PSICOLOGIA PARA TODOS

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Archive for the month “Julho, 2018”

CONVERSA ENTRE AMIGOS – 16

Um amigo meu aproximou-se de mim, acompanhado de outra pessoa e disse que ela desejava falar comigo porque estava interessada em promover uma pequena palestra para professores e bibliotecários e sabia três coisas a meu respeito:

  1. Eu estava a intervir no facebook e a manter dois blogs, um relacionado com «Psicologia Para Todos» e outro, relacionado com «Biblioterapia».
  2. Eu tinha sido conservador interino da Biblioteca Nacional de Goa, entre os anos 1954 e 1957, antes de vir para Portugal, para ingressar na Força Aérea.
  3. Eu gostava de falar e conversar sobre assuntos de Psicologia e formas de motivação, facto que tinha sido evidenciado nos últimos anos em que estivera a dar aulas de Psicologia Organizacional, no ISMAT, em Portimão.

Dizia ela que no dia 23 de Outubro, dedicado às Bibliotecas, desejavam promover diversas palestras de cerca de 25 minutos cada, em que uma delas deveria destinar-se à Biblioterapia, o que faria com que as pessoas, especialmente alunos das escolas, começassem a gostar de ler.
Se eu tivesse tempo, pediam-me que fossemos sentar à mesa dum café próximo pouco frequentado, para estarmos mais confortáveis e à vontade.

Como tinha tempo disponível, quando ouvi o seu pedido, tive de explicar que Biblioterapia é um modo de utilizar os livros (Biblio) para se fazer um tratamento, como já tinha explicado várias vezes no blog.
Aquilo que ela desejava era que os alunos (ou não) gostassem de ler e isto seria Bibliofilia e não Biblioterapia.
O tratamento, através de Biblioterapia de que falo muitas vezes, relaciona-se com desequilíbrios psicológicos, enquadrando-se na psicoterapia.
Pode também relacionar-se com o apoio escolar ou académico, isto é, psicopedagogia.
Também se podem utilizar os livros para uma pessoa aprender de ter uma melhor interacção social.
O desenvolvimento pessoal também pode ser alicerçado e aumentado com a leitura dos livros.
Contudo, em cada uma destas situações, os livros, devidamente escolhidos, são um instrumento para as acções que se desejam empreender.
Chamar biblioterapia à leitura de livros, não seria muito correcto porque é um instrumento.
O mesmo pode acontecer com um bisturi nas mãos de um cirurgião ou um serrote e martelo nas mãos de um carpinteiro.
Nenhum destes instrumentos faz um trabalho sem a colaboração do especialista em cada ofício, nem chamamos a esse trabalho bisturioterapia, serrototerapia ou marteloterapia.

Nas circunstâncias de que estávamos a tratar, aquilo que ela desejava era que os alunos (ou não) gostassem de ler e a isso seria possível chamar instigação da motivação para ser desencadeada a Bibliofilia e não  Biblioterapia, por razões muito simples.
Para se ter o gosto pela leitura, é necessário que o livro, qualquer que seja, ocasione satisfação nesse leitor.
Essa satisfação é um sentimento que é despertado «dentro» de cada um.
A essa satisfação chamamos «reforço», em psicologia ou na ciência do comportamento.
Essa satisfação (reforço positivo) de o leitor se sentir bem com a leitura do livro, pode ser despertada com a motivação de ler e não com o livro em si.
Também pode ser despertada porque o potencial leitor se sente mal ou inferiorizado por não ter lido um determinado livro.
Esse sentimento desagradável ao qual podemos chamar punição, ocasiona frustração que desejamos evitar ou à qual desejamos escapar, tentando diminuir esse mal-estar com a leitura do livro.
Quando conseguimos isso, ficamos satisfeitos e sentimos o reforço negativo.
São dois pólos do reforço, que é sempre satisfação, um por conseguir aquilo que desejamos, obtendo reforço positivo e outro, por termos evitado ou conseguido diminuir ou fugir da situação que nos é desagradável, obtendo reforço negativo.

No livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R/11), especialmente preparado para a Feira de Saúde Mental, da Câmara Municipal de em Sintra, em princípios deste ano, julgo que consegui explicar o modo como, desde criança fui ganhando o gosto pela leitura que passou a ser a Bibliofilia.
Consequentemente, aprendi como uma resposta de reduzir a frustração que me era provocada pela punição ocasionada com a crítica por não ler livros.
Isso pode ter sido o início do incentivo para eu enveredar por uma técnica, que não é importada do estrangeiro, mas que «nasceu» com a minha experiência pessoal (R/17) e que se transformou em Imaginação Orientada (IO) baseada na Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA) para uma reestruturação cognitiva baseada na análise de toda a situação, destinada a uma modificação do comportamento, apoiada pela autohipnose (J).

Será possível ajudar assim os alunos ou os potenciais leitores a lerem mais?
A resposta só pode ser dada por aqueles que gerem a situação e que são os bibliotecários ou os professores.
Cada situação tem de ser examinada com cuidado, realismo e objectividade, para se avaliar os fins pretendidos, os meios disponíveis e o material com o qual se vai trabalhar: possíveis leitores.
Se esses sujeitos não tiverem apetência para a leitura o que se pode fazer?
Em Angola diziam «Patrão, cada um es como cada qual» e, por isso, há que avaliar cada situação isoladamente no contexto em que se insere, para descobrir as causas que podem fazer com que as pessoas não gostem da leitura (efeito) e, até certo ponto, gostem de outras coisas, como por exemplo, computadores e, actualmente, telemóveis.
Enquanto não se conseguir apresentar o livro como mais importante ou mais agradável do que esses «instrumentos», pouco ou nada se poderá fazer com estes potenciais futuros leitores.

Quando as duas «criaturas» que estavam à minha frente olharam para mim desconsoladas, quase a dizer que não esperavam de mim essa resposta, já que eu também tinha sido conservador da Biblioteca Nacional de Goa e conseguira aumentar o número de leitores, senti-me na necessidade de explicar como isso tinha acontecido.
A Biblioteca Nacional de Goa estava a anexada ao Instituo Vasco da Gama e o seu Presidente era o responsável máximo.
Apesar de todo o pessoal estar muito descontente por causa dos ordenados baixíssimos, eu tinha conseguido a sua melhor colaboração dando-lhes folga para trabalhos extra, a serem prestados a outras pessoas.
Como, em várias ocasiões o Presidente já tinha verificado que eu tinha conseguido que o pessoal menor (operacionais) deixasse a sala de leitura mais limpa e os livros devidamente arrumados, «embarcou» muito relutantemente no meu novo «esquema de actuação» para implementar a leitura.

Sabendo por «portas travessas» de cerca de dois ou três eventuais leitores, que muitos outros gostariam de ter revistas estrangeiras novas, especialmente a «Playboy» e estávamos a ter alguma verba para as suas assinaturas, resolvi propor a assinatura de uma revista inglesa, de outra francesa e de mais uma brasileira de maior divulgação, além da «apetecida?» «Playboy».
Como o Presidente não gostou da proposta e «torceu o nariz», perguntei-lhe: − “Doutor. Quer ou não quer aumentar o número de leitores, já que agora até vamos ser o 13º a beneficiar do Depósito Legal? A seguir vai ser a Biblioteca de Macau e até vamos ser ultrapassados por eles!
O meu «argumento» era forte e, como ele já estava a ter bastante confiança em mim, ficou na dúvida durante algum tempo mas depois concordou dizendo:
Veja lá o que é que você vai fazer! – ao que respondi: − Tenha confiança que vou controlar a situação.

Chegadas as revistas assinadas, essa revista foi posta bem à vista, o que chamou a atenção dos que lá iam e, passados dois dias, vários jovens dirigiram-se para a sala, tentando ficar mais do que dois na mesma mesa.
O pessoal da biblioteca, que já se dava muito bem comigo, foi devidamente industriado para que não deixasse mais do que as «normais» duas pessoas na mesma mesa, mantendo o silêncio necessário.
Enquanto uns viam a revista, ou outros teriam de esperar pela sua vez e, entretanto, podeam ir lendo qualquer outra coisa, porque o pessoal já estava esclarecido para fornecer ou sugerir (incentivo, estímulo), indicando-lhes os livros que poderiam ser «mais agradáveis» para esses leitores.
Começou a «surgir» em pouco tempo mais gente a dirigir-se à Biblioteca, ficando à espera da sua vez de ver a «Playboy», enquanto lia qualquer outro livro ao seu gosto.
Os livros tinham de ser lidos na sala, visto que não podiam sair da mesma a não ser com requisição de um dos 13 sócios do Instituto ou de pessoal credenciado da biblioteca.
Quando o número dos leitores foi aumentando ao fim de 6 meses de experiência, as revistas «Playboy» eclipsavam-se da sala com a «justificação» de que algum sócio do Instituto as deveria ter requisitado.
Por isso, os leitores poderiam ir lendo outras coisas enquanto as revistas não regressassem nos dias seguintes.
A afluência que, no início da experiência, não excedia três leitores por dia, incluindo um advogado que era «crónico», passou a mais de 20 leitores dentro de um ano.
Quando, um dia, o advogado me perguntou qual a razão do aumento de leitores, respondi-lhe muito simplesmente:
A culpa é da «Playboy» − e quando ele me disse que a mesma não estava na sala, respondi-lhe que era por isso mesmo: era para aumentar a sua procura e a consequente apetência, forçada ou não, para a leitura de outros livros.

Olhando para mim como se quisessem uma receita para aumentar e leitura cá no burgo, voltei a reiterar que não se podem «dar receitas» sem compreender bem o funcionamento do comportamento humano e, por isso, tinha-me empenhado bastante na reedição do livro «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» (D) que contém o resumo de centenas de consultas feitas aos pais e crianças durante muito mais de 10 anos, explicadas em linguagem simples, com exemplos práticos, da modificação do comportamento, para o público entender tudo isso e utilizar na sua vida diária, incluindo professores e bibliotecários.
Era por isso, que eu tinha tido a necessidade de transformar e ficcionar a actuação da JOANA, englobando várias Joanas e seus pais e outros familiares.
Ainda me lembro do momento em que uma colega minha, dedicada à psicanálise me disse, quando lhe ofereci o livro: “Mas isto é muito popularucho” e foi o maior elogio, ou crítica, que ela me poderia ter fazer, porque é exactamente para essas pessoas que se destina o livro.

Como os dois interlocutores ou ouvintes continuavam a olhar para mim à espera de mais informações, como nas bibliotecas existem também computadores, disse-lhes que poderiam reduzir-se os computadores, «avaria-los» tal como as revistas que não se encontravam, de vez em quando, na sala da Biblioteca da Goa e propor alternativas aos utilizadores do computador, dando-lhes livros a escolher.
Aos outros, poderiam ser aconselhados livros mais ao seu gosto mas, para isso, seria importante que alguém, tipo relações públicas ou humanas, entrasse em interacção com o público frequentador, não para lhes satisfazer a vontade, mas para os empurrar para onde se julgasse mais conveniente.
O «mendigo» do Parque Eduardo VII (D/123…) que diga como se aplica uma punição, de que maneira se ultrapassa uma frustração, como se efectua uma moldagem e se atinge um objectivo, sem qualquer violência.
Para isso é necessário saber bem, não os «significados», mas os conceitos de aprendizagem, conformismo, depressão aprendida, estímulo, frustração, incentivo, inibição e pressão social, modelagem, moldagem, motivação, punição, reforço nas suas diversas variantes, saciação e talvez mais alguns conceitos necessários para os intervenientes.

Como ainda estavam a olhar para mim à espera da pergunta que inicialmente me tinham feito, continuei.
Para se fazer uma palestra de 25 minutos destinada a professores e bibliotecários, como as pessoas «agarram-se» agora a determinados nomes e títulos, poderia abordar o tema como «BIBLIOTERAPIA ou BIBLIOFILIA?».
Seguidamente, teria de explicar que, para os que não tem o gosto pela leitura, pode-se «espicaçá-los» com o incentivo para a mesma, até através dum chamariz que lhes provoque reforço positivo.
Na situação actual em que os possíveis leitores gostam de computadores e jogos de consola e detestam os livros, seria mais plausível criar-llhes o gosto pela leitura através duma possível boa punição passível de ser evitada por eles para não entrar em frustração, com o consequente conformismo e depressão aprendida, mas com uma boa «fuga para a frente» através da leitura, ao seu gosto e, depois de obterem o reforço negativo consequente, serem moldados para leituras mais orientadas.
Explicar isso resumidamente em 25 minutos iria exigir um projector a ser utilizado com um «powerpoint» que eu poderia preparar especificamente para esta ocasião.
Foi por isso que se escreveu também o livro «Biblioterapia» (Q) que, agora, depois de muitas críticas, comentários e sugestões vai ser reeditado com maior número de páginas e muitas alterações importantes constantes na «SAÚDE MENTAL sem psicopatologia» (A).

Por exemplo, sem ser especificamente para ler livros, mas para fazer uma psicoterapia absolutamente necessária, porque se sentia mal e tinha dificuldade em lidar com as outras pessoas, a abordagem utilizada com a Cristina, (L) muito mais demorada do que em consultas vulgares, foi semelhante àquela que se pode utilizar com os «novos leitores».
Em conversas informais sociais, foram abordados temas que a ajudaram a «desbocar» as suas dificuldades e a querer fazer qualquer coisa (uma psicoterapia?) que a ajudasse a sentir-se melhor e com mais capacidade de interacção social.
Fazer tudo isso em casa do próprio, em ambiente informal, como se não fosse psicoterapia, demora uma infinidade.
Este «caso» foi descrito no livro «Como “EDUCAR” Hoje», publicado, há anos, pela Hugin.

Para os interessados não terem de apreender todos estes conceitos nos livros «PSICOLOGIA PARA TODOS» (F) e «INTERACÇÃO SOCIAL» (K), é conveniente ler pelo menos o livro da JOANA e os outros dois (R) (Q) aqui mencionados.
Quando a senhora, muito concentrada e, aparentemente ansiosa, me disse que, com o trabalho e com a lida que tinha em casa com o filho, sentia-se de vez em quando «em baixo», recomendei que lesse com cuidado o livro «AUTO{psico}TERAPIA» (P) e que praticasse de imediato o «relaxamento muscular», que fizesse e mantivesse actualizado o «registo de autoavaliações», que iniciasse também o «diário de anotações» e que avançasse também para o «relaxamento instantâneo» que poderia ser utilizado em casos de emergência.
Tudo isto se destinava a entrar facilmente no «relaxamento mental» para poder praticar, qualquer dia, a Imaginação Orientada (J) com a análise correcta da sua situação particular, sem quaisquer comprimidos, que criam dependência e se transformam facilmente em vício, degradando a saúde.

Os Professores e os Bibliotecários também podem necessitar disso, de vez em quando e é o que eu pratico sempre que necessário, além de entrar em IO, quase todas as noites, sem deixar de dormir.
Depois da prática adquirida, bastam 3 a 5 minutos.

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Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

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Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

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CONVERSA ENTRE AMIGOS – 15

Hoje de manhã, quando me dirigia para o comboio, porque tinha de tratar de assuntos urgentes em Lisboa, vi uma pessoa aproximar-se rapidamente de mim para se sentar ao meu lado.
Quando olhei para ela, o Sr. Felício cumprimentou-me e disse que estava satisfeito por me encontrar no comboio porque amanhã não teria disponibilidade de me contactar no meu passeio habitual.
Disse-me que estava confuso com o modo como o assunto das crianças «entrapadas» na gruta da Tailândia estava a ser tratado nos nossos meios de comunicação social com muita visibilidade, insistência, espectacularidade, emoção e repetição, especialmente em todos os canais da nossa televisão.
Começou assim o nosso diálogo:

 

F: − Não acha tudo isso é muito esquisito?
N: − Repare que «cada um és como cada qual», como se dizia em Angola, e os nossos meios de comunicação social dedicam-se muito a apresentar as notícias emocionalmente e a «fazer «espectáculo».
Parece ser o lema deles, porque as pessoas emocionam-se imenso e compram jornais e ouvem mais as notícias quando isso acontece.
Repare que todos os canais das televisões, especialmente nos programas de manhã e depois do almoço, baseiam-se nisso e as audiências aumentam, com apresentadores pagos a peso de ouro e comentadores que se fartam de «largar bocas», às vezes, sem qualquer sentido e credibilidade.
Mas, muita gente socorre-se dessas «verdades» e acredita nelas como se fossem credíveis.
Não acontecerá o mesmo nas muitas «religiões» ou «credos», para não dizer «seitas», que abundam não só entre nós, mas em quase todo o mundo?  

F: − Pois é. Dá que pensar. Mas no caso d as crianças?
N: − Não sei o que posso dizer sobre este assunto, porque desconheço muito daquilo que não foi difundido.
Em primeiro lugar, os responsáveis da Tailândia não difundiram muita informação e até evitaram o espectáculo de ver as crianças serem retiradas do local.
Elas foram directa e discretamente transportadas para o hospital, pronto para as receber, sem se mencionarem imediatamente os nomes dos iam sendo salvos aos poucos.
Tudo isso soube-se no fim. Porém, logo que deram pela falta das crianças, começaram as buscas, discretamente e tentaram traçar um plano para as resgatar da melhor maneira possível.
Nisso, tiveram uma ajuda discreta dos estrangeiros que as visitaram e lhes deram esperanças de serem resgatadas, logo que possível, com apoio de muitas mais pessoas especializadas.
O chefe do grupo das crianças, habituado a praticar a meditação e, provavelmente, a jejuar ou a limitar-se muito nos alimentos a ingerir, foi modelando e moldando o grupo das crianças para se «sacrificarem» e manterem toda a calma, com um dispêndio mínimo de energias.
O seu ascendente, com modelo e a simpatia dispensada, com a afiliação, que mantinha com as crianças, deu-lhe a força moral necessária para as ajudar a aguentar e superar as dificuldades que estavam a passar.
O resto, não estava nas suas mãos, porque não tinha qualquer possibilidade de tentar a saída por sua iniciativa.
Só lhes restava ficar à espera dos apoios que tinham sido quase prometidos pelo seu visitante inicial.

F: − E o resto do que se passou fora?
N: − Julgo que as autoridades tailandesas, bem apoiadas pelos australianos, que são ainda mais pragmáticos do que ingleses e que também ajudaram com os seus especialistas, fizeram um bom trabalho, sem muitas informações para o exterior, que as poderia distorcer ao gosto do informador.

F: − Falaram num prazo, mas conseguiram fazer tudo mais cedo.
N: − Parece-me muito mais sensato fazer isso do que o contrário: anunciar maravilhas e arranjar desculpas para não as cumprir, sempre por culpa dos outros, como acontece especialmente na nossa política.
Por acaso, logo após o primeiro resgate das 4 crianças, eu estava à espera que conseguissem concluir todo o trabalho até terça-feira, o mais tardar.
Não se esqueça que a bomba de água falhou cerca de uma hora antes do fim do salvamento, mas ninguém soube disso e tudo se resolveu com calma e segurança.
Julgo que isso demonstra, planeamento com alternativas, eficácia, realismo e pragmatismo.

F: − Mas a «moral» das crianças parece que se manteve bem alta.
N: − Nada melhor do que termos adultos equilibrados que nos possam dar exemplos adequados, incentivando em nós comportamentos correctos que serão depois recompensados com uma satisfação que pode ser gerada dentro de cada um: é o autorreforço.
Para isso, é necessário que cada um consiga fazer uma viagem para dentro (da cabeça) de si para recordar, analisar e rever toda a sua vida, descobrindo formas de obter modelos de comportamento ainda melhores para uma futura vida mais equilibrada.
Repare que, quando digo isto, não me estou a referir aos outros ou à ideia que os outros têm de nós ou à «imagem» que nos preocupamos em «apresentar» aos outros.

F: − Acha que a meditação foi muito importante? Quando li o Biblioterapia, pareceu-me que não a valorizava muito.
N: − De modo algum posso desvalorizar a meditação em si, tal como não desvalorizo o ioga.
Leia bem os três últimos livros:
«AUTO{psico}TERAPIA» (P)
«BIBLIOTERAPIA» (Q)
«PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R)
Vai descobrir que não só não desvalorizo qualquer destas práticas quando genuinamente praticadas – com o envolvimento da cabeça – e não apenas com as posturas corporais que são indicadas para cada caso ou com determinadas palavras ou frases que são repetidas para ajudar a aprofundar essa prática.
De modo algum posso aceitar que apenas os procedimentos, as músicas, as posturas, etc. utilizadas nas muitas instituições e grupos que dizem que praticam a Psicologia Positiva e a Mindfullness, ou qualquer outra coisa, possam produzir efeitos vantajosos para o próprio, se a cabeça de cada um não estiver englobada nisso.
Reitero esta minha afirmação constantemente nos vários posts que faço e nos livros que escrevo, porque a cabeça é o órgão principal que comanda toda a nossa actividade e põe o corpo a funcionar de acordo com as sensações, sentimentos e percepções que vai tendo e compreendendo à sua maneira.
É para isso que, depois de mais de 10 anos de consultas aos pais e crianças, insisti na re-publicação do «JOANA, a traquina ou simplesmente criança»? (D), a fim de dar amplo conhecimento do funcionamento do comportamento humano, em linguagem muito simples, com exemplos práticos do dia-a-dia.
Se não for este livro, só «PSICOLOGIA PARA TODOS» (F) e «INTERACÇÂO SOCIAL» (K) tratam destes assuntos em linguagem mais académica.
E, agora, até a Biblioterapia, depois de várias críticas, sugestões e comentários vai ser reformulado, com 152 páginas, englobando aspectos relacionados com a Psicopatologia (A) de que vale a pena tomar conhecimento
para uma melhor abordagem aos psicólogos e psiquiatras, com medicamentos que podem não ser os mais adequados, além de
viciantes.

 
F: − Quer dizer que acha bem, a abordagem feita neste caso pela Tailândia?
N: − Julgo que foi melhor do que quaisquer promessas, declarações ou opiniões que seriam, possivelmente, dadas, na nossa comunicação social.
Repare que o conhecimento da falha na bomba de despejo da água, quase no final do resgate, foi dado depois de todos estarem salvos e bem encaminhados.
No meu entender, o que interessa mais é a eficácia e não a eficiência (N) com bom aspecto, mas….

 
F: − Não estava a pensar deste modo.
N: − Infelizmente, é assim que nós funcionamos na generalidade e eu procuro afastar-me desses padrões, porque estou muito mais interessado na eficácia da utilização das técnicas e meios terapêuticos, do que em aparelhos sofisticados e técnicas espectaculares que não ajudam tanto e não deixam a pessoa com a sua possível autonomia e independência pela vida fora.
É por este motivo que tentei desenvolver desde 1974 a Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA) e, posteriormente a Imaginação Orientada (IO)(J), para dar ao próprio a possibilidade de utilizar os seus recursos pessoais em toda a psicoterapia.

F: − Obrigado por esta conversa e espero que, como sempre, a vá transformando num dos seus postes.
N: − Eu também agradeço e vou tentar fazer isso logo que chegar a casa depois dos meus afazeres cá na Baixa.
Até qualquer dia e boa leitura para todos os seus amigos.

 

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