PSICOLOGIA PARA TODOS

BLOG QUE AJUDA A COMPREENDER A MENTE E OS COMPORTAMENTOS HUMANOS. CONSULTA-O E ESCREVE-NOS, FAZ AS PERGUNTAS E OS COMENTÁRIOS QUE QUISERES E COLABORA PARA MELHORAR ESTE BLOG. «ILUMINA» O TEU PRÓPRIO CAMINHO OU O MODO COMO FAZES AS COISAS…

Archive for the month “Setembro, 2018”

CONVERSA ENTRE AMIGOS – 20

Estava ontem à tarde sentado no maple a olhar para a televisão e a ver sozinho os «Batanetes», enquanto a minha mulher ajudava a neta a preencher um inquérito sobre «genealogia etnográfica» para uma disciplina do seu curso.
Quando estava quase a dormitar, o telefone tocou e o Antunes a perguntou-me se tinha alguma disponibilidade para uma conversa prolongada, porque a mulher dele e a filha tinham ido para uma festa da escola em que o neto tomava parte activa na sua organização.
Respondi-lhe que sim e fiquei à espera das suas perguntas, que me fizeram imaginar serem importantes para ele, além de que ele poderia proporcionar-me novidades acerca do caso de Manta Rota.

ASabes que a Lara falou durante a semana com a minha filha para lhe dizer que está muito satisfeita com tudo o que se passou e que já se envolveu em várias multidões com toda a família?
Confirmou que também não tinha tido medo, nem o mais pequeno receio antes de entrar nesses aglomerações, nem sentia desconforto por ficar em recintos fechados.
Disse que tinha muita pena que não houvesse mais livros acerca de casos que se tivessem resolvido satisfatoriamente.
Por isso, já dei mais um golpe de vista pelo teu livro do «Maluco» e acho que é pena não estar ainda publicado.
N – Antes de tudo, posso dizer que estou muito satisfeito com o que a Lara conseguiu em pouco tempo, comodamente e com um dispêndio mínimo de dinheiro, tempo e viagens.
Contudo, exigiu muita colaboração sua para a leitura do que é necessário e para os treinos indispensáveis.
Além disso, é necessário compreender bem o funcionamento do comportamento humano e da sua modificação em função do meio ambiente, porque é disso que se trata e que se consegue compreender facilmente lendo com atenção o livro da JOANA (D) que, no tempo do Júlio, ainda se encontrava em rascunho policopiado.

AEla gostou muito deste livro, especialmente por causa dos filhos e do apoio que se lhes pode dar com uma educação adequada para não criarem «macaquinhos na cabeça» como aconteceu com ela.
N – No caso dela, pode não ter sido um «defeito» da educação mas sim uma falsa percepção sua, acerca daquilo que ia acontecendo e do que ela ia sentindo.
Muitas vezes, é assim que se «criam» os «traumatismos negativos», quase sem motivo para isso e devido a acontecimentos dos mais vulgares que, em qualquer outra pessoa ou até na mesma, em outra ocasião ou em contexto diferente, não fariam a «mínima mossa» ou teriam passado despercebidos por serem acontecimentos muitíssimo vulgares.
Foi o que aconteceu também com o Júlio (E).

AÉ também por isso que tenho imensa pena que o livro não esteja publicado.
N – Eu também tenho pena mas não tenho dinheiro.

AMais uma vez te vou perguntar qual a razão de não entregares os livros a uma editora.
N – Mais uma vez te vou dizer que já experimentei isso e que não desejo os livros distorcidos nem totalmente desactualizados.
O sistema que estou a utilizar, com impressão digital e tiragem reduzida, pode ser dispendioso para mim mas, pelo menos, fico de bem comigo próprio, porque os interessados podem adquirir os livros através duma comunicação comigo.
A internet e o facebook, servem para dar as indicações necessárias e, como eu não preparo os livros para «fazer dinheiro com eles», espero que só os interessados os procurem.
É também por isso, que gostaria que houvesse as tais «palestras» a fim de muitas pessoas «perceberem» ao mesmo tempo e com muita economia, as vantagens da autoterapia, como prevenção e profilaxia de desequilíbrios psicológicos que, depois de instalados, levam muito tempo a desaparecer ou deixam a pessoa alienada a medicamentos que nunca mais abrandam e que podem deixar muitas sequelas.

ATenho pena que não exista uma entidade que se proponha tomar a seu cargo a organização dessas reuniões que seriam úteis para muita gente e que eu senti isso na minha pele, embora individualmente.
N – Sabes que já apresentei a minha proposta em 2015 mas, até ao momento nada fizeram, embora digam que estão muito atentos aos problemas de saúde.
O que vejo, são acções que dão nas vistas, mas que não ocasionam resultados muito positivos para a população.
Já falei disso acerca duma acção da Psicologia Positiva que até ocasionou algumas risotas dissimuladas em pessoas com algum discernimento.
Contudo, pode ter agradado a alguns que necessitam de «demonstrações» de afectividade, que não produzem efeitos duradouros e são tão efémeros como os festivais, concertos, «selfies» e até praxes (Q).
Podem descarregar a ansiedade ou alivia-la momentaneamente, para deixar a pessoa na mesma ou ainda mais desiludida do que anteriormente.

AJá agora que falas em Psicologia Positiva, o que achas de Inteligência Emocional?  
N – Sei que tu tens a versão portuguesa do livro, que eu não li porque me aborreci.
Mas, tenho o original em inglês, em «paperback» e, se tiveres tempo e paciência, vou busca-lo para te dar algumas informações sobre o assunto.
Logo no início, Goleman apresenta o caso de Matilda Crabtree que foi alvejada pelo pai.
De regresso de um jantar com amigos, às quatro da madrugada, os pais da Matilda, de 14 anos, julgavam que ela estava, naquela noite, em casa de amigos.
Quando entraram em casa, ouviram ruídos.
Foram imediatamente ao quarto da Matilda e, como não a viram lá, foram buscar a arma e quando viram alguém (Matilda) saltar do guarda-roupa e dizer «boo», na brincadeira, o pai alvejou-a na nuca com uma arma calibre 0.357.
Só este episódio, basta para verificar que aquilo que o pai utilizou, não foi a inteligência mas sim a emoção.
Existe um comportamento instintivo, que Goleman menciona e que eu apresentei a partir da página 149, no capítulo do «Circuito das Perturbações Mentais», da edição actual do livro «SAÚDE MENTAL sem psicolatologia» (A) em que o comportamento não é desencadeado pela aprendizagem feita com a inteligência, a qual não é utilizada, sendo curto-circuitada pelo armazenamento das emoções que levam a uma – rápida reacção «instintiva» de luta-ou-fuga.

AQueres dizer que não existe inteligência emocional?
N – O que eu estou a querer dizer é que esse comportamento do pai foi uma reacção emocional, absolutamente aceitável no momento em que não existe tempo para pensar (ou utilizar a inteligência) mas sim existe um acumular de experiências que conduzem a uma reacção rápida de luta-ou-fuga, muito comum nos animais «não domesticados».

AExplica-me isso melhor.
N – Vamos apenas ver o caso da tua filha.
Ela estava a ter más notas nas aulas.
– Era um comportamento inteligente e desejado ou uma resposta emocional à situação em que se encontrava no momento?
Tu deste-lhe apenas apoio escolar, mas isso não seria possível sem estares perto dela e a prestar-lhe mais atenção do que nos tempos anteriores.
Ela melhorou, tanto nos assuntos académicos como na ligação familiar e social.
– Mandaste depois repetir o exame de nível intelectual e de personalidade?
Se o tivesses mandado fazer, talvez verificasses que tinha havido algumas alterações no da personalidade, mas menos, no nível intelectual, a não ser, talvez, nos parâmetros da atenção e da memória.
Mas, como o exame anterior não indicava o valor quantitativo do QI, a comparação não poderia ser feita.

AMas, Daniel Goleman diz que havia a ideia de que o nível intelectual era hereditariamente determinado.  
N – Não posso concordar com essa ideia, porque nunca a tive e fiquei com muito menos noção de que o nível intelectual não se pode alterar.
O nível intelectual pode ser afectado (embora ligeiramente) pelo meio ambiente e pelos acontecimentos do dia-a-dia.
As aprendizagens contam muito e dependem muito da nossa interacção familiar e social e tu verificaste isso com o que aconteceu com a tua filha e não só….
– A tua mulher não «mudou», sem qualquer reeducação?
E tu não tiveste uma vida completamente diferente depois das tuas experiências com a tua «autoterapia» (B)?
– Em que é que isso alterou significativamente o vosso nível intelectual?
A tua capacidade de reactividade emocional é que pode ter ficado bastante alterada… para melhor, ficando mais controlada e orientada.
O que pode acontecer, é utilizar a inteligência de uma forma mais racional.

AAchas que é assim tão simples?
N – Vamos a exemplos mais vulgarizados e comezinhos.
Adquires umas boas batatas e cebolas e, quando as cozinhares, o tempo que utilizares, o fogão, os condimentos e a forma de as cozinhar, etc., vão determinar o produto final.
A qualidade das batatas e das cebolas vai continuar na mesma, mas o produto final é que vai sair diferente.
Contudo, se as mesmas batatas e cebolas tivessem tido um adubo e um tratamento diferente, talvez tivessem outra qualidade.
É o mesmo que acontece com o nível intelectual que pode ser mais ou menos alterado conforme as estimulações do meio ambiente, até onde ele foi «gerado».
Embora a qualidade das batatas e das cebolas influencie também e bastante o produto final, a condimentação utilizada e a confecção também são muito importantes.
Caso contrário, não haveria rendimento nas reeducações e reabilitações (I) que, até certo ponto, podem alterar ligeiramente o nível intelectual, tendo-se verificado isso num dos casos apresentados neste livro.
É também por isso que insisto muitíssimo na educação, desde criança, em família bem constituída, com muita interacção e suporte, com bons modelos e exemplos a seguir, apresentando valores adequados e utilizando-os na prática do dia-a-dia.

AComo é que classificas tudo isso?
N – Antes de tudo, não posso aceitar a classificação de «inteligência emocional» como um «substantivo».
Contudo, posso admitir que a «inteligência» seja um substantivo e «emocional» seja um adjectivo qualificativo.
Neste caso, também existe a «inteligência» «racional», que é aquela que é utilizada sem a predominância das emoções.
Porém, julgo que seria mais sensato deixar a «inteligência» em paz e utilizá-la racionalmente, como geralmente acontece ou, emocionalmente, como se torna necessário quando «ficamos encurralados» com a «bolsa ou a vida», sem experiências anteriores de bom sucesso.
Seria muito mais sensato dizer que a «inteligência» existe desde que nascemos, podendo ser melhorada ou piorada de acordo com o ambiente em que vivemos e com as experiências que formos acumulando ao longo da nossa existência, para uma aprendizagem que tanto pode ser no bom como no mau sentido.
É por isso que estou muito preocupado com a «EDUCAÇÃO», que é a base fundamental de toda a nossa conduta na vida e na sociedade.

AVais fazer algum artigo acerca disso?
N – Deixa-me descansar esta noite para amanhã poder acordar «mais fresco» e escrever qualquer coisa sem ser com «inteligência emocional» mas sim com a «inteligência racional».
Além disso, lembra-te que Goleman utilizou esta designação para «alcunhar» aquilo que ele estava a investigar, tal como muitas vezes se faz com os diagnósticos (G),
Também te posso dizer que é extremamente importante compreender bem a diferença das consequências ocasionadas pelos reforços positivonegativo, o que até a JOANA, no fim das nossas conversas, conseguia compreender, para o utilizar com o irmão que acabara de nascer e que está com ela agora na Austrália, bem como os pais.

 
Já que acabei de ver um magnífico episódio de «Casos de Vida» da TVI, ontem à noite, posso dizer que o livro «Imaginação Orientada» (J) baseado nas técnicas de TEA e IO, com autohipnose, para uma boa reestruturação cognitiva e modificação do comportamento, a fim de cada um descobrir o sentido da sua vida e seguir em frente, tem todo o sentido e vantagem.

 

Consultou todos os links mencionados neste post?

Já leu os comentáriosVisite-nos no Facebook.

Para adquirir quaisquer livros que escolher, clique aqui.

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

 

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

CONVERSA ENTRE AMIGOS – 19

Depois de ter recebido do meu amigo Antunes o comentário seguinte:
Caríssimo Noronha.
No próximo sábado, a minha filha tem de voltar com a família directamente para o Porto, porque quer descansar e pôr em ordem a casa, no domingo.
Queremos acompanha-la, tanto quanto possível e, por isso, saímos da cá muito cedo.
A meio caminho, eles seguem de Manta Rota para o Porto, enquanto nós vamos almoçar convosco, bastante cedo para, depois da longa conversa que desejamos ter, podermos chegar a horas de jantar com a filha, mesmo que seja tarde.
Não te telefonei, para não ficarmos muito tempo na conversa.
Um grande abraço do teu amigo.
Antunes
levantamo-nos cedo na manhã de sábado e fomos ao indiano buscar comida para o almoço e, logo depois de chegar a casa e de ter tudo na mesa, os Antunes entraram, muito bronzeados, para nos cumprimentar efusivamente.

 

Mal se sentaram à mesa, sem quaisquer aperitivos, começámos a conversar, aos pares mas, o mais importante para este blog fica na conversa dele (A) comigo (N).

A: Desculpa não te ter telefonado nem te ter dito que gostava dos petiscos da tua terra, porque assim, demoraríamos muito tempo e eu estava a dar ajuda à Lara, nesse domingo.
N: Também te posso dizer que fizeste bem, porque eu também estava ocupado e como já sei das tuas preferências, comprámos chacutí de galinha, à moda de Goa.
Nós também, quando íamos para os lados de Manta Rota e Vila Real de Santo António, gostávamos de petiscar tudo aquilo que é típico do Algarve, e era muita coisa.
Além disso, pensei que hoje teríamos muito tempo para conversar, especialmente com as «novidades» relacionadas com as tuas férias e com as da amiga da tua filha.

A: Começando por aí, que é o mais importante, posso dizer-te que a minha filha, logo que chegou a Manta Rota, foi saber de viva voz o que se tinha passado.
Verificou que a Lara estava a praticar algumas coisas, mas que tinha baixado o ritmo, por ver reduzida a média da autoavaliação de 8 para 6 nos últimos 2 meses, mostrando-se satisfeita com isso.
Por isso, obrigou a Lara a continuar com o relaxamento mental todas as notes, não se escusando de a ajudar durante o dia a iniciar o relaxamento muscular para continuar com o mental, com a obrigação de manter o diário de anotações.
Também exigiu que ela mantivesse devidamente actualizado o registo das autoavaliações e foi conversando com ela para a ajudar a compreender que a persistência é muitíssimo importante, até atingir 3 ou menos na média das autoavaliações, mantendo-se depois nessa situação durante alguns meses.
Depois, deveria continuar a fazer o relaxamento de vez em quando, podendo despender apenas cerca de 3 a 5 minutos à hora de dormir.
Ajudou-a a descobrir de que modo teria o tema para iniciar o relaxamento mental com os factos do dia-a-dia que ia anotando, não devendo perder esse hábito.
Sabes que a Lara já estava bastante elucidada, bem como o marido, depois da conversa tida contigo em meados de abril, mas ficara satisfeita com as primeiras melhoras e já se descuidava com o relaxamento, etc.?
Estava encantada com os livros e não sabia como tinhas tempo e paciência para remodelar todos os que já tinhas escrito.
N: De facto, a conversa foi muito longa, devido às tuas advertências, e os livros que eles levaram, não foram poucos.

A: Olha, que lhes serviram de muito, porque essas duas pessoas possuem boas capacidades, embora não tenham estudado o suficiente.
N: Também me pareceu, embora tenham ficado satisfeitos apenas com as primeiras melhoras.
A Lara já não tem esses medos?

A: Aí é que entra a falta de persistência.
A minha filha teve de se zangar com ela por não continuar a manter todos os procedimentos enquanto não «resolvesse» toda a situação por completo.
Com o relaxamento, que quase «obrigou» a manter, juntamente com o diário e as autoavaliações, começamos a verificar que existia qualquer coisa relacionada com a irmã dela, três anos mais nova e que os medos tinham começado a surgir quando a Lara tinha oito anos.
Lembrei-me do post anterior e do comentário e verifiquei que ela se tinha referido a uma irmã mais velha quando, de facto, era mais nova. 
Então, comecei eu a entrar em acção, conversando com a Lara para ela recordar a sua infância nessa idade, até verificar ou sentir, que o medo dela aumentava.
Lembrou-se das festas a que assistiam e da atenção que os pais prestavam à irmã, regressando a casa só quando a Lara mostrava ter medo de estar no meio da multidão.
Lembrei-me dos reforços e perguntei se ela gostava que os pais lhe ligassem importância.
Respondeu-me que era óbvio e que a irmã lhe tinha tirado esse seu privilégio de ser a única a dar-se muito bem com ao pais.
Conversamos bastante sobre isso, para ela descobrir que os pais, naquela ocasião, tinham necessidade de «tratar» mais da filha mais nova, já que a mais velha tinha crescido bastante e era muito mais capaz e responsável.
Sem eu me ter referido a isso, ela disse-me que se tinha enganado, ao dizer, num comentário, que a irmã era mais velha quando, de facto, era mais nova.
Isso aumentou as minhas dúvidas e levou-me a pensar que ela desejaria ser a mais nova.
Por isso, disse-lhe que recordasse esses tempos e verificasse se os pais não olhavam para ela como uma pessoa mais sensata do que a irmã, mais responsável e capaz de os ajudar a cuidar dos mais pequenos.
Lembrando-me do «…Maluco» (E) cuja versão inicial li por alto, fiz-lhe ver que isso podia ser um privilégio, mais do que uma inferioridade.
Dois dias depois, disse-me que tinha sonhado com esses tempos e que verificara que ela poderia não ter tanto medo como dizia.
Quando a minha filha foi ajuda-la a fazer a autoavaliação, a média tinha baixado mais um ponto numa semana.
Fiquei admirado e disse para insistir nessa «tecla» nas suas viagens de relaxamento mental, verificando a maior importância que os pais davam a ela em relação á irmã.
Na semana seguinte, baixou mais um ponto na autoavaliação, passando a 4. 
N: Bolas. Ó Antunes, assim, deixas-me qualquer dia sem clientela.
O que faço eu depois?

A: Ficas com a tua colecção de Biblioterapia, que não deve ser fácil de gerir.
Acreditas que o marido da Lara leu, na revista do Centro de Psicologia Clínica, o artigo sobre a comunicação que apresentaste no 1º Congresso de Psicologia, em 1979, com o caso do Joel?
Até me disse que esses livros podem ser muito úteis para muita gente em condições semelhantes.
N: Já conseguiste compreender a razão do meu empenho nas tais palestras, com «casos» que podem ser apresentados nessas reuniões, onde muita coisa pode ser económica e rapidamente resolvida ou até evitada?
Se a Lara tivesse esses conhecimentos, teria agora a necessidade de continuar a «sofrer» «medos» e, provavelmente, «humilhações», por causa dos mesmos?

A: Como é que se poderia resolver a situação?
N: Já disse várias vezes e tu já demonstraste isso com a Lara, que é muito importante a «descoberta» das «causas remotas», que estão muito bem «escondidas» ou «camufladas» dentro na nossa mente.
E, só cada um pode lá chegar, depois de saber de que maneira deve percorrer o caminho, conhecendo, para isso, o modo de funcionamento do comportamento humano.
Se a Lara não se tivesse recordado que ela sentia que a irmã era mais bem tratada pelos pais, a quem eles, logicamente, ligavam mais importância por estar mais «indefesa» do que ela naqueles tempos, os seus medos teriam tendência a desaparecer?
Foi necessária uma recordação e uma análise racional da situação, para se chegar ao ponto de verificar que isso não tinha muita coincidência com o que a Lara tinha sentido e percebido (emocionalmente) naquela ocasião, passando depois a entender que os pais estavam a proceder «normalmente», sem proteccionismo exagerado para com a filha mais nova.
Aos poucos, essas lembranças perturbadoras, bem camufladas, deixaram de fazer sentido, porque foram percebidas correctamente e arrumadas no seu canto adequado.
Tudo isso pode ter sido desencadeado pela leitura da comunicação apresentada com a história do Joel (G) que o marido disse ter lido e que deve ter sido «conversada» por ele com a mulher.
Compreendes agora melhor a razão do meu empenho em pôr a «funcionar» a biblioterapia sem haver necessidade de a copiar a partir dos estrangeiros?

A: Eu  estive a dar apoio à Lara até ao meio da semana, mas o que podes fazer com as tais palestras?
N: Durante as palestras, pode-se dizer aos participantes o modo como o comportamento humano funciona em termos de aprendizagem, reforços, modelagem, moldagem, facilitação social, etc…, esclarecendo muitas dúvidas e respondendo a outras perguntas mais curiosas, como já aconteceu na hospital de Vila Franca de Xira (F).
Para isso, seria bom que os participantes lessem, por exemplo, pelo menos o livro da JOANA (D), que é o mais simples e fácil de entender, com exemplos daquilo que acontece na prática do nosso dia-a-dia e que é o resultado de mais de 10 anos de consultas dadas a centenas de Joanas e seus pais, relacionadas com problemas semelhantes.
Estão aí explicados os modos de compreender e de resolver – e até de evitar − os problemas com os quais deparamos todos os dias, a todo o momento e nas situações mais inesperadas.

A: Achas que só isso chega?
N: De modo algum.
Pode-se fazer uma demonstração com qualquer dos participantes a entrar em relaxamento mental ou, pelo menos, muscular ou instantâneo, para conseguir recordar muita coisa e funcionar, com a ajuda da hipnose ou da autohipnose, na técnica da Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA) e da Imaginação Orientada (IO) (J).
Contudo, é necessário que o participante colabore e não imagine coisas esquisitas acerca de hipnose, como geralmente, acontece na maior parte dos espectáculos.
A hipnose é um sono lúcido, com total concentração do próprio, mediante uma aceitação voluntária e muito íntima, ou inconsciente, do participante, podendo fazer viagens mais fáceis ao seu inconsciente e até ao arquivo das recordações.

A: Já sei disso.
N: Lembras-te, com certeza que, num estado semelhante de autohipnose, recordaste o sítio onde tinhas guardado (embrulho muito bem feito pelo teu avô) um papel específico, por especial simpatia que tinhas pelo teu avô.
Era o testamento do fidalgo, que o avô dizia ao teu pai que era muito importante, assim como esse embrulho do maço de jornais que falavam da vossa vila e que eram documentos históricos bastante valiosos.
E até resmungaste alto, a dormir no maple, em linguagem impercetível, sem a tua mulher compreender o que dizias.
Ai o pai. O avô queria que guardasse muito bem!, transcrito no capítulo «O Baú das Recordações».

A: Relembrando este episódio que ela já devia ter lido, realcei a importância da autoavaliações, para saber o momento em que se dava a nossa melhoria e, possivelmente, com que recordações ou escritos do diário.
Com isto, ela começou a compreender que a ajuda da minha filha tinha sido bastante importante e oportuna para tudo isso.
N: Por isso, não te esqueças também do meio ambiente e da tua ajuda telefónica à Cidália (C), que foi de extrema importância, no momento em que ela estava indecisa em relação a tomar ou não os comprimidos que a mãe lhe queria «impingir».

A: Embora tudo isso seja o passado, mas continue a manter alguns procedimentos fazendo o relaxamento mental para entrar em Imaginação Orientada, este episódio abriu-me ainda mais os olhos e confirmou as ideias que sempre comecei a ter desde as nossas conversas em Lagos.
Também adverti a Lara de que, em muitas recordações, podem surgir imagens que nos choquem momentaneamente.
Porém, se olharmos para elas racionalmente, embora tenham sido despertadas emocionalmente, podemos compreender que tudo isso era admissível e «natural» naquele momento, não podendo nós fazer mais nada acerca do assunto.
Também lhe disse que recordar isso, analisar, compreender e arquivar no local certo é muito importante.
N: Também faço o mesmo e talvez entre em Imaginação Orientada mais vezes do que tu.
Por isso, sabes bem o que é autohipnose e que pode servir até para prevenir muita coisa em vez de ficarmos a remendar depois os cacos.
Como pode haver gente que não entenda isso e que se iluda com os espectáculos que são montados com «especialistas» bem treinados, estou muitíssimo interessado em publicar o livro «Eu Não Sou MALUCO!» (E), relatando a psicoterapia que foi feita numa das extremidades dum velho café muito comprido, à mesa e à vista de toda a gente (que não quisesse bisbilhotar, de perto, o comportamento dos outros frequentadores), em 19 tardes, durante 8 semanas e sem ninguém dar por isso e até o dono desse café.
Repara que o Júlio, só no fim da psicoterapia ou, melhor ainda, depois de estar longe de mim, começou a compreender bem toda a sua vida anterior e a «engendrar» para si, autonomamente, uma nova maneira de actuar, compreendendo o modo como funciona o comportamento humano, «aprendendo» com o passado.
Por isso, este livro torna-se bastante importante, até com a vontade dele, como um modelo a imitar.

A: Gostei muito destes momentos e ainda mais do vosso chacutí à moda de Goa, que não é muito picante.
Já descansamos o suficiente para podermos ir a caminho do jantar com a família da nossa filha.
Vais publicar esta conversa, como sempre?
N: Só depois de uma boa noite de Imaginação Orientada para me relembrar de tudo, ao pormenor.
Boa viagem, óptimo jantar e beijinhos à vossa filha e netos e um abraço ao genro.
Felicidades para todos e até qualquer dia.

A: Espero que a tua ideia de Biblioterapia possa ter o eco merecido e necessário nos tempos conturbados que se estão a viver em quase todo o mundo, sem necessidade de «copiarmos», às vezes mal, aquilo que se faz no estrangeiro, quando já cá temos material suficiente, há muitos anos.
N: Também desejo isso e até já explicitei no blog, que poderei disponibilizar o livro «Eu Não Sou MALUCO!» (E) por 10.00€ aos que quiserem inscrever-se já, contactando-me através do meu e-mail, fazendo o pagamento mais cedo, porque depois de publicado, em Dezembro, deverá ter o preço de 15.00€, também com os portes incluídos.

 

Consultou todos os links mencionados neste post?

Já leu os comentáriosVisite-nos no Facebook.

Para adquirir quaisquer livros que escolher, clique aqui.

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

Post Navigation

%d bloggers like this: