PSICOLOGIA PARA TODOS

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Archive for the month “Novembro, 2018”

ESCLARECIMENTO − 5

Tendo recebido um comentário anónimo que diz: “não compreendo porque insiste tanto na leitura e na colaboração do próprio já que o psicólogo deve ser o especialista que deve ajudar”, senti necessidade de esclarecer tudo, melhor do que até ao momento, porque isto pode acontecer até nas consultas.

 

Antes de tudo, posso aconselhar que leia com cuidado o post indicado, bem como o anterior, onde estão mais ou menos sintetizadas as ideias necessárias para se poder reduzir e até evitar a descompensação psicológica, à qual ficamos quase sempre sujeitos ao longo da nossa existência.
Não acredito que haja alguém que não fique sujeito a contrariedades, as quais têm de ser ultrapassadas com muito ou pouco êxito, se não tiverem sido evitadas.
Com estas contrariedades, sofremos punição, ficamos frustrados e, se reagirmos com êxito obtemos reforço positivo ou, caso contrário entramos em depressão, ficando sujeitos ao conformismo, com reforço negativo ou enterramo-nos na depressão aprendida (anaclítica do lactente?).
A nossa reacção ou resposta vai basear-se na aprendizagem que tivermos feito ao longo da vida, durante a estruturação da personalidade, na família e na sociedade em que estivermos inseridos e com os valores e modelos existentes, bem como nos reforços que tivermos recebido e que vão moldar as nossas atitudes e o comportamento futuro.

Se quisermos fazer uma comparação com diversos outros factos da nossa vida, podemos limitar-nos apenas a uma gripe ou a uma constipação.
Ficamos constipados e, com as aprendizagens anteriormente feitas, no ambiente que estivermos inseridos, reagimos tomando algumas precauções e medicamentos ou, se isso não for possível, vamos ao médico para nos aconselhar e orientar.
Neste caso, aquilo que actua é o medicamento, embora haja necessidade de haver algumas precauções que são aconselhadas no momento pelo especialista, se não forem quase automaticamente tomadas com os hábitos que existem na sociedade ou família.
Os medicamentos são substâncias que vão actuar no nosso organismo sem necessidade da nossa vontade ou colaboração.
Nestes casos, podemos utilizar os serviços de um especialista ou, se houver aprendizagens anteriores, seguir as «normas» utilizadas na família ou na sociedade.

Porém, quando existe um problema psicológico, o mesmo não se situa só no funcionamento fisiológico mas sim no «comando» cerebral que orienta os nossos sentimentos, sensações, percepções e, posteriormente, nas acções, podendo influenciar a própria fisiologia, originando a psicossomática.
Neste caso, o mais importante é accionar o cérebro através das ideias, percepções, sentimentos e memórias.
Para isso, o órgão que deve funcionar nas melhores condições é o cérebro.
É no cérebro que devemos actuar e, se essa actuação se realizar através do medicamento, o mesmo vai alterar todo o funcionamento cerebral, deixando-o menos capaz de reagir correctamente e com toda a sua sensibilidade e capacidade.

Chegamos aqui a um conflito em que temos de decidir entre tomar medicamentos e reagir de acordo com o que os mesmos nos deixarem fazer, ou reagir com todas as nossas potencialidades para ultrapassar as dificuldades que sentimos.
Se não reagirmos com as nossas capacidades cerebrais em boas condições, as nossas acções podem ficar dependentes daquilo que os medicamentos deixarem fazer e é o que acontece quando os mesmos entram em acção, com maior ou menor vigor e amplitude.
E os efeitos secundários que os mesmos provocam, com uma habituação quase permanente e alienante!
Se pode haver necessidade de um especialista para prescrever os medicamentos, o empenhamento e a colaboração do próprio são de total importância para que o cérebro entre em acção com toda a sua integridade, embora, de vez em quando ela possa ser complementada ou suplementada pela acção do especialista.
É nisso que se baseia a psicoterapia que, segundo alguns especialistas de muita reputação, torna-se quase imprescindível, mesmo que haja algum apoio temporário com medicamentos.

Contudo, a acção e a colaboração do próprio na psicoterapia, não pode ser descoordenada e aleatória.
É necessário que o interessado sabia o modo como o comportamento humano funciona, para o analisar com humildade, objectividade, realismo e pragmatismo, a fim de o conseguir alterar no sentido desejado.
Por este motivo, embora as consultas de especialidade possam ser necessárias e alguma coisa possa ser explicada durante as mesmas, existem sempre dúvidas que terão de ser esclarecidas em determinados momentos, sem ser em consultas, tal como acontece agora com este post.
Tudo isto aconteceu com o Júlio que, depois de ultrapassar a sua odisseia, (E) que durava mais do que ano e meio, baseada em falsas percepções que tivera ainda em criança, quis que o seu «caso» fosse difundido para ajudar os outros.
Ajudado duas vezes com medicamentos durante ano e meio, foi piorando, até que começou a melhorar quando iniciou os treinos e as leituras necessárias, compreendendo o modo de funcionamento do comportamento humano.
Foi ajudado com o treino da autohipnose e a técnica de Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA), incluida na Imaginaçâo Orientada (IO) (J), no sentido da logoterapia, para ele poder fazer a análise da sua vida, compreendê-la e descobrir novas formas de actuar, com uma reestruturação cognitiva adequada.
Naquele momento, em 1980, não leu livros, porque não existiam, mas sim apontamentos policopiados que havia no momento, em linguagem simples e facilmente compreensível e que foram divulgados posteriormente num livro com a história ficcionada da JOANA (D).

Este livro contém assuntos de centenas de consultas, dadas várias vezes, a pais e crianças, para tentar resolver os seus problemas.
Embora tudo isto esteja, inserido em outros livros tais como «Psicologia Para Todos» (F) «Interacção Social» (K), ou seus antecessores, especificamente destinados a quem deseja aprofundar esses aspectos, muitos assuntos mais importantes são directamente tratados neste blog, que fica à disposição de quem o quiser consultar e fazer comentários ou perguntas.
Quem, mais do que o próprio, pode compreender estes assuntos, que são de toda a importância para analisar qualquer comportamento que nos incomode ou que se deseje modificar num determinado sentido?
De que maneira o poderemos modificar, se não conseguirmos compreender e determinar a sua origem ou causa, para o alterar num sentido que nos interessa ou é mais vantajoso?
Com que meios e em que oportunidade poderemos fazer isso e com que expectativas?

Tudo isso tem de ser ponderado e assimilado pelo próprio, embora a «ajuda» ou a «orientação» de um especialista seja, às vezes, necessária.
Contudo, a compreensão de tudo, sem os efeitos secundários dos medicamentos, é importante para se analisar o passado, verificar as possibilidades, planear o futuro e treinar aquilo que for necessário para modificar a situação no sentido desejado.
Se não houver um total empenhamento, colaboração e empenhamento do próprio, a situação pode prolongar-se por tempos quase indeterminados e sem os bons resultados que se poderiam obter com essa colaboração.
É isso que acontece com muitas pessoas que vão ao especialista e nada fazem a não ser tomar alguns medicamentos que aliviam as dificuldades proporcionando reforço negativo.
A causa ou o mal não é descoberto, analisado e eliminado ou compreendido, para o arquivar em segurança ou descobrir o meio de o ultrapassar, ou até evitar no futuro.

Por este motivo, sendo até muito possível fazer isso autonomamente, foi constituída a colecção da BiblioTerapia, com 18 livros que cobrem assuntos relacionados com psicoterapia, psicopedadogia, treino de interacção social e desenvolvimento pessoal e um guia que pode orientar os interessados.
Como já disse anteriormente, cada um pode fazer quase autonomamente a sua psicoterapia seguindo as indicações dadas num livro específico (P).
Também, para se poder fazer uma aprendizagem social, com modelos daquilo que os outros fizeram, outros livros indicam como foi feita uma psicoterapia autonomamente (B) por uma pessoa em que o seu desequilíbrio poderia influenciar negativamente uma família inteira, a começar pelo insucesso académico da filha e a depressão da mulher.
Também, uma psicoterapia feita com pouca ajuda e muita colaboração da própria (C) ajudou-a não entrar no alcoolismo e em relações sexuais promíscuas, devido a alguns problemas familiares mal compreendidos e, quase «impostos» pelos progenitores, que mantinham uma vida desequilibrada, ocasionando dissonância cognitiva.

São, às vezes, esses pequenos problemas, sem grande importância, dos quais a pessoa não se apercebe e até julga que não são relevantes para o seu caso ou dificuldade, que origina os desequilíbrios.
Tenta-se «esquecer» o problema, como se isso fosse possível, atribuindo as «culpas» a mais alguém ou às circunstâncias do momento.
Por isso, lendo os livros necessários, muita coisa se pode fazer para evitar entrar em descompensação, em vez de tentar resolver o problemas depois e com um resultado pouco satisfatório.

À guisa de recordatória final, interessa fazer algumas perguntas pertinentes:
– Quantas consultas seriam necessárias só para obter estas ideias?
– Quanto tempo se despende nas deslocações e esperas, além do encargo financeiro?
– Quando surgirem as dúvidas, será marcada outra consulta?
– Onde e quando?
O livro está sempre à mão de semear, pode ser lido e consultado em qualquer momento e em qualquer lugar.
Aquilo que fica apresentado no livro é essencial para alimentar o cérebro que se deseja modificar a fim de emitir os comandos necessários destinados a alterar os comportamentos, eliminando aquilo que é desagradável ou inaceitável para cada um.
Nisso, o especialista não pode ajudar sem a colaboração e intervenção do próprio, porque não tem acesso ao cérebro do «descompensado»!
É por este motivo que estou interessado em que se façam reuniões nas quais se possa esclarecer, ao mesmo tempo, a bastantes pessoas, muitas das dúvidas que surgem naturalmente e, sendo de vários interessados, podem elucidar antecipadamente o restante auditório.
Deste modo, tal como aconteceu com a JOANA, pode haver uma acção preventiva que evite muitas descompensações futuras que, provavelmente, ficarão mal resolvidas, tal como dizia Joel, que tentou «estrangular» a noiva, devido aos seus sentimentos de inferioridade, mas sem a mínima intenção de a matar.
Mas a sua acção, executada pela terceira vez, valeu-lhe o epíteto de «Psicopata» (G), com internamento imediato, mas apoio psicoterapêutico oportuno, embora muitos inesperado.
Depois da sua melhoria, Joel foi o principal instigador para a publicação duma lista de procedimentos que se transformou, em sua homenagem, em «AUTO[psico}TERAPIA» (P), ficando muito pesaroso por não haver, no tempo dele (1976) livros com que ele se pudesse elucidar para conseguir adquirir, embora tardiamente, uma educação adequada que nunca tivera, embora internado num bom colégio religioso, por ser filho de pais divorciados e uma avó muito «distante».
Espero que estas informações tenham sido úteis e capazes de eliminar algumas dúvidas.
Até à próxima.

 

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PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

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ESCLARECIMENTO − 4

Há dias, recebi um extenso email do amigo do Felício, com quem tinha conversado largamente sobre a autoterapia e que ia ser temporariamente destacado, de novo, para Bélgica, onde tinha estado em princípios de Agosto.
Dizia que estava a consultar o meu blog e que até já vira alguns episódios de «CASOS DA VIDA», da TVI, sendo o último «A MULHER DO SOLDADO», de princípios de Novembro, que o impressionara imenso.
Entre várias outras coisas que foi apresentando e descrevendo nesse email, vou mencionar apenas aquilo que interessa neste momento para a elaboração deste post.

 

Ele dizia no email que já conseguia fazer o relaxamento muscular, atingia o relaxamento mental, estava a manter um diário de anotações e já tinha elaborado um plano para as autoavaliações que fazia todos os domingos.
Queria saber, essencialmente, aquilo que devia fazer para conseguir preparar uma estratégia para a Imaginação Orientada, já que podia haver no seu passado coisas que o tivessem traumatizado, tal como julgava que tinha acontecido com o soldado do evento da televisão, destacado no Iraque.
Só com a visão do incêndio da casa e da necessidade do seu comportamento de salvar o filho, as coisas tinham mudado muito naquela família.

Abordando estas dificuldades num novo post, a fim de mais pessoas aproveitarem os conhecimentos necessários para esta estratégia, acho que um ponto fundamental é o conhecimento do funcionamento do comportamento humano.
Isso pode-se apreender facilmente com a leitura no livro da história de ficcionada da JOANA (D).
Embora todos os procedimentos necessários tenham sido demonstrados, na prática, a essa família, os pais (muitos pais e filhos em consultas) foram discutindo nas consultas e reorganizando as suas ideias que nem sempre coincidiam com a realidade e com as suas necessidades do momento.
Neste contexto, posso dizer que antes prevenir do que tarde remediar é muito melhor.

Por isso, saber aquilo que é reforço positivo e negativo é essencial, compreendendo que o mesmo é sempre satisfação para essa pessoa, naquele momento.
Se a pessoa conseguir atingir aquilo que deseja, é positivo mas, se conseguir fugir com êxito daquilo que não deseja ou incomoda, é negativo.
Esse reforço negativo é geralmente ocasionado por uma punição, que é a dificuldade ou restrição imposta por alguém ou pela situação do momento, sendo muito importante que uma punição não se transforme em reforço negativo.
Algumas vezes, o reforço negativo, pode conduzir à frustração em virtude de não se ter conseguido o objectivo pretendido.
Provavelmente, haverá respostas, das mais diversas, a essa frustração, dependendo das condições do momento e das circunstâncias de toda a situação.
Se houver sucesso nas respostas à frustração, alcançando patamares de comportamento melhores, as mesmas podem servir, em alguns casos, como uma forma de ultrapassar dificuldades, como se pretende na Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA).
Caso haja insucesso, também podem conduzir a pessoa ao conformismo e ao «deixar andar», para não gastar inutilmente, mais energias, o que pode ser mau e provocar uma depressão aprendida (depressão anaclítica do lactente?).

Também se torna necessário ter noções dos condicionamentos clássico e operante.
O condicionamento clássico é uma resposta dada a um estímulo fortuito que geralmente ocasiona essa resposta, tal como a «água na boca» quando se chega a um restaurante e se vê um prato do qual gostamos muito.
Contudo, depois de isso acontecer várias vezes, só o cheiro desse prato, pode provocar o comportamento da «água na boca», sem a existência do mesmo.
O condicionamento operante exige que façamos uma acção, nem que seja fortuita e que a mesma nos proporcione satisfação.
Depois de várias associações entre esse comportamento e a satisfação posterior, o mesmo é executado, à espera dessa satisfação, mesmo que ela já não exista.
Isso depende da aprendizagem que se baseia em duas leis – do efeito e da repetição.
A lei do efeito diz que quando uma acção nos proporciona satisfação, tem tendência a ser repetida, tal como entrar num café em dia de calor e sentir a frescura do ar acondicionado.
A lei da repetição diz que quantas mais vezes sentirmos o gosto por essa frescura, o comportamento de entrar no café ficará mais consolidado.

A aprendizagem também depende muito dos estímulos existentes, dos reforços que vamos recebendo e dos modelos que são proporcionados.
A aprendizagem por modelo depende dos modelos que a pessoa vai tendo, sendo fundamental que, na educação, os modelos apresentados, essencialmente pelos pais, sejam adequados e com os «valores» mais importantes numa sociedade que se deseja justa, igualitária, fraterna, humanista e solidária.
Caso contrário, nessa aprendizagem social, que ocasiona reforço vicariante, a aprendizagem pode ser desastrosa, como demonstrou Albert Bandura, nas suas experiências com jovens delinquentes e não delinquentes.
De tudo isso vai depender a estruturação da personalidade que se vai fazendo desde o nascimento até cerca dos 18 anos, ou mais, não se devendo desprezar, a influência do meio ambiente em que a pessoa estiver inserida, além dos factores hereditários.

Além disso, a pressão, a facilitação ou a inibição social ajudam a que essa aprendizagem seja feita de uma maneira que determinará as atitudes que enquadrarão, a cada momento, os comportamentos com que a pessoa irá reagir no meio ambiente em que estiver inserida.
Nesse meio ambiente, existem estímulos que são factos, ideias, comportamentos, sinais, etc. que desencadeiam os nossos comportamentos de acordo com aquilo que sentimos, percebemos e deduzimos em conformidade com a estrutura de personalidade, formada a partir de nossa educação.
Muitas vezes, os nossos comportamentos ou acções são conscientes mas, em certos casos, de acordo com as estimulações a que ficamos sujeitos, reagimos sem dar conta do facto ou até contra a nossa vontade.
Quando ficarmos conscientes dessa falta de controlo, ocasionam ansiedade, angústia, medo, obsessão, ou necessidade de comportamentos compulsivos, etc.

Deste modo, quando os nossos actos ficam fora do nosso controlo e somos incapazes de os orientar de acordo com a nossa vontade, entramos em neurose e, a maior parte das vezes, recorremos aos medicamentos que nos ajudam a suavizar a situação reduzindo o desconforto que sentimos pela nossa incapacidade de a controlar.
Contudo, a acção dos medicamentos desenvolve-se sobre o nosso cérebro, que controla toda a actividade de sentir, perceber, ter emoções e comportamentos, diminuindo ainda mais a capacidade de sentir, perceber e controlar as nossas acções que queremos reduzir ou eliminar.
Em consequência disso, ficamos ainda mais incapazes de controlar os comportamentos que não nos interessam ou que nos incomodam, porque continuamos a ficar sujeitos às causas que os desencadeiam.

Sintetizando tudo, podemos dizer que, deste modo, determinados comportamentos ficam fora do nosso controlo, contra a nossa vontade e sem capacidade de os contrariar, reduzir ou eliminar.
Por isso, temos de procurar as causas que os desencadeiam e tentar reduzi-las ou eliminá-las, ou até, se for possível, utilizá-las de forma criativa para melhorar os nossos comportamentos futuros.
Como poderemos fazer isso, sem analisar essas causas que se encontram muito bem escondidas e, talvez disfarçadas, nos recônditos na nossa memória, não consciente, com todos os traumatismos que sofremos, positivos e negativos?
Às vezes, os comportamentos dos mais velhos podem criar em muitas crianças dissonância cognitiva, deixando-as perplexas perante situações que exigem ponderação, se não as perturbarem ainda mais do que já se encontram, sem saber que comportamento adoptar.
Para tanto, a análise da situação exige que se concentre toda a atenção nas recordações do passado e nas lembranças efémeras e súbitas ou disformes que surgem de vez em quando.
Essa análise, só se pode fazer com uma viagem ao não-consciente ou inconsciente, autonomamente ou com a ajuda dum especialista competente e honesto.
Poderemos fazer essa análise de maneira pragmática, racional, objectiva, realista e despretensiosa sem saber como funciona o comportamento, para o poder modificar com uma nova reestruturação cognitiva vantajosa e capaz de alterar o futuro?
De qualquer modo, vai exigir que uma pessoa se relaxe completamente (mentalmente), fique desligada do mundo que a cerca e mergulhe nas profundezas das suas memórias ou recordações.
Não sendo uma tarefa fácil, exige que a pessoa não utilize as suas «defesas» (A), o que pode ajudar a compreender tudo de maneira completamente desligada do senso comum e da realidade, talvez até de forma distorcida, para tentar justificar como aceitável tudo o que cada um recordar ou executar.
Além disso, a pessoa tem de contar com o pico de extinção, relacionado com a quebra das melhorias conseguidas, o qual acontece quase sempre, na aprendizagem dos comportamentos, especialmente dos novos e mais saudáveis ou até na redução dos indesejados.
Todo este «trabalho» não é fácil e a análise que se deseja, exige que se conheça bem o funcionamento do comportamento de acordo com os conceitos apresentados no início deste post e amplamente difundidos no blog.
Se se desejasse fazer algum «trabalho» com o «Soldado» ao qual se referiu no início, seria bom analisar a sua vivência durante a infância e adolescência, a sua ligação com o seu pai e com o pai da mulher e verificar quais e porquê existiam divergências nos comportamentos e conceitos dos pais do casal.
Isso só poderia ser feito por um especialista bem treinado para ajudar a pessoa a entrar em relaxamento mental profundo, talvez com hipnose ou até autohipnose a fim de recordar os tempos passados e verificar ou sentir aquilo que os comportamentos e conceitos dos outros tinham provocado na estrutura da sua personalidade em formação.
Depois de analisados cuidadosamente todos os acontecimentos ou recordações, interessaria estabelecer nexos de conexão que pudessem ter originado nessa pessoa, traumatismos, condicionamentos e comportamentos pouco adequados.
Com essa aprendizagem dos factos passados, deveria ser possível estabelecer um plano de actuação que ajudasse a conseguir «engendrar» comportamentos mais adequados, coerentes e desejados.
Aquilo que aconteceu, por acaso, durante o incêndio da casa, poderia acontecer durante as sessões de Imaginação Orientada mas, provocar isso, é muito difícil e torna-se ainda mais demorado autonomamente, do que com a ajuda de um especialista.
São factos antigos que podem estar completamente soterrados, parecendo irrelevantes e desconexos da realidade actual.
É por isso que qualquer pessoa, falando de si, acha que se está a comportar-se bem e, se houver qualquer discrepância ou comportamento indesejado ou descontrolado, a culpa é de qualquer coisa exterior, o que ocasiona a justificação de que não seria possível proceder de outro modo.
Era o que acontecia com esse soldado que se «achava bem», sem necessidade de qualquer apoio.
Pedir apoio seria inferiorizar-se e imaginar que estava mal e sem se poder controlar, tal como acontecia com a Cristina (L).
Esse controlo foi hipoteticamente procurado por ele oferecendo-se para mais uma comissão de serviço em Timor.
Qual a razão «profunda» desse oferecimento?
Seria para fugir de ideias absurdas que o perseguiam disfarçada e clandestinamente, com muita cerveja à mistura?
Como descortina-las, compreendê-las, desmontá-las e até utilizá-las a seu favor?
Não é tarefa fácil nem rápida e exige muita persistência e perseverança!

Por este motivo, falando em casos reais, passados há muitos anos, posso dizer que a maior parte das crianças necessitavam de se deslocar e ausentar-se para locais distantes da casa dos pais, a fim de poder estudar desde o actual 5º ano do ensino obrigatório, isto é, antigo 1º ano do Liceu ou Ensino Secundário.
Nunca soube de pessoas traumatizadas por esse facto, embora pudesse haver algumas.
Quando comecei a psicoterapia com o Júlio (E), também não me «passou pela cabeça» que isso fosse o «seu problema» principal para a depressão de que tinha sofrido, com três tratamentos psiquiátricos, durante quase ano e meio, ingerindo medicamentos em doses cada vez maiores.
Foi a análise feita quase à mesa de um café, durante várias tardes de «conversa fiada», das suas leituras de apontamentos policopiados, das anotações de recordações que ia tendo, assim como do treino mantido todas as noites para fazer o relaxamento mental, que a situação «ficou resolvida» por completo, proporcionando-lhe um patamar de actuação extremamente elevado.

Afinal, o problema fundamental causador das suas depressões, era o traumatismo negativo sofrido por ele apenas por ter tido necessidade de estudar em Lisboa, desde o 5º até ao 10º ano, dos 10 aos 16 anos, muito bem instalado em casa do primo e padrinho, enquanto os outros três irmãos mais novos estavam a viver com os pais, numa aldeia dos arredores de Coimbra.
Ele achava que estava «desterrado» e «abandonado pelos pais» em Lisboa, parecendo que os pais não gostavam dele por o terem deixado tão longe e sem a sua companhia a maior parte da sua vida.
Afinal, foram seis anos longe dos pais.
É por esse motivo que, para uma boa biblioterapia, estou muitíssimo interessado em publicar «Eu Não Sou MALUCO!» (E), com a história da psicoterapia do Júlio, que me abordou no início com essa exclamação, no hospital onde eu colaborava como voluntário.

Afinal, na sua psicoterapia, quando ainda não existiam livros, apenas alguns apontamentos policopiados destinados a aulas de Psicologia e Psicopatologia dos cursos de formação para promoção de ajudantes a enfermeiros, serviram para o seu esclarecimento, tanto quanto dos próprios enfermeiros.
Com as cerca de 120 sessões de meia hora em «local impróprio» e mais duas no gabinete de um hospital, além da sua total colaboração, ele conseguiu passar de ajudante de escriturário a um dos sócios da empresa onde trabalhava, além de se especializar em informática, contabilidade e conseguir tirar o curso Superior de Economia.

Posteriormente, depois de muito mais «ampliados», «completados» e «reorganizados» esses apontamentos deram origem aos livros «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» (D), «Psicologia Para Todos» (F) e «Interacção Social» (K).
Em todo este sistema de terapia, o importante é a utilização das recordações ou emoções positivas que fomos tendo ao longo da vida para contrariar as negativas das quais nos queremos livrar ou ver reduzidas.
Neste contexto, em que o reforço do comportamento incompatível é importante, o diário de recordações e a autoanálise são de extrema utilidade porque esta também pode provocar o efeito de Zeigarnick reavivando muitas lembranças escondidas, especialmente por causa da interrupção da escrita, devido à necessidade de manter estritamente o tempo estipulado para isso.

Este tipo de Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA), anterior à utilização de «Imaginação Orientada» (IO), descrita neste livro, foi utilizada também com o Joel que tentou «matar» a noiva, com uma terceira tentativa de a «estrangular», sem sucesso, por causa dos seus sentimentos de inferioridade e das várias dificuldades na educação durante a estruturação da sua personalidade.
Depois deste terceiro episódio, «apelidado» pelo psiquiatra como Psicopata, ele foi tratado com medicamentos, mas sujeitou-se à psicoterapia, com grande colaboração sua e muitas leituras, também de apontamentos policopiados.
Quando «conseguiu descer ao fundo do seu não-consciente» vivenciou toda a sua vida atribulada na infância, passada numa instituição de internamento escolar, sem família que o acolhesse e o acarinhasse devidamente.
Os treinos, as leituras e as práticas adoptadas por ele, descritas no seu livro «PSICOPATA! Eu?» (G) fizeram com que compreendesse que nunca fora «psicopata» mas sim um «neurótico depressivo inferiorizado reactivo».
Isso quase o obrigou a solicitar, pouco antes de morrer de dificuldades cardíacas, que eu fizesse uma Lista de Procedimentos para ajudar os outros a não terem a triste vida que ele continuava a viver até ao momento.
Essa lista foi transformada actualmente, em sua homenagem, no livro «AUTO{psico}TERAPIA» (P).

Para uma melhor apresentação da finalidade dessa psicoterapia, o livro «BiblioTerapia» (Q) ajuda a compreender que esse tratamento é destinado a ultrapassar dificuldades pugnando por uma vida melhor e não apenas a reduzir as dificuldades, mas exige de cada um todo o trabalho da leitura dos livros adequados, treinos necessários e persistentes, ajuda do meio ambiente e toda a colaboração com o especialista que der ajuda.
Também, para que cada um possa fazer uma psicoterapia, apoio psicopedagógico, treino de interacção social ou desenvolvimento pessoal, o último livro da colecção, «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R) dá indicações que podem guiar os interessados a fazer uma leitura adequada e proveitosa antes de qualquer consulta, poupando muitas delas, assim como tempos de viagem e de espera, além das óbvias vantagens financeiras.

Com os livros já publicados nesta colecção e, às vezes, os anteriores que foram reformulados, uma pessoa pode iniciar a sua preparação para a psicoterapia, se não for uma psicoterapia autónoma, como aconteceu com o Antunes (B).
Aquilo que fica explanado agora neste post, se fosse em consultas, nunca demoraria menos do que 10 sessões e, provavelmente, exigiria do interessado leitura ou consulta posterior de livros adequados.
O livro, ficando sempre «à mão de semear», custa muitíssimo menos do que uma consulta e pode ser lido ou consultado em qualquer momento e local, até quando uma pessoa está calmamente sentada  no «local das grandes ideias!».

Julgo que tentei dar uma ideia mais ou menos concisa e abrangente das perguntas feitas no referido email, dizendo também que quem desejar o novo livro mais barato, despendendo apenas 10.00€, em de 15.00€ posteriormente, tem de entrar em contacto comigo com a maior rapidez, de acordo com as indicações dadas anteriormente e repetidas agora para a generalidade dos livros.
Embora o link agora apresentado seja de todos os livros, alguns daqueles que ainda não foram publicados, têm as versões anteriores publicados pela Plátano, Clássica, Escolar e Hugin, que se encontram à venda no mercado, englobando os casos da Cristina, da Germana, da Isilda, do Januário e do «Mijão».
Além deste blog, que dá respostas a muitas perguntas, dúvidas e comentários, tal como agora, a consulta esmiuçada dos assuntos publicados pode servir da ajuda que seja necessária, enquanto não houver as tais palestras de que falo constantemente e que podem servir para reduzir imensas consultas individuais, ajudando a encurtar e a obter maior rendimento e eficácia na psicoterapia.

Desejo muita sorte ao «dono» do email e aos que consultarem este post.

 

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