PSICOLOGIA PARA TODOS

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Archive for the month “Fevereiro, 2018”

RESPOSTA – 54

Comentário dum anónimo:
Estive a ler com atenção todo o post solicitado pelo comentário de TL e demorei mais do que um dia, porque quis consultar todos os links, alguns de novo.
É muitíssimo extenso.
É pena que os artigos sejam tão vastos.
Parece que não gostou minimamente do Supernanny.
Porque? 

 

Antes de tudo, tenho de esclarecer que os meus posts são extensos para abranger todas as informações possíveis e que possam ser úteis aos leitores.
Não gosto de «receitas» que se dão nos meios de comunicação social ou até em vários livros…
Como tem toda a razão quando diz que Álvaro é capaz de ser  protagonista de um dos meus livros, por uma questão de «clareza» em relação ao comentário feito no post Resposta – 53 (19 fev 18), vou transcrever os originais das páginas 305 a 328 do «NEUROPSICOLOGIA na REEDUCAÇÂO e REABILITAÇÃO» (I) para demonstrar que todo o trabalho de modificação do comportamento pode ser feito discretamente a até com a colaboração e na companhia de outras crianças, conseguindo muitos pais complementar o trabalho do especialista, embora não queiram assumir esse encargo, porque o acham muito oneroso ou «especializado».

Esta cópia do texto inicial, não tem os quadros que vão existir no livro mas apresenta todos os pormenores necessários.

No final, direi mais qualquer coisa e talvez faça perguntas mais pertinentes!

 

“O CONDICIONAMENTO OPERANTE
E OS DEFICIENTES

 

Até ao momento, falou-se da reeducação de crianças com nível intelectual aceitável e ligeiros défices cognitivos e de comportamento.
Porém, será possível reeducar crianças deficientes cujas capacidades cognitivas e comportamentais são bastante deficitárias?
As crianças «deficientes», na sua maioria, têm dificuldades na aprendizagem e, às vezes, executam comportamentos inadequados.
– As técnicas de modificação do comportamento ou condicionamento operante (F) terão a possibilidade de ajudar estas crianças «deficientes» a realizar uma aprendizagem mais adequada do que aquela que se efectua nas salas de aula das escolas especiais tradicionais?
Vários autores citados na bibliografia mostram-nos, quer através das suas investigações, quer através de exposições teóricas, que a modificação de comportamento pode dar um contributo muito valioso na reeducação e reabilitação dos «deficientes», tanto mentais, como neurológicos.
As técnicas de modificação do comportamento que se baseiam nas conquistas científicas da psicologia no domínio da pesquisa experimental realizada em condicionamento operante, podem ser utilizadas no âmbito da terapia comportamental, psiquiatria e psicoterapia, conseguindo ser muito úteis no campo da psicopedagogia (F) (J) (P) (Q) (R).
Por este motivo, nos vários casos descritos, os princípios da modificação do comportamento utilizados tanto na terapia da fala como na ocupacional, na musicoterapia ou ainda na reeducação da psicomotricidade, não só ajudaram os terapeutas aligeirando o seu trabalho, como ainda melhoraram a sua eficácia e encurtaram os tempos de reeducação ou reabilitação (F).

Vejamos, por isso, o caso de uma criança que foi apoiada em 1976, quando as possibilidades de intervenção técnica na reeducação e na psicopedagogia eram muito inferiores ao que se pode fazer nos tempos actuais (psicologiaparaque.wordpress.com).
Vamos ver como se conseguiu utilizar, na prática, um conjunto de técnicas de modificação do comportamento num caso de reeducação com uma criança, até completar 8 anos de idade cronológica.
A metodologia fundamental baseou-se nas técnicas de condicionamento operante utilizadas na terapia ou modificação de comportamento.

Álvaro, nascido a 1 de Outubro de 1968, era uma criança com deficiência mental.
Na ocasião do seu nascimento o pai tinha 43 anos e a mãe 38 (A).
Foi uma criança que viveu sempre com os pais e com uma irmã, 14 anos mais velha, a concluir, na ocasião, um curso superior.
O parto foi prematuro (7 meses) e Álvaro nasceu com deficiência respiratória.
Esteve internado durante o primeiro mês e meio no serviço de prematuros por sofrer de complicações gastro-intestinais.
A mãe começou a notar nele dificuldades de preensão nos primeiros anos de vida.
Até aos 3 anos, não pronunciou qualquer palavra.
O psiquiatra infantil que o acompanhou, diagnosticou hiperactividade e atraso geral acentuado.
Por isso, aconselhou lições com uma educadora infantil que foram interrompidas por não darem resultados satisfatórios.
O Álvaro utilizava de preferência a mão esquerda, tendência que nunca foi contrariada.
Dos 5 aos 8 anos, Álvaro frequentou uma bem conhecida escola especial em Lisboa, sem quaisquer resultados positivos, tendo a directora declarado que não tinha meios técnicos adequados para a educação desta criança. Contudo, esta escola tinha também terapeutas de fala a trabalhar com outras crianças.

O Álvaro, que deixou de poder frequentar a escola especial onde esteve três anos, não conseguiu matricular-se em qualquer escola no ano lectivo 1976-77.
Uma professora primária, que trabalhava na integração de crianças deficientes motoras, contactada pelos pais, prontificou-se a dar apoio ao rapaz se tivesse a ajuda de um psicólogo porque não conseguia captar a atenção da criança.
Uma terapeuta da fala corroborou esta constatação porque não conseguiu qualquer colaboração do Álvaro na aprendizagem que se deveria efectuar.
Também os pais e especialmente a mãe e a irmã, não controlavam os comportamentos do rapaz.
O Álvaro nunca fora observado por um neurologista e, nem o psiquiatra nem o pediatra, tinham conseguido que a sua aprendizagem escolar adiantasse ou melhorasse.
Aconselharam apenas a frequência de uma escola especial apesar de parecer ter regredido naquela que já tinha frequentado.

Em Agosto de 1976, Álvaro tinha 7 anos, quando recorreu aos serviços do psicólogo.
Não sendo possível aplicar-lhe os «testes» convencionais, foi feita uma avaliação global baseada numa observação sistemática durante um período prolongado, cujo relatório de resultados foi mais ou menos o seguinte:
– compreensão de certas ordens familiares superior à de ordens novas, com dificuldade na generalização, discriminação e transferência de aprendizagem;
– psicomotricidade desorganizada, embora com a capacidade de uma criança de cerca 5 anos;
– dominância manual esquerda;
– dominância pouco acentuada do olho direito e pé direito;
– hiperactividade, com grande desorganização do comportamento;
– estereotipias várias;
– dificuldade bastante acentuada de compreensão geral .
A situação total parece ser mais funcional do que permanente e inalterável.

Quando o psicólogo iniciou a experiência em Novembro de 1976, deslocou-se à casa da criança e avaliou-a como tendo capacidades para:

  • pronunciar cerca de 10 fonemas (letras e palavras);
  • comer sozinha, embora revelando muito mau comportamento à mesa;
  • andar na rua, desde que acompanhada, para não sair do passeio.

Entre as dificuldades que se podiam notar, citam-se:

  • não conseguir pronunciar quaisquer outros fonemas além dos 10 fonemas (letras e palavras) já mencionados nas capacidades;
  • sofrer de enurésia nocturna;
  • sofrer de onicofagia;
  • sujar a mesa ao implicar com as outras pessoas à hora da refeição;
  • ser muito irrequieto;
  • mexer constantemente em tudo (interruptores, janelas, televisão, gravador, cabides, etc.) de forma desordenada;
  • implicar com as outras pessoas, puxando-lhes o cabelo, casaco, braço, etc.;
  • mexer nos carros e outros objectos ao andar na rua;
  • não descer as escadas sem a ajuda de outra pessoa;
  • não se vestir, despir, calçar ou descalçar sozinho;
  • não brincar sozinho;
  • não brincar com outras crianças mais pequenas sem as maltratar;
  • não tocar nas outras crianças sem as magoar;
  • não utilizar normalmente o escorrega do parque infantil;
  • não conseguir movimentar os braços sozinho;
  • não estar sentado ou quieto durante dois minutos;
  • interromper constantemente qualquer conversa;
  • puxar os fios do telefone enquanto a mãe o utilizava;
  • não ter os movimentos coordenados;
  • não ter a noção do seu próprio corpo e a localização de esquerda e direita;
  • não ser capaz de desenhar, embora conseguisse fazer rabiscos descoordenados.

Apesar de tudo isto e de não conseguir executar correctamente ordens que não fossem muito curtas, a criança parecia ter, de vez em quando, uma compreensão razoável, o que foi verificado pelo psicólogo que a observou sistematicamente ao fazer a avaliação inicial antes da reeducação.
Um episódio muito fortuito, inesperado e curto foi o suficiente para esta conclusão.
O psicólogo combinou ir a casa da criança a uma determinada hora. Contudo, adiantou-se um pouco e chegou 15 minutos mais cedo. Entretanto, a mãe tinha utilizado esse tempo para ir à rua com o Álvaro, a fim de comprar pão para preparar um lanche para todos. O psicólogo foi recebido pelo pai que lhe pediu para se sentar na sala de visitas.

Quando a mãe chegou com o Álvaro, cumprimentou o psicólogo que retribuiu o cumprimento.
Depois, o psicólogo propôs ao Álvaro que despisse o sobretudo para ficar mais à vontade, mas a pronta intervenção da mãe:
– Ah! Sr. Dr. o Álvaro não sabe despir-se sozinho! – fez com que este voltasse a vestir o sobretudo que já estava quase despido.
O psicólogo não interveio e calou-se, enquanto a mãe ajudava carinhosamente o Álvaro a despir o sobretudo.
Entretanto, acabou por ouvir as explicações dela acerca das «incapacidades» do filho e da necessidade que ele tinha de ajuda permanente.
Além disso, a mãe contou que o Álvaro tinha passado a dizer repentinamente a palavra “Amanhã” desde que vira na televisão uma nova locutora, muito sorridente, começar a despedir-se dos telespectadores com um simpático “Até amanhã”.
Estes simples factos, vulgares, furtuitos e singelos, bem como a constatação do episódio do sobretudo, acontecido com a mãe, deu ao psicólogo a noção de que, apesar de o Álvaro ter capacidade de aprendizagem, a mãe podia estar a superprotegê-lo, tornando-o incapaz de aprender algo de novo no sentido da sua autonomia (M).

Entre 21 de Novembro de 1976 e 27 de Maio de 1977, decorreram 27 semanas durante as quais o psicólogo se dedicou à modificação do comportamento e realizou um trabalho de terapia com esta criança, em princípio, para ajudar a professora de integração.
No entanto, esta trabalhou na totalidade somente 20 horas sem comunicar com o psicólogo e com uma actuação pouco adequada em relação aos problemas específicos que deveriam ter sido enfrentados concertadamente pelo psicólogo e pela professora.

O psicólogo executou o seu trabalho com o Álvaro em casa do próprio, ajudado em parte pelos pais, com o intuito de não deixar fugir a oportunidade de uma experiência que avalizasse e garantisse a possibilidade de instituir uma forma de actuação simples, expedita, económica e eficaz, em que os pais também ficariam envolvidos para aumentar e potencializar os resultados.
Afinal, com a conclusão da experiência, os pais podiam continuar a utilizar futuramente a prática obtida com a reeducação do filho.
Interessava realizar este estudo com o intuito de determinar se valia a pena conduzir em seguida uma experiência de reeducação de uma dezena de crianças na qual os pais também seriam envolvidos como co-terapeutas ou co-reeducadores.
− Se não se realizasse esta experiência piloto, de que maneira se poderia avaliar a importância que o ambiente social tem na manutenção do estado de «deficiência» em que muitas das crianças se encontram?
− Como se poderia descobrir o modo mais eficaz e económico de minimizar essas deficiências que se mantêm, às vezes, com o conhecimento e complacência das Entidades Oficiais e sem os próprios pais ou educadores colaborarem em todo este processo?

Descreve-se seguidamente o resultado do trabalho realizado pelo psicólogo durante cerca de 70 horas, em sessões médias de 1 hora, duas a três vezes por semana e no qual os pais colaboraram cerca de 100 horas.
Como primeira avaliação dos resultados, verificou-se que a mãe, de quem pouca colaboração se conseguia obter, deixou de ser tão ansiosa como era no início e passou a controlar o filho, muito melhor do que a professora de integração a quem a criança nunca obedeceu por completo.

Em relação à linguagem, em que não foram especificamente treinadas determinadas palavras, utilizou-se a técnica de prompting behavior que consiste em recompensar (reforçar positivamente) com o reforço primário (comida) ou secundário (palavras de encorajamento ou demonstração de satisfação ou afecto), qualquer som vocal emitido que a criança, melhorando-o (moldagem), para poder pronunciar qualquer palavra nova (F).
Convém salientar que, com a ideia de que a sopa e as batatas fritas funcionariam como reforçadores primários válidos, a actuação do psicólogo iniciava-se pouco antes da hora do almoço, momento em que a criança deveria começar a ficar com fome.
A comida só era dada depois de a criança ter pronunciado algo de significativo para a ocasião.

No início da terapia ou reeducação, a criança só sabia dizer:
A – I – Dá – Papá – Mamã  − Popó – Bom − Olha − Minha − Amanhã
 
Tendo o pai funcionado como avaliador da correcção da pronúncia da criança, numa escala de 7 pontos, apresentam-se a seguir as novas palavras que ela conseguiu pronunciar correctamente (com valorização 7) ao fim de um treino de:

  • 7 (sete) semanas:

E, U, AA, EE, II, OO, UU, Pó, Pia, Av

  • 11 (onze) semanas:

O

  • 21 (vinte e uma) semanas:

Bola, Bota.

  • 27 (vinte e sete) semanas:

Porta.

Além destas palavras, o Álvaro já era capaz de pronunciar, com uma nota superior a 5:

Avô, Um, Cu, Ovo, Eu, Papa.

Enquanto na 1ª semana o Álvaro pronunciava com uma valorização de 7:

A – I – Dá – Papá – Mamã  − Popó – Bom − Olha − Minha – Amanhã

já na 7ª semana pronunciava E – U com a valorização 7

e na 21ª semana O – Bola,

além de que a palavra avô atingiu apenas a valorização 5 na 27ª semana.

Era interessante notar a satisfação no rosto do Álvaro quando dizia Cu, o que fazia pressupor que ele sabia mais ou menos o significado «social» da palavra.

Em relação aos comportamentos inadequados indicados a seguir e que era necessário «construir» de novo, para atingirem uma nota de 7 na escala anteriormente referida, temos o seguinte resultado:

  • Ao fim de 7 semanas:

▫ (A) utilizar o escorrega pequeno.

  • Ao fim de 11 semanas:

▫ (B) deixar de molhar a cama (enurésia).

  • Ao fim de 15 semanas:

▫ (C) deixar de roer as unhas (onicofagia).

 

  • Ao fim de 27 semanas, com uma nota superior a 5:

▫ (D) descer as escadas sem ajuda de outra pessoa;
▫ (E) sentar-se num muro baixo;
▫ (F) segurar a mão do acompanhante e não o empurrar na rua;
▫ (G) não implicar com as outras pessoas no jardim;
▫ (H) movimentar-se sozinho no balouço;
▫ (I) não bater nos vidros das portas, janelas, etc.;
▫ (J) brincar com outras crianças sem as maltratar;
▫ (K) conseguir brincar sozinho;
▫ (L) não se excitar demasiado com algumas brincadeiras;
▫ (M) cumprimentar as pessoas com aperto de mão sem as magoar;
▫ (N) não mexer no gravador, cassetes, etc.;
▫ (O) não acender e apagar constantemente as luzes;
▫ (P) sentar-se quieto durante mais de 5 minutos;
▫ (Q) lavar as mãos sozinho;
▫ (R) dar pequenos recados aos familiares;
▫ (S) conseguir bochechar e deitar a água fora da boca;
▫ (T) opor correctamente o polegar ao indicador da mão direita;
▫ (U) entrar sem medo no ringue de patinagem e jogar à bola dentro dele.

Nesta terapia, foram utilizadas essencialmente as técnicas de:
modeling (modelagem) fazendo com que a criança visse um modelo (outra criança ou pessoa adulta) a realizar uma tarefa que ela própria executaria a seguir. Para isso utilizaram-se cenas reais, diapositivos, gravações e alguns brinquedos;
prompting behavior, estimulando e reforçando ou recompensando imediatamente qualquer comportamento aceitável;
shaping (moldagem), reforçando positivamente os comportamentos desejáveis e reforçando negativamente, com retirada da recompensa, os comportamentos não aceitáveis. Até se utilizou o reforço vicariante, mostrando uma criança deficiente a ser positivamente reforçada quando executava aquilo que se queria que o Álvaro fizesse.

Contudo, como existiam no início hábitos muito maus, como por exemplo, o de largar a mão da mãe e fugir pelo passeio, houve necessidade de utilizar uma ligeira punição. Por exemplo, o psicólogo segurava a mão do Álvaro de modo a que este não se pudesse soltar. Ao mais pequeno indício de querer soltar a mão, o psicólogo apertava-lhe o pulso com força até que à décima tentativa o aperto passou a ser ligeiro, acompanhado de um olhar significativo do psicólogo que acenara um «não» com a cabeça. Pouco tempo depois, já nem era necessário segurar a mão mas sim orientar o Álvaro com um mexer da cabeça ou um olhar significativo com um «sim» ou um «não». Dois meses depois, Álvaro seguia pelo passeio sem agarrar a mão do psicólogo e parava logo que chegava ao fim do passeio, voltando a segurar a mão do psicólogo para atravessar a rua. O reforço positivo secundário nunca era exíguo e, às vezes, até parecia exagerado mas era do que o Álvaro gostava muito, fartando-se de rir.

Para o registo da avaliação das capacidades e do progresso, os pais utilizavam uma escala de 7 (sete) em vez de 11 (onze) pontos em impressos que podem ser inovados ou inventados de acordo com as circunstâncias (F).

Foi feita uma tentativa de treinar os pais, trabalhando em primeiro lugar com o pai e depois com a mãe. Embora este treino tenha sido incipiente e muito curto, o pai aparentou ter uma capacidade ligeiramente superior à da mãe que ficava emocionalmente envolvida em todo o processo. Contudo, apesar de não ter sido submetida a uma terapia específica, aparentou ficar menos ansiosa, além de ganhar maior controlo sobre os comportamentos do filho. A sua capacidade de ajudar a educar a criança no sentido da aprendizagem de novos comportamentos, melhorou um pouco. Contudo, esta aprendizagem que deveria ser mais prolongada e persistente, deixou de existir ao fim das 27 semanas iniciais que findaram com a época de férias. Consequentemente, deixou de haver o treino necessário para consolidar os conhecimentos adquiridos.

Enquanto as crianças «normais» têm uma interacção semanal na escola de mais de 20 horas e outras tantas com os colegas (40 horas no total), este rapaz não teve outra companhia senão a da família, excepto durante cerca de 5 horas em que esteve em interacção com o psicólogo. Contudo, poderia ter estado outras 5 horas no parque infantil quando passeava com a mãe.
Esta redução no tempo de interacção pode tornar a sua aprendizagem mais lenta do que a de outras crianças consideradas «normais», as quais também têm a vantagem de ser melhor «equipadas» orgânica a psiquicamente.

O Álvaro demonstrou grandes possibilidades de aprendizagem que poderiam ter sido desenvolvidas se fosse integrado entre outras crianças «normais» cuja companhia procurava com frequência e bastante insistência.
Depois desta experiência e da análise dos seus resultados, verificámos a grande contribuição que o meio ambiente proporciona na educação e na aprendizagem. Temos a certeza de que a contribuição do meio familiar é muito importante e pode melhorar substancialmente a aprendizagem, potenciando os resultados.

Contudo, quando chegou o momento de juntar um grupo de 10 pais que quisessem contribuir para a educação dos filhos com o trabalho de duas manhãs ou tardes por semana, foi difícil chegar a um consenso, compromisso e proposta de colaboração com o psicólogo. A experiência seguinte que se prolongaria por um ano lectivo, com dez crianças que estariam conjuntamente integradas em escolas regulares, não se realizou, por recusa de os pais colaborarem na reeducação, ficando todas elas e até o Álvaro obrigadas a frequentar escolas especiais.

Como curiosidade, alguns episódios servirão de reflexão.
▫ A mãe do Álvaro ia com ele à mercearia fazer compras. Ele costumava segurar um dos sacos que, devido à sua dificuldade de preensão, caía para o chão se não estivesse bem agarrado à mão. Se a mãe não tomasse conta da situação, o saco desprendia-se de entre os dedos. Uma vez, quando o Álvaro, viu um burro zurrar com muita força ficou a olhar para o animal, muito entusiasmado, e o saco de peixe que tinha na mão foi parar a uma sarjeta.

▫ Quando ia pela rua, se o acompanhante não lhe agarasse a mão, era difícil que ele quisesse segurar a mão da mãe. Sabendo disto, o psicólogo treinou-o a andar pelo passeio sem segurar a mão e a esperar antes de atravessar a rua. O psicólogo estava sempre alerta para que, antes do fim do treino não houvesse qualquer deslize. No final, só um olhar ou uma palavra (sinal condicional) faziam com que o Álvaro parasse logo que via ou ouvia a «ordem». Porém, isto não acontecia com a mãe, na companhia de quem dava pontapés nas rodas dos carros estacionados, mexia nos retrovisores, tendo, uma vez, ficado com um deles na mão quando lhe bateu com força.

▫ Uma vez, num parque infantil acompanhado da irmã mais velha, do psicólogo e de uma criança de 12 anos que o acompanhava, o Álvaro começou a implicar com a irmã e a magoá-la com pontapés. Quando a irmã estava sentada no banco atingiu-a perto do joelho e ficou a rir-se quando a ouviu gritar. Aproximou-se depois da acompanhante do psicólogo sentada ao lado da irmã. Tentou fazer o mesmo, mas cessou imediatamente ao olhar para a cara dela e ver o seu ar reprovador. Parou, ficou a observá-la e começou a sorrir quando a viu mais satisfeita com a cessação do seu gesto.

▫ O Álvaro mexia em todos os manípulos do carro do pai. Por isso, quando viajavam, o pai sentava-se ao volante e a mãe ou a irmã seguravam o Álvaro no banco traseiro. Os cintos de segurança ainda não eram obrigatórios. O psicólogo resolveu levá-lo no seu carro. Começou primeiro por treiná-lo a aproximar-se do carro e a não mexer no manípulo da porta. Seguidamente, treinou-o a abrir a porta e a sentar-se no assento da frente só quando o psicólogo lhe dissesse. Em seguida, foi treinado a não mexer em qualquer alavanca, manípulo ou instrumento do carro ou do tablier. Só saía do carro quando o psicólogo dizia. Depois disso, o psicólogo fez algumas viagens sem quaisquer incidentes ou «maus comportamentos» do Álvaro que o acompanhou, sentado no banco da frente. Ao ver a criança comportar-se assim com o psicólogo, o pai resolveu fazer uma viagem no seu carro, ficando o Álvaro sentado no banco traseiro com a mãe, mas sem ela se preocupar em o segurar, como fazia normalmente. Na primeira curva mais acentuada, o rapaz, que não estava a ser segurado pela mãe, deitou a mão à alavanca de mudanças e provocou um acidente fazendo com que o carro a embatesse num muro.

No início da experiência agora descrita com algum pormenor, a nossa aposta tinha sido a de fazer com que dentro de quatro a seis anos o Álvaro pudesse ajudar o pai numa papelaria, tabacaria ou quiosque de jornais que o pai pensava instalar quando passasse à reforma. Porém, passados dez anos, vimos o Álvaro sentado à varanda da sua casa, a balançar-se em movimentos ritmados e repetitivos enquanto proferia alguns sons sem nexo. Já tinha um corpanzil bastante avantajado mas supomos que deveria ter menos capacidades e aptidão de interacção social do que aquelas que adquirira no final da curta experiência de 27 semanas de condicionamento operante.
Se os pais do Álvaro tivessem colaborado melhor e motivado os pais das outras crianças a fazer o mesmo, conduzindo uma experiência que seria proveitosa para muitos, a situação dele seria, actualmente, a que nós observámos?

Mesmo naquela época, já havia um subsídio não oficial para a realização da experiência durante um ano!
− E as outras crianças intervenientes nesse processo ganhariam alguma coisa?
Foi uma resposta que não conseguimos obter mas que cada um pode imaginar ao seu gosto.
Pela nossa experiência, parece que propostas sérias nunca tem um fim feliz, pelo menos no nosso país!

Este caso, filmado com a concordância dos pais para poderem ser devidamente orientados, apresentado no World Congress on Future Special Education, em Stirling, na Escócia, em 1978, despertou a curiosidade de muitos participantes, especialmente dos brasileiros, já que o apresentador era português e podia dar-lhes algumas informações mais precisas sobre este assunto.
Presentemente, parece que, em Portugal, ainda não se deu conta das técnicas que podem ser utilizadas até com os autistas.
Contudo, de vez em quando surgem especialistas americanos a dizer como é que se faz, mas parece que tudo fica na mesma.”

 

Senhor comentador anónimo
Tendo acabado de transcrever o (extenso) capítulo do referido livro, posso dizer que apresentar as coisas de forma superficial de modo que «agradem» a certas pessoas e aumentem a venda das revistas, acho não ser adequado, porque podem conter meias verdades ou muitas inexactidões.  Fi-lo com gosto, voluntariamente e com agrado, tendo começado logo depois de dar a resposta para o terminar só agora, esperando que possa ser útil pelo menos para si …. e talvez mais alguém?
Bem bastam as informações difundidas pela IURD na Folha de Portugal…
Quem não estiver interessado em ler artigos extensos, pode deixar de o fazer e até não consultar os links, perdendo alguma informação relevante.
Apetece perguntar qual a razão de se apresentarem espectáculos pouco elucidativos e menos educativos ainda, como os da SUPERNANNY e outros similares?
Será porque são estrangeiros e o que se faz «lá fora» é bom?
A «pomposidade» da orientadora desse espectáculo seria adequada?
Agora, não seria bom fazer um «seguimento» (ou follow-up) da situação e saber de que modo funciona essa família? 
E a «prescrição de livros» em casos de depressão, etc. servirá para alguma coisa?
Que responda quem quiser e souber!

 

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Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

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TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia

PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

RESPOSTA – 53

O seu post é muito interessante e compreendi-o muito bem.
Tenho muitos amigos que estão na mesma fase de vida do que eu (pais recentemente), e vou procurar divulgar a informação porque espero que sejam tão interessados como eu…
Gostava de lhe perguntar se não pensa em realizar uma palestra sobre o assunto (educação dos filhos).
Estou interessado!
As novas alterações ao livro “Joana”, são suficientes para justificar da minha parte a sua aquisição?
Tenho o livro anterior.
TL

Face a este comentário feito no post A Propósito – 2, o qual agradeço imenso, a minha resposta é a seguinte:

 

Ψ Se tem o livro anterior, o actual vai incluir algumas alterações e mais esclarecimentos, mas a sua essência não mudou.

Ψ Se se quiser certificar, vê os diversos posts publicados neste blog relacionados com o livro e vai verificar que o conteúdo principal é o mesmo.

Ψ Julgo que este livro é muitíssimo importante não só para os pais poderem educar devidamente os filhos, sem «embarcar» nas muitas falácias que se propagandeiam na comunicação social e até em vários livros, mas ainda para prevenir futuros desequilíbrios psicológicos e ajudar o bom desenvolvimento da personalidade, com uma interacção familiar e social satisfatória.

Ψ Se consultar o índice do livro e até um dos posts dedicados ao mesmo, vai verificar que é importante as pessoas tomarem conhecimento dos diversos mecanismos e forças que influenciam o comportamento humano.
É uma abordagem científica apresentada em linguagem muito simples, com exemplos do dia-a-dia e da vida prática de qualquer de nós, sem haver a limitação à utilização restrita do significado etimológico de cada um dos termos.
O importante é apreender o conceito de cada termo para o aproveitar com oportunidade, utilizando com eficácia as técnicas necessárias, a fim de obter o resultado pretendido.

Ψ Aproveitando a experiência de mais de 10 anos de consultas a centenas de pais e crianças, a mesma foi transformada numa história ficcionada duma criança que foi apoiada mais amiudadamente do que muitas outras, porque o problema principal  dela (efeito), eram os comportamentos díspares e inadequados dos pais (causa).
Parece-me que é quase o contrário do que foi apresentado (muito mal, na minha opinião) na SUPERNANNY.

Ψ Acerca disso, custa-me aceitar que fiquemos indiscriminadamente «encantados» com tudo o que vem «de fora», quando muito mais do que isso já cá tínhamos há muito, em melhores condições, e que também se comece a imitar tudo muito mal, sem ter a noção das consequências nefastas que isso possa provocar.

Ψ Estou a falar também na apresentação da «prescrição de livros» nos princípios deste século, no País de Gales, quando isso já se fazia cá a partir de 1980, só com apontamentos policopiados que deram origem ao livro da JOANA assim como a:
«SAÚDE MENTAL sem psicopatologia»
«PSICOLOGIA PARA TODOS»
«INTERACÇÃO SOCIAL»

Ψ O pior de tudo, é que se utilizam muito mal essas experiências e informações estrangeiras, deturpando o seu sentido verdadeiro para servirem apenas como proveito pessoal.

Ψ É exactamente isso que eu não quero fazer com as palestras.
Se elas fossem promovidas por mim, teria de as publicitar e «encantar» as pessoas com as mesmas, tal como o Calcitrim, podendo ser desnecessárias para algumas pessoas.
Se forem as pessoas necessitadas ou interessadas a promover essas palestras, estou pronto para colaborar com aquilo que é da minha especialidade.
Os interessados podem-se reunir e promover aquilo que desejarem, porque reuniões de 3 ou 4 horas devem servir para esclarecer muitas dúvidas e imprecisões de 30 ou mais pessoas ao mesmo tempo.
Já me aconteceu isso no Hospital de Vila Franca de Xira, há dezenas de anos.
Aliás, essas dúvidas sempre existirão e necessitarão de muitas consultas individuais feitas com tempo limitado (e talvez sem direito e perguntas excessivas).
É muito mais vantajoso fazer consultas conjuntas porque, além de muitíssimo mais económico, as outras pessoas podem ter dúvidas que serão esclarecidas, deixando os restantes participantes mais preparados para o futuro → prevenção e profilaxia em acção.

Ψ Contudo, para que tudo isso se possa concretizar, é necessário que os participantes leiam e compreendem aquilo que está exemplificado no livro da JOANA a fim de poderem solicitar, nessas reuniões, os esclarecimentos necessários.
São as noções mais básicas que podem ocasionar dúvidas, que podem ser clarificadas e melhor explanadas nas palestras e sem as quais poderemos situar-nos apenas no reino das ilusões e dos conceitos morais ou éticos.

Ψ Nessas reuniões, além de esclarecer certas dúvidas e imprecisões, é possível abordar diversas outras dificuldades como as fobias, depressões, obesidade, outros desequilíbrios psicológicos, apoio psicopedagógico, dificuldades de interacção social ou necessidades de desenvolvimento pessoal, sem ser em forma de «receitas» que se costuma apresentar em muitos cursos de formação.

Ψ É por esse motivo que a colecção de BIBLIOTERAPIA, com os seus 18 livros, além da teoria e prática exposta, foi reorganizada e acrescentada com «casos» que foram resolvidos obtendo bons resultados («Calimero»), exemplificando também de que modo o meio ambiente é importante para a modificação do comportamento.
Esses exemplos podem ser seguidos, devidamente adaptados para cada um.
É o que o medicamento não pode fazer e os especialistas mais experientes e honestos explicam as razões, recomendando uma abordagem diferente em que o próprio «paciente» é o elemento mais importante.

Ψ Sintetizando o que ficou explanado, parece que se pode chegar à conclusão de que a prevenção é melhor do que uma má tentativa de resolução depois de o mal estar instalado, ocasionando muitos prejuízos, com resultados desagradáveis ou desastrosos.
Não é por acaso que se fala agora mais nos tiroteios, assassinatos, depressõessequestros, maus tratos, assédios, etc. quando a própria «civilização» nos deveria enveredar por um caminho diferente.

Ψ Por acaso, para as pessoas «menos preparadas» ou «mais desiludidas com a família», os vários filmes e modelos apresentados nos meios de comunicação social, não serão um forte motivo e modelo para se fazer uma aprendizagem social que pode proporcionar reforço vicariante, transformado em reforço secundário negativo, conduzindo muitos indivíduos a um comportamento descontrolado?
É bom pensar nisso e agir enquanto é tempo.

Ψ É por este motivo que a minha preocupação de apresentar os 18 livros da colecção, em impressão digital e tiragem reduzida, irá continuar à medida das minhas possibilidades e da aceitação pelos interessados, sem os entregar a outras editoras, ficando eu sempre disponível para os actualizar.

Ψ É por este motivo que estou a tentar disponibilizar o livro da JOANA por 23.00€ com uma inscrição para  pedido atempado e um pagamento antecipado, quando o seu preço, depois de publicado, terá de ser 35.00€.
Os modos de actuação ou procedimentos necessários para essa inscrição estão explícitos no link do livro, a fim de cada um poder resolver o que desejar depois de o consultar com cuidado.

Ψ Começando as palestras com base neste livro, muitas coisas mais se poderão fazer, tal como aconteceu com o Júlio, cuja história será publicado em seguida para ajudar as pessoas a evitar ou reduzir os desequilíbrios psicológicos, especialmente os da depressão, que abundam agora em todo o mundo «civilizado».
É um exemplo que pode ser seguido por muitos, porque o seu «caso» ficou resolvido com duas sessões de meia hora em ambiente hospitalar e cerca de 60 horas de «conversa» e experiências de hipnose e autohipnose em 19 tardes, no decurso de 8 semanas, à mesa de um velho café em Lisboa, só com o apoio de apontamentos policopiados que deram origem a vários livros da nova colecção.
Se assim não fosse, ele teria de pagar 122 consultas ou períodos de picoterapia, apesar do apoio desses apontamentos (ou livros?), porque, sem esse apoio, o tempo de terapia seria mais do que o dobro.
Afinal, as «conversas» mantidas com ele durante cerca de dois terços desse tempo, podem ser em palestras com muitas mais pessoas.
Só o resto do tempo teria de ser individual.
O grande mal dele (efeito) era ter-se sentido «desterrado», em Lisboa, longe da família entre os 10 e os 16 anos (causa), para prosseguir os seus estudos, que não poderiam ser na sua terra natal.

Ψ Como última informação ou advertência posso dizer que em casos de desequilíbrio psicológico ou necessidade de melhor desenvolvimento pessoal, ir a um curandeiro ou até ao psiquiatra ou psicólogo e solicitar que ponham o transviado «em ordem» será totalmente irrealista e impossível se a «cabeça do próprio» não colaborar e também o ambiente não se modificar.
Todos nós nos influenciamos uns aos outros → De que modo? Com que intensidade? Em que direcção? Quando? Com que finalidade?

Ψ Tudo isso pode ser esclarecido nas palestras que se podem ter em ambiente descontraído.
É por isso que os participantes devem estar antecipadamente esclarecidos, sendo muito importante que consultem todos os links que foram apresentados e façam leituras complementares.

Ψ Para orientar os interessados sem as palestras, ou até antes das mesmas, existem agora os livros «PSICOTERAPIA… através de LIVROS...» (R) que pode orientar as leituras, «BIBLIOTERAPIA» (Q) que indica que o objectivo fundamental é ajudar as pessoas a ultrapassar dificuldades e «AUTO{psico}TERAPIA» (P) que apresenta um conjunto de procedimentos para que cada um possa realizar a maior parte das tarefas que se conseguem fazer em casa, à hora de dormir e que num consultório ocasionariam incómodos, gastos de tempo e despesas desnecessárias.

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Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

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A PROPÓSITO – 3

Faço este post de muito boa vontade porque acho que os amigos da página de BIBLIOTERAPIA, que vão aumentando à medida que o tempo passa,  merecem que se apresente continuamente, actualizados e com todas as informações possíveis, um em cada dia, os antigos posts publicados nos blogs
Psicologia Para Todos do blogspot.com e, posteriormente,
Psicologia Para Todos do wordpress.com, do mesmo modo como tem acontecido até agora na
página do Centro De Psicologia Clínica, do facebook.

Nesses artigos, escritos essencialmente a pedido de vários interessados, para responder às suas dúvidas, perguntas ou comentários, estamos a tentar dar, em linguagem simples, uma ideia realista, acessível e prática da Psicologia ou Ciência do Comportamento a fim de que «casos» como os apresentados na Supernanny não se repitam, tendo sido preferível que nunca existissem. Como?

Para isso, estamos a reorganizar o livro da JOANA, a traquina ou simplesmente criança? (D), um «caso» real, mas que foi ficcionado para englobar muitos aspectos do comportamento humano com que foi necessário lidar com inúmeras famílias, em muito mais de que 10 anos de consultas a crianças e pais.

Serve também para exemplificar que até uma criança com cerca de 8 anos, bem treinada, pode utilizar com objectividade e bom senso, num sentido humanista, democrático e de respeito pelo próximo, muitas das técnicas de modificação do comportamento que tinham sido utilizadas com ela para acabar com as suas «birras», ajudando os pais a se «re-unirem» em vez de continuarem «des-unidos» por causa da sua EDUCAÇÃO.

A Psicologia, desde que bem compreendida e utilizada com bom senso e pragmatismo, serve muitíssimo bem para melhorar a vida dos seres animados.

É nesse sentido que foi constituída e reorganizada a colecção dos 18 livros da BIBLIOTERAPIA que serão publicados aos poucos e à medida que haja interesse dos seus utilizadores, com a possibilidade de se fazerem palestras explicativas sobre a utilização e aproveitamento correcto, restrito e adequado dos diversos livros nela incluídos.

A propósito e mesmo a propósito, a Psicologia é muito necessária na abordagem social porque podemos cair numa esparrela como me ia acontecendo.
Há dias, quando íamos buscar o almoço, dois indivíduos que iam num carro escuro, tipo station, abordaram-nos tendo um deles perguntado se já não o conhecia.
O que estava do nosso lado, disse à minha mulher que era filho do Aniceto, um primo que não víamos há muitos anos.
Como já tinham passado mais de 30 anos, a minha mulher disse que não o conseguia reconhecer e perguntou se era Fernandes.
Quando ele disse que sim e começamos a falar, ele ofereceu uma caixa com um objecto que parecia um relógio.
Disse que era para ela e não para mim e pediu que não deixássemos de passar pela sua nova loja que ficaria situada junto do Banco Santander, em Mem Martins.
Fiquei a olhar para a sua fisionomia e devo ter feito algum gesto de espanto que não deve ter passado despercebido à minha mulher.
Enquanto isso, ele debruçou-se para dentro do carro e pegou em mais uma caixa, no momento em que chegou outro carro que necessitava de passar e eles tiveram de se afastar um pouco para lhe dar passagem.
Nesse momento, lembrando-se duma cena muito semelhante que se tinha passado connosco há mais de uma dezena de anos em Lagos, a minha mulher adiantou-se subitamente para o carro e devolveu a caixa dizendo que não o reconhecia.
Os homens foram-se embora rapidamente sem termos tido a ideia de anotar a matrícula da viatura.
Logo que eles se foram embora, um senhor aproximou-se de nós muito apressadamente para perguntar se tínhamos comprado alguma coisa deles.
Sabendo que não, parece que suspirou de alívio e explicou que duas pessoas das redondezas tinham sido burladas em moldes semelhantes.
Quando chegamos ao café para adquirir comida para o almoço, também nos disseram que já mais pessoas tinham sido burladas.

Ψ Como psicólogo, em vez de «largar bocas» para os outros, eu devia ter tido o cuidado de escrutinar a identidade do sujeito, não deixando que a amígdala desse uma resposta emocional (A), tanto mais que já tínhamos tido uma experiência semelhante há uma dezena de anos.
Nessa ocasião, quando saíamos de casa para nos aproximarmos da nossa viatura, em Lagos, um senhor que se movimentava numa viatura muito parecida com aquela com que um pessoa conhecida vinha para a nossa casa e ia visitar o filho, na Amadora, aproximou-se de mim e cumprimentou-me com satisfação.
Como já não o via há uma dezena de anos, também me aproximei dele por delicadeza e disse: “Sr. Arsénio, até parece mais jovem” ao que ele respondeu:
− “Sou o filho”. Não se lembra? Eu vinha cá de vez em quando com o meu pai − e a conversa continuou:
− Não estava na Amadora?
Agora já estou aqui. Vou abrir uma loja perto da Caixa Geral de Depósitos.
Depois disso, deu-me uma caixa com um relógio e antes que eu me fosse embora, pediu que lhe emprestasse 150.00€ porque estava no começo do novo negócio.
Como julguei que era filho dessa pessoa amiga minha conhecida e não muito abastada e o filho necessitava de ajuda, emprestei-lhe o que pedia e fui-me embora dizendo que não podia ficar com mais nada do que ele me queria oferecer.
Quando regressei a casa, telefonei ao pai dele para saber como estava e pedi notícias do filho, felicitando-o por já o ter ao pé de si e a quem tinha emprestado 150.00€.
Quando lhe expliquei o que se tinha passado, fiquei a saber que tinha sido burlado, porque o filho da Amadora continuava lá, bem colocado e sem ideias de regressar a Lagos.
Fomos imediatamente à Polícia relatar o acontecimento mas, apesar de tentar reconhecer algumas fotografias de pessoas parecidas, não descobrimos nenhuma semelhante, nem carros utilizados para essas burlas.

Ψ Este acontecimento devia ter-me «vacinado» para futuros eventos em que, por «minha culpa», tinha confundido o sujeito que me abordou, como filho duma pessoa conhecida, «facilitando-lhe» a sua actuação fraudulenta.
Do modo como tudo aconteceu, a aprendizagem anterior não serviu para muito, porque nunca mais me lembrei desse acontecimento, quer acordado, quer a dormir.

Ψ É para isso que serve a Imaginação Orientada (IO) ajudando a entrar em relaxamento mental para analisar as situações vividas e verificar a sua correcção, aproveitando-as para emendar o que estiver mal.

  • A minha mulher não devia ter secundado a informação inicial dele com uma pergunta «Fernandes» (filho do Aniceto Fernandes?).
  • Até certo ponto, podia e devia ter perguntado “Aniceto Rodrigues?” e, com uma provável resposta afirmativa, saberia de imediato que era uma burla.
  • Se a resposta fosse negativa, tinha a obrigação de pedir mais informações sobre o percurso de vida do pai e do filho, já que não os via há mais de 30 anos, nem tinha conhecimento das suas actividades.
  • Qualquer de nós devia ter tomado nota da cor da viatura, da sua matrícula e, possivelmente, da fisionomia dos sujeitos.

Ψ No fim do episódio, exclamei para mim próprio
Que burro que eu fui, sem ofensa para os burros! Digo aos outros e não pratico!
E lembrei-me do ditado: “Faz o que eu digo e não faças o que eu faço!
Se não nos mantivermos precavidos contra estes contratempos, não seremos assolados apenas pela má governação, nepotismo e corrupção, mas ainda pelos delinquentes que começam a abundar por estas terras….
Os conhecimentos de Psicologia servem para isso e eu deveria ter feito imediatamente um relaxamento instantâneo (P) para aclarar as ideias, sem me deixar avassalar subitamente pelas boas recordações que tinha desse parente!

Ψ Com isso, o que teria acontecido, era a mente ir buscar as recordações ao hipocampo e reagir em conformidade, não deixando que a amígdala reagisse de imediato sem recorrer ao armazém das recordações vividas e analisadas anteriormente num processo de aprendizagem bem feito e que faz muita falta (F) (K).
Espero que não tenha mais surpresas do género!

Ψ Para isso, nas  noites seguintes, fui revendo todos os pormenores dos dois episódios para verificar de que modo poderia ter agido, não só para me defender, mas ainda para dar à Polícia os dados necessários para a execução da sua tarefa de salvaguardar o bem público.

Ψ Prevenir é sempre melhor do que remediar, sem termos de colocar trancas na porta depois de roubados.

Ψ Este episódio incitou-me ainda mais a verificar e a finalizar o original da JOANA, em que se explana de maneira muito simples, o modo como a Psicologia pode ser utilizada proveiotosamente na nossa vida do dia-a-dia, de forma prática, sabendo aquilo que se deve fazer,  como, quando, porquê e com que finalidade e resultados, porque os livros com os «casos» de Antunes, Cidália, Júlio, Joel, Isilda, «nova paciente», Cristina, Germana e Januário  servem para exemplificar o modo como cada um deles utilizou esses conhecimentos autonomamente ou com ligeira ajuda especializada.
Também os «casos» de «Mijão, «Calimero», Perfeccionista» e «Pasteleiro» servem para demonstrar quais os prejuizos que podem ser ocasionados pelos medicamentos ou quando o apoio não é dado em tempo devido e com competência, ou existem ambientes familiares que desajudam e prejudicam o bom andamento de todo o processo de recuperação.

Ψ Por este motivo, a partir de agora, a página da Biblioterapia vai passar a ter um post em cada dia, reavivando as memórias do que foi feito desde 2009 no blog e que estamos a manter para dar as informações possíveis e ao nosso alcance, indicando os livros que podem ser consultados para o efeito.

 

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