PSICOLOGIA PARA TODOS

BLOG QUE AJUDA A COMPREENDER A MENTE E OS COMPORTAMENTOS HUMANOS. CONSULTA-O E ESCREVE-NOS, FAZ AS PERGUNTAS E OS COMENTÁRIOS QUE QUISERES E COLABORA PARA MELHORAR ESTE BLOG. «ILUMINA» O TEU PRÓPRIO CAMINHO OU O MODO COMO FAZES AS COISAS…

A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA

Depois de ter recebido o seguinte comentário dum anónimo feito no último post,

Doutor, eu conheço-o e, por isso, faço este comentário que pode meter no blogue para lhe mandar.
Descubri, como conclui, que o meu pai neste momento já tem “nova família” e já me está a por de lado.
No dia dos meus anos disse-me que não podia ir jantar, achei estranho e descobri que ele foi jantar com a sua nova família, que é muito triste…
Depois disse que combinássemos um dia. 3 depois da meus anos ia os fazer o meu jantar de anos, mas ele começou novamente a ser uma besta, ofender-me, entre outras coisas abituais dele.
Estávamos em Lisboa, começou ofender me ainda mais ainda por cima à frente da minha namorada, eu disse lhe que ia me embora pq não estava para aguentar aquilo e ele disse que podia fazer o bem quisesse.
Eu saiu e disse que o jantar estava dado!
Ele começa a chorar a dizer que não merecia aquilo e eu disse que se ele deixa se de merdas e fosse ajudado por alguém como o doutor, já nada disto era assim!
Vi me embora e vim para casa de transportes mais a minha namorada.
Como vê doutor, ele além de não melhorar, só piora!
Não quer ser ajudado, então que soluções há?
Disse-lhe mesmo, “assim tu vais ficar sozinho, vais me perder de vez, e assim pessoa como és, não serves para nada! Tu precisas de apoio,,,!

achei que devia dar uma resposta, tanto quanto possível imediata e quase ao correr da pena, não só para  sossegar o comentador, mas ainda para fazer ver que numa psicoterapia, existe necessidade do envolvimento do próprio para que se possa fazer uma reestruturação nas cognições do indivíduo desequilibrado, o que se pode conseguir só com a vontade e a «cabeça do próprio».
Se o próprio não colaborar, vai descobrir mil e uma justificações para os seus desequilíbrios e «culpar» os outros ou o destino pelos males que estiver e sofrer.
Os outros serão sempre os culpados e ele será a vítima do sistema!

Como estava a pensar num livro relacionado com a «PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA» e já tinha publicado o «BIBLIOTERAPIA» e o «AUTO{psico}TERAPIA», interessava-me, depois da conversa mantida com o psicoterapeuta Edmar da Silva, descobrir se conseguiria preparar um livro mais explicativo para se conseguir utilizar a Biblioterapia num sentido mais amplo, incitando as pessoas para uma Bibliofilia que as ajude, através de leituras adequadas, a começar com uma Prevenção e Profilaxia que possa evitar os desequilíbrios verificados constantemente na nossa sociedade.

É verdade que se diz que a nossa sociedade é civilizada. Mas, em que sentido? Mais industrializada? Com mais meios tecnológicos? Com mais riqueza acumulada nas mãos de alguns, enquanto os outros vivem na miséria? Quem vai dar a todas estas pessoas, especialmente as menos favorecidas, para não dizer mais desfavorecidas, a paz de espírito de que necessitam para suprir as deficiências e ultrapassar as dificuldades que surgem no dia-a-dia?
Os meios de comunicação social, mantidos e orientados pelos mais poderosos, não ajudam, a não ser na venda de produtos com os quais lhes interessa aumentar os seus lucros, desprezando por completo a vontade ou as necessidades da maioria e tentando instrumentalizar todos a seu favor e em seu proveito.

Estava a pensar neste novo livro e já tinha ideias bastante claras sobre o caso da «Cristina» e a sua educação muito civilizada e preconceituosa e estava a chegar aos problemas do «Calimero» de quem tinha perdido o rasto desde a última vez em que ele disse à mãe que não necessitava de apoio e que, a conduzir em Lisboa com a carta de condução que não conseguira obter anos antes e com uma licenciatura com 16 valores, tudo o que tinha conseguido fôra com o trabalho dele
Contudo, embora tivesse razão em parte, algum melhoramento que se conseguiu, não seria obtido sem a sua colaboração, embora pouco satisfatória. Das suas 17 dificuldades mencionadas por ele no início da psicoterapia, só «Necessidade de proteger o pai», «Medo de subir de elevador sem companhia» e «Vontade de se lançar de locais altos» não tinham diminuído muito. Quais seriam as «causas» dessas dificuldades?
A necessidade de proteger o pai seria algum traumatismo negativo muito forte e difícil de relembrar? O medo de subir de elevador sem companhia podia ser explicado pelo trauma sofrido quando, com a mãe doente, teve de subir num elevador de hospital, que ficou parado mais de 30 minutos, sem poderem sair do mesmo. O estado emocional da mãe também o poderia ter influenciado. Isso também teria criado nele a vontade de saltar do sítio alto onde estava encurralado, para se poder libertar dessa «prisão»?

Eram factos a ser aclarados com um bom relaxamento mental, bastante profundo e prolongado, o que não foi possível fazer durante o tempo que durou a psicoterapia, seguindo parte da metodologia da Biblioterapia e, se possível, de uma quase Autoterapia, como tinha acontecido com o Júlio e com a Cidália.
O «Calimero» não gostava de ler e foi quase por obrigação que leu apenas os originais do livro da Cidália. Não sabia coisa alguma sobre o funcionamento do comportamento humano, especialmente o relacionado com a aprendizagem, os condicionamentos, os traumatismos negativos, a frustração e muitas outras coisas que cada um pode facilmente apreender, como tinha acontecido com o meu amigo «Antunes» com a leitura de livros adequados.
Além disso, nada sabia sobre a psicopatologia e o modo como os traumatismos acontecem, além da maneira como podem ser «resolvidos» ou «eliminados» dentro do possível. Achava que devia haver um botão de «reset», tal como nos computadores, para mudar tudo ou conseguir saber as origens do mal, para as poder arrancar pela raiz.

Para culminar estas lacunas, o exercício do relaxamento mental era fraco, dizia que gostava de escrever muito, mas nem conseguia manter um diário com as anotações das dificuldades e boas coisas que lhe aconteciam no dia-a-dia, quanto mais manter uma prática de autoanálise que tem as suas normas especiais e pode provocar o efeito de Zerigarnick.
As autoavaliações tinham sido feitas nas sessões de consulta e psicoterapia, quase a saca-rolhas e com pouca fidedignidade, mas indicando que, ao fim de 2 anos, as 17 dificuldades tinham passado de 9,20 na 2ª semana, para 4,42 na 84ª semana, na escala de 11 pontos/conceitos, isto é, grosso modo, de 92% para 44%.

Além disso, a Imaginação Orientada tornava-se muito difícil por causa da pouca profundidade de relaxamento atingido, com a prática mínima mantida em casa e impossibilidade de entrar em autohipnose. O que ele desejava, era falar muito e obter respostas para as suas dificuldades, imaginando que, com a «conversa», iria conseguir muito. Talvez já tivesse «aprendido» isso antes, com as consultas de psicologia «normais» que mantivera durante mais do que ano e meio.

No caso do «Calimero», uma das minhas exigências iniciais tinha sido a «voluntariedade» dele, mas a colaboração só poderia ser exigida depois, o que não foi conseguida na totalidade por causa dos hábitos já adquiridos em casa, na sua vivência de 21 anos. Por isso, depois dos resultados, para mim insatisfatórios, ficaram muitas dúvidas.

♦ Se os pais do Calimero tivessem tido um período de namoro suficientemente amplo para se conhecerem e adaptarem-se melhor, um ao outro, talvez as desavenças inciais não tivessem lugar e o Calimero não ficasse sujeito a um clima de instabilidade emocional quase permanente. O ambiente familiar da criança seria muito mais satisfatório.

♦ Se durante o tempo do namoro, houvesse uma franca discussão acerca dos graus académicos e o valor dos cursos, talvez o pai não tentasse menosprezar as licenciaturas em Ciências Humanas em contraposição com as de Direito, Engenharia, Arquitectura, Medicina.

♦ Se depois do nascimento do Calimero houvesse um acompanhamento sério e adequado do seu desenvolvimento cognitivo, psicomotor e académico, com despistes atempados e reeducações eficazes, as suas dificuldades nos estudos seriam muito menores, se é que existissem.

♦ Se não houvesse uma superprotecção exagerada ao longo do seu desenvolvimento, provavelmente o Calimero não seria tão imaturo como demonstrava estar, mesmo com 21 anos completos.

♦ Se a mãe não tivesse tido o episódio do derrame cerebral obrigando a uma intervenção cirúrgica urgente e a um internamento de duas semanas, com toda a emocionalidade consequente, num clima em que havia fortes divergências entre os progenitores, com ameaças da mãe em abandonar a casa, talvez os medos do Calimero fossem diferentes ou mais reduzidos, se é que existissem.

♦ Se, nessa ocasião, o pai não se desorientasse e não descarregasse, provavelmente, em parte, as suas frustrações no Calimero, obrigando-o a estudar quando a criança deveria estar fortemente preocupada e desorientada com a doença da mãe, talvez o diferendo do Calimero com o pai não existisse ou tivesse outra configuração.

♦ Se os estudos do Calimero corressem bem, provavelmente, a imaturidade seria menor e os medos também, podendo ter obtido facilmente uma actual licenciatura de Bolonha, com 21 ou 22 anos.

♦ Muito disso não aconteceu com o Calimero que, por razões óbvias, teve de interromper uma psicoterapia inacabada, sem acompanhamento posterior, havendo perigo de reincidência em caso de alguma contrariedade maior.

♦ Todo o «menor sucesso» que houve no caso do Calimero foi fruto da sua dificuldade em não colaborar com o psicoterapeuta através do treino que deveria ser feito afincadamente em casa, com leitura de livros, manutenção do diário e tentativa de iniciar o relaxamento de maneira adequada.

É por isso que, como prevenção, os pais podem seguir muitos dos «conselhos» e «práticas» disponibilizadas aos pais da «JOANA», que nunca mais necessitaram de apoio e vivem em harmonia, entreajudando-se sempre que possível e necessário, embora fora de Portugal e muito longe.

Tudo isto pode servir para dizer que, se o pai do meu comentador não se sentir com dificuldades e achar que todo o mundo está errado, menos ele, não só não aceitará qualquer ajuda válida, como a «perverterá» se lhe for imposta sem a sua vontade.
É este o meu fito ao tentar preparar um novo livro alertando as pessoas para a necessidade duma Bibliofilia a fim de que cada um se possa precaver com leituras adequadas que funcionem como um catalizador para uma vida melhor, isto é, com paz de espírito e em boa harmonia com o ambiente e com os outros.

Para isso, também é necessário, numa sociedade como a nossa, que se crie ou instigue o gosto pela boa leitura e não apenas de folhetins que entretém momentaneamente. Isto significa criar em cada um o gosto pela leitura, incentivando-o com essa Bibliofilia, a ler livros adequados para o seu caso.

E, agora, surge o problema insidioso do jogo da Baleia Azul.
Quem se vai precaver contra os perigos iminentes que o mesmo encerra, dando apoio aos mais frágeis que se deixam enredar nas suas malhas quase invisíveis? Os pais estarão em alerta suficiente? Chorar DEPOIS, quando ANTES poderiam ter estabelecido formas de protecção?
Pode ser um grande passo a ser dado para uma sociedade mentalmente mais saudável.

Para facilitar ainda mais a compreensão de todo este arrazoado de técnicas, metodologia e ideias e atendendo também aos comentários, sugestões, críticas e pedidos de esclarecimento feitos ao longo do tempo e para não haver confusão com a Bibliofilia ou Animação Cultural, o novo livro deve intitular-se «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R) destinado a elucidar e orientar devidamente os interessados, de uma maneira muito precisa, de acordo com os seus interesses e situação específica, completando a colecção da Biblioterapia com 18 unidades.

Consultou todos os links mencionados neste post?

Já leu os comentáriosVisite-nos no Facebook.

Clique em BEM-VINDOS

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui.

 

Anúncios

Single Post Navigation

3 thoughts on “A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA

  1. Felício on said:

    Doutor Noronha.
    Gostei deste artigo, mas quando me juntei com alguns dos que pertenciam ao «CãoPincha» [https://compincha.wordpress.com/2009/06/12/a-abrir/] ficamos confusos por se referir à «Baleia Azul», agora muito badalada na televisão.
    Gostava de conversar consigo sobre isso e, se tiver oportunidade irei procurá-lo junto do café habitual, talve até com mais alguém.
    Até à próxima.
    Felício

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: