PSICOLOGIA PARA TODOS

BLOG QUE AJUDA A COMPREENDER A MENTE E OS COMPORTAMENTOS HUMANOS. CONSULTA-O E ESCREVE-NOS, FAZ AS PERGUNTAS E OS COMENTÁRIOS QUE QUISERES E COLABORA PARA MELHORAR ESTE BLOG. «ILUMINA» O TEU PRÓPRIO CAMINHO OU O MODO COMO FAZES AS COISAS…

A PRÁTICA DA BIBLIOTERAPIA – 8

Estando a começar o meu passeio habitual, encontrei o Sr. Felício à porta do café, juntamente com outra pessoa.
Depois de me cumprimentarem, o Sr. Felício disse-me que esse seu amigo já tinha lido os posts sobre A Prática da Biblioterapia, mas desejava saber mais alguma coisa sobre o assunto porque não encontrava livros sobre isso.
Tive de lhes dizer que, se ele quisessem, poderia dar-lhes algumas noções de como a Biblioterapia se tinha «instalado» em mim, já que as palestras de que sempre tenho falado nunca mais se realizam por vontade das pessoas interessadas ou de entidades competentes.
Essas indicações poderia dá-las depois de chegar a casa, visto que, naquele momento, não conseguia demorar muito, nem podia estar com eles no café.
O Sr. Felício disse que também tinha de ir para o trabalho e que consultaria o blog mais tarde.
Por isso, logo que cheguei a casa, resolvi transcrever neste post, de imediato, as páginas 9 a 16, com o texto do livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R).

 

 

“O QUE É A BIBLIOTERAPIA?

Antes de tudo, convém desmistificar e aclarar certos conceitos e preconceitos que se vêm formando, com informações e notícias nem sempre correctas, mas muito difundidas em vários colóquios e meios de comunicação social, que podem conduzir a ideias confusas, com leituras indiscriminadas ou aconselhamentos inadequados.

BIBLIOTERAPIA, em psicoterapia, quer significar o tratamento do desequilíbrio psicológico, essencialmente, através da leitura de livros, que pode ser complementada com outros meios adequados.

Por isso, essa leitura tem de ser bem orientada, com a finalidade de conduzir o interessado a compreender o modo de funcionamento do comportamento humano isoladamente e em sociedade, embora apenas essa compreensão não seja o suficiente para se fazer a psicoterapia e ganhar ou reganhar o equilíbrio perdido.

Necessita de uma análise cuidadosa, objectiva e racional do comportamento do interessado, da manutenção de algumas práticas essenciais para se reganhar ou readquirir o equilíbrio e, talvez, do exemplo de muito daquilo que aconteceu com várias pessoas que se sujeitaram a este tipo de psicoterapia.

Porém, o prazer ou gosto sentido com quaisquer leituras que podem interessar ao próprio, deve ser designada como BIBLIOFILIA, isto é, amor aos livros ou gosto em os ler, também essencial para quem se quer sujeitar à BIBLIOTERAPIA.

Numa boa biblioterapia com a leitura de livros, pode haver a necessidade de orientação ou do apoio dum especialista para indicar quais os livros mais úteis e necessários num caso específico e até para desfazer algumas dúvidas que irão surgindo normalmente com a leitura dos textos escolhidos e com a análise dos comportamentos inadequados que se desejam eliminar ou diminuir (Frude, 2009).
Com este processo, também se podem melhorar ou ampliar os comportamentos correctos que se pretenderem.
Contudo, se for mal empregada, com leituras inadequadas, pode ocasionar resultados perversos e até criar vício e dependência.

A Biblioterapia, que está a ser implementada e difundida agora em vários países, mas já experimentada em Portugal desde 1980, só com apontamentos policopiados, tornou-se necessária e muito útil, devido aos fracos meios de apoio disponíveis nos serviços da saúde e dificuldade em suportar os gastos com serviços individualizados, quase indisponíveis.

Por este motivo, a BIBLIOTERAPIA começou a funcionar essencialmente como um tratamento «low cost» nos países considerados «civilizados» e «industrializados», nos quais a vida frenética e «isoladora», mas com muitos «divertimentos», se torna cansativa e frustrante, porque a «pertençaafiliação» a uma família e a uma sociedade vai escasseando por falta de tempo e de disponibilidade pessoal.

Em grande medida, a maior parte das vezes, cada um tem de se «desenrascar» sozinho, sem tempo para quase nada.

A Biblioterapia pode ser uma boa solução para isso mas, para se atingir este objectivo, é necessário que a Bibliofilia esteja desenvolvida no interessado ou no «paciente», se possível, desde criança.

 

A BIBLIOFILIA SERÁ NECESSÁRIA?

Esta é uma pergunta muito interessante.

Se uma pessoa não gostar de leitura nem estiver interessada nela, como poderá conduzir ou sujeitar-se a uma Biblioterapia que exige muita leitura para saber de que modo funcionam o comportamento humano e as peculiaridades às quais se sujeitaram muitos dos que a utilizaram e tiraram dela inúmeros benefícios?

Falando no meu caso, posso dizer que nasci e cresci até aos 17 anos em Margão, uma cidade considerada a «Atenas de Goa».

Muitos dos que tinham alguma instrução, que era pouca, orgulhavam-se de ler os autores mais difundidos naquela época, tais como Emilio Richebourg, Emílio Zola, Alexandre Dumas, Gustavo Flaubert, Vitor Hugo, Perez Escrich, Miguel Cervantes e muitos outros.

Vendo, desde criança, o meu pai e avô envolverem-se nessa actividade, fui incitado a ler e até a sentir-me envergonhado (punição) por não me esforçar em ler ainda mais.

Por isso, como todos se mostravam satisfeitos quando me viam ler a Condessa de Ségur, Enyd Blyton, Charles Dickens, etc., fui desde logo obtendo reforço negativo por não ser envergonhado com a falta de leitura e um reforço positivo com a leitura que ia fazendo.

Esse reforço negativo, para contrariar a vergonha que me causava a falta de leitura e o subsequente reforço positivo quando todos me elogiavam porque lia bastante, moldaram o meu comportamento para o gosto pela leitura, que posso considerar como BIBLIOFILIA.

Como, naquele tempo, além de algum desporto ao ar livre e do carrom, com o qual nos entretínhamos durante algum tempo, não tínhamos quaisquer outros divertimentos como a actual televisão, fui-me embrenhando, mais tarde, na leitura direccionada para Júlio Verne, Emílio Salgari, Sherlock Holmes, Nick Carter e muitos outros.

Ao terminar o Liceu, tive necessidade de ler Júlio Diniz, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão e muitos mais.

Concluído o Secondary School Certificate Inglês e o 3º ciclo do Liceu, não me foi possível frequentar, de imediato, o curso de Direito por razões económicas e financeiras.

Contudo, quando obtive reforço positivo com a nomeação, por concurso público, para conservador interino da Biblioteca Nacional de Goa, ganhei motivação para desenvolver ainda mais a minha bibliofilia com os inúmeros livros que tinha à minha disposição.

Comecei pelo belo romance «Os Brahamanes», do meu patrício Francisco Luís Gomes. Com a instituição do Depósito Legal, fui devorando os livros de Erico Verissimo, José Lins do Rego, Machado de Assiz, Jorge Amado, Gilberto Freire e muitos outros, raríssimos nas livrarias de Goa, naquela época.

Posteriormente, com o meu ingresso na Força Aérea, deixou de haver tempo para a leitura, a não ser nos destacamentos da ilha do Sal, onde tínhamos alguns livros de autores estrangeiros muito em voga na época, tais como Hemingway, Azimov, Somerset Maugham, etc. que serviam para preencher as horas de imenso tédio, no nosso alerta permanente para qualquer missão súbita e imediata.

Posteriormente, com o trabalho cansativo que tínhamos e as constantes mudanças de unidade, sem ter autorização da Força Aérea e possibilidade de frequentar o curso de Direito iniciado em 1958, a saúde foi-se degradando, porque até a minha possibilidade de enveredar pela bem paga aviação civil e comercial, foi cerceada com uma nomeação intempestiva, brusca e intimidatória para a 2ª Região Aérea, ficando colocado no Comando da Região, em Luanda.

Apesar de me sentir psicologicamente «em baixo» e fisicamente depauperado e enfraquecido, com dificuldades essencialmente digestivas e também cardíacas, o meu bichinho da bibliofilia, incentivou-me a ler os livros de Pierre Daco e outros que se encontravam disponíveis na Biblioteca do Comando onde eu trabalhava.

Afinal, a minha bibliofilia serviu para entrar em contacto com alguma coisa que foi o embrião daquilo que, anos mais tarde se transformou, em biblioterapia autodirigida, em psicoterapia.

 

AS CONSEQUÊNCIAS DA BIBLIOFILIA

Lendo os livros de Pierre Daco, consegui imaginar que alguns dos meus problemas de saúde poderiam estar relacionados com o meu estado anímico, que se encontrava completamente depauperado.

Sentia-me muito mal, com constantes crises de diarreia, transpiração abundante, cefaleias agudas, desorientação momentânea, irritação e desânimo. Tinha dificuldade em lidar com os meus companheiros de trabalho e até com os comandantes.

De novo em Lisboa em 1970, tentei obter licença ilimitada para poder ingressar na TAP, o que me foi tacitamente negado colocando-me nos Transportes Aéreos Militares, que era o equivalente militar da TAP, mas com mais serviço e remunerações muitíssimo mais baixas.

Sem autorização para continuar a frequentar o curso de Direito, como tinha um amigo a frequentar o curso de Psicologia Clínica, no ISPA, aceitei a sua sugestão de me matricular nesse curso, já que, por ser ensino particular, não me exigia a tal autorização da FA.

Dizia o meu amigo que esse curso até me poderia ajudar a compreender e resolver o problema que me afligia no momento: a psicossomática que me desorientava e depauperava completamente.

Iniciado o curso, quando houve conhecimento disso, a minha vida nos TAM tornou-se muito difícil porque não conseguia programar e conciliar as aulas, estudo e exames com as viagens que me eram atribuídas, quase que aleatoriamente e sempre em meu desfavor.

Isso agravou o meu estado psicológico e fisiológico a ponto de recorrer ao psiquiatra, que apenas me medicava e dizia que tinha de resolver os conflitos que deveria ter tido com o meu pai.

Por mais que vasculhe a memória, o único conflito ou desentendimento que tinha tido com o meu pai era o de não ter conseguido iniciar, por razões económicas ou financeiras, o curso de Direito, em Coimbra, logo depois de concluir o curso do Liceu, até com dispensa de exame de admissão à Faculdade.

A medicação que tomava, receitada pelo psiquiatra, deixava-me completamente «inutilizado» a ponto de uma noite, ao conduzir, chegar a ver ou a ter a ilusão de dois carros a dirigirem-se contra mim, sem margem para fugir, quando de facto, eles estavam a passar, na sua mão e faixa de rodagem, em sentido contrário ao meu.

A partir dessa data, deixei de tomar os medicamentos porque me sentia cada vez pior, a ponto de terem de me transferir para uma Direcção de Serviço, com uma carga de vôos destinada a manter apenas o treino mínimo. Assim, ficava um pouco mais livre para frequentar as aulas em regime pós-laboral e fazer os exames em tempo oportuno.

Embora não tivesse conseguido concluir mais do que 3 disciplinas dois anos depois de me ter matriculado, já estava a frequentar, em 1973, em horário pós-laboral, nos Hospitais de Santa Maria e Júlio de Matos, os seminários de terapia comportamental, conduzidos por Victor Meyer, PhD, Reader in Clinical Psychology, da Faculdade de Medicina do Hospital de Middlesex, Londres.

Por isso, comecei a embrenhar-me na prática do relaxamento de Jacobson que também não me satisfazia, tal como continuava a não ter qualquer solução para mim, com as explicações de Pierre Daco.

Entretanto, como os meus sintomas não diminuíam e estava a tornar-me desagradável tanto nos vôos como no serviço em que trabalhava, a Junta de Saúde considerou-me inapto para o serviço de vôo em 22 de Abril de 1974 e passei à reserva.

Deste modo, fiquei com mais tempo e liberdade para assistir às aulas, embora continuasse a «render» pouco. Porém, naquela ocasião, necessitando de ler bastante sobre modificação do comportamento e psicopatologia para «enfrentar» os seminários e as disciplinas que estava a conseguir completar, entrei em contacto com os livros de Sigmund Freud, os quais também não me deram alívio, mas sim um vago conhecimento e quase a certeza de que era necessário examinar o nosso passado para descobrir os traumatismos (positivos e negativos) aos quais tínhamos ficado sujeitos. Isso só se poderia conseguir recorrendo ao armazém − a «cabeça» ou o cérebro − de cada um.

Embora Freud não se expressasse nestes termos, verifiquei que, se era muito importante examinar os traumatismos negativos, os positivos até nos poderiam ajudar a melhorar na vida.

É a aprendizagem com a qual entrei em contacto, quando tive as aulas de Psicologia Geral com o Professor Doutor Orlindo Gouveia Pereira que, depois do «25 de Abril», substituiu um outro, formado em França, que apenas nos obrigava a decorar as definições de atenção, memória, inteligência, etc. sem qualquer utilidade prática.

Assim, quando fui praticamente «envergonhado» no exame, por não saber as experiências de Thorndike, com a aprendizagem das galinhas e as leis do efeito e da repetição estruturadas a partir disso, essa abordagem provocou-me punição. Por isso, embrenhei-me no conhecimento dessas experiências, bem como das dos condicionamentos clássico e operante, respectivamente, de Pavlov e Skinner.
A frustração sentida por não ter sabido responder devidamente no exame oral, fez com que a minha bibliofilia me orientasse no sentido de aprofundar a matéria, lendo tudo aquilo que era possível na época e que estava disponível apenas em livros didácticos em inglês.

Essa «ocupação» de leitura, ocasionava em mim o reforço do comportamento incompatível porque, pelo menos durante esse tempo, não sentia muito as dificuldades que me assolavam.

Não sentindo alívio com o relaxamento de Jacobson, tentei fazer sempre, todas as noites, o relaxamento muscular, à minha maneira, descrito agora no livro «AUTO{psico}TERAPIA» (P) e em vários outros.
Não tendo de manter qualquer posição específica depois dos cerca de 30 minutos do relaxamento muscular, quando estava deitado na cama, pronto para dormir e lembrando-me do que tinha lido nos livros de Pierre Daco e Sigmund Freud, achei que devia utilizar o meu tempo de insónia ou de vigília, para relembrar as coisas boas e as dificuldades que tinha tido na minha vida e ainda estava a passar.

  • Quais eram e que efeitos me provocavam ou tinham ocasionado?
  • Teria sido possível evita-las, ou melhora-las caso fossem boas?
  • Seria possível aumenta-las, diminuí-las ou eliminá-las?
  • Que meios tinha eu nesse momento para solucionar o caso?
  • Como utilizar tudo isso nos comportamentos futuros?

Tudo isso, com as leituras que estava a fazer, provocavam-me reforço do comportamento incompatível dando-me um certo ânimo para poder ler melhor e estar mais atento nas aulas, a fim de compreender o meio ambiente em que estava inserido e tentar obter formas alternativas destinadas a conseguir ultrapassar as dificuldades.

Deste modo, várias disciplinas foram rapidamente concluídas até que, nos tempos imediatamente posteriores ao «25 de Abril», os «revolucionários?» exigiram passagem administrativa, sem nota, o que invalidou a classificação dos trabalhos concluídos nas disciplinas em que estava matriculado e baixou a minha média final do curso.

Estando nessa época impedido, pelas mesmas razões, de fazer os exames em regime militar, isto é, marcando a data com o professor, acompanhei a minha mulher nos cursos que ela foi frequentar em Walligford e nos estágios e visitas a escolas de toda a Inglaterra, destinadas à integração de crianças com dificuldades no ensino regular.

Verifiquei que muito se utilizava lá a modificação do comportamento para ajudar, de facto, as crianças a ultrapassar as suas dificuldades. Embrenhei-me de tal maneira nesses programas que os psicólogos envolvidos nisso, quase me «empurraram» para me inscrever na Ordem dos Psicólogos Britânica (BPS), o que consegui apenas com uma entrevista aprofundada e discussão de um caso de obsessivo-compulsivo que estava a ser tratado por Laurence Burns, Associate e dirigente da BPS, no serviço por ele chefiado no Hospital de Rochdale.

Embora o requisito necessário fosse um doutoramento americano ou um mestrado inglês ou um exame na Ordem acompanhado de entrevista aprofundada, o meu ingresso na Ordem, como Graduate Member com o nº 0092943, depois dessa entrevista aprofundada, deu-se em 1975, com a possibilidade de exercer clínica em Inglaterra, logo que terminei todos os exames e estágios no ISPA e antes de me inscrever no Sindicato Nacional dos Profissionais de Psicologia, que passava as carteiras profissionais, para exercer em Portugal.

Era um reforço positivo muito grande, acompanhado duma motivação para prosseguir embora, naquela ocasião, não conseguisse uma bolsa remunerada em Inglaterra e tivesse de trabalhar em Portugal.”

 

São exactamente essas boas experiências que estou agora a tentar utilizar, sempre que possível, com os que procuram os meus serviços… e tem dado muito bons resultados.
 

Já leu os comentáriosVisite-nos no Facebook.

Para adquirir quaisquer livros que escolher, clique aqui.

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

 

Anúncios

2019

Estando a começar o NOVO ANO de 2019, os nossos maiores desejos são de que todos os nossos leitores e amigos tenham uma feliz entrada e um ano cheio de felicidade interior.

Também desejamos que o convívio com todos seja o melhor possível, de bem com muitos e com respeito pelo próximo.
Com este blog e com o dos livros, estamos a tentar difundir algumas informações que, com sólidas bases científicas e pragmáticas, nos possam deixar de bem connosco, assim como com a família e com a sociedade em que interagimos.
Para isso, uma EDUCAÇÃO é muitíssimo importante sendo os pais os principais alicerces para uma boa estruturação duma personalidade em formação.
Os bons exemplos ou modelos, com comportamentos devidamente reforçados, irão modelar e moldar as atitudes e os comportamentos de um novo ser, que se deseja democrático, humanitário, solidário e satisfeito consigo próprio.
Em caso de falta de prevenção e profilaxia necessárias, algum eventual «descarrilamento» também pode ser prontamente reencaminhado pelo próprio ou com alguma ajuda de especialistas e do meio ambiente, o que pode ser essencial, a começar pela própria família.
Para isso, além de alguns esclarecimentos eventuais e resumidos, existem alguns livros que estão a ser preparados e publicados em impressão digital e tiragem muito reduzida para a sua utilização pelos interessados, que se servirão das indicações dadas no final deste post em cujo link basta clicar para saber estabelecer as devidas comunicações destinadas a fazer  comentários, pedir esclarecimentos ou solicitar os livros desejados.

«PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R) apresenta o modo como os livros adequados podem ajudar a necessidade de criar o gosto pela leitura que, neste caso, tem de ser bem orientada para se efectuar uma psicoterapia, apoio psicopedagógico, treino de interacção social ou desenvolvimento pessoal.

 

«BIBLIOTERAPIA» (Q) indica que apenas a redução das dificuldades sentidas pode não ser o suficiente, sendo necessário erradicar o mal pela raiz, podendo o procedimento ser desencadeado autonomamente ou com pouca ajuda, com uma leitura correcta e bem orientada, além do treino e prática necessárias.

 

«AUTO{psico}TERAPIA» (P) é uma lista resumida e sucinta de procedimentos que é necessário manter para se conseguir um equilíbrio psicológico desejável e que foi conseguida por muitos, até sem ajuda do psicólogo ou com pouquíssima intervenção sua.

 

«JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» (D) dá, em linguagem simples e com exemplos da vida prática, todas as indicações do modo como funciona o comportamento humano, apresentando maneiras de o avaliar, modificar e controlar. Mudar completamente os comportamentos duma família, sabendo o essencial e o suficiente, serviu para «re-unir» uma família quase «des-unida», com repercussões nos comportamentos da filha.

«Eu Não Sou MALUCO!» (E), com a história do Júlio, descreve o modo como simples acontecimentos, muito vulgares na nossa sociedade, podem traumatizar a ponto de ocasionar depressões que são geralmente «tratadas» com medicamentos, que alienam enquanto cada um não perceber aquilo que se passou consigo, fazendo uma viagem ao seu «interior» onde existe o «baú de recordações» que quase nunca é vasculhado e analisado, mas que incomoda muito causando imensas dificuldades.

«Eu Também Consegui!» (C) é a história de uma jovem abandonada pelos pais, à nascença, nas mãos dos avós e que se ia alcoolizando e tendo relações sexuais promiscuas, com depressões profundas, quando os pais regressando de Moçambique, se fixaram em Portugal e quiseram que a filha fosse viver com eles. E o exemplo que os pais, «juntos» até então, lhe davam «casando-se» e mantendo outros parceiros sexuais? Se não fosse o apoio dado em psicologia, com muita colaboração e empenho dela, nunca conseguiria ter uma vida de família bem constituída e feliz, como agora, podendo até viciar-se nos medicamentos, tal como a mãe.

«Acredita em Ti. Sê Perseverante!» (B) trata da história de Antunes
As longas conversas com um antigo colega e amigo psicólogo, ajudaram-no a compreender toda a situação, a ler bastante, a ajudar a filha e a tentar a psicoterapia consigo próprio, deixando a mulher muito mais sossegada, conseguindo também bastantes melhorias no desempenho do serviço que estava a prestar numa empresa financeira.

«SAÚDE MENTAL sem psicopatologia» (A), preparado para a disciplina de PSICOPATOLOGIA dos alunos do ISMAT, Portimão, também pode ser útil para quem deseje enfronhar-se nos aspectos teóricos dos desequilíbrios psicológicos.
Só com estes livros e vários que foram seus antecessores, pode-se fazer muita coisa para evitar o desequilíbrio mental, porque prevenir é sempre melhor do que remediar…, às vezes, muito mal.

 

Um BOM ANO a TODOS e MUITAS FELICIDADES.

Contudo, depois da «Imaginação Orientada» (J) a partir dos meus 5 minutos de sono, passaram por mim ideias de que, em vez de desejar um feliz ANO NOVO, só uma vez por ano, deveríamos desejar um feliz DIA NOVO, todas as noites, com a aprendizagem feita durante todo o tempo anterior e sua análise, para imaginar e «engendrar» comportamentos novos e mais adequados do que os mantidos até ao momento.
É  o que desejo a TODOS, depois de ter acabado de ver o Concerto de Ano NOVO, de Viena e de me ter lembrado os bons tempos da minha infância e adolescência passados em Goa e dos magníficos momentos que passava com a minha mulher no falecido Hotel Golfinho, dançando ao som das belas músicas do Armandinho.

 

Já leu os comentáriosVisite-nos no Facebook.

Para adquirir quaisquer livros que escolher, clique aqui.

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

 

ESCLARECIMENTO − 5

Tendo recebido um comentário anónimo que diz: “não compreendo porque insiste tanto na leitura e na colaboração do próprio já que o psicólogo deve ser o especialista que deve ajudar”, senti necessidade de esclarecer tudo, melhor do que até ao momento, porque isto pode acontecer até nas consultas.

 

Antes de tudo, posso aconselhar que leia com cuidado o post indicado, bem como o anterior, onde estão mais ou menos sintetizadas as ideias necessárias para se poder reduzir e até evitar a descompensação psicológica, à qual ficamos quase sempre sujeitos ao longo da nossa existência.
Não acredito que haja alguém que não fique sujeito a contrariedades, as quais têm de ser ultrapassadas com muito ou pouco êxito, se não tiverem sido evitadas.
Com estas contrariedades, sofremos punição, ficamos frustrados e, se reagirmos com êxito obtemos reforço positivo ou, caso contrário entramos em depressão, ficando sujeitos ao conformismo, com reforço negativo ou enterramo-nos na depressão aprendida (anaclítica do lactente?).
A nossa reacção ou resposta vai basear-se na aprendizagem que tivermos feito ao longo da vida, durante a estruturação da personalidade, na família e na sociedade em que estivermos inseridos e com os valores e modelos existentes, bem como nos reforços que tivermos recebido e que vão moldar as nossas atitudes e o comportamento futuro.

Se quisermos fazer uma comparação com diversos outros factos da nossa vida, podemos limitar-nos apenas a uma gripe ou a uma constipação.
Ficamos constipados e, com as aprendizagens anteriormente feitas, no ambiente que estivermos inseridos, reagimos tomando algumas precauções e medicamentos ou, se isso não for possível, vamos ao médico para nos aconselhar e orientar.
Neste caso, aquilo que actua é o medicamento, embora haja necessidade de haver algumas precauções que são aconselhadas no momento pelo especialista, se não forem quase automaticamente tomadas com os hábitos que existem na sociedade ou família.
Os medicamentos são substâncias que vão actuar no nosso organismo sem necessidade da nossa vontade ou colaboração.
Nestes casos, podemos utilizar os serviços de um especialista ou, se houver aprendizagens anteriores, seguir as «normas» utilizadas na família ou na sociedade.

Porém, quando existe um problema psicológico, o mesmo não se situa só no funcionamento fisiológico mas sim no «comando» cerebral que orienta os nossos sentimentos, sensações, percepções e, posteriormente, nas acções, podendo influenciar a própria fisiologia, originando a psicossomática.
Neste caso, o mais importante é accionar o cérebro através das ideias, percepções, sentimentos e memórias.
Para isso, o órgão que deve funcionar nas melhores condições é o cérebro.
É no cérebro que devemos actuar e, se essa actuação se realizar através do medicamento, o mesmo vai alterar todo o funcionamento cerebral, deixando-o menos capaz de reagir correctamente e com toda a sua sensibilidade e capacidade.

Chegamos aqui a um conflito em que temos de decidir entre tomar medicamentos e reagir de acordo com o que os mesmos nos deixarem fazer, ou reagir com todas as nossas potencialidades para ultrapassar as dificuldades que sentimos.
Se não reagirmos com as nossas capacidades cerebrais em boas condições, as nossas acções podem ficar dependentes daquilo que os medicamentos deixarem fazer e é o que acontece quando os mesmos entram em acção, com maior ou menor vigor e amplitude.
E os efeitos secundários que os mesmos provocam, com uma habituação quase permanente e alienante!
Se pode haver necessidade de um especialista para prescrever os medicamentos, o empenhamento e a colaboração do próprio são de total importância para que o cérebro entre em acção com toda a sua integridade, embora, de vez em quando ela possa ser complementada ou suplementada pela acção do especialista.
É nisso que se baseia a psicoterapia que, segundo alguns especialistas de muita reputação, torna-se quase imprescindível, mesmo que haja algum apoio temporário com medicamentos.

Contudo, a acção e a colaboração do próprio na psicoterapia, não pode ser descoordenada e aleatória.
É necessário que o interessado sabia o modo como o comportamento humano funciona, para o analisar com humildade, objectividade, realismo e pragmatismo, a fim de o conseguir alterar no sentido desejado.
Por este motivo, embora as consultas de especialidade possam ser necessárias e alguma coisa possa ser explicada durante as mesmas, existem sempre dúvidas que terão de ser esclarecidas em determinados momentos, sem ser em consultas, tal como acontece agora com este post.
Tudo isto aconteceu com o Júlio que, depois de ultrapassar a sua odisseia, (E) que durava mais do que ano e meio, baseada em falsas percepções que tivera ainda em criança, quis que o seu «caso» fosse difundido para ajudar os outros.
Ajudado duas vezes com medicamentos durante ano e meio, foi piorando, até que começou a melhorar quando iniciou os treinos e as leituras necessárias, compreendendo o modo de funcionamento do comportamento humano.
Foi ajudado com o treino da autohipnose e a técnica de Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA), incluida na Imaginaçâo Orientada (IO) (J), no sentido da logoterapia, para ele poder fazer a análise da sua vida, compreendê-la e descobrir novas formas de actuar, com uma reestruturação cognitiva adequada.
Naquele momento, em 1980, não leu livros, porque não existiam, mas sim apontamentos policopiados que havia no momento, em linguagem simples e facilmente compreensível e que foram divulgados posteriormente num livro com a história ficcionada da JOANA (D).

Este livro contém assuntos de centenas de consultas, dadas várias vezes, a pais e crianças, para tentar resolver os seus problemas.
Embora tudo isto esteja, inserido em outros livros tais como «Psicologia Para Todos» (F) «Interacção Social» (K), ou seus antecessores, especificamente destinados a quem deseja aprofundar esses aspectos, muitos assuntos mais importantes são directamente tratados neste blog, que fica à disposição de quem o quiser consultar e fazer comentários ou perguntas.
Quem, mais do que o próprio, pode compreender estes assuntos, que são de toda a importância para analisar qualquer comportamento que nos incomode ou que se deseje modificar num determinado sentido?
De que maneira o poderemos modificar, se não conseguirmos compreender e determinar a sua origem ou causa, para o alterar num sentido que nos interessa ou é mais vantajoso?
Com que meios e em que oportunidade poderemos fazer isso e com que expectativas?

Tudo isso tem de ser ponderado e assimilado pelo próprio, embora a «ajuda» ou a «orientação» de um especialista seja, às vezes, necessária.
Contudo, a compreensão de tudo, sem os efeitos secundários dos medicamentos, é importante para se analisar o passado, verificar as possibilidades, planear o futuro e treinar aquilo que for necessário para modificar a situação no sentido desejado.
Se não houver um total empenhamento, colaboração e empenhamento do próprio, a situação pode prolongar-se por tempos quase indeterminados e sem os bons resultados que se poderiam obter com essa colaboração.
É isso que acontece com muitas pessoas que vão ao especialista e nada fazem a não ser tomar alguns medicamentos que aliviam as dificuldades proporcionando reforço negativo.
A causa ou o mal não é descoberto, analisado e eliminado ou compreendido, para o arquivar em segurança ou descobrir o meio de o ultrapassar, ou até evitar no futuro.

Por este motivo, sendo até muito possível fazer isso autonomamente, foi constituída a colecção da BiblioTerapia, com 18 livros que cobrem assuntos relacionados com psicoterapia, psicopedadogia, treino de interacção social e desenvolvimento pessoal e um guia que pode orientar os interessados.
Como já disse anteriormente, cada um pode fazer quase autonomamente a sua psicoterapia seguindo as indicações dadas num livro específico (P).
Também, para se poder fazer uma aprendizagem social, com modelos daquilo que os outros fizeram, outros livros indicam como foi feita uma psicoterapia autonomamente (B) por uma pessoa em que o seu desequilíbrio poderia influenciar negativamente uma família inteira, a começar pelo insucesso académico da filha e a depressão da mulher.
Também, uma psicoterapia feita com pouca ajuda e muita colaboração da própria (C) ajudou-a não entrar no alcoolismo e em relações sexuais promíscuas, devido a alguns problemas familiares mal compreendidos e, quase «impostos» pelos progenitores, que mantinham uma vida desequilibrada, ocasionando dissonância cognitiva.

São, às vezes, esses pequenos problemas, sem grande importância, dos quais a pessoa não se apercebe e até julga que não são relevantes para o seu caso ou dificuldade, que origina os desequilíbrios.
Tenta-se «esquecer» o problema, como se isso fosse possível, atribuindo as «culpas» a mais alguém ou às circunstâncias do momento.
Por isso, lendo os livros necessários, muita coisa se pode fazer para evitar entrar em descompensação, em vez de tentar resolver o problemas depois e com um resultado pouco satisfatório.

À guisa de recordatória final, interessa fazer algumas perguntas pertinentes:
– Quantas consultas seriam necessárias só para obter estas ideias?
– Quanto tempo se despende nas deslocações e esperas, além do encargo financeiro?
– Quando surgirem as dúvidas, será marcada outra consulta?
– Onde e quando?
O livro está sempre à mão de semear, pode ser lido e consultado em qualquer momento e em qualquer lugar.
Aquilo que fica apresentado no livro é essencial para alimentar o cérebro que se deseja modificar a fim de emitir os comandos necessários destinados a alterar os comportamentos, eliminando aquilo que é desagradável ou inaceitável para cada um.
Nisso, o especialista não pode ajudar sem a colaboração e intervenção do próprio, porque não tem acesso ao cérebro do «descompensado»!
É por este motivo que estou interessado em que se façam reuniões nas quais se possa esclarecer, ao mesmo tempo, a bastantes pessoas, muitas das dúvidas que surgem naturalmente e, sendo de vários interessados, podem elucidar antecipadamente o restante auditório.
Deste modo, tal como aconteceu com a JOANA, pode haver uma acção preventiva que evite muitas descompensações futuras que, provavelmente, ficarão mal resolvidas, tal como dizia Joel, que tentou «estrangular» a noiva, devido aos seus sentimentos de inferioridade, mas sem a mínima intenção de a matar.
Mas a sua acção, executada pela terceira vez, valeu-lhe o epíteto de «Psicopata» (G), com internamento imediato, mas apoio psicoterapêutico oportuno, embora muitos inesperado.
Depois da sua melhoria, Joel foi o principal instigador para a publicação duma lista de procedimentos que se transformou, em sua homenagem, em «AUTO[psico}TERAPIA» (P), ficando muito pesaroso por não haver, no tempo dele (1976) livros com que ele se pudesse elucidar para conseguir adquirir, embora tardiamente, uma educação adequada que nunca tivera, embora internado num bom colégio religioso, por ser filho de pais divorciados e uma avó muito «distante».
Espero que estas informações tenham sido úteis e capazes de eliminar algumas dúvidas.
Até à próxima.

 

Já leu todos os comentáriosVisite-nos no Facebook.

Para adquirir quaisquer livros que escolher, clique aqui.

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

ESCLARECIMENTO − 4

Há dias, recebi um extenso email do amigo do Felício, com quem tinha conversado largamente sobre a autoterapia e que ia ser temporariamente destacado, de novo, para Bélgica, onde tinha estado em princípios de Agosto.
Dizia que estava a consultar o meu blog e que até já vira alguns episódios de «CASOS DA VIDA», da TVI, sendo o último «A MULHER DO SOLDADO», de princípios de Novembro, que o impressionara imenso.
Entre várias outras coisas que foi apresentando e descrevendo nesse email, vou mencionar apenas aquilo que interessa neste momento para a elaboração deste post.

 

Ele dizia no email que já conseguia fazer o relaxamento muscular, atingia o relaxamento mental, estava a manter um diário de anotações e já tinha elaborado um plano para as autoavaliações que fazia todos os domingos.
Queria saber, essencialmente, aquilo que devia fazer para conseguir preparar uma estratégia para a Imaginação Orientada, já que podia haver no seu passado coisas que o tivessem traumatizado, tal como julgava que tinha acontecido com o soldado do evento da televisão, destacado no Iraque.
Só com a visão do incêndio da casa e da necessidade do seu comportamento de salvar o filho, as coisas tinham mudado muito naquela família.

Abordando estas dificuldades num novo post, a fim de mais pessoas aproveitarem os conhecimentos necessários para esta estratégia, acho que um ponto fundamental é o conhecimento do funcionamento do comportamento humano.
Isso pode-se apreender facilmente com a leitura no livro da história de ficcionada da JOANA (D).
Embora todos os procedimentos necessários tenham sido demonstrados, na prática, a essa família, os pais (muitos pais e filhos em consultas) foram discutindo nas consultas e reorganizando as suas ideias que nem sempre coincidiam com a realidade e com as suas necessidades do momento.
Neste contexto, posso dizer que antes prevenir do que tarde remediar é muito melhor.

Por isso, saber aquilo que é reforço positivo e negativo é essencial, compreendendo que o mesmo é sempre satisfação para essa pessoa, naquele momento.
Se a pessoa conseguir atingir aquilo que deseja, é positivo mas, se conseguir fugir com êxito daquilo que não deseja ou incomoda, é negativo.
Esse reforço negativo é geralmente ocasionado por uma punição, que é a dificuldade ou restrição imposta por alguém ou pela situação do momento, sendo muito importante que uma punição não se transforme em reforço negativo.
Algumas vezes, o reforço negativo, pode conduzir à frustração em virtude de não se ter conseguido o objectivo pretendido.
Provavelmente, haverá respostas, das mais diversas, a essa frustração, dependendo das condições do momento e das circunstâncias de toda a situação.
Se houver sucesso nas respostas à frustração, alcançando patamares de comportamento melhores, as mesmas podem servir, em alguns casos, como uma forma de ultrapassar dificuldades, como se pretende na Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA).
Caso haja insucesso, também podem conduzir a pessoa ao conformismo e ao «deixar andar», para não gastar inutilmente, mais energias, o que pode ser mau e provocar uma depressão aprendida (depressão anaclítica do lactente?).

Também se torna necessário ter noções dos condicionamentos clássico e operante.
O condicionamento clássico é uma resposta dada a um estímulo fortuito que geralmente ocasiona essa resposta, tal como a «água na boca» quando se chega a um restaurante e se vê um prato do qual gostamos muito.
Contudo, depois de isso acontecer várias vezes, só o cheiro desse prato, pode provocar o comportamento da «água na boca», sem a existência do mesmo.
O condicionamento operante exige que façamos uma acção, nem que seja fortuita e que a mesma nos proporcione satisfação.
Depois de várias associações entre esse comportamento e a satisfação posterior, o mesmo é executado, à espera dessa satisfação, mesmo que ela já não exista.
Isso depende da aprendizagem que se baseia em duas leis – do efeito e da repetição.
A lei do efeito diz que quando uma acção nos proporciona satisfação, tem tendência a ser repetida, tal como entrar num café em dia de calor e sentir a frescura do ar acondicionado.
A lei da repetição diz que quantas mais vezes sentirmos o gosto por essa frescura, o comportamento de entrar no café ficará mais consolidado.

A aprendizagem também depende muito dos estímulos existentes, dos reforços que vamos recebendo e dos modelos que são proporcionados.
A aprendizagem por modelo depende dos modelos que a pessoa vai tendo, sendo fundamental que, na educação, os modelos apresentados, essencialmente pelos pais, sejam adequados e com os «valores» mais importantes numa sociedade que se deseja justa, igualitária, fraterna, humanista e solidária.
Caso contrário, nessa aprendizagem social, que ocasiona reforço vicariante, a aprendizagem pode ser desastrosa, como demonstrou Albert Bandura, nas suas experiências com jovens delinquentes e não delinquentes.
De tudo isso vai depender a estruturação da personalidade que se vai fazendo desde o nascimento até cerca dos 18 anos, ou mais, não se devendo desprezar, a influência do meio ambiente em que a pessoa estiver inserida, além dos factores hereditários.

Além disso, a pressão, a facilitação ou a inibição social ajudam a que essa aprendizagem seja feita de uma maneira que determinará as atitudes que enquadrarão, a cada momento, os comportamentos com que a pessoa irá reagir no meio ambiente em que estiver inserida.
Nesse meio ambiente, existem estímulos que são factos, ideias, comportamentos, sinais, etc. que desencadeiam os nossos comportamentos de acordo com aquilo que sentimos, percebemos e deduzimos em conformidade com a estrutura de personalidade, formada a partir de nossa educação.
Muitas vezes, os nossos comportamentos ou acções são conscientes mas, em certos casos, de acordo com as estimulações a que ficamos sujeitos, reagimos sem dar conta do facto ou até contra a nossa vontade.
Quando ficarmos conscientes dessa falta de controlo, ocasionam ansiedade, angústia, medo, obsessão, ou necessidade de comportamentos compulsivos, etc.

Deste modo, quando os nossos actos ficam fora do nosso controlo e somos incapazes de os orientar de acordo com a nossa vontade, entramos em neurose e, a maior parte das vezes, recorremos aos medicamentos que nos ajudam a suavizar a situação reduzindo o desconforto que sentimos pela nossa incapacidade de a controlar.
Contudo, a acção dos medicamentos desenvolve-se sobre o nosso cérebro, que controla toda a actividade de sentir, perceber, ter emoções e comportamentos, diminuindo ainda mais a capacidade de sentir, perceber e controlar as nossas acções que queremos reduzir ou eliminar.
Em consequência disso, ficamos ainda mais incapazes de controlar os comportamentos que não nos interessam ou que nos incomodam, porque continuamos a ficar sujeitos às causas que os desencadeiam.

Sintetizando tudo, podemos dizer que, deste modo, determinados comportamentos ficam fora do nosso controlo, contra a nossa vontade e sem capacidade de os contrariar, reduzir ou eliminar.
Por isso, temos de procurar as causas que os desencadeiam e tentar reduzi-las ou eliminá-las, ou até, se for possível, utilizá-las de forma criativa para melhorar os nossos comportamentos futuros.
Como poderemos fazer isso, sem analisar essas causas que se encontram muito bem escondidas e, talvez disfarçadas, nos recônditos na nossa memória, não consciente, com todos os traumatismos que sofremos, positivos e negativos?
Às vezes, os comportamentos dos mais velhos podem criar em muitas crianças dissonância cognitiva, deixando-as perplexas perante situações que exigem ponderação, se não as perturbarem ainda mais do que já se encontram, sem saber que comportamento adoptar.
Para tanto, a análise da situação exige que se concentre toda a atenção nas recordações do passado e nas lembranças efémeras e súbitas ou disformes que surgem de vez em quando.
Essa análise, só se pode fazer com uma viagem ao não-consciente ou inconsciente, autonomamente ou com a ajuda dum especialista competente e honesto.
Poderemos fazer essa análise de maneira pragmática, racional, objectiva, realista e despretensiosa sem saber como funciona o comportamento, para o poder modificar com uma nova reestruturação cognitiva vantajosa e capaz de alterar o futuro?
De qualquer modo, vai exigir que uma pessoa se relaxe completamente (mentalmente), fique desligada do mundo que a cerca e mergulhe nas profundezas das suas memórias ou recordações.
Não sendo uma tarefa fácil, exige que a pessoa não utilize as suas «defesas» (A), o que pode ajudar a compreender tudo de maneira completamente desligada do senso comum e da realidade, talvez até de forma distorcida, para tentar justificar como aceitável tudo o que cada um recordar ou executar.
Além disso, a pessoa tem de contar com o pico de extinção, relacionado com a quebra das melhorias conseguidas, o qual acontece quase sempre, na aprendizagem dos comportamentos, especialmente dos novos e mais saudáveis ou até na redução dos indesejados.
Todo este «trabalho» não é fácil e a análise que se deseja, exige que se conheça bem o funcionamento do comportamento de acordo com os conceitos apresentados no início deste post e amplamente difundidos no blog.
Se se desejasse fazer algum «trabalho» com o «Soldado» ao qual se referiu no início, seria bom analisar a sua vivência durante a infância e adolescência, a sua ligação com o seu pai e com o pai da mulher e verificar quais e porquê existiam divergências nos comportamentos e conceitos dos pais do casal.
Isso só poderia ser feito por um especialista bem treinado para ajudar a pessoa a entrar em relaxamento mental profundo, talvez com hipnose ou até autohipnose a fim de recordar os tempos passados e verificar ou sentir aquilo que os comportamentos e conceitos dos outros tinham provocado na estrutura da sua personalidade em formação.
Depois de analisados cuidadosamente todos os acontecimentos ou recordações, interessaria estabelecer nexos de conexão que pudessem ter originado nessa pessoa, traumatismos, condicionamentos e comportamentos pouco adequados.
Com essa aprendizagem dos factos passados, deveria ser possível estabelecer um plano de actuação que ajudasse a conseguir «engendrar» comportamentos mais adequados, coerentes e desejados.
Aquilo que aconteceu, por acaso, durante o incêndio da casa, poderia acontecer durante as sessões de Imaginação Orientada mas, provocar isso, é muito difícil e torna-se ainda mais demorado autonomamente, do que com a ajuda de um especialista.
São factos antigos que podem estar completamente soterrados, parecendo irrelevantes e desconexos da realidade actual.
É por isso que qualquer pessoa, falando de si, acha que se está a comportar-se bem e, se houver qualquer discrepância ou comportamento indesejado ou descontrolado, a culpa é de qualquer coisa exterior, o que ocasiona a justificação de que não seria possível proceder de outro modo.
Era o que acontecia com esse soldado que se «achava bem», sem necessidade de qualquer apoio.
Pedir apoio seria inferiorizar-se e imaginar que estava mal e sem se poder controlar, tal como acontecia com a Cristina (L).
Esse controlo foi hipoteticamente procurado por ele oferecendo-se para mais uma comissão de serviço em Timor.
Qual a razão «profunda» desse oferecimento?
Seria para fugir de ideias absurdas que o perseguiam disfarçada e clandestinamente, com muita cerveja à mistura?
Como descortina-las, compreendê-las, desmontá-las e até utilizá-las a seu favor?
Não é tarefa fácil nem rápida e exige muita persistência e perseverança!

Por este motivo, falando em casos reais, passados há muitos anos, posso dizer que a maior parte das crianças necessitavam de se deslocar e ausentar-se para locais distantes da casa dos pais, a fim de poder estudar desde o actual 5º ano do ensino obrigatório, isto é, antigo 1º ano do Liceu ou Ensino Secundário.
Nunca soube de pessoas traumatizadas por esse facto, embora pudesse haver algumas.
Quando comecei a psicoterapia com o Júlio (E), também não me «passou pela cabeça» que isso fosse o «seu problema» principal para a depressão de que tinha sofrido, com três tratamentos psiquiátricos, durante quase ano e meio, ingerindo medicamentos em doses cada vez maiores.
Foi a análise feita quase à mesa de um café, durante várias tardes de «conversa fiada», das suas leituras de apontamentos policopiados, das anotações de recordações que ia tendo, assim como do treino mantido todas as noites para fazer o relaxamento mental, que a situação «ficou resolvida» por completo, proporcionando-lhe um patamar de actuação extremamente elevado.

Afinal, o problema fundamental causador das suas depressões, era o traumatismo negativo sofrido por ele apenas por ter tido necessidade de estudar em Lisboa, desde o 5º até ao 10º ano, dos 10 aos 16 anos, muito bem instalado em casa do primo e padrinho, enquanto os outros três irmãos mais novos estavam a viver com os pais, numa aldeia dos arredores de Coimbra.
Ele achava que estava «desterrado» e «abandonado pelos pais» em Lisboa, parecendo que os pais não gostavam dele por o terem deixado tão longe e sem a sua companhia a maior parte da sua vida.
Afinal, foram seis anos longe dos pais.
É por esse motivo que, para uma boa biblioterapia, estou muitíssimo interessado em publicar «Eu Não Sou MALUCO!» (E), com a história da psicoterapia do Júlio, que me abordou no início com essa exclamação, no hospital onde eu colaborava como voluntário.

Afinal, na sua psicoterapia, quando ainda não existiam livros, apenas alguns apontamentos policopiados destinados a aulas de Psicologia e Psicopatologia dos cursos de formação para promoção de ajudantes a enfermeiros, serviram para o seu esclarecimento, tanto quanto dos próprios enfermeiros.
Com as cerca de 120 sessões de meia hora em «local impróprio» e mais duas no gabinete de um hospital, além da sua total colaboração, ele conseguiu passar de ajudante de escriturário a um dos sócios da empresa onde trabalhava, além de se especializar em informática, contabilidade e conseguir tirar o curso Superior de Economia.

Posteriormente, depois de muito mais «ampliados», «completados» e «reorganizados» esses apontamentos deram origem aos livros «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» (D), «Psicologia Para Todos» (F) e «Interacção Social» (K).
Em todo este sistema de terapia, o importante é a utilização das recordações ou emoções positivas que fomos tendo ao longo da vida para contrariar as negativas das quais nos queremos livrar ou ver reduzidas.
Neste contexto, em que o reforço do comportamento incompatível é importante, o diário de recordações e a autoanálise são de extrema utilidade porque esta também pode provocar o efeito de Zeigarnick reavivando muitas lembranças escondidas, especialmente por causa da interrupção da escrita, devido à necessidade de manter estritamente o tempo estipulado para isso.

Este tipo de Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA), anterior à utilização de «Imaginação Orientada» (IO), descrita neste livro, foi utilizada também com o Joel que tentou «matar» a noiva, com uma terceira tentativa de a «estrangular», sem sucesso, por causa dos seus sentimentos de inferioridade e das várias dificuldades na educação durante a estruturação da sua personalidade.
Depois deste terceiro episódio, «apelidado» pelo psiquiatra como Psicopata, ele foi tratado com medicamentos, mas sujeitou-se à psicoterapia, com grande colaboração sua e muitas leituras, também de apontamentos policopiados.
Quando «conseguiu descer ao fundo do seu não-consciente» vivenciou toda a sua vida atribulada na infância, passada numa instituição de internamento escolar, sem família que o acolhesse e o acarinhasse devidamente.
Os treinos, as leituras e as práticas adoptadas por ele, descritas no seu livro «PSICOPATA! Eu?» (G) fizeram com que compreendesse que nunca fora «psicopata» mas sim um «neurótico depressivo inferiorizado reactivo».
Isso quase o obrigou a solicitar, pouco antes de morrer de dificuldades cardíacas, que eu fizesse uma Lista de Procedimentos para ajudar os outros a não terem a triste vida que ele continuava a viver até ao momento.
Essa lista foi transformada actualmente, em sua homenagem, no livro «AUTO{psico}TERAPIA» (P).

Para uma melhor apresentação da finalidade dessa psicoterapia, o livro «BiblioTerapia» (Q) ajuda a compreender que esse tratamento é destinado a ultrapassar dificuldades pugnando por uma vida melhor e não apenas a reduzir as dificuldades, mas exige de cada um todo o trabalho da leitura dos livros adequados, treinos necessários e persistentes, ajuda do meio ambiente e toda a colaboração com o especialista que der ajuda.
Também, para que cada um possa fazer uma psicoterapia, apoio psicopedagógico, treino de interacção social ou desenvolvimento pessoal, o último livro da colecção, «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R) dá indicações que podem guiar os interessados a fazer uma leitura adequada e proveitosa antes de qualquer consulta, poupando muitas delas, assim como tempos de viagem e de espera, além das óbvias vantagens financeiras.

Com os livros já publicados nesta colecção e, às vezes, os anteriores que foram reformulados, uma pessoa pode iniciar a sua preparação para a psicoterapia, se não for uma psicoterapia autónoma, como aconteceu com o Antunes (B).
Aquilo que fica explanado agora neste post, se fosse em consultas, nunca demoraria menos do que 10 sessões e, provavelmente, exigiria do interessado leitura ou consulta posterior de livros adequados.
O livro, ficando sempre «à mão de semear», custa muitíssimo menos do que uma consulta e pode ser lido ou consultado em qualquer momento e local, até quando uma pessoa está calmamente sentada  no «local das grandes ideias!».

Julgo que tentei dar uma ideia mais ou menos concisa e abrangente das perguntas feitas no referido email, dizendo também que quem desejar o novo livro mais barato, despendendo apenas 10.00€, em de 15.00€ posteriormente, tem de entrar em contacto comigo com a maior rapidez, de acordo com as indicações dadas anteriormente e repetidas agora para a generalidade dos livros.
Embora o link agora apresentado seja de todos os livros, alguns daqueles que ainda não foram publicados, têm as versões anteriores publicados pela Plátano, Clássica, Escolar e Hugin, que se encontram à venda no mercado, englobando os casos da Cristina, da Germana, da Isilda, do Januário e do «Mijão».
Além deste blog, que dá respostas a muitas perguntas, dúvidas e comentários, tal como agora, a consulta esmiuçada dos assuntos publicados pode servir da ajuda que seja necessária, enquanto não houver as tais palestras de que falo constantemente e que podem servir para reduzir imensas consultas individuais, ajudando a encurtar e a obter maior rendimento e eficácia na psicoterapia.

Desejo muita sorte ao «dono» do email e aos que consultarem este post.

 

Consultou todos os links mencionados neste post?

Já leu os comentáriosVisite-nos no Facebook.

Para adquirir quaisquer livros que escolher, clique aqui.

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

 

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

 

CASOS DA VIDA

Aproveitando o momento em que não chovia, estava a começar o meu passeio habitual quando o Sr. Felício aproximou-se de mim e perguntou se poderíamos conversar um pouco.
Disse-lhe que se fosse «um pouco», teria de me acompanhar no passeio que não deveria ser muito longo.
Comprometeu-se a isso e começou logo com as suas perguntas.

FLi alguns dos seus últimos artigos do blogue e pareceu-me que ficou bastante bem impressionado com os diversos episódios de «CASOS DA VIDA» que são transmitidos, de vez em quando, pela TVI.
N – Pode ter a certeza que sim e que não se me afiguram como os da «Nancy on tour» e, muito menos, como os da «Supernanny».
Os «casos» de que fala agora, são apresentados com muito realismo e não são poucos nem esporádicos na nossa vida do dia-a-dia.
Se casos assim fossem «bem explorados», com apresentações e discussões adequadas e sérias acerca dos mesmos, poderiam servir muito bem para uma profilaxia e prevenção contra futuros desequilíbrios.
É para isso que as televisões e outros meios de comunicação social deveriam servir mas, infelizmente, não é isso que acontece.

FMas na televisão não são apresentados casos semelhantes?
N – Deixe-me dizer-lhe que a «espectacularidade» com que são apresentados e sem um sentido de realismo e racionalidade correspondentes, não me seduzem nem me disponho a vê-los.
Aquilo é simplesmente para «ganhar audiências», com toda aquela gente que é paga para estar na plateia e «bater as palmas».
Muitas vezes, quer o público, quer os da própria audiência, podem ficar mal informados e «aprender» aquilo que não é adequado.
Os meus dois últimos posts publicado no facebook sobre «Crianças e televisão» podem proporcionar uma explicação acerca disso.
É a aprendizagem social que entra em acção e que depende muito das pessoas que fazem essa aprendizagem, de acordo com a sua «educação» e «ambiente familiar e social» anterior, com os «valores» que por elas foram introjectados.
É por esse motivo que achei necessário voltar a publicar o livro da JOANA (D).
E, presentemente, já deve saber que estou muito interessado em publicar o do JÚLIO (E), para apresentar o modo como um simples afastamento da família, durante 6 anos, dos 10 aos 16, para uma criança poder estudar aquilo que não poderia fazer na sua terra, pode ocasionar em algumas pessoas, depressões e outros problemas psiquiátricos que, depois de instalados, exigem muitos diagnósticos, medicação e apoio psicológico, muito difícil e quase impossível de obter no nosso país.
É exactamente por isso que alguns psiquiatras sérios e competentes alertam quanto à medicação com falta de psicoterapia adequada e oportuna e eu insisto também na EDUCAÇÃO como factor de prevenção.

FAcha assim tão difícil conseguir isso?
N – Apenas com esse exemplo que dei, posso perguntar quem daria apoio ao Júlio se eu não estivesse a colaborar voluntariamente nesse hospital e ele não insistisse comigo dizendo que «não estava maluco», para eu lhe dar apoio?
Qual a razão de não lhe ter sido dado esse apoio das duas vezes anteriores?
Acha que as coisas mudaram muito?
Acha que se não houvesse míngua desse apoio, estariam a enveredar pela terapia baseada na «prescrição de livros» no Reino Unido, nos EUA e até no Brasil e outros países?
Porém, enquanto no Reino Unido começaram isso nos princípios deste século, eu já tinha utilizado esse método em 1980 com o Júlio, apenas com apontamentos policopiados.
Compreende agora o meu empenho em publicar o caso dele, incitado até pelo próprio protagonista?

FMas acha que as pessoas irão ler o livro quando a única coisa que se lêem são as «fofocas» e notícias da «sociedade»?
N – Não sei quem irá ler, mas eu tento estar de bem comigo próprio fazendo e dizendo o que se pode fazer acerca deste assunto.
Afinal, são mais de 40 anos de clínica que não posso desperdiçar, enquanto os puder utilizar de forma saudável, produtiva e eficaz para todos.
Se não houvesse alguma recuperação dos pacientes, na Inglaterra, não tentariam enveredar por esse método e eu tenho conseguido resultados positivos bastante superiores a 86% dos casos (J).
É também por isso que eu fiz a minha proposta das palestras, depois de ter sentido o bom acolhimento e resultados satisfatórios com os enfermeiros do Hospital de Vila Franca de Xira, há mais de três dezenas de anos.
Faz-me lembrar os incêndios que poderiam ter sido evitados, tal como os desequilíbrios psicológicos que, depois de instalados, dão muito que falar, fazer e gastar dinheiro, com bastantes sequelas para os próprios.
E para a sociedade…?

FMas, falando agora naquilo que se está a passar, parece que o seu amigo Antunes conseguiu ajudar mais alguém
N – Além de se ajudar a si próprio e à família (B), ele conseguiu ajudar muito mais gente de quem não fala.
E repare que foi só com o apoio de livros antigos que estavam publicados naquela época.
Quais foram as despesas que ele fez?
Com alguns livros que custam menos do que uma só consulta?
Quantas dezenas ou centenas de consultas são necessárias depois dos desequilíbrios?
Estou a dizer isto porque a educação é muito importante até ao ponto de os próprios pacientes reconhecerem isso depois de terem conseguido analisar bem todos os seus comportamentos, baseados no seu passado e na educação que tiveram − ou não tiveram e foi deficiente.
Isto nota-se perfeitamente no caso do Joel, (G) que foi apresentado no 1º Congresso de Psicologia realizado em 1979.
É outro dos livros que me interessa publicar para demonstrar que, depois de acontecerem as «desgraças», as pessoas sofrem, fazem-se diagnósticos que podem estar errados, medica-se as pessoas e, muitas vezes, «dá-se cabo» da vida delas, às vezes, sem possibilidade de «retorno».
Foi o que aconteceu com o Joel que, depois de melhorar bastante e de ler vários livros que eu publicara na época, insistiu para que fizesse pelo menos uma lista de procedimentos (P) para as pessoas que desejassem conseguir a sua recuperação, já que não tinham uma família adequada e uma EDUCAÇÃO apropriada para não cometerem os erros aos quais se poderiam sujeitar, muitas vezes, sem querer.

FNão há pessoas que melhoram com a medicação?
N – Acerca disso, posso dizer que, se não conseguirmos chegar às causas que ocasionam o nosso desequilíbrio, não existe medicação que resolva a situação, a não ser aparente e momentaneamente com o reforço secundário negativo que se obtém conseguindo que essa pessoa se sinta aliviada por não sofrer como sofria, porque o medicamento a deixa quase anestesiada quanto a isso.
Depois, quando a medicação tem de ser aumentada porque a situação se voltou a agravar, as coisas mudam de figura e essa dependência medicamentosa não pára enquanto as ideias ou causas não forem analisadas, compreendidas e arrumadas dentro do armazém das recordações (L) do qual, às vezes, a pessoa não tem conhecimento.
Mas isso, se não for feito autonomamente pelo próprio, também pode ser feito com a ajuda do psicólogo como aconteceu com a Cidália (C), que teve pouca ajuda.
Contudo, tem de ser a «cabeça do próprio» que deve entrar em acção, autonomamente, ou com ajuda, muita ou pouca, dependendo da sua colaboração, como aconteceu com o «Calimero» (M).

FTudo isso não é difícil e quase impossível de se realizar sem uma promoção e propaganda adequada como geralmente se faz?
N – Antes de tudo, tenho de lhe dizer já dei aulas de Psicologia Organizacional (N) e sei como isso se faz quando as pessoas querem montar ou fazer progredir um negócio.
A diferença é que eu não tenciono isso para «vender livros».
Dou-me ao trabalho de reorganizar os livros escritos, actualiza-los e acrescentá-los com novos «casos», dos mais importantes, para as pessoas os utilizarem.
O meu propósito é que, agora, os livros sejam utilizados por quem necessita deles.
Nesse campo, em vez de promoção prefiro a informação e a divulgação e é o que estou a tentar fazer, tanto nas duas páginas do facebook, como nos dois blogs que estou a manter desde os princípios deste século por incitamento dos meus alunos da época.
De modo algum estou interessado em apenas vender livros, mas sim em proporcionar livros aos que deles necessitarem para os utilizar em seu benefício e como sua prevenção e profilaxia e das suas famílias e amigos.
Por isso, estou à espera que tanto o senhor como muitos outros com quem estou a lidar, leiam os livros e, depois de fazerem o vosso juízo acerca da sua utilidade e benefícios, os divulguem apresentando as vantagens de que podem usufruir.
É exactamente o que os meios de comunicação social poderiam fazer se «trabalhassem», como dizem, para o bem da população e não apenas para o proveito dos seus patrões.

EIsso vai ser difícil na sociedade em que vivemos.
N – Julga que eu não sei disso?
Quando falei com o meu colega no «caso» descrito no «Biblioterapia» (Q) pode ler na pagina 40 que o tio da senhora que tinha ido à consulta, não só não tinha lido qualquer dos livros recomendados, como até os tinha entregue a ela, como se ele não pudesse fazer coisa alguma para mudar o ambiente em que ela vivia e que poderia ser uma das causas dos seus desequilíbrios – exemplo dos pais e tios.
Também neste sentido, se o tio com um mestrado e a caminho do doutoramento não lia os livros, qual a razão de ela ler?
Além disso, ele estava satisfeito porque ela tinha começado a sorrir a ir para as festas e a divertir-se imenso.
Assim, qual será o futuro do filho que ela tinha?
O que será do seu casamento com os exemplos dados pelos mais velhos?
Neste sentido, tentei colaborar com a Feira de Saúde Mental da Câmara Municipal de Sintra, em 2017, publicando «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R) mas a divulgação foi pouca, com fraca assistência.

FJá que chegou ao fim do seu passeio, espero que divulgue a nossa conversa, como sempre tem feito.
N – Pode estar descansado quanto a isso, porque logo que chegar a casa, mesmo antes do almoço, vou começar a delinear tudo ao correr da pena, não me esquecendo dos links que vou apresentar em profusão para enquadrar tudo isso.
Espero que as pessoas interessadas e que têm mais necessidades do que eu, leiam tudo com atenção e resolvam o que devem fazer.
Ou se sujeitam aos males de que sofremos actualmente ou tentam evitá-los procurando resolver os problemas e educando melhor os filhos para não sofrerem males ainda maiores do que os actuais.
Obrigado pela sua companhia.

 

Consultou todos os links mencionados neste post?

Já leu os comentáriosVisite-nos no Facebook.

Para adquirir quaisquer livros que escolher, clique aqui.

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

CONVERSA ENTRE AMIGOS – 20

Estava ontem à tarde sentado no maple a olhar para a televisão e a ver sozinho os «Batanetes», enquanto a minha mulher ajudava a neta a preencher um inquérito sobre «genealogia etnográfica» para uma disciplina do seu curso.
Quando estava quase a dormitar, o telefone tocou e o Antunes a perguntou-me se tinha alguma disponibilidade para uma conversa prolongada, porque a mulher dele e a filha tinham ido para uma festa da escola em que o neto tomava parte activa na sua organização.
Respondi-lhe que sim e fiquei à espera das suas perguntas, que me fizeram imaginar serem importantes para ele, além de que ele poderia proporcionar-me novidades acerca do caso de Manta Rota.

ASabes que a Lara falou durante a semana com a minha filha para lhe dizer que está muito satisfeita com tudo o que se passou e que já se envolveu em várias multidões com toda a família?
Confirmou que também não tinha tido medo, nem o mais pequeno receio antes de entrar nesses aglomerações, nem sentia desconforto por ficar em recintos fechados.
Disse que tinha muita pena que não houvesse mais livros acerca de casos que se tivessem resolvido satisfatoriamente.
Por isso, já dei mais um golpe de vista pelo teu livro do «Maluco» e acho que é pena não estar ainda publicado.
N – Antes de tudo, posso dizer que estou muito satisfeito com o que a Lara conseguiu em pouco tempo, comodamente e com um dispêndio mínimo de dinheiro, tempo e viagens.
Contudo, exigiu muita colaboração sua para a leitura do que é necessário e para os treinos indispensáveis.
Além disso, é necessário compreender bem o funcionamento do comportamento humano e da sua modificação em função do meio ambiente, porque é disso que se trata e que se consegue compreender facilmente lendo com atenção o livro da JOANA (D) que, no tempo do Júlio, ainda se encontrava em rascunho policopiado.

AEla gostou muito deste livro, especialmente por causa dos filhos e do apoio que se lhes pode dar com uma educação adequada para não criarem «macaquinhos na cabeça» como aconteceu com ela.
N – No caso dela, pode não ter sido um «defeito» da educação mas sim uma falsa percepção sua, acerca daquilo que ia acontecendo e do que ela ia sentindo.
Muitas vezes, é assim que se «criam» os «traumatismos negativos», quase sem motivo para isso e devido a acontecimentos dos mais vulgares que, em qualquer outra pessoa ou até na mesma, em outra ocasião ou em contexto diferente, não fariam a «mínima mossa» ou teriam passado despercebidos por serem acontecimentos muitíssimo vulgares.
Foi o que aconteceu também com o Júlio (E).

AÉ também por isso que tenho imensa pena que o livro não esteja publicado.
N – Eu também tenho pena mas não tenho dinheiro.

AMais uma vez te vou perguntar qual a razão de não entregares os livros a uma editora.
N – Mais uma vez te vou dizer que já experimentei isso e que não desejo os livros distorcidos nem totalmente desactualizados.
O sistema que estou a utilizar, com impressão digital e tiragem reduzida, pode ser dispendioso para mim mas, pelo menos, fico de bem comigo próprio, porque os interessados podem adquirir os livros através duma comunicação comigo.
A internet e o facebook, servem para dar as indicações necessárias e, como eu não preparo os livros para «fazer dinheiro com eles», espero que só os interessados os procurem.
É também por isso, que gostaria que houvesse as tais «palestras» a fim de muitas pessoas «perceberem» ao mesmo tempo e com muita economia, as vantagens da autoterapia, como prevenção e profilaxia de desequilíbrios psicológicos que, depois de instalados, levam muito tempo a desaparecer ou deixam a pessoa alienada a medicamentos que nunca mais abrandam e que podem deixar muitas sequelas.

ATenho pena que não exista uma entidade que se proponha tomar a seu cargo a organização dessas reuniões que seriam úteis para muita gente e que eu senti isso na minha pele, embora individualmente.
N – Sabes que já apresentei a minha proposta em 2015 mas, até ao momento nada fizeram, embora digam que estão muito atentos aos problemas de saúde.
O que vejo, são acções que dão nas vistas, mas que não ocasionam resultados muito positivos para a população.
Já falei disso acerca duma acção da Psicologia Positiva que até ocasionou algumas risotas dissimuladas em pessoas com algum discernimento.
Contudo, pode ter agradado a alguns que necessitam de «demonstrações» de afectividade, que não produzem efeitos duradouros e são tão efémeros como os festivais, concertos, «selfies» e até praxes (Q).
Podem descarregar a ansiedade ou alivia-la momentaneamente, para deixar a pessoa na mesma ou ainda mais desiludida do que anteriormente.

AJá agora que falas em Psicologia Positiva, o que achas de Inteligência Emocional?  
N – Sei que tu tens a versão portuguesa do livro, que eu não li porque me aborreci.
Mas, tenho o original em inglês, em «paperback» e, se tiveres tempo e paciência, vou busca-lo para te dar algumas informações sobre o assunto.
Logo no início, Goleman apresenta o caso de Matilda Crabtree que foi alvejada pelo pai.
De regresso de um jantar com amigos, às quatro da madrugada, os pais da Matilda, de 14 anos, julgavam que ela estava, naquela noite, em casa de amigos.
Quando entraram em casa, ouviram ruídos.
Foram imediatamente ao quarto da Matilda e, como não a viram lá, foram buscar a arma e quando viram alguém (Matilda) saltar do guarda-roupa e dizer «boo», na brincadeira, o pai alvejou-a na nuca com uma arma calibre 0.357.
Só este episódio, basta para verificar que aquilo que o pai utilizou, não foi a inteligência mas sim a emoção.
Existe um comportamento instintivo, que Goleman menciona e que eu apresentei a partir da página 149, no capítulo do «Circuito das Perturbações Mentais», da edição actual do livro «SAÚDE MENTAL sem psicolatologia» (A) em que o comportamento não é desencadeado pela aprendizagem feita com a inteligência, a qual não é utilizada, sendo curto-circuitada pelo armazenamento das emoções que levam a uma – rápida reacção «instintiva» de luta-ou-fuga.

AQueres dizer que não existe inteligência emocional?
N – O que eu estou a querer dizer é que esse comportamento do pai foi uma reacção emocional, absolutamente aceitável no momento em que não existe tempo para pensar (ou utilizar a inteligência) mas sim existe um acumular de experiências que conduzem a uma reacção rápida de luta-ou-fuga, muito comum nos animais «não domesticados».

AExplica-me isso melhor.
N – Vamos apenas ver o caso da tua filha.
Ela estava a ter más notas nas aulas.
– Era um comportamento inteligente e desejado ou uma resposta emocional à situação em que se encontrava no momento?
Tu deste-lhe apenas apoio escolar, mas isso não seria possível sem estares perto dela e a prestar-lhe mais atenção do que nos tempos anteriores.
Ela melhorou, tanto nos assuntos académicos como na ligação familiar e social.
– Mandaste depois repetir o exame de nível intelectual e de personalidade?
Se o tivesses mandado fazer, talvez verificasses que tinha havido algumas alterações no da personalidade, mas menos, no nível intelectual, a não ser, talvez, nos parâmetros da atenção e da memória.
Mas, como o exame anterior não indicava o valor quantitativo do QI, a comparação não poderia ser feita.

AMas, Daniel Goleman diz que havia a ideia de que o nível intelectual era hereditariamente determinado.  
N – Não posso concordar com essa ideia, porque nunca a tive e fiquei com muito menos noção de que o nível intelectual não se pode alterar.
O nível intelectual pode ser afectado (embora ligeiramente) pelo meio ambiente e pelos acontecimentos do dia-a-dia.
As aprendizagens contam muito e dependem muito da nossa interacção familiar e social e tu verificaste isso com o que aconteceu com a tua filha e não só….
– A tua mulher não «mudou», sem qualquer reeducação?
E tu não tiveste uma vida completamente diferente depois das tuas experiências com a tua «autoterapia» (B)?
– Em que é que isso alterou significativamente o vosso nível intelectual?
A tua capacidade de reactividade emocional é que pode ter ficado bastante alterada… para melhor, ficando mais controlada e orientada.
O que pode acontecer, é utilizar a inteligência de uma forma mais racional.

AAchas que é assim tão simples?
N – Vamos a exemplos mais vulgarizados e comezinhos.
Adquires umas boas batatas e cebolas e, quando as cozinhares, o tempo que utilizares, o fogão, os condimentos e a forma de as cozinhar, etc., vão determinar o produto final.
A qualidade das batatas e das cebolas vai continuar na mesma, mas o produto final é que vai sair diferente.
Contudo, se as mesmas batatas e cebolas tivessem tido um adubo e um tratamento diferente, talvez tivessem outra qualidade.
É o mesmo que acontece com o nível intelectual que pode ser mais ou menos alterado conforme as estimulações do meio ambiente, até onde ele foi «gerado».
Embora a qualidade das batatas e das cebolas influencie também e bastante o produto final, a condimentação utilizada e a confecção também são muito importantes.
Caso contrário, não haveria rendimento nas reeducações e reabilitações (I) que, até certo ponto, podem alterar ligeiramente o nível intelectual, tendo-se verificado isso num dos casos apresentados neste livro.
É também por isso que insisto muitíssimo na educação, desde criança, em família bem constituída, com muita interacção e suporte, com bons modelos e exemplos a seguir, apresentando valores adequados e utilizando-os na prática do dia-a-dia.

AComo é que classificas tudo isso?
N – Antes de tudo, não posso aceitar a classificação de «inteligência emocional» como um «substantivo».
Contudo, posso admitir que a «inteligência» seja um substantivo e «emocional» seja um adjectivo qualificativo.
Neste caso, também existe a «inteligência» «racional», que é aquela que é utilizada sem a predominância das emoções.
Porém, julgo que seria mais sensato deixar a «inteligência» em paz e utilizá-la racionalmente, como geralmente acontece ou, emocionalmente, como se torna necessário quando «ficamos encurralados» com a «bolsa ou a vida», sem experiências anteriores de bom sucesso.
Seria muito mais sensato dizer que a «inteligência» existe desde que nascemos, podendo ser melhorada ou piorada de acordo com o ambiente em que vivemos e com as experiências que formos acumulando ao longo da nossa existência, para uma aprendizagem que tanto pode ser no bom como no mau sentido.
É por isso que estou muito preocupado com a «EDUCAÇÃO», que é a base fundamental de toda a nossa conduta na vida e na sociedade.

AVais fazer algum artigo acerca disso?
N – Deixa-me descansar esta noite para amanhã poder acordar «mais fresco» e escrever qualquer coisa sem ser com «inteligência emocional» mas sim com a «inteligência racional».
Além disso, lembra-te que Goleman utilizou esta designação para «alcunhar» aquilo que ele estava a investigar, tal como muitas vezes se faz com os diagnósticos (G),
Também te posso dizer que é extremamente importante compreender bem a diferença das consequências ocasionadas pelos reforços positivonegativo, o que até a JOANA, no fim das nossas conversas, conseguia compreender, para o utilizar com o irmão que acabara de nascer e que está com ela agora na Austrália, bem como os pais.

 
Já que acabei de ver um magnífico episódio de «Casos de Vida» da TVI, ontem à noite, posso dizer que o livro «Imaginação Orientada» (J) baseado nas técnicas de TEA e IO, com autohipnose, para uma boa reestruturação cognitiva e modificação do comportamento, a fim de cada um descobrir o sentido da sua vida e seguir em frente, tem todo o sentido e vantagem.

 

Consultou todos os links mencionados neste post?

Já leu os comentáriosVisite-nos no Facebook.

Para adquirir quaisquer livros que escolher, clique aqui.

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

 

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

CONVERSA ENTRE AMIGOS – 19

Depois de ter recebido do meu amigo Antunes o comentário seguinte:
Caríssimo Noronha.
No próximo sábado, a minha filha tem de voltar com a família directamente para o Porto, porque quer descansar e pôr em ordem a casa, no domingo.
Queremos acompanha-la, tanto quanto possível e, por isso, saímos da cá muito cedo.
A meio caminho, eles seguem de Manta Rota para o Porto, enquanto nós vamos almoçar convosco, bastante cedo para, depois da longa conversa que desejamos ter, podermos chegar a horas de jantar com a filha, mesmo que seja tarde.
Não te telefonei, para não ficarmos muito tempo na conversa.
Um grande abraço do teu amigo.
Antunes
levantamo-nos cedo na manhã de sábado e fomos ao indiano buscar comida para o almoço e, logo depois de chegar a casa e de ter tudo na mesa, os Antunes entraram, muito bronzeados, para nos cumprimentar efusivamente.

 

Mal se sentaram à mesa, sem quaisquer aperitivos, começámos a conversar, aos pares mas, o mais importante para este blog fica na conversa dele (A) comigo (N).

A: Desculpa não te ter telefonado nem te ter dito que gostava dos petiscos da tua terra, porque assim, demoraríamos muito tempo e eu estava a dar ajuda à Lara, nesse domingo.
N: Também te posso dizer que fizeste bem, porque eu também estava ocupado e como já sei das tuas preferências, comprámos chacutí de galinha, à moda de Goa.
Nós também, quando íamos para os lados de Manta Rota e Vila Real de Santo António, gostávamos de petiscar tudo aquilo que é típico do Algarve, e era muita coisa.
Além disso, pensei que hoje teríamos muito tempo para conversar, especialmente com as «novidades» relacionadas com as tuas férias e com as da amiga da tua filha.

A: Começando por aí, que é o mais importante, posso dizer-te que a minha filha, logo que chegou a Manta Rota, foi saber de viva voz o que se tinha passado.
Verificou que a Lara estava a praticar algumas coisas, mas que tinha baixado o ritmo, por ver reduzida a média da autoavaliação de 8 para 6 nos últimos 2 meses, mostrando-se satisfeita com isso.
Por isso, obrigou a Lara a continuar com o relaxamento mental todas as notes, não se escusando de a ajudar durante o dia a iniciar o relaxamento muscular para continuar com o mental, com a obrigação de manter o diário de anotações.
Também exigiu que ela mantivesse devidamente actualizado o registo das autoavaliações e foi conversando com ela para a ajudar a compreender que a persistência é muitíssimo importante, até atingir 3 ou menos na média das autoavaliações, mantendo-se depois nessa situação durante alguns meses.
Depois, deveria continuar a fazer o relaxamento de vez em quando, podendo despender apenas cerca de 3 a 5 minutos à hora de dormir.
Ajudou-a a descobrir de que modo teria o tema para iniciar o relaxamento mental com os factos do dia-a-dia que ia anotando, não devendo perder esse hábito.
Sabes que a Lara já estava bastante elucidada, bem como o marido, depois da conversa tida contigo em meados de abril, mas ficara satisfeita com as primeiras melhoras e já se descuidava com o relaxamento, etc.?
Estava encantada com os livros e não sabia como tinhas tempo e paciência para remodelar todos os que já tinhas escrito.
N: De facto, a conversa foi muito longa, devido às tuas advertências, e os livros que eles levaram, não foram poucos.

A: Olha, que lhes serviram de muito, porque essas duas pessoas possuem boas capacidades, embora não tenham estudado o suficiente.
N: Também me pareceu, embora tenham ficado satisfeitos apenas com as primeiras melhoras.
A Lara já não tem esses medos?

A: Aí é que entra a falta de persistência.
A minha filha teve de se zangar com ela por não continuar a manter todos os procedimentos enquanto não «resolvesse» toda a situação por completo.
Com o relaxamento, que quase «obrigou» a manter, juntamente com o diário e as autoavaliações, começamos a verificar que existia qualquer coisa relacionada com a irmã dela, três anos mais nova e que os medos tinham começado a surgir quando a Lara tinha oito anos.
Lembrei-me do post anterior e do comentário e verifiquei que ela se tinha referido a uma irmã mais velha quando, de facto, era mais nova. 
Então, comecei eu a entrar em acção, conversando com a Lara para ela recordar a sua infância nessa idade, até verificar ou sentir, que o medo dela aumentava.
Lembrou-se das festas a que assistiam e da atenção que os pais prestavam à irmã, regressando a casa só quando a Lara mostrava ter medo de estar no meio da multidão.
Lembrei-me dos reforços e perguntei se ela gostava que os pais lhe ligassem importância.
Respondeu-me que era óbvio e que a irmã lhe tinha tirado esse seu privilégio de ser a única a dar-se muito bem com ao pais.
Conversamos bastante sobre isso, para ela descobrir que os pais, naquela ocasião, tinham necessidade de «tratar» mais da filha mais nova, já que a mais velha tinha crescido bastante e era muito mais capaz e responsável.
Sem eu me ter referido a isso, ela disse-me que se tinha enganado, ao dizer, num comentário, que a irmã era mais velha quando, de facto, era mais nova.
Isso aumentou as minhas dúvidas e levou-me a pensar que ela desejaria ser a mais nova.
Por isso, disse-lhe que recordasse esses tempos e verificasse se os pais não olhavam para ela como uma pessoa mais sensata do que a irmã, mais responsável e capaz de os ajudar a cuidar dos mais pequenos.
Lembrando-me do «…Maluco» (E) cuja versão inicial li por alto, fiz-lhe ver que isso podia ser um privilégio, mais do que uma inferioridade.
Dois dias depois, disse-me que tinha sonhado com esses tempos e que verificara que ela poderia não ter tanto medo como dizia.
Quando a minha filha foi ajuda-la a fazer a autoavaliação, a média tinha baixado mais um ponto numa semana.
Fiquei admirado e disse para insistir nessa «tecla» nas suas viagens de relaxamento mental, verificando a maior importância que os pais davam a ela em relação á irmã.
Na semana seguinte, baixou mais um ponto na autoavaliação, passando a 4. 
N: Bolas. Ó Antunes, assim, deixas-me qualquer dia sem clientela.
O que faço eu depois?

A: Ficas com a tua colecção de Biblioterapia, que não deve ser fácil de gerir.
Acreditas que o marido da Lara leu, na revista do Centro de Psicologia Clínica, o artigo sobre a comunicação que apresentaste no 1º Congresso de Psicologia, em 1979, com o caso do Joel?
Até me disse que esses livros podem ser muito úteis para muita gente em condições semelhantes.
N: Já conseguiste compreender a razão do meu empenho nas tais palestras, com «casos» que podem ser apresentados nessas reuniões, onde muita coisa pode ser económica e rapidamente resolvida ou até evitada?
Se a Lara tivesse esses conhecimentos, teria agora a necessidade de continuar a «sofrer» «medos» e, provavelmente, «humilhações», por causa dos mesmos?

A: Como é que se poderia resolver a situação?
N: Já disse várias vezes e tu já demonstraste isso com a Lara, que é muito importante a «descoberta» das «causas remotas», que estão muito bem «escondidas» ou «camufladas» dentro na nossa mente.
E, só cada um pode lá chegar, depois de saber de que maneira deve percorrer o caminho, conhecendo, para isso, o modo de funcionamento do comportamento humano.
Se a Lara não se tivesse recordado que ela sentia que a irmã era mais bem tratada pelos pais, a quem eles, logicamente, ligavam mais importância por estar mais «indefesa» do que ela naqueles tempos, os seus medos teriam tendência a desaparecer?
Foi necessária uma recordação e uma análise racional da situação, para se chegar ao ponto de verificar que isso não tinha muita coincidência com o que a Lara tinha sentido e percebido (emocionalmente) naquela ocasião, passando depois a entender que os pais estavam a proceder «normalmente», sem proteccionismo exagerado para com a filha mais nova.
Aos poucos, essas lembranças perturbadoras, bem camufladas, deixaram de fazer sentido, porque foram percebidas correctamente e arrumadas no seu canto adequado.
Tudo isso pode ter sido desencadeado pela leitura da comunicação apresentada com a história do Joel (G) que o marido disse ter lido e que deve ter sido «conversada» por ele com a mulher.
Compreendes agora melhor a razão do meu empenho em pôr a «funcionar» a biblioterapia sem haver necessidade de a copiar a partir dos estrangeiros?

A: Eu  estive a dar apoio à Lara até ao meio da semana, mas o que podes fazer com as tais palestras?
N: Durante as palestras, pode-se dizer aos participantes o modo como o comportamento humano funciona em termos de aprendizagem, reforços, modelagem, moldagem, facilitação social, etc…, esclarecendo muitas dúvidas e respondendo a outras perguntas mais curiosas, como já aconteceu na hospital de Vila Franca de Xira (F).
Para isso, seria bom que os participantes lessem, por exemplo, pelo menos o livro da JOANA (D), que é o mais simples e fácil de entender, com exemplos daquilo que acontece na prática do nosso dia-a-dia e que é o resultado de mais de 10 anos de consultas dadas a centenas de Joanas e seus pais, relacionadas com problemas semelhantes.
Estão aí explicados os modos de compreender e de resolver – e até de evitar − os problemas com os quais deparamos todos os dias, a todo o momento e nas situações mais inesperadas.

A: Achas que só isso chega?
N: De modo algum.
Pode-se fazer uma demonstração com qualquer dos participantes a entrar em relaxamento mental ou, pelo menos, muscular ou instantâneo, para conseguir recordar muita coisa e funcionar, com a ajuda da hipnose ou da autohipnose, na técnica da Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA) e da Imaginação Orientada (IO) (J).
Contudo, é necessário que o participante colabore e não imagine coisas esquisitas acerca de hipnose, como geralmente, acontece na maior parte dos espectáculos.
A hipnose é um sono lúcido, com total concentração do próprio, mediante uma aceitação voluntária e muito íntima, ou inconsciente, do participante, podendo fazer viagens mais fáceis ao seu inconsciente e até ao arquivo das recordações.

A: Já sei disso.
N: Lembras-te, com certeza que, num estado semelhante de autohipnose, recordaste o sítio onde tinhas guardado (embrulho muito bem feito pelo teu avô) um papel específico, por especial simpatia que tinhas pelo teu avô.
Era o testamento do fidalgo, que o avô dizia ao teu pai que era muito importante, assim como esse embrulho do maço de jornais que falavam da vossa vila e que eram documentos históricos bastante valiosos.
E até resmungaste alto, a dormir no maple, em linguagem impercetível, sem a tua mulher compreender o que dizias.
Ai o pai. O avô queria que guardasse muito bem!, transcrito no capítulo «O Baú das Recordações».

A: Relembrando este episódio que ela já devia ter lido, realcei a importância da autoavaliações, para saber o momento em que se dava a nossa melhoria e, possivelmente, com que recordações ou escritos do diário.
Com isto, ela começou a compreender que a ajuda da minha filha tinha sido bastante importante e oportuna para tudo isso.
N: Por isso, não te esqueças também do meio ambiente e da tua ajuda telefónica à Cidália (C), que foi de extrema importância, no momento em que ela estava indecisa em relação a tomar ou não os comprimidos que a mãe lhe queria «impingir».

A: Embora tudo isso seja o passado, mas continue a manter alguns procedimentos fazendo o relaxamento mental para entrar em Imaginação Orientada, este episódio abriu-me ainda mais os olhos e confirmou as ideias que sempre comecei a ter desde as nossas conversas em Lagos.
Também adverti a Lara de que, em muitas recordações, podem surgir imagens que nos choquem momentaneamente.
Porém, se olharmos para elas racionalmente, embora tenham sido despertadas emocionalmente, podemos compreender que tudo isso era admissível e «natural» naquele momento, não podendo nós fazer mais nada acerca do assunto.
Também lhe disse que recordar isso, analisar, compreender e arquivar no local certo é muito importante.
N: Também faço o mesmo e talvez entre em Imaginação Orientada mais vezes do que tu.
Por isso, sabes bem o que é autohipnose e que pode servir até para prevenir muita coisa em vez de ficarmos a remendar depois os cacos.
Como pode haver gente que não entenda isso e que se iluda com os espectáculos que são montados com «especialistas» bem treinados, estou muitíssimo interessado em publicar o livro «Eu Não Sou MALUCO!» (E), relatando a psicoterapia que foi feita numa das extremidades dum velho café muito comprido, à mesa e à vista de toda a gente (que não quisesse bisbilhotar, de perto, o comportamento dos outros frequentadores), em 19 tardes, durante 8 semanas e sem ninguém dar por isso e até o dono desse café.
Repara que o Júlio, só no fim da psicoterapia ou, melhor ainda, depois de estar longe de mim, começou a compreender bem toda a sua vida anterior e a «engendrar» para si, autonomamente, uma nova maneira de actuar, compreendendo o modo como funciona o comportamento humano, «aprendendo» com o passado.
Por isso, este livro torna-se bastante importante, até com a vontade dele, como um modelo a imitar.

A: Gostei muito destes momentos e ainda mais do vosso chacutí à moda de Goa, que não é muito picante.
Já descansamos o suficiente para podermos ir a caminho do jantar com a família da nossa filha.
Vais publicar esta conversa, como sempre?
N: Só depois de uma boa noite de Imaginação Orientada para me relembrar de tudo, ao pormenor.
Boa viagem, óptimo jantar e beijinhos à vossa filha e netos e um abraço ao genro.
Felicidades para todos e até qualquer dia.

A: Espero que a tua ideia de Biblioterapia possa ter o eco merecido e necessário nos tempos conturbados que se estão a viver em quase todo o mundo, sem necessidade de «copiarmos», às vezes mal, aquilo que se faz no estrangeiro, quando já cá temos material suficiente, há muitos anos.
N: Também desejo isso e até já explicitei no blog, que poderei disponibilizar o livro «Eu Não Sou MALUCO!» (E) por 10.00€ aos que quiserem inscrever-se já, contactando-me através do meu e-mail, fazendo o pagamento mais cedo, porque depois de publicado, em Dezembro, deverá ter o preço de 15.00€, também com os portes incluídos.

 

Consultou todos os links mencionados neste post?

Já leu os comentáriosVisite-nos no Facebook.

Para adquirir quaisquer livros que escolher, clique aqui.

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

ESCLARECIMENTO – 3

Depois de receber de um anónimo o comentário seguinte:
Quando li este artigo, apeteceu-me ver o currículo do autor e verifiquei que além de manter a atividade clínica, foi docente e consultor editorial.
Isso fez-me curiosidade e gostaria de saber qual a razão de não conseguir difundir os seus livros, já que, segundo vejo no blogue «TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS», eles parecem-me bastante interessantes e agora a Biblioterapia está na moda, depois de a utilizarem no Brasil, EUA e Inglaterra.
Contudo, não sei se está a ser devidamente utilizada em psicoterapia.
O que diz quanto a isso?
achei que deveria responder com um esclarecimento que me parece importante.

Antes de tudo, deixe-me agradecer-lhe este comentário.
Seguidamente, posso dizer que também acho que a Biblioterapia está a ser utilizada para fins que não são psicoterapêuticos.
Também posso dizer que estou a rever e reorganizar livro «COMPORTAMENTO NAS ORGANIZAÇÕES» (N) que é um conjunto redesenhado de vários livros já publicados, especialmente:
«Humanismo na Gestão – eficiência e produtividade»,
«Falhas Organizacionais»,
«Marketing e Venda» e
«Sindicalismo: Que Futuro?»,

Neste contexto e na perspectiva responder ao comentário, posso dar algumas indicações relacionadas com a minha actividade de consultor editorial quando a Clássica foi adquirida e reorganizada por outra empresa, tentando melhorar a sua qualidade, especialmente com a colecção «Sociopsicologia Empresarial», que ficou a meu cargo.
Alguns desses livros, foram reeditados há pouco tempo.

Como, infelizmente, a docência que quase sempre me foi solicitada se relacionou mais com Comportamento Organizacional, o actual livro é bastante importante e posso transcrever, a seguir, as páginas 37 a 42 relacionadas com o assunto de que estamos a falar.

**********************

“Livros para o futuro

Numa empresa editorial em falência, recém-adquirida por uma outra, pensou-se reestruturar e remodelar o sector editorial de maneira a viabilizar a empresa em dificuldades e poder dar o rendimento necessário, utilizando-se para isso o fundo editorial existente que foi sendo entregue às distribuidoras, enquanto se editavam novos livros à espera de sucesso.
Elaboraram-se projectos para novas colecções e adquiriram-se os direitos de muitas obras estrangeiras mas, passado um ano, verificou-se que nem o fundo editorial se esgotava, nem as novas colecções se vendiam conforme o previsto e desejável. Por isso, contratou-se um técnico de «difusão da imagem» da editora para tentar criar maior credibilidade e aceitação públicas. Houve gastos substanciais na «promoção» de alguns livros novos com a elaboração de cartazes, anunciando concursos e a preparação de material de divulgação, junto dos livreiros, para estes motivarem os leitores.
Passado outro ano, verificou-se que as vendas baixavam.
Numa nova experiência, foi contratado um consultor de gestão que, após análise da situação, teve a preocupação fundamental de localizar e isolar devidamente as falhas organizacionais.
Como as pessoas «fazem o que fazem», em primeiro lugar e, em segundo, lidam com excepções (Mintzberg, 1979), procurou-se verificar a razão da falha nas vendas após todo o comportamento anterior. Uma análise regressiva dos comportamentos, levou ao ponto principal da nova estratégia com:

  1. a) A empresa edita livros para vender.
  2. b) Para existirem vendas é preciso que haja compradores.
  3. c) Para que existam compradores é necessário que estes tenham a necessidade específica de comprar livros.
  4. d) Para os compradores terem essa necessidade, ela deve ser internamente determinada ou fomentada por fontes externas.
  5. e) Não havendo uma necessidade interior, é imprescindível promover uma estimulação adequada para que exista esse incentivo externo.
  6. f) Desenvolvendo-se a necessidade no comprador, este deve ser conhecedor dos produtos que lhe interessam.
  7. g) Para que exista este conhecimento, é imprescindível que os produtos sejam divulgados a nível do comprador.
  8. h) Desenvolvendo-se os potenciais compradores, é necessário fornecer-lhes o produto segundo o seu gosto, nos locais mais apetecíveis e nas condições, para eles, mais adequadas.
  9. i) Para se obterem os elementos de análise e acção necessários, uma sondagem ou uma pesquisa de mercado torna-se um método de trabalho de extrema importância.

Embora a análise da situação da editora pudesse ser efectuada num gabinete, sem custos elevados a não ser o dispêndio de tempo dos técnicos existentes, a sondagem ou a pesquisa de mercado não se tornava viável por falta de verbas, já que a quase totalidade tinha sido despendida na melhoria das colecções editadas e na divulgação da imagem já efectuada.
Para não encerrar a editora, procurou-se verificar em que pontos da análise da situação tinha havido falhas.
Na alínea a) – A empresa edita livros para vender –, embora o comportamento empresarial fosse correcto, parecia não se ter definido qual o sector do público se desejava alcançar.
Na alínea b) – Para existirem vendas é preciso que haja compradores –, a falha parecia mais visível. A venda de livros de clássicos e de ficção científica tinha um público restrito. Também, as restrições na venda das traduções desta editora, em outros países de expressão portuguesa, era outra limitação de compradores.
Na alínea c) – Para que existam compradores é necessário que estes tenham a necessidade específica de comprar livros –, foi fácil verificar que, naquele momento, o público não sentia grande necessidade de adquirir livros que não fossem técnicos, de estudo, de consulta e, eventualmente, algum best-seller.
A alínea d) – Para que os compradores tenham essa necessidade, a mesma deve ser internamente determinada ou fomentada por fontes externas –, parecia ter, obviamente, uma resposta implícita: no caso concreto, essa necessidade deveria ter sido despertada antes de se lançar o livro no mercado.
Na alínea e) – Não havendo uma necessidade interior, é imprescindível que se promova uma estimulação adequada para que exista esse incentivo externo –, a constatação é negativa. Nada fora feito de concreto e adequado para provocar esta resposta.
Para preencher a alínea f) – Desenvolvendo-se a necessidade no comprador, este deve ser conhecedor dos produtos que lhe interessam –, era necessária uma acção promocional concertada, desde o início do lançamento das colecções.
Na alínea g) – Para que exista este conhecimento, é imprescindível que os produtos sejam divulgados a nível do comprador –, o erro na divulgação, só a nível do livreiro e do vendedor e não ao nível do comprador, não motivava o comprador em adquirir o que desconhecia. Também o livreiro só iria tentar vender algo com mais vantagens conseguidas com livros publicitados.
Para preencher os requisitos da alínea h) – Desenvolvendo-   -se os potenciais compradores, é necessário fornecer-lhes o produto segundo o seu gosto, nos locais mais apetecíveis e nas condições mais adequadas para eles –, era necessário saber quais as colecções de maior interesse, quais os locais de maior venda e o modo como os potenciais compradores preferiam fazer as aquisições.
Quanto à alínea i) – Para se obterem os elementos necessários, uma sondagem ou uma pesquisa do mercado torna-se um método de trabalho de extrema importância –, sem verba disponível, tentou fazer-se a pesquisa o mais economicamente possível, em alguns espaços exclusivamente livreiros, livrarias situadas em postos de viagem, centros comerciais, etc. Fez-se também uma avaliação grosseira do tipo de livro vendido, assim como do potencial cliente.

Concluída a análise, como se verificou que nada se fizera em relação às muitas falhas verificadas, um dos editores mais experiente da nova proprietária desta editora, ficou encarregado de tomar conta do sector e tentar resolver a situação da maneira mais equilibrada e económica possível.
A análise serviu para modificar muitos procedimentos antigos da editora, porque a nova proprietária, começava a ressentir-se da recessão que se avizinhava. Utilizando os recursos humanos e financeiros disponíveis e com uso muito racional do computador, um técnico começou a «trabalhar» os dados das vendas nos diversos espaços livreiros, outro executou toda a acção de promoção necessária e indispensável e um terceiro acompanhou eventualmente o consequente aumento do trabalho administrativo.
Com base nas informações obtidas, escolheram-se poucos livros, mas bons, para edições e reedições futuras. Iniciaram-se acções de lançamento, destacando-se, posteriormente, outro técnico para a promoção e contacto directo com instituições, leitores e meios de comunicação social: uma espécie de Relações Públicas. Os resultados positivos não se fizeram esperar, embora sem um aumento extraordinário nas vendas. Mas, o mais importante, foi os clientes tomarem conhecimento dos livros editados.
Deste modo, concentrando a análise e as acções posteriores nos objectivos a atingir, utilizou-se a fusão para a reestruturação do pessoal dos departamentos originais.
Com o pessoal das duas empresas, foi possível unificar os departamentos e dotá-los de meios tecnológicos e recursos humanos adequados e mais do que necessários para uma futura expansão. Conseguiu-se assim resolver uma situação que se julgava perdida.
Posteriormente, uma avaliação global mais pormenorizada das falhas anteriores da editora, entretanto «absorvida» por outra, deixou transparecer o seguinte:
◘ o gestor máximo ou «dono» da editora, achava que devia editar todos os livros que entendesse, sem se preocupar com a apetência dos leitores para esses livros, cujo preço de produção não era avaliado com antecedência;
◘ quase todos os sócios da editora tinham a mentalidade de «antigos merceeiros de aldeia», os quais se preocupavam em comprar barato para vender caro. Não havia, de facto, uma atitude empresarial orientada por objectivos e estratégias a médio e longo prazo;
◘ os gestores associados de venda de livros eram escolhidos não pela competência demonstrada mas pela amizade ou outros factores estranhos à capacidade profissional.

O exemplo desta editora obrigou a reflectir profundamente nas causas: pouca apetência para a leitura, preço exagerado dos livros para a bolsa do leitor, nível de instrução reduzido, divulgação ampla de outros entretenimentos nos meios de comunicação social, pouco tempo disponível e ainda a nossa crónica falta de hábito de leitura.
Se existe uma Associação dos Editores e Livreiros, porquê não constituir um espaço em que os livros de todos os associados sejam vendidos mais baratos e com a mesma igualdade de oportunidades? Se o Governo está interessado na promoção do livro e do nível cultural do seu povo, porquê não disponibilizar um tempo de antena adequado para a divulgação equitativa e sistemática de todos os títulos editados? Afinal, saber que livros se editam no nosso mercado é tão importante como saber que tempo irá fazer amanhã.
Assim, evitar-se-ia assim a venda de livros em supermercados vulgares, em condições precárias, em desfavor das livrarias e sem o pessoal adequado para o apoio ao consumidor.
Serviria também como um barómetro da apetência do livro pelo consumidor, evitando muitas edições idiossincráticas dos editores sem a realização de sondagens dispensáveis e a redução da falta de rendibilidade das editoras.”

**********************

Agora que a transcrição ficou feita, posso dizer que as vendas melhoraram, mas a apetência para os livros vai sendo cada vez menor, especialmente com a introdução e divulgação dos computadores, internet e outros dispositivos electrónicos que se tornam mais apetitosos, especialmente, para gente mais nova… e não só!
Embora os livros necessitem de ser publicitados ou «badalados» na comunicação social ou escritos por pessoas evidenciadas nesses meios, o meu objectivo não é esse, embora a divulgação me interesse bastante.
Eu desejo, sinceramente, que os livros sejam utilizados por quem deles possa necessitar para debelar as suas dificuldades, a fim de ajudar os outros, ou até para melhorar o seu próprio desempenho e, por isso, já fiz a minha proposta de colaboração, para quem a desejar utilizar ou aproveitar.
É por isso que não os pretendo deixar em livrarias ou entregar a uma editora.
Prefiro ser eu a controlar todo o sistema e a actualizar aquilo que for necessário, assim como aconteceu com a JOANA (D) e acontecerá com a Biblioterapia (Q) quando a mesma tiver uma 2ª edição e, eventualmente, com qualquer outro livro que terá impressão digital e tiragem muito reduzida.
Quem desejar os livros, cujos conteúdos podem ser vistos no blog respectivo, pode entrar em contacto directo comigo, de acordo com as indicações dadas e recebê-lo em casa, pelo correio, contra reembolso e sem mais portes.
Quem desejar fazer pagamentos antecipados, obtendo vantagem nos preços, também pode contactar comigo pela mesma via.
Aos comentários neste blog, já sabe que respondo, sempre que conseguir.
Tem todos os links que podem ser consultados para se ter uma visão mais abrangente da Psicologia (F) e a sua utilização na vida prática do dia-a-dia.

Também tem agora o novo livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R), que orienta os que desejarem enveredar pela Biblioterapiade forma autónoma ou com pouca ajuda de especialistas.

 

Consultou todos os links mencionados neste post?

Já leu os comentáriosVisite-nos no Facebook.

Para adquirir quaisquer livros que escolher, clique aqui.

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:
TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

 

CONVERSA ENTRE AMIGOS – 18

Hoje de manhã, quando estacionei o carro depois de deixar a minha mulher na cabeleireira, o Sr. Felício, apareceu à minha frente a cumprimentou-me.
Quando lhe perguntei “Por cá?”, informou-me que, depois de ler alguns dos nossos livros, deveria imaginar que, dirigindo-me para os lados do café, mais ou menos, a partir da direcção em que eu caminhara, ele tinha de descobrir esse local.
Como já me tinha ouvido dizer que eu, no fim do passeio, iria esperar a minha mulher perto da cabeleireira e ele conhecia uma no local donde eu vinha, tinha de descobrir essa «causa».
Riu-se com gosto, e assim começou assim o nosso diálogo

F: Doutor Noronha. Agora, até já conheço a sua senhora, além de saber quem é a cabeleireira, mas gostaria de trocar algumas palavrinhas consigo.
N: Algumas ou muitas?

F: Se fossem muitas, não me importava nada.
N: Hoje, pode estar com sorte, porque a minha mulher vai demorar bastante tempo e eu vou aproveitar o meu passeio, para ir até ao BricoDepôt para ver se eles têm uma peça do lava-louça que está estragada.

F: E vai deixar o carro aqui?
N: Absolutamente. Se quiser aproveitar, tem de ir comigo a pé, porque é assim que eu utilizo o meu tempo, tirando o máximo proveito de tudo.
Em vez de andar quilómetro e meio e ficar sentado no carro à espera, vou andando mais um bocado e converso consigo, porque não terei de olhar para si, para dar as respostas de que necessita, tal como nas consultas.

F: Calha mesmo bem, porque estou de folga na parte da manhã.
N: Deixe-me levar este saquinho e pode começar já o seu «interrogatório».

F: Os meus amigos gostaram do livro da Autoterapia (P), mas acham muito maçador e fastidioso aquilo que lá se diz.
Eu também fico confuso e não os consigo esclarecer devidamente e peço muitas desculpas se estiver a repetir as perguntas feitas anteriormente.
N: Neste caso, ouça agora tudo com muita atenção e não se distraia, por eu não estar a olhar para si.
O livro destina-se a pessoas que queiram fazer uma psicoterapia autonomamente, sem qualquer ajuda de especialistas, ou com até com pouquíssimo apoio.
No registo de autoavaliações devem constar as dificuldades de que o «paciente» se vai «queixar» ao psicólogo.
Só ele sabe quais são as suas dificuldades e ninguém, mais do que ele, tem acesso a essa informação.
A sua magnitude também é sentida pelo próprio e deve ser calculada por ele, todas as semanas, sem olhar para as anteriores.
Também deve ser registada, para saber se aumentou ou diminuiu ao longo do tempo, em que momento e em que quantidade.
Se não registar isso sem olhar para as anteriores, pode estar a falhar na sua avaliação e não conseguir calcular o momento e amplitude da alteração que pode ter havido.
– Não é isso que o «paciente» tem de dizer ao psicólogo nas consultas que tiver?
O relaxamento muscular pode ser necessário como um começo ou uma introdução para o relaxamento instantâneo e relaxamento mental.
– Quem o poderá praticar, a não ser o próprio «paciente»?
Para isso, ou se dirige ao consultório com uma regularidade de, pelo menos, duas vezes por semana e pratica-o durante 20 a 25 minutos de cada vez ou, pratica-o em casa, todas as noites, podendo até fazê-lo mais do que uma vez por dia.
Para atingir a prática necessária,  só à hora de dormir, pode conseguir treinar isso em casa, pelo menos mais sete vezes numa semana, em que nas duas do consultório!
– Não é uma vantagem em relação ao consultório, tanto em economia financeira como em tempo de deslocações e esperas com as incomodidades consequentes?
Com isso, fica apto a fazer o relaxamento instantâneo em caso de emergência, tanto quanto o relaxamento mental, logo que possível, para «entrar» no cerne da psicoterapia.
Logo que consiga entrar facilmente no relaxamento mental, é bom que a pessoa vá praticando a evocação ou recordação dos bons momentos que teve na vida.
É a base da Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA).
Mas, como a vida não se baseia só em coisas boas, quando existem as más, a pessoa sente-se desequilibrada.
Para isso, é bom que ela tenha um diário de anotações no qual vá apontando, sempre que possível, com datas, tudo aquilo de que se lembrar ou sonhar, quer seja bom ou mau.
Às vezes, quando estamos a dormir ou a não pensar em coisa alguma, surgem pensamentos ou recordações das quais nunca nos tínhamos lembrado e, provavelmente, das quais não nos recordaremos mais tarde.
Outras vezes, são os «problemas» do momento que nos «envenenam» a vida.
Tudo isso devidamente apontado, vai servir para as sessões de Imaginação Orientada (IO), que serão realizadas no consultório ou até em casa.
Como são acontecimentos ou factos relacionados com cada um e aos quais ninguém mais tem acesso, nada mais simples do que exercitar tudo isso todas as noites quando a pessoa já estiver apta a entrar em relaxamento mental.
– Contudo, como será possível ter «material» para o poder utilizar no relaxamento mental sem uma memória muito boa e discriminativa de tudo o que se passa e que pode ser vantajosamente substituída pelo diário de anotações?
A autoanálise pode ser muito boa, quando feita nas devidas condições, mas só pode beneficiar passados os primeiros 6 meses.
– O que se poderá fazer antes disso…?
– «Ir aguentando» ou «tomando comprimidos» para ajudar a baixar a angústia?
É bom recordar que os efeitos secundários ou colaterais de muitos ansiolíticos, hipnóticos, antihistamínicos, antiepilépticos, antipsicóticos, antidepressivos, relaxantes musculares, etc., são o abaixamento do nível de consciência, da vontade, da força muscular e da rapidez de reacção, mas não dos problemas em si, repercutindo-se no próprio organismo que, às vezes, vai ficando balofo e descontrolado.
No caso concreto, estamos a lidar com «problemas» que nos incomodam e dos quais nos queremos ver livres.
– Está satisfeito com esta explicação?

F: Mas como é que nos vamos ver livres das dificuldades?
N: Já que as mesmas estão «arroladas» no diário de anotações e no registo das autoavaliações, torna-se mais fácil tentar aflorá-las para o primeiro plano das nossas recordações e tentar analisá-las racional e objectivamente (e não emocionalmente) para verificar, em primeiro lugar, se serão, de facto, dificuldades ou se apenas as «sentimos» ou «percebemos» como tal, devido ao nosso «estado de espírito» no momento desses acontecimentos.

F: Acha que isso é fácil?
N: – Acha que eu não estive a prever isso e que, por isso, me apressei a publicar a 2ª edição do «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» (D)?
Foi para disponibilizar, em linguagem simples, os conhecimentos sobre o funcionamento do comportamento humano isoladamente e em interacção social.
E, as técnicas de modificação do comportamento estão lá explicadas com exemplos práticos do nosso dia-a-dia.
– Se até uma criança de 8 anos, «tratada com esta metodologia», depois de bem treinada, conseguiu utilizar os conhecimentos com um irmão recém-nascido, qual a razão de pessoas mais crescidas não o fazerem?
Este livro é muito importante para se fazer uma análise despretensiosa das nossas dificuldades e comportamentos, reportando-nos às suas «causas», de que falou há bocado, e não às culpas, com desculpas e justificações, relacionadas com o aparecimento de «respostas» ou «efeitos» que não nos interessam e que até nos incomodam.
Tudo isso que me preocupou ao longo de mais de 10 anos de consultas a crianças e seus pais com dificuldades, está explicado nesse livro para que uma pessoa com pouca instrução se possa aperceber desses fenómenos.
Foi por isso que uma colega minha, enfronhada na psicanálise, disse que o antecedente deste livro era muito «popularucho» e, foi o melhor elogio que ela me poderia ter feito.
É exactamente para o «popularucho» que eu os escrevo, porque os «entendidos» têm muitos livros «bem escritos» que podem consultar.
Pena é que, depois de muitas leituras, não saibam, às vezes, o que é o reforço negativo e o confundam com o castigo ou só com o seu efeito perverso.

F: Quer dizer que com a consulta de mais este livro, pode-se avançar.
N: Pode-se, desde que se saiba de que maneira se fará a análise da situação com base no conhecimento do funcionamento científico do comportamento humano e não nas muitas falácias que se propalam, especialmente na comunicação social.
Para falar em experiências vividas, eu tive de fazer a minha psicoterapia, em 1973/74, por mim próprio, porque o psiquiatra «me encharcava» com comprimidos, dizendo que tinha uma neurose depressiva reactiva grave, devido a problemas que poderia ter havido com o meu pai.
Nunca tive a possibilidade de «descobrir» quais eram esses problemas a não ser o de ter ficado aborrecido de ele não me ter ajudado, devido a dificuldades financeiras, a iniciar o curso de Direito, logo depois de ter completado o 7º ano do Liceu, com média de 15 valores, estando dispensado do exame de admissão exigido naquela época.
O Antunes (B), no caso de uma depressão grave, também fez uma psicoterapia autónoma, depois de muitas leituras e de conversas informais que teve comigo e o êxito foi bom, incluindo com o apoio que deu à filha.
É por isso que estou a preparar e a publicar os livros desta colecção.

F: Os livros podem ajudar muito?
N: Todos nós vamos imitando muito do que se passa à nossa volta.
Saber aquilo que se passou com os outros «pacientes» e o modo como eles reagiram para terem sucesso, pode ajudar imenso.
Por isso, também é bom saber aquilo que é aprendizagem social ou por modelo, com reforço vicariante.

F: Quer dizer que, imitando os que saíram bem-sucedidos, consegue-se fazer uma psicoterapia e qualquer pessoa poderá enveredar por esse caminho!
N: Não disse isso e só a imitação não chega.
Se assim não fosse, a Cidália (C) a «sobrinha» do Antunes, poderia tê-lo imitado e resolvido o seu problema.
Não foi assim que aconteceu e eu tive de «compreender a situação» dela, dar-lhe um «empurrão», porque só com a ajuda dele, estando bastante distante, ela não poderia melhorar das dificuldades que passava por causa de estar longe dos avós «pais, por necessidade» e por verificar que os seus próprios pais tinham uma «vida estranha».
Mas, o «caso» dela pode servir de modelo para muitos outros poderem «avançar».

F: Será que vão conseguir?
N: Não sei, porque as leituras fazem muita falta.
Todos os «casos» são diferentes, mas têm muita coisa em comum e, por isso, estou interessado em publicar o livro «Eu Não Sou MALUCO!», com o caso do Júlio (E) que foi «tratado» quase à mesa de um velho café, em 19 sessões longas, com tardes de «conversa» etc., durante oito semanas, com muita leitura de apontamentos policopiados que havia na ocasião, feita por ele e com treino de relaxamento.
Ele costumava fazer relaxamento, todas as noites, pelo menos durante uma hora, com Imaginação Orientada (J), logo que conseguia entrar em relaxamento mental, para fazer a análise da situação, depois de ter compreendido os mecanismos do comportamento humano e de lhe terem sido explicados os pressupostos e o modo como eu conduzia a psicoterapia, com demonstração no próprio café.
Em vez de ele conseguir ler as experiências dos outros, eu ajudava-o nessas tardes de conversa no café e inteirava-o acerca dos possíveis ganhos ou decepções que é necessário ultrapassar com persistência e tenacidade.
É por isso que ele, bem-sucedido na vida, está a insistir comigo para que publique o «caso» dele, o que só o farei se houver pessoas que se inscrevam já para a aquisição do livro que gostaria de publicar antes de Dezembro, se tiver pedidos suficientes.

F: É pena não ter o livro já disponível e vou tentar alertar os possíveis interessados, mas acha que os exemplos dos outros são muito importantes?
N: Julgo que há muito a fazer nesse sentido.
As pessoas, quando têm algumas dificuldades, limitam-se a ir ao psiquiatra, tomar uns medicamentos, distraírem-se e não se importarem com esses problemas porque o seu nível de consciência e de reacção baixou.
Tentam distrair-se e divertir-se com essa divergência temporária de comportamento e deixam-se iludir, julgando que estão melhores.
Contudo, embora possam «esquecer momentaneamente» esses problemas, sucumbem ainda mais do que anteriormente, quando os mesmos surgem de repente e exigem uma «toma» maior de medicamentos.
Não são poucas as pessoas que «engordam» desmesuradamente, ou talvez não, e até se comportam como «zombies» mesmo que o seu grau de instrução seja bastante alto.
Foi por isso que preparei o livro «Psicoterapias Difíceis» (M), com 4 casos bem elucidativos.

F: Existe qualquer outra solução para estas situações?
N: Posso dizer que, se a pessoa não tiver tempo e disponibilidade financeira para conduzir uma psicoterapia em consultório, frequentando-o, geralmente, duas ou mais vezes por semana, pelo menos, durante seis meses, aquilo que tiver de fazer em casa, vai exigir muita leitura e treino, com muita persistência e sem desistência, porque os desencorajamentos são «normais» e «frequentes».
É por isso que o livro «Biblioterapia» (Q), foi especificamente preparado para explicar que, todo o esforço feito por cada um, tem de redundar, não em fugir momentaneamente das dificuldades, mas sim em aprender a enfrentá-las e ultrapassá-las, com êxito.
Este livro pode ajudar a compreender isto com dois «casos» concretos.
Este procedimento, além de poupar muitas incomodidades, tempo e dinheiro vai dar uma possibilidade de cada um estar preparado para enfrentar sozinho, as dificuldades futuras, às quais sempre estaremos sujeitos.

F: Existe alguma orientação geral para estes casos?
N: Quando estive a intervir na Feira de Saúde, promovida pela Câmara de Sintra, há pouco tempo, senti a necessidade de preparar o livro «Psicoterapia… através de LIVROS…» (R).
Parece que ainda não conseguimos compreender que muito há a fazer no sentido de prevenção e profilaxia, a começar pela educação desde criança.
Tudo isso se pode fazer em tempo oportuno, não só em psicoterapia, como em apoio psicopedagógico, de interacção social e de desenvolvimento pessoalquase autonomamente, ou até com pouco apoio, para não ter de intervir mais tarde, com muitos mais custos.
A nossa maior característica é ficarmos à espera de novidades que venham de fora, ou de pessoas «badaladas» na comunicação social.
Aquilo que se está a fazer com a «prescrição de livros» no Reino Unido, só nos princípios deste século, já o tinha feito com o Júlio, em 1980, só com apontamentos policopiados, depois de ter experimentado isso em aulas de Psicologia e Psicopatologia a enfermeiros do Hospital de Vila Franca de Xira e outros, alguns anos antes.
Antes de aparecer a Psicologia Positiva, em 1990, dizendo que as boas acções desencadeiam mais felicidade, sem discriminar se as mesmas têm de ser interiormente sentidas ou aparentemente demonstradas, a Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA) (1980) já dizia isso, mas realçava que as memórias e as recordações tinham de ser revividas dentro da própria pessoa e não apenas demonstradas por ela, como fazia o comediante americano Robin Williams.
Também, a produção da dopamina pode ajudar a «levantar o astral» se a mesma for produzida por vontade própria.
– O que acontece se a pessoa não estiver satisfeita e apresentar esse aspecto numa representação, especialmente quando «o seu coração pode estar a sangrar», às vezes, ainda mais com essa representação?
É melhor não nos iludirmos com notícias e investigações vindas de fora, às vezes mal compreendidas, outras vezes mal contextualizadas, se não forem mal aplicadas, para nos deixarmos enganar ainda mais.
Basta ver o que se passa também com a inteligência emocional que é apenas «reactividade emocional» ou «quociente emocional», para não confundirmos inteligência com emoção!

F: Então, o que é que acha que se deve fazer?
N: Ler muito e ordenadamente, escolhendo os livros adequados, é o essencial.
Por este motivo estou muito empenhado em organizar, actualizar e publicar todos os livros desta colecção, com guias que já foram mencionados e publicados.
Tem de compreender que, nas minhas condições de não querer «montar um negócio», tenho de me limitar à impressão digital, com tiragem reduzida, por ter fracos recursos financeiros.
Não deixando os livros nas livrarias, os que os desejarem, têm de entrar directamente em comunicação comigo, com todas as indicações que já estão dadas e são actualizadas no blog respectivo.

F: Mas como é que as pessoas vão saber disto?
N: Já disse várias vezes, que o meu interesse é só publicar aquilo que é válido e do interesse das pessoas, beneficiando-as, tanto no que toca às consultas, como em relação à prevenção e profilaxia.
Para isso, já fiz a minha proposta de colaboração, que pode ser alterada conforme as circunstâncias e as audiências.
As instâncias respectivas ou até os próprios, têm de se organizar para incentivar a difusão ou divulgação destes conhecimentos, porque não me interessa muito a publicidade e a espectacularidade, que fica para os meios de comunicação social.

F: Mas, da sua parte não pode fazer mais nada?
N: Como já disse, várias vezes, faço o que posso com este blog «PSICOLOGIA PARA TODOS» difundindo os conhecimentos possíveis ou dando respostas aos comentários e deixando o outro «TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS» para a informação actualizada sobre os livros, alguns dos quais, tiveram a sua versão antiga publicada pela Plátano, Clássica e Hugin.
Talvez até eu possa ajudar a adquiri-los, a quem entrar em comunicação comigo.

F: E as pessoas irão ganhar com isso?
N: Não existe qualquer possibilidade de mais alguém ler por nós, compreender o que é necessário e isso é fundamental numa psicoterapia.
Se ler o livro «Psicoterapias Bem-Sucedidas – 3 casos» (L) ou os seus antecessores publicados pela Plátano e Hugin, vai verificar essas vantagens, que funcionaram à sua maneira com cada personagem, mas deram resultados muito positivos.
Destas ideias e experiências, surge a minha ambição, preocupação e ansiedade em publicar os livros e coloca-los nas mãos de quem os desejar, para os utilizar e tirar proveito com o sucesso que conseguir obter.
Com esta colaboração, empenhamento e persistência do próprio, para fazer o que é necessário, mesmo que não existam as tais palestras, poucas consultas serão necessárias para «dar conta da situação».

F: Há mais alguma coisa que as pessoas possam ler para se inteirarem melhor sobre estes assuntos?
N: Ainda não publiquei dois livros básicos «Psicologia Para Todos» (F) e «Interacção Social» (K), os quais ainda estou a rever com cuidado, mas as versões antigas, da Plátano, podem servir para mitigar as circunstâncias duma necessidade urgente, além de que o livro da JOANA (D) trata disso tudo de forma mais resumida, simples e muito simplificada.

F: Estamos quase a chegar ao carro e gostava de saber se vai publicar isto.
Desculpe o abuso, mas tenho a nossa conversa gravada.
Quer isso, ou prefere que a guarde ou inutilize?
N: Ainda bem que me diz isso e não me importo que a tenha gravado.
Empresta-me o original para eu poder publicar tudo isso, com uma certa exactidão, logo depois do almoço.
Vou colocar no post todos os links (ligações) possíveis para se compreender bem a minha ideia, indo á fonte de informação.
Dê os meus cumprimentos aos seus amigos e faço votos para que eles consigam tirar proveito de tudo isto.
É a minha maior ambição, sem estar à espera de «novidades» vindas de fora.
Nós também temos cá «cabeças» para pensar e vontade para actuar correctamente.
Boa sorte para todos, até nos encontrarmos da próxima vez para lhe devolver o original da gravação.

 

Consultou todos os links mencionados neste post?

Já leu os comentáriosVisite-nos no Facebook.

Para adquirir quaisquer livros que escolher, clique aqui.

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

CONVERSA ENTRE AMIGOS – 17

Ontem de manhã, quando dava o meu passeio habitual, o Sr. Felício, acompanhado de outra pessoa, estava à minha espera para pedir um esclarecimento.
Como tinha bastante tempo disponível, acedi ao seu pedido e entramos todos para o café.
Depois da apresentação, soube que esse senhor, especializado em informática, tinha lido o post ESCLARECIMENTO, do dia 8 de Junho e ficara satisfeito porque se encontrava em condições muito semelhantes e, agora, tinha de voltar a ausentar-se na Bélgica durantes uns meses.
A mulher, também nos anos 40, necessitava de algum apoio porque tivera também um AVC dois anos antes, estava reformada e fazia fisioterapia para poder ter uma vida aceitável em casa.
O filho tinha dificuldades na escola, mas estava a ser acompanhado por reeducadores (I).

Ele tinha lido o post e, como conhecia o Sr. Felício, já tinha lido também o livro do Antunes.
Agora, estava a meio do livro da JOANA, muito interessante, como os outros livros, pelos quais também passara uma vista de olhos, o que lhe tinha feito muito bem e, de certeza, os mesmos agradariam a muitos.
Já sabia que os livros se baseavam muito na aprendizagem para alterar o comportamento também dos outros, incluindo filhos ou colegas de trabalho.
Disse-me também que ler os livros, tinha-lhe ajudado imenso e, de certeza, mudariam a vida de muita gente, podendo fazer uma psicoterapia a custos mais baixos.
Estava a tentar difundir as ideias, mas as pessoas «não aparentavam» ter problemas e não se abriam muito e, sendo ele uma pessoa que pouco se socializava, tinha dificuldade em lhes transmitir as suas ideias.

Como me parecia estar cansado, esclareci que a maior parte das pessoas não gosta, logicamente, que os outros imaginem que ela é «fraca» e, por isso, tenta apresentar sempre uma «boa imagem».
Não teria acontecido também o mesmo com ele, antes de ler o meu post?
Se não, qual a razão de dizer que estava nas mesmas condições?
Expliquei-lhe que é muito «frequente» ou «natural», para não dizer «normal», as pessoas fazerem algum esforço para aparentar uma boa imagem, a fim de que os outros as tenham em boa consideração.
Expliquei-lhe que nos meus mais de 40 anos de clínica, não me admirava com esse comportamento, porque as pessoas que vinham à consulta, até me tentavam «apresentar» uma boa imagem, tentando «arranjar» uma boa «desculpa» para as suas dificuldades.
Com a Germana, também me tinha acontecido isso, flagrantemente, para ela entrar num choro copioso pouco depois de algumas perguntas minhas.

Explicou-me então que, para as suas dificuldades, já tinha lido e começara a praticar, há muito tempo, o que se diz na «AUTO{psico}TERAPIA» (P), que é uma metodologia que estava a tentar seguir.
Achava uma técnica muito inovadora porque conseguia ajudar as pessoas a ficar com a ideia de serem os próprios a fazer todo o trabalho.
Disse-lhe que a intenção fundamental é essa e que ninguém mais, a não ser o próprio, pode ler, compreender, pensar, recordar, imaginar ou treinar aquilo que é essencial.
Os problemas situam-se nos nossos comportamentos, os quais não podemos controlar por causa dos sentimentos e emoções que também são nossas e «comandadas» através da «cabeça» de cada um.
Se nada se alterar nessa cabeça, pouco se pode fazer no sentido de ajudar a mudar os comportamentos indesejáveis.
Ouvindo com atenção, continuou a sua intervenção.

Depois de começar a ler a JOANA, e estando a praticar a autoterapia, podia dizer-me que, em relação a ele, na sua estadia anterior na Bulgária:
− tinha-se sentido melhor ou mais aliviado em relação aos traumas da mulher − reforço secundário negativo variável
− tinha tido muitos problemas de trabalho, como habitual, mas os problemas da esposa ficavam aí postos de lado.
− em relação às questões de trabalho, as dificuldades da saída de um funcionário e a permanência de atrasos de salários da empresa, obrigavam-no a andar mais estressado, o que tinha sido diminuído com o relaxamento instantâneo, mesmo no trabalho.

Como estava a praticar a autoterapia, em relação análise feita com o relaxamento mental e imaginação orientada, apresentava algumas notas:
Sentia grande raiva por nunca ter podido confrontar o seu pai pelo mal que fizera à sua mãe (violência psicológica, abandono, etc.) e ao filhos (abandono físico e financeiro) e essa raiva muitas vezes impelia-o de não deixar nada por dizer, com alguma raiva desproporcionada, quando estava irritado no trabalho, ou a nível da família da mulher e, por isso, disparatava.
Se tinha havido essa violência, tentei explicar-lhe que o comportamento do pai podia ter-lhe causado um traumatismo negativo com tudo aquilo que ele tinha percebido naquela ocasião, ficando modelado com isso.
Se as coisas já tinham acontecido, o que poderia ele fazer agora?
Essas coisas não se esquecem, mas ficam a «moer-nos» e permanecem como traumatismos negativos, só se os deixarmos que isso aconteça (Q).

Então, geralmente, vamos ao psiquiatra para ele nos receitar alguns comprimidos que nos deixam meio desenxabidos e «alheios» aos problemas (esses e outros) que já existem e, com esse reforço secundário negativo, ficamos «viciados» na sua «toma», às vezes, pela vida fora, com doses cada vez maiores, para conseguirem provocar o mesmo efeito inicial.
Outras vezes, vamos ao psicólogo para desabafar e obter algum consolo, ficando na sua dependência porque é a única pessoa que nos compreende.
Às vezes, em psicanalise e até em algumas psicoterapias, é assim.
Se estava a ler os meus livros, disse-lhe que visse o caso do Tiago, apresentado na Cidália, a «sobrinha» do Antunes, a quem ele tinha ajudado a sair do alcoolismo e das relações sexuais promíscuas em que ela se estava a «atolar» (C(61…).
O Tiago não queria deixar a companhia do psicólogo porque era o único com quem podia desabafar e obter consolação.

Ouvindo-me com atenção, disse-me que parecia que estava a transferir essa questão, mal resolvida, do pai para outras situações do dia-a-dia e acrescentou:
− O facto de me ter afastado da família do meu pai após a morte da minha avó e de me terem deserdado, também me afectou, pois era muito amigo de um dos meus primos desse lado.
− Agora, uma das «guerras» que tenho, é com os meus cunhados (irmã da minha mulher e marido) que nunca demonstraram interesse no apoio à minha mulher e tentaram aproveitar-se financeiramente da sua situação.
− São pessoas de quem nunca gostei: frias, nariz empinado, egoístas, egocêntricas…..bestas autênticas.
Como o vi algum tanto emocionado, pedi para pensar naquilo que poderia fazer para «resolver» ou «evitar» a situação.
Gritar com eles dava resultado?
Maltratá-los fazia alguma diferença, além de ele apenas poder descarregar momentâneamente a sua angústia?
O que mais «ganhava» com isso?
Isso seria uma resposta à frustração que sentia, um «deslocamento» quase inútil e de alívio temporário (A), podendo ser contreproducente no futuro.
O importante seria ele tentar «descobrir» qual a solução mais adequada para essa situação dentro dos meios ao seu dispor.

Dando o exemplo do Joel (G), disse-lhe que ele tinha praticado o disparate de tentar estrangular a noiva, obtendo resultados totalmente contraproducentes.
Quando foi devidamente apoiado e alterou completamente o seu comportamento, compreendendo toda a situação, até me solicitou uma lista de procedimentos, transformada agora em livro específico, em sua memória (P).
Com o seu disparate, o Joel  tinha ficado em psiquiatria, com um «rótulo» interessante e que não merecia nem era adequado – psicopata!!!.
O relaxamento mental e a Imaginação Orientada (IO) serviriam para o seu caso, mas necessitava de ter muita prática, capacidade de analisar objectiva e racionalmente toda a situação, tentando descobrir «os meios» ao seu dispor para «resolver» a situação a seu contento.
Eu também estava a tentar descobrir os meios de fazer funcionar a verdadeira biblioterapia, em psicoterapia e não nas diversas tonalidades utilizadas para outros fins.
No caso actual, a técnica associada da Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA) também o deveria ajudar a desenterrar, recordar e reviver os bons momentos passados na sua vida.

Depois de me ouvir, disse:
– Após o divórcio dos meus pais, acho que estive muito isolado em casa, sem amigos, o que me afecta ainda hoje, não ajudando a socializar-me com outras pessoas.
− Tenho dificuldade, principalmente em manter amigos, porque vejo sempre defeitos.
− Os pensamentos que ainda me chateiam, durante algum tempo, várias vezes ao dia, são os relacionados com os meus cunhados (raiva) e o afastamento da família do pai (sonho com esses meus primos).
− Incomoda-me o facto de não ter podido dizer ao meu pai o que achava da situação, por ser novo na altura e ele ter morrido também novo.
Compreendendo a situação, perguntei se o «caso» apresentado no post ao qual ele aludiu, seria semelhante.
Disse-me que lhe assentava como uma luva, tirando alguns pormenores.
Isso levou-me a explicar que os «casos» que eu apresentava não eram para ser «imitados» mas para cada um «retirar» dos mesmos aquilo que mais interessasse, «adaptando» tudo à situação do momento.

Insisti com ele para que lesse bem o que é a aprendizagem social ou aprendizagem por modelo, com reforço vicariante, que até pode influenciar os filhos quando os pais vêem, muitas vezes, muito emocionados, as telenovelas e outras notícias que podem não ser «muito edificantes» para os filhos.
E ele, juntamente com a esposa, tinham de ter esse cuidado.
Tinham um filho a quem deveriam ajudar a estruturar uma personalidade equilibrada (D).
O exemplo dos seus pais e os erros cometidos tinham de ser analisados e tidos em conta para um novo comportamento melhor e mais adequado para cada situação.
Disse-lhe que o meu intuito fundamental da biblioterapia era esse, já desde 1980, apenas com apontamentos policopiados.
A publicação inicial dos livros também tinha um intuito semelhante, mas que agora está muito mais definido, quando comecei a ver que no Reino Unido e EUA, estão a utilizar, salvo erro, só desde os princípios deste século, a «prescrição de livros» como um meio de fazer psicoterapia, porque os seus serviços de saúde não comportam as despesas com as consultas individuais.
Infelizmente, em Portugal, ficamos à espera de que sejam os estrangeiros a dar-nos as «novidades»….,  para as copiarmos, às vezes, muito mal e com efeitos pouco convincentes.

Como eles estavam a querer saber mais alguma coisa sobre este assunto e eu também tinha tempo disponível, continuamos a conversa, especialmente com a intervenção do Sr. Felício.

F: Então, como vai o seu projecto de Biblioterapia?
N: Estou a tentar, por todas as formas possíveis, divulgar a ideia, o que é difícil entre nós.

F: Já li o seu último post e compreendo perfeitamente o modo como são cá utilizadas certas palavras para tirarem delas proveito diferente ou utilizarem-nas para outros fins.
N: Estou a tentar fazer compreender que a minha actuação e os livros que estou a rever e reorganizar, destinam-se a ajudar as pessoas a tornarem-se, tanto quanto possível, autónomas dos psicólogos e psiquiatras, mantendo um bom equilíbrio psicológico e fazendo uma profilaxia para o futuro duma boa saúde mental.
Contudo, sem as tais palestras, de que estou a falar muitas vezes, pouco ou nada se poderá fazer.
As pessoas têm de compreender que estou, em parte, a «remar contra a maré», numa terra em que ficamos à espera de novidades vindas de fora, parecendo que nada de válido temos entre nós.
Os livros têm de ser difundidos, publicados e explicados e eu não desejo «montar um negócio» relacionado com isso.
Além disso, só me interessa continuar a publicar os livros de forma restrita, se eles forem do interesse do público.
Por isso, quer as pessoas, quer as instituições têm de mostrar interesse, servindo-se dos livros e adquirindo-os directamente, à medida que os for publicando, lentamente, à medida das necessidades e das minhas possibilidades.
Não tenho dinheiro para os publicar imediatamente nem os tenciono deixar nas mãos duma editora, distribuidora ou livraria, para evitar o que aconteceu anteriormente.
Estou agora a pensar seriamente na publicação dos «casos» do Júlio (E), do Joel (G), das Psicoterapias Difíceis (M) e na Imaginação Orientada (J) que são muito interessantes, embora parte de alguns dos antecessores destes livros tenha sido publicada pela Plátano.
Como estão também no facebook, o tempo dirá o que se pode fazer se as pessoas quiserem.
E, também no facebook, prefiro que as pessoas consigam utilizar as ideias difundidas em vez de colocarem apenas o «gosto».

F: No caso deste nosso amigo recomenda alguma coisa?
N: Posso dizer que vale a pena ele praticar bastante o relaxamento muscular até conseguir fazer rapidamente o relaxamento instantâneo.
Estou a lembrar-me que deve manter um diário onde possa registar, mesmo que sucintamente, tudo aquilo que acontecer ou de que se lembrar fora do vulgar.
Quando conseguir fazer rapidamente o relaxamento muscular e entrar no relaxamento mental, vale a pena dormir começando a relembrar muitas coisas da sua vida, especialmente as boas.
Se fizer o registo das dificuldades e o mantiver actualizado com autoavaliações semanais, vai ter um instrumento com que poderá avaliar o grau maior ou menor das dificuldades e a sua evolução ao logo do tempo.
A autoanálise, praticada devidamente, pode ajudar ainda mais, depois dos primeiros 6 meses.
Entretanto, passado algum tempo dos exercícios, pode experimentar recordar algum momento de arrelia e fazer de imediato o relaxamento muscular ou instantâneo e verificar se essa recordação continua, diminui, desvanece ou desaparece (TEA).
Se conseguir ter êxito na sua diminuição, pode tentar provocar a recordação e tentar analisa-la racional e objectivamente, fazendo um esforço para verificar se poderia ter agido de maneira diferente.
Se se sentir angustiado, desiste, faz de novo o relaxamento muscular e tenta recordar os bons momentos.
Se tiver êxito na análise, tenta verificar novas maneiras de actuar, com os meios de que dispõe.

F: Isso chegará?
N: Não chega, de certeza, mas vai aliviar bastante e, se necessitar de psicoterapia, será uma ajuda bastante eficaz, porque já estará apto a fazer todo esse trabalho em casa, deixando as partes mais problemáticas para o consultório do especialista, que ajudará a resolvê-las rapidamente.
Com o Januário, de «Psicoterapia Para Quê?» (Plátano) (L), foi um fim-de-semana frutífero.
É por isso que estou ansioso em publicar os livros mas, se forem necessários agora, existem os sete que já foram publicados e, na Plátano e na Hugin, os antecessores dos outros.
O seu amigo que não se esqueça também de dar apoio à esposa, recordando os bons momentos que deve ter passado com ela, para até não se conseguir nos momentos mais propícios, socializar muito com outras pessoas.
Quando entrar em contacto com ela, lá do sítio onde estiver, ele que faça recordar os bons momentos e, ao ouvir algumas «queixas» ou «desditas» que ela possa relatar, «mude de conversa» (rci) e vá pensando na sua solução.
Encontrando alguma solução, volte ao assunto e diga-lhe aquilo que pode fazer para ultrapassar a situação, sem a tentar «consolar com palavras bonitas».
Com estes exemplos, o filho vai crescer num ambiente mais saudável e capaz de ultrapassar frustrações, que serão muito frequentes no nosso mundo muito competitivo e desumano.
Compreende a minha «ansiedade?» em pôr de pé estas ideias?

F: É pena que não se possa motivar as pessoas para um projecto deste tipo.
N: Estou a fazer os possíveis e, por isso, mantenho os blogs e não desisto de reorganizar os livros e deixa-los todos prontos para qualquer eventual publicação, porque os livros são muito importantes.
Repare que é necessário ler muito e compreender tudo muito bem, porque é tudo bastabte diferente daquilo que se propala na comunicação social.
A pessoa que tem problemas não está insatisfeita com eles? Não os quer alterar? Qual a origem desses problemas? Qual é a causa?
Se a causa for alterada, não haverá alteração nesses problemas – efeitos?
Se formos atacados, não nos iremos defender e a causa do nosso receio não será o atacante?
A solução pode ser a autodefesa ou a utilização de guarda-costas.
Enquanto a autoterapia é a autodefesa, o psicólogo pode ser o guarda-costas, que não sei se estará sempre disponível e quanto é que irá custar.
Na autodefesa, o treino tem de ser feito por cada um, compreendendo toda a situação, em qualquer momento e sem despesas.
E, se tivermos bom-senso, compreenderemos isso com facilidade.

F: Gostei desta explicação e não vai colocar a nossa conversa ou encontro no seu blog? 
N: Estou a pensar no assunto, mas só o farei depois de uma noite bem passada em Imaginação Orientada (IO).
Não julgue que recomendo aos outros aquilo que não faço comigo.
Estou a ser quase teimoso e isso pode estar a acontecer porque fiz quase toda a minha aprendizagem com reforço negativo, isto é, com ligeiras punições que, para não provocarem frustração, exigiram que fosse sempre avançando… num sentido certo e vai ver isso nas primeiras páginas da JOANA (D).
Pode descobrir isso perfeitamente no livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R)
Além disso, as críticas e sugestões que me fizeram, ajudaram a reorganizar o livro sobre «BIBLIOTERAPIA» (Q) que vai ter agora 152 páginas na 2ª edição, com bastantes informações importantes.
É por isso que gosto das críticas e das avaliações honestas.

 

Consultou todos os links mencionados neste post?

Já leu os comentáriosVisite-nos no Facebook.

Para adquirir quaisquer livros que escolher, clique aqui.

Ver também os posts anteriores sobre BIBLIOTERAPIA

É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSIVO de cada livro editado em post individual.

Blogs relacionados:

TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “História do nosso Blog, sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique aqui

Post Navigation

%d bloggers like this: