PSICOLOGIA PARA TODOS

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Archive for the month “Agosto, 2018”

ESCLARECIMENTO – 3

Depois de receber de um anónimo o comentário seguinte:
Quando li este artigo, apeteceu-me ver o currículo do autor e verifiquei que além de manter a atividade clínica, foi docente e consultor editorial.
Isso fez-me curiosidade e gostaria de saber qual a razão de não conseguir difundir os seus livros, já que, segundo vejo no blogue «TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS», eles parecem-me bastante interessantes e agora a Biblioterapia está na moda, depois de a utilizarem no Brasil, EUA e Inglaterra.
Contudo, não sei se está a ser devidamente utilizada em psicoterapia.
O que diz quanto a isso?
achei que deveria responder com um esclarecimento que me parece importante.

Antes de tudo, deixe-me agradecer-lhe este comentário.
Seguidamente, posso dizer que também acho que a Biblioterapia está a ser utilizada para fins que não são psicoterapêuticos.
Também posso dizer que estou a rever e reorganizar livro «COMPORTAMENTO NAS ORGANIZAÇÕES» (N) que é um conjunto redesenhado de vários livros já publicados, especialmente:
«Humanismo na Gestão – eficiência e produtividade»,
«Falhas Organizacionais»,
«Marketing e Venda» e
«Sindicalismo: Que Futuro?»,

Neste contexto e na perspectiva responder ao comentário, posso dar algumas indicações relacionadas com a minha actividade de consultor editorial quando a Clássica foi adquirida e reorganizada por outra empresa, tentando melhorar a sua qualidade, especialmente com a colecção «Sociopsicologia Empresarial», que ficou a meu cargo.
Alguns desses livros, foram reeditados há pouco tempo.

Como, infelizmente, a docência que quase sempre me foi solicitada se relacionou mais com Comportamento Organizacional, o actual livro é bastante importante e posso transcrever, a seguir, as páginas 37 a 42 relacionadas com o assunto de que estamos a falar.

**********************

“Livros para o futuro

Numa empresa editorial em falência, recém-adquirida por uma outra, pensou-se reestruturar e remodelar o sector editorial de maneira a viabilizar a empresa em dificuldades e poder dar o rendimento necessário, utilizando-se para isso o fundo editorial existente que foi sendo entregue às distribuidoras, enquanto se editavam novos livros à espera de sucesso.
Elaboraram-se projectos para novas colecções e adquiriram-se os direitos de muitas obras estrangeiras mas, passado um ano, verificou-se que nem o fundo editorial se esgotava, nem as novas colecções se vendiam conforme o previsto e desejável. Por isso, contratou-se um técnico de «difusão da imagem» da editora para tentar criar maior credibilidade e aceitação públicas. Houve gastos substanciais na «promoção» de alguns livros novos com a elaboração de cartazes, anunciando concursos e a preparação de material de divulgação, junto dos livreiros, para estes motivarem os leitores.
Passado outro ano, verificou-se que as vendas baixavam.
Numa nova experiência, foi contratado um consultor de gestão que, após análise da situação, teve a preocupação fundamental de localizar e isolar devidamente as falhas organizacionais.
Como as pessoas «fazem o que fazem», em primeiro lugar e, em segundo, lidam com excepções (Mintzberg, 1979), procurou-se verificar a razão da falha nas vendas após todo o comportamento anterior. Uma análise regressiva dos comportamentos, levou ao ponto principal da nova estratégia com:

  1. a) A empresa edita livros para vender.
  2. b) Para existirem vendas é preciso que haja compradores.
  3. c) Para que existam compradores é necessário que estes tenham a necessidade específica de comprar livros.
  4. d) Para os compradores terem essa necessidade, ela deve ser internamente determinada ou fomentada por fontes externas.
  5. e) Não havendo uma necessidade interior, é imprescindível promover uma estimulação adequada para que exista esse incentivo externo.
  6. f) Desenvolvendo-se a necessidade no comprador, este deve ser conhecedor dos produtos que lhe interessam.
  7. g) Para que exista este conhecimento, é imprescindível que os produtos sejam divulgados a nível do comprador.
  8. h) Desenvolvendo-se os potenciais compradores, é necessário fornecer-lhes o produto segundo o seu gosto, nos locais mais apetecíveis e nas condições, para eles, mais adequadas.
  9. i) Para se obterem os elementos de análise e acção necessários, uma sondagem ou uma pesquisa de mercado torna-se um método de trabalho de extrema importância.

Embora a análise da situação da editora pudesse ser efectuada num gabinete, sem custos elevados a não ser o dispêndio de tempo dos técnicos existentes, a sondagem ou a pesquisa de mercado não se tornava viável por falta de verbas, já que a quase totalidade tinha sido despendida na melhoria das colecções editadas e na divulgação da imagem já efectuada.
Para não encerrar a editora, procurou-se verificar em que pontos da análise da situação tinha havido falhas.
Na alínea a) – A empresa edita livros para vender –, embora o comportamento empresarial fosse correcto, parecia não se ter definido qual o sector do público se desejava alcançar.
Na alínea b) – Para existirem vendas é preciso que haja compradores –, a falha parecia mais visível. A venda de livros de clássicos e de ficção científica tinha um público restrito. Também, as restrições na venda das traduções desta editora, em outros países de expressão portuguesa, era outra limitação de compradores.
Na alínea c) – Para que existam compradores é necessário que estes tenham a necessidade específica de comprar livros –, foi fácil verificar que, naquele momento, o público não sentia grande necessidade de adquirir livros que não fossem técnicos, de estudo, de consulta e, eventualmente, algum best-seller.
A alínea d) – Para que os compradores tenham essa necessidade, a mesma deve ser internamente determinada ou fomentada por fontes externas –, parecia ter, obviamente, uma resposta implícita: no caso concreto, essa necessidade deveria ter sido despertada antes de se lançar o livro no mercado.
Na alínea e) – Não havendo uma necessidade interior, é imprescindível que se promova uma estimulação adequada para que exista esse incentivo externo –, a constatação é negativa. Nada fora feito de concreto e adequado para provocar esta resposta.
Para preencher a alínea f) – Desenvolvendo-se a necessidade no comprador, este deve ser conhecedor dos produtos que lhe interessam –, era necessária uma acção promocional concertada, desde o início do lançamento das colecções.
Na alínea g) – Para que exista este conhecimento, é imprescindível que os produtos sejam divulgados a nível do comprador –, o erro na divulgação, só a nível do livreiro e do vendedor e não ao nível do comprador, não motivava o comprador em adquirir o que desconhecia. Também o livreiro só iria tentar vender algo com mais vantagens conseguidas com livros publicitados.
Para preencher os requisitos da alínea h) – Desenvolvendo-   -se os potenciais compradores, é necessário fornecer-lhes o produto segundo o seu gosto, nos locais mais apetecíveis e nas condições mais adequadas para eles –, era necessário saber quais as colecções de maior interesse, quais os locais de maior venda e o modo como os potenciais compradores preferiam fazer as aquisições.
Quanto à alínea i) – Para se obterem os elementos necessários, uma sondagem ou uma pesquisa do mercado torna-se um método de trabalho de extrema importância –, sem verba disponível, tentou fazer-se a pesquisa o mais economicamente possível, em alguns espaços exclusivamente livreiros, livrarias situadas em postos de viagem, centros comerciais, etc. Fez-se também uma avaliação grosseira do tipo de livro vendido, assim como do potencial cliente.

Concluída a análise, como se verificou que nada se fizera em relação às muitas falhas verificadas, um dos editores mais experiente da nova proprietária desta editora, ficou encarregado de tomar conta do sector e tentar resolver a situação da maneira mais equilibrada e económica possível.
A análise serviu para modificar muitos procedimentos antigos da editora, porque a nova proprietária, começava a ressentir-se da recessão que se avizinhava. Utilizando os recursos humanos e financeiros disponíveis e com uso muito racional do computador, um técnico começou a «trabalhar» os dados das vendas nos diversos espaços livreiros, outro executou toda a acção de promoção necessária e indispensável e um terceiro acompanhou eventualmente o consequente aumento do trabalho administrativo.
Com base nas informações obtidas, escolheram-se poucos livros, mas bons, para edições e reedições futuras. Iniciaram-se acções de lançamento, destacando-se, posteriormente, outro técnico para a promoção e contacto directo com instituições, leitores e meios de comunicação social: uma espécie de Relações Públicas. Os resultados positivos não se fizeram esperar, embora sem um aumento extraordinário nas vendas. Mas, o mais importante, foi os clientes tomarem conhecimento dos livros editados.
Deste modo, concentrando a análise e as acções posteriores nos objectivos a atingir, utilizou-se a fusão para a reestruturação do pessoal dos departamentos originais.
Com o pessoal das duas empresas, foi possível unificar os departamentos e dotá-los de meios tecnológicos e recursos humanos adequados e mais do que necessários para uma futura expansão. Conseguiu-se assim resolver uma situação que se julgava perdida.
Posteriormente, uma avaliação global mais pormenorizada das falhas anteriores da editora, entretanto «absorvida» por outra, deixou transparecer o seguinte:
◘ o gestor máximo ou «dono» da editora, achava que devia editar todos os livros que entendesse, sem se preocupar com a apetência dos leitores para esses livros, cujo preço de produção não era avaliado com antecedência;
◘ quase todos os sócios da editora tinham a mentalidade de «antigos merceeiros de aldeia», os quais se preocupavam em comprar barato para vender caro. Não havia, de facto, uma atitude empresarial orientada por objectivos e estratégias a médio e longo prazo;
◘ os gestores associados de venda de livros eram escolhidos não pela competência demonstrada mas pela amizade ou outros factores estranhos à capacidade profissional.

O exemplo desta editora obrigou a reflectir profundamente nas causas: pouca apetência para a leitura, preço exagerado dos livros para a bolsa do leitor, nível de instrução reduzido, divulgação ampla de outros entretenimentos nos meios de comunicação social, pouco tempo disponível e ainda a nossa crónica falta de hábito de leitura.
Se existe uma Associação dos Editores e Livreiros, porquê não constituir um espaço em que os livros de todos os associados sejam vendidos mais baratos e com a mesma igualdade de oportunidades? Se o Governo está interessado na promoção do livro e do nível cultural do seu povo, porquê não disponibilizar um tempo de antena adequado para a divulgação equitativa e sistemática de todos os títulos editados? Afinal, saber que livros se editam no nosso mercado é tão importante como saber que tempo irá fazer amanhã.
Assim, evitar-se-ia assim a venda de livros em supermercados vulgares, em condições precárias, em desfavor das livrarias e sem o pessoal adequado para o apoio ao consumidor.
Serviria também como um barómetro da apetência do livro pelo consumidor, evitando muitas edições idiossincráticas dos editores sem a realização de sondagens dispensáveis e a redução da falta de rendibilidade das editoras.”

**********************

Agora que a transcrição ficou feita, posso dizer que as vendas melhoraram, mas a apetência para os livros vai sendo cada vez menor, especialmente com a introdução e divulgação dos computadores, internet e outros dispositivos electrónicos que se tornam mais apetitosos, especialmente, para gente mais nova… e não só!
Embora os livros necessitem de ser publicitados ou «badalados» na comunicação social ou escritos por pessoas evidenciadas nesses meios, o meu objectivo não é esse, embora a divulgação me interesse bastante.
Eu desejo, sinceramente, que os livros sejam utilizados por quem deles possa necessitar para debelar as suas dificuldades, a fim de ajudar os outros, ou até para melhorar o seu próprio desempenho e, por isso, já fiz a minha proposta de colaboração, para quem a desejar utilizar ou aproveitar.
É por isso que não os pretendo deixar em livrarias ou entregar a uma editora.
Prefiro ser eu a controlar todo o sistema e a actualizar aquilo que for necessário, assim como aconteceu com a JOANA (D) e acontecerá com a Biblioterapia (Q) quando a mesma tiver uma 2ª edição e, eventualmente, com qualquer outro livro que terá impressão digital e tiragem muito reduzida.
Quem desejar os livros, cujos conteúdos podem ser vistos no blog respectivo, pode entrar em contacto directo comigo, de acordo com as indicações dadas e recebê-lo em casa, pelo correio, contra reembolso e sem mais portes.
Quem desejar fazer pagamentos antecipados, obtendo vantagem nos preços, também pode contactar comigo pela mesma via.
Aos comentários neste blog, já sabe que respondo, sempre que conseguir.
Tem todos os links que podem ser consultados para se ter uma visão mais abrangente da Psicologia (F) e a sua utilização na vida prática do dia-a-dia.

Também tem agora o novo livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), que orienta os que desejarem enveredar pela Biblioterapiade forma autónoma ou com pouca ajuda de especialistas.

 

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TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

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CONVERSA ENTRE AMIGOS – 18

Hoje de manhã, quando estacionei o carro depois de deixar a minha mulher na cabeleireira, o Sr. Felício, apareceu à minha frente a cumprimentou-me.
Quando lhe perguntei “Por cá?”, informou-me que, depois de ler alguns dos nossos livros, deveria imaginar que, dirigindo-me para os lados do café, mais ou menos, a partir da direcção em que eu caminhara, ele tinha de descobrir esse local.
Como já me tinha ouvido dizer que eu, no fim do passeio, iria esperar a minha mulher perto da cabeleireira e ele conhecia uma no local donde eu vinha, tinha de descobrir essa «causa».
Riu-se com gosto, e assim começou assim o nosso diálogo

F: Doutor Noronha. Agora, até já conheço a sua senhora, além de saber quem é a cabeleireira, mas gostaria de trocar algumas palavrinhas consigo.
N: Algumas ou muitas?

F: Se fossem muitas, não me importava nada.
N: Hoje, pode estar com sorte, porque a minha mulher vai demorar bastante tempo e eu vou aproveitar o meu passeio, para ir até ao BricoDepôt para ver se eles têm uma peça do lava-louça que está estragada.

F: E vai deixar o carro aqui?
N: Absolutamente. Se quiser aproveitar, tem de ir comigo a pé, porque é assim que eu utilizo o meu tempo, tirando o máximo proveito de tudo.
Em vez de andar quilómetro e meio e ficar sentado no carro à espera, vou andando mais um bocado e converso consigo, porque não terei de olhar para si, para dar as respostas de que necessita, tal como nas consultas.

F: Calha mesmo bem, porque estou de folga na parte da manhã.
N: Deixe-me levar este saquinho e pode começar já o seu «interrogatório».

F: Os meus amigos gostaram do livro da Autoterapia (P), mas acham muito maçador e fastidioso aquilo que lá se diz.
Eu também fico confuso e não os consigo esclarecer devidamente e peço muitas desculpas se estiver a repetir as perguntas feitas anteriormente.
N: Neste caso, ouça agora tudo com muita atenção e não se distraia, por eu não estar a olhar para si.
O livro destina-se a pessoas que queiram fazer uma psicoterapia autonomamente, sem qualquer ajuda de especialistas, ou com até com pouquíssimo apoio.
No registo de autoavaliações devem constar as dificuldades de que o «paciente» se vai «queixar» ao psicólogo.
Só ele sabe quais são as suas dificuldades e ninguém, mais do que ele, tem acesso a essa informação.
A sua magnitude também é sentida pelo próprio e deve ser calculada por ele, todas as semanas, sem olhar para as anteriores.
Também deve ser registada, para saber se aumentou ou diminuiu ao longo do tempo, em que momento e em que quantidade.
Se não registar isso sem olhar para as anteriores, pode estar a falhar na sua avaliação e não conseguir calcular o momento e amplitude da alteração que pode ter havido.
– Não é isso que o «paciente» tem de dizer ao psicólogo nas consultas que tiver?
O relaxamento muscular pode ser necessário como um começo ou uma introdução para o relaxamento instantâneo e relaxamento mental.
– Quem o poderá praticar, a não ser o próprio «paciente»?
Para isso, ou se dirige ao consultório com uma regularidade de, pelo menos, duas vezes por semana e pratica-o durante 20 a 25 minutos de cada vez ou, pratica-o em casa, todas as noites, podendo até fazê-lo mais do que uma vez por dia.
Para atingir a prática necessária,  só à hora de dormir, pode conseguir treinar isso em casa, pelo menos mais sete vezes numa semana, em que nas duas do consultório!
– Não é uma vantagem em relação ao consultório, tanto em economia financeira como em tempo de deslocações e esperas com as incomodidades consequentes?
Com isso, fica apto a fazer o relaxamento instantâneo em caso de emergência, tanto quanto o relaxamento mental, logo que possível, para «entrar» no cerne da psicoterapia.
Logo que consiga entrar facilmente no relaxamento mental, é bom que a pessoa vá praticando a evocação ou recordação dos bons momentos que teve na vida.
É a base da Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA).
Mas, como a vida não se baseia só em coisas boas, quando existem as más, a pessoa sente-se desequilibrada.
Para isso, é bom que ela tenha um diário de anotações no qual vá apontando, sempre que possível, com datas, tudo aquilo de que se lembrar ou sonhar, quer seja bom ou mau.
Às vezes, quando estamos a dormir ou a não pensar em coisa alguma, surgem pensamentos ou recordações das quais nunca nos tínhamos lembrado e, provavelmente, das quais não nos recordaremos mais tarde.
Outras vezes, são os «problemas» do momento que nos «envenenam» a vida.
Tudo isso devidamente apontado, vai servir para as sessões de Imaginação Orientada (IO), que serão realizadas no consultório ou até em casa.
Como são acontecimentos ou factos relacionados com cada um e aos quais ninguém mais tem acesso, nada mais simples do que exercitar tudo isso todas as noites quando a pessoa já estiver apta a entrar em relaxamento mental.
– Contudo, como será possível ter «material» para o poder utilizar no relaxamento mental sem uma memória muito boa e discriminativa de tudo o que se passa e que pode ser vantajosamente substituída pelo diário de anotações?
A autoanálise pode ser muito boa, quando feita nas devidas condições, mas só pode beneficiar passados os primeiros 6 meses.
– O que se poderá fazer antes disso…?
– «Ir aguentando» ou «tomando comprimidos» para ajudar a baixar a angústia?
É bom recordar que os efeitos secundários ou colaterais de muitos ansiolíticos, hipnóticos, antihistamínicos, antiepilépticos, antipsicóticos, antidepressivos, relaxantes musculares, etc., são o abaixamento do nível de consciência, da vontade, da força muscular e da rapidez de reacção, mas não dos problemas em si, repercutindo-se no próprio organismo que, às vezes, vai ficando balofo e descontrolado.
No caso concreto, estamos a lidar com «problemas» que nos incomodam e dos quais nos queremos ver livres.
– Está satisfeito com esta explicação?

F: Mas como é que nos vamos ver livres das dificuldades?
N: Já que as mesmas estão «arroladas» no diário de anotações e no registo das autoavaliações, torna-se mais fácil tentar aflorá-las para o primeiro plano das nossas recordações e tentar analisá-las racional e objectivamente (e não emocionalmente) para verificar, em primeiro lugar, se serão, de facto, dificuldades ou se apenas as «sentimos» ou «percebemos» como tal, devido ao nosso «estado de espírito» no momento desses acontecimentos.

F: Acha que isso é fácil?
N: – Acha que eu não estive a prever isso e que, por isso, me apressei a publicar a 2ª edição do «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» (D)?
Foi para disponibilizar, em linguagem simples, os conhecimentos sobre o funcionamento do comportamento humano isoladamente e em interacção social.
E, as técnicas de modificação do comportamento estão lá explicadas com exemplos práticos do nosso dia-a-dia.
– Se até uma criança de 8 anos, «tratada com esta metodologia», depois de bem treinada, conseguiu utilizar os conhecimentos com um irmão recém-nascido, qual a razão de pessoas mais crescidas não o fazerem?
Este livro é muito importante para se fazer uma análise despretensiosa das nossas dificuldades e comportamentos, reportando-nos às suas «causas», de que falou há bocado, e não às culpas, com desculpas e justificações, relacionadas com o aparecimento de «respostas» ou «efeitos» que não nos interessam e que até nos incomodam.
Tudo isso que me preocupou ao longo de mais de 10 anos de consultas a crianças e seus pais com dificuldades, está explicado nesse livro para que uma pessoa com pouca instrução se possa aperceber desses fenómenos.
Foi por isso que uma colega minha, enfronhada na psicanálise, disse que o antecedente deste livro era muito «popularucho» e, foi o melhor elogio que ela me poderia ter feito.
É exactamente para o «popularucho» que eu os escrevo, porque os «entendidos» têm muitos livros «bem escritos» que podem consultar.
Pena é que, depois de muitas leituras, não saibam, às vezes, o que é o reforço negativo e o confundam com o castigo ou só com o seu efeito perverso.

F: Quer dizer que com a consulta de mais este livro, pode-se avançar.
N: Pode-se, desde que se saiba de que maneira se fará a análise da situação com base no conhecimento do funcionamento científico do comportamento humano e não nas muitas falácias que se propalam, especialmente na comunicação social.
Para falar em experiências vividas, eu tive de fazer a minha psicoterapia, em 1973/74, por mim próprio, porque o psiquiatra «me encharcava» com comprimidos, dizendo que tinha uma neurose depressiva reactiva grave, devido a problemas que poderia ter havido com o meu pai.
Nunca tive a possibilidade de «descobrir» quais eram esses problemas a não ser o de ter ficado aborrecido de ele não me ter ajudado, devido a dificuldades financeiras, a iniciar o curso de Direito, logo depois de ter completado o 7º ano do Liceu, com média de 15 valores, estando dispensado do exame de admissão exigido naquela época.
O Antunes (B), no caso de uma depressão grave, também fez uma psicoterapia autónoma, depois de muitas leituras e de conversas informais que teve comigo e o êxito foi bom, incluindo com o apoio que deu à filha.
É por isso que estou a preparar e a publicar os livros desta colecção.

F: Os livros podem ajudar muito?
N: Todos nós vamos imitando muito do que se passa à nossa volta.
Saber aquilo que se passou com os outros «pacientes» e o modo como eles reagiram para terem sucesso, pode ajudar imenso.
Por isso, também é bom saber aquilo que é aprendizagem social ou por modelo, com reforço vicariante.

F: Quer dizer que, imitando os que saíram bem-sucedidos, consegue-se fazer uma psicoterapia e qualquer pessoa poderá enveredar por esse caminho!
N: Não disse isso e só a imitação não chega.
Se assim não fosse, a Cidália (C) a «sobrinha» do Antunes, poderia tê-lo imitado e resolvido o seu problema.
Não foi assim que aconteceu e eu tive de «compreender a situação» dela, dar-lhe um «empurrão», porque só com a ajuda dele, estando bastante distante, ela não poderia melhorar das dificuldades que passava por causa de estar longe dos avós «pais, por necessidade» e por verificar que os seus próprios pais tinham uma «vida estranha».
Mas, o «caso» dela pode servir de modelo para muitos outros poderem «avançar».

F: Será que vão conseguir?
N: Não sei, porque as leituras fazem muita falta.
Todos os «casos» são diferentes, mas têm muita coisa em comum e, por isso, estou interessado em publicar o livro «Eu Não Sou MALUCO!», com o caso do Júlio (E) que foi «tratado» quase à mesa de um velho café, em 19 sessões longas, com tardes de «conversa» etc., durante oito semanas, com muita leitura de apontamentos policopiados que havia na ocasião, feita por ele e com treino de relaxamento.
Ele costumava fazer relaxamento, todas as noites, pelo menos durante uma hora, com Imaginação Orientada (J), logo que conseguia entrar em relaxamento mental, para fazer a análise da situação, depois de ter compreendido os mecanismos do comportamento humano e de lhe terem sido explicados os pressupostos e o modo como eu conduzia a psicoterapia, com demonstração no próprio café.
Em vez de ele conseguir ler as experiências dos outros, eu ajudava-o nessas tardes de conversa no café e inteirava-o acerca dos possíveis ganhos ou decepções que é necessário ultrapassar com persistência e tenacidade.
É por isso que ele, bem-sucedido na vida, está a insistir comigo para que publique o «caso» dele, o que só o farei se houver pessoas que se inscrevam já para a aquisição do livro que gostaria de publicar antes de Dezembro, se tiver pedidos suficientes.

F: É pena não ter o livro já disponível e vou tentar alertar os possíveis interessados, mas acha que os exemplos dos outros são muito importantes?
N: Julgo que há muito a fazer nesse sentido.
As pessoas, quando têm algumas dificuldades, limitam-se a ir ao psiquiatra, tomar uns medicamentos, distraírem-se e não se importarem com esses problemas porque o seu nível de consciência e de reacção baixou.
Tentam distrair-se e divertir-se com essa divergência temporária de comportamento e deixam-se iludir, julgando que estão melhores.
Contudo, embora possam «esquecer momentaneamente» esses problemas, sucumbem ainda mais do que anteriormente, quando os mesmos surgem de repente e exigem uma «toma» maior de medicamentos.
Não são poucas as pessoas que «engordam» desmesuradamente, ou talvez não, e até se comportam como «zombies» mesmo que o seu grau de instrução seja bastante alto.
Foi por isso que preparei o livro «Psicoterapias Difíceis» (M), com 4 casos bem elucidativos.

F: Existe qualquer outra solução para estas situações?
N: Posso dizer que, se a pessoa não tiver tempo e disponibilidade financeira para conduzir uma psicoterapia em consultório, frequentando-o, geralmente, duas ou mais vezes por semana, pelo menos, durante seis meses, aquilo que tiver de fazer em casa, vai exigir muita leitura e treino, com muita persistência e sem desistência, porque os desencorajamentos são «normais» e «frequentes».
É por isso que o livro «Biblioterapia» (Q), foi especificamente preparado para explicar que, todo o esforço feito por cada um, tem de redundar, não em fugir momentaneamente das dificuldades, mas sim em aprender a enfrentá-las e ultrapassá-las, com êxito.
Este livro pode ajudar a compreender isto com dois «casos» concretos.
Este procedimento, além de poupar muitas incomodidades, tempo e dinheiro vai dar uma possibilidade de cada um estar preparado para enfrentar sozinho, as dificuldades futuras, às quais sempre estaremos sujeitos.

F: Existe alguma orientação geral para estes casos?
N: Quando estive a intervir na Feira de Saúde, promovida pela Câmara de Sintra, há pouco tempo, senti a necessidade de preparar o livro «Psicoterapia… através de LIVROS…» (R).
Parece que ainda não conseguimos compreender que muito há a fazer no sentido de prevenção e profilaxia, a começar pela educação desde criança.
Tudo isso se pode fazer em tempo oportuno, não só em psicoterapia, como em apoio psicopedagógico, de interacção social e de desenvolvimento pessoalquase autonomamente, ou até com pouco apoio, para não ter de intervir mais tarde, com muitos mais custos.
A nossa maior característica é ficarmos à espera de novidades que venham de fora, ou de pessoas «badaladas» na comunicação social.
Aquilo que se está a fazer com a «prescrição de livros» no Reino Unido, só nos princípios deste século, já o tinha feito com o Júlio, em 1980, só com apontamentos policopiados, depois de ter experimentado isso em aulas de Psicologia e Psicopatologia a enfermeiros do Hospital de Vila Franca de Xira e outros, alguns anos antes.
Antes de aparecer a Psicologia Positiva, em 1990, dizendo que as boas acções desencadeiam mais felicidade, sem discriminar se as mesmas têm de ser interiormente sentidas ou aparentemente demonstradas, a Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA) (1980) já dizia isso, mas realçava que as memórias e as recordações tinham de ser revividas dentro da própria pessoa e não apenas demonstradas por ela, como fazia o comediante americano Robin Williams.
Também, a produção da dopamina pode ajudar a «levantar o astral» se a mesma for produzida por vontade própria.
– O que acontece se a pessoa não estiver satisfeita e apresentar esse aspecto numa representação, especialmente quando «o seu coração pode estar a sangrar», às vezes, ainda mais com essa representação?
É melhor não nos iludirmos com notícias e investigações vindas de fora, às vezes mal compreendidas, outras vezes mal contextualizadas, se não forem mal aplicadas, para nos deixarmos enganar ainda mais.
Basta ver o que se passa também com a inteligência emocional que é apenas «reactividade emocional» ou «quociente emocional», para não confundirmos inteligência com emoção!

F: Então, o que é que acha que se deve fazer?
N: Ler muito e ordenadamente, escolhendo os livros adequados, é o essencial.
Por este motivo estou muito empenhado em organizar, actualizar e publicar todos os livros desta colecção, com guias que já foram mencionados e publicados.
Tem de compreender que, nas minhas condições de não querer «montar um negócio», tenho de me limitar à impressão digital, com tiragem reduzida, por ter fracos recursos financeiros.
Não deixando os livros nas livrarias, os que os desejarem, têm de entrar directamente em comunicação comigo, com todas as indicações que já estão dadas e são actualizadas no blog respectivo.

F: Mas como é que as pessoas vão saber disto?
N: Já disse várias vezes, que o meu interesse é só publicar aquilo que é válido e do interesse das pessoas, beneficiando-as, tanto no que toca às consultas, como em relação à prevenção e profilaxia.
Para isso, já fiz a minha proposta de colaboração, que pode ser alterada conforme as circunstâncias e as audiências.
As instâncias respectivas ou até os próprios, têm de se organizar para incentivar a difusão ou divulgação destes conhecimentos, porque não me interessa muito a publicidade e a espectacularidade, que fica para os meios de comunicação social.

F: Mas, da sua parte não pode fazer mais nada?
N: Como já disse, várias vezes, faço o que posso com este blog «PSICOLOGIA PARA TODOS» difundindo os conhecimentos possíveis ou dando respostas aos comentários e deixando o outro «TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS» para a informação actualizada sobre os livros, alguns dos quais, tiveram a sua versão antiga publicada pela Plátano, Clássica e Hugin.
Talvez até eu possa ajudar a adquiri-los, a quem entrar em comunicação comigo.

F: E as pessoas irão ganhar com isso?
N: Não existe qualquer possibilidade de mais alguém ler por nós, compreender o que é necessário e isso é fundamental numa psicoterapia.
Se ler o livro «Psicoterapias Bem-Sucedidas – 3 casos» (L) ou os seus antecessores publicados pela Plátano e Hugin, vai verificar essas vantagens, que funcionaram à sua maneira com cada personagem, mas deram resultados muito positivos.
Destas ideias e experiências, surge a minha ambição, preocupação e ansiedade em publicar os livros e coloca-los nas mãos de quem os desejar, para os utilizar e tirar proveito com o sucesso que conseguir obter.
Com esta colaboração, empenhamento e persistência do próprio, para fazer o que é necessário, mesmo que não existam as tais palestras, poucas consultas serão necessárias para «dar conta da situação».

F: Há mais alguma coisa que as pessoas possam ler para se inteirarem melhor sobre estes assuntos?
N: Ainda não publiquei dois livros básicos «Psicologia Para Todos» (F) e «Interacção Social» (K), os quais ainda estou a rever com cuidado, mas as versões antigas, da Plátano, podem servir para mitigar as circunstâncias duma necessidade urgente, além de que o livro da JOANA (D) trata disso tudo de forma mais resumida, simples e muito simplificada.

F: Estamos quase a chegar ao carro e gostava de saber se vai publicar isto.
Desculpe o abuso, mas tenho a nossa conversa gravada.
Quer isso, ou prefere que a guarde ou inutilize?
N: Ainda bem que me diz isso e não me importo que a tenha gravado.
Empresta-me o original para eu poder publicar tudo isso, com uma certa exactidão, logo depois do almoço.
Vou colocar no post todos os links (ligações) possíveis para se compreender bem a minha ideia, indo á fonte de informação.
Dê os meus cumprimentos aos seus amigos e faço votos para que eles consigam tirar proveito de tudo isto.
É a minha maior ambição, sem estar à espera de «novidades» vindas de fora.
Nós também temos cá «cabeças» para pensar e vontade para actuar correctamente.
Boa sorte para todos, até nos encontrarmos da próxima vez para lhe devolver o original da gravação.

 

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CONVERSA ENTRE AMIGOS – 17

Ontem de manhã, quando dava o meu passeio habitual, o Sr. Felício, acompanhado de outra pessoa, estava à minha espera para pedir um esclarecimento.
Como tinha bastante tempo disponível, acedi ao seu pedido e entramos todos para o café.
Depois da apresentação, soube que esse senhor, especializado em informática, tinha lido o post ESCLARECIMENTO, do dia 8 de Junho e ficara satisfeito porque se encontrava em condições muito semelhantes e, agora, tinha de voltar a ausentar-se na Bélgica durantes uns meses.
A mulher, também nos anos 40, necessitava de algum apoio porque tivera também um AVC dois anos antes, estava reformada e fazia fisioterapia para poder ter uma vida aceitável em casa.
O filho tinha dificuldades na escola, mas estava a ser acompanhado por reeducadores (I).

Ele tinha lido o post e, como conhecia o Sr. Felício, já tinha lido também o livro do Antunes.
Agora, estava a meio do livro da JOANA, muito interessante, como os outros livros, pelos quais também passara uma vista de olhos, o que lhe tinha feito muito bem e, de certeza, os mesmos agradariam a muitos.
Já sabia que os livros se baseavam muito na aprendizagem para alterar o comportamento também dos outros, incluindo filhos ou colegas de trabalho.
Disse-me também que ler os livros, tinha-lhe ajudado imenso e, de certeza, mudariam a vida de muita gente, podendo fazer uma psicoterapia a custos mais baixos.
Estava a tentar difundir as ideias, mas as pessoas «não aparentavam» ter problemas e não se abriam muito e, sendo ele uma pessoa que pouco se socializava, tinha dificuldade em lhes transmitir as suas ideias.

Como me parecia estar cansado, esclareci que a maior parte das pessoas não gosta, logicamente, que os outros imaginem que ela é «fraca» e, por isso, tenta apresentar sempre uma «boa imagem».
Não teria acontecido também o mesmo com ele, antes de ler o meu post?
Se não, qual a razão de dizer que estava nas mesmas condições?
Expliquei-lhe que é muito «frequente» ou «natural», para não dizer «normal», as pessoas fazerem algum esforço para aparentar uma boa imagem, a fim de que os outros as tenham em boa consideração.
Expliquei-lhe que nos meus mais de 40 anos de clínica, não me admirava com esse comportamento, porque as pessoas que vinham à consulta, até me tentavam «apresentar» uma boa imagem, tentando «arranjar» uma boa «desculpa» para as suas dificuldades.
Com a Germana, também me tinha acontecido isso, flagrantemente, para ela entrar num choro copioso pouco depois de algumas perguntas minhas.

Explicou-me então que, para as suas dificuldades, já tinha lido e começara a praticar, há muito tempo, o que se diz na «AUTO{psico}TERAPIA» (P), que é uma metodologia que estava a tentar seguir.
Achava uma técnica muito inovadora porque conseguia ajudar as pessoas a ficar com a ideia de serem os próprios a fazer todo o trabalho.
Disse-lhe que a intenção fundamental é essa e que ninguém mais, a não ser o próprio, pode ler, compreender, pensar, recordar, imaginar ou treinar aquilo que é essencial.
Os problemas situam-se nos nossos comportamentos, os quais não podemos controlar por causa dos sentimentos e emoções que também são nossas e «comandadas» através da «cabeça» de cada um.
Se nada se alterar nessa cabeça, pouco se pode fazer no sentido de ajudar a mudar os comportamentos indesejáveis.
Ouvindo com atenção, continuou a sua intervenção.

Depois de começar a ler a JOANA, e estando a praticar a autoterapia, podia dizer-me que, em relação a ele, na sua estadia anterior na Bulgária:
− tinha-se sentido melhor ou mais aliviado em relação aos traumas da mulher − reforço secundário negativo variável
− tinha tido muitos problemas de trabalho, como habitual, mas os problemas da esposa ficavam aí postos de lado.
− em relação às questões de trabalho, as dificuldades da saída de um funcionário e a permanência de atrasos de salários da empresa, obrigavam-no a andar mais estressado, o que tinha sido diminuído com o relaxamento instantâneo, mesmo no trabalho.

Como estava a praticar a autoterapia, em relação análise feita com o relaxamento mental e imaginação orientada, apresentava algumas notas:
Sentia grande raiva por nunca ter podido confrontar o seu pai pelo mal que fizera à sua mãe (violência psicológica, abandono, etc.) e ao filhos (abandono físico e financeiro) e essa raiva muitas vezes impelia-o de não deixar nada por dizer, com alguma raiva desproporcionada, quando estava irritado no trabalho, ou a nível da família da mulher e, por isso, disparatava.
Se tinha havido essa violência, tentei explicar-lhe que o comportamento do pai podia ter-lhe causado um traumatismo negativo com tudo aquilo que ele tinha percebido naquela ocasião, ficando modelado com isso.
Se as coisas já tinham acontecido, o que poderia ele fazer agora?
Essas coisas não se esquecem, mas ficam a «moer-nos» e permanecem como traumatismos negativos, só se os deixarmos que isso aconteça (Q).

Então, geralmente, vamos ao psiquiatra para ele nos receitar alguns comprimidos que nos deixam meio desenxabidos e «alheios» aos problemas (esses e outros) que já existem e, com esse reforço secundário negativo, ficamos «viciados» na sua «toma», às vezes, pela vida fora, com doses cada vez maiores, para conseguirem provocar o mesmo efeito inicial.
Outras vezes, vamos ao psicólogo para desabafar e obter algum consolo, ficando na sua dependência porque é a única pessoa que nos compreende.
Às vezes, em psicanalise e até em algumas psicoterapias, é assim.
Se estava a ler os meus livros, disse-lhe que visse o caso do Tiago, apresentado na Cidália, a «sobrinha» do Antunes, a quem ele tinha ajudado a sair do alcoolismo e das relações sexuais promíscuas em que ela se estava a «atolar» (C(61…).
O Tiago não queria deixar a companhia do psicólogo porque era o único com quem podia desabafar e obter consolação.

Ouvindo-me com atenção, disse-me que parecia que estava a transferir essa questão, mal resolvida, do pai para outras situações do dia-a-dia e acrescentou:
− O facto de me ter afastado da família do meu pai após a morte da minha avó e de me terem deserdado, também me afectou, pois era muito amigo de um dos meus primos desse lado.
− Agora, uma das «guerras» que tenho, é com os meus cunhados (irmã da minha mulher e marido) que nunca demonstraram interesse no apoio à minha mulher e tentaram aproveitar-se financeiramente da sua situação.
− São pessoas de quem nunca gostei: frias, nariz empinado, egoístas, egocêntricas…..bestas autênticas.
Como o vi algum tanto emocionado, pedi para pensar naquilo que poderia fazer para «resolver» ou «evitar» a situação.
Gritar com eles dava resultado?
Maltratá-los fazia alguma diferença, além de ele apenas poder descarregar momentâneamente a sua angústia?
O que mais «ganhava» com isso?
Isso seria uma resposta à frustração que sentia, um «deslocamento» quase inútil e de alívio temporário (A), podendo ser contreproducente no futuro.
O importante seria ele tentar «descobrir» qual a solução mais adequada para essa situação dentro dos meios ao seu dispor.

Dando o exemplo do Joel (G), disse-lhe que ele tinha praticado o disparate de tentar estrangular a noiva, obtendo resultados totalmente contraproducentes.
Quando foi devidamente apoiado e alterou completamente o seu comportamento, compreendendo toda a situação, até me solicitou uma lista de procedimentos, transformada agora em livro específico, em sua memória (P).
Com o seu disparate, o Joel  tinha ficado em psiquiatria, com um «rótulo» interessante e que não merecia nem era adequado – psicopata!!!.
O relaxamento mental e a Imaginação Orientada (IO) serviriam para o seu caso, mas necessitava de ter muita prática, capacidade de analisar objectiva e racionalmente toda a situação, tentando descobrir «os meios» ao seu dispor para «resolver» a situação a seu contento.
Eu também estava a tentar descobrir os meios de fazer funcionar a verdadeira biblioterapia, em psicoterapia e não nas diversas tonalidades utilizadas para outros fins.
No caso actual, a técnica associada da Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA) também o deveria ajudar a desenterrar, recordar e reviver os bons momentos passados na sua vida.

Depois de me ouvir, disse:
– Após o divórcio dos meus pais, acho que estive muito isolado em casa, sem amigos, o que me afecta ainda hoje, não ajudando a socializar-me com outras pessoas.
− Tenho dificuldade, principalmente em manter amigos, porque vejo sempre defeitos.
− Os pensamentos que ainda me chateiam, durante algum tempo, várias vezes ao dia, são os relacionados com os meus cunhados (raiva) e o afastamento da família do pai (sonho com esses meus primos).
− Incomoda-me o facto de não ter podido dizer ao meu pai o que achava da situação, por ser novo na altura e ele ter morrido também novo.
Compreendendo a situação, perguntei se o «caso» apresentado no post ao qual ele aludiu, seria semelhante.
Disse-me que lhe assentava como uma luva, tirando alguns pormenores.
Isso levou-me a explicar que os «casos» que eu apresentava não eram para ser «imitados» mas para cada um «retirar» dos mesmos aquilo que mais interessasse, «adaptando» tudo à situação do momento.

Insisti com ele para que lesse bem o que é a aprendizagem social ou aprendizagem por modelo, com reforço vicariante, que até pode influenciar os filhos quando os pais vêem, muitas vezes, muito emocionados, as telenovelas e outras notícias que podem não ser «muito edificantes» para os filhos.
E ele, juntamente com a esposa, tinham de ter esse cuidado.
Tinham um filho a quem deveriam ajudar a estruturar uma personalidade equilibrada (D).
O exemplo dos seus pais e os erros cometidos tinham de ser analisados e tidos em conta para um novo comportamento melhor e mais adequado para cada situação.
Disse-lhe que o meu intuito fundamental da biblioterapia era esse, já desde 1980, apenas com apontamentos policopiados.
A publicação inicial dos livros também tinha um intuito semelhante, mas que agora está muito mais definido, quando comecei a ver que no Reino Unido e EUA, estão a utilizar, salvo erro, só desde os princípios deste século, a «prescrição de livros» como um meio de fazer psicoterapia, porque os seus serviços de saúde não comportam as despesas com as consultas individuais.
Infelizmente, em Portugal, ficamos à espera de que sejam os estrangeiros a dar-nos as «novidades»….,  para as copiarmos, às vezes, muito mal e com efeitos pouco convincentes.

Como eles estavam a querer saber mais alguma coisa sobre este assunto e eu também tinha tempo disponível, continuamos a conversa, especialmente com a intervenção do Sr. Felício.

F: Então, como vai o seu projecto de Biblioterapia?
N: Estou a tentar, por todas as formas possíveis, divulgar a ideia, o que é difícil entre nós.

F: Já li o seu último post e compreendo perfeitamente o modo como são cá utilizadas certas palavras para tirarem delas proveito diferente ou utilizarem-nas para outros fins.
N: Estou a tentar fazer compreender que a minha actuação e os livros que estou a rever e reorganizar, destinam-se a ajudar as pessoas a tornarem-se, tanto quanto possível, autónomas dos psicólogos e psiquiatras, mantendo um bom equilíbrio psicológico e fazendo uma profilaxia para o futuro duma boa saúde mental.
Contudo, sem as tais palestras, de que estou a falar muitas vezes, pouco ou nada se poderá fazer.
As pessoas têm de compreender que estou, em parte, a «remar contra a maré», numa terra em que ficamos à espera de novidades vindas de fora, parecendo que nada de válido temos entre nós.
Os livros têm de ser difundidos, publicados e explicados e eu não desejo «montar um negócio» relacionado com isso.
Além disso, só me interessa continuar a publicar os livros de forma restrita, se eles forem do interesse do público.
Por isso, quer as pessoas, quer as instituições têm de mostrar interesse, servindo-se dos livros e adquirindo-os directamente, à medida que os for publicando, lentamente, à medida das necessidades e das minhas possibilidades.
Não tenho dinheiro para os publicar imediatamente nem os tenciono deixar nas mãos duma editora, distribuidora ou livraria, para evitar o que aconteceu anteriormente.
Estou agora a pensar seriamente na publicação dos «casos» do Júlio (E), do Joel (G), das Psicoterapias Difíceis (M) e na Imaginação Orientada (J) que são muito interessantes, embora parte de alguns dos antecessores destes livros tenha sido publicada pela Plátano.
Como estão também no facebook, o tempo dirá o que se pode fazer se as pessoas quiserem.
E, também no facebook, prefiro que as pessoas consigam utilizar as ideias difundidas em vez de colocarem apenas o «gosto».

F: No caso deste nosso amigo recomenda alguma coisa?
N: Posso dizer que vale a pena ele praticar bastante o relaxamento muscular até conseguir fazer rapidamente o relaxamento instantâneo.
Estou a lembrar-me que deve manter um diário onde possa registar, mesmo que sucintamente, tudo aquilo que acontecer ou de que se lembrar fora do vulgar.
Quando conseguir fazer rapidamente o relaxamento muscular e entrar no relaxamento mental, vale a pena dormir começando a relembrar muitas coisas da sua vida, especialmente as boas.
Se fizer o registo das dificuldades e o mantiver actualizado com autoavaliações semanais, vai ter um instrumento com que poderá avaliar o grau maior ou menor das dificuldades e a sua evolução ao logo do tempo.
A autoanálise, praticada devidamente, pode ajudar ainda mais, depois dos primeiros 6 meses.
Entretanto, passado algum tempo dos exercícios, pode experimentar recordar algum momento de arrelia e fazer de imediato o relaxamento muscular ou instantâneo e verificar se essa recordação continua, diminui, desvanece ou desaparece (TEA).
Se conseguir ter êxito na sua diminuição, pode tentar provocar a recordação e tentar analisa-la racional e objectivamente, fazendo um esforço para verificar se poderia ter agido de maneira diferente.
Se se sentir angustiado, desiste, faz de novo o relaxamento muscular e tenta recordar os bons momentos.
Se tiver êxito na análise, tenta verificar novas maneiras de actuar, com os meios de que dispõe.

F: Isso chegará?
N: Não chega, de certeza, mas vai aliviar bastante e, se necessitar de psicoterapia, será uma ajuda bastante eficaz, porque já estará apto a fazer todo esse trabalho em casa, deixando as partes mais problemáticas para o consultório do especialista, que ajudará a resolvê-las rapidamente.
Com o Januário, de «Psicoterapia Para Quê?» (Plátano) (L), foi um fim-de-semana frutífero.
É por isso que estou ansioso em publicar os livros mas, se forem necessários agora, existem os sete que já foram publicados e, na Plátano e na Hugin, os antecessores dos outros.
O seu amigo que não se esqueça também de dar apoio à esposa, recordando os bons momentos que deve ter passado com ela, para até não se conseguir nos momentos mais propícios, socializar muito com outras pessoas.
Quando entrar em contacto com ela, lá do sítio onde estiver, ele que faça recordar os bons momentos e, ao ouvir algumas «queixas» ou «desditas» que ela possa relatar, «mude de conversa» (rci) e vá pensando na sua solução.
Encontrando alguma solução, volte ao assunto e diga-lhe aquilo que pode fazer para ultrapassar a situação, sem a tentar «consolar com palavras bonitas».
Com estes exemplos, o filho vai crescer num ambiente mais saudável e capaz de ultrapassar frustrações, que serão muito frequentes no nosso mundo muito competitivo e desumano.
Compreende a minha «ansiedade?» em pôr de pé estas ideias?

F: É pena que não se possa motivar as pessoas para um projecto deste tipo.
N: Estou a fazer os possíveis e, por isso, mantenho os blogs e não desisto de reorganizar os livros e deixa-los todos prontos para qualquer eventual publicação, porque os livros são muito importantes.
Repare que é necessário ler muito e compreender tudo muito bem, porque é tudo bastabte diferente daquilo que se propala na comunicação social.
A pessoa que tem problemas não está insatisfeita com eles? Não os quer alterar? Qual a origem desses problemas? Qual é a causa?
Se a causa for alterada, não haverá alteração nesses problemas – efeitos?
Se formos atacados, não nos iremos defender e a causa do nosso receio não será o atacante?
A solução pode ser a autodefesa ou a utilização de guarda-costas.
Enquanto a autoterapia é a autodefesa, o psicólogo pode ser o guarda-costas, que não sei se estará sempre disponível e quanto é que irá custar.
Na autodefesa, o treino tem de ser feito por cada um, compreendendo toda a situação, em qualquer momento e sem despesas.
E, se tivermos bom-senso, compreenderemos isso com facilidade.

F: Gostei desta explicação e não vai colocar a nossa conversa ou encontro no seu blog? 
N: Estou a pensar no assunto, mas só o farei depois de uma noite bem passada em Imaginação Orientada (IO).
Não julgue que recomendo aos outros aquilo que não faço comigo.
Estou a ser quase teimoso e isso pode estar a acontecer porque fiz quase toda a minha aprendizagem com reforço negativo, isto é, com ligeiras punições que, para não provocarem frustração, exigiram que fosse sempre avançando… num sentido certo e vai ver isso nas primeiras páginas da JOANA (D).
Pode descobrir isso perfeitamente no livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R)
Além disso, as críticas e sugestões que me fizeram, ajudaram a reorganizar o livro sobre «BIBLIOTERAPIA» (Q) que vai ter agora 152 páginas na 2ª edição, com bastantes informações importantes.
É por isso que gosto das críticas e das avaliações honestas.

 

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