PSICOLOGIA PARA TODOS

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Archive for the month “Outubro, 2017”

CONVERSA ENTRE AMIGOS – 9

Na noite de sábado, estava a ver uma gravação antiga do «Inspetor Max», quando o telefone tocou e o Antunes perguntou-me se poderíamos conversar largamente no dia seguinte.
Estava com saudades e vontade de obter alguns esclarecimentos, já que não nos encontrávamos, há mais de 4 anos no Algarve, como antigamente, em quase todos os verões.
Não podia demorar mais tempo ao telefone porque tinha coisas a decidir no momento, mas o intuito do casal, era vir muito cedo a Lisboa para fazer umas compras nos Shopings das Amoreiras e de Cascais.

Por este motivo, combinámos que eles iriam directamente para as Amoreiras, vindo depois almoçar em nossa casa, porque iríamos buscar comida ao chinês Kirin, perto de casa.
Se quisessem, podíamos almoçar cedo para eles irem depois a Cascais, antes de regressarem calmamente ao Porto, já com uma hora de bónus de luz solar.
Achou a ideia óptima, tanto mais que poderíamos ficar a conversar à nossa vontade.

No domingo de manhã, acabámos de voltar a casa com o almoço, quando o Antunes e a mulher tocaram à porta às 12:30.
Depois dos cumprimentos e das conversas que não se tinham tido nos últimos 4 anos, o Antunes explicou que a fugida para Lisboa tinha sido ideia da mulher porque queria oferecer uma prenda de Natal diferente ao neto e ver se descobria alguma coisa para o novo rebento que a filha esperava ter na ocasião das férias.
A filha, bem integrada na sociedade dos «morcões», bem como o marido e filho, divertiam-se muito por lá e não tinham disposição para visitar os «mouros» a não ser na Manta Rota, na época das férias, gozadas geralmente com a família da mãe/avó.

Ele, apesar de já estar na reforma, não estava desempregado e agora, sentia-se mais ocupado do que antigamente, ficando livre só aos domingos, quando a filha e a sua família se divertiam com gente da sua idade.
No resto dos dias, tinham de tomar conta do neto que estava quase sempre em casa deles e até dormia lá de vez em quando para os pais saírem à noite.

Começamos logo a almoçar porque estavam com pressa de ir a Cascais, depois de descansar um pouco e, além do copo de tinto ao almoço, não tomava mais nada com álcool.
A conversa durante e depois do almoço é que tinha toda a prioridade porque nos últimos anos nunca tínhamos trocado impressões sobre aquilo que eu fazia e projectava para o futuro.
Contudo, ele estava atento aos blogs e já conhecia todos os livros e, por isso, a conversa incidiu mais nisso.

A: O que é feito dos teus netos?
N: Um já está licenciado e a caminho do mestrado. A outra, vai começar a «licença». Ambos andam de tal maneira empenhados nas «cambalhotas» e «pulos» que dão no Sporting, que têm o tempo sempre ocupado com a ginástica e com actividades sociais, sem conseguirem mais do que uma semana para férias de cada vez. Por isso, já há anos que eles não podem ir a Lagos e também foi por isso que nos desfizemos do encargo que tínhamos. Além disso, o facto de ter deixado de dar aulas e o corte nas reformas deixou-nos completamente «de tanga».

A: Qual a tua actividade agora?
N: Desde que deixei de dar aulas em 2011, dediquei-me mais ainda aos blogs, aos livros e, agora, também ao facebook e, eventualmente, à clínica de casos mais complicados.

A: Quanto aos vossos livros, posso dizer que gostei muito do último. Se no meu tempo houvesse esses livros, talvez eu não tivesse de falar contigo a «eternidade» que despendemos. Os livros teriam feito grande parte desse trabalho.
N: Foi aquilo que o Júlio também me disse quando me encontrou por duas vezes, cerca de 20 e 30 anos depois de ter sido resolvido o caso dele. É por isso que ele insiste em que os livros sejam publicados.

A: O que é que te falta para isso?
N: Agora, depois de ter trabalhado muitíssimo para reorganizar o que foi publicado, actualizando e suplementando tudo com novos casos, faz falta o dinheiro para a sua publicação, mesmo que a tiragem seja reduzida e em impressão digital. Depois disso, é necessário que haja algumas explicações para motivar as pessoas, esclarecer várias dúvidas e mostrar que uma psicoterapia autónoma e persistente baseada na leitura de determinados livros e treino individual tem inúmeras vantagens em relação a uma «normal» psicoterapia em consultório, com a utilização de medicamentos, que até os especialistas mais honestos repudiam, porque cria «dependência» e tem efeitos secundários.

A: Isso, já sei porque senti na pele e tu também me disseste que tinhas ficado aflito com efeitos semelhantes.
N: Sim. É por isso e com base na minha experiência pessoal que fui engendrando esta psicoterapia através de livros que fui lendo antes e durante o meu curso, utilizando vários conhecimentos adquiridos através dos mesmos e inovando à minha maneira. A partir de 1980, comecei a utilizar essa metodologia com o Júlio, apenas com apontamentos policopiados preparados para as aulas a partir das leituras anteriores e da experiência clínica que ia tendo. Tudo isto está agora muito mais sistematizado e explicado, mas é difícil utilizar sistematicamente com todos os que não a conhecem.

A: Já vi que, há bem pouco tempo, tomaste parte na Feira de Saúde e Bem-Estar em Sintra. Cá para nós, que tal correu isso?
N: Como já disse no post que fiz de seguida, não aconteceu aquilo que eu desejava. Isto quer dizer que esperava mais gente. Houve gente, mas não muita. Os que assistiram à apresentação foram poucos e parece que existe relutância em ler. Contudo, se houvesse palestras mais dirigidas, com gente selecionada e que necessitasse de apoio psicológico, talvez fosse diferente. Ainda me lembro da desconfiança e quase animosidade com que os enfermeiros do Hospital de Vila Franca de Xira, receberam inicialmente as aulas de Psicologia e Psicopatologia. Embora essas aulas fossem muito exíguas, com as intervenções quase desafiadoras e desconfiadas que os alunos fizeram, obtendo respostas concretas e úteis para os seus problemas, não só começaram a gostar da Psicologia como até me solicitaram que falasse várias vezes para gente mais nova, na Associação Euterpe Alhandrense. Os mais novos é que tinham relutância em ler alguma coisa de útil neste sentido.

A: Estou a compreender e tenho gostado imenso dos teus livros.
O último, «Psicoterapia … através de Livros…» é bastante elucidativo e orientador. Além disso, desmistifica a confusão que se faz com o termo biblioterapia que é utilizada para animação cultural ou incitamento à leitura, que é a bibliofilia.
O livro «Biblioterapia» é explicativo e dá uma dimensão diferente à necessidade de utilizar a Psicologia na vida diária, demonstrando que a Psicoterapia até pode ser realizada por cada um, para evitar ou ultrapassar dificuldades, quase autonomamente, tal como me aconteceu.
O «Auto{psico}Terapia» dá indicações precisas daquilo que cada um deve fazer independentemente do psicólogo ou com uma ajuda mínima dada por ele.
Além disso, acho que o protótipo do livro com a terapia do Júlio, que te vou devolver, está muito bom e pode servir para muita gente se orientar pelo mesmo. Fiquei admirado com todos os seus problemas psicossomáticos, ocasionados pelo «traumatismo» principal, apenas devido ao simples facto de estar desde os 10 aos 16 anos longe dos pais, apesar de bem instalado em casa de primos e padrinho, para poder estudar aquilo que não conseguiria fazer na sua terra. Ele há cada uma! A tua mulher também esteve durante todo o Liceu e mais um ano de Faculdade, longe dos pais e não se traumatizou nem um pouco. E foram 8 anos. É muito bom que as pessoas conheçam episódios deste tipo para poderem verificar que factos quase insignificantes e que passam despercebidos até para os próprios, podem ocasionar dificuldades psicológicas e de interacção social. Resolver isto é muito importante, como já vi também no caso da Cristina, que modificou a sua vida da melhor maneira possível. Mas agora, com o livro já delineado, de que estás à espera?
N: Aquilo que dizes não chega a não ser para me animar. É importante que as pessoas saibam que pequenas coisas sem importância podem criar obstáculos bastante grandes para uma vida mental saudável. Todos somos diferentes e, como diziam em Angola, «cada um és como cada qual». Por este motivo, estou a trabalhar ainda mais no «Eu Não Sou MALUCO!» que está quase pronto para publicação. Pode servir para as palestras com algumas pessoas que necessitem de ajuda, mas a compreensão do funcionamento do comportamento humano é quase essencial para se fazer a destrinça entre muitas coisas que acontecem relacionadas com o momento, tipo e frequência com que os prémios e os castigos são aplicados ou recebidos, percebidos,sentidos e resolvidos por cada um. A aprendizagem, os condicionamentos, os modelos, os estímulos ou incentivos, a facilitação e os reforços, especialmente o vicariante, são muito importantes na nossa vida. Compreender isso é essencial para que as pessoas não façam a mesma confusão que fazíamos quando ainda não tínhamos compreendido devidamente o que é o reforço positivo e, especialmente, o negativo. Por isso, estou a reorganizar o livro «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» que tu consultaste inicialmente na versão dos quatro livrinhos publicados pela Plátano. É para complementar as informações a serem dadas nas tais palestras se algum dia quiserem que eu faça.

A: Tens razão no que dizes quanto à JOANA porque já o li também na versão actual e achei muito melhor do que a antiga. Está mais compacta e compreensível. Isso dá uma visão muito melhor do funcionamento do comportamento humano no dia-a-dia. E, com o complemento do livro do Júlio, deves poder dar uma noção muito boa da modificação do comportamento e da necessidade de utilizar esses conhecimentos para alterarmos em nós aquilo que é necessário a fim de obter os resultados desejados. Eu verifiquei isso em mim. Não basta apenas «ir ao fundo» das nossas recordações, vivências e traumatismos. Temos de os analisar, compreender, descobrir esses comportamentos (causas) que nos afligem (efeitos) e verificar se não nos teria sido possível reduzi-los, eliminá-los ou evitá-los. Com as leituras, tudo se torna mais económico, cómodo e confidencial, especialmente se a pessoa puder agir sem o apoio individual do psicólogo.
N: A mim, parece-me fundamental adquirir essas noções, que até os mais velhos podem utilizar consigo próprios e, especialmente, na educação dos filhos ou dos dependentes e até com os profissionais com os quais estiverem em interacção. O seu conhecimento por aqueles que são mais ilustrados, pode ser difundido, quase por osmose, aos outros através dos modelos que proporcionam com os valores que defendem e seguem, sem ocasionar dissonância cognitiva. O reforço vicariante daí consequente pode ajudar imenso. Seria uma profilaxia e uma prevenção muito atempadas para uma sociedade muito melhor do que a actual. Digo isto, porque o livro abrange a maior parte dos conhecimentos mais vulgares na vida do dia-a-dia, mas que são apresentados de forma mais académica em «Psicologia Para Todos» e «Interacção Social»

A: Concordo contigo, porque também já conheço estes dois livros, na versão antiga, editados pela Plátano. Mas a JOANA é muito mais simples de se compreender e tentar utilizar. É pena que muita gente não os conheça, porque poderia beneficiar, assim como eu tirei deles muito proveito. Quanto ao benefício da utilização dos livros, também não me posso esquecer da Cidália. O que seria dela agora? Tem agora uma «rica» família e está satisfeitíssima, não se dando mal com os pais, mas mantendo com eles uma convivência muito afastada. Arrumou os seus traumatismos a um canto.
Também li os teus casos de Cristina e, agora, da Germana e Januário, na versão antiga. Quanto não pouparam todos eles? Não só em dinheiro, mas em tempo e comodidade, consequentes das constantes deslocações ao consultório e demoras para as consultas! A Cristina, embora tratada dissimuladamente e com imenso dispêndio de tempo e paciência, evitou as idas ao consultório e ultrapassou a sua dificuldade de se considerar «maluca», melhorando toda a sua interacção social e ganhando uma família que ambicionava e não conseguia constituir por sua própria inépcia. A «Germana», livrou-se duma amantização degradante e humilhante e conseguiu ajudar o seu marido. Este, por sua vez, descrente e desagradado com tudo aquilo que lhe tinha acontecido anteriormente com a medicação, psicoterapia e psicanálise, seguindo apenas as indicações dadas pela mulher para ler alguns livros específicos e treinando o relaxamento porfiadamente, conseguiu livrar-se das suas dificuldades quase num ápice. Depois desse fim-de-semana de «psicoterapia», disse que a mesma era uma espécie de máquina para «lavar o cérebro». Achei piada a esta comparação. De facto, temos muitas coisas acumuladas na nossa cabeça, sem razão de ser e sem necessidade disso. Temos de vasculhar bastante esse armazém, analisar, ordenar e arrumar tudo isso, verificando cada coisa, para poder deitar ao lixo aquilo que não interessa. Ninguém mais pode fazer isso por nós. De vez em quando, ainda me lembro do meu avô a dizer-me que «aqueles documentos» do terreno junto à casa tinham de ser bem guardados. Por isso, fui quase esconde-los no maço dos jornais que ele dizia que também eram muito importantes. E o pai, por causa da pouca importância que ligou a essa conversa do avô, não conseguiu provar a posse das terras que eram da família. E a consequência foi  ficarmos quase na miséria depois da morte do meu pai.
N: Ainda bem que compreendes isso agora. Seria possível com as consultas «normais» sem a tua colaboração e sem o treino de relaxamento mental para as «viagens profundas» às tuas memórias bem escondidas na tua cabeça?

A: Não há dúvida que esta matéria e a forma de lidar com ela é bastante importante e peculiar. Mais parece um trabalho de pesquisa policial, com intervenção activa, quando necessária.
N: Dou-te toda a razão. Se calhar, naqueles programas mais vulgares das manhãs da televisão, os inspectores da polícia judiciária falam mais em psicologia do que aqueles que se apresentam como psicólogos.

A: Não haverá maneira de divulgar estas informações como nos anúncios?
N: Não desejo isso como propaganda. Eu pretendo apenas e divulgação feita por quem achar que isso é benéfico. Estão em foco, pelo menos, todos os que foram citados nas livros e que podem transmitir as informações aos seus amigos e familiares. Estes, por sua vez, que divulguem tudo isso se acharem que é válido. Mas, o que eu verifico, é as pessoas não quererem ler nem se quererem «desmascarar» e continuarem em silêncio. Paciência. Se preferirem tomar os medicamentos ou deixar que os outros os tomem depois de surgirem os problemas, a opção é deles, que podem ficar dependentes dos mesmos. É a liberdade de escolha, de opiniões… e de consequências Temos de respeitar isso.

A: Dou-te razão, Custa muito admitir que tivemos um problema destes. Digo-o por mim.
N: É por esse motivo que estou a manter este blog e o dos livros. Agora, também estou a intervir no facebook com uma pagina de administrador em meu nome e outras duas, uma delas dedicada ao Centro De Psicologia Clínica e a outra relacionada com a Biblioterapia, para verificar se as aqueles que consultam aquilo que publico, estão interessadas em promover qualquer coisa que seja útil para eles ou para os seus. Como sabes, eu estou disponível, mas não tenciono instalar qualquer consultório especial. Isso já aconteceu nos tempos passados com o Centro de Psicologia Clínica. Mais de 35 anos de trabalho sistemático já chegam.

A: O que dizes agora dos fogos e dos incendiários? 
N: Nada de especial, mas penso o mesmo em relação aos terroristas, corruptos, prepotentes,  pedófilos e muitos dos que desestabilizam a nossa sociedade. Enquanto as noções de que estou a falar não se divulgarem, a «educação» pode ficar comprometida e a estruturação da personalidade de muitos, com os comportamentos consequentes, pode ocasionar muitos dissabores. Achas que a Joana e seus filhos, a tua filha, os filhos da Cidália, da Cristina, da Germana, do Júlio, fariam os desacatos que se anunciam constantemente? Que tipo de estruturação de personalidade conseguiram obter com os modelos e os reforços que tiveram nas suas famílias?  O que será feito dessa Maria?  Depois do espalhafato inicial que foi feito na comunicação social, ninguém mais falou nela nem nos efeitos ocasionados pelo seu internamento no tal colégio para «reconstrução da sua personalidade». Agora, estão a fazer outro espalhafato em relação a um desembargador. Quantos mais haverá nesse estilo, além daquele que me «matou» há dezenas de anos? As famílias, a educação e a sociedade, com os seus valores e modelos familiares, são muito importantes e, por isso, é necessário que a maior parte da população tenha conhecimento do funcionamento da psicologia humana. Repara que até o Joelconsiderado como «psicopata» por um psicuiatra, conseguiu modificar em muito a sua personalidade, apesar de ter sido apoiado muito tarde e depois de ter feito o disparate de tentar estrangular a noiva por três vezes, por ciúmes e apenas para lhe dizer quase simbolicamente: «não fujas de mim», já que era a única pessoa que lhe  ligava alguma importância desda a sua nascença. Que família foi a dele e que educação teve, apesar de ter estado internado num «bom» colégio religioso?

A: O que é que dizes de Economia Comportamental de que se fala hoje em dia com muito destaque?
N: Como já te disse, fala-se disso da mesma maneira como se fala de Biblioterapia, para se utilizar este termo com outros fins como a animação cultural e incentivo à leitura. A psicoterapia que estou a defender não é muito mais económica em tempos de consulta, pagamento das mesmas, transportes para o consultório e tempos de espera, além de resultados mais rápidos e eficazes? Falando de ti, quanto economizaste com a autoterapia que fizeste, a começar pelo apoio psicopedagógico que deste à filha? Só com isso, a tua filha não ficou livre das dificuldades académicas? A tua mulher não evitou entrar em depressão? Os resultados não foram muito mais duradouros do que se te tivesses sujeitado somente às consultas? A tua mulher e filha não ganharam com o efeito secundário ou colateral que ocasionaste com a mudança do teu comportamento? Não ficaste com a capacidade de intervir em qualquer momento sem apoio dos outros? Quanto é que gastaste nos livros? Terão custado mais do que 2 ou 3 consultas? Não os leste comodamente em casa, nos momentos que mais te convinham? Depois da intervenção que tive na Biblioteca Municipal de Lagoa, falei nisso com o nosso comum amigo, no capítulo «Conversa com Das Neves», do teu livro, já ligeiramente corrigido. Porém, a tua maior despesa foi na leitura dos livros, compreensão e um treino inicial e persistente, feito por ti! Depois disso, ficou tudo ainda mais economicamente, nas mãos do sono…para poderes dormir à vontade e a produzir qualquer coisa de válido. Ninguém mais poderia fazer isso por ti. E a tua promoção na empresa caiu do céu?

A: De facto, dá que pensar. Mas acho que os livros deveriam ser divulgados e disponibilizados ao público em geral. Não haverá uma maneira de fazer isso?
N: Não sei. Só me vem à cabeça a difusão que se faz da chamada biblioterapia, deturpada, como já te disse. Também falam só agora na «prescrição de livros» o que já se podia fazer cá desde 1980. Tal como está a acontecer com a chamada biblioterapia, vai haver quem apresente esse método de Neil Frude como uma maravilha, para montar um negócio com isso. É como se nada tivéssemos «cá no burgo» e fosse necessário importar tudo como uma maravilha que, às vezes, funciona muito mal… O que se passa com a Psicologia Positiva, Mindfullness e Meditação Transcendental?
Da minha parte, já gastei bastante dinheiro na publicação dos vários livros desta nova colecção, especialmente o «Saúde Mental sem psicopatologia» (A), o teu livro «Acredita em Ti. Sê Perseverante!» (B), o livro da Cidália «Eu Também Consegui!» (C) e, posteriormente, «Biblioterapia» (Q), «AUTO[psico}TERAPIA» (P) e, ultimamente, «Psicoterapia … atavés de Livros…» (R).
Por enquanto, não os vou deixar em qualquer livraria. Quem os quiser, depois de consultar o blog respectivo, pode pedi-los indicando o endereço a [mariodenoronha@gmail.com] a fim de eu os enviar à cobrança pelo correio, em Portugal. Os que forem do estrangeiro, podem fazer o pagamento antecipado através de WESTERN UNION (Uni Câmbio) acrescentando as despesas com os portes. Tem nesse blog todas as informações necessárias além de poder consultar também o que é dedicado à Psicologia Para Todos.
Porém, o que posso fazer, quanto aos dois livros novos, é informar que os interessados no «Eu Não Sou MALUCO!» vão poder obtê-lo por 10€ se se inscreverem antecipadamente para a sua aquisição porque o livro custará 15€.
O mesmo pode acontecer com «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?», que custará 35€, mas será disponibilizado apenas por 23€ a quem se inscrever desde já.
Já sabem do email e, quem se inscrever pode ficar à espera que o momento de publicação seja comunicado logo que possível.

A: Acho boa a ideia.
N: É a única coisa que eu posso fazer, sem publicidade, propaganda ou espectáculo, como muitas vezes acontece. Por isso, estou à espera que haja as tais palestras promovidas pelos que estejam interessados.

A: Achas que esses livros chegam?
N: Tanto quanto sei, o livro da Autoterapia serve para cada um ir fazendo os exercícios e procedimentos necessários.
O livro da JOANA apresenta as noções fundamentais que a pessoa deve ter para compreender toda a metodologia e prática da modificação do comportamento.
O livro da Biblioterapia explica o modo como o tratamento através de livros funciona ajudando a pessoa a ultrapassar dificuldades, evitando-as no futuro, em vez de se sujeitar e ir aguentando as mesmas com «paninhos quentes».
O livro da Psicoterapia pode dar uma visão de tudo aquilo que a pessoa deseja obter, tanto em psicoterapia, como em psicopedagogia, interacção social e desenvolvimento pessoal.
O livro do Maluco apresenta o modo como uma boa colaboração do próprio ajudou a encurtar e tornar mais fácil uma psicoterapia, servindo de incentivo para melhorar na vida.
O mesmo acontece com o livro da Cidália.
Se a pessoa quiser ser autónoma, pode ler o teu livro e seguir em frente.
O resto dos livros só serão publicados se houver solicitações dos possíveis interessados.
Além disso, existem as versões antigas e antiquadas de quase todos esses livros, publicadas pela Plátano, Clássica, Escolar e Hugin, que podem ser adquiridas em qualquer momento.
Para isso, tem o meu email e os dois blogs que não ficam tão expostos como o facebook.

A: Acho muito bem. Porém, no último livro, tu dizes que és de Margão onde o António Costa esteve há pouco tempo. Já o conhecias?
N: Não o conheço, mas conheci muito bem o pai dele, Orlando Costa, que veio de Goa para Lisboa, para a Faculdade, no ano em que eu entrei para o Liceu. Mas conheci muito bem a mãe do Orlando, que era uma senhora muito simpática e decente. Logo depois de eu ter vindo a Portugal, não tive a possibilidade e a oportunidade de visitar a D. Eugénia quando esteve cá, salvo erro, antes do nascimento do António Costa ou do falecimento de uma irmã dele.

A: Gostei deste «bate-papo». Não o vais transformar em post?
N: Vou dedicar-me já a isso e, durante a noite, vou entrar em «Imaginação Orientada» para reproduzir, tanto quanto possível, a nossa conversa.

A: Estou de tal maneira sentado neste maple que quase não apetece sair e fez-me lembrar os meus «velhos» tempos em que me lembrei do meu avô.
N: Esta mobília é muitíssimo cómoda e até se lhe pode ajustar o assento e a «cabeça». Foi adquirida na terra dos «morcões» quando lá estivemos, há dezenas de anos e tu não tinhas nem um minuto para o despender connosco. Infelizmente, essa sala de exposições nos limites do Porto/Matosinhos, ardeu cerca de um ano depois. Tivemos imensa pena.

A: Bom. Vamos embora para aproveitarmos os últimos raios de sol.
N: Boas compras, uma viagem tranquila e um óptimo Natal se não nos virmos antes. Beijinhos a toda a família.

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Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

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TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

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RESPOSTA – 51

Estava ainda na cama, meio acordado, quando o telefone tocou e, de outro lado, surgiu a voz do meu amigo Antunes que estava confuso com uma notícia que eu tinha publicado na página de Biblioterapia do facebook e que a filha tinha lido.
Perguntou-me se, depois dos livros «BIBLIOTERAPIA» (Q) «AUTO{psico}TERAPIA» (P), dos quais tinha gostado muito e do «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), que tinha acabado de publicar, não lhe tinha dito que o «Maluco» deveria ficar em 15€ e que serviria muito bem para as palestras.
Esclareceu-me que a filha e as amigas, que seguiam essa página do facebook, tinham visto a indicação de que o mesmo custaria 11€.
Depois deste telefonema, fui, de imediato à página e eliminei a notícia que já tinha sido consultada por 17 pessoas, a quem peço desculpas pelo meu engano. Confundido com o preço do livro acabado de publicar, cometi o lapso, sem querer.
Vou agora rectificar o preço que deve ser 15€ e voltar a dizer que continuo muito interessado neste livro, que estou a rever com bastante cuidado para ser publicado apenas quando houver pedidos suficientes para o email [mariodenoronha@gmail.com], podendo ser enviado para a morada indicada, à cobrança, sem mais despesas.

Depois desta preciosa informação dada pelo Antunes e de saber que toda a família dele estava bem, com a filha a entreter-se com os seus amigos, calculei, pela conversa, que eles viriam a Lisboa, antes do Natal e aproveitariam a oportunidade para «matar saudades» já que não nos encontrávamos há vários anos, por eu já não ir a Lagos, como antigamente.

Depois desta preciosa ajuda, resolvi esclarecer os leitores e fazer este post com o título RESPOSTA 51, transcrevendo (com os links elucidativos)  um capítulo do livro que estou a rever com cuidado para descrever o modo como a colaboração do próprio é extremamente importante numa psicoterapia que se deseja boa, rápida, eficaz e a servir de prevenção e de desenvolvimento pessoal, tal como aconteceu com o Antunes e com o Júlio, que «deram um pulo» nas suas actividades profissionais…e não só.

 

Pags 45 a 54  (Eu Não Sou MALUCO!)

7
As diversas leituras, a capacidade intelectual do Júlio e a sua vontade de aprender, eram os factores principais que lhe tinham tornado muito apetecida toda aquela matéria. Não se podia esperar a mesma reacção de outras pessoas, mesmo com o 12º ano ou até com anos de Faculdade. No último encontro ele tinha-me dito:
Para mim, está tudo bem. Apesar de ter apenas o 10º ano de escolaridade, muita coisa compreendi e aprendi.

Ainda estávamos em 1980, e parte de alguns apontamentos incipientes que lhe emprestei, foram a origem do livro O USO SOCIAL DA PSICOLOGIA (A PSICOLOGIA NO DIA-A-DIA) e, posteriormente, dos 5 volumes de COMO MODIFICAR O COMPORTAMENTO que, agora, depois de os reorganizar, estão transformados em “PSICOLOGIA PARA TODOS (F) e “INTERACÇÃO SOCIAL (K). Ainda, parte de outros deram origem aos quatro livros, conglomerados agora em “JOANA, a traquina ou simplesmente criança?” (D).

Terça-feira foi o dia em que o Júlio se mostrou entusiasmado. Quando chegou, disse-me logo:
Sinto-me óptimo.

No dia anterior, a sua boa disposição tinha-me deixado algum tanto impressionado. Por isso, imaginei que a pretensa psicoterapia iria dar bom resultado. As coisas corriam bem e o Júlio estava satisfeito com a leitura dos apontamentos (Q) e com o que vagamente se lembrava de ter escrito na autoanálise (P). Tinham surgido algumas recordações de infância das quais nunca se lembrara anteriormente. Eram frases soltas que demonstravam a existência de alguns factos que tinham marcado a sua vida infantil e adolescente.
– Vai descobrir que tem muitos documentos soltos, dos quais não se recorda e que estão muito mal arrumados – afirmei.
Aproveitou a «embalagem» para me perguntar de que maneira a Modificação do Comportamento pode ser utilizada em psicoterapia. Expliquei-lhe (B/109) que a dessensibilização em relação a medos simples é muito frequente e não difícil de utilizar. A única diferença entre este método e uma psicoterapia de profundidade baseia-se na assunção de que os medos não são provocados por factos antecedentes inconscientes, como os dele, mas sim por condicionamentos facilmente descondicionáveis, ocorridos na vida do dia-a-dia.
Expliquei-lhe que, por exemplo, uma criança exageradamente assustada por um cão, pode criar um medo excessivo e generalizado de cães. Enquanto não conseguir descontrair-se ou relaxar com a presença de cães, o medo irá aumentando, especialmente, se uma fuga bem-sucedida da criança, lhe der um certo alívio ocasionando reforço secundário negativo. Obrigada e ajudada a enfrentar o cão, com calma, segurança e sem conseguir fugir do mesmo, a criança pode ultrapassar a dificuldade, sem receio de sequelas (F).
Os medos do Júlio, ocasionados por traumatismos antigos que não recordava e dos quais não tinha plena consciência, tinham de ser reduzidos de outro modo, descobrindo as causas remotas.

– Foi por isso que lhe disse, há pouco, que devia ter muitos documentos mal arrumados e dos quais não devia ter pleno conhecimento, consciência ou até recordação – concluí.

Foi um dia interessante, porque conversámos imenso sobre as diversas formas de reforço, tais como o positivo e o negativo, primário e secundário ou social, de intervalo fixo e variável, razão fixa e variável, imediato, diferido, aleatório e «vicariante». Tudo isto estava resumidamente explicado nos apontamentos emprestados, e ainda bem que o Júlio me apresentava as suas dúvidas porque, se assim o desejasse, podia exemplificar melhor a teoria com factos da vida real facilmente compreensíveis. E foi o reforço do comportamento incompatível que me proporcionou esta possibilidade. E foi também assim que começou a germinar, com persistência, a ideia da colecção de BIBLIOTERAPIA, apesar de ensaiada apenas com apontamentos policopiados.
Para o Júlio, tudo «corria sobre rodas» e, quer o relaxamento quer a autoanálise, davam os seus frutos. As aulas de informática corriam bem e o «desmame», com os comprimidos postos de lado, já não provocava quaisquer efeitos secundários como acontecera na semana anterior. Era tempo de obter reforço com o seu novo comportamento. Foi isso que lhe comecei a incutir ao longo de toda a tarde em que falámos na Psicopatologia (A) e sobre a teoria, com prática, na Psicologia Geral e Social e (F) (K), mais do que nos problemas do Júlio.
O Júlio perguntou-me se o registo dos comportamentos era muito importante na Modificação do Comportamento. Como a razão de ser desse procedimento não estava então bem explícita nos apontamentos, disse-lhe que a falta de uma observação e registo adequados, pode conduzir a uma avaliação errada da magnitude dos sintomas de que cada um sofre. Por exemplo, se uma pessoa como ele, a sofrer de transpiração descontrolada, a tivesse avaliado em 8 na semana anterior através de uma determinada escala de avaliação utilizada para o efeito e, na semana seguinte, a avaliasse em 6, em vez de 9, na mesma escala, haveria um ponto de referência e de comparação através da qual poderia saber se tinha melhorado ou piorado, quanto, em que condições e em quanto tempo. Deste modo, olhando para a avaliação semanal, verificar-se-ia que a diferença de menos dois pontos na transpiração em relação à semana anterior, demonstrava que qualquer coisa estava a começar a mudar. Cada avaliação tinha de ser feita objectiva e independentemente, para se verificar a verdadeira evolução do caso e o importante, era não olhar para a avaliação anterior no momento de fazer uma nova, para não haver influência nas avaliações.
Considerando que a transpiração excessiva é um dos sintomas que pode indiciar problemas de tensão psicológica, a mesma estava a diminuir. Olhámos para as avaliações feitas pelo Júlio e verificámos que havia melhorias. Todos os sintomas «inventariados» na semana anterior tinham baixado pelo menos um ponto nessa escala de avaliação. O entusiasmo com que o Júlio falou nisso levou-me a preveni-lo que as baixas podem ser temporárias e «ilusórias» ou pouco consistentes. Todo o processo de melhoria «sofre» de retrocesso e pode existir uma quebra brusca destas melhorias. Contudo, depois dessas primeiras dificuldades, a situação vai melhorando lenta e paulatinamente até se conseguir uma estabilidade «consistente».
Também o preveni que uma melhoria brusca e exagerada é como um «sol de pouca dura», capaz de ocasionar uma quebra súbita e desagradável. Com ele, nada disso tinha acontecido a não ser…

O quê? – perguntou, com ansiedade.
– Os medicamentos – expliquei: – Já compreendeu a razão porque os médicos fazem um «desmame» suave? É como a dessensibilização. Consigo, nada disso aconteceu e viu o resultado. Compreenda bem a minha «aflição» quando me comunicou a sua decisão que me deixou preocupadíssimo, embora com a máxima vontade de o tentar ajudar. Entendeu bem agora a razão da necessidade imediata do meu súbito relaxamento instantâneo na semana passada? Foi para não disparatar consigo.

Sim. Que grande asneira que «não deu para o torto»!
– Sou totalmente contra os medicamentos que não sejam absolutamente necessários. Contudo, como sabe, não sou homeopata nem médico e, por isso, não tenho competência para medicar, quer com produtos naturais, quer com produtos químicos sintéticos. E, se não sabe, fica a saber que não gosto de conduzir uma psicoterapia enquanto uma pessoa está a ser medicada em psiquiatria (M). Se tiver uma dificuldade pontual, pode ser medicada e, passado algum tempo, deve voltar à «normalidade». Dois ou três meses chegam. Isso acontece, geralmente, quando a pessoa passa por um grande desgosto, como por exemplo, a morte súbita de uma pessoa querida ou uma catástrofe inesperada. Se não fôr um caso desses, uma doença crónica ou uma psicose pode exigir uma medicação permanente que ponha a pessoa a funcionar num estado de sanidade mental aceitável. Porém, quando é uma neurose pura e simples, detesto a medicação que só prejudica e não deixa que a psicoterapia funcione em pleno.

E no meu caso, não tomar a medicação que o senhor não queria que interrompesse assim!
– Cuidado com o que diz. Eu, nada tenho a ver com a sua medicação. Apenas estou a preveni-lo dos males que podem acontecer e dos riscos que corre se não tiver o apoio dum médico. Quem o medicou sabe o que fez e quem aceitou a medicação tem o direito de resolver o que lhe apetecer (A). Eu não tenho coisa alguma a ver com o assunto. E também não fui eu que lhe propus a psicoterapia.

Vai deixar-me?
– O problema não se põe neste plano mas sim naquele em que cada um resolveu aquilo que desejou e vai continuar a decidir o que achar melhor. Eu aconselho, dou a minha opinião sobre aquilo que é do meu foro e o «paciente» é livre e soberano para continuar ou não a psicoterapia nos moldes em que eu a proponho (M). Entendeu?

Não está zangado comigo, pois não?
– De modo algum. Estou somente a pôr os pontos nos ii.

Então, a medicação passa a ser da minha responsabilidade – disse o Júlio e continuou. – Sabe que estou muito mais lúcido do que na semana passada? Parece que me tiraram alguma coisa de cima da cabeça. Aquelas vozes confusas que eu ouvia, desapareceram.
– Ou calaram-se? Você nunca me tinha falado nas vozes.

Julguei que não era necessário.
– Assusta os psiquiatras com isso e como é que quer que eles o mediquem?

Isso tem a ver alguma coisa com os medicamentos?
– Não sei, mas pode ter, porque é mais um sintoma do qual não me tinha falado (A/45-119).

Não acha que os medicamentos me prejudicavam?
– No meu entender, os medicamentos prejudicam sempre uma boa psicoterapia (A/121-155). A pessoa a ser submetida a uma psicoterapia que se deseja rápida e eficaz, necessita que as suas capacidades mentais estejam a funcionar em pleno (M). Necessita de ter medo, de o reconhecer e de saber que o seu medo é irracional quando a fonte que o produz não é amedrontadora nem perigosa.

O que é que quer dizer com isso?
– Se chegar a ver um pitbull a tentar atacá-lo e tiver medo, é lógico e racional, ou não é? Esse medo, que é necessário, não vai ajudá-lo a fugir, a defender-se ou a atacar o seu atacante? Não é saudável? Se não tivesse esse medo e não fugisse, consegue imaginar que o pitbull o poderia esfacelar?

Sim, mas…
– Os seus medos actuais, tem alguma razão de ser?

Não.
– Então, são irracionais e ilógicos. Se os reconhece como tal, porque não os elimina? Não consegue? Porquê? Se depois de toda esta razoabilidade, lógica e reconhecimento não os consegue eliminar, alguém tem de o ajudar a reduzi-los. Acha que um comprimido vai a correr agarrar o seu medo para não deixar que o mesmo se manifeste? O comprimido só vai baixar o seu nível de consciência e ansiedade de modo a dar-lhe a sensação de não ter medo porque não o consegue sentir (B) (P). Quando o comprimido deixar de actuar, a sensação de medo vai estar lá para lhe «aporrinhar» a vida. Se, com uma «boa dose de alguns comprimidos», chegasse a ver o pitbull, talvez até nem fugisse, caso não julgasse que o poderia dominar. Lembra-se da cena dos bêbados à porta do café? O mesmo mecanismo funciona com a ansiedade, a depressão e a insegurança. Entendeu?

Mais ou menos. Estou a lembrar-me das bebedeiras que apanhava quando queria «ganhar coragem».
– Relaxe-se, medite profundamente nisso e compreenda que só você é «dono» do seu «pensamento» e que nada o pode ajudar enquanto não o alterar. É isso que se pretende numa psicoterapia séria e eficaz. É por isso que eu insisto que um psicoterapeuta é sempre um ajudante e nunca o actor principal. O actor principal é o próprio que deseja mudar, mas pede a alguém que o ajude e alumie o caminho que ele deseja seguir livremente (P). Compreendeu?

Mais do que nunca, estou satisfeito em ter deixado os comprimidos! – foi a exclamação do Júlio.
Estávamos muito entusiasmados na conversa, quando o dono do café, já com pouca gente, se aproximou e perguntou se eu não desejava a tal tosta, o sumo e o café. Olhei para o relógio e assustei-me com o adiantado da hora:

– Rápido, se faz favor.
– Com que então, hoje estavam muito entusiasmados!
– Sabe que as boas conversas deixam-nos assim – respondi ao dono do café, ficando depois à espera da tosta, que chegou logo.
O Júlio encostou-se à cadeira e ficou muito pensativo enquanto eu comia e me escapulia para as aulas.

Na quarta-feira, o Júlio continuava bem-disposto e cheio de vitalidade. Dizia-me que tudo lhe estava a correr bem. Tinha lido mais algumas páginas dos apontamentos que lhe emprestara e estava a entusiasmar-se com o modo como os comportamentos humanos se formam, modificam e extinguem para, subitamente, reaparecerem com uma força inusitada, sem se poder prever o seu ressurgimento (F).
– Não é bem assim – disse eu.

Não é assim? Porquê?
– Por exemplo, no seu caso, existia uma forte probabilidade de que os traumatismos sofridos por si ao longo da infância e adolescência, aos quais só se referiu ontem por acaso, surgissem qualquer dia sob diversos aspectos que prejudicam uma vida mental saudável. Foi o que aconteceu consigo de maneira muito camuflada ao longo destes últimos anos (A). Não é, por acaso, que ficou «doente» e foi primeiro ao seu médico e depois ao psiquiatra. Não é sem necessidade que estava a tomar os medicamentos. Mas, se desejar que a sua vida mental se estabilize e tenha um percurso saudável ou «normal» (A), como se costuma dizer, necessita de «descobrir» os seus males, analisá-los à luz da razão, enquadrá-los no momento oportuno e aprender a enfrentá-los, sendo até capaz de o fazer sozinho e sem a ajuda de outra pessoa e, melhor ainda, sem qualquer medicamento (B) (P) (Q).

Qual a razão de dizer melhor ainda?
– Quando lhe faltar o medicamento «legal» têm algum sucedâneo como os «chocolates» espanhóis que se vendem nas entradas do METRO? (Q)

Chocolates sucedâneos conheço, mas os outros?
– De certeza que também está farto de conhecer o álcool, a droga, a delinquência, a prostituição e, sob uma forma mais camuflada e socialmente aceite, o despotismo, o nepotismo, o autoritarismo, a delinquência, a criminalidade e outras formas de resolver os sentimentos de inferioridade e de frustração de que uma pessoa sofre. (G)

Então, é assim!
– Se está a ler os meus textos, deve descobrir que me refiro constantemente a estes problemas em relação aos quais nada faze-mos para os evitar. Por isso, é importante educar uma criança (D) nas devidas condições, isto é, ajudá-la a estruturar uma personalidade saudável, independente, autónoma e resistente à frustração ou, pelo menos, capaz de a ultrapassar saudavelmente e sem grandes dificuldades e sequelas. É o melhor caminho para uma vida mental saudável e equilibrada, mas não digo «normal» (A) (D) (P) (Q).

Acha que eu posso chegar a esse ponto?
– Nada é impossível desde que trabalhe para isso, tanto mais que vai aprender a compreender e a ultrapassar as frustrações que sofreu e que está e vai continuar a ter de enfrentar pela vida fora. O importante é reconhecê-las em tempo oportuno, senti-las, analisar os momentos da sua ocorrência, compreendê-las e ultrapassá-las da melhor maneira possível, utilizando-as, muitas vezes, a seu favor. É assim que fazem os surfistas para aproveitar a boa onda. Foi por isso que falei nos seus documentos mal arrumados. Não julgue que toda a sua situação me passou completamente despercebida.

Nota-se assim tanto?
– Nota-se, é uma forma de dizer e de encarar as coisas. Os psicólogos, especialmente em psicoterapia, têm a obrigação de se aperceberem de que determinados aspectos não devem estar a funcionar bem em certas pessoas, embora a maior parte delas se mostre aparentemente desinibida, feliz e autoconfiante e, às vezes, eufórica (ver Germana) (L/106-114). Ninguém consegue saber o que se passa dentro das mentes das outras pessoas e, às vezes, nem os próprios, que travam uma luta feroz entre aquilo que aparentam, desejam sentir e o que sentem. Contudo, os psicólogos e especialmente os que se dedicam à psicoterapia, têm necessidade de fazer «ilações», imaginando aquilo que pode estar a passar na cabeça dos seus consulentes (K). Quando desaparecem determinados suportes ou «forças interiores» em que a pessoa se baseia para vencer esta luta, ela sucumbe e entra em descompensação. Tenta compensar-se com os comprimidos que, enquanto actuam, proporcionam algum alívio momentâneo e temporário não deixando que a pessoa pense em coisa alguma.
“Depois, ela consegue reestruturar sozinha a personalidade e as suas cognições (B) (P) (Q) ou procura a ajuda de um psicoterapeuta sério (C). Caso contrário, volta a tomar os medicamentos, se não substituir a descompensação inicial por outra qualquer (M), mais bem aceite pela sociedade.

Muito do que me diz, baseia-se fortemente no senso comum – respondeu o Júlio.
– Por esse motivo, tenciono que pense nisso utilizando já o seu diário de anotações e, mais tarde, também a autoanálise, para o ajudar a desvendar os seus «mistérios», que virão facilmente ao de cima quando e enquanto fizer o relaxamento mental.

Verificando a facilidade com que o Júlio raciocinava e desejando dar-lhe um forte reforço positivo, exclamei:
– Não é qualquer pessoa, com um nível intelectual inferior ao que é necessário, que raciocina do modo como tem feito a partir das leituras realizadas e das conversas que estamos a ter. É por isso que estou entusiasmado com a sua psicoterapia e faço um bom prognóstico desde que siga as indicações que lhe vou dando. As leituras também são extremamente importantes para ajudar a compreender esses mistérios, integrá-los e utiliza-los bem na medida em que nos servem (Q). Não se pode deixar alienar pelos mesmos ou ser subjugado por conceitos errados. Quem escreve, tem o direito de expor as suas ideias, mas quem lê, também tem a obrigação de separar o trigo do joio e apropriar-se daquilo que lhe interessa para se sentir melhor e apresentar tudo isso aos interlocutores e aos vindouros duma maneira mais fácil e apetecível (P).

É o que está a fazer com a psicologia, psicologia social, psicopatologia e psicoterapia? (Q) – perguntou-me o Júlio.

Essa pergunta deixou-me ligeiramente surpreendido. Admirado com a observação que estava a fazer da situação e com o raciocínio rápido e expedito, respondi:
– Estou a tentar e oxalá que o consiga.

A psicoterapia assim, parece de facto, um processo mais educativo do que curativo – disse o Júlio, ao que respondi:
– É isso mesmo que eu penso (ver agora Januário) (L).

Se assim é, nunca poderemos utilizar os medicamentos para melhorar a aprendizagem.
– Talvez temporariamente – disse eu.

Sim. Sim. São os tais comprimidos durante algum tempo enquanto as pessoas não ganham fôlego para alterarem o curso das suas vidas e dos seus pensamentos.
– Talvez isso. – respondi, já bastante satisfeito com o rumo da conversa que estávamos a ter.

Depois de algum tempo de silêncio do Júlio, a conversa desviou para outros assuntos mais ligados ao seu novo curso de informática. Ele achava-o bastante interessante e o que mais desejava era conseguir um lugar onde pudesse trabalhar e ganhar o suficiente para ter uma vida estável a fim de poder prosseguir os seus estudos, se tivesse tempo para isso. Paciência e disponibilidade, tinha. O que mais lhe interessava no momento, era conseguir «dominar» as ideias que o preocupavam e as dificuldades que sentia. Alijada essa carga, sentia-se capaz de grandes feitos, coisa que nunca conseguira. Trabalhar na vertente administrativa da «fabriqueta» dos móveis, não era trabalho que o entusiasmasse. Tinha de procurar outra alternativa. Seria isso possível desta vez? Até já estaria «armado» com o curso de informática que estava a tirar! A «sua doença» talvez fosse providencial e num momento mais exacto para poder singrar na vida e prosperar, desde que «agarrasse a sorte» ou a oportunidade com as duas mãos.
Ficando bastante entusiasmado com o seu «discurso», especialmente relacionado com as oportunidades e contingências em psicoterapia, deixei-o digavar à sua vontade, pensando com os meus botões que uma psicoterapia orientada com livros adequados, compreensão do mecanismo do comportamento humano e da sua modificação, treino do paciente em casa e seguimento de algumas «rotinas», poderia dar bom resultado (L) (P).

Seria, de facto, possível e exequível uma biblioterapia? (Q)
Era esta a minha grande dúvida e ambição já em 1980!

 

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