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A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA 6

No cumprimento daquilo que prometi ao Amigo do Felício, que não está em Portugal nestes tempos e levou consigo o computador para receber as mensagens e consultar este blog, vou transcrever o capítulo das páginas 121 a 126 do livro «SAÚDE MENTAL sem psicopatologia».

 

“DISFUNÇÃO CEREBRAL PERMANENTE COM DROGAS

Quais os perigos das drogas psiquiátricas?

Poucos estudos se preocupam com o perigo das alterações potencialmente permanentes causadas na química cerebral com a utilização prolífica da medicação psiquiátrica. Porém, suspeita-se o suficiente para que uma pessoa de bom senso se deva acautelar contra a utilização de qualquer droga psiquiátrica.

Porzac, Zoloft, Paxil e Luvox são exemplos de drogas recentes, preparadas em laboratórios, para estimular o sistema da serotonina. No caso de Prozac, os mecanismos compensatórios cerebrais foram documentados desde o início da investigação.

Estas quatro drogas conhecidas como inibidores selectivos de recaptação da serotonina (Breggin, 2000) bloqueiam a retirada do neurotransmissor normal de serotonina existente na sinapse situada entre as células nervosas. O excesso consequente da serotonina faz com que o sistema se torne hiperactivo. Porém, o cérebro reage contra esta sobreactividade induzida pela droga destruindo a capacidade de reagir à estimulação pela serotonina. Este procedimento compensatório é designado como «abaixamento». Em consequência disto, alguns receptores de serotonina desaparecem ou morrem.

Além disso, para compensar ainda mais os efeitos produzidos pela droga, o cérebro tenta reduzir a secreção da serotonina. Este segundo mecanismo fica em actividade cerca de dez dias para depois começar a falhar enquanto o primeiro, o do «abaixamento», passa a ser permanente. São estes, em pormenor, dois dos mecanismos com os quais o cérebro tenta contrabalançar os efeitos das drogas psiquiátricas.

Existem mais mecanismos compensatórios, incluindo os de reequilíbrio de outros sistemas de neurotransmissão, acerca dos quais existe menos informação do que em relação aos dois acima citados. Através deles, o cérebro coloca-se em estado de desequilíbrio para evitar ou ultrapassar a sobreestimulação provocada pelas drogas. Um dos mais estudados é também o do «abaixamento» dos sistemas neurotransmissores quando existe uma sobreestimulação provocada pelos antigos «tricíclicos» tais como a amitriptilina (Elavil) e a imipramina (Tofranil). O «abaixamento» também ocorre com as drogas estimulantes tais como a Ritalin e as anfetaminas Dexedrine e Adderall.

As drogas psiquiátricas nem sempre sobreestimulam. Algumas bloqueiam ou inibem o sistema neurotransmissor do cérebro. Quando isto acontece, o cérebro tenta compensar reagindo na direcção oposta, exagerando, desta vez, o «aumento» do sistema neurotransmissor anteriormente suprimido.

As drogas anti psicóticas tais como Thorazine, Haldol, Prolixin, Risperdal e Zyprexa têm tendência a eliminar o sistema da dopamina. Neste caso, o cérebro tenta ultrapassar a situação tornando mais sensível o sistema de dopamina. Este «aumento» pode conduzir a distúrbios neurológicos graves e permanentes.

Na tentativa de ultrapassar os efeitos das drogas psiquiátricas, as funções cerebrais ficam distorcidas. Como o cérebro não consegue recuperar as suas funções originais logo que as drogas deixem de ser consumidas pode, às vezes, nunca recuperar.

Os pacientes são incitados a utilizar drogas durante longos períodos de tempo?

Muitos médicos que prescrevem drogas psiquiátricas durante longos períodos de tempo podem estar convencidos de que as mesmas são úteis. Contudo, esta sua convicção baseia-se mais em impressões pessoais do que em dados científicos. Eles têm uma predilecção bastante grande pela utilização de medicamentos porque acreditam neles e recomendam a sua utilização por longos períodos de tempo logo que são postos à venda no mercado apesar de os estudos da FDA (Federal Drug Agency = Agência para o controlo de medicamentos, dos EUA) recomendarem a sua utilização apenas durante alguns meses.

A utilização generalizada de Zyprexa exemplifica o modo como drogas potencialmente perigosas são frequentemente prescritas com entusiasmo injustificado acerca da sua eficácia e segurança. Zyprexa foi aprovada em 1996 pela FDA (americana) para a “manipulação das manifestações dos distúrbios psicóticos”. As drogas aprovadas para tais manifestações designadas como neurolépticos ou antipsicóticos são extremamente perigosas.

A FDA exige que todas as drogas neurolépticas, incluindo as novas, tais como Zyprexa, tenham um «aviso» acerca dos perigos de desquinésia tardia que se caracteriza por distúrbios neurológicos incapacitantes e desfiguradores, quase sempre permanentes, com tiques, espasmos e movimentos corporais anormais. Estas drogas provocam também o sindroma neuroléptico maligno que é uma doença cerebral potencialmente fatal com efeitos semelhantes aos associados à encefalite viral mortífera. São muito altas as taxas de desquinésia tardia e de sindroma neuroléptico maligno provocadas por algumas drogas neurolépticas já estudadas.

Os estudos controlados utilizados para a aprovação de Zyprexa duraram apenas algumas semanas e foram realizados em adultos diagnosticados como esquizofrénicos. Contudo, logo depois de Zyprexa estar disponível no mercado, os médicos começaram a recomendar o seu uso contínuo e prolongado. Além disso, começaram a prescrevê-la a pessoas com sintomas psicóticos e até a crianças com problemas de comportamento.

Apesar da falta de estudos de longa duração e da novidade da droga, os médicos aceitaram a euforia promocional dos fabricantes de que Zyprexa é mais segura do que todas as outras drogas semelhantes, podendo ser utilizada com a mesma finalidade. De facto, quase todas as drogas psiquiátricas são lançadas no mercado com uma informação promocional de que são mais «seguras» e «eficazes» do que as anteriores.

Em psiquiatria, este entusiasmo raramente é confirmado pelas avaliações mais sóbrias e realistas baseadas no tempo e na experiência. Mesmo que se verifique posteriormente que as drogas são inúteis ou altamente perigosas quando prescritas por períodos de tempo prolongados, muitos médicos continuam a pressionar os pacientes a tomarem-nas por longos períodos de tempo.

Em relação à Ritalin e outros estimulantes, para além das primeiras semanas, não existe prova concludente do seu efeito benéfico em qualquer comportamento, incluindo a hiperactividade. Estas drogas podem coarctar o comportamento das crianças tornando-as obedientes, conformistas e quietas nas aulas e, por isso, são prescritas vulgarmente por meses e anos, se não forem por toda a vida. Além disso, apesar de se saber que Ritalin perturba a produção da hormona do crescimento provocando a sua inibição, ela é prescrita ao longo da infância.

Também se sabe que drogas contra a ansiedade tais como Xanax, Ativan, Klonopin, Valium e Librium são viciantes ou adictivas. Depois de consumir Xanax apenas durante algumas semanas muitos pacientes sofrem de ressaca quando deixam de a tomar; outros sentem-se incapazes de parar sem ajuda. É incontroverso que os pacientes tratados com Xanax desenvolvem sintomas de ansiedade mais graves do que tinham antes do início do tratamento (Breggin, 2000).

Apesar destas limitações relacionadas com a utilização prolongada de drogas, muitos médicos continuam a prescrevê-las durante meses e anos seguidos. Alguns acreditam no «seu julgamento clínico» mais do que em dados científicos, enquanto outros não se preocupam com a literatura científica. Além disso, muitos dos seminários em que os médicos participam são frequentemente patrocinados por laboratórios farmacêuticos que difundem, frequentemente, opiniões enviusadas propícias à utilização prolongada de medicamentos. Também os médicos nunca vêem os comentários negativos acerca da utilização prolongada de drogas nos promissores anúncios que aparecem nas revistas farmacêuticas e nunca ouvem quaisquer informações críticas da boca dos delegados de informação (que antigamente eram de propaganda) médica que os visitam com frequência.

Os médicos também não conseguem compreender que os seus pacientes ficam viciados e que desejam continuar a ser medicados só para evitar os sintomas de ressaca. Acima de tudo, os médicos seguem, frequentemente, o caminho fácil de prescrever receitas em vez de ajudar os seus pacientes a descobrir soluções definitivas mais complexas para as suas dificuldades emocionais (Breggin, 2000).

Entretanto, os pacientes também se podem sentir forçados a tomar drogas para evitar as temíveis e amedrontadoras reacções das ressacas que incluem ansiedade, agitação, insónia, depressão, fadiga e sensações anormais no corpo e na cabeça. Dependendo da droga, um ou mais sintomas de ressaca podem desenvolver-se dentro de horas ou dias a partir do momento em que se deixou de a tomar. Estas reacções podem tornar-se muito graves a ponto de os pacientes pressionarem o seu médico para que continue a prescrever a medicação habitual. O que de facto acontece é o médico que prescreve, habilitar ou ajudar o paciente a ficar dependente da droga.

Alguns entusiastas da droga acreditam que anos de utilização clínica por milhares de pacientes provam a utilidade e a segurança na continuação da utilização do medicamento. Outros acham que as suas prescrições de droga durante muitos anos podem demonstrar a sua segurança. São crenças que conduziram a resultados trágicos em milhões de pacientes. Um destes resultados foi o de milhões terem ficado dependentes, para toda a vida, de tranquilizantes viciantes ou aditivos como Xanax, Valium, Ativan, Klonopin e Librium.

A sobreconfiança dos médicos no seu juízo clínico relacionado com a segurança na utilização das drogas a longo prazo conduziu a resultados ainda piores. Milhões de pacientes foram afectados por distúrbios neurológicos graves em consequência de ingestão de drogas antipsicóticas. Medicamentos da classe de Thorazine e muitas outras como Haldol, Prolixin, Navane, Risperdal, Clorazil e Zyprexa, foram utilizadas durante duas décadas antes de se reconhecer que este grupo provoca desquinésia tardia e sindroma neuroléptico maligno. Mesmo em finais do século XX, passados quarenta e cinco anos sobre a iniciação dos primeiros neurolépticos, muitos médicos não conseguem compreender a frequência da severidade destes perigos e prescrevem drogas sem monitorizar devidamente a sua má utilização nem prevenir os pacientes e suas famílias sobre os perigos que lhes estão associados.

Nos princípios do século XXI, continua tudo na mesma.

Para maior alerta, já tinha publicado em tempos um post com avisos para precauções contra os medicamentos.

 

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One thought on “A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA 6

  1. Amigo do Felício. on said:

    Já li este artigo. Gostei. Quando regressar a Lisboa necessito de ter uma conversa. Parece que a «Autoterapia» está a dar algum resultado. Obrigado. Aqui tenho muito trabalho, mas compensa.

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