PSICOLOGIA PARA TODOS

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Archive for the month “Março, 2018”

CONVERSA ENTRE AMIGOS – 12

Quando, há dias, dava o meu passeio habitual, o Sr. Felício aproximou-se de mim apressadamente, acompanhado de outra pessoa.
Vieram ao meu encontro e disseram que não compreendiam a razão da minha insistência nas palestras.
– Se achava que as palestras eram boas, qual a razão de eu não as promover?
– Se tudo isso já tinha sido proposto, em 2015, à Câmara Municipal de Sintra, qual a razão de a própria entidade pública não promover essas reuniões para os interessados?

Expliquei-lhe que, quanto à última pergunta, a Câmara tinha-me dito que estava tudo resolvido e que a saúde mental estava bem entregue aos profissionais do sector, nada pretendendo fazer contra ou além disso.
As palestras promovidas por mim, tinham de juntar público e, para isso, eu teria de as promover com anúncios e outras formas de publicidade, comportando despesas a serem ressarcidas pelos participantes.
Isso podia induzir pessoas não interessadas no assunto, a assistir às mesmas, ocasionando-lhes despesas inúteis, assim como no Calcitrim e outros produtos, quase «milagrosos», como colchões, tachos, etc., que abundam nos anúncios das televisões.

O que mais me interessa é que as pessoas necessitando de apoio psicológico se juntem e, sem qualquer promoção ou publicidade, tentem organizar esses encontros, que serão benéficos e proveitosos para evitar quaisquer percalços futuros em desequilíbrios comportamentais.
Exemplos não faltam, com as constantes notícias de casos e pessoas com problemas mentais.
Em vez de nos precavermos contra isso, vamos tentando «apagar o fogo» depois dos estragos causados, às vezes, irremediáveis.

Como eles tinham muita pressa em chegar ao emprego e não podíamos conversar mais, comprometi-me, logo que chegasse a casa e tivesse tempo e paciência para isso, transcrever algumas experiências ocorridas em várias aulas de Psicologia e Psicopatologia dadas a enfermeiros, apenas do Hospital de Vila Franca de Xira, há mais de três dezenas de anos.
Todos os alunos, geralmente da minha idade ou mais velhos, não acreditavam na Psicologia, dizendo que servia para ouvir umas «tretas», que na vida prática não tinham qualquer utilização prática e até os médicos partilhavam da mesma ideia.
Presentemente, talvez eu diga o mesmo dos programas apresentados nas diversas televisões, a culminar com a SUPERNANNY.

Contudo, quando no final do curso foi feita a avaliação, em grupos de 4 a 6 alunos, foram ouvidas e lidas ideias muito interessantes.
Com esses excertos já publicados no blog, o Sr. Felício e outros poderiam fazer a ideia da necessidade e talvez vantagem, das palestras para pessoas que quesram estar preparadas para «aguentar» e «ultrapassar» ou até «evitar», económica e saudavelmente os dissabores da vida, que não são poucos.

Estes excertos estão apresentadas nos textos já publicados nas Respostas 17, 19, e 20, deste blog, em 2012,  sendo reproduzidos a seguir.

Parte do resultado desta actividade, avaliada e apreciada pelos diversos grupos de alunos, foi apresentada sinteticamente no livro PSICOLOGIA  PARA TODOS (F/267-268), no capítulo seguinte:

A MODIFICAÇÃO DO COMPORTAMENTO É POSSÍVEL?

    • “As constatações seguintes feitas apenas pela generalidade das 4 turmas de enfermeiros do curso de promoção no Hospital de Vila Franca de Xira em 1975/76, confirmam isso”.
    • “A Psicologia deve ser dada de forma prática, sempre em ligação com casos do dia-a-dia, não devendo a sua aprendizagem terminar com o curso de formação/promoção.”
    • “Serviu para diferenciar a Psicologia empírica da científica, utilizando esta mais sistematicamente.”
    • “As aulas de Psicologia motivaram-me bastante para a minha vida profissional.”
    • “Deu-nos a conhecer comportamentos diversos e a maneira mais fácil de nos compreendermos a nós próprios e aos outros.”
    • “Tenho aprendido a modificar-me na minha maneira de ser e estou bastante diferente na relação com as outras pessoas, no contacto diário com os outros colegas e com a própria família.”
    • “A minha maneira de ser modificou-se bastante; deixei de dizer apenas “ela fez isto desta maneira porque…” “ela pensou desta maneira porque…”.
    • Em casa, as relações com os filhos de 13 e 14 anos, são de verdadeira camaradagem. Tudo se tornou mais leve. Tive a mesma sensação de quando aprendi a nadar. Já não tenho medo de ir ao fundo.”
    • “Serviu para orientar uma pessoa de família que pela sua teimosia muito me fazia aborrecer.”
    • “Costumava gritar com o meu filho quando ele fazia qualquer coisa mal feita; hoje tento ignorar o que está mal e faço os possíveis por observar o que está bem, fazendo na altura própria um elogio ou até mesmo dando um pequeno prémio.”
    • “O meu marido disse-me que tinha ganho muito com aquilo que aprendi em Psicologia, embora eu não tenha dado conta desta modificação. A minha interacção com os colegas e chefes também mudou.”
    • “Ao chegar junto de uma pequenita de 7 anos, consigo administrar medicação intramuscular sem que ela chore.”
    • “Consegui interessar as crianças para que fizessem lembrar às professoras acerca das vacinas, das quais antigamente tinham medo.”

Como resultado destas acções, lembro-me, por acaso, de outros dois ou três casos resolvidos a contento dos interessados.

  • Num casal em que o marido, depois do jantar, deixava a esposa em casa a lavar a louça e ia tomar a bica com os amigos para regressar tarde, a mulher conseguiu que ele passasse a ficar em casa, a tomar café com ela e até a ajudá-la a enxugar a louça.
  • Uma senhora cuja filha tinha medo de galinhas, fugindo delas a sete pés, conseguiu que a criança de 7 anos, brincasse com as galinhas e até as afagasse (ver a seguir a descrição do caso).
  • Outra senhora, que tinha um sobrinho a sofrer de enurésia nocturna e usava fraldas para dormir, conseguiu que ele não necessitasse de qualquer fralda quando estava em sua casa.

Posteriormente, a mãe do mesmo rapaz, a quem chamava amorosamente «pinguim», também conseguiu isso quando assistiu às aulas de psicologia e discutiu o assunto com o psicólogo.

Em qualquer destas situações, quantas consultas de psicologia seriam necessárias para resolver o assunto? Estas situações ficaram sanadas apenas com o equivalente a uma consulta de psicologia, assistida 20 vezes num  grupo de mais 29 pessoas, durante 3 horas, em cada uma das 4 semanas que durou o respectivo curso (ou seminário? ou workshop?, como gostam de dizer agora)

Se um assunto deste tipo não ficar resolvido, diminui, pelo menos, em um terço ou mais a quantidade de consultas individuais necessárias, porque a pessoa «entrou» durante as aulas, curso ou workshop, nos mecanismos da modificação do comportamento que se devem utilizar.

Muitos desses pais, se tivessem lido um livro como o da Joana, teriam evitado pelo menos algumas consultas, visto que os casos por eles apresentados não se resolveriam em menos de 5 a 10 sessões de aconselhamento. E tiveram muita sorte porque, numa ocasião em que não havia estes livros, foi apenas possível disponibilizar-lhes alguns apontamentos policopiados sobre a modificação do comportamento.

A ideia de preparação dos livros iniciais da colecção Biblioterapia surgiu a partir desses apontamentos policopiados disponibilizados aos alunos e «encadernados» por alguns.
Além disso, muitas informações foram dadas no «Jornal de Queluz», assim como nas brochuras editadas pelo «Centro de Psicologia Clínica»,  logo de seguida, quase a partir dessa data.

Os «casos» foram sendo acrescentados mais tarde, depois da óptima experiência com o Júlio, em 1980.

A necessidade de incluir nos livros alguns termos técnicos baseia-se na economia de tempo que se consegue fazer nas consultas, reduzindo o seu número.

Com um exemplo prático, talvez se consiga compreender melhor.
Depois de dar algumas aulas sobre a modificação do comportamento, no Hospital de Vila Franca de Xira, uma enfermeira quis tentar «fazer desaparecer» ou «reduzir» o medo que a sua filha tinha das galinhas (F), visto que nem se aproximava delas.
O psicólogo disse-lhe que poderia ser utilizada a técnica de dessensibilização.
A senhora foi para casa, chamou a filha, colocou uma galinha nas mãos, fez-lhe passar a mão pelas penas e, depois de a filha ter lançado a galinha para o ar foi, muito triunfante, dizer ao psicólogo, na aula seguinte, que já tinha utilizado a técnica de dessensibilização com a filha e ela até tinha passado as mãos pelas penas da galinha.
Quando o psicólogo perguntou se a filha já se aproximava à vontade das galinhas, a resposta foi «não».
– O que a senhora fez não se insere na técnica de dessensibilização, mas aproxima-se da técnica de saciação ou flooding, muito mal feita e com possibilidades de aumentar o medo das galinhas – disse-lhe o psicólogo.
Pediu-lhe depois que lesse com cuidado os apontamentos que tinha em casa (F), compreendesse bem o significado das técnicas e, só depois, com a ajuda de mais pessoas, tentasse utilizar a técnica da saciação desde que tivesse a certeza de que a filha não conseguiria «fugir» e «livrar-se» da galinha que tinha de ficar nas suas mãos.
Além disso, a filha, com a galinha nas mãos, devia estar completamente à vontade.
Como era sexta-feira, tinha alguns dias para fazer com que a filha repetisse mais vezes esse procedimento a fim de consolidar a aprendizagem.
Se a filha conseguisse fugir da galinha, poderia ter reforço secundário negativo aleatório, que aumentaria cada vez mais esse medo.
Na aula seguinte, na terça-feira, poderia comunicar o resultado das suas experiências.
Assim, tanto o psicólogo como o resto dos alunos ficariam a saber se a técnica da saciação tinha sido bem-sucedida.

Se não fosse a utilização dos termos técnicos – desensibilizaçãosaciaçãoreforço secundário negativo aleatório – com uma pessoa leiga na matéria da modificação do comportamento, quantas palavras e quanto tempo seria necessário despender para explicar um procedimento que deu resultado, mas que talvez necessitasse de intervenção dum psicólogo durante mais de 3 ou 4 sessões, talvez indo à casa do paciente?

O mesmo acontece com outros pais que vão à consulta do psicólogo para ouvirem «conselhos», que se podem dar em público.

A indicação da bibliografia adequada ou de «casos» entre parêntesis (ver…), muitas vezes, com a indicação da publicação apropriada com uma letra, por exemplo (F), destina-se a tornar os procedimentos compreensíveis e facilmente consultáveis nas respectivas publicações.
Economiza-se em tempo, dinheiro, comodidade e eficácia.

Também, quem quiser saber utilizar esses procedimentos, pode assistir a sessões em que, em cerca de 12 horas e com a ajuda de vários livros, pode evitar muitas consultas de psicologia para a resolução de um caso simples que exigiria várias horas de terapia.

Depois de apresentar estes testemunhos, acho que cada um deve ponderar e avaliar as suas necessidades e resolver aquilo que desejar.

Existem muitas colectividades que podem fazer aquilo que é proveitoso, pelo menos, para os seus associados, como aconteceu com a Euterpe Alhandrense, logo depois desses cursos.
Esses enfermeitos quiseram que os filhos tivessem esses conhecimentos, embora só com apontamentos policopiados que existiam nesse tempo.

A ideia da preparação dos livros e do seu acrescento com «casos», foi-se tornando cada vez mais incisiva, a partir das diversas experiências clínicas ao longo de muitos anos de prática, o que ajudou a promover a AUTO{psico}TERAPIA experimentada pelo Antunes e descrita no seu livro, o qual indica os males ou os efeitos secundários ou danos colaterais que podem ser causados a outras pessoas e até na própria família.

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