PSICOLOGIA PARA TODOS

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Archive for the month “Junho, 2017”

A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA 7

Conforme tinha prometido ao Sr. Amigo do Felício, vou transcrever as páginas 127 a 131 do livro «SAÚDE MENTAL sem psicopatologia» (A) que são muito interessantes, especialmente ligadas aos produtos farmacêuticos com os quais lidamos.

Às vezes, o tempo da sua utilização e o aspecto apelativo dos anúcios pode ocasionar enganos que serão prejudiciais para uma saúde mental aceitável, com comportamentos equilibrados.

 

“É BOM SABER O QUE SE PASSA CONNOSCO

 Para poder reagir a tempo, convém não sermos os últimos a saber aquilo que acontece connosco.

Sabemos que os efeitos nefastos do álcool, cocaína e outras drogas classificadas como recreativas nos deixam sem capacidade de julgamento. As drogas psiquiátricas actuam de maneira ainda pior deixando-nos «deficientes».

Um exemplo marcante é a desquinésia tardia que é um distúrbio a englobar estremeções e espasmos permanentes causadas por drogas neurolépticas ou anti-depressivas tais como Haldol e Risperdal. Muitos estudos mostram que a maioria dos pacientes com estes problemas induzidos pela droga negam a sua ocorrência especialmente enquanto estão a tomar a medicação.

Prozac, Zoloft, Paxil, Luvox, Effexor e outras drogas que sobreestimulam o sistema de serotonina provocam geralmente alterações de personalidade tais como irritabilidade, agressividade, instabilidade humoral e diversos graus de euforia. A pessoa que toma a medicação pode sentir-se «melhor do que nunca» enquanto os familiares vêem que o indivíduo se transformou numa «pessoa diferente» com muitos traços de personalidade negativos.

Sem compreender o que lhes está a acontecer, os pacientes podem ficar, durante meses e anos, dependentes de tranquilizantes menores tais como Xanax ou Valium. Podem imaginar que necessitam de tomar cada vez mais droga para controlar a ansiedade e a insónia quando, de facto, as drogas pioram a sua condição. Mesmo quando compreendem que estão viciados, acham difícil enfrentar o problema e passam a negar que estejam viciados, continuando a tomar a droga.

Muitos pacientes que tomam drogas psiquiátricas descobrem que perderam a acuidade de memória. Esta consequência está vulgarmente associada ao lítio, aos tranquilizantes e a uma diversidade de anti-depressivos. Tanto os pacientes como os médicos podem atribuir isto, erradamente, à «depressão» mais do que à droga. No caso de pacientes mais idosos, estas dificuldades de memória são atribuídas à senescência.

É bom realçar que, sem darmos por isso, as drogas psiquiátricas que tomamos podem reduzir a nossa capacidade de vigília, acuidade mental, vivacidade emocional, sensibilidade social ou criatividade. Podem causar efeitos físicos ou mentais adversos os quais temos dificuldade em reconhecer ou avaliar. Além disso, como estes sintomas de disfunção se assemelham a problemas psiquiátricos, é mais fácil para o próprio, para o médico ou para o familiar, atribui-los, erradamente, a problemas emocionais.

A anagnosia é um distúrbio no julgamento provocado pela disfunção cerebral verificado inicialmente em doentes com ataques cardíacos que negam estar parcialmente paralíticos. Numa perspectiva psicológica, esta negação é a não aceitação da ocorrência desta incapacidade óbvia pela função mental.

As drogas psiquiátricas são especialmente perigosas porque nos podem tornar incapazes de reconhecer os seus efeitos maléficos. Podemos ficar gravemente prejudicados sem saber o que se passa. Em muitos casos, as pessoas não tomam consciência dos efeitos danosos das drogas até conseguirem ficar recuperadas, muito depois de as terem deixado de tomar.

Num estudo comparativo realizado pela FDA durante o processo clínico de aprovação de Serzone e Effexor em relação ao efeito do placebo, Moore (1997) verificou que os suicídios e suas tentativas eram mais frequentes em pessoas medicadas do que naquelas que tomavam placebo. Nos 3496 pacientes tratados com Serzone houve 9 suicídios e 12 tentativas ao passo que nos 875 placebos apenas houve uma tentativa de suicídio, o que se pode traduzir numa proporção de 5 para 1.

No que se refere a Effexor, a proporção reduziu-se de 5 para 3,5. Isto mostra que os pacientes, apesar de estarem deprimidos, quando não estão medicados, não tentam o suicídio com a mesma alta frequência que apresentam ao tomar a medicação. Num outro estudo cruzado em que todos os pacientes foram sujeitos às mesmas condições de tomar a medicação ou ingerir placebo, verificou-se que as tentativas de suicídio eram mais frequentes quando estavam a ser medicados.

O relato de um dos pacientes diz o seguinte:

“Quando estava a tomar Effexor, tive efeitos secundários esquisitos. Enquanto estava a adormecer ou quando tinha o corpo relaxado, o que acontecia quando me deitava e via televisão, sentia contracções nas pernas e cabeça/nuca que se assemelhavam a movimentos involuntários. Agora que diminuí a dose de 225 para 150 miligramas diários, isto não acontece tão frequentemente, embora suceda de vez em quando. Serei só eu a ter este efeito secundário tão esquisito?”

 Em 1998, a escritora Deborah Abramson esclareceu no Boston Phoenix que utilizou muitos medicamentos, combinações e dosagens, até passar para um dos anti-depressivos mais estimulante comercializado como Effexor. À hora de se deitar tinha de tomar um sedativo para contrabalançar o efeito estimulante do Effexor e conseguir conciliar sono (Glenmullen, 2001).

Estas combinações a que os farmacêuticos chamam «cocktails», são prescritas a muitos pacientes. Os utilizadores da droga nas ruas (os chamados «drogados») referem-se a este fenómeno como tomar uma alta para a matar com uma baixa. Por causa da sua dependência, Abramson diz que “passou ultimamente a ter muitos sonhos em relação à sua viciação em álcool, craque, heroína”. Num dos seus sonhos “olhou para os seus braços e viu sulcos por todo o lado numa pele dura e impenetrável e, por isso, pensou que estava viciada”.

Se lhe faltar uma dose, mesmo passadas poucas horas, ela sente uma ligeira forma de abstinência que lhe provoca vertigem e sensação de formigueiro à volta da boca. Não entra em pânico, como aconteceria a um viciado, porque sabe que a sua dose pode ser facilmente reposta. Contudo, esta dependência, tanto psicológica como física, deixa-a desconfortável.

Existem inúmeros estudos sobre as drogas ilícitas, mas sobre Prozac, Zoloft, Paxil, Luvox, Wellbitrin ou Zyban, Effexor, Serzone, que são as drogas legalmente prescritas, esses estudos são escassos ou pouco difundidos, especialmente no acompanhamento feito aos pacientes que os deveriam conhecer para saber quais os efeitos das drogas a fim de se conseguirem precaver dos nefastos.

Segundo Glenmullen (2001), os anúncios das drogas a serem prescritas pelos médicos distorcem a informação de tal maneira que até um observador mais cuidado pode não se aperceber disso. Nos anúncios dos novos antidepressivos, nos meios de comunicação social e revistas especializadas, os laboratórios utilizam slogans simpáticos tais como os dos cigarros e cervejas. Os anúncios de Effexor utilizam o de melhorar a vida do utilizador.

  • Um deles mostra uma mãe muito sorridente e uma filha a subir as escadas a correr. Por baixo desta fotografia está escrito a lápis: “Já tenho a minha mãe de volta”.
  • Um outro, mostra um indivíduo de aspecto grosseiro, com o seu filho, e uma frase a dizer: “Tenho o meu pai de volta”.
  • Ainda um outro mostra um casal a dar um abraço muito afectuoso e duas alianças entrelaçadas, tendo uma frase, por baixo, a dizer “Tenho o meu casamento de volta”.

Com anúncios deste género ficam umas perguntas no ar:

— “Se o medicamento é tão bom e só deve ser utilizado por quem dele necessita e com recomendação médica, qual a razão de tanta e tão «agressiva» propaganda?

— “Não saberão os médicos ler a literatura científica que acompanha ou «deve acompanhar» todos os medicamentos com a sua composição, dosagem, efeitos secundários e outros malefícios?”

— “A promoção dos laboratórios destinar-se-á a facilitar a tarefa dos médicos que «devem» receitar estes medicamentos levando os pacientes a aceitar melhor a sua prescrição?”

Que responda quem quiser e souber e que se deixe iludir quem não tiver amor-próprio.”

Depois da publicação deste artigo, fico à espera que o Amigo do Felício fique satisfeito e esclarecido e que estes artigos lhe tenham servido para «melhorar o seu astral».

Eu vou-me dedicando ao novo livro que pretendo publicar quando puder e tiver as tais palestras, intitulado-o, em princípio «A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA», dedicando-o essencialmente aos que desejam manter uma boa saúde mental e um bom, desempenho sem terem de depender de psicoterapeutas, psiquiatras ou psicólogos ou, em caso de serem necessários, serem consultados durante o mínimo tempo necessário, sem recorrer aos medicamentos.

Para isso, também têm de se esforçar bastante na leitura e no treino mínimo necessário, todos os dias, durante 5 a 10 minutos, depois de um mês de pratica de 1 hora por dia, à noite.

Quem quiser informações mais pormenorizadas, até dispõe de dois livros magníficos de Carlos Lopes Pires «A Depressão não é uma Doença» e «Quando o Rei vai nu», embora também possa recorrer aos de Peter Breggin, em lingua inglesa.

Depois de ouvir muitas críticas, sugestões e comentários, além de consultar alguns blogs e anúncios, parecendo que o termo Biblioterapia está a ser utilizado mais como Bibliofilia Animação Cultural, porque se relaciona muito com crianças e idosos que estão a ser estimulados para a leitura e para a satisfação que dela podem usufruir, resolvi intitular o novo livro como «Psicoterapia… através de Livros…», evitando confusões com outras actividades das quais se fala no próprio livro.
É também por isso que tenho mantido porfiadamente a minha actividade nos blogs, no facebook e na reorganização dos livros.

Divulguem isto o mais que puderem entre os amigos e familiares. É o melhor apoio que me podem dar. Nós também necessitamos de apoio e aprendemos muito com os outros. Para o Sr. Felicio, desejo a continuação do bom trabalho no local para onde foi durante 2 meses.
Felicidades.

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A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA 6

No cumprimento daquilo que prometi ao Amigo do Felício, que não está em Portugal nestes tempos e levou consigo o computador para receber as mensagens e consultar este blog, vou transcrever o capítulo das páginas 121 a 126 do livro «SAÚDE MENTAL sem psicopatologia».

 

“DISFUNÇÃO CEREBRAL PERMANENTE COM DROGAS

Quais os perigos das drogas psiquiátricas?

Poucos estudos se preocupam com o perigo das alterações potencialmente permanentes causadas na química cerebral com a utilização prolífica da medicação psiquiátrica. Porém, suspeita-se o suficiente para que uma pessoa de bom senso se deva acautelar contra a utilização de qualquer droga psiquiátrica.

Porzac, Zoloft, Paxil e Luvox são exemplos de drogas recentes, preparadas em laboratórios, para estimular o sistema da serotonina. No caso de Prozac, os mecanismos compensatórios cerebrais foram documentados desde o início da investigação.

Estas quatro drogas conhecidas como inibidores selectivos de recaptação da serotonina (Breggin, 2000) bloqueiam a retirada do neurotransmissor normal de serotonina existente na sinapse situada entre as células nervosas. O excesso consequente da serotonina faz com que o sistema se torne hiperactivo. Porém, o cérebro reage contra esta sobreactividade induzida pela droga destruindo a capacidade de reagir à estimulação pela serotonina. Este procedimento compensatório é designado como «abaixamento». Em consequência disto, alguns receptores de serotonina desaparecem ou morrem.

Além disso, para compensar ainda mais os efeitos produzidos pela droga, o cérebro tenta reduzir a secreção da serotonina. Este segundo mecanismo fica em actividade cerca de dez dias para depois começar a falhar enquanto o primeiro, o do «abaixamento», passa a ser permanente. São estes, em pormenor, dois dos mecanismos com os quais o cérebro tenta contrabalançar os efeitos das drogas psiquiátricas.

Existem mais mecanismos compensatórios, incluindo os de reequilíbrio de outros sistemas de neurotransmissão, acerca dos quais existe menos informação do que em relação aos dois acima citados. Através deles, o cérebro coloca-se em estado de desequilíbrio para evitar ou ultrapassar a sobreestimulação provocada pelas drogas. Um dos mais estudados é também o do «abaixamento» dos sistemas neurotransmissores quando existe uma sobreestimulação provocada pelos antigos «tricíclicos» tais como a amitriptilina (Elavil) e a imipramina (Tofranil). O «abaixamento» também ocorre com as drogas estimulantes tais como a Ritalin e as anfetaminas Dexedrine e Adderall.

As drogas psiquiátricas nem sempre sobreestimulam. Algumas bloqueiam ou inibem o sistema neurotransmissor do cérebro. Quando isto acontece, o cérebro tenta compensar reagindo na direcção oposta, exagerando, desta vez, o «aumento» do sistema neurotransmissor anteriormente suprimido.

As drogas antipsicóticas tais como Thorazine, Haldol, Prolixin, Risperdal e Zyprexa têm tendência a eliminar o sistema da dopamina. Neste caso, o cérebro tenta ultrapassar a situação tornando mais sensível o sistema de dopamina. Este «aumento» pode conduzir a distúrbios neurológicos graves e permanentes.

Na tentativa de ultrapassar os efeitos das drogas psiquiátricas, as funções cerebrais ficam distorcidas. Como o cérebro não consegue recuperar as suas funções originais logo que as drogas deixem de ser consumidas pode, às vezes, nunca recuperar.

Os pacientes são incitados a utilizar drogas durante longos períodos de tempo?

Muitos médicos que prescrevem drogas psiquiátricas durante longos períodos de tempo podem estar convencidos de que as mesmas são úteis. Contudo, esta sua convicção baseia-se mais em impressões pessoais do que em dados científicos. Eles têm uma predilecção bastante grande pela utilização de medicamentos porque acreditam neles e recomendam a sua utilização por longos períodos de tempo logo que são postos à venda no mercado apesar de os estudos da FDA (Federal Drug Agency = Agência para o controlo de medicamentos, dos EUA) recomendarem a sua utilização apenas durante alguns meses.

A utilização generalizada de Zyprexa exemplifica o modo como drogas potencialmente perigosas são frequentemente prescritas com entusiasmo injustificado acerca da sua eficácia e segurança. Zyprexa foi aprovada em 1996 pela FDA (americana) para a “manipulação das manifestações dos distúrbios psicóticos”. As drogas aprovadas para tais manifestações designadas como neurolépticos ou antipsicóticos são extremamente perigosas.

A FDA exige que todas as drogas neurolépticas, incluindo as novas, tais como Zyprexa, tenham um «aviso» acerca dos perigos de desquinésia tardia que se caracteriza por distúrbios neurológicos incapacitantes e desfiguradores, quase sempre permanentes, com tiques, espasmos e movimentos corporais anormais. Estas drogas provocam também o sindroma neuroléptico maligno que é uma doença cerebral potencialmente fatal com efeitos semelhantes aos associados à encefalite viral mortífera. São muito altas as taxas de desquinésia tardia e de sindroma neuroléptico maligno provocadas por algumas drogas neurolépticas já estudadas.

Os estudos controlados utilizados para a aprovação de Zyprexa duraram apenas algumas semanas e foram realizados em adultos diagnosticados como esquizofrénicos. Contudo, logo depois de Zyprexa estar disponível no mercado, os médicos começaram a recomendar o seu uso contínuo e prolongado. Além disso, começaram a prescrevê-la a pessoas com sintomas psicóticos e até a crianças com problemas de comportamento.

Apesar da falta de estudos de longa duração e da novidade da droga, os médicos aceitaram a euforia promocional dos fabricantes de que Zyprexa é mais segura do que todas as outras drogas semelhantes, podendo ser utilizada com a mesma finalidade. De facto, quase todas as drogas psiquiátricas são lançadas no mercado com uma informação promocional de que são mais «seguras» e «eficazes» do que as anteriores.

Em psiquiatria, este entusiasmo raramente é confirmado pelas avaliações mais sóbrias e realistas baseadas no tempo e na experiência. Mesmo que se verifique posteriormente que as drogas são inúteis ou altamente perigosas quando prescritas por períodos de tempo prolongados, muitos médicos continuam a pressionar os pacientes a tomarem-nas por longos períodos de tempo.

Em relação à Ritalin e outros estimulantes, para além das primeiras semanas, não existe prova concludente do seu efeito benéfico em qualquer comportamento, incluindo a hiperactividade. Estas drogas podem coarctar o comportamento das crianças tornando-as obedientes, conformistas e quietas nas aulas e, por isso, são prescritas vulgarmente por meses e anos, se não forem por toda a vida. Além disso, apesar de se saber que Ritalin perturba a produção da hormona do crescimento provocando a sua inibição, ela é prescrita ao longo da infância.

Também se sabe que drogas contra a ansiedade tais como Xanax, Ativan, Klonopin, Valium e Librium são viciantes ou adictivas. Depois de consumir Xanax apenas durante algumas semanas muitos pacientes sofrem de ressaca quando deixam de a tomar; outros sentem-se incapazes de parar sem ajuda. É incontroverso que os pacientes tratados com Xanax desenvolvem sintomas de ansiedade mais graves do que tinham antes do início do tratamento (Breggin, 2000).

Apesar destas limitações relacionadas com a utilização prolongada de drogas, muitos médicos continuam a prescrevê-las durante meses e anos seguidos. Alguns acreditam no «seu julgamento clínico» mais do que em dados científicos, enquanto outros não se preocupam com a literatura científica. Além disso, muitos dos seminários em que os médicos participam são frequentemente patrocinados por laboratórios farmacêuticos que difundem, frequentemente, opiniões enviusadas propícias à utilização prolongada de medicamentos. Também os médicos nunca vêem os comentários negativos acerca da utilização prolongada de drogas nos promissores anúncios que aparecem nas revistas farmacêuticas e nunca ouvem quaisquer informações críticas da boca dos delegados de informação (que antigamente eram de propaganda) médica que os visitam com frequência.

Os médicos também não conseguem compreender que os seus pacientes ficam viciados e que desejam continuar a ser medicados só para evitar os sintomas de ressaca. Acima de tudo, os médicos seguem, frequentemente, o caminho fácil de prescrever receitas em vez de ajudar os seus pacientes a descobrir soluções definitivas mais complexas para as suas dificuldades emocionais (Breggin, 2000).

Entretanto, os pacientes também se podem sentir forçados a tomar drogas para evitar as temíveis e amedrontadoras reacções das ressacas que incluem ansiedade, agitação, insónia, depressão, fadiga e sensações anormais no corpo e na cabeça. Dependendo da droga, um ou mais sintomas de ressaca podem desenvolver-se dentro de horas ou dias a partir do momento em que se deixou de a tomar. Estas reacções podem tornar-se muito graves a ponto de os pacientes pressionarem o seu médico para que continue a prescrever a medicação habitual. O que de facto acontece é o médico que prescreve, habilitar ou ajudar o paciente a ficar dependente da droga.

Alguns entusiastas da droga acreditam que anos de utilização clínica por milhares de pacientes provam a utilidade e a segurança na continuação da utilização do medicamento. Outros acham que as suas prescrições de droga durante muitos anos podem demonstrar a sua segurança. São crenças que conduziram a resultados trágicos em milhões de pacientes. Um destes resultados foi o de milhões terem ficado dependentes, para toda a vida, de tranquilizantes viciantes ou aditivos como Xanax, Valium, Ativan, Klonopin e Librium.

A sobreconfiança dos médicos no seu juízo clínico relacionado com a segurança na utilização das drogas a longo prazo conduziu a resultados ainda piores. Milhões de pacientes foram afectados por distúrbios neurológicos graves em consequência de ingestão de drogas antipsicóticas. Medicamentos da classe de Thorazine e muitas outras como Haldol, Prolixin, Navane, Risperdal, Clorazil e Zyprexa, foram utilizadas durante duas décadas antes de se reconhecer que este grupo provoca desquinésia tardia e sindroma neuroléptico maligno. Mesmo em finais do século XX, passados quarenta e cinco anos sobre a iniciação dos primeiros neurolépticos, muitos médicos não conseguem compreender a frequência da severidade destes perigos e prescrevem drogas sem monitorizar devidamente a sua má utilização nem prevenir os pacientes e suas famílias sobre os perigos que lhes estão associados.

Nos princípios do século XXI, continua tudo na mesma.

Para maior alerta, já tinha publicado em tempos um post com avisos para precauções contra os medicamentos.

É por isso que tenho mantido porfiadamente a minha actividade nos blogs, no facebook e na reorganização dos livros. E é também por isso que estou a pensar publicar o livro «Psicoterapia… através de Livros…», sem confusão com o título deste post, a fim de não haver conotações com a Bibliofilia Animação Cultural, muito em voga com o título de Biblioterapia.

Divulgue isso o mais possível entre os seus amigos e familiares. É o melhor apoio que me pode dar. Não sei se sabe que nós também necessitamos de apoio e que aprendemos muito com os outros.

 

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A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA 5

Recebi há dias o comentário seguinte do Amigo do Felício.

Obrigado por este artigo, a partir da nossa conversa.
Só o consegui acabar de ler agora, consultando as ligações que introduziu.
Achei muita piada ao comentário feito por um anónimo em relação a biblioterapeuta.
Já tentei experimentar o que diz na «Autoterapia», que não é fácil, mesmo depois de ler a experiência do Antunes, mas vou continuar.
Julgo que as tais palestras devem ser importantes, pelo menos no início.
Isto tudo cai-nos em cima, muito simples, mas completamente diferente daquilo que nos fartamos de ouvir.
Aqui, parece que se deixa as pessoas reagir por sua livre vontade.
Vou ler tudo muito melhor: os livros e os vários artigos do blogue.
Vou ter de me ausentar durante cerca de 2 meses, mas levo os livros comigo e o computador.
É para continuar a consultar o blogue ou enviar algum e-mail.
Já que apresentou no poste anterior um possível capítulo do novo livro que está a preparar, gostaria de conhecer mais algum ou alguns que me possam ajudar.
Pode ser uma ajuda para mim e para mais pessoas que conheço.
Obrigado por tudo.”

Para satisfazer o seu pedido que me parece razoável, como tenho o livro quase pronto, vou indicar em primeiro lugar o Índice e dizer que esse livro deve ter 104 páginas, a ser publicado logo que possível, depois de tratar da capa, etc. O preço do livro deve ficar em 11.00€, enviado pelo correio depois de me ser solicitado directamente.

Haja pedidos para a sua aquisição.
O capítulo HAVERÁ VANTAGENS NA BIBLIOFILIA? que foi publicado num post anterior, deve ficar quase na mesma.

Agora, vou publicar o capítulo final «CONSIDERAÇÕES FINAIS» que deve constar nas páginas 91 a 94.

ÍNDICE
O QUE É A BIBLIOTERAPIA?
A BIBLIOFILIA SERÁ NECESSÁRIA?
AS CONSEQUÊNCIAS DA BIBLIOFILIA
UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL
NECESIDADE DE BIBLIOFILIA PARA A BIBLIOTERAPIA
A BIBLIOTERAPIA E A EDUCAÇÃO
DEPRESSÃO E BIBLIOTERAPIA
A BIBLIOTERAPIA NA PSICOTERAPIA
FALTA DE BIBLIOFILIA PARA A BIBLIOTERAPIA
BASES DA PSICOTERAPIA
IDEIAS PARA PREVENCÃO E PROFILAXIA
HAVERÁ VANTAGENS NA BIBLIOFILIA?
CONSIDERAÇÕES FINAIS
BIBLIOGRAFIA

 

“CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sintetizando tudo o que se disse anteriormente, pode-se compreender a grande vantagem na Bibliofilia para a crição do gosto pela leitura que vai ajudar a consultar livros, na sua totalidade ou aos poucos, podendo ser lidos nas mais diversas ocasiões, posições e circunstâncias.
É um pronto-socorro permanente e autónomo.
Essa Bibliofilia pode ajudar a utilizar a Biblioterapia, tanto no caso de se tentar resolver um desequilíbrio psicológico, como numa perspectiva de o tentar evitar. Pode ainda servir para desenvolver uma gestão eficaz, melhorar o desempenho pessoal ou ajudar quem necessite de apoio psicopedagógico ou de reabilitação.

Contudo, essa Bibliofilia tem de ser criada ou incentivada, o mais cedo possível, para que exista, de facto, um gosto pela leitura. Se não forem os pais, os familiares mais chegados ou até o meio ambiente circundante, existem os professores e outros técnicos que podem incentivar e desenvolver este gosto, nem que seja ao longo da vida.
Este gosto pela leitura, além de ser utilizado para ler quaisquer livros com os quais a pessoa pode simpatizar ou dos que necessitar, servirá também para consultar os que forem mais necessários para saber o modo como funciona o comportamento humano isoladamente e em interacção com os seus semelhantes, assim como para verificar se os comportamentos são saudáveis ou não, embora possam ser considerados «normais» em determinados ambientes e sociedades.

A partir dessas leituras e das suas vivências pessoais, o indivíduo pode inteirar-se dos valores dentro da sua cultura e verificar se o seu comportamento é satisfatório ou se sofre de pressões, recordações, traumatismos que não consiga aguentar pessoalmente. Uma análise consciente, racional e lúcida pode ajudar imenso. Contudo, também é bom que uma pessoa analise o seu comportamento na sociedade em que vive, para descobrir se é satisfatório ou forçado.
Para uma análise profunda, recordando muito do que se passou com cada um e sabendo como se processa a estruturação da personalidade com as aprendizagens feitas, baseadas nos estímulos, condicionamentos e reforços que recebe desse meio ambiente, é possível descobrir as causas, tanto actuais como remotas de muitas das nossas acções, quer desejáveis, quer inadequadas, bem como as inoportunas, intempestivas e inadmissíveis.

Essa análise, racional, serena do passado, pode ser feita num relaxamento profundo, com autohipnose, inicinando-se, praticamente, à hora de dormir, para continuar, sem a nossa intervenção directa, durante o sono ou nos momentos em que houver alguma insónia. Contudo, para que isso aconteça, é necessária uma prática anterior que pode não demorar muito mais do que um mês, despendendo com ela cerca de uma hora todos os dias, também à hora de dormir.
Porém, para facilitar todas essas recordações e sua análise, uma anotação de tudo o que se passa connosco durante o dia e até no sono e nos sonhos, juntamente com uma autoanálise de 5 minutos diários, em condições específicas, pode ajudar imenso.
Depois, a prática do relaxamento mental, antecedido, se necessário, do relaxamento muscular, ajuda e facilita a realização das «operações mentais» necessárias.

Portanto, em todo este conjunto de «operações», se a pessoa, antes de se ir deitar, depois do provável mês de prática, dedicar 5 minutos à autoanálise, reler durante 2 minutos o diário e durante os restantes 3 minutos praticar o relaxamento muscular, pode entrar imediatamente no mental, se possível,  com autohipnose. Assim, além de programar a sua Imaginação Orientada, baseada na TEA e na logoterapia, para orientar o sentido da sua vida que já foi descoberto anteriormente, realizará uma reestruturação cognitiva eficaz e duradoura.

Tudo isto torna-se impossível sem «entrar» no espírito da Biblioterapia, com a leitura e devida compreensão e apreensão dos conhecimentos difundidos nos diversos livros já mencionados e que foram utilizados por outros personagens, em condições semelhantes.
Uns fizeram-no autonomamente, enquanto outros, necessitaram de ligeira ajuda do psicólogo, mas todos com bons resultados.
Por isso, também é vantajoso saber como é que cada um desses personagens actuou, para se conseguir um modelo de acção que possa condizer com a personalidade e capacidades do interessado.
Também é bom não esquecer que pequenos acontecimentos sem importância para a maioria e até para o próprio, em outras condições, percebidos e sentidos no ambiente do momento, podem funcionar como traumatismos negativos capazes de alterar e desequilibrar todo o comportamento, como aconteceu com o Júlio.

Enquanto não forem relembrados e compreendidos, para descobrir maneiras de os ter podido ultrapassar ou ultrapassa-los com as aprendizagens disponíveis no momento, o reequilíbrio do psiquismo do próprio ou o desenvolvimento do seu desempenho não será fácil.
Os exemplos de casos concretos são amplamente dados nos livros da colecção da Biblioterapia.
Nada ou quase nada do que se disse anteriormente neste capítulo, pode ser feito apenas pelo psicoterapeuta ou por qualquer outra pessoa, devendo o protagonista fundamental ser o próprio.
Se alguem quiser ajudar, pode fazê-lo, mas tem de ser num sentido próprio e bem direcionado para o objectivo bem definido do interessado, que deve ser o personagem principal.
É necessário ter cuidado com uma ajuda extemporânea ou inadequada que pode ser prejudicial e até comprometer todo um «tratamento» que estava a ser feito com bons resultados, acarretando resultados prejudiciais para o próprio.

Já se mencionou isso em «Psicoterapias Difíceis».
Por este motivo, as noções do funcionamento do comportamento humano são necessárias também para essas pessoas que dizem querer ajudar ou pretendem fazê-lo.
Nestes casos, uma educação anterior pode ajudar imenso, pelo menos, a não atrapalhar ou desorientar uma acção em curso, que estiver no bom caminho.

Portanto, a Biblioterapia, a partir do Bibliofilia, também é essencial para esses «ajudantes», «apoiantes», «educadores» ou «beneméritos».
Não sei o que mais se possa dizer sobre as vantagens duma leitura para conhecimentos adequados, que não se conseguem obter ainda, na generalidade, nas notícias e informações difundidas nos meios de comunicação social.

Por todos estes motivos, ainda me lembro do iogui com quem conversei sobre a minha actividade profissional em psicoterapia, quando estive em Jaipur, em 1994 e lhe perguntei no fim da conversa, aquilo que eu tinha de fazer para utilizar o ioga.

A resposta dele, a sorrir, foi apenas:
Sente-se e pratique.
No caso da Biblioterapia para a psicoterapia ou desenvolvimento pessoal, a minha resposta também é muito simples:
Leia, experimente e descubra por si. Até pode estar deitado.
 Mas o principal órgão a funcionar deve ser sempre a cabeça ou o cérebro, coloquialmente, «a caixa dos pirolitos»”, que continua a «trabalhar» até durante o sono.”

É por isso que tenho mantido porfiadamente a minha actividade nos blogs, no facebook e na reorganização dos livros. E é também por isso que estou a pensar publicar este livro «Psicoterapia… através de Livros…», sem confusão com o título deste post, a fim de não haver conotações com a Bibliofilia Animação Cultural, muito em voga com o título de Biblioterapia.

Com a exposição feita neste post espero que o leia, com consulta de todos os links, que vou mencionar de propósito. Se ainda não viu, vá também consultar o post 3 com o mesmo título deste, para verificar as vantagens do incitamento à Bibliofilia.

Divulgue isso o mais possível entre os seus amigos e familiares. É o melhor apoio que me pode dar. Não sei se sabe que nós também necessitamos de apoio e que aprendemos muito com os outros. Por isso, agradeço-lhe imenso esta conversa.

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