PSICOLOGIA PARA TODOS

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A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA 2

Depois de receber o comentário seguinte:
Doutor Noronha.
Gostei deste artigo, mas quando me juntei com alguns dos que pertenciam ao «CãoPincha» ficamos confusos por se referir à «Baleia Azul», agora muito badalada na televisão.
Gostava de conversar consigo sobre isso e, se tiver oportunidade irei procurá-lo junto do café habitual, talvez até com mais alguém.
Até à próxima.
Felício”
fui andando devagar para descobrir o senhor Felício, que estava com mais um senhor à minha espera, à porta do café habitual.

Depois de nos cumprimentarmos, mantivemos o diálogo seguinte.

F: Venho com um amigo que antigamente estava no grupo CãoPincha e que está muito interessado nestes assuntos. É pena esse grupo já não funcionar. Sabe que nós ficámos muito preocupados e bastante admirados por se ter referido no seu artigo aos perigos da Baleia Azul que nos persegue por estes tempos?
N: Referi-me à Baleia Azul como me poderia ter referido ao alcoolismo, à droga, à delinquência, à comida em excesso ou a qualquer outro vício, como também pode ser a prostituição, que se vai adquirindo aos poucos e que, muitas vezes, acaba por se fixar permanentemente na estrutura da personalidade, modificando completamente os comportamentos do indivíduo.

F: Como é que isso se processa?
N: Para compreender isto, o importante, nestes casos, é conhecer bem o funcionamento do comportamento humano, lendo bastante e compreendendo o conceito de cada um desses factores, bem como o modo como os diversos tipos de reforço, os modelos, a afiliação, a dissonância cognitiva, a cultura, as pressões sociais e vários outros fenómenos psicológicos ficam a actuar nas pessoas, muitas vezes, devido ao meio-ambiente em que estão inseridos e em que terão de continuar a viver.
Vemos perfeitamente nos vários casos descritos em pelo menos 8 livros da colecção de Biblioterapia, o modo como o meio ambiente influenciou a formação de personalidade e a melhoria do seu reequilíbrio e até a maneira como o mesmo iria influenciar negativamente a recuperação, criando um vício (dos medicamentos),  que poderia acontecer no caso da Cidália.
No caso da Germana, verificou-se o modo como o meio ambiente influenciou bastante os seus comportamentos e também a maneira como a Bibliofilia a motivou a ler bastante aquilo que a ajudou a mudar de vida e até a ajudar o seu marido a recuperar facilmente, apesar de ter tido más experiências anteriores.
No caso do Antunes, verificou-se o modo como o comportamento dele influenciou o desencanto, quase desespero, da mulher e o comportamento irrequieto, com maus resultados académicos da filha. Esse livro também apresenta a fácil recuperação de todos naquela família, só com uma mudança no comportamento do Antunes. Bastou ele prestar mais atenção à filha e ajudá-la nos estudos para influenciar positivamente tanto a filha como a mulher e até progredir no emprego começando a sentir-se bem no seu íntimo.
Todos nós «dependemos», em grande parte, uns dos outros e basta mudar uma peça para tudo poder ficar desequilibrado. É tão simples como isso.

F: Como é que isso funciona?
N: Todos nós queremos ser felizes e ter uma vida agradável. Isso provoca-nos satisfação, que é o reforço positivo. Quando a vida não nos corre bem, sentimo-nos punidos e procuramos fugir dela ou evitar essa punição. Se formos bem-sucedidos nisso, ganhamos reforço negativo. Qualquer desses reforços têm características especiais, tais como razão fixa e variável, intervalo fixo e variável, primário, secundário ou social, vicariante e aleatório. Esse reforço pode ocasionar aprendizagem que, muitas vezes, fica associada e é antecedido de estímulos, incentivos ou sinais condicionais. Quando essa aprendizagem se processar com reforço negativo de razão variável ou aleatório, como o mesmo é muito forte, pode ocasionar o vício. Isto quer dizer que, sempre que uma pessoa se sentir punida, irá recorrer àquilo que lhe ocasionou o tal reforço negativo de razão variável ou aleatório. Se aquilo que ocasiona esse reforço for, por exemplo, a droga ou o álcool, a pessoa vai recorrer a isso sempre que se sentir punida.

F: Eh pá, tanta coisa junta!
N: Ainda não disse tudo. Temos de ter em conta que essa punição não costuma aparecer de repente. Existem sinais que podem ser o prenúncio do seu aparecimento. Utilizando um exemplo muito simples, por causa desse sinal, sabemos que uma determinada música indica que vai ser apresentado o boletim meteorológico ou o Minuto Verde na televisão. Do mesmo modo, quando chegamos a ver o chefe a dirigir-se a nós de má catadura, ficamos à espera de sermos repreendidos. É um sinal antecedente que nos ocasiona o medo ou o desconforto relacionado com a punição que nos espera ou a regalia que nos vai ser retirada.
Além disso, se esse sinal ocorrer, provocando-nos uma ansiedade antecipada, embora nada aconteça posteriormente, apenas esse sinal, quase premonitório, aumenta a ansiedade que sentimos até se tornar insuportável, quase alienante e, talvez, patológica.
Tenho tido ocasião de dizer e de atender várias pessoas com crianças enuréticas, que têm problemas samelhantes só por causa da falta de atenção dos pais. Nesses casos, bastou aumentar a atenção deles para com o enurético, levando-o durante algum tempo para a casa-de-banho à noite, para o distúrbio ficar reduzido e até ser eliminado em meses. O «Mijão» que o diga.

F: Isso é assim tão simples?
N: Não é simples, mas as pessoas têm de saber o modo como as coisas funcionam para poderem agir em conformidade e em seu favor. Para isso, têm de ler bastante aquilo que mais interessa e não ouvir apenas muitas coisas que se dizem nos meios de comunicação social para «encantar» as pessoas com linguagem bonita.
Estes factos são científicos e servem para muito. Porém, foi deste modo simples que eu tive de falar com os pais da JOANA para os elucidar, utilizando muitas conversas e exemplos que lhes apresentei.
Com as leituras que os obriguei a fazer para poder discutir tudo isso posteriormente, ficaram mais esclarecidos. Isso serviu, essencialmente, para eles mudarem completamente o seu comportamento, especialmente para com a Joana que, de «birrenta», passou a ser muito sua amiga e colaborante, ajudando-os a «re-unirem-se» depois de se terem «des-unido» por causa da educação dela e do seu comportamento irrequieto.
A Joana nunca iria aderir a jogos parecidos com os da Baleia Azul, especialmente sem os pais saberem do caso, porque se sentia integrada na família e com o seu forte apoio.

F: Mas isso é importante?
N: Mais do que importante. Qual de nós gosta de se sentir excluído? Muitas vezes, até «arranjamos» grupos esquisitos para nos sentirmos em ligação com os nossos semelhantes e bem aceitas por eles. O que sentirá uma criança a quem nem os pais, que são os responsáveis, voluntários ou não, pela sua existência, ligam a devida importância, enquanto se preocupam muito com os amigos, a sociedade, os negócios, a política, o poder, etc., negligenciando completamente a família e, especialmente, os filhos?
O que farão esses filhos que não tiveram «culpa» de vir a este mundo?
Temos de pensar nisto e perguntar a nós próprios se o nosso comportamento é adequado para a situação e para os interesses deles, isto é, o de eles estruturarem uma personalidade adequada, para viverem de bem consigo próprios e em harmonia com o meio ambiente em que que se encontram inseridos.

F: Acha que a responsabilidade é tão grande? 
N: A responsabilidade dos pais é bastante grande e deve ser consolidada antes de pensarem em ter filhos.
É por isso que me preocupo em difundir estas ideias, para evitar que só se comecem a tomar medidas depois das «desgraças» terem acontecido. Nessa ocasião, aparecem as notícias em grandes parangonas nos diversos meios de comunicação social, de forma espalhafatosa e ligados a factos emocionais que despertam a curiosidade e a venda de jornais e revistas, assim como aumentam as audiências nos canais de televisão.
É um negócio rentável para quem só quer fazer lucros e não se preocupa em difundir as ideias e os conhecimentos necessários para que essas «desgraças» não aconteçam.
Depois, surgem também os especialistas e estudiosos que averiguam esses factos, fazem estudos, elaboram estatísticas e fazem prognósticos para dizer aquilo que aconteceu.
Porém, parece que ninguém se lembra de dizer aquilo que se poderia ter feito para que isso não acontecesse.

F: Quer dizer que isso é evitável?
N: Não quero garantir que tudo seja evitável. A Protecção Civil tem de estar preparada para enfrentar os desastres e as tempestades que nos podem assolar. Se não as puder evitar pode, pelo menos, socorrer a tempo e aliviar os estragos.
Mas, para que isso aconteça, é necessário todo um trabalho anterior. É nisso que estou a colaborar e a tentar dar algumas informações que me são possíveis dentro dos meus conhecimentos e vivências que tive em mais de 40 anos de clínica e que estou a difundir nos dois blogs [psicologiaparaque.wordpress.com] e [livroseterapia.worpress.com].
Nesta perspectiva, entrei também no facebook, não para me expôr, mas especialmente para difundir as minhas ideias e experiências que podem ajudar bastantes pessoas.
Contudo, é necessário que as pessoas assim o queiram e ajudem a gente mais capaz, mais nova e mais enfronhada nos meios de comunicação social e da política, a fazer alguma coisa preventivamente, porque a doença mental e especialmente as depressões, as delinquências e os desentendimentos conjugais, com prejuízo para uma boa educação, vão aumentando a ritmo muito considerável.
Repare que as duas páginas que mantenho no facebook são «Centro de Psicologia Clínica», onde difundo as notícias publicadas neste blog buscando no seu arquivo os elementos que me são necessários. deixando a «Biblioterapia» para difundir os livros e eventualmente, no futuro, as ideias que agora são transmitidas na outra página.

F: No caso concreto, acha que aquilo que diz, poderia ser feito com a Baleia Azul?
N: Não posso garantir que isso fosse totalmente possível, mas os casos seriam muito menos e de gravidade muito menor, porque os pais, mesmo que «negligentes», teriam alguma noção daquilo que os filhos estavam a fazer e dos sarilhos em que se estavam a envolver.

F: Gostamos de tudo o que disse e parece que para si, a psicologia é muito importante.
N: Dou-lhe toda a razão porque, se não fosse assim, não estaria a trabalhar, ao computador, nos dois blogs e na reorganização e actualização dos livros, voluntaria e gratuitamente, cerca de 5 horas por dia.
Tudo isso, é devido à minha bibliofilia desenvolvida, em criança, em grande parte, com o reforço negativo para não ser inferiorizado e com o reforço positivo obtido pelo apreço que todos os familiares mostravam com a leitura de livros que eu fazia e que serviu para me iniciar nos livros de Pierre Daco, em Luanda.
Também serviu foi para começar a tentar resolver a minha frustração de não conseguir continuar o curso de Direito.
Essa frustração também me levou a matricular-me no ISPA e a frequentar os seminários de terapia do comportamento com Victor Meyer, PhD, a partir dos quais e de muitas leituras e treino de relaxamento e de análise do comportamento, consegui fazer uma reestruturação cognitiva que me livrou da depressão grave em que estava mergulhado.
Com o reforço positivo obtido com a conclusão do curso e o ingresso na BPS (Ordem dos Psicólogos Britãnica), já em 1975, o reforço conseguido incentivou-me e pesquisar e a experimentar com outras pessoas o tipo de relaxamento muscular e mental que eu tinha feito.
Incentivou-me também a investir na Terapia do Equilíbrio Afectivo que me ajudou a apresentar a minha tese de doutoramento em 1980, em que defendi a possibilidade de utilizar as nossas memórias boas e vitórias obtidas para contrabalançar e ultrapassar as dificuldades do dia-a-dia.
Posteriormente, o ter enveredado profundamente na Imaginação Orientada, com o apoio da autohipnose, veio facilitar as coisas ainda mais, dedicando-me muito mais a isso, para ultrapassar a frustração causada por uma partidarite política que me inviabilizou, em 1984, o pós-doutoramento em neuropsicologia que eu tinha programado e iniciado anos antes.
E para completar a minha informação, posso dizer que a partir de 1976 poderia ter enveredado de novo pela aviação comercial onde ganharia muito mais do que em psicoterapia, mas que eu prescindi porque gosto da Psicologia em que me sinto muitíssimo bem.

F: Se vai transformar esta nossa conversa em artigo, fico à espera de o ler logo que possível. Obrigado.
N: É o que pretendo fazer logo que chegue a casa a tenha disponibilidade para isso.

Para facilitar ainda mais a compreensão de todo este arrazoado de técnicas, metodologia e ideias e atendendo também aos comentários, sugestões, críticas e pedidos de esclarecimento feitos ao longo do tempo, estou a preparar um novo livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R) que tem este título para não haver confusões com a Bibliofilia e a Animação Cultural.
Este livro, completando a colecção da Biblioterapia com 18 unidades, vai orientar devidamente os interessados, de uma maneira muito precisa, para a leitura de livros adequados com um objectivo definido, de acordo com os seus interesses e situação específica.

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2 thoughts on “A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA 2

  1. Felício on said:

    Obrigado por este artigo de que todos gostámos.
    Esperemos que as coisas mudem para melhor.
    Estou e pensar nos nossos filhoe e netos.

  2. Anónimo on said:

    Se acha que a Biblioterapia é tão importante como diz, que meios temos para isso cá em Portugal?

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