PSICOLOGIA PARA TODOS

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PSICOPATA! EU?

No dia do meu passeio habitual, começou a chuviscar e achei melhor sentar-me à mesa do café por onde passava todas as semanas.
Como a minha mulher deveria demorar mais tempo do que o habitual, levei comigo a cópia do livro «Psicopata! EU?» (G), que me tinha sido entregue pela gráfica, para as últimas correções.
Quando estava a rever as primeiras páginas, entrou o Sr. Felício, a correr, e dirigiu-se imediatamente para a minha mesa, cumprimentou-me com satisfação e disse que era o seu dia de folga, mas que estava a fugir dos chuviscos.

F: Bom dia.
Está a começar a chover de tal maneira que achei melhor esperar cá, mas ainda bem que o encontro, porque desejava imenso falar consigo.
N: Bom (Mau) dia, mas é capaz de me servir para ir corrigindo as provas que recebi da gráfica.

F: É um livro novo, não é?
N: Sim.
Foi o primeiro caso que apresentei no 1º Congresso de Psicologia, em 1979, com a presença do «protagonista», bem arranjado, sentado entre duas das minhas colegas, que conversaram muito com ele, mas sem o conseguirem reconhecer, nem suspeitar quem era.
Fica tudo explicado neste livro, que me pareceu exigir o sacrifício monetário de o publicar, já que se torna muito difícil fazer isso, sem deixar esses livros à venda nas livrarias.

F: Quando o publicar, quero um para mim.
N: Pode estar descansado, que não me vou esquecer de si.

F: Qual a razão de não os deixar nas livrarias?
N: Estes livros são o «resultado» dos apontamentos policopiados que foram lidos por muitas pessoas que assistiram às aulas e, só com isso, conseguiram obter benefícios nas suas vidas, compreendendo melhor a Psicologia.
São também os apontamentos dos resultados das psicoterapias de algumas pessoas que foram ajudadas, tal como este protagonista.
Praticando aquilo que é necessário, muito se consegue fazer económica e comodamente, sem muitas consultas ou sessões de psicoterapia: TEA (ou TEE?) + IO + autohipnose.
É a aprendizagem social, com modelagem, reforço vicariante e moldagem, podendo haver também alguma identificação com os exemplos apresentados nos livros.

F: Dou-lhe razão, porque alguns amigos meus têm querido ler o seu livro de «AUTO{psico}TERAPIA» (P) e tem-se mostrado satisfeitos a ponto de me pedirem para ler outros, que já tenho comigo.
Embora eu não tenha visto os resultados, parece que eles ficaram satisfeitos e até julgo que estão com menos «stress» e a darem-se melhor com a família.
Mas, qual a razão de não deixar os livros nas livrarias e publicitá-los como todos fazem?
N: Vou dar a minha explicação.
Muitas versões antigas destes livros foram publicadas pelas editoras Clássica, Escolar, Plátano e Hugin e estão nas livrarias.
Em primeiro lugar, a mania das editoras alterarem, às vezes, a redacção, a ordenação e a apresentação dos originais, não me agradaram e as capas ainda menos.
Em segundo lugar, os livros não são para diversão dos leitores ou para eu ganhar dinheiro, o qual necessito de reaver, apenas para suportar os custos da paginação, apresentação, elaboração das capas e impressão.
Prescindo dos direitos do meu trabalho, porque a minha maior satisfação (reforço positivo) é a utilidade que eles têm para os utentes.
É por isso que os estou a publicar em impressão digital, com tiragem muito reduzida.
Os livros destinam-se essencialmente a ajudar as pessoas a compreender bem a psicologia (F), a fim de evitar os desequilíbrios, a melhorar a sua interacção familiar e social (K) e a poder resolver as suas dificuldades, se é que não as conseguiram evitar.
Sabendo aquilo que os outros fizeram e compreendendo como as coisas funcionam, as pessoas podem ter um modelo de actuação que conseguirão seguir.
Às vezes, podem necessitar de alguma ajuda, mas a mesma até pode ser dada, em conjunto, a muitas pessoas, sem cada um ter de «desvendar» publicamente os seus segredos.
É por esse motivo que falo nas tais palestras, às quais sempre me refiro.
E também, é por esta razão que conglomerei muito mais de 10 anos de consultas a centenas de pais e filhos, na história ficcionada da JOANA (D), que foi uma das principais protagonista das consultas durante alguns anos, muito relacionadas com a compreensão da psicologia, da interacção social, dos mecanismos da psicoterapia e dos resultados benéficos que se obtém com uma prevenção e profilaxia adequadas.
Tudo isto se consegue com uma «boa educação», tal como foi a da Joana que, presentemente, está com o irmão e as respectivas famílias, além dos pais, já reformados, na Austrália, vivendo todos muito melhor do que cá, apesar dos incêndios que os perturbam.

F: Gostei da história da Joana.
Mas, não acha que os livros deveriam ser devidamente publicitados, especialmente entre os psicólogos?
N: Ainda bem que me diz isso, porque estas críticas interessam-me bastante.
Em relação à difusão entre os psicólogos, posso dizer que, logo depois da publicação de «Como Compreender as Crianças» e do «O Uso Social da Psicologia (ou, posteriormente, «Psicologia no dia-a-dia»), respectivamente, pela Plátano e Clássica, uma psicóloga a quem os ofereci, torceu bastante o nariz e disse-me que eram muito popularuchos.
Foi o melhor elogio que me poderia fazer, porque é para a população que estou a escrever e não para os psicólogos que sabem muito e deixam essa «ciência» apenas nas suas próprias cabeças, como se os outros não a pudessem ou devessem utilizar para seu proveito na vida do dia-a-dia.
Para mim, é para isso que serve a Psicologia: é para ser utilizada na vida prática, com proveito para todos.
Também é por isso que quase exijo que os leitores dos meus livros façam uma avaliação crítica e honesta, numa escala de 1 a 5, em relação a três parâmetros que me interessam, a fim de poder alterar qualquer coisa que possa servir melhor a população em geral:
interesse do assunto;
clareza na exposição;
simplicidade da linguagem.

F: Está a obrigar-me a pensar no assunto.
Mas estou a lembrar-me dos diversos livros de autoajuda que vêm com cassetes de relaxamento, instruções, etc.
N: Pense bem enquanto me vai ouvindo.
Se eu escrevesse como se escreve nesses livros, eu iria dando indicações que se coadunam só comigo ou com as poucas pessoas com quem tive a sorte de obter bons resultados.
E essas pessoas ajudaram-me a aprender muito; mas os restantes?
Embora existam certos procedimentos que têm de ser executados, treinados e persistentemente mantidos, tudo o resto depende muito da própria pessoa, situação, evolução do caso, causas que provocaram os desequilíbrios e, às vezes, percepção específica dos traumatismos que ocasionaram esses desequilíbrios.
São factos unipessoais e muito diferentes de pessoa para pessoa e, às vezes, de momento para momento, dependendo também imenso do meio ambiente em que a pessoa fica inserida e se movimentou e movimenta.
Os meus pacientes ou aqueles (utentes) que me aturaram durante as psicoterapias, ensinaram-me muito.
Quando uma vez disse a um jovem que utilizasse as músicas de Nat King Cole que me relaxavam bastante, ele respondeu-me que ele só se sentia bem com as de Jason Mraz e o meu amigo Antunes ficava deliciado com os Nocturnos de Debussi (B).
Quando, mais tarde, fui ouvir essas músicas e as do “Rap”, das quais me tinham falado, achei que não só me aborreciam como até me deixavam incomodado.
Cada um sabe aquilo que o relaxa ou excita e pode utilizar isso como um sinal condicional para o ajudar a relaxar ou excitar.
Para isso, tem de compreender como funciona a aprendizagem e é por isso que me preocupo em reorganizar os livros, em manter os blogs e em responder aos comentários e pedidos que me são feitos.
Tenho tido esta preocupação, recomendando os interessados a compreender aquilo que se explica nos livros indicados com (F) e (K) ou, pelo menos, mais resumidamente, em (D).

F: Acha que isso é muito importante?
N: Para quem possa ou deseje ficar muito ou pouco tempo na dependência dos psicoterapêutas, ou não necessite de ter melhorias rápidas e duradouras, isso pode não ser muito importante.
Contudo, para quem deseja ser independente, autónomo, produtivo e saudável, torna-se quase imprescindível, ficando depois a orientar a sua vida como desejar e sem dependências de qualquer espécie.

F: O que quer dizer com as dependências?
N: Muito simplesmente, livre de psicólogos, aconselhadores, medicamentos e até capaz de aguentar um meio ambiente familiar e social, que pode não ser o ideal e até difícil de aguentar, como acontece com qualquer pessoa considerada «normal», mas saudável.

F: Não percebi.
N: Todos nós temos frequentemente altos e baixos, que vamos ultrapassando com alguma dificuldade, se não sucumbirmos perante os mesmos para entrar na doença ou no desequilíbrio mental ou psicológico.
A forma de aguentar tudo isso saudavelmente, ultrapassando essas dificuldades, depende das compreensões que formos tendo do funcionamento do comportamento humano e do treino adquirido para as ultrapassar saudavelmente.
É por isso que sou adepto duma «EDUCAÇÃO» em que as crianças possam aprender tudo isso desde a nascença conseguindo bons modelos, especialmente dos pais.

F: Mas isso não é difícil?
N: Fácil não é, mas vale a pena.
Foi o que aconteceu com a JOANA (D) e, como já disse, a sua vida é agora muito diferente dos tempos em que a conheci e que, além de transmitir isso ao irmão que ajudou a educar, está a incutir nos seus filhos.
Como exemplo, posso dizer que os três casos descritos em «Psicoterapias Bem-Sucedidas – 3 casos» (L) e os quatro apresentados em «Psicoterapias Difíceis» (M), exemplificam os dois aspectos da situação, que realça a importância do meio ambiente familiar e social, com os preconceitos existentes, na boa ou má resolução dos casos ou até da sua impossibilidade.
Além disso, veja bem como é que a Cidália (C) resistiu aos conselhos insistentes da mãe para tomar os comprimidos que ela utilizou durante toda a vida, quase sobrevivendo num autêntico disparate, que foi, posteriormente, devidamente compreendido pela filha.

F: Isto é complicado, mas parece que fico satisfeito com as explicações dadas.
N: Ainda bem que me diz isso.
Fico satisfeito e espero que possa transmitir estas explicações aos seus amigos e familiares para que eles se possam precaver em tempo oportuno.
O meu propósito fundamental é esse e é por isso que fico com os livros nas minhas mãos, para que possa comunicar com as pessoas interessadas, ajudando-me também a difundir estas ideias que podem apoiar muita gente.
Estas ideias existiam, já devidamente comprovadas, desde 1980 (E), com o caso do Júlio, mas só agora, nos princípios deste século, é que se ouve falar na «prescrição de livros» para psicoterapias, no Reino Unido, porque os seus serviços não têm capacidade de atender os utentes de forma tradicional.

F: Acha que isso é possível? 
N: O importante é o interessado disponibilizar-se para ler o que é necessário, compreender o seu significado, praticar o suficiente e ter a perseverança de manter os procedimentos adequados com humildade suficiente para analisar a sua vida passada, sem desculpabilizações espúrias e «convenientes», a fim de tentar alterar o seu comportamento com práticas adequadas para a situação.
Tudo isso só pode ser feito na cabeça do próprio, embora ajudado, de vez em quando, por um especialista na matéria.
Contudo, é mais importante, recordarmos frequentemente as boas coisas que nos aconteceram e que nos podem ajudar a analisar e utilizar em futuras situações de forma produtiva,, com as alterações necessárias para cada caso.
E isso, só pode ser feito por cada um, com o baú de recordações que existe dentro da sua cabeça.

F: Já cá estamos há bastante tempo e a chuva já parou.
Obrigado por tudo.
N: Julgo também que já chegou o momento de ir buscar a minha mulher.

F: Espero que tenha um bom Ano Novo e que possa conseguir difundir as suas ideias entre outros, já que em relação a mim, já estou conquistado. 
N: Também lhe desejo um Ano Novo Feliz e Próspero e com muitas possibilidades de disseminar estes conhecimentos entre os seus amigos e conhecidos.
Pelo menos, esses poderão evitar muitos dissabores, se se prevenirem e tomarem conhecimento do funcionamento dos mecanismos do comportamento humano em tempo oportuno e praticarem o necessário.
Vou tentar estar algumas noites em Imaginação Orientada (J) para poder elaborar um post que possa publicar, logo que possível, a fim de o difundir na quarta-feira, no facebook, como faço todas as semanas.
Agora, até existe o livro «Psicoterapia… através de Livros…» (R), que pode ajudar imenso quem deseje tomar conhecimento de tudo o que se pode fazer quase autonomamente ou com pequeníssima ajuda.
Felicidades e, mais uma vez, Bom Ano Novo.

 

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