PSICOLOGIA PARA TODOS

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CONVERSA ENTRE AMIGOS – 7

Ontem, quando dava o meu passeio habitual, vi o Amigo do Felício à minha espera à porta do café, para me dizer que muito do que ele praticava em «AUTO{psico}TERAPIA» se esvaia com as constantes notícias sobre os fogos repetidos e contínuos que estão a assolar o nosso país. Também tinha pouco tempo para conversar porque antes do meio-dia tinha de estar no local de trabalho, que não era próximo.

 

AF: Haverá alguma coisa que ou possa fazer para contrariar tudo isso?
N: Como não «manda» nos noticiários das televisões e necessita das mesmas para outras notícias e diversões, não pode interferir nos fogos, na sua extinção, nem na sua prevenção, a solução é aguentá-los o melhor possível. Já tive de dizer, há muitos anos, ao Júlio, numa situação semelhante, que o melhor a fazer é infiltrarmo-nos nessas ideias, recordações, imagens ou visões, tal como se faz numa guerra de guerrilha e do mesmo modo como fazem agora os «terroristas» ou «islamitas», ou seja o que for.

AF: Como é que é isso?
N: A cabeça que pensa nessas dificuldades não é sua? Não está sob o seu comando? Não é por sua iniciativa ou acção que a mesma pode mudar de rumo?

AF: Não percebi.
N: Quando tiver essas ideias ou chegar a ver essas imagens, concentre-se nelas e imagine se poderia ter evitado essa tragédia. Veja de que maneira poderá combatê-la. Pense, de que modo poderá ajudar alguém nessa situação. Seja o mais realista possível. Se está a fazer ou a praticar o relaxamento mental, podendo ser antecedido pelo muscular, até se pode sentar num sofá à frente da televisão, concentrar-se na mesma, fechar os olhos e imaginar aquilo que acabei de dizer. Neste estado, estará quase a entrar em relaxamento propício para o descanso ou sonolência. Estará quase num processo de IO, com TEA, ajudado pela autohipnose.

AF: Não me parece difícil fazer isso. Mas conseguirei esses resultados?
N: Tudo depende da prática que for mantendo. Sem prática nada vai conseguir. Não imagine que pode ir ao gabinete dum psicólogo e pedir ajuda sem nada fazer por si. Quase tudo depende de si. Aquela espécie de concelhos que se dão em vários locais e meios de comunicação social e até em consultas, podem não dar qualquer resultado a não ser o de deixar a pessoa na dependência de quem o «ajudar».

AF: Mas na hipnose não tem de haver quem ajude?
N: Pode haver quem ajude no início, se a pessoa não conhecer os seus mecanismos. Já se verificou isso com as práticas de Mesmer. Contudo, anos depois, o Abade Faria demonstrou que tudo depende de cada um e não dos outros. Pouca difusão se fez desta importante descoberta e prática, a não ser 20 anos depois, com as famosas informações de Braid. Enquanto estas foram publicadas logo de seguida, são quase a cópia do livro pouco divulgado do Abade Faria «De la cause du sommeil lucide» publicado muito depois da sua morte. Acho que os outros dois livros escritos pelo Abade Faria nem foram publicados.

AF: Isto não é justo!
N: Infelizmente, é a realidade. É preciso espectáculo. Para isso, prefiro ver o «o Gordo», Fernando Mendes. Caso contrário, pouco ou nada se faz.

AF: Porque é que diz isso?
N: Com muita propaganda que se ouve e até se vê na televisão, existem práticas e «novidades» que «alimentamos» sem coisa alguma de positivo.

AF: Está-se a referir a quê?
N: Não ouve muitas notícias sobre Psicologia Positiva, Mindfullness, Biblioterapia, etc?

AF: Não compreendi.
N: A Psicologia Positiva, que muitas vezes é difundida e praticada sem cada um sentir aquilo que está a praticar, não deve proporcionar qualquer resultado positivo, sem cada um envolver a sua cabeça, se não, o comediante Robin Williams não se teria suicidado, tal como muitas actores e músicos que abundam nas ecrãs das televisões.
Se a Mindfullness desse resultado, muitos dos que a praticam sem envolver a sua cabeça e sentir o que dizem que se sente, teriam um comportamento muito diferente e não necessitariam de se «complementar» com vários medicamentos para a ansiedade, depressão etc. Dizem depois que são um complemento. De quê? Daquilo que não deu o resultado propagandeado?
Se a Biblioterapia é para entreter ou animar crianças e velhinhos, eu preferia chamar-lhe Bibliofilia ou Animação cultural. Qual o resultado que se atinge, em equilíbrio psicológico, depois dessas sessões? Entretenimento durante a sua execução? Já frisei isso no caso que apresentei no livro «BIBLIOTERAPIA». E será possível escrever um livro que englobe uma série de assuntos relacionados com medicina, psicologia, sociologia, assistência social, etc., tal como se dão muitas respostas em programas de televisão deixando as pessoas cada vez mais «enganadas» e «iludidas»?

AF: Então, o que se deve fazer?
N: Enquanto não estou no computador e, geralmente, depois das refeições, fico a ver os programas dos «Batanetes» «Inspector Max», «Crime Disse Ela» etc.
Nesse «Inspector Max», na versão inicial, difundem-se várias ideias de um bom entendimento familiar, o que acho muitíssimo bem. São um bom exemplo a imitar: aprendizagem social com reforço vicariante. Podem servir como complemento da leitura dos livros.
Nos «Batanetes» onde muitas vezes dizem disparates sem gosto, falam em cães que correm atrás dos carros sem nunca os conduzir. Parece-me que nós também, especialmente em psicoterapia, vamos a correr atrás daquilo que dizem que se faz lá fora. Já falámos há pouco tempo sobre o reforço positivo e reforço negativo.  Vamos agarrar superficialmente a ideia, sem saber bem qual o resultado obtido e tentamos pô-la em prática mal, sem medir as consequências reais dos disparates que cometemos. Era melhor funcionar como a Mrs Fletcher.

AF: Porque é que diz isso?
N: O mesmo aconteceu com o Abade Faria e a hipnose e posso dizer, sem sombra de dúvida, que a técnica de Imaginação Orientada, disponível cá, orientada no sentido da TEA, mas sem propaganda, desde 1980, dez anos antes de aparecer a informação sobre Psicologia Positiva, de Seligman, deu resultado positivo bastante acima de 86%.

AF: Quando é que poderá ser apresentada essa prática que até me está a ajudar bastante?
N: Por mim, não penso fazer qualquer «barulho», porque já apresentei as minhas ideias há mais de 2 anos, a quem as poderia difundir para o bem da população. Nessa ocasião disseram-me que tudo «corria sobre rodas».
Agora convidaram-me a participar na Feira da Saúde e Bem-Estar em Sintra, que terá lugar na Avª Miguel Bombarda, loja 34, quase à frente da estação da CP, nos dias 6 e 17 de setembro.
Este evento é organizado pela Câmara Municipal de Sintra e Núcleo Rotário de Desenvolvimento Comunitário de Sintra, em parceria com União das Freguesias de Sintra, Associação Empresarial de Sintra, empresa Galuchos e Jornal de Região de Sintra.
Vou ter duas intervenções de cerca de 15/20 minutos cada com «diapositivos» ou «ppt», a primeira no dia 16 (sábado), às 12.00 para conversar sobre «Prevenção e Profilaxia em Saúde Mental – psicoterapia» e a segunda no dia 17 (domingo) às 14.30, para conversar sobre «Psicoterapia… através de Livros...».
Para esta intervenção estou a preparar um novo livro com o mesmo título, apresentando o modo como uma leitura devidamente controlada e direccionada para cada situação, dá a possível fazer uma psicoterapia, desenvolver uma acção psicopedagógica, de interacção social ou de desenvolvimento pessoal de forma quase autónoma ou com pouca intervenção do psicólogo.
Na primeira intervenção vou dizer que a psicoterapia pode ser feita pelo próprio (auto{psico}terapia) se a pessoa for capaz de ler bastante, praticar o que é necessário e tiver a objectividade, honestidade e humildade de reconhecer as causas dos desequilíbrios do momento que, às vezes são confundidos, erradamente, com «culpas». A pessoa, às vezes, pode ter necessidade de algum apoio inicial o que se pode fazer com um conjunto de vários interessados.
Na segunda intervenção, vou mostrar o modo como se podem explorar devidamente os 18 livros da colecção da Biblioterapia, quer em Psicoterapia como em Psicopedagogia, Interacção Social e Desenvolvimento Pessoal, obtendo muitos beneficios psicológicos, económicos, sociais e familiares, porque o exemplo dos pais serve de muito para modelar e moldar o comportamento dos filhos. Esses serão os futuros «donos» da situação e seria bom que fossem «saudáveis»… mentalmente.
Repare que o Antunes fez uma psicoterapia quase sozinho, a Cidália teve pouca ajuda, o Júlio foi quase «tratado» à mesa de um velho café e o Joel, que implementou o aparecimento do livro «AUTO{psico}TERAPIA», não era psicopata apesar do famoso diagnóstico.

AF: Isso seria muito bom para mim, mas não devo poder assistir, com muita pena, porque vou ficar de serviço nesse fim-de-semana.
N: Não faz mal. Vá praticando o que está no livro e vá lendo tudo o que puder, mesmo que seja em livros antigos, enquanto os novos não forem publicados. Tudo depende muito mais de si do que dos outros. A si, interessa apenas saber de que maneira deve actuar. Em vez de ficar à espera que as «desgraças» aconteçam, por experiência própria, tento antecipar-me e evitá-las ou saber de que modo as poderei enfrentar, combater ou eliminar. Já viu a recente tragédia no Funchal, Madeira, com a queda da árvore «agarrada» com arames?

AF: É pena que não possa difundir estas ideias.
N: Por mim, estou disposto a colaborar, mas não penso «montar negócio». Quem quiser e necessitar de utilizar essas ideias, que dê os primeiros passos, porque vai ter de mim toda a colaboração possível, como já afirmei há anos. Estas próximas intervenções podem ser o começo de alguma coisa útil, porque vou tentar publicar o livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), já que o «AUTO{psico}TERAPIA» (P) está publicado e à disposição. O «BIBLIOTERAPIA» (Q) também já publicado, está no fim, o «Eu Não Sou MALUCO!» (E), embora muito importante, está à espera de haver pretendentes para a sua aquisição e o «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» (D) está esgotado e também à espera de haver pretendentes para a sua aquisição. Este livro é fundamental, já que fala bastante sobre o funcionamento do comportamento humano e interação social, com possibilidades de modificação do comportamento nas diversas situações do dia-a-dia. Só estes livros chegam para muito, mas como são de tiragem muito limitada e disponíveis só comigo, é necessário que existam pessoas interessadas neles. Por enquanto, não pretendo deixar nas livrarias.

AF: Bom. Gostei deste bate-papo, mas tenho de me ir embora. Bom êxito nas conversas que vai ter dentro de semanas.
N: Eu também gostei desta conversa e, quando chegar a casa, irei tentar transforma-la num post para ser publicado amanhã, depois de passar uma noite em IO. Depois, tenho de me preparar para fazer a apresentação ilustrada das palestras. Talvez até me lembre de fazer mais um post com uma pequena «apresentação» do livro do Júlio, o tal que dizia que «não era maluco», mas que hoje é um empresário de sucesso a instigar-me a não desistir da ideia da «minha» «Biblioterapia»! É para que a educação dos vindouros seja melhor do que a nossa, evitando a corrupção, o nepotismo, a falta de solidariedade social e de respeito pelo próximo, para vivermos numa verdadeira democracia. 

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RESPOSTA – 50

Comentários


Acabei de ler este artigo com todas as ligações ontem à noite.
Acabaram-se os meus dias de folga depois do regresso de trabalho na Inglaterra.
Estou a sentir-me um pouco melhor a parece que consigo entrar em relaxamento mental.
Agora que tenho menos trabalho, vou ver se consigo seguir o livro «Autoterapia» em melhores condições, porque também estou sossegado com os meus familiares e conhecidos que vão passar algumas férias e feriados perto de Coimbra, etc.
Tenho pena que não publique o novo livro que diz que está a preparar, juntamente com alguns dos outros que ainda não estão publicados.
O do Júlio deve ser interessante.
Não sei se nos conseguiremos encontrar tão cedo, mas agradeço que me alerte para o caso de ter essas palestras de que falou.
Vou estar atento aos blogues e ao facebook.


Depois de ler este comentário no facebook quando li o artigo, pensei em mim para saber se poderia ter algum benefício na minha dificuldade de emagrecer.
Estou a engordar e, depois de ter consultado nutricionista e gastroenterologista, não consigo manter a dieta necessária por causa de horários, etc.
Além disso, fico ligeiramente preocupado quando me lembro de certas coisas que se passaram quando eu era criança.
Os meus, pai e avô parece que «lutavam» pela mesma mulher e, sem querer, eu ficava metido na confusão, quando havia telefonemas dela para falar com um deles.
Depois, eram as discussões que nunca mais acabavam e que me deixavam em pânico.
Começo a ficar ansioso e a sentir-me «em baixo», com receio de nunca mais melhorar e criar problemas de coração e obesidade.
Poderei beneficiar em alguma coisa enveredando pela psicoterapia?
Queria pelo menos não engordar ainda mais.
Se pudesse dar uma ajuda!

 

Caro Senhor Anónimo do comentário:

Antes de tudo, os seus problemas parecem-me mais relacionados com a alimentação, que tem de ser bem regulada, em conjugação com algum exercício físico que possa fazer.
Pelos vistos, está a tratar disso ou vai tratar disso em primeiro lugar.

Em segundo lugar, como não sei onde mora, qual a sua ocupação e ambiente familiar e social, há necessidade de falar neste assunto para o ter em conta em qualquer esquema terapêutico.

Se os seus problemas não forem apenas fisiológicos mas também psicológicos, as causas dos mesmos devem estar arquivadas na sua cabeça. A única pessoa que pode ter acesso aos mesmos é o próprio.
Contudo, como os mesmos podem estar bem guardados num compartimento «secreto» ou relegados para o fundo de algum armazém «clandestino», o próprio pode não chegar aos mesmos com facilidade e necessitar de algum auxílio.
Porém, para se fazer a busca dos mesmos, a sua presença e actuação é essencial, mas exige que a pessoa esteja em boas condições psíquicas ou, pelo menos, com capacidade de proporcionar uma boa colaboração a quem o tentar apoiar.
Essas condições tem de ser criadas pelo próprio, geralmente, indo ao consultório dum especialista.
Como essa prática demora bastante, é muito bom que se vá treinando em casa, à noite, porque pode tornar a psicoterapia muito mais económica, rápida, eficaz e que perdure de forma autónoma.

É para isso que estou e reorganizar todos os 17 livros da colecção de Biblioterapia e desejo imenso publica-los para os que deles necessitarem e até estou a preparar mais um com o título, salvo erro, «PSICOTERAPIA… através de LIVROS», destinado a encarreirar as pessoas que desejam enveredar por este sistema que, só agora se está a utilizar no estrangeiro embora eu já o tivesse utilizado definitivamente, com aqueles que assim o desejavam, a partir de 1980, só com apontamentos policopiados.

Para se fazer uma análise das causas das dificuldades (efeitos) é necessário que a pessoa interessada seja capaz de «mergulhar» no seu inconsciente utilizando as recordações que conseguir provocar para as analisar com bastante humildade e realismo, tendo conhecimento do modo como funciona o comportamento humano.
Isso exige muita leitura para conseguir reconhecer os condicionamentos, os recalcamentos, as deslocações, as dissonâncias cognitivas, os reforços e seus tipos e características, especialmente o vicariante, as pressões e inibições sociais, as aprendizagens, o pico de extinção, a modelagem, a moldagem,  e muitas coisas mais.
São noções que se podem adquirir nos livros e talvez complementadas em palestras que podem ser para um grupo de 30 a 50 pessoas.
Este procedimento, além de encurtar a psicoterapia, pode ocasionar muito maior comodidade e economia porque os tempos e as despesas com consultas serão consideravelmente diminuídas.
Enquanto nas «conversas» em público, que não afectam a intimidade da pessoa, haverá respostas que possam satisfazer muita gente ao mesmo tempo, nas consultas individuais haverá o escrutínio dos aspectos particulares e íntimos do interessado.

Para dar a minha opinião em relação ao seu comentário, posso dizer que, antes de tudo, pode experimentar aquilo que tem de fazer por si, sem qualquer ajuda e que vai encurtar em muito qualquer psicoterapia.

Como recurso imediato e que não tem efeitos nocivos, pode começar a praticar a relaxamento muscular, fazer uma autoavaliação dos sintomas que o afligem e manter um diário de anotações com tudo aquilo de pouco vulgar que acontecer na sua vida, incluindo as recordações, os sonhos e os comportamentos ou reacções.

Para se orientar bem, tem agora o livro «AUTO{psico}TERAPIA» (P), onde tudo está descrito de forma pormenorizada mas resumida.
Contudo, se puder seguir tudo o que está neste livro e conseguir baixar os seus sintomas de dificuldades abaixo de 5 na escala de 0 a 10, pode continuar sem outra ajuda.
Porém, se os sintomas não baixarem ou se não conseguir seguir tudo o que está apresentado no livro, será bom pedir apoio ao fim de pelo menos 1 mês desta prática.

Em qualquer das circunstâncias, além de consultar este blog, também é vantajoso ler alguns dos livros indicados nos diversos posts para tomar conhecimento do mecanismo do funcionamento do comportamento humano podendo um deles ser o «Como “EDUCAR” Hoje», já que «PSICOTERAPIES BEM-SUCEDIDAS – 3 casos» (L) ainda não foi publicado.

O livro «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» (D), quase esgotado e à espera de reedição, apresenta o panorama geral da modificação do comportamento, utilizado com uma criança «birrenta», de cerca de 7 anos, que tinha provocado a «des-união» entre os pais e que se voltaram a «re-unir» por causa das técnicas que foram utilizadas com ela, pelos próprios pais, ajudando-a a modelar-se nos seus comportamentos para ajudar a «educar» um irmão que nasceu logo depois. São mais de 10 anos de consultas a pais e crianças que foram romanceados e ficcionados no «caso» da JOANA, para as técnicas serem mais facilmente assimiladas pelos não-técnicos.

Tem também o livro «Acredita em Ti. Sê Perseverante!» (B) descrevendo o caso do Antunes que, estando em depressão que «provocou» esse mal na mulher e dificuldades escolares na única filha, conseguiu resolver tudo sozinho, começando por dar apoio escolar à filha com base nos livros utilizados.
As dificuldades da filha e da mulher eram a consequência das dificuldades dele, que eram causadas apenas pelo receio de deixar a família sem recursos financeiros no caso de sua morte, tal como lhe tinha acontecido com a morte prematura e inesperada do seu pai. Fez uma psicoterapia quase sozinho mas com muita leitura e algumas «conversas».

Além deste, o livro «Eu Também CONSEGUI!» (C) apresenta o caso da Cidália, «sobrinha» do Antunes que, com um curso superior, se ia «afogando» no álcool e em relações sexuais promíscuas por causa de problemas familiares ocasionados pelos pais que a tinham abandonado à nascença nas mãos dos avós maternos.

O livro sobre o Júlio (E) «Eu Não Sou MALUCO!» ainda não está publicado mas trata dum problema muito usual nos tempos antigos em que as pessoas, de certas regiões do país, tinham de viver muito longe da família para poderem estudar até no ciclo preparatório.

O livro «SAÚDE MENTAL sem psicopatologia» (A) também pode elucidar acerca de certas dificuldades, tratamentos, cuidados a ter com as psicoterapias e medicamentos, além da sintomatologia existente nos casos de desequilíbrio psicológico.

Embora todos os novos livros da colecção de Biblioterapia não estejam publicados, existem mais dois livros antigos englobados no novo livro «Psicoterapias Bem-sucedidas – 3 casos» que podem ajudar muito os que quiserem estar mais informados.
Por exemplo, «Psicoterapia para quê?» apresenta o modo como se realizou uma psicoterapia num fim-de-semana porque o interessado foi induzido a praticar anos antes mais de 1500 horas de relaxamento muscular e mental, com leituras de muitos dos livros então publicados.

«STRESS! Reduza-o já» descreve a psicoterapia duma senhora que praticou o relaxamento em casa, mas leu bastantes livros, colaborando na psicoterapia.

Embora existam mais livros já publicados, com as informações que estou a dar, espero que faça os possíveis para experimentar primeiro aquilo que proponho e que peça ajuda logo que possível, se não sentir muitas melhoras.
É por isso que sou um forte adepto das «palestras» elucidativas.

Tudo o resto, que é mais íntimo e pessoal, pode e deve ser devidamente avaliado em contacto presencial.
Todos sabem onde e como  podem adquirir os livros consultando os dois blogs que já deve conhecer.

Boa sorte.

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CONVERSA ENTRE AMIGOS – 6

Depois dos dois meses bem passados na Inglaterra, segundo o próprio, o Amigo do Felício vinha ansioso para «falar» comigo, N, demoradamente, porque estava a continuar a seguir este blog depois da nossa última conversa. Além disso, estava a praticar alguma coisa daquilo que tinha lido no livro «AUTO{psico}TERAPIA» (P) que levara consigo.
Olhando bem para ele, pareceu-me mais «descontraído» do que da vez anterior e, provavelmente, menos «descontrolado». Entrando para o café, esclareci que tinha bastante tempo disponível, porque a minha mulher deveria demorar algum tempo na cabeleireira já que havia mais clientes para serem atendidas antes dela.
Quando me disse que tinha ficado satisfeito não só com o trabalho feito por ele sem perda de tempo e dentro do prazo, disse-lhe que esse método de trabalho também me agrada imenso.
Quando estive lá a fazer os estágios e actualizações em psicologia e integração escolar, em 1975, além de ter conduzido mais de 10.000 quilómetros em «mão contrária», orientei-me nos itinerários com muito mais segurança e certeza do que no nosso país.
Além disso, os sinais nas estradas e ruas estavam bem visíveis e colocados em locais apropriados, o que não se verifica ainda na nossa terra, nem acontecia, naquela época, em Espanha ou em França.
Além disso, todos os horários eram cumpridos e não havia perda de tempo, o que é difícil entre nós.
Começamos depois com a nossa conversa que mais lhe interessava.

 

AF: Sabe que estou a praticar algumas das coisas que li no livro e começo a sentir-me mais descongestionado? Faço todos os dias o relaxamento muscular e já estou a conseguir entrar em relaxamento mental.
N: Felicito-o por essa ideia e procedimento e também fico satisfeito por ter conseguido contribuir para o seu bem-estar. Nem sempre se consegue isso, porque as pessoas querem «resultados» rápidos e esta terapia depende muito da persistência, empenhamento e bom senso que é necessário ter ou conseguir ganhar, além das muitas leituras que lhe estão associadas e que são indispensáveis.
Mas, antes de tudo, pode ter a certeza que depende muito mais do próprio, do seu bom senso e da persistência que tiver, do que do acaso ou dos «conselheiros».

AF: Apesar de me ter sentido melhor, os fogos em Portugal, isto é em Pedrógão Grande e ou outros, muito constantes, deixaram-me muito tenso durante bastante tempo. Tenho familiares que se deslocam muitas vezes para essas zonas, mas soube depois que não estavam lá.
N: Repare que eu insisto sempre numa profilaxia e prevenção para evitar as dificuldades.
– Já que fala em fogos, vou aproveitar para fazer um paralelismo. Se houvesse um bom ordenamento florestal, umas boas comunicações, bom comando, meios de transporte rápidos e um dispositivo capaz de fazer frente a estes «desastres», acha que não haveria muito menos estragos, especialmente em vidas humanas?
O facto de não se prever tudo isso e não ficarmos prontos para aguentar as dificuldades, ocasiona os resultados que conhecemos e, depois, ficamos a lamentar, a fazer inquéritos, investigações e sindicâncias, arranjando justificações e imputando as culpas aos outros.
Quero fazer mais um paralelismo, já que me disse ter estado em Inglaterra.
Um senhor inglês que vive cá há vários anos e se dedica à informática, perdeu tudo no incêndio. Além da casa, os computadores e todo o material ficou danificado. Contudo, não se queixou muito como as restantes vítimas da tragédia. Ele disse que continuaria no mesmo local e que iria refazer a vida. Provavelmente, têm cópias de salvaguarda e seguro para restaurar o seu material danificado. Tomou todas as precauções antes e com a visão de que poderia ter de enfrentar algumas dificuldades. Foi racional, pragmático e previdente.
Na saúde mental, era isso que eu desejava que acontecesse e que as pessoas não tivessem de suportar o ónus dos desequilíbrios por causa das inúmeras dificuldades que todos teremos de passar durante a vida. Temos de estar prontos e preparados para enfrentar as dificuldades que é necessário ultrapassar com os menores danos possíveis, como meta e desejo final, porque dificuldades haverá sempre.
Além disso, para conseguirmos mudar alguma coisa nos outros ou no ambiente, nós também temos de mudar.
O quê? Como? Quando» Porquê? De que maneira?
São perguntas que teremos de responder depois de conhecermos aquilo que interessa com as leituras que fizermos. Para isso a Bibliofilia também é importante.
Aquilo que estou a apresentar em «Autoterapia» ajuda imenso mas, além do treino, as leituras, com compreensão adequada da matéria, é muito importante.
Para isso, um comando também é essencial. É a nossa cabeça, bem esclarecida.
Temos de ter muita força interior para viver momentos calmos, estando preparados para enfrentar as dificuldades que sempre existirão. É uma espécie de estarmos com as baterias carregadas.
Tudo isto é necessário e possível incutir na educação, desde criança.

AF: Era isso que eu queria perguntar. Qual a necessidade das leituras se estou a praticar o relaxamento?
N: Aí é que está o busílis da questão. É o mesmo que acontece com os praticantes do ioga, reiki, mindfullness ou qualquer outra coisa quando seguem apenas alguns procedimentos e não envolvem a «cabeça» em tudo isso.
Esses procedimentos podem ocasionar descontracção física ou satisfação momentânea, mas não «resolvem» os problemas mentais específicos que avassalam a pessoa se a cabeça não estiver envolvida nesse processo. Já deve ter visto a resposta que um iogui me deu acerca disso, comparando o ioga com o meu método.
Os seus problemas iniciais não se relacionavam com algumas ideias que passavam pela sua «cabeça»?
− Acha que o seu desconforto inicial, com muito do que está a viver, não tem nada a ver com coisas que se passam na sua «cabeça» que, por sua vez, comanda todas as suas ideias e acções consequentes?
Muitas vezes, quando sentir frio com a temperatura muito baixa, a sua cabeça irá fazer com que se agasalhe com um bom casaco.
Mas se sentir um frio súbito numa situação perigosa ou desagradável, qual será a vantagem do casaco?
− A sua cabeça irá dar essa ordem de vestir o casaco apesar de sentir frio?
− Com que resultado?
− Não terá de fugir ou investir contra alguém ou alguma coisa ou proteger-se desse perigo?
Para isso, o relaxamento instantâneo pode ajudar a entrar imediatamente em relaxamento mental para a «consulta» das informações armazenadas na sua «cabeça», devido às «aprendizagens» anteriores, a fim de escolher o comportamento julgado mais correcto para a ocasião.
Para isso, tem de envolver a «cabeça», e nisso, o relaxamento mental é essencial.
− Depois de estar em relaxamento mental, o que vai fazer?
− Não são os problemas ou as dificuldades que tem de enfrentar no seu dia-a-dia que o deixam desorientado?
− Não tem de analisar as «causas» possíveis de tudo isso?
− Para conseguir fazer essa análise, não tem de recordar a sua vida e os passos que deu?
− Como é que se poderá fazer uma análise rigorosa, racional, adequada e «verdadeira» sem ter a «cabeça fria» e sem preconceitos ou «defesas»?
Para isso, mesmo que saibamos o modo como o comportamento funciona, temos de raciocinar devidamente, ter a humildade suficiente para reconhecer as falhas e não arranjar desculpas para as justificar erradamente, como acontece a maior parte das vezes.

AF: Mas isso não é difícil? Como é que uma pessoa consegue fazer isso sozinha?
N: Falando por mim, posso dizer que não é fácil, mas com algum treino é possível, e o Antunes também demonstrou que não é impossível.

AF: De acordo com a sua prática, o que se deve fazer?
N: O que eu fiz, foi ler muito do que consegui obter naquela ocasião e que era adequado para a situação. Depois, num relaxamento profundo, tentei iniciar comigo próprio a recordação de muito do que se tinha passado na minha vida. Além disso, tentei descobrir as possíveis soluções e modos de não sofrer as mesmas desilusões que tivera. Foi com base nisso que tentei deslindar todo este sistema para uma Biblioterapia na psicoterapia mas, o que me ajudou muito, foi a paixão (Bibliofilia) que tinha pela leitura daquilo que era necessário para o meu caso, além dos ensinamentos colhidos no meu curso de Psicologia Clínica no ISPA e nos seminários sobre Modificação do Comportamento que frequentei com o Doutor Victor Meyer.

AF: E isso chegou?
N: Para mim, não necessitei de mais nada. Depois, fui praticando o relaxamento mental que, naquela época, só atingia depois de praticar o relaxamento muscular, à minha maneira. Verifiquei que as boas memórias do passado me ajudavam a melhorar em muito o meu «estado anímico». Depois, como já estava dedicado à clínica e tinha «doentes» a quem devia apoiar, necessitando de testar o meu método com outras pessoas, além de preparar a tese sobre a Terapia do Equilíbrio Afectivo, enveredei pela Imaginação Orientada, que fui praticando comigo e que nunca mais «abandonei». Se com a TEA tinha conseguido um sucesso de 86%, houve um aumento substancial com a Imaginação Orientada.

AF: Qual a razão de não publicitar esse método?
N: Antes de tudo, tenho de dizer que não gosto muito de publicidade, especialmente nas questões de saúde. A minha tese foi entregue na American Psychological Association, na British Psychological Society, no Sindicato Nacional dos Profissionais de Psicologia e no Instituto Superior de Psicologia Aplicada.
Contudo, não me importo de divulgar o que é necessário, tal como estou a fazer agora, mas não como os anúncios do Calcitrim ou Imodium. Tenho os dois blogs no wordpress e duas páginas no facebook, além daquela que está lá em meu nome. Vem lá tudo. Quem quiser, pode fazer os comentários que achar convenientes, os quais não me passam despercebidos.
Pode também contactar-me através do meu e-mail.
Já disse muitas vezes que estou interessado em divulgar o método e estou a fazê-lo. Quem quiser e conseguir tirar proveito do mesmo, dará os passos necessários, tal como vocês estão a fazer.
Além disso, tem o meu perfil no blog onde, nos parágrafos finais, estão todas as indicações que podem ser necessárias.

AF: E os que não chegarem aos seus blogues e facebook?
N: Para toda essa gente já me disponibilizei a fazer palestras que ajudem a compreender o método. Nessas reuniões, até se pode tentar experimentar o que digo, para ir praticando em casa. Se as entidades oficiais não se preocuparem com isso ou se as associações de solidariedade social não implementarem acções neste sentido, acho que não tenho vocação e, muito menos tempo ou apetência para isso, porque não pretendo «fazer negócio». Caso contrário, teria montado uma empresa quando o CPC ainda era «vivo».
Há bem pouco tempo a nossa médica disse-me que tinha gostado do livro e tinha-o recomendado a alguns doentes porque eles, necessitando de ajuda, não a conseguiam obter nas devidas condições nos serviços existentes. E parece que eles estão a obter bons resultados só com o «AUTO{psico}TERAPIA».
Embora ma custe aceitar uma situação destas, tenho de concordar com ela, porque até na Inglaterra já se queixam de falta de recurso humanos. Estas técnicas, que estão cá à disposição de todos, poderiam ser implementadas sem haver necessidade de ficar à espera de saber o que se faz no estrangeiro.
Essa história de prescrição de livros já estava a ser ensaiada e utilizada por mim muito em 1980, só com «prescrição de apontamentos policopiados» e deu bons resultados quando as pessoas se empenharam na sua autorrecuperação. Isto está a ser apresentado nos blogs e no fb, e agora, nos livros que estão à disposição, ficando todos remodelados e actualizados, com novos «casos» para apresentar os resultados já obtidos.

AF: Mas é necessário ler muito?
N: O que lhe posso garantir, é a necessidade de conhecer o modo como o comportamento humano funciona em termos de estímulos, respostas, aprendizagem, condicionamentos, pressões e inibições sociais, percepção, sentimento, dissonância cognitiva, emoção, modelagem, moldagem, punição e seus efeitos, e muita coisa mais tal como os efeitos dos diversos tipos de reforço, o que pode ser apreendido nos livros que estão agora à disposição de todos e são apresentados nos dois blogs de que falei. Além disso, as dúvidas podem ser respondidas a partir dos comentários. Também, nas palestras de que falei, muitas dúvidas podem ser clarificadas com novas respostas e exemplos do que acontece na vida prática do dia-a-dia. Já disse o que aconteceu com os alunos do Hospital de Vila Franca de Xira.

AF: Porquê tanta ênfase nos reforços?
N: Ainda bem que me faz esta pergunta. Quando já estava no ano do ISPA e tinha frequentado os seminários com Victor Meyer, continuando ainda com o estágio escolar no grupo de Terapia Comportamental, orientado por um psiquiatra que se dizia comportamentista e tinha estado em estágio na Escola Médica onde Victor Meyer dava aulas, os meus colegas ainda diziam que a gratificação provoca reforço positivo e a punição ocasiona reforço negativo e não ouvi qualquer contestação ou rectificação do orientador.
Basta este pequeno mal-entendido ou «desinformação» para deitar abaixo toda uma terapia e seus resultados.

AF: Qual é o mal-entendido?
N: Eis a questão. O reforço é consequência da gratificação ou da punição.
Logicamente, se uma gratificação ocasiona reforço positivo, diziam todos que uma punição ocasiona reforço negativo, já que é o seu oposto.
Porém, o reforço é o resultado da satisfação que sentimos depois da gratificação ou da punição.
Se desejamos alguma coisa e conseguimos isso, ficamos gratificados e obtemos reforço positivo.
Contudo, ninguém, a não ser os masoquistas, desejam a punição. Se formos punidos, o nosso comportamento imediato é evitar a punição. Mas, só se conseguirmos evitar ou fugir da punição, obteremos a satisfação e ficaremos com reforço negativo.
Está a ver a diferença. Além disso, se não conseguirmos fugir, podemos entrar em frustração em relação à qual iremos engendrar diversas respostas. Se, mesmo assim, não conseguirmos diminuir ou evitar a punição, podemos entrar em depressão aprendida que é para economizar as forças, por não podermos ultrapassar a frustração de evitar a punição. Isso, também pode levar a um estado de conformismo.
Outro aspecto importante a focar, é a tentativa de fuga à punição, com a consequente frustração que pode ocasionar respostas inadequadas que, quando bem-sucedidas para diminuir o desconforto, podem ocasionar reforço secundário negativo aleatório que pode originar o vício ou a adicção. Exemplos disso podem situar-se no contexto da droga, mesmo que legal, do álcool, da delinquência, da prostituição, etc….
Não sei se, politicamente falando, temos laivos disso já há muitos anos, com a ambição do poder, nepotismo, autoritarismocorrupção, etc. Parece-me que, na maioria, somos mais conformistas do que «brandos» devido à «educação» política que tivemos nos meados do século passado e que foi quase continuando….com outros contornos!

AF: Já estou a perceber. Mas isso é muito complicado para se compreender facilmente.
N: Repare que estamos a falar à mesa dum café.
− Se eu falasse para um grupo de 30 ou 40 pessoas como acontecia nas aulas do Hospital de Vila Franca de Xira e em várias outras situações, não surgiriam mais dúvidas que poderiam ser esclarecidas imediatamente para muitas mais pessoas, do que só para uma, como está a acontecer agora?
− Consegue compreender agora a minha insistência maior em fazer palestras do que responder a uma pessoa ou manter consultas?
− Já pode concordar comigo quando digo que não me façam perguntas por email ou que me deixem dar as respectivas respostas através dos blogs que estou a manter?
Atingem muitas mais pessoas, algumas das quais poderiam nunca ter pensado no assunto ou não teriam essas dúvidas no momento.
− Além disso, em vez nos limitarmos apenas às respostas, que não se podem obter a qualquer momento e em tempo oportuno, consegue descobrir a vantagem dos livros?
Estão em qualquer lado em todos os momentos.
É por isso que me preocupo em saber das pessoas a sua opinião quantitativa (de 1 a 5) sobre cada livro em relação a:
♦ Clareza e simplicidade da linguagem.
♦ Forma de exposição.
♦ Interesse do assunto.
Com esses elementos em mão e com alguma opinião qualitativa para a melhoria dos livros, parece que poderei ser muito mais útil do que nos últimos 40 anos de clínica, só com consultas.

AF: Será necessário conhecermos todos os conceitos de que falou?
N: Tenho a certeza de que são mais do que indispensáveis.
Por exemplo, uma vez, um senhor que se dizia psicólogo em formação para mestrado e que já queria ser tratado por doutor, estava a dar apoio a um grupo de pessoas com problemas. Dizia que utilizava com eles a biblioterapia, isto é, tratamento com livros. Que livros? Livros de poesia e alguns romances, etc….
Se a biblioterapia é tratamento através de livros, numa psicoterapia, não podem ser quaisquer livros.
Os mesmos têm de ser direccionados para o fim em vista.
− Qual o objectivo?
− Se quisermos «tratar» um criminoso, vamos aconselhá-lo a ler livros de poesia, romances ou os que podem dar indicações sobre o melhor modo de furtar carteiras, arrombar casas ou assaltar bancos e postos de gasolina?
− Será para o ajudar a tornar-se ainda mais criminoso, deliciando-se com a poesia?
Infelizmente, é isso que se faz, «agarrando» o significado superficial da palavra e utilizando-o como mote ou emblema para uma actuação…. O pior, é ser em terapia!
− Qual o objectivo?
É por isso que sou contra muitas das ditas «psicoterapias» que têm um nome pomposo, mas que são mal utilizadas a partir desse nome.

AF: Porque é que diz isso?
N: Hoje em dia não faltam uma série de «psicoterapeutas» especializados em tudo e até em Biblioterapia e que se dizem biblioterapeutas.
Deixe-me fazer mais um paralelismo.
– Se psicoterapeuta é aquele que trata dos problemas psicológicos das pessoas, o biblioterapeuta deverá ser aquele que trata dos livros?
Contudo, o especialista, nesta matéria, parece-me que é o encadernador ou restaurador de livros.
Também, se a quimioterapia é um tratamento com químicos, a biblioterapia pode ser um tratamento com livros.
– Mas também, neste caso, para ajudar as crianças a ler ou entusiasmá-las com a leitura, não será tarefa dum professor ou animador cultural?
Contudo, falando de biblioterapia em psicoterapia, como já disse, não podem ser quaisquer livros mas sim os que ajudem a pessoa a reganhar o seu equilíbrio psicológico. Porém, hoje em dia, não faltam anúncios de biblioterapia a falar em leitura de livros de prosa, poesia e teatro para crianças, idosos, etc.
O meu fito é muito diverso. Por isso, para a psicoterapia, preparei os livros com a finalidade de os utilizar com critério e explicação daquilo que se pretende, com a colaboração de cada um, para tornar tudo mais económico, cómodo, eficaz e duradouro, tentando tornar a pessoa autónoma.

AF: Gostei desta explicação, mas como é que este projecto pode avançar?
N: Como já disse, alguém que esteja interessado ou «carente» tem de pegar nele e implementá-lo. Vai ter toda a minha ajuda. Posso intervir em diversas palestras, explicar como se pode proceder para continuar a praticar, aconselhar as leituras necessárias ou prestar mais algumas informações, além de conseguir esclarecer dúvidas de vez em quando. Tem os blogs e o email. Agora, até estou a finalizar o livro que, inicialmente tentava que fosse «A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA» cujos conteúdos foram publicados neste blog.
Contudo, como o livro abrange a psicoterapia, além de psicopedagogia, interacção sicial e desenvolvimento pessoal e não exclui a colaboração de vídeos, palestras, drama, treinos, etc. e como também não é para divertimento ou lazer, vamos intitulá-lo «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…».
Estamos à espera que haja alguém que subsidie a sua impressão ou exista um grupo de 40 a 50 pessoas que queira reservar a sua aquisição logo que seja publicado.
Já expliquei no livro «BIBLIOTERAPIA» que as intenções e objectivos deste método é tornar a pessoa capaz de enfrentar autonomamente as dificuldades da vida, tentando ultrapassá-las com êxito.
Faço o que está ao meu alcance. Mais do que isso não posso fazer, mas garanto que eu ainda pratico a Imaginação Orientada, sem muitos dos adjuvantes, tais como a autoanálise, o diário, as autoavaliações, etc. como está indicado no «AUTO{psico}TERAPIA», «gastando» apenas os primeiros 5 minutos antes de dormir e depois de estar na cama. É o hábito, com a aprendizagem e treino anterior. Não se esqueça que são muitos anos de prática e de ajuda aos outros, depois de ter experimentado todo este processo comigo, em 1973/75.

AF: Neste caso, podemos colocar as nossas questões e iremos obter respostas como nas consultas à distância.
N: Calma. Eu não disse nem quis significar isso. Essa história de consultas à distância, só pode acontecer quando o especialista conhecer o «caso» e apenas tiver de ajudar, orientar as leituras ou esclarecer dúvidas.
Cada «caso» têm de ser bem conhecidos para se fazer uma avaliação específica, tentando descobrir de que modo o «mal» pode ser atacado. É por isso que digo que, só com «diagnósticos», sem saber a fundo aquilo que se passa com a pessoa, pode ser muito arriscado enveredar por uma terapia que se deseja eficaz. Por causa disso, já tive conhecimento se suicídios, etc. relatados por especialistas em psiquiatria. Mostro isso claramente nos livros «Eu Não Sou MALUCO!» e «PSICOPATA! Eu?». Não desejo que alguém se arrisque a fazer isso.

AF: Mas no «Autoterapia» também existem procedimentos a adoptar.
N: Concordo consigo. Mas acho que não são totalmente obrigatórios e podem ser modificados à medida das necessidades de cada um. Foi o que disse ao Júlio desde o início. Mas, nada disso vai dar bom resultado se o próprio não compreender e seguir as leis ou normas do funcionamento do comportamento humano.
Pode ter resultados inesperados, tal como verificou com as consequências do reforço negativo e da punição de que já falámos. Existe muita coisa que temos de mudar em nós para obtermos os resultados que desejamos.
É por este motivo que insisto que as pessoas têm de saber como tudo funciona, a fim de «não embarcar» nas muitas «receitas» que se dão em vários meios de comunicação social e até em livros de várias terapias. Cada um tem de saber avaliar as coisas por si e colaborar com o seu especialista, se e quando necessário, tal como aconteceu com quase todos os «casos» apresentados nos livros que estão preparados e que serão publicados à medida das possibilidades e desejos dos que estiverem interessados neles.
Estou a dizer isso porque os psicólogos também não estão isentos de «ficar desequilibrados». Isso acontece porque, apesar de terem a obrigação de saber como funciona o comportamento humano, não respeitam as suas normas, ou não seguem alguns procedimentos necessários, nem analisam os seus comportamentos com a racionalidade, objectividade e humildade necessárias para descobrir as «causas» dos desequilíbrios, preocupando-se apenas com a justificação ou desculpabilização dos seus desequilíbrios.
Não é necessário que digam aos outros quais as causas, mas as mesmas têm de ser verificadas por cada um, para as alterar, influenciando os comportamentos indesejáveis, a começar por aqueles que os incentivam.
É por esta razão que eu faço uma amálgama ecléctica e pragmática de análise psicológica, logoterapia, reestruturação cognitiva e modificação do comportamento, com um relaxamento mental profundo ajudado pela autohipnose e Imaginação Orientada, necessária para «engendrar» o futuro, com algum «prognóstico» bom.
Mas repare que tudo isto tem de ser feito na sua grande maioria com a «cabeça» de cada um, que também deve incentivar os treinos necessários, integrando tudo aquilo que ficou lido e bem compreendido nos seus conceitos essenciais.

AF: Parece que fico mais descansado com esta conversa.
N: Espero que tenha conseguido clarificar alguns aspectos que, geralmente, ficam duvidosos e são mal compreendidos e pior utilizados. Já consegui apresentar num dos últimos posts as vantagens de cada um saber o que se passa consigo. Foi de propósito, por sua causa. Se não compreendermos o modo como o nosso comportamento funciona, tal como consegui explicar aos pais da Joana, muita coisa nos passa despercebida. Pode ter a certeza que, neste momento, estamos a modificar o comportamento um do outro. O senhor está a reforçar-me com a sua curiosidade e atenção, estimulando-me a falar nestes assuntos dos quais eu gosto imenso. Eu devo estar a reforça-lo com as explicações que estou a dar, fazendo com que tenha da Psicologia uma ideia muito diferente daquela que tanto se propagandeia na comunicação social. Por isso, espero que as pessoas tomem as rédeas nas suas mãos e façam o que puderem para disseminar estes conhecimentos que são extremamente úteis para todos e que podem ajudar a melhorar a saúde mental e o bem-estar de todos.
Se os pais conseguirem melhorar, os filhos podem ganhar muito mais com isso, através dos exemplos que lhes serão proporcionados. É a aprendizagem social, com reforço vicariante e até identificação e moldagem.
Será uma prevenção com profilaxia capaz de evitar futuras necessidades de combater as depressões, fobias, compulsões, sentimentos de inferioridade, dificuldades no trato social, psicossomática, etc. com a necessidade de acompanhamento médico quase inexistente e a consequente utilização de medicamentos que depauperam o organismo, o relacionamento social e a paz interior.

AF: Mas acho que não vai ser fácil!
N: Concordo. O pai da Joana já me disse isso no início, mas quando «deitou mãos à obra», ainda conseguiu ajudar muita gente sem a minha intervenção. E eles estão agora todos muito bem na Austrália. Ajudar 2% ou 3% dos seus conhecidos é pouco?  E se esses conhecidos ou amigos também ajudarem os seus conhecidos? É bom que a família consiga incutir nos filhos os valores de solidariedade, equidade, cooperação, honestidade e respeito pelos outros, com exemplos e sem dissonância cognitiva, a fim de que as gerações mais novas possam estruturar uma personalidade mais adequada do que a nossa, para terem um mundo melhor.

AF: Obrigado pela sua intervenção e pela companhia que teve de me fazer durante todo este tempo.
N: Eu também lhe agradeço o seu interesse e ajuda em abordar um tema tão importante.
Vou ver se a minha mulher já está liberta. Quando chegar a casa, vou pensar bem na nossa conversa e relembra-la à noite na IO, para fazer amanhã um post sobre a mesma.

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TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

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RESPOSTA 49

Acabei de ler este artigo que foi publicado também no facebook.
Se eu quiser tratar de mim de forma independente, como é que posso proceder?
Onde é que vou buscar os livros de que fala?
Se necessitar de apoio ou esclarecimentos, como é que faço?
Acha que é possível fazer alguma coisa por mim?
Estou a ser medicada para depressão e ansiedade.
Agradeço uma resposta.

Antes de tudo, agradeço à Anónima, o facto de ter feito o comentário no post «Imaginação Orientada» difundido ontem no facebook, em vez de me enviar um email, porque uma resposta aprofundada pode esclarecer mais pessoas.
Vou tentar ser o mais explícito e pragmático possível para que seja entendido, porque existem várias perguntas pertinentes a ser respondidas.

♦ Para cada um tratar de si de forma independente, o livro «AUTO{psico}TERAPIA» dá indicações precisas para isso.
Contudo, apenas os procedimentos podem não ser suficientes se a pessoa não se inteirar do modo como o comportamento funciona em termos de estímulo, resposta, condicionamento, modelos, moldagem, facilitação, recalcamentos, dissonância cognitiva, etc.
Para isso, tem vários posts sobre «Autoterapia» «Biblioterapia», «Reforço», etc. inseridos neste blog.
É uma questão de ler e apreender o sentido exacto dos conceitos apresentados.
A análise do nosso comportamento é importante para se verificarem as «causas» dos comportamentos (efeitos) que não nos interessam.

É por este motivo que foi publicado o post A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA 3 contendo um capítulo muito elucidativo para se utilizar a Biblioterapia, com ou sem apoio de um especialista.

♦ As publicações antigas que deram origem aos novos livros da colecção de Biblioterapia, podem ser pedidos directamente às editoras, mas talvez eu também os possa fornecer se os tiver em excesso.
Os livros novos de que estou a falar, do «Centro de Psicologia Clínica, nem todos estão publicados.
Os que forem publicados ou os que já se encontram disponíveis, devem-me ser pedidos directamente, porque ainda não foram entregues a qualquer livraria.
Poderei envia-los directamente para a morada do interessado, á cobrança, pelo correio.

♦ Quaisquer outros esclarecimentos necessários podem ser dados através de email ou publicamente, como está a acontecer agora com este post.
Contudo, é por causa desses esclarecimentos, que são muito importantes, que estou a pugnar, há muito tempo, por umas palestras durante as quais muito se pode experimentar, questionar e aclarar.
Para evitar o desequilíbrio, que é muito frequente entre nós e com tendência a aumentar, basta apenas formar um grupo de pessoas que deseje proceder desse modo como prevenção e profilaxia.

♦ Julgo que já fez muito por si com este comentário que me enviou, obrigando-me a dar esta resposta que também pode servir para muita gente.
Sem saber quais são os problemas, pouco ou nada posso fazer, porque acreditar apenas em diagnósticos para resolver os problemas parece-me bastante falacioso e muito arriscado.
Já falei nisso várias vezes e até o «caso» da «Perfeccionista» é muito elucidativo: não escolhe idades, profissões ou condições sociais.

♦ Como me diz que está a ser medicada, quando começar com enveredar por uma psicoterapia que seja eficaz, é importante saber se poderá diminuir e sua dose de medicação para «entrar» na psicoterapia e conseguir sentir as melhoras. Continuar a tomar a medicação e acrescentá-la com psicoterapia, pode proporcionar-lhe reforço secundário negativo aleatório e piorar as coisas. É o que aconteceu com a «Perfecionista»

♦ Se necessitar de quaisquer outros esclarecimentos que não possam ser «públicos», pode contactar-me com as indicações que são dadas na parte final do post sobre o meu perfil, nomeadamente no parágrafo final do post ou no primeiro dos três últimos parágrafos. Como medida de emergência, vale a pena utilizar o «Reforço do Comportamento incompatível», desviando as sua atenção para tudo o que não se refere às causas de sua depressão e ansiedade. É também nisso que se baseia a «Imaginação Orientada», com resultados mais do que satisfatórios.

Ψ Também informo que os livros estão a ser constantemente remodelados e actualizados para que sejam úteis aos leitores. É por isso que desejo as duas avaliações, críticas e honestas (qualitativa e quantitativa) que me ajudem a melhorar a sua qualidade, compreensão e utilidade.
Isso só se pode conseguir com essas avaliações, entregues pessoalmente ou enviadas por email.

Cada um dos livros deve ser avaliado quantitativamente numa escala de 1 a 5
1 – mau
2 – razoável
3 – normal, regular
4 – bom
5 – muito bom
relacionado com a:
a) utilidade do assunto abordado
b) clareza da linguagem
c) forma de exposição.

Além desta avaliação, uma avaliação qualitativa e com sugestões pode enriquecer a informação prestada pelo leitor ou utilizador.

É por esta razão que gosto muito mais do proveito que cada um pode tirar dos textos publicados do que do «gosto» ou «like» no facebook. É para isso que trabalho afincadamente quase 5 horas por dia e isso pode reflectir-se nos livros e nos textos que publicar.
Como os livros publicados até ao momento são apenas (A), (B), (C), (D), (P), (Q) seria muito útil essa informação, porque as anteriores, relacionadas com os livros já publicados, deram-me ideias muito mais realistas sobre uma Biblioterapia possível entre nós.
Os restantes livros serão publicados à medida das necessidades e do percurso do meu projecto de Biblioterapia que só irá avançar com apoio e, especialmente, com boa aceitação dos interessados.

Entretanto, para que não existam ideias fantasiosas acerca da verdadeira biblioterapia que se pode fazer em psicoterapia, estou a planear a publicação dum novo livro de 104 páginas, a englobar todos os outros, designando-o como A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA, com um índice mais ou menos semelhante ao apresentado e especialmente destinado a orientar os interessados na preparação do seu plano duma biblioterapia cómoda, duradoura e eficaz, servindo de profilaxia.

 

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A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA 7

Conforme tinha prometido ao Sr. Amigo do Felício, vou transcrever as páginas 127 a 131 do livro «SAÚDE MENTAL sem psicopatologia» (A) que são muito interessantes, especialmente ligadas aos produtos farmacêuticos com os quais lidamos.

Às vezes, o tempo da sua utilização e o aspecto apelativo dos anúcios pode ocasionar enganos que serão prejudiciais para uma saúde mental aceitável, com comportamentos equilibrados.

 

“É BOM SABER O QUE SE PASSA CONNOSCO

 Para poder reagir a tempo, convém não sermos os últimos a saber aquilo que acontece connosco.

Sabemos que os efeitos nefastos do álcool, cocaína e outras drogas classificadas como recreativas nos deixam sem capacidade de julgamento. As drogas psiquiátricas actuam de maneira ainda pior deixando-nos «deficientes».

Um exemplo marcante é a desquinésia tardia que é um distúrbio a englobar estremeções e espasmos permanentes causadas por drogas neurolépticas ou anti-depressivas tais como Haldol e Risperdal. Muitos estudos mostram que a maioria dos pacientes com estes problemas induzidos pela droga negam a sua ocorrência especialmente enquanto estão a tomar a medicação.

Prozac, Zoloft, Paxil, Luvox, Effexor e outras drogas que sobreestimulam o sistema de serotonina provocam geralmente alterações de personalidade tais como irritabilidade, agressividade, instabilidade humoral e diversos graus de euforia. A pessoa que toma a medicação pode sentir-se «melhor do que nunca» enquanto os familiares vêem que o indivíduo se transformou numa «pessoa diferente» com muitos traços de personalidade negativos.

Sem compreender o que lhes está a acontecer, os pacientes podem ficar, durante meses e anos, dependentes de tranquilizantes menores tais como Xanax ou Valium. Podem imaginar que necessitam de tomar cada vez mais droga para controlar a ansiedade e a insónia quando, de facto, as drogas pioram a sua condição. Mesmo quando compreendem que estão viciados, acham difícil enfrentar o problema e passam a negar que estejam viciados, continuando a tomar a droga.

Muitos pacientes que tomam drogas psiquiátricas descobrem que perderam a acuidade de memória. Esta consequência está vulgarmente associada ao lítio, aos tranquilizantes e a uma diversidade de anti-depressivos. Tanto os pacientes como os médicos podem atribuir isto, erradamente, à «depressão» mais do que à droga. No caso de pacientes mais idosos, estas dificuldades de memória são atribuídas à senescência.

É bom realçar que, sem darmos por isso, as drogas psiquiátricas que tomamos podem reduzir a nossa capacidade de vigília, acuidade mental, vivacidade emocional, sensibilidade social ou criatividade. Podem causar efeitos físicos ou mentais adversos os quais temos dificuldade em reconhecer ou avaliar. Além disso, como estes sintomas de disfunção se assemelham a problemas psiquiátricos, é mais fácil para o próprio, para o médico ou para o familiar, atribui-los, erradamente, a problemas emocionais.

A anagnosia é um distúrbio no julgamento provocado pela disfunção cerebral verificado inicialmente em doentes com ataques cardíacos que negam estar parcialmente paralíticos. Numa perspectiva psicológica, esta negação é a não aceitação da ocorrência desta incapacidade óbvia pela função mental.

As drogas psiquiátricas são especialmente perigosas porque nos podem tornar incapazes de reconhecer os seus efeitos maléficos. Podemos ficar gravemente prejudicados sem saber o que se passa. Em muitos casos, as pessoas não tomam consciência dos efeitos danosos das drogas até conseguirem ficar recuperadas, muito depois de as terem deixado de tomar.

Num estudo comparativo realizado pela FDA durante o processo clínico de aprovação de Serzone e Effexor em relação ao efeito do placebo, Moore (1997) verificou que os suicídios e suas tentativas eram mais frequentes em pessoas medicadas do que naquelas que tomavam placebo. Nos 3496 pacientes tratados com Serzone houve 9 suicídios e 12 tentativas ao passo que nos 875 placebos apenas houve uma tentativa de suicídio, o que se pode traduzir numa proporção de 5 para 1.

No que se refere a Effexor, a proporção reduziu-se de 5 para 3,5. Isto mostra que os pacientes, apesar de estarem deprimidos, quando não estão medicados, não tentam o suicídio com a mesma alta frequência que apresentam ao tomar a medicação. Num outro estudo cruzado em que todos os pacientes foram sujeitos às mesmas condições de tomar a medicação ou ingerir placebo, verificou-se que as tentativas de suicídio eram mais frequentes quando estavam a ser medicados.

O relato de um dos pacientes diz o seguinte:

“Quando estava a tomar Effexor, tive efeitos secundários esquisitos. Enquanto estava a adormecer ou quando tinha o corpo relaxado, o que acontecia quando me deitava e via televisão, sentia contracções nas pernas e cabeça/nuca que se assemelhavam a movimentos involuntários. Agora que diminuí a dose de 225 para 150 miligramas diários, isto não acontece tão frequentemente, embora suceda de vez em quando. Serei só eu a ter este efeito secundário tão esquisito?”

 Em 1998, a escritora Deborah Abramson esclareceu no Boston Phoenix que utilizou muitos medicamentos, combinações e dosagens, até passar para um dos anti-depressivos mais estimulante comercializado como Effexor. À hora de se deitar tinha de tomar um sedativo para contrabalançar o efeito estimulante do Effexor e conseguir conciliar sono (Glenmullen, 2001).

Estas combinações a que os farmacêuticos chamam «cocktails», são prescritas a muitos pacientes. Os utilizadores da droga nas ruas (os chamados «drogados») referem-se a este fenómeno como tomar uma alta para a matar com uma baixa. Por causa da sua dependência, Abramson diz que “passou ultimamente a ter muitos sonhos em relação à sua viciação em álcool, craque, heroína”. Num dos seus sonhos “olhou para os seus braços e viu sulcos por todo o lado numa pele dura e impenetrável e, por isso, pensou que estava viciada”.

Se lhe faltar uma dose, mesmo passadas poucas horas, ela sente uma ligeira forma de abstinência que lhe provoca vertigem e sensação de formigueiro à volta da boca. Não entra em pânico, como aconteceria a um viciado, porque sabe que a sua dose pode ser facilmente reposta. Contudo, esta dependência, tanto psicológica como física, deixa-a desconfortável.

Existem inúmeros estudos sobre as drogas ilícitas, mas sobre Prozac, Zoloft, Paxil, Luvox, Wellbitrin ou Zyban, Effexor, Serzone, que são as drogas legalmente prescritas, esses estudos são escassos ou pouco difundidos, especialmente no acompanhamento feito aos pacientes que os deveriam conhecer para saber quais os efeitos das drogas a fim de se conseguirem precaver dos nefastos.

Segundo Glenmullen (2001), os anúncios das drogas a serem prescritas pelos médicos distorcem a informação de tal maneira que até um observador mais cuidado pode não se aperceber disso. Nos anúncios dos novos antidepressivos, nos meios de comunicação social e revistas especializadas, os laboratórios utilizam slogans simpáticos tais como os dos cigarros e cervejas. Os anúncios de Effexor utilizam o de melhorar a vida do utilizador.

  • Um deles mostra uma mãe muito sorridente e uma filha a subir as escadas a correr. Por baixo desta fotografia está escrito a lápis: “Já tenho a minha mãe de volta”.
  • Um outro, mostra um indivíduo de aspecto grosseiro, com o seu filho, e uma frase a dizer: “Tenho o meu pai de volta”.
  • Ainda um outro mostra um casal a dar um abraço muito afectuoso e duas alianças entrelaçadas, tendo uma frase, por baixo, a dizer “Tenho o meu casamento de volta”.

Com anúncios deste género ficam umas perguntas no ar:

— “Se o medicamento é tão bom e só deve ser utilizado por quem dele necessita e com recomendação médica, qual a razão de tanta e tão «agressiva» propaganda?

— “Não saberão os médicos ler a literatura científica que acompanha ou «deve acompanhar» todos os medicamentos com a sua composição, dosagem, efeitos secundários e outros malefícios?”

— “A promoção dos laboratórios destinar-se-á a facilitar a tarefa dos médicos que «devem» receitar estes medicamentos levando os pacientes a aceitar melhor a sua prescrição?”

Que responda quem quiser e souber e que se deixe iludir quem não tiver amor-próprio.”

 

Depois da publicação deste artigo, fico à espera que o Amigo do Felício fique satisfeito e esclarecido e que estes artigos lhe tenham servido para «melhorar o seu astral».

Eu vou-me dedicando ao novo livro que pretendo publicar quando puder e tiver as tais palestras, intitulado «A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA» e dedicado essencialmente aos que desejam manter uma boa saúde mental e um bom, desempenho sem terem de depender de psicoterapeutas, psiquiatras ou psicólogos ou, em caso de serem necessários, serem consultados durante o mínimo tempo necessário, sem recorrer aos medicamentos.

Para isso, também têm de se esforçar bastante na leitura e no treino mínimo necessário, todos os dias, durante 5 a 10 minutos, depois de um mês de pratica de 1 hora por dia, à noite.

Quem quiser informações mais pormenorizadas, até dispõe de dois livros magníficos de Carlos Lopes Pires «A Depressão não é uma Doença» e «Quando o Rei vai nu», embora também possa recorrer aos de Peter Breggin, em lingua inglesa.

Bom trabalho no local para onde foi durante 2 meses.
Felicidades.

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A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA 6

No cumprimento daquilo que prometi ao Amigo do Felício, que não está em Portugal nestes tempos e levou consigo o computador para receber as mensagens e consultar este blog, vou transcrever o capítulo das páginas 121 a 126 do livro «SAÚDE MENTAL sem psicopatologia».

 

“DISFUNÇÃO CEREBRAL PERMANENTE COM DROGAS

Quais os perigos das drogas psiquiátricas?

Poucos estudos se preocupam com o perigo das alterações potencialmente permanentes causadas na química cerebral com a utilização prolífica da medicação psiquiátrica. Porém, suspeita-se o suficiente para que uma pessoa de bom senso se deva acautelar contra a utilização de qualquer droga psiquiátrica.

Porzac, Zoloft, Paxil e Luvox são exemplos de drogas recentes, preparadas em laboratórios, para estimular o sistema da serotonina. No caso de Prozac, os mecanismos compensatórios cerebrais foram documentados desde o início da investigação.

Estas quatro drogas conhecidas como inibidores selectivos de recaptação da serotonina (Breggin, 2000) bloqueiam a retirada do neurotransmissor normal de serotonina existente na sinapse situada entre as células nervosas. O excesso consequente da serotonina faz com que o sistema se torne hiperactivo. Porém, o cérebro reage contra esta sobreactividade induzida pela droga destruindo a capacidade de reagir à estimulação pela serotonina. Este procedimento compensatório é designado como «abaixamento». Em consequência disto, alguns receptores de serotonina desaparecem ou morrem.

Além disso, para compensar ainda mais os efeitos produzidos pela droga, o cérebro tenta reduzir a secreção da serotonina. Este segundo mecanismo fica em actividade cerca de dez dias para depois começar a falhar enquanto o primeiro, o do «abaixamento», passa a ser permanente. São estes, em pormenor, dois dos mecanismos com os quais o cérebro tenta contrabalançar os efeitos das drogas psiquiátricas.

Existem mais mecanismos compensatórios, incluindo os de reequilíbrio de outros sistemas de neurotransmissão, acerca dos quais existe menos informação do que em relação aos dois acima citados. Através deles, o cérebro coloca-se em estado de desequilíbrio para evitar ou ultrapassar a sobreestimulação provocada pelas drogas. Um dos mais estudados é também o do «abaixamento» dos sistemas neurotransmissores quando existe uma sobreestimulação provocada pelos antigos «tricíclicos» tais como a amitriptilina (Elavil) e a imipramina (Tofranil). O «abaixamento» também ocorre com as drogas estimulantes tais como a Ritalin e as anfetaminas Dexedrine e Adderall.

As drogas psiquiátricas nem sempre sobreestimulam. Algumas bloqueiam ou inibem o sistema neurotransmissor do cérebro. Quando isto acontece, o cérebro tenta compensar reagindo na direcção oposta, exagerando, desta vez, o «aumento» do sistema neurotransmissor anteriormente suprimido.

As drogas anti psicóticas tais como Thorazine, Haldol, Prolixin, Risperdal e Zyprexa têm tendência a eliminar o sistema da dopamina. Neste caso, o cérebro tenta ultrapassar a situação tornando mais sensível o sistema de dopamina. Este «aumento» pode conduzir a distúrbios neurológicos graves e permanentes.

Na tentativa de ultrapassar os efeitos das drogas psiquiátricas, as funções cerebrais ficam distorcidas. Como o cérebro não consegue recuperar as suas funções originais logo que as drogas deixem de ser consumidas pode, às vezes, nunca recuperar.

Os pacientes são incitados a utilizar drogas durante longos períodos de tempo?

Muitos médicos que prescrevem drogas psiquiátricas durante longos períodos de tempo podem estar convencidos de que as mesmas são úteis. Contudo, esta sua convicção baseia-se mais em impressões pessoais do que em dados científicos. Eles têm uma predilecção bastante grande pela utilização de medicamentos porque acreditam neles e recomendam a sua utilização por longos períodos de tempo logo que são postos à venda no mercado apesar de os estudos da FDA (Federal Drug Agency = Agência para o controlo de medicamentos, dos EUA) recomendarem a sua utilização apenas durante alguns meses.

A utilização generalizada de Zyprexa exemplifica o modo como drogas potencialmente perigosas são frequentemente prescritas com entusiasmo injustificado acerca da sua eficácia e segurança. Zyprexa foi aprovada em 1996 pela FDA (americana) para a “manipulação das manifestações dos distúrbios psicóticos”. As drogas aprovadas para tais manifestações designadas como neurolépticos ou antipsicóticos são extremamente perigosas.

A FDA exige que todas as drogas neurolépticas, incluindo as novas, tais como Zyprexa, tenham um «aviso» acerca dos perigos de desquinésia tardia que se caracteriza por distúrbios neurológicos incapacitantes e desfiguradores, quase sempre permanentes, com tiques, espasmos e movimentos corporais anormais. Estas drogas provocam também o sindroma neuroléptico maligno que é uma doença cerebral potencialmente fatal com efeitos semelhantes aos associados à encefalite viral mortífera. São muito altas as taxas de desquinésia tardia e de sindroma neuroléptico maligno provocadas por algumas drogas neurolépticas já estudadas.

Os estudos controlados utilizados para a aprovação de Zyprexa duraram apenas algumas semanas e foram realizados em adultos diagnosticados como esquizofrénicos. Contudo, logo depois de Zyprexa estar disponível no mercado, os médicos começaram a recomendar o seu uso contínuo e prolongado. Além disso, começaram a prescrevê-la a pessoas com sintomas psicóticos e até a crianças com problemas de comportamento.

Apesar da falta de estudos de longa duração e da novidade da droga, os médicos aceitaram a euforia promocional dos fabricantes de que Zyprexa é mais segura do que todas as outras drogas semelhantes, podendo ser utilizada com a mesma finalidade. De facto, quase todas as drogas psiquiátricas são lançadas no mercado com uma informação promocional de que são mais «seguras» e «eficazes» do que as anteriores.

Em psiquiatria, este entusiasmo raramente é confirmado pelas avaliações mais sóbrias e realistas baseadas no tempo e na experiência. Mesmo que se verifique posteriormente que as drogas são inúteis ou altamente perigosas quando prescritas por períodos de tempo prolongados, muitos médicos continuam a pressionar os pacientes a tomarem-nas por longos períodos de tempo.

Em relação à Ritalin e outros estimulantes, para além das primeiras semanas, não existe prova concludente do seu efeito benéfico em qualquer comportamento, incluindo a hiperactividade. Estas drogas podem coarctar o comportamento das crianças tornando-as obedientes, conformistas e quietas nas aulas e, por isso, são prescritas vulgarmente por meses e anos, se não forem por toda a vida. Além disso, apesar de se saber que Ritalin perturba a produção da hormona do crescimento provocando a sua inibição, ela é prescrita ao longo da infância.

Também se sabe que drogas contra a ansiedade tais como Xanax, Ativan, Klonopin, Valium e Librium são viciantes ou adictivas. Depois de consumir Xanax apenas durante algumas semanas muitos pacientes sofrem de ressaca quando deixam de a tomar; outros sentem-se incapazes de parar sem ajuda. É incontroverso que os pacientes tratados com Xanax desenvolvem sintomas de ansiedade mais graves do que tinham antes do início do tratamento (Breggin, 2000).

Apesar destas limitações relacionadas com a utilização prolongada de drogas, muitos médicos continuam a prescrevê-las durante meses e anos seguidos. Alguns acreditam no «seu julgamento clínico» mais do que em dados científicos, enquanto outros não se preocupam com a literatura científica. Além disso, muitos dos seminários em que os médicos participam são frequentemente patrocinados por laboratórios farmacêuticos que difundem, frequentemente, opiniões enviusadas propícias à utilização prolongada de medicamentos. Também os médicos nunca vêem os comentários negativos acerca da utilização prolongada de drogas nos promissores anúncios que aparecem nas revistas farmacêuticas e nunca ouvem quaisquer informações críticas da boca dos delegados de informação (que antigamente eram de propaganda) médica que os visitam com frequência.

Os médicos também não conseguem compreender que os seus pacientes ficam viciados e que desejam continuar a ser medicados só para evitar os sintomas de ressaca. Acima de tudo, os médicos seguem, frequentemente, o caminho fácil de prescrever receitas em vez de ajudar os seus pacientes a descobrir soluções definitivas mais complexas para as suas dificuldades emocionais (Breggin, 2000).

Entretanto, os pacientes também se podem sentir forçados a tomar drogas para evitar as temíveis e amedrontadoras reacções das ressacas que incluem ansiedade, agitação, insónia, depressão, fadiga e sensações anormais no corpo e na cabeça. Dependendo da droga, um ou mais sintomas de ressaca podem desenvolver-se dentro de horas ou dias a partir do momento em que se deixou de a tomar. Estas reacções podem tornar-se muito graves a ponto de os pacientes pressionarem o seu médico para que continue a prescrever a medicação habitual. O que de facto acontece é o médico que prescreve, habilitar ou ajudar o paciente a ficar dependente da droga.

Alguns entusiastas da droga acreditam que anos de utilização clínica por milhares de pacientes provam a utilidade e a segurança na continuação da utilização do medicamento. Outros acham que as suas prescrições de droga durante muitos anos podem demonstrar a sua segurança. São crenças que conduziram a resultados trágicos em milhões de pacientes. Um destes resultados foi o de milhões terem ficado dependentes, para toda a vida, de tranquilizantes viciantes ou aditivos como Xanax, Valium, Ativan, Klonopin e Librium.

A sobreconfiança dos médicos no seu juízo clínico relacionado com a segurança na utilização das drogas a longo prazo conduziu a resultados ainda piores. Milhões de pacientes foram afectados por distúrbios neurológicos graves em consequência de ingestão de drogas antipsicóticas. Medicamentos da classe de Thorazine e muitas outras como Haldol, Prolixin, Navane, Risperdal, Clorazil e Zyprexa, foram utilizadas durante duas décadas antes de se reconhecer que este grupo provoca desquinésia tardia e sindroma neuroléptico maligno. Mesmo em finais do século XX, passados quarenta e cinco anos sobre a iniciação dos primeiros neurolépticos, muitos médicos não conseguem compreender a frequência da severidade destes perigos e prescrevem drogas sem monitorizar devidamente a sua má utilização nem prevenir os pacientes e suas famílias sobre os perigos que lhes estão associados.

Nos princípios do século XXI, continua tudo na mesma.

Para maior alerta, já tinha publicado em tempos um post com avisos para precauções contra os medicamentos.

 

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A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA 5

Recebi há dias o comentário seguinte do Amigo do Felício.

Obrigado por este artigo, a partir da nossa conversa.
Só o consegui acabar de ler agora, consultando as ligações que introduziu.
Achei muita piada ao comentário feito por um anónimo em relação a biblioterapeuta.
Já tentei experimentar o que diz na «Autoterapia», que não é fácil, mesmo depois de ler a experiência do Antunes, mas vou continuar.
Julgo que as tais palestras devem ser importantes, pelo menos no início.
Isto tudo cai-nos em cima, muito simples, mas completamente diferente daquilo que nos fartamos de ouvir.
Aqui, parece que se deixa as pessoas reagir por sua livre vontade.
Vou ler tudo muito melhor: os livros e os vários artigos do blogue.
Vou ter de me ausentar durante cerca de 2 meses, mas levo os livros comigo e o computador.
É para continuar a consultar o blogue ou enviar algum e-mail.
Já que apresentou no poste anterior um possível capítulo do novo livro que está a preparar, gostaria de conhecer mais algum ou alguns que me possam ajudar.
Pode ser uma ajuda para mim e para mais pessoas que conheço.
Obrigado por tudo.”

Para satisfazer o seu pedido que me parece razoável, como tenho o livro quase pronto, vou indicar em primeiro lugar o Índice e dizer que esse livro deve ter 104 páginas, a ser publicado logo que possível, depois de tratar da capa, etc. O preço do livro deve ficar em 11.00€, enviado pelo correio depois de me ser solicitado directamente.

Haja pedidos para a sua aquisição.
O capítulo HAVERÁ VANTAGENS NA BIBLIOFILIA? que foi publicado num post anterior, deve ficar quase na mesma.

Agora, vou publicar o capítulo final «CONSIDERAÇÕES FINAIS» que deve constar nas páginas 91 a 94.

ÍNDICE
O QUE É A BIBLIOTERAPIA?
A BIBLIOFILIA SERÁ NECESSÁRIA?
AS CONSEQUÊNCIAS DA BIBLIOFILIA
UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL
NECESIDADE DE BIBLIOFILIA PARA A BIBLIOTERAPIA
A BIBLIOTERAPIA E A EDUCAÇÃO
DEPRESSÃO E BIBLIOTERAPIA
A BIBLIOTERAPIA NA PSICOTERAPIA
FALTA DE BIBLIOFILIA PARA A BIBLIOTERAPIA
BASES DA PSICOTERAPIA
IDEIAS PARA PREVENCÃO E PROFILAXIA
HAVERÁ VANTAGENS NA BIBLIOFILIA?
CONSIDERAÇÕES FINAIS
BIBLIOGRAFIA

 

“CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sintetizando tudo o que se disse anteriormente, pode-se compreender a grande vantagem na Bibliofilia para a crição do gosto pela leitura que vai ajudar a consultar livros, na sua totalidade ou aos poucos, podendo ser lidos nas mais diversas ocasiões, posições e circunstâncias.
É um pronto-socorro permanente e autónomo.
Essa Bibliofilia pode ajudar a utilizar a Biblioterapia, tanto no caso de se tentar resolver um desequilíbrio psicológico, como numa perspectiva de o tentar evitar. Pode ainda servir para desenvolver uma gestão eficaz, melhorar o desempenho pessoal ou ajudar quem necessite de apoio psicopedagógico ou de reabilitação.

Contudo, essa Bibliofilia tem de ser criada ou incentivada, o mais cedo possível, para que exista, de facto, um gosto pela leitura. Se não forem os pais, os familiares mais chegados ou até o meio ambiente circundante, existem os professores e outros técnicos que podem incentivar e desenvolver este gosto, nem que seja ao longo da vida.
Este gosto pela leitura, além de ser utilizado para ler quaisquer livros com os quais a pessoa pode simpatizar ou dos que necessitar, servirá também para consultar os que forem mais necessários para saber o modo como funciona o comportamento humano isoladamente e em interacção com os seus semelhantes, assim como para verificar se os comportamentos são saudáveis ou não, embora possam ser considerados «normais» em determinados ambientes e sociedades.

A partir dessas leituras e das suas vivências pessoais, o indivíduo pode inteirar-se dos valores dentro da sua cultura e verificar se o seu comportamento é satisfatório ou se sofre de pressões, recordações, traumatismos que não consiga aguentar pessoalmente. Uma análise consciente, racional e lúcida pode ajudar imenso. Contudo, também é bom que uma pessoa analise o seu comportamento na sociedade em que vive, para descobrir se é satisfatório ou forçado.
Para uma análise profunda, recordando muito do que se passou com cada um e sabendo como se processa a estruturação da personalidade com as aprendizagens feitas, baseadas nos estímulos, condicionamentos e reforços que recebe desse meio ambiente, é possível descobrir as causas, tanto actuais como remotas de muitas das nossas acções, quer desejáveis, quer inadequadas, bem como as inoportunas, intempestivas e inadmissíveis.

Essa análise, racional, serena do passado, pode ser feita num relaxamento profundo, com autohipnose, inicinando-se, praticamente, à hora de dormir, para continuar, sem a nossa intervenção directa, durante o sono ou nos momentos em que houver alguma insónia. Contudo, para que isso aconteça, é necessária uma prática anterior que pode não demorar muito mais do que um mês, despendendo com ela cerca de uma hora todos os dias, também à hora de dormir.
Porém, para facilitar todas essas recordações e sua análise, uma anotação de tudo o que se passa connosco durante o dia e até no sono e nos sonhos, juntamente com uma autoanálise de 5 minutos diários, em condições específicas, pode ajudar imenso.
Depois, a prática do relaxamento mental, antecedido, se necessário, do relaxamento muscular, ajuda e facilita a realização das «operações mentais» necessárias.

Portanto, em todo este conjunto de «operações», se a pessoa, antes de se ir deitar, depois do provável mês de prática, dedicar 5 minutos à autoanálise, reler durante 2 minutos o diário e durante os restantes 3 minutos praticar o relaxamento muscular, para entrar imediatamente, se possível, no mental com autohipnose. Assim, além de programar a sua Imaginação Orientada, baseada na TEA e na logoterapia, para orientar o sentido da sua vida que já foi descoberto anteriormente, realizará uma reestruturação cognitiva eficaz e duradoura.

Tudo isto torna-se impossível sem «entrar» no espírito da Biblioterapia, com a leitura e devida compreensão e apreensão dos conhecimentos difundidos nos diversos livros já mencionados e que foram utilizados por outros personagens, em condições semelhantes.
Uns fizeram-no autonomamente, enquanto outros, com ligeira ajuda do psicólogo, mas todos com bons resultados.
Por isso, também é vantajoso saber como é que cada um desses personagens actuou, para se conseguir um modelo de acção que possa condizer com a personalidade e capacidades do interessado.
Também é bom não esquecer que pequenos acontecimentos sem importância para a maioria e até para o próprio, em outras condições, percebidos e sentidos no ambiente do momento, podem funcionar como traumatismos negativos capazes de alterar e desequilibrar todo o comportamento, como aconteceu com o Júlio.

Enquanto não forem relembrados e compreendidos, para descobrir maneiras de os ter podido ultrapassar ou ultrapassa-los com as aprendizagens disponíveis no momento, o reequilíbrio do psiquismo do próprio ou o desenvolvimento do seu desempenho não será fácil.
Os exemplos de casos concretos são amplamente dados nos livros da colecção da Biblioterapia.
Nada ou quase nada do que se disse anteriormente neste capítulo, pode ser feito apenas pelo psicoterapeuta ou por qualquer outra pessoa, devendo o protagonista fundamental ser o próprio.
Se alguem quiser ajudar, pode fazê-lo, mas tem de ser num sentido próprio e bem direcionado para o objectivo bem definido do interessado, que deve ser o personagem principal.
É necessário ter cuidado com uma ajuda extemporânea ou inadequada que pode ser prejudicial e até comprometer todo um «tratamento» que estava a ser feito com bons resultados, acarretando resultados prejudiciais para o próprio.

Já se mencionou isso em «Psicoterapias Difíceis».
Por este motivo, as noções do funcionamento do comportamento humano são necessárias também para essas pessoas que dizem querer ajudar ou pretendem fazê-lo.
Nestes casos, uma educação anterior pode ajudar imenso, pelo menos, a não atrapalhar ou desorientar uma acção em curso, que estiver no bom caminho.

Portanto, a Biblioterapia, a partir do Bibliofilia, também é essencial para esses «ajudantes», «apoiantes», «educadores» ou «beneméritos».
Não sei o que mais se possa dizer sobre as vantagens duma leitura para conhecimentos adequados, que não se conseguem obter ainda, na generalidade, nas notícias e informações difundidas nos meios de comunicação social.

Por todos estes motivos, ainda me lembro do iogui com quem conversei sobre a minha actividade profissional em psicoterapia, quando estive em Jaipur, em 1994 e lhe perguntei no fim da conversa, aquilo que eu tinha de fazer para utilizar o ioga.

A resposta dele, a sorrir, foi apenas:
Sente-se e pratique.
No caso da Biblioterapia para a psicoterapia ou desenvolvimento pessoal, a minha resposta também é muito simples:
Leia, experimente e descubra por si. Até pode estar deitado.
 Mas o principal órgão a funcionar deve ser sempre a cabeça
ou o cérebro, coloquialmente, «a caixa dos pirolitos»”, que continua a «trabalhar» até durante o sono.

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A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA 4

Quando ia passar pelo café habitual como todas as semanas, o senhor Felício e mais uma pessoa aproximaram-se de mim para dizer que tinham estado à minha espera nas duas semanas anteriores e que não me tinham visto passar por lá.
Queriam saber o que se passava comigo ou se tinha estado doente.
Esclareci que na última semana tinha tido necessidade de ir a Amadora entregar os documentos para o preenchimento do IRS, porque também na semana anterior tinha tentado ir à Segurança Social em Sintra e não tivera êxito.
Como isso se situa num caminho mais estreito do que o «cú de Judas», sem possibilidades de estacionamento do veículo, desistira dessa visita para passar a «procuração» a um contabilista amigo.
Depois deste esclarecimento, o Sr. Felício deixou-me com o senhor de quem vinha acompanhado, porque ele, depois de ler vários posts sobre a BIBLIOTERAPIA, estava muito preocupado e necessitava de esclarecimentos para «assentar» as suas ideias em relação aos problemas que enfrentava.
Depois do Felício se despedir de nós, entramos no café para dois dedos de conversa, que começou logo.

 

P: Já sei que a Biblioterapia, como o próprio nome indica supõe que o leitor, através de determinadas obras, pode curar determinados aspectos (ou mesmo doenças físicas) da sua vida e, o que o biblioterapeuta faz, é, mediante o “quadro que a pessoa apresenta”, indicar determinadas obras cuja leitura ajudará a ultrapassar essa fase.
N: Não sei se essa definição está correcta, mas acho-a desconexa, porque, antes de tudo, qualquer doença física ou mental tem de ser devidamente avaliada, muitas vezes, com observação directa por médico ou psicólogo, com exames complementares, se necessários.
Além disso, não me consta que os biblioterapeutas, que não sei o que são, possam «curar» além de livros!
Tanto quanto sei, uma versão do doente, paciente, cliente ou interessado, segundo o seu ponto de vista, especialmente a do momento, pode enganar muito. Quais os sintomas? Na parte de Psicologia, nunca me atreveria a dar indicações sem ter uma visão completa da situação. Já disse isso muito claramente no post Resposta 48 mas repito que dar «conselhos» por telefone ou por email, sem conhecer bem o caso, pode não só ser incorrecto, como até prejudicar o «paciente».
Posso dizer-lhe que, com o meu amigo Antunes, tive um problema semelhante que ficou apresentado no livro «Imaginação Orientada» onde se fala também em consultas, exames, psicoterapias, etc. Ele queria saber se a filha, com dificuldades escolares de insucesso e irrequietude nas aulas, deveria ter consulta com um neurologista, como a mulher desejava, ou com um psicólogo como ele achava que devia ser.
Em conversa e com tudo aquilo que ele tinha lido nas brochuras do Centro de Psicologia Clínica, preparados para os nossos utentes, fiz-lhe chegar à conclusão de que, no caso da filha, a consulta com um Psicólogo seria o mais indicado.
Depois dessa consulta e do exame subsequente em que se verificou que a filha tinha mais problemas emocionais do que cognitivos, ele próprio chegou à conclusão de que poderia dar apoio psicopedagógico à filha utilizando os nossos livros já publicados e que agora estão transformados em «Neuropsicologia na Reeducação e Reabilitação».
Neste caso, eu tive de lhe indicar os livros como psicólogo que estava a conhecer o caso dele e era autor dos livros. Nesta biblioterapia, houve necessidade de observação inicial e exames.
Tudo isso aconteceu porque eu conhecia também a mulher e, durante as nossas conversas quase intermináveis, já me tinha apercebido de que o próprio Antunes estava a sofrer de depressão e ansiedade acentuadas, que se reflectiam, como dano colateral, na depressão em que a mulher começava a entrar e nos comportamentos hiperactivos da filha, que já estava a ter insucesso escolar.
No caso dele, como psicólogo clínico que estava a tomar contacto directo com a situação, consegui que ele se interessasse pelos livros anteriores que deram origem a «Psicologia para Todos» e «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?», além de lhe fornecer vários apontamentos policopiados que foram os originais do livro «Interacção Social».
Depois disso, confirmei as minhas ideias sobre a sua depressão/ansiedade porque ele também se apossou dos originais da comunicação sobre Autoterapia que eu estava a preparar e que se transformou agora no livro «Auto{psico}Terapia».
Estou a aflorar tudo isto para lhe fazer ver que, apesar de eu não saber que já tinha sido diagnosticada no Antunes uma depressão grave, com medicação consequente, que ele deixou de tomar porque se sentia ainda pior quando a tomava, eu já me tinha apercebido disso, com o «discurso» dele durante as nossas «conversas», falando nas dificuldades que a filha estava a demonstrar e com o diagnóstico de depressão que ainda faltava fazer na mulher.
Afinal, os problemas da mulher e da filha eram os efeitos secundários da depressão dele.
Falo nisto tudo porque, apesar de todos os diagnósticos, ninguém se preocupou com as possíveis causas de todas essas dificuldades. E essas causas podem ser muito subtis e imperceptíveis.
Conforme se verifica no livro do Antunes, bastou ele começar a dar apoio psicopedagógico à filha, à base dos livros indicados (biblioterapia), para ela começar a deixar de ter insucesso e não necessitar de ser irrequieta nas aulas, passando a ser uma das melhores dinamizadoras das suas colegas.
Bastou apenas isto, juntamente com a Autoterapia que o Antunes começou a praticar, para a mulher também se sentir muito melhor e ele ser promovido na empresa.
Afinal, a depressão/ansiedade de que o Antunes estava a sofrer devia-se apenas à sua preocupação e ânsia de trabalhar o máximo possível para não deixar a família com falta de rendimentos em caso do seu «desaparecimento», do mesmo modo como tinha acontecido com ele depois do falecimento do seu pai (traumatismo negativo dele).

P: Então, um livro sobre depressão pode dizer muita coisa!
N: Não sei o que quer dizer com isso, mas o meu livro «Combata ou Evite a Depressão» dá uma ideia geral sobre esta entidade psicopatológica, além de muitas indicações necessárias para a combater ou evitar. Porém, só a leitura desse livro não resolveria o problema do Antunes. Havia muita coisa mais a fazer.
De que maneira se poderão descobrir as causas sem cada um fazer uma viagem «dentro de si», indo buscar ao seu inconsciente muitos dos factos relegados para segundo ou terceiro plano ou demasiadamente escondidos e camuflados e que fazem imaginar outra coisa?
Esta viagem pode ser feita apenas pelo próprio, autonomamente, ou com alguma ajuda.
Sem a colaboração do paciente, os psicólogos não tem acesso a esses dados.
No caso do Antunes, ele conseguiu fazê-la autonomamente depois de ler muita coisa.
Foi uma Biblioterapia, isto é cura através de livros e ninguém foi biblioterapeuta
Porém, no caso da Cidália e do Júlio, houve necessidade de alguma ajuda, mas eles também tiveram de ler muita coisa para se aperceberem da situação e conseguirem fazer uma análise cuidadosa do seu passado e da situação envolvente.
O caso da Isilda foi uma reacção a «males de amor», em grande parte devida ao controlo exagerado que a mãe exercia nela, por causa da má experiência conjugal dela própria. Esse livro, juntamente com outros, ajudou a «nova paciente» a fazer uma psicoterapia quase relâmpago por causa da sua boa compreensão, treino em casa e leitura de muitos livros que falavam sobre o funcionamento do comportamento humano e experiência da Cristina.
Portanto, em todos estes casos de depressão, as suas causas foram muito diversas, tal como o afastamento do Júlio da casa dos pais e o da Cidália da casa dos avós, para poderem estudar. Será fácil imaginar que isso possa ser a causa duma depressão? Todas essas «causas» têm de ser conhecidas, estudadas, avaliadas e tidas em conta no contexto do momento. Sem lá chegar, quase nada se pode fazer com segurança e eficácia.
Dizer às pessoas que leiam o livro sobre Depressão pode não servir de coisa alguma, como aconteceria com todos eles se não lessem também muita outra coisa que quase todos temos necessidade de apreender, a fim de compreender o modo de funcionamento do comportamento humano e as suas peculiaridades.

P: Mas eu julgava que poderia ter uma obra que visasse vários aspectos para poder ajudar a pessoa com dificuldades para ela melhorar a sua saúde e evitar as descompensações.
N: Não me parece muito viável, a não ser que seja para cada um ler por sua conta e risco, sem qualquer recomendação generalizada, que pode implicar sérios danos para algumas pessoas em causa. Além disso, se não houver contacto pessoal, qual a razão de «recomendar» um livro? Se houver contacto pessoal, o pretenso «biblioterapeuta», deve ter uma literatura que conheça a fundo e que possa recomendar com segurança para aquele caso específico. Nem todos os casos são iguais e já mostrei as diferenças que existiram nestes cinco casos, em que tudo foi diferente.

P: Então, não acha que se possa fazer um livro que englobe, por exemplo, questões relacionadas com Luto, como a perda de cônjuge, filhos, pais, amigos próximos, Depressões, Desemprego, Falências, Despejos, Refugiados/Retornados, Drama da guerra, Estrangeiros com recomeço de vida num novo país, Cuidadores de pessoas como pais, cônjuges, filhos em situação de incapacidade física e/ou psicológica, Divórcio, Filhos a sairem de casa, Dores nos ossos, Problemas de visão, Esquecimento, Problemas respiratórios, Questões dermatológicas, neurológicas ou quaisquer outras dignas de destaque?
N: Não me aflija com a panóplia dos aspectos que apresentou. Eu sou apenas psicólogo clínico que se dedicou à docência de Psicologia Geral e Social, Psicopatologia e Comportamento Organizacional, além da clínica em psicoterapia e psicopedagogia nos últimos 40 anos.
Quem escreveria um livro desse tipo? E quem beneficiaria dele efectivamente? Sei que nos aspectos em que exerci a docência, pude dar alguma ajuda às pessoas que tinham dificuldades ou que desejavam melhorar o seu desempenho indicando alguns livros que eles poderiam consultar, além dos apontamentos policopiados, tirando as suas dúvidas durante as aulas. Foi isso que me aconteceu.
Também foi nesse aspecto que me dediquei à preparação dos livros necessários para uma possível Biblioterapia, destinada a pessoas que irão escolher os livros que desejam e dos quais necessitam, talvez com indicações de técnicos que os possam ajudar conhecendo as obras.
Contudo, ficar à espera de haver uma pessoa que dê indicações num livro que abranja todos os aspectos que focou na sua pergunta, parece-me utópico porque se deve assemelhar mais a uma enciclopédia.
Para consultar isso, também não são necessários «biblioterapeutas» dos quais nunca tinha ouvido falar. Cada um pode fazer isso por si próprio.

P: Então, o que me diz das revistas que apresentam a resolução de vários problemas e dão respostas, tal como nos diversos programas de televisão?
N: Não sei a que programas se refere. Mas, se me está a falar nos programas que se apresentam nos vários canais na parte da manhã depois dos noticiários, posso dizer que não vejo qualquer deles. Prefiro estar ao computador a tratar dos blogs e da reorganização e actualização dos meus livros. Quando, por acaso, a televisão fica a funcionar e vejo as actuações dos diversos intervenientes, parece-me que os inspectores da polícia judiciária falam mais em psicologia do que os outros que falam muito e eu não compreendo, embora utilizem palavras muito bonitas. Quanto às revistas, já disse o que penso e é uma questão de consultar o blog. São entretenimentos em que não gosto de me imiscuir e que talvez sejam prejudiciais.

P: Então, o que é que se deve fazer em casos destes?
N: O que eu fiz, foi juntar toda a minha experiência nos 17 livros que se encontram na colecção e talvez seja bom ler o meu último post, no blog onde dou uma visão mais ou menos realista sobre este assunto.

P: O que é que as pessoas farão depois?
N: Não sei o que as pessoas poderão pretender fazer, nem qual a razão da sua preocupação com um livro que me parece mais uma enciclopédia e que não se encontra apenas na área da psicologia, mas abrange medicina, sociologia, assistência social, economia, política e não sei que mais.
Se o assunto fosse comigo, posso dizer que para preparar um livro desses, teria de ler muita coisa, até fora do meu campo de actuação e ciência, para conseguir escrever qualquer coisa aceitável. Mesmo assim, estaria a reproduzir as ideias dos outros, incorporadas nas minhas cognições e segundo a minha visão. Quem me garante que poderia estar certa? Que repercussões poderia ter nos outros? Fazer uma coisa destas, seria um mau serviço prestado à Psicologia e mais prejudicial ainda para o público utilizador. Não digo consumidor, porque o livro poderia não ser para venda como os produtos farmacêuticos e dietéticos que se propagandeiam nas televisões…. e não deixam de ter consumo, com o arrependimento de muitos dos que se podem sentir enganados. Não conhece esta realidade? Com os livros que escrevo, com os blogs que estou a manter e as intervenções no facebook, estou apenas a divulgar a informação de factos acontecidos comigo, sem tentar fazer publicidade ou propaganda.

P: Assim parece-me tudo muito complicado e talvez dispendioso.
N: Não posso concordar consigo totalmente porque existem soluções.
Uma delas, é fazer palestras em que se possa apresentar a 30 ou 40 pessoas com dificuldades psicológicas, as possibilidades de cada um colaborar na psicoterapia com leituras e treinos persistentes e perseverantes.
Essas pessoas podem consultar, desde o início, o livro «Auto{psico}Terapia» e tentar praticar tudo aquilo que lá se apresenta de forma resumida, para começar a tentar compreender, o que devem fazer para analisar as causas dos seus comportamentos inadequados a fim de os mudar para outro modelo mais aceitável, de acordo com as possibilidades de cada um e no ambiente em que a pessoa estiver inserida.
Além dessa leitura e treino, deve ser necessário a pessoa conseguir compreender o modo de funcionamento do comportamento humano, o que é suavemente apresentado no «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?». Isso vai ajudar bastante a compreender qual a razão de determinados comportamentos.
Só isto pode chegar para que cada um consiga fazer uma psicoterapia autónoma, tal como aconteceu com o Antunes, descrito em «Acredita em Ti. Sê Perseverante!», livro que também pode ser lido para descobrir o modo como ele actuou e conseguiu chegar ao traumatismo sofrido com a morte do pai e da posterior falta total de recursos financeiros.
Isto é uma modificação do comportamento com uma reestruturação cognitiva, apoiada pela análise do pasado que exige muito relaxamento mental e compreensão do funcionamento do comportamento humano.
Se isso não chegar e a pessoa não conseguir melhorar em relação às suas dificuldades, pode e deve pedir ajuda imediata a um técnico competente. Foi o que aconteceu com a Cidália e o Júlio que realizaram uma psicoterapia em menos de metade do tempo, necessário nas consultas «normais».
O que interessa salientar nesta vertente, é que os livros são mais baratos, podem ser lidos em qualquer lugar e momento, evitam deslocações e demoras nos consultórios e ocasionam melhorias mais rápidas, duradouras e eficazes, continuando como aprendizagem para futuras ocasiões de dificuldades a que estamos constantemente sujeitos, além de ficarmos prontos para reagir autonomamente.
Se uma pessoa se quiser certificar ainda mais em relação a este tipo de psicoterapia, pode consultar os casos de Cristina, Germana e Januário, descritos em «Psicoterapias Bem-Sucedidas – 3 casos» e verificar que todos foram muito diferentes, embora pudessem «sofrer» do mesmo diagnóstico, sendo resolvidos de maneira muito mais rápida e eficiente. E, se quiser aprofundar ainda mais as vantagens duma psicoterapia oportuna, em caso de não ter havido prevenção e profilaxia, muitas vezes, por falta de uma educação adequada, com um bom apoio familiar, pode consultar os 4 casos mencionados em «Psicoterapias Defíceis».

P: Se fôr necessário ler esses livros todos, onde é que os podemos encontrar, se os quisermos?
N: Não será necessário ler todos os livros mas, em qualquer caso, os três primeiros indicados na resposta anterior são importantes. Os restantes, podem-se ir lendo se houver necessidade dos mesmos, assim como existem também vários para o apoio psicopedagógico, desenvolvimento pessoal e cultura geral.
Se não os conseguir numa biblioteca e os quiser adquirir, tem de verificar se já foram publicados, consultando o blog [livroseterapia.wordpress.com]. Caso estejam publicados, pode fazer o pedido directamente para [mariodenoronha@gmail.com] a fim de que os livros sejam enviados à cobrança pelo correio. Se não tiverem sido publicados, pode utilizar os seus substitutos anteriores que também estão indicados nesse blog. Em caso de dúvidas e necessidade de mais informações, pode solicitá-las através do mesmo email ou fazer um comentário em qualquer artigo do blog [psicologiaparaque.wordpress.com], ficando à espera da resposta, porque os comentários são moderados para não passarem despercebidos.
Também informo que os livros serão publicados à medida que as pessoas demonstrarem interesse em os adquirir porque não desejo fazer publicidade e propaganda mas interesso-me apenas pela divulgação das informações.  Quero que as pessoas escolham aquilo que desejarem e acharem o que é melhor para elas.

P: Acha que não devo fazer coisa alguma?
N: A sua necessidade de me contactar e de obter informações sobre esses livros, parece que diz muita coisa.

P: Não me aconselha nada?
N: O que é que quer que lhe diga?

P: Será que lendo alguma coisa que o meu amigo Felício tem, poderei avançar? Ele tem o Autoterapia e o livro do Antunes.
N: Será que a nossa conversa o fez chegar à resposta que eu iria dar se fosse a uma consulta comigo? Depois disso, se ler muito daquilo que está publicado e respondido neste blog, e se não houver as tais palestras e necessitar de tirar dúvidas particularmente, tem o meu perfil onde, nos parágrafos finais, tem as informações necessárias para poder agir como entender. Não se esqueça que a leitura e a compreensão da matéria abordada é muito importante e que ninguém mais o pode fazer por qualquer de nós. É por isso, que sempre afirmei que o Psicólogo é ajudante do motorista que orienta o computador (caixa dos pirolitos) que dá as instruções à «maquineta», que é o nosso corpo, que desejamos que progrida por bons caminhos w com aboas acções.

P: Gostei das informações que me deu mas não compreendi a ênfase que colocou na necessidade de saber algumas coisas sobre o funcionamento do comportamento humano. 
N: Ainda bem que me faz esta observação que merece uma resposta com algumas alegorias e perguntas. Quem conduz um carro não tem de saber conduzir? Não necessita de ter a carta de condução? Não tem de passar num exame de código e reconhecer as normas de condução e sinalização, além dum exame prático? Não tem de saber tomar em conta o nível de água, combustível, óleo, estado dos travões, pneus, embraiagem, etc. da viatura? E se o carro fôr de boa marca, os cuidados não têm de ser maiores? E se tiver de conduzir «na mão contrária» como me aconteceu durante 10.000 quilómetros na Inglaterra como irá conduzir?
Do mesmo modo, quem conduz uma pessoa não tem de saber as normas necessárias e como é que as coisas funcionam? Isso acontece com o cérebro condutor do nosso corpo. Da mesma maneira que existem as normas de condução de veículos, com prática para os conduzir, esse cérebro tem de saber alguma coisa sobre o funcionamento do comportamento humano isoladamente e em interacção social.
Por este motivo, tem de saber bem os conceitos e não apenas as definições relacionados com afiliação, atitude, aprendizagem e suas leis, condicionamentos clássico e operante, conflito, cultura, dessensibilização, dissonância cognitiva, extinção, frustração, gratificação, identificação, modelagem, moldagem, mudança, nível de tolerância,  percepção, personalidade, pico de extinção,  punição,  pressão e inibição social,  reforços diversos incluindo o do comportamento incompatível, saciaçãovalores e várias outras coisas, com os efeitos que são produzidos imediatamente e a longo prazo nas pessoas envolvidas.
É como se se aprendesse o código de condução, que é indispensável para poder conduzir a viatura que é o próprio indivíduo.
Às vezes, quando o próprio não tem essas noções, é ajudado por mais algém que costuma ser o psicólogo.  Mas é sempre bom prevenir e agir ANTES, em vez de tentar remediar DEPOIS.

P: Nem sabe o alívio que tive depois desta conversa. Há muito que ler.
N: Fico especialmente satisfeito com a sua última constatação. É por isso que tenho mantido porfiadamente a minha actividade nos blogs, no facebook e na reorganização dos livros. E é também por isso que estou a pensar em preparar mais um livro com o título «A Prática de Biblioterapia» que vai ser o nome do post que vou fazer com esta nossa conversa. Espero que o leia, consultando todos os links que vou mencionar de propósito. Se ainda não viu, vá também consultar o post anterior, em que apresento o texto dum possível capítulo do novo livro.
Divulgue isso o mais possível entre os seus amigos e familiares. É o melhor apoio que me pode dar. Não sei se sabe que nós também necessitamos de apoio e que aprendemos muito com os outros. Por isso, agradeço-lhe imenso esta conversa.

 

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TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

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A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA 3

Para responder ao comentário seguinte feito ontem, 
Se acha que a Biblioterapia é tão importante como diz, que meios temos para isso cá em Portugal?
posso dizer que nos tempos antigos pouco ou nada havia em Portugal e que, a partir da minha experiência pessoal em docência e clínica nos últimos 40 anos, consegui juntar e preparar literatura capaz de ajudar a resolver alguns problemas nas áreas de psicoterapia, psicopedagogia e desenvolvimento pessoal. Esta ideia foi-se criando desde a experiência com o Júlio, em 1980, e tornando-se cada vez mais imperativa desde o «desaparecimento» do Joel.

Esse «material» está concretizado agora em 17 livros constantes da colecção da Biblioterapia, estando praticamente prontos e alguns já publicados. Os outros, serão publicados, à medida que o número de interessados fôr suficiente, com inscrições para a sua aquisição.

Para isso, é necessário que as pessoas consultem os dois blogs, «Terapia Através de Livros»  e este, «Psicologia Para Todos», postos à disposição desde 2007, por sugestão de muitos e insistência dos alunos do ISMAT.
Enquanto no segundo podem fazer comentários e pedir informações sobre os assuntos que lhes interessam e obter respostas, no primeiro, podem ver o aspecto dos livros e consultar o resumo do seu conteúdo, com a possibilidade de fazer também comentários em relação a muitas alteraçõoes que se possam introduzir nos mesmos.

Para os livros ainda não publicados, estas inscrições deverão ser directamente feitas através do email [mariodenoronha@gmail.com] para o qual também podem ser enviados os pedidos dos livros já publicados que serão enviados pelo correio, não estando, em princípio, à venda nas livrarias.

Para poderem verificar a utilidade, necessidade e interesse do livro escolhido,  além de poder consultar o respectivo blog indicado acima, a fim de ter a noção mesmo e saber se já está publicado, as pessoas podem fazer comentários ou enviar emails  para descobrir se o poderão substituir por um antigo, que está mencionado no historial desse livro.

Os comentários em qualquer dos respectivos blogs a fim de pedir esclarecimentos sobre dúvidas relacionadas com os temas acima citados, são sempre bem-vindos.

Concordo perfeitamente com alguns críticos que deixaram as suas dúvidas, particularmente, as que disseram que a Biblioterapia não seria possível se a pessoa não tivesse interesse em ler e que, para isso, seria necessário criar o gosto pela leitura, que é pouco praticada em Portugal.

Bibliofilia também pode ser incentivada e cultivada em família e até nas escolas ou centros de lazer e diversão, onde serão necessários especialistas para esta finalidade.
Além disso, para esclarecer ainda mais o comentador e várias pessoas que consultam este blog, vou transcrever a seguir, o original dum possível capítulo do novo livro, que estou a preparar, com o título deste post, por causa das críticas muito construtivas que fui recebendo.

 

“HAVERÁ VANTAGENS NA BIBLIOFILIA?

Para uma boa Biblioterapia, é importante que haja Bibliofilia e que existam livros disponíveis para leituras devidamente direccionadas, evitando a dispersão ou a aquisição de ideias desconexas.

Concretizando melhor, posso dizer que, se a pessoa tiver capacidade de abstracção suficiente, bom senso e desejo de melhorar o seu desenvolvimento pessoal ou quiser tentar reequilibrar o seu psiquismo, pode utilizar apenas «AUTO{psico}TERAPIA».

Se nada souber sobre o funcionamento do comportamento humano e sobre os factores intervenientes na interacção social, pode utilizar o livro «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» para adquirir, grosso modo, as noções mais fundamentais e essenciais sobre este assunto.

Necessitando de fazer uma autopsicoterapia e desejando um exemplo prático a fim de «se inspirar» nele, o exemplo do Antunes em «Acredita em Ti. Sê Perseverante!» pode ser de grande utilidade.

Sendo difícil realizar uma psicoterapia autónoma e necessitando de algum apoio do psicólogo, os casos de Cidália descrito em «Eu Também CONSEGUI!» e o do Júlio apresentado em «Eu Não Sou MALUCO!» podem servir de exemplos daquilo que se consegue de forma económica, mas com boa colaboração do próprio interessado.

Porém, se alguém quiser escrutinar a matéria, chegando aos seus fundamentos, pode utilizar «Psicologia Para Todos» e «Interacção Social», obtendo muitos exemplos da vida prática.

Querendo a pessoa enfronhar-se nos problemas da doença mental, o livro «SAÚDE MENTAL sem psicopatologia» pode ajudar a aclarar certas dúvidas e adquirir novos conhecimentos.

Porém, talvez seja bom saber que uma boa educação, desde a infância, pode ajudar a minorar os problemas consultando os livros «Combata ou Evite a Depressão» e «Psicopata! EU?», que foram «tratados» apenas com a prática da Terapia do Equilíbrio Afectivo que, só no caso do Joel, foi completada depois com a «Imaginação Orientada» e autohipnose.

É também bom relembrar que um bom ambiente familiar pode ajudar a evitar as dificuldades que foram apresentadas nesses livros.

Lendo «Psicoterapias bem-Sucedidas – 3 casos» pode-se verificar a influência da educação e do meio ambiente familiar nos desequilíbrios psicológicos e as possibilidades de recuperação rápida ou demorada, conforme a aquisição das noções essenciais, da colaboração do próprio e da sua persistência, bem como da influência do meio ambiente circundante.

O livro «Psicoterapias Difíceis» pode elucidar muito melhor este aspecto, com os 4 «casos» apresentados, um resolvido tardiamente, outro mal resolvido e dois «irresolvidos» devido ao ambiente.

Havendo necessidade de dar apoio psicopedagógico a crianças com dificuldades escolares ou àquelas que desejam melhorar o seu rendimento e ainda aos que necessitam de reabilitação, «Neuropsicologia na Reeducação e Reabilitação» pode ajudar muito.

Para os que necessitam de dicas para o marketing, gestão, vendas e desenvolvimento pessoal, «Comportamento nas Organizações» consegue ser de alguma valia.

O «Respostas sobre Psicologia» aguarda intervenções a serem respondidas aos utilizadores desta colecção.

Por fim «Biblioterapia» apresenta um exemplo daquilo que se deseja com este tipo de «tratamento» ou profilaxia que, desde 1973/75, se tem tentado iniciair em Portugal só com livros didácticos estrangeiros e depois, mais concretamente desde 1980, com apontamentos policopiados, com óptimos resultados, sem haver necessidade de esperar pelas experiências no estrangeiro, muito mais tardias.

O que se propõe, não é um modo de reduzir as dificuldades temporariamente, mas sim o de ultrapassar com êxito as dificuldades e as frustrações, que são muito frequentes entre nós, evitando que se repitam, podendo esse comportamento servir de exemplo para que muitas mais pessoas evitem as dificuldades.”

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A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA 2

Depois de receber o comentário seguinte:
Doutor Noronha.
Gostei deste artigo, mas quando me juntei com alguns dos que pertenciam ao «CãoPincha» ficamos confusos por se referir à «Baleia Azul», agora muito badalada na televisão.
Gostava de conversar consigo sobre isso e, se tiver oportunidade irei procurá-lo junto do café habitual, talvez até com mais alguém.
Até à próxima.
Felício”
fui andando devagar para descobrir o senhor Felício, que estava com mais um senhor à minha espera, à porta do café habitual.

Depois de nos cumprimentarmos, mantivemos o diálogo seguinte.

F: Venho com um amigo que antigamente estava no grupo CãoPincha e que está muito interessado nestes assuntos. É pena esse grupo já não funcionar. Sabe que nós ficámos muito preocupados e bastante admirados por se ter referido no seu artigo aos perigos da Baleia Azul que nos persegue por estes tempos?
N: Referi-me à Baleia Azul como me poderia ter referido ao alcoolismo, à droga, à delinquência, à comida em excesso ou a qualquer outro vício, como também pode ser a prostituição, que se vai adquirindo aos poucos e que, muitas vezes, acaba por se fixar permanentemente na estrutura da personalidade, modificando completamente os comportamentos do indivíduo.

F: Como é que isso se processa?
N: Para compreender isto, o importante, nestes casos, é conhecer bem o funcionamento do comportamento humano, lendo bastante e compreendendo o conceito de cada um desses factores, bem como o modo como os diversos tipos de reforço, os modelos, a afiliação, a dissonância cognitiva, a cultura, as pressões sociais e vários outros fenómenos psicológicos ficam a actuar nas pessoas, muitas vezes, devido ao meio-ambiente em que estão inseridos e em que terão de continuar a viver.
Vemos perfeitamente nos vários casos descritos em pelo menos 8 livros da colecção de Biblioterapia, o modo como o meio ambiente influenciou a formação de personalidade e a melhoria do seu reequilíbrio e até a maneira como o mesmo iria influenciar negativamente a recuperação, criando um vício (dos medicamentos),  que poderia acontecer no caso da Cidália.
No caso da Germana, verificou-se o modo como o meio ambiente influenciou bastante os seus comportamentos e também a maneira como a Bibliofilia a motivou a ler bastante aquilo que a ajudou a mudar de vida e até a ajudar o seu marido a recuperar facilmente, apesar de ter tido más experiências anteriores.
No caso do Antunes, verificou-se o modo como o comportamento dele influenciou o desencanto, quase desespero da mulher e o comportamento irrequieto, com maus resultados académicos da filha. Esse livro também apresenta a fácil recuperação de todos naquela família, só com uma mudança no comportamento do Antunes. Bastou ele prestar mais atenção à filha e ajudá-la nos estudos para influenciar positivamente tanto a filha como a mulher e progredir no emprego.
Todos nós «dependemos», em grande parte, uns dos outros e basta mudar uma peça para tudo poder ficar desequilibrado. É tão simples como isso.

F: Como é que isso funciona?
N: Todos nós queremos ser felizes e ter uma vida agradável. Isso provoca-nos satisfação, que é o reforço positivo. Quando a vida não nos corre bem, sentimo-nos punidos e procuramos fugir dela ou evitar essa punição. Se formos bem-sucedidos nisso, ganhamos reforço negativo. Qualquer desses reforços têm características especiais, tais como razão fixa e variável, intervalo fixo e variável, primário, secundário ou social, vicariante e aleatório. Esse reforço pode ocasionar aprendizagem que, muitas vezes, fica associada e é antecedido de estímulos, incentivos ou sinais condicionais. Quando essa aprendizagem se processar com reforço negativo de razão variável ou aleatório, como o mesmo é muito forte, pode ocasionar o vício. Isto quer dizer que, sempre que uma pessoa se sentir punida, irá recorrer àquilo que lhe ocasionou o tal reforço negativo de razão variável ou aleatório. Se aquilo que ocasiona esse reforço fôr, por exemplo, a droga ou o álcool, a pessoa vai recorrer a isso sempre que se sentir punida.

F: Eh pá, tanta coisa junta!
N: Ainda não disse tudo. Temos de ter em conta que essa punição não costuma aparecer de repente. Existem sinais que podem ser o prenúncio do seu aparecimento. Utilizando um exemplo muito simples, por causa desse sinal, sabemos que uma determinada música indica que vai ser apresentado o boletim meteorológico ou o Minuto Verde na televisão. Do mesmo modo, quando chegamos a ver o chefe a dirigir-se a nós de má catadura, ficamos à espera de sermos repreendidos. É um sinal antecedente que nos ocasiona o medo ou o desconforto relacionado com a punição que nos espera ou a regalia que nos vai ser retirada.
Além disso, se esse sinal ocorrer, provocando-nos uma ansiedade antecipada, embora nada aconteça posteriormente, apenas esse sinal, quase premonitório, aumenta a ansiedade que sentimos até se tornar insuportável, quase alienante e, talvez, patológica.
Tenho tido ocasião de dizer e de atender várias pessoas com crianças enuréticas, que têm problemas samelhantes só por causa da falta de atenção dos pais. Nesses casos, bastou aumentar a atenção deles para com o enurético, levando-o durante algum tempo para a casa-de-banho à noite, para o distúrbio ficar reduzido e até ser eliminado em meses. O «Mijão» que o diga.

F: Isso é assim tão simples?
N: Não é simples, mas as pessoas têm de saber o modo como as coisas funcionam para poderem agir em conformidade e em seu favor. Para isso, têm de ler bastante aquilo que mais interessa e não ouvir apenas muitas coisas que se dizem nos meios de comunicação social para «encantar» as pessoas com linguagem bonita.
Estes factos são científicos e servem para muito. Porém, foi deste modo simples que eu tive de falar com os pais da JOANA para os elucidar, utilizando muitas conversas e exemplos que lhes apresentei.
Com as leituras que os obriguei a fazer para poder discutir tudo isso posteriormente, ficaram mais esclarecidos. Isso serviu, essencialmente, para eles mudarem completamente o seu comportamento, especialmente para com a Joana que, de «birrenta», passou a ser muito sua amiga e colaborante, ajudando-os a «re-unirem-se» depois de se terem «des-unido» por causa da educação dela e do seu comportamento irrequieto.
A Joana nunca iria aderir a jogos parecidos com os da Baleia Azul, especialmente sem os pais saberem do caso, porque se sentia integrada na família e com o seu forte apoio.

F: Mas isso é importante?
N: Mais do que importante. Qual de nós gosta de se sentir excluído? Muitas vezes, até «arranjamos» grupos esquisitos para nos sentirmos em ligação com os nossos semelhantes e bem aceitas por eles. O que sentirá uma criança a quem nem os pais, que são os responsáveis, voluntários ou não, pela sua existência, ligam a devida importância, enquanto se preocupam muito com os amigos, a sociedade, os negócios, a política, o poder, etc., negligenciando completamente a família e, especialmente, os filhos?
O que farão esses filhos que não tiveram «culpa» de vir a este mundo?
Temos de pensar nisto e perguntar a nós próprios se o nosso comportamento é adequado para a situação e para os interesses deles, isto é, o de eles estruturarem uma personalidade adequada, para viverem de bem consigo próprios e em harmonia com o meio ambiente em que que se encontram inseridos.

F: Acha que a responsabilidade é tão grande? n
N: A responsabilidade dos pais é bastante grande e deve ser consolidada antes de pensarem em ter filhos.
É por isso que me preocupo em difundir estas ideias, para evitar que só se comecem a tomar medidas depois das «desgraças» terem acontecido. Nessa ocasião, aparecem as notícias em grandes parangonas nos diversos meios de comunicação social, de forma espalhafatosa e ligados a factos emocionais que despertam a curiosidade e a venda de jornais e revistas, assim como aumentam as audiências nos canais de televisão.
É um negócio rentável para quem só quer fazer lucros e não se preocupa em difundir as ideias e os conhecimentos necessários para que essas «desgraças» não aconteçam.
Depois, surgem também os especialistas e estudiosos que averiguam esses factos, fazem estudos, elaboram estatísticas e fazem prognósticos para dizer aquilo que aconteceu.
Porém, parece que ninguém se lembra de dizer aquilo que se poderia ter feito para que isso não acontecesse.

F: Quer dizer que isso é evitável?
N: Não quero garantir que tudo seja evitável. A Protecção Civil tem de estar preparada para enfrentar os desastres e as tempestades que nos podem assolar. Se não as puder evitar pode, pelo menos, socorrer a tempo e aliviar os estragos.
Mas, para que isso aconteça, é necessário todo um trabalho anterior. É nisso que estou a colaborar e a tentar dar algumas informações que me são possíveis dentro dos meus conhecimentos e vivências que tive em mais de 40 anos de clínica e que estou a difundir nos dois blogs [psicologiaparaque.wordpress.com] e [livroseterapia.worpress.com].
Nesta perspectiva, entrei também no facebook, não para me expôr, mas especialmente para difundir as minhas ideias e experiências que podem ajudar bastantes pessoas.
Contudo, é necessário que as pessoas assim o queiram e ajudem a gente mais capaz, mais nova e mais enfronhada nos meios de comunicação social e da política, a fazer alguma coisa preventivamente, porque a doença mental e especialmente as depressões, as delinquências e os desentendimentos conjugais, com prejuízo para uma boa educação, vão aumentando a ritmo muito considerável.
Repare que as duas páginas que mantenho no facebook são «Centro de Psicologia Clínica», em cujo arquivo vou buscar os elementos que me são necessários e a «Biblioterapia» que serve para difundir os livros.

F: No caso concreto, acha que aquilo que diz se poderia fazer com a Baleia Azul?
N: Não posso garantir que isso fosse totalmente possível, mas os casos seriam muito menos e de gravidade muito menor, porque os pais, mesmo que «negligentes», teriam alguma noção daquilo que os filhos estavam a fazer e dos sarilhos em que se estavam a envolver.

F: Gostamos de tudo o que disse e parece que para si, a psicologia é muito importante.
N: Dou-lhe toda a razão porque, se não fosse assim, não estaria a trabalhar nos dois blogs e na reorganização e actualização dos livros, voluntaria e gratuitamente, cerca de 5 horas por dia, ao computador.
Tudo isso, é devido à minha bibliofilia desenvolvida, em criança, em grande parte, com o reforço negativo para não ser inferiorizado e com o reforço positivo obtido pelo apreço que todos os familiares mostravam com a leitura de livros que eu fazia e que serviu para me iniciar nos livros de Pierre Daco, em Luanda.
Também serviu foi para começar a tentar resolver a minha frustração de não conseguir continuar o curso de direito.
Essa frustração também me levou a matricular-me no ISPA e a frequentar os seminários de terapia do comportamento com Victor Meyer, PhD, a partir dos quais e com muitas leituras e treino de relaxamento e de análise do comportamento, consegui fazer uma reestruturação cognitiva que me livrou da depressão grave em que estava mergulhado.
Com o reforço positivo obtido com a conclusão do curso e o ingresso na BPS (Ordem dos Psicólogos Britãnica), o reforço conseguido incentivou-me e pesquisar e a experimentar com outras pessoas o tipo de relaxamento muscular e mental que eu tinha feito.
Incentivou-me também a investir na Terapia do Equilíbrio Afectivo que me ajudou a apresentar a minha tese de doutoramento em 1980, em que defendi a possibilidade de utilizar as nossas memórias boas e vitórias obtidas para contrabalançar e ultrapassar as dificuldades do dia-a-dia.
Posteriormente, o ter enveredado pela Imaginação Orientada, com o apoio da autohipnose, veio facilitar as coisas ainda mais, dedicando-me muito mais a isso, para ultrapassar a frustração causada por uma partidarite política que me inviabilizou, em 1984, o pós-doutoramento em neuropsicologia que eu tinha programado e iniciado anos antes.
E para completar a minha informação, posso dizer que a partir de 1976 poderia ter enveredado de novo pela aviação comercial onde ganharia muito mais do que em psicoterapia, mas que eu prescindi porque gosto da Psicologia em que me sinto muitíssimo bem.

F: Se vai transformar esta nossa conversa em artigo, fico à espera de o ler logo que possível. Obrigado.
N: É o que pretendo fazer logo que chegue a casa a tenha disponibilidade para isso.

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