PSICOLOGIA PARA TODOS

BLOG QUE AJUDA A COMPREENDER A MENTE E OS COMPORTAMENTOS HUMANOS. CONSULTA-O E ESCREVE-NOS, FAZ AS PERGUNTAS E OS COMENTÁRIOS QUE QUISERES E COLABORA PARA MELHORAR ESTE BLOG. «ILUMINA» O TEU PRÓPRIO CAMINHO OU O MODO COMO FAZES AS COISAS…

CONVERSA ENTRE AMIGOS − 5

Depois de ter recebido o comentário:
O meu nome é Edmar da Silva, sou psicoterapeuta e promotor e animador da leitura para grupos de pessoas.
Neste sentido, desenvolvo formações para biblioterapia em Portugal e no Brasil.
Desenvolvo alguns projetos na área da Leitura em Lisboa, Barreiro e Algarve. 
Depois de ler este poste e de ter consultado o seu blogue PSICOLOGIA PARA TODOS apeteceu-me falar consigo pessoalmente para discutir algumas das suas ideias sobre BIBLIOTERAPIA que estou a incentivar e que são compartilhadas no seu blogue TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS.
Como já sei o local por onde vai passar na quinta-feira, podemos encontrar-nos e bater um papo durante algum tempo para debater ideias novas, que até podem ser difundidas no seu blogue para mais gente tomar conhecimento das vantagens, como diz que gosta?
Eu também estou a manter o blogue SOS DAS EMOÇÕES” e o projecto de amigos de leitura,
encontramo-nos no café por onde passo e mantivemos um diálogo salutar e esclarecedor.

 

ES: Já li os seus blogues e parece-me que é fã da Biblioterapia. Como eu também estou a desenvolver projetos semelhantes, incluindo o gosto pela leitura, gostaria de saber de que modo desenvolveu essa sua ideia que diz ser muito mais antiga do que a de Neil Frude, da Inglaterra.
MN: Agradeço o seu interesse nesta conversa mas parece-me que tenho de ir às origens de tudo o que me aconteceu.

ES: Se não está com pressa, leve o tempo que quiser mas esclareça-me.
MN: Antes de tudo, tenho de dizer que tudo começou comigo.
Em 1967, quando estava como navegador da Força Aérea na base das Lajes, tive a oportunidade de saber que poderia ingressar na SUISSAIR se tivesse o brevet civil.
Consegui obter o brevet civil e, como já estava a sentir-me cansado e fisicamente depauperado com taquicardias, diarreias, transpiração abundante e inesperada, vertigens, etc., devido ao trabalho árduo a que estávamos sujeitos na Força Aérea, fiquei à espera de completar os 8 anos de serviço como oficial do quadro permanente para poder pedir licença ilimitada. Porém, naquela ocasião, depois de obter o brevet civil, consegui saber que poderia ter ingresso imediato na TAP. Por isso, só me faltava esperar pelo fim dos 8 anos. Porém, o meu espanto foi muitíssimo grande quando, súbita e inesperadamente, de forma intimidatória, fui nomeado à pressa para uma comissão de 2 anos em Angola.

ES: Isso foi desagradável?
MN: Não só foi desagradável como piorou toda a situação da saúde, com agravamento dos sintomas. Uma vez em Luanda, como estava no Comando da 2ª Região Aérea, tinha à mão os livros de Pierre Daco, que fui lendo e dos quais gostei. Consegui
algumas explicações para os meus sintomas, mas os mesmos não cederam porque, onde estava, nem acompanhamento psiquiátrico podia ter, quanto mais psicológico. Quando regressei a Lisboa, em 1970, os sintomas agravaram-se e fui parar às mãos de um psiquiatra que me medicava e dizia que eu tinha de resolver os conflitos que deveria ter tido com o meu pai. Passados mais de 40 anos, ainda não sei a que conflitos ele se referia, a não ser o de não ter podido iniciar, por razões pecuniárias, o curso de Direito logo que terminei o 7º ano do Liceu, com dispensa de exame para ingresso na Faculdade, em 1953.
Entretanto, como a Força Aérea não me tinha autorizado a continuar o curso de Direito que já tinha começado a frequentar em 1958, matriculei-me no curso de Psicologia Clínica, no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, vulgo ISPA, que era uma instituição particular e não me exigia a tal autorização mas apenas propinas.

ES: Mas matriculou-se lá por causa dos seus problemas?
MN: Não foi por isso, mas sim porque um amigo meu também lá estava, já mais adiantado e eu dava-me muito bem com ele.
Nos primeiros anos, com a medicação que estava a tomar e com o conhecimento de que eu já estava numa Universidade, as pressões na Força Aérea foram aumentando e a pouca frequência das aulas, bem como a minha saúde não ajudaram a progredir, até que fui dado como necessitando de sair das tripulações e ficar numa Direcção-Geral, com tempo de vôo reduzido ao mínimo, já que continuava a ser medicado em psiquiatria.
O importante, é que a medicação deixava-me ainda pior e com vontade de «desaparecer» porque até a saúde física ia ficando cada vez mais degradada. Uma das vezes em que conduzia à noite, comecei a ver ou a ter a ilusão de que dois carros vinham contra mim. Resolvi deixar de tomar a medicação e «ir aguentando». Não conseguia ler nem estudar coisa alguma, a não ser esporadicamente, tendo feito exames só em duas ou três disciplinas, até que, em 1973, consegui assistir a «workshops» de terapia comportamental, nos Hospitais de Santa Maria e Júlio de Matos, orientadas pelo Doutor Victor Meyer, Reader in Clinical Psychology da Faculdade de Medicina do Middlessex Hospital, de Londres. Porém, também isso não me resolvia o problema, mas fazia compreender que tinha de reagir comportamentalmente. Como seria possível?
Comecei a ler muita coisa sobre modificação do comportamento até que as aulas da Psicologia Geral com o Prof. Orlindo Gouveia Pereira me ajudaram a compreender as teorias de aprendizagem e condicionamento de Thorndike, Pavlov e Skinner, baseadas nas suas experiências.

ES: Quer dizer que se baseou nessas teorias para resolver os seus problemas?
MN: De maneira alguma. Só isso não chegava, mas as leituras parece que me ajudaram a compreender e suportar a situação um pouco melhor. Por isso, continuei a ler muita coisa sobre isso e sobre a psicanálise de Freud, o que também necessitava para as disciplinas do curso, que fui concluindo aos poucos.
Ingressei também num grupo de alunos de terapia comportamental onde o relaxamento de Jacobson era muito valorizado.
Entretanto, como a minha situação médica se agravava, em vez de melhorar, fui dado como incapaz para o serviço de vôo por uma Junta de Saúde, em 22 de Abril de 1974, com o diagnóstico de neurose depressiva reactiva grave.
Assim, tendo mais tempo livre para estudar, consegui concentrar-me um pouco mais e ir respondendo a mais disciplinas, em regime militar, isto é, marcando a data do exame com o professor, até que, com o «25 de Abril», os «revolucionários» exigiram passagem administrativa sem nota, o que fez baixar a minha média, apesar de ter trabalhos preparados para algumas cadeiras em que estava matriculado no 3º e 4º anos.

ES: Isso prejudicou-o em alguma coisa?
MN: Prejudicou-me a média final do curso e a impossibilidade de sua conclusão antes da época normal dos exames. Mas, como os futuros «clientes» não se preocupariam com isso, não me importei. Como a minha mulher ia nessa ocasião a Inglaterra para se especializar na integração nas classes normais, de crianças com dificuldades, também a acompanhei e tirei esses cursos. Nesses cursos, estágios e visitas às escolas que tivemos de fazer, por nossa vontade, estávamos ocupados o dia inteiro e quase que não tínhamos tempo para dormir. Entusiasmei-me quanodo que os ingleses utilizavam muito a modificação do comportamento e, sabendo do adiantado de meu curso, dos «workshops» em Lisboa e vendo o meu entusiasmo na aprendizagem das técnicas de reintegração, os futuros colegas quase me empurraram para a Ordem dos Psicólogos Britânica a fim de obter a cédula para clinicar na Inglaterra.
Como estivera com Victor Meyer em Lisboa e ele me conhecia bem, quando lhe falei sobre o assunto, disse-me que contactasse Lawrence Burns, Associate e dirigente da BPS, já que ele era o responsável pela clínica da Psicologia no Hospital de Rochadale e eu estaria uns dias em Nottingham. O ingresso na Ordem dos Psicólogos Britânica exigia um doutoramento americano ou um mestrado inglês ou um exame na Ordem, com entrevista especializada. Quando contactei Lawrence Burns, ele disse-me que fizesses o diagnóstico dum obsessivo-compulsivo que ele estava a tratar no momento e discutiu comigo o tratamento. Disse-lhe que a dessensibilização seria boa de imediato, mas que a saciação (flooding) o poderia ajudar ainda mais se não nos esquecêssemos de tentar saber qual era a «causa» das suas dificuldades. Olhando para mim de forma perscrutadora, parece que gostou da resposta mas inquiriu de que modo eu pensava fazer isso. Disse-lhe que, nestes casos, um relaxamento mental tão profundo quanto possível, com uma tentativa de análise do passado seria excelente e era assim que faria se o caso me fosse entregue, o que poderia não acontecer no grupo de terapia comportamental em que estava a tentar fazer um pré-estagio, em Lisboa.
Depois da entrevista, parecendo que tinha ficado satisfeito, disse-me não havia vaga para eu trabalhar no Hospital mas que seria bom eu falar com H. R. Beech, em Birmingham e dirigir-me depois à sede da Ordem dos Psicólogos, em Londres.
Quando no hospital de Birmingham fui falar com Beech, parecendo que já estava informado sobre o meu assunto, disse-me que a única vaga que exista se destinava a um dos dois candidatos ingleses com belíssimas notas. Gostaria que eu ficasse lá, mas a minhas expensas, o que não me convinha naquela época.
Quando fui a Londres e pedi o formulário para me candidatar, logo que souberam do meu nome, disseram que, por indicação de Lawrence Burns, regressando a Lisboa e terminando o curso, deveria mandar o diploma de finalização e uma cópia do conteúdo das cadeiras, devidamente traduzido. Não tinha de fazer mais nenhum exame.
Logo que regressei a Lisboa, como estava «desempregado» consegui frequentar aulas extra e fazer dois estágios escolares obrigatórios, em vez de um – terapia comportamental e grupanálise – os quais não me deram a satisfação que eu desejava.
Na terapia comportamental, o relaxamento não me satisfazia e era muito estruturado, moroso, pouco eficaz e de efeito reduzido. Na grupanálise, quase que faziam adivinhações e arranjavam justificações para os desequilíbrios. Por isso, comecei a experimentar o tipo de relaxamento que utilizo agora e com o qual comecei a dar-me muito bem. O trabalho era intenso e quase que não tinha tempo para dormir. Logo que chegou a época dos exames, finalizei o curso antes dos meus colegas regulares, não-trabalhadores nem militares, e enviei a papelada para a Inglaterra.

ES: Isso foi violento, não foi?
MN: Só sei que fiquei tão «embrulhado» nos acontecimentos, que me esqueci que estava «doente», mas nunca me esqueci do relaxamento, todas as noites, à minha maneira. De vez em quando, também me lembrava do meu passado e tentava analisá-lo com frieza, objectividade e bom-senso.
Entretanto, comecei o estágio profissional onde me empenhei em aplicar testes diversos e a corrigi-los. Fui continuando as leituras, especialmente as relacionadas com a psicanálise e modificação do comportamento até que as experiências de Eysenck me elucidaram quando ao reforço negativo e ao aumento progressivo da sua intensidade com um segundo sinal condicional antecipado. Além disso, em “Psychoanalyse Yourself”, Pickworth Farrow falava da sua experiência na autoanálise e Victor Franckl apresentava os seus trabalhos nos campos de concentração em “Man´s Search for Meaning”.
Dois meses depois de enviar a papelada para Inglaterra, recebia uma comunicação de que que já era Graduate Member (nº 0092843/1975) da BPS, com direito a clinicar legalmente na Inglaterra. Portanto, antes de Portugal, eu já estava inscrito na Inglaterra. Isso entusiasmou-me bastante e, como estava no fim do estágio profissional, já me podia inscrever no Sindicato Nacional dos Profissionais de Psicologia e exercer a clínica em Portugal.
Fiquei tão entusiasmado com o que estava a conseguir que, passados os dois anos obrigatórios sobre a minha incapacidade para o vôo, quando poderia ingressar na TAP depois de 1976, desisti dessa possibilidade bastante lucrativa e continuei em Psicologia que já me estava a fascinar e envolver-me completamente.

ES: Foi um bom percurso. E depois?
MN: Como não era fácil conseguir clientes, comecei com estágios voluntários em dois hospitais de cada vez, que continuei durante 4 anos, e comecei a dar aulas de Psicologia e Psicopatologia a enfermeiros. Nesses cursos, utilizando os conhecimentos adquiridos na modificação do comportamento, consegui apoiar alguns dos alunos e seus familiares, o que me entusiasmou muito. Porém, a pouco e pouco a clientela foi aumentando e comecei a conseguir iniciar um tratamento que tinha idealizado para mim, com bons resultados e que estava decidido a experimentar nos outros. Quando, em 1976, comecei essa experiência que se prolongou até 1979 verifiquei que 23% dos 71 pacientes estudados tinham resolvido os seus problemas e que 63% tinham melhorado, não podendo muitos deles continuar o tratamento por falta de financiamento.

ES: O resultado parece ter sido bom.
MN: Para mim, foi bom porque os estudos citados por Eysenck não apresentavam resultados que chegassem a 70%. Isso entusiasmou-me de tal maneira que pensei candidatar-me a mestrado mas, quando tentei isso enviando o currículo e o plano de pesquisa, recebi a informação de que já tinha a equivalência para mestrado e que era melhor enveredar por um doutoramento. Por isso, para não perder tempo e a força anímica que me ajudava a conseguir trabalhar incansavelmente, matriculei-me na California Christian University que me exigia trabalho de prática clínica, 4 trabalhos de pesquisa e um exame-questionário feito num estabelecimento diplomático dos EUA em Lisboa. A tese seria discutida com o orientador Rev. Dr. W. G. Rummerfield, em Cambridge, onde eles tinham uma ramificação, cujo responsável, Doutor Ernest Kay, era director de International Biographical Center e me iria dando apoio quando necessário, sem marcação prévia. Como ia muitas vezes a Inglaterra com a minha mulher, para cursos estágios e congressos, aproveitei esses lapsos de tempo, com alguns prolongamentos, para tratar da tese e para tirar também o curso de hipnose terapêutica da Baxter Academy. Em Maio de 1980 já tinha concluído a tese sobre a Terapia do Equilíbrio Afectivo mas não estava satisfeito, porque imaginava que poderia obter melhores resultados utilizando a hipnose depois de ler o livro Hypnotherapy, de Milton Erickson e Ernest Rossi.

ES: Então, sempre se meteu na hipnose!
MN: Se eu utilizada o relaxamento muscular para atingir o relaxamento mental e tentar desencadear nas pessoas as recordações boas que elas tinham guardado no fundo dos seus arquivos pessoais, talvez lhes pudesse aprofundar e acelerar o processo com a hipnose, o que seria muito melhor. Se Milton Erickson utilizou a Guided Imagery durantes horas de cada vez, com os seus pacientes, qual a razão de eu não poder utilizar um processo semelhante para desenterrar melhor e mais rapidamente as suas recordações boas com os afectos associados às mesmas? Tinha de trabalhar nesse sentido e já tinha conseguido alguma coisa de positivo com o Joel (G), que me tinha passado pelas mãos. Surgiu depois, inesperadamente, o caso do Júlio (E) que aproveitei para experimentar e aprofundar as minhas ideias, utilizando apenas os apontamentos policopiados que serviam para as aulas dos enfermeiros. Mas, neste caso, além de resolver o problema de depressão, desorientação, transpiração, etc. do Júlio, também tinha de o motivar para melhorar no futuro, já que ele não utilizara todas as suas capacidades quando estava no 10º ano, por estar longe dos pais e sentir-se abandonado, desagradando-se com isso. Por isso, tinha de utilizar a sua Imaginação e era minha obrigação Orientá-la da melhor maneira possível. Para isso, também ele tinha de compreender os mecanismos do funcionamento do comportamento humano para se poder fazer uma reestruturação cognitiva, motivando-o para melhorar muito mais, utilizando as suas capacidades adormecidas. Para isso a sua colaboração para a leitura e compreensão dos textos era fundamental, apesar de tudo isso estar apenas em apontamentos policopiados, utilizados para as aulas de Psicologia e Psicopatologia.

ES: Parece-me que já vi que isso deu resultado.
MN: Deu um resultado que eu não esperava e de que só consegui tomar conhecimento pleno cerca de 20 anos depois, quando reencontrei o Júlio. E repare que foram apenas 19 sessões de duas ou mais horas, com cerca de 122 períodos de meia hora, sentados à mesa de um velho e vasto café, mas pouca gente perto de nós.

ES: Quer dizer que essas sessões de muito tempo ou tempo prolongado dão melhor resultado?
MN: Comigo deram sempre, desde que as pessoas se empenharam na sua recuperação e se dispuseram a ter persistência, treinar em casa, adquirir a capacidade de analisar o seu comportamento com bom-senso, racionalidade e humildade, lendo muito para conseguir «estar dentro do sistema». Saber aquilo que os outros fizeram também ajuda imenso porque cada um pode copiar aquilo que achar melhor, adaptando tudo ao seu caso. É a aprendizagem social em acção, com a modelagem, que é uma das técnicas de modificação do comportamento.

ES: Tem tido bons resultados com isso?
MN: Desde que exista a colaboração do próprio, os resultados são sempre melhores do que na psicoterapia tradicional em que se utilizam as sacramentais horas de 50 minutos. E tudo isso se reflecte não só no próprio como na família e até nos amigos mais chegados. O caso do Antunes (B), que fez a psicoterapia quase autonomamente é elucidativo. Afinal, as dificuldades escolares da filha eram o reflexo ou consequência das dificuldades do pai, que envolviam também a mãe. Bastou ele «apoiar» a filha, para ela melhorar nos resultados escolares, a mãe começar a sentir-se melhor e ele ficar incentivado a fazer a sua própria psicoterapia com perseverança, à base das leituras e dos treinos necessários. Depois, até ajudou e sua «sobrinha» Cidália (C). Com a Cristina, Germana e Januário (L) viram-se os resultados. Foi por isso que o Joel, anos depois de ter melhorado substancialmente, se queixou da «falta de educação» que teve quando dela mais necessitava, englobado numa família coerente. Depois de ler muito daquilo que tinha sido publicado no tempo dele, o que se preconiza na Biblioterapia (Q), conseguiu analisar-se convenientemente, o que o ajudou a melhorar substancialmente o seu comportamento. Também foi por experiência própria que ele insistiu muito para que se fizesse uma Lista de Procedimentos (P) que, agora, foi transformada num livro, em sua homenagem.

ES: O que diz quanto aos movimentos de Psicologia Positiva e Mindfullness que são divulgados presentemente?
MN: Não sei se viu os dois posts que fiz sobre estes assuntos, mas aquilo a que eu assisti não me convenceu e, em relação à meditação transcendental, uma pessoa da minha total confiança foi praticá-la e atribuiram-lhe um mantra.  Ela começou a repeti-lo, mas a sentir-se desconfortável com a posição adoptada e, às tantas, esqueceu-se do mantra e sentiu-se cada vez pior. Nunca mais lá voltou. Não sei quais os resultados reais que os seus utilizadores obtém, mas posso dizer que, quando estive em Goa para o casamento de uma pessoa amiga, tive a oportunidade de visitar Índia, depois de 37 anos de ausência e fui passear por Jaipur. Falei com um iogui que desejou saber qual era a minha profissão e, depois de falar comigo bastante tempo sobre a TEA e a IO, quando lhe perguntei como é que faria o ioga, respondeu-me, a sorrir, que deveria sentar-me e praticar. O seu sorriso parecia querer perguntar-me: “O que é que você faz normalmente?” Com isso, convenci-me que não estava muito longe disso, mas que não tinha de adoptar qualquer posição especial. A minha posição de deitado era mais do que o suficiente. O importante era o «envolvimento da minha cabeça» em todo o processo. Para corroborar as minhas dúvidas, pergunto qual a razão de algumas pessoas que praticam Mindfullness serem quase intratávais, irascíveis e conflituosas. Também, se na Psicologia Positiva as pessoas tèm de se apresentar muito alegres e divertidas, qual a razão de elas estarem deprimidas e até se suicidarem, como aconteceu com o comediante Robin Williams.

ES: Qual é a conclusão a que chega com tudo aquilo que falámos?
MN: Antes de tudo, aquilo que se passou comigo foi o prenúncio da Biblioterapia. Ninguém me ajudou a não ser a «afundar-me» com medicamentos, mas os livros serviram de muito. Depois, discordando de muitas teorias seguidas à risca, fui experimentando a Terapia do Equilíbrio Afectivo que só pode ser utilizada com a colaboração do próprio. A partir dos êxitos obtidos comigo e com os outros, Imaginação Orientada entrou em acção. Com a análise do comportamento, foi possível verificar as causas dos efeitos nocivos que não interessavam e, com uma reestruturação cognitiva, foi possível planear, em relaxamento profundo, novas acções para obter efeitos mais adequados.
Muita coisa funciona com base nas causas→efeitos e não em função de justificações e explicações. Todo este funcionamento pode ser explicado a muita gente ao mesmo tempo, ocasião em que também se pode melhorar a eficácia e a qualidade das práticas, podendo-se prolongar nessas sessões o efeito da recordação/imaginação, para se obter uma melhoria mais consistente. Mas, para isso, as pessoas também têm de conhecer como tudo funciona e o modo como os outros resolveram os seus problemas. O exemplo dos outros pode funcionar como modelo para uma aprendizagem social, até com reforço vicariante. Isso pode ser possível só com leituras bem orientadas acompanhados de alguns esclarecimentos atempados e oportunos, que podem acelerar e consolidar todo o processo de reequilíbrio.

ES: Já estou a ver de que modo faz a psicoterapia. Mas não pode ser necessário fazer qualquer diagnóstico com exames, etc? Como é que faz isso?
MN: Pode ser necessário fazer exames ou outras perícias. A Drª Graça Martins que colabora na FISIOCONVENTO, Rua Almirante Gago Coutinho, em Mafra e na PSICAIS, na Avª do Ultramar, em Cascais, ajuda ou participa, com toda a confiança, quando existe necessidade de avaliação de personalidade e de funções cognitivas, de orientação escolar ou profissional ou até de apoio psicopedagógico ou psicoterapêutico. Da minha parte, dedico-me a manter os blogs, a actualizar os livros da colecção para uma Biblioterapia bem orientada e a atender algum paciente antigo ou especialmente recomendado, já que acabei agora a minha actividade docente, no ISMAT, ao fim de 10 anos de docência, em 2010/11.

ES: Com esta conversa, parece-me que gosta bastante da Biblioterapia. Vendo o seu currículo, anterior a tudo o que mencionou, parece-me que foi conservador da Biblioteca Nacional de Goa. Isso não lhe terá criado um bichinho para gostar da biblioterapia?
MN: Confesso que não tinha pensado bem nisso, mas foi nessa ocasião que me entusiasmei bastante pelas leituras. Começando por Júlio Diniz, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, etc. continuei com Gilberto Freire, Jorge Amado, Erico Veríssimo, José Lins do Rego, etc. e, especialmente, Francisco Luís Gomes, que era meu patrício. Por isso, posso considerar isso como uma Bibliofilia.  As leituras subsequentes, a partir de 1968, relacionadas com psicanálise, modificação do comportamento,  etc. que acabei de mencionar, é que podem ter contribuído para a Biblioterapia incentivada pela minha bibliofilia anterior.  Esta foi uma necessidade sentida e desencadeada pelo anterior gosto pela leitura.
Enquanto o gosto pela leitura e a sua efectivação ocasiona o reforço do comportamento incompatível, a leitura e compreensão de livros adequados e orientadores, ocasiona a possibilidade de poder melhorar o desequilíbrio psicológico desde que seja acompanhada dos treinos convenientes. É uma espécie de reforço do comportamento incompatível permanente.
Mas agora, depois de me sentir muito melhor com esse reforço e de me ter enfronhado completamente na psicoterapia, num interregno de quase 20 anos, dediquei-me, quase por necessidade, apenas aos textos de psicologia, até começar a escrever alguma coisa para a posteridade.
E, a propósito, o meu primeiro livro foi “A Psicologia no Dia-a-Dia“, publicado inicialmente com o título “O Uso Social de Psicologia“, aconselhado por dois especialistas da editora, que distorceram também a sequência do livro. Foi pena ter de se mudar tudo muito mal e à pressa porque o livro não estava a ser vendido. A capa mudou mas o conteúdo ficou distorcido.

Consultou todos os links mencionados neste post?

Já leu os comentáriosVisite-nos no Facebook.

Clique em BEM-VINDOS

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

 

Anúncios

Single Post Navigation

One thought on “CONVERSA ENTRE AMIGOS − 5

  1. Anónimo on said:

    Doutor, eu conheço-o e, por isso, faço este comentário que pode meter no blogue para lhe mandar.

    Descubri, como conclui, que o meu pai neste momento já tem “nova família” e já me está a por de lado.
    No dia dos meus anos disse-me que não podia ir jantar, achei estranho e descobri que ele foi jantar com a sua nova família, que é muito triste…
    Depois disse que combinássemos um dia. 3 depois da meus anos ia os fazer o meu jantar de anos, mas ele começou novamente a ser uma besta, ofender-me, entre outras coisas abituais dele.
    Estávamos em Lisboa, começou ofender me ainda mais ainda por cima à frente da minha namorada, eu disse lhe que ia me embora pq não estava para aguentar aquilo e ele disse que podia fazer o bem quisesse.
    Eu saiu e disse que o jantar estava dado!
    Ele começa a chorar a dizer que não merecia aquilo e eu disse que se ele deixa se de merdas e fosse ajudado por alguém como o doutor, já nada disto era assim!
    Vi me embora e vim para casa de transportes mais a minha namorada.
    Como vê doutor, ele além de não melhorar, só piora!
    Não quer ser ajudado, então que soluções há?
    Disse-lhe mesmo, “assim tu vais ficar sozinho, vais me perder de vez, e assim pessoa como és, não serves para nada! Tu precisas de apoio,,,!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: