomático dos EUA em Lisboa. A tese seria discutida com o orientador Rev. Dr. W. G. Rummerfield, em Cambridge, onde eles tinham uma ramificação, cujo responsável, Doutor Ernest Kay, era director de International Biographical Center e me iria dando apoio quando necessário, sem marcação prévia. Como ia muitas vezes a Inglaterra com a minha mulher, para cursos estágios e congressos, aproveitei esses lapsos de tempo, com alguns prolongamentos, para tratar da tese e para tirar também o curso de hipnose terapêutica da Baxter Academy. Em Maio de 1980 já tinha concluído a tese sobre a Terapia do Equilíbrio Afectivo mas não estava satisfeito, porque imaginava que poderia obter melhores resultados utilizando a hipnose depois de ler o livro Hypnotherapy, de Milton Erickson e Ernest Rossi.

ES: Então, sempre se meteu na hipnose!
MN: Se eu utilizada o relaxamento muscular para atingir o relaxamento mental e tentar desencadear nas pessoas as recordações boas que elas tinham guardado no fundo dos seus arquivos pessoais, talvez lhes pudesse aprofundar e acelerar o processo com a hipnose, o que seria muito melhor. Se Milton Erickson utilizou a Guided Imagery durantes horas de cada vez, com os seus pacientes, qual a razão de eu não poder utilizar um processo semelhante para desenterrar melhor e mais rapidamente as suas recordações boas com os afectos associados às mesmas? Tinha de trabalhar nesse sentido e já tinha conseguido alguma coisa de positivo com o Joel (G), que me tinha passado pelas mãos. Surgiu depois, inesperadamente, o caso do Júlio (E) que aproveitei para experimentar e aprofundar as minhas ideias, utilizando apenas os apontamentos policopiados que serviam para as aulas dos enfermeiros. Mas, neste caso, além de resolver o problema de depressão, desorientação, transpiração, etc. do Júlio, também tinha de o motivar para melhorar no futuro, já que ele não utilizara todas as suas capacidades quando estava no 10º ano, por estar longe dos pais e sentir-se abandonado, desagradando-se com isso. Por isso, tinha de utilizar a sua Imaginação e era minha obrigação Orientá-la da melhor maneira possível. Para isso, também ele tinha de compreender os mecanismos do funcionamento do comportamento humano para se poder fazer uma reestruturação cognitiva, motivando-o para melhorar muito mais, utilizando as suas capacidades adormecidas. Para isso a sua colaboração para a leitura e compreensão dos textos era fundamental, apesar de tudo isso estar apenas em apontamentos policopiados, utilizados para as aulas de Psicologia e Psicopatologia.

ES: Parece-me que já vi que isso deu resultado.
MN: Deu um resultado que eu não esperava e de que só consegui tomar conhecimento pleno cerca de 20 anos depois, quando reencontrei o Júlio. E repare que foram apenas 19 sessões de duas ou mais horas, com cerca de 122 períodos de meia hora, sentados à mesa de um velho e vasto café, mas pouca gente perto de nós.

ES: Quer dizer que essas sessões de muito tempo ou tempo prolongado dão melhor resultado?
MN: Comigo deram sempre, desde que as pessoas se empenharam na sua recuperação e se dispuseram a ter persistência, treinar em casa, adquirir a capacidade de analisar o seu comportamento com bom-senso, racionalidade e humildade, lendo muito para conseguir «estar dentro do sistema». Saber aquilo que os outros fizeram também ajuda imenso porque cada um pode copiar aquilo que achar melhor, adaptando tudo ao seu caso. É a aprendizagem social em acção, com a modelagem, que é uma das técnicas de modificação do comportamento.

ES: Tem tido bons resultados com isso?
MN: Desde que exista a colaboração do próprio, os resultados são sempre melhores do que na psicoterapia tradicional em que se utilizam as sacramentais horas de 50 minutos. E tudo isso se reflecte não só no próprio como na família e até nos amigos mais chegados. O caso do Antunes (B), que fez a psicoterapia quase autonomamente é elucidativo. Afinal, as dificuldades escolares da filha eram o reflexo ou consequência das dificuldades do pai, que envolviam também a mãe. Bastou ele «apoiar» a filha, para ela melhorar nos resultados escolares, a mãe começar a sentir-se melhor e ele ficar incentivado a fazer a sua própria psicoterapia com perseverança, à base das leituras e dos treinos necessários. Depois, até ajudou e sua «sobrinha» Cidália (C). Com a Cristina, Germana e Januário (L) viram-se os resultados. Foi por isso que o Joel, anos depois de ter melhorado substancialmente, se queixou da «falta de educação» que teve quando dela mais necessitava, englobado numa família coerente. Depois de ler muito daquilo que tinha sido publicado no tempo dele, o que se preconiza na Biblioterapia (Q), conseguiu analisar-se convenientemente, o que o ajudou a melhorar substancialmente o seu comportamento. Também foi por experiência própria que ele insistiu muito para que se fizesse uma Lista de Procedimentos (P) que, agora, foi transformada num livro, em sua homenagem.

ES: O que diz quanto aos movimentos de Psicologia Positiva e Mindfullness que são divulgados presentemente?
MN: Não sei se viu os dois posts que fiz sobre estes assuntos, mas aquilo a que eu assisti não me convenceu e, em relação à meditação transcendental, uma pessoa da minha total confiança foi praticá-la e atribuiram-lhe um mantra.  Ela começou a repeti-lo, mas a sentir-se desconfortável com a posição adoptada e, às tantas, esqueceu-se do mantra e sentiu-se cada vez pior. Nunca mais lá voltou. Não sei quais os resultados reais que os seus utilizadores obtém, mas posso dizer que, quando estive em Goa para o casamento de uma pessoa amiga, tive a oportunidade de visitar Índia, depois de 37 anos de ausência e fui passear por Jaipur. Falei com um iogui que desejou saber qual era a minha profissão e, depois de falar comigo bastante tempo sobre a TEA e a IO, quando lhe perguntei como é que faria o ioga, respondeu-me, a sorrir, que deveria sentar-me e praticar. O seu sorriso parecia querer perguntar-me: “O que é que você faz normalmente?” Com isso, convenci-me que não estava muito longe disso, mas que não tinha de adoptar qualquer posição especial. A minha posição de deitado era mais do que o suficiente. O importante era o «envolvimento da minha cabeça» em todo o processo. Para corroborar as minhas dúvidas, pergunto qual a razão de algumas pessoas que praticam Mindfullness serem quase intratávais, irascíveis e conflituosas. Também, se na Psicologia Positiva as pessoas tèm de se apresentar muito alegres e divertidas, qual a razão de elas estarem deprimidas e até se suicidarem, como aconteceu com o comediante Robin Williams.

ES: Qual é a conclusão a que chega com tudo aquilo que falámos?
MN: Antes de tudo, aquilo que se passou comigo foi o prenúncio da Biblioterapia. Ninguém me ajudou a não ser a «afundar-me» com medicamentos, mas os livros serviram de muito. Depois, discordando de muitas teorias seguidas à risca, fui experimentando a Terapia do Equilíbrio Afectivo que só pode ser utilizada com a colaboração do próprio. A partir dos êxitos obtidos comigo e com os outros, Imaginação Orientada entrou em acção. Com a análise do comportamento, foi possível verificar as causas dos efeitos nocivos que não interessavam e, com uma reestruturação cognitiva, foi possível planear, em relaxamento profundo, novas acções para obter efeitos mais adequados.
Muita coisa funciona com base nas causas→efeitos e não em função de justificações e explicações. Todo este funcionamento pode ser explicado a muita gente ao mesmo tempo, ocasião em que também se pode melhorar a eficácia e a qualidade das práticas, podendo-se prolongar nessas sessões o efeito da recordação/imaginação, para se obter uma melhoria mais consistente. Mas, para isso, as pessoas também têm de conhecer como tudo funciona e o modo como os outros resolveram os seus problemas. O exemplo dos outros pode funcionar como modelo para uma aprendizagem social, até com reforço vicariante. Isso pode ser possível só com leituras bem orientadas acompanhados de alguns esclarecimentos atempados e oportunos, que podem acelerar e consolidar todo o processo de reequilíbrio.

ES: Já estou a ver de que modo faz a psicoterapia. Mas não pode ser necessário fazer qualquer diagnóstico com exames, etc? Como é que faz isso?
MN: Pode ser necessário fazer exames ou outras perícias. A Drª Graça Martins que colabora na FISIOCONVENTO, Rua Almirante Gago Coutinho, em Mafra e na PSICAIS, na Avª do Ultramar, em Cascais, ajuda ou participa, com toda a confiança, quando existe necessidade de avaliação de personalidade e de funções cognitivas, de orientação escolar ou profissional ou até de apoio psicopedagógico ou psicoterapêutico. Da minha parte, dedico-me a manter os blogs, a actualizar os livros da colecção para uma Biblioterapia bem orientada e a atender algum paciente antigo ou especialmente recomendado, já que acabei agora a minha actividade docente, no ISMAT, ao fim de 10 anos de docência, em 2010/11.

ES: Com esta conversa, parece-me que gosta bastante da Biblioterapia. Vendo o seu currículo, anterior a tudo o que mencionou, parece-me que foi conservador da Biblioteca Nacional de Goa. Isso não lhe terá criado um bichinho para gostar da biblioterapia?
MN: Confesso que não tinha pensado bem nisso, mas foi nessa ocasião que me entusiasmei bastante pelas leituras. Começando por Júlio Diniz, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, etc. continuei com Gilberto Freire, Jorge Amado, Erico Veríssimo, José Lins do Rego, etc. e, especialmente, Francisco Luís Gomes, que era meu patrício. Por isso, posso considerar isso como uma Bibliofilia.  As leituras subsequentes, a partir de 1968, relacionadas com psicanálise, modificação do comportamento,  etc. que acabei de mencionar, é que podem ter contribuído para a Biblioterapia incentivada pela minha bibliofilia anterior.  Esta foi uma necessidade sentida e desencadeada pelo anterior gosto pela leitura.
Enquanto o gosto pela leitura e a sua efectivação ocasiona o reforço do comportamento incompatível, a leitura e compreensão de livros adequados e orientadores, ocasiona a possibilidade de poder melhorar o desequilíbrio psicológico desde que seja acompanhada dos treinos convenientes. É uma espécie de reforço do comportamento incompatível permanente.
Mas agora, depois de me sentir muito melhor com esse reforço e de me ter enfronhado completamente na psicoterapia, num interregno de quase 20 anos, dediquei-me, quase por necessidade, apenas aos textos de psicologia, até começar a escrever alguma coisa para a posteridade.
E, a propósito, o meu primeiro livro foi “A Psicologia no Dia-a-Dia“, publicado inicialmente com o título “O Uso Social de Psicologia“, aconselhado por dois especialistas da editora, que distorceram também a sequência do livro. Foi pena ter de se mudar tudo muito mal e à pressa porque o livro não estava a ser vendido. A capa mudou mas o conteúdo ficou distorcido.

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TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

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CONVERSA ENTRE AMIGOS – 4

Hoje de manhã, quando dava o meu passeio habitual, o senhor que tinha conversado comigo há bastante tempo e a quem eu dera o livro «AUTO{psico}TERAPIA» (P) obrigando-me quase a fazer um post sobre PREVENÇÃO E PROFILAXIA, estava à minha espera à porta do café para «irmos conversando».

P: O que se poderia fazer de facto para melhorar o estado de coisas em que estamos?  
R: Mobilizar as pessoas interessadas tomando consciência do estado em que estão as coisas. Isto só se consegue tomando conhecimento de toda a situação envolvente. Para isso, é necessária muita leitura e conhecimento da situação real. Da minha parte, estou a manter o blog [psicologiaparaque.wordpress.com] para dar respostas às dúvidas das pessoas com base nos comentários que fizerem. Estou a trabalhar nos livros e a divulga-los através de outro blog [livroseterapia.wordpress.com] a fim de que as pessoas interessadas os conheçam. Tudo isto se insere na estratégia da Biblioterapia que eu comecei já em 1980 só com apontamentos policopiados que se transformaram depois em livros. Agora, esta estratégia está a ser seguida na Inglaterra, País de Gales, apenas desde os princípios deste século, como tratamento «low cost» porque os seus serviços de saúde não chegam para atender todos os que vão aumentando no desequilíbrio psicológico com a vida frenética que vão tendo. É a vida.

P: Não acha que seria melhor entregar os livros a uma editora?  
R: Acerca disso, posso falar das minhas más experiências. Estive ligado a uma editora como consultor e director de colecção e as decisões finais não conseguiam ser minhas . Publiquei os livros através da Plátano, da Clássica, da Escolar, da Hugin e da Calçada das Letras, mas nenhum dos livros ficou totalmente ao meu gosto e até as capas não foram do meu inteiro agrado. Fui sócio de editora e distribuidora mas não deu bom resultado. Com toda esta aprendizagem acumulada, resolvi seguir conselhos de alguns dos meus consulentes: “Ser editor dos meus livros“. Assim, consigo acompanha-los até ao fim, alterá-los e dar a apresentação que me parece que eles merecem. É por isso que faço a edição em impressão digital, com tiragem reduzida. Só necessito que os livros sejam adquiridos por aqueles de quem necessitam deles. Para isso tem a internet, os correios e o meu endereço electrónico.

P: Parece-me boa esta explicação mas se, na psicoterapia, isso se consegue com a ajuda de livros, melhor é começar a pensar no assunto e reagir logo que possível.
R: Dou-lhe toda a razão e, por isso, prometo a minha colaboração. Os interessados que se movimentem para fazer a sua parte. Boa sorte para todos, porque, logo que chegar a casa, vou já transformar a nossa conversa em post para que muita mais gente tome conta destes factos, antes que a «doença mental» aumente mais do que os 25% que conseguiu progredir na última década.

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PREVENÇÃO e PROFILAXIA – 3

Quando na quarta-feira resolvi adiantar-me e dar a minha voltinha habitual, o senhor que já me tinha telefonado para marcar encontro para o dia seguinte, estava à minha espera no café.
Cumprimentou-me, pediu para conversarmos durante algum tempo no café e aceitou o livro que lhe estava a dar.
Enquanto olhava para o mesmo ostensivamente, deu um golpe de vista, muito sorrateiro, pela sala toda à sua volta e disse-me que as pessoas ainda desconfiavam muito da psicologia e dos psicólogos, imaginando que só «quem estava  mal da cabeça» os consultava.

Para o sossegar ou esclarecer, contei o caso de duas consulentes que tinham problemas conjugais e iam à consulta por causa disso. Um dia, como normalmente cumprimentava na rua as pessoas que eu conhecia, cumprimentei-as simpaticamente. Pareceram-me constrangidas e a olhar para os lados.  Quando qualquer delas foi de novo à consulta, disse-me que não valia a pena cumprimentá-las publicamente porque as pessoas desconfiavam dos iam à consulta de psicologia. A partir desse dia, comecei a ter o cuidado de não cumprimentar as pessoas, deliberadamente, por minha iniciativa, mas passar a corresponder ao seu cumprimento ou ao gesto de o fazer. Não queria deixar ninguém embaraçado por causa disso. Contudo, expliquei às senhoras que, quem pensa e se sente dessa maneira, pode estar momentâneamente desequilibrado e com medo que as outras pessoas saibam disso. Também expliquei que todos ficamos desequilibrados de vez em quando, mas que «entramos nos eixos» logo que praticarmos aquilo que é necessário. Elas iriam saber disso com a experiência.

Por causa disso, expliquei ao senhor que estava comigo que eu estava a manter as mesmas práticas, há mais de 40 anos, utilizando a IO, com a técnica de TEA, apoiada pela autohipnose, num sentido de logoterapia, para uma reestruturação cognitiva, destinada a manter o equilibrio psicológico e a pomover o desenvolvimento pessoal. Com a prática, não necessitando de muitos dos procedimentos, essenciais no início da aprendizagem, despendia apenas cerca de 3 a 5 minutos, todas as noites, à hora de dormir.

O mais importante é que a psicologia serve essencialmente para melhorar o nosso desempenho ou o bem-estar psicológico e, para isso, não é necessário «estar maluco» mas sim ter gosto em o próprio se sentir cada vez melhor.

Com esta minha constatação, o senhor disse-me que  já tinha lido o capitulo de que eu lhe falara no encontro anterior. Julgava que, por todos os factos de que eu falara, seria muito bom publicar esse capítulo num post, porque poderia alertar muita gente em relação às medidas que se podem tomar ANTES que haja necessidade de remediar a situação DEPOIS de ter ocasionado prejuízos, como estava a acontecer com ele. Também me disse que já tinha conseguido ler alguns livros iniciais que deram origem à reorganização do JOANA (D). Se ele tivesse tido esses conhecimentos mais cedo, talvez as suas dificuldades do momento fossem menores ou não existissem.

Fiquei satisfeito com esta constatação e, apesar de já ter publicado dois posts  sobre este tema, um em Dez 10 e outro em Nov 13, resolvi publicar de imediato da páginas 33 a 40 do livro agora publicado. 

 

“PREVENÇÃO E PROFILAXIA

Complementando a indicação dos livros, existe ainda o blog [psicologiaparaque.wordpress.com] que, só com comentários, dá permanentemente uma ajuda substancial, além da (BIBLIOTERAPIA) − [livroseterapia.wordpress.com] − que constitui uma colecção.
Explicando melhor, para compreender bem e em linguagem simples, grande parte do que é necessário, bem como o modo de funcionamento do comportamento humano individual e em interação com o meio ambiente, dois livros parecem ser essenciais:
►PSICOLOGIA PARA TODOS (F) explica o modo como se forma e se prevê um comportamento e quais as forças (e técnicas) que o incentivam, mantém, alteram, reduzem, aumentam ou extinguem.
►INTERACÇÃO HUMANA (K) indica quais são as forças ou os factores psicológicos e sociais que influenciam os comportamentos na nossa interacção com todo o meio ambiente.

Com a leitura cuidadosa destes dois livros e de vários outros (D) (I), para a utilização da modificação do comportamento na vida prática do dia-a-dia, a pessoa pode apreender as noções exactas, bem como os conceitos científicos utilizados na Psicopedagogia, Psicologia Social, Psicopatologia e Psicoterapia.
Interessam, pelo menos, aqueles que se indicam a seguir:
▪ afiliação,
▪ anulação,
▪ ansiedade,
▪ aprendizagem,
▪ atenção,
▪ autohipnose,
▪ autoridade,
▪ autoritarismo,
▪ comunicação,
▪ condicionamento clássico,
▪ condicionamento operante,
▪ conflito,
▪ conformismo,
▪ cultura,
▪ democracia,
▪ depressão,
▪ desaprendizagem,
▪ deslocamento,
▪ dessensibilização,
▪ dissonância cognitiva,
▪ efeito de Zeigarnick,
▪ estímulo,
▪ estímulo subliminar,
▪ estruturação da personalidade,
▪ extinção,
▪ facilitação, inibição e pressão social,
▪ fases do desenvolvimento humano,
▪ filtro,
▪ feedback ou reaferição
▪ frustração,
▪ gratificação,
▪ halo,
▪ identificação,
▪ Imaginação Orientada (IO),
▪ laxismo,
▪ modelagem,
▪ moldagem,
▪ negação
▪ obediência,
▪ papel social,
▪ percepção,
▪ personalidade,
▪ pico de extinção,
▪ poder,
▪ preconceito,
▪ primeiras impressões,
▪ psicossomática,
▪ punição,
▪ recalcamento,
▪ reforço aleatório,
▪ reforço de intervalo fixo,
▪ reforço de intervalo variável,
▪ reforço de razão fixa,
▪ reforço de razão variável,
▪ reforço diferido,
▪ reforço do comportamento incompatível,
▪ reforço negativo,
▪ reforço positivo,
▪ reforço primário,
▪ reforço secundário,
▪ reforço vicariante,
▪ regressão,
▪ resolução de conflitos,
▪ resposta,
▪ saciação ou implosão (flooding),
▪ sublimação,
▪ sugestão,
▪ superprotecção,
▪ Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA),
▪ tipos de conflito,
▪ transferência,
▪ traumatismo negativo,
▪ traumatismo positivo,
▪ última impressão,
▪ valores.

Além dos dois livros já mencionados, que exemplificam muitos destes conceitos, outros dois podem dar uma noção da saúde mental, «normal», «anormal», desejável, indesejável e patológica:
■ SAÚDE MENTAL, sem psicopatologia (A) aborda as várias facetas da saúde e da insanidade mental ao longo dos tempos, bem como os diversos comportamentos humanos desejáveis e indesejáveis, assim como os mecanismos inconscientes, as psicoterapias e as consequências dos medicamentos psiquiátricos, com os seus efeitos secundários ou colaterais prejudiciais, imediatos e a longo prazo.
■ NEUROPSICOLOGIA NA REEDUCAÇÃO E REABILITAÇÃO (I) aborda facetas das dificuldades neuropsicológicas em geral e das deficiências na aprendizagem escolar e social, bem como as técnicas de reeducação e reabilitação possíveis e vantajosas.

Também, mais dois livros podem dar uma noção exacta sobre os diagnósticos errados que se fazem precipitadamente, às vezes, por «imperativo de serviço», bem como os fundamentos em que se baseia o tipo de terapia agora proposta que, partindo do modo de actuação de um psicoterapeuta, pretende ser uma forma de cada um se poder precaver contra os males que o podem avassalar:
● PSICOPATA! Eu? (G) apresenta o desfecho desagradável ocasionado por um diagnóstico precipitado, um conselho e uma medicação do psiquiatra, em toda a vida do indivíduo implicado neste caso e que tentou matar a noiva, pela terceira vez, sem sucesso.
● IMAGINAÇÃO ORIENTADA (J) apresenta os fundamentos da psicoterapia agora proposta, baseada essencialmente nos princípios e nas técnicas da Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA), da Imaginação Orientada (IO) e da hipnose ou autohipnose, no sentido da logoterapia, com resultados mais do que invejáveis.
Apesar de fazer tudo o que foi dito e descrito nos livros indicados, nas bibliografias e nos blogs acima mencionados, se a pessoa continuar a sentir-se desorientada, é imperativo consultar um psicólogo de confiança, logo que possível, para obter ajuda, não deixando que os sintomas se agravem.

É um procedimento a não descurar na maior parte dos casos, para iniciar uma recuperação ou profilaxia imediata (M), sem menosprezar o apoio e a colaboração que cada um pode e deve dar com os exercícios indicados e com a leitura de bibliografia adequada (Q). Isso pode traduzir-se num aumento substancial da melhoria de desempenho e de interacção familiar e social, com uma rapidez cada vez maior e resultados ainda mais eficazes e duradouros (B) (C) (E) (L).

Tentar deixar para o fim, dificuldades que se podem resolver quase de imediato e, às vezes, como prevenção para o futuro, pode ajudar a camuflar as mesmas. Além disso, pode criar e avolumar um mal que consegue ser facilmente evitado ou reduzido, especialmente quando não forem utilizadas soluções de recurso, que distorcem toda a situação, dando alívio temporário, muito efémero e enganador.
Por isso, a «EDUCAÇÃO» também é muito importante (D) (M).

O que aconteceu com a Joana (D) é o exemplo do modo como até uma criança tratada com as técnicas de modificação do com-portamento, as conseguiu utilizar quando bem apoiada, ajudando os pais a se «re-unirem» depois de se terem «des-unido» algum tempo antes, por causa da educação dela. Joana foi, praticamente, a «causa» da «des-união» bem como da «re-união» dos pais que, por terem tido «educações» diferentes, começaram por se desentender («efeito») na educação a dar à filha, a ponto de chegarem a vias de separação.
Um encontro fortuito num comboio suburbano, as traquinices da Joana, as conversas do pai com um aluno finalista da ciência do comportamento, as muitas leituras dos pais e a demonstração prática do que se pode realizar em modificação do comportamento, fizeram com que o casal se «re-unisse» e que até a Joana fosse capaz de utilizar com sucesso essas noções com um irmão que nasceu logo depois.

É também bom nunca esquecer que algumas melhoras iniciais, muito rápidas, são tão enganadoras como o desencorajamento que, quase sempre, acontece depois das mesmas.
Pode ser o pico de extinção a funcionar (P).
Como corolário de tudo o que foi dito, até em face dos acontecimentos actuais, tais como os tiroteios e fogos que são desencade-ados por pirómanos ou delinquentes, toxicodependências enquistadas em indivíduos cujas famílias são desestruturadas, incoerentes e desarmoniosas, fraudes e nepotismos perpetrados por indivíduos ou grupos de pessoas gananciosas, más gestões ocasionadas por desejos de enriquecimento ilícito, etc., podemos chegar à conclusão de que a «educação», na sua mais profunda essência, é a causa principal.

Se não houvesse pirómanos, viciados, prepotentes ou gananciosos, muitos factos que se mencionam nos noticiários, não teriam ocorrido ou existiriam em menor número e com intensidade reduzida.
Para tanto, todos os causadores desses problemas ou «desgraças» deveriam ter tido uma «EDUCAÇÃO» humanista e democrá-tica, baseada nos princípios duma psicologia e ética, bem aplicadas.
Tal como aconteceu com a «Joana» (D), as crianças devem ser educadas com reforços adequados, especialmente o vicariante, com modelos de identificação coerentes, sem sofrer de dissonância cognitiva, aprendendo a resolver conflitos, dum modo mais adequado, sem se deixar sucumbir pela frustração, mas aprendendo a ultrapassá-la com criatividade e êxito, integradas numa família coe-rente, dentro duma cultura com valores de verdadeira democracia.

Se não houver as «causas» mencionadas – devidas à educação, estrutura da personalidade, meio envolvente e oportunidades – os «efeitos» serão completamente diversos, pelo menos, com poucos incêndios, menos drogados e alcoólicos, raras famílias desestruturadas e «doentes», menos fraudes, poucos crimes e corrupção e, essencialmente, menos indivíduos prepotentes e gananciosos, talvez causadores de tudo, a beneficiarem de toda a situação que vivemos!

Explicitando melhor as causas e os efeitos:
Com menos tiroteios e incêndios, haverá menos danos, mortes, crimes e incêndios.
Com menos toxicodependência e alcoolismo haverá menos viciados e necessidade de poucos centros de reabilitação.
Com menos fraudes, não haverá necessidade de tantos tribunais.
Com menos prepotência, haverá menos insatisfação, geradora da consequente frustração, por não se conseguir derrubar um poder auto-ritarista, coercivo e socialmente insensível.
Com menos famílias desestruturadas, não haverá necessidade de despesas com tanto apoio social, psicológico e medicamentoso.
Com menos despesas, os impostos que todos pagamos, serão em muito menor quantidade e as receitas servirão para melhorar o bem-estar de toda a população e não para aumentar a riqueza e a ostentação de alguns, que vão proliferando com o aproveita-mento da situação global, a fim de poder avolumar incomensu-ravelmente o seu património, em desfavor da democracia e da equidade social que têm de existir para que a sociedade funcione de forma harmoniosa e equilibrada e com mais tempos de lazer.

Sublata causa, tollitur effectus, diziam os latinos.
Por isso, eliminando a causa, desaparece o efeito que não nos interessa e pode ser substituído por um outro, que se ambiciona.

Como último reparo, interessa realçar de novo, que este livro foi concebido para funcionar em três partes:
A primeira parte, que termina no capítulo “Imaginação Orientada”, destina-se essencialmente a quem deseja tentar remediar rapi-damente o seu problema sem se importar com uma recaída futura.
A segunda parte, a iniciar no capítulo “Continuação da Auto-Terapia”, é dedicada aos que desejam resultados sólidos e duradouros e querem ficar prevenidos, pensando no futuro.
A terceira parte, a começar com “Provas de Autoconhecimento” fica reservada para quem pretende ajudar-se a si próprio, além de proporcionar um bom ambiente à sua volta, difundindo os novos conhecimentos adquiridos, bem como as experiências vividas.
Por isso, podemos falar na «educação» que, se fôr dada com conhecimento de causa, sabendo das experiências dos outros e consultando obras de referência, pode ser muito mais profícua, proveitosa, original e criativa. A «BIBLIOTERAPIA» (Q) indica como!
Por este motivo, depois das provas para o conhecimento de cada um, apresentam-se as várias obras que contêm muito do que se pode fazer em psicoterapia, com descrição de «casos», noções sobre o comportamento humano, psicologia social, psicopedagogia, psicopatologia e psicoterapia, com a razão dos seus fundamentos.
Além disso, a extensa Bibliografia apresentada a seguir e que pode ser consultada quando necessária por quem estiver profundamente interessado neste assunto, refere-se às várias obras que ajudaram também a preparação dos 17 livros da BIBLIOTERAPIA (Q).
Assim, quem quiser, pode ir às origens.

É também bom compreender que muitos dos problemas que enfrentamos são originados por «pequenas coisas» sem importância, que, em outra pessoa ou em momento diferente não teriam a dimensão que provocaram um mal-estar muito grande naquele momento.
Nesse sentido, entende-se bem a «causaefeito».

Para uma boa leitura, ao consultar quaisquer das publicações indicadas, ou outras, bem como muitas das mencionadas na Bibliografia seguinte, relacionada com todos os livros publicados nesta colecção, além do índice vulgar, deve ser possível descobrir em alguns o ÍNDICE REMISSIVO, geralmente nas páginas finais.
Através desses índices, cada um pode procurar o assunto que lhe interessa e consultar rapidamente as páginas correspondentes.
A última página deste livro com as Anotações, é a recordatória dos passos imediatos para o início da Auto{psico}Terapia.

Boa sorte e melhor trabalho, essencialmente com esta terceira parte que é mais difusa, muito opcional, mas vantajosa para quem quiser melhorar muito mais no futuro, ajudando também os outros.
Com a BIBLIOTERAPIA que utilizar, como agora se está a fazer em grande parte do mundo «civilizado», além de ajudar o pró-prio, [https://www.facebook.com/centrode.psicologiaclinica.3] pode também apoiar os outros com o exemplo dado e a difusão de conhecimentos.

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É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

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