PSICOLOGIA PARA TODOS

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ESCLARECIMENTO

Quando estava no fim do meio passeio habitual, o Sr. Felício com um outro senhor, pareciam que estavam ansiosamente à minha espera, à porta do café por onde eu passaria.
Dirigindo-se a mim, o Sr. Felício disse que aguardavam a minha presença para um esclarecimento, visto que o senhor que o acompanhava necessitava de apoio em consultório, pelo menos no mês seguinte, mas que já tinha na sua posse vários dos meus livros que ele lhe emprestara.
Tive de os esclarecer que podia demorar apenas 10 minutos para «eles mostrarem o seu valor» porque a minha mulher deveria estar à minha espera para regressar a casa.

Então, os dois informaram-me que esse senhor estava a sentir-se inquieto e com receio de poder afectar o filho que, em tempos, tinha sido diagnosticado com o síndroma de Asperger, mas que agora já estava melhor, porque se sujeitara a um tratamento psicológico com jogos, etc.
Depois disso, o Sr. Felício disse-me era preferível que o senhor resumisse pessoalmente as suas informações, porque já o tinha industriado em relação a isso, para falar comigo.

Ouvindo a sua história, que me fez lembrar o «caso» de Perfeccionista», soube que esse senhor tinha 40 anos, era casado com uma colega de curso, também informática, chefiava um departamento e tinha de estar quase metade do ano em Moçambique, onde estavam a instalar uma espécie de sucursal da empresa sediada em Portugal.
Quanto a ele, tinha tido uma infância mais ou menos boa, sem dificuldades económicas, porque o pai era consultor e orientava algumas empresas no Norte, ficando muito tempo ausente de casa.
Contudo, até quando estava em casa, passava horas a fio fechado no seu gabinete.

Quando ele tinha 14 anos, os pais separaram-se, ficando ele com a mãe, porque diziam que o pai estava afectado por uma doença incurável e tinha tendência homossexual.
Nessa ocasião, custou-lhe muito aguentar a situação e começou a sentir as primeiras dificuldades financeiras.
Por isso, aos 18 anos teve de começar a trabalhar enquanto estudava, o que não acontecia com os seus colegas, nem com a mulher, que foi o seu principal apoio.
Concluiu o curso superior com 24 anos, casaram-se e ambos começaram a trabalhar.

Há 3 anos, a esposa teve um AVC, com várias complicações fisiológicas e ele começou a tomar mais comprimidos antidepressivos e ansiolíticos aos quais se habituara desde há vários anos.
Como estava a sentir-se pior, com mais problemas e estava com dificuldades financeiras para consultas, tinha pedido ajuda ao Sr. Felício, que lhe emprestara os seus livros, recomendando que praticasse a autoterapia.

Porém, logo no registo de autoavaliações a «sensação de ser rejeitado» e «medo de falar com outras pessoas» tinham uma conotação muito baixa.
Quais os outros sintomas que deveria avaliar, já que não estavam mencionados?
Não sabia o que deveria fazer mas, por recomendação do Sr. Felício, pensava ler o livro da JOANA, logo que acabasse de ler, com cuidado o livro da autoterapia e de fazer o teste final.

Quando lhe perguntei quais seriam as suas queixas numa consulta de psicologia, disse-me que «sentia uma tristeza profunda», tinha «dificuldade em lidar com a esposa», «preocupação com bens materiais», «dificuldade em rir», coisa que fazia antigamente, «receio em falar da sua família» e haveria mais dificuldades a relatar.
Quando lhe perguntei se já praticava o relaxamento muscular, disse que estava a tentar, mas que não conseguia fazer o relaxamento mental, porque não sabia como iria sentir as pernas, os braços etc. sem lhes tocar.

Como não tinha mais tempo disponível, mas compreendendo a situação, disse-lhe que me ia embora, comprometendo-me a fazer um novo post com o título de ESCLARECIMENTO, no mesmo dia ou no dia seguinte.
Também lhe disse que fosse praticando apenas o relaxamento muscular, pedindo ajuda ao Sr. Felício, se possível, para saber se estava a proceder bem.
Os dois agradeceram-me e o Sr. Felício disse que o ajudaria, devendo ele ir à consulta dentro de alguns dias.

Quando cheguei a casa, estive a «rever» toda a situação, compreendendo que deveriam existir alguns mal-entendidos quanto à autoterapia, além de vários recalcamentos, bem camuflados e justificados, que teriam de ser devidamente analisados, compreendidos, arrumados e, se possível, resolvidos com novos comportamentos mais favoráveis e, possivelmente, sem comprimidos.
Por isso, resolvi «dormir» sobre este assunto e fazer o post só hoje, para melhor o informar.

Compreendi que esse senhor deveria estar a sentir alguma ansiedade, com sentimentos de depressão que não o ajudavam até a compreender bem um panorama real.
A sua percepção poderia estar a ser distorcida pelos factos ocorridos no passado e pelos acontecimentos com a esposa e com o filho.
Se ele me tinha informado que algumas das suas dificuldades eram «sentir uma tristeza profunda», «dificuldade em lidar com a esposa», «preocupação com bens materiais», «dificuldade em rir», «receio em falar da sua família», qual a razão de não as enumerar e avaliar, já que imaginava que tinha feito uma avaliação com os dois sintomas hipoteticamente apresentados no livro, como exemplo?
Ele tinha de enumerar todas as suas dificuldades para as poder avaliar semanalmente e mostrar-me esses quadros quando viesse à consulta, sendo importante que fizesse autoavaliações regulares, sem ver as anteriores e num mesmo dia da semana, para se poder fazer uma comparação fidedigna do andamento do processo de reequilíbrio psicológico.
O relaxamento muscular também era importante porque, no final, poderia descansar um pouco e pensar na sua vida.
Por isso, seria muito bom fazer esse relaxamento à hora de dormir – passadas pelo menos três horas depois do jantar –, para poder continuar na cama ou, como alternativa, tentar reservar cerca de uma hora para estar completamento disponível e sem interrupções.
O relaxamento instantâneo iria fazendo, em quelquer lado, depois de praticar devidamente o muscular e, por isso, não tinha de se preocupar com o mesmo.

Ele não necessitava de ler o livro da JOANA, mas tentar ler o «caso» da Cidália e talvez o do Antunes, que tinha realizado a psicoterapia autonomamente.
Como, muitas vezes, os exemplos dos outros são uma grande ajuda para realizarmos as nossas tarefas, estou muito empenhado em publicar o «caso» do Júlio, para exemplificar o modo como o empenhamento e a colaboração do próprio são muito importantes, porque cada um tem de ler e compreender muito bem como tudo funciona, especialmente o comportamento, treinar o suficiente e não desistir quando surgirem as primeiras dificuldades e frustrações, devido ao pico de extinção.

Para as pessoas compreenderem isto, voltei a publicar o livro da JOANA porque, nessa história ficcionada de uma criança e sua família, estão englobadas centenas de consultas feitas a muitas mais «JOANAS» e seus pais, em mais do que uma dezena de anos de consultas.
É uma espécie de apresentação da modificação do comportamento com conceitos e termos técnicos, em linguagem simples e exemplos daquilo que acontece connosco no dia-a-dia.
É também por isso, que estou a ter a ideia de fazer um novo post com um índice remissivo que, mencionando uma palavra com o respectivo conceito, possa orientar o leitor para as páginas onde isso pode ser apreendido no livro  da Joana.

Infelizmente, com as técnicas de marketing e publicidade, muito utilizadas na comunicação social, muitas pessoas impressionam-se exageradamente com o título do livro sem se darem ao trabalho de ver, pelo menos, o seu conteúdo ou, pelo menos, o resumo na contra-capa com as credenciais dos autores.
Em psicoterapia, não podemos fiar-nos nisso, porque temos de ir ao fundo da questão e tentar resolver s aituação.

Resumindo tudo isto, se esse senhor desejar uma consulta, pode e deve:

♦ – Independentemente de ler ou não o livro da AUTOTERAPIA, praticar afincadamente o relaxamento muscular todas as noites ou mais do que uma vez por dia, reservando pelo menos uma hora para esse isolamento.
♦ – Depois dos cerca de 25 minutos do relaxamento muscular, ir pensando na sua vida, presente, passada e talvez futura, tomando nota das ideias, imagens ou recordações, especialmente as melhores.
♦ – Podendo fazer isso quando acorda, escrever tudo isso num caderno, sempre com data, esperando que surjam mais recordações, sem as forçar.
Nesses momentos, além dos acontecimentos do dia-a-dia, podem surgir recordações de várias coisas ocorridas no passado.
♦ – Tomar nota das suas dificuldades mais importantes, avaliá-las quantitativamente e continuar este procedimento todas as semanas no mesmo dia.
♦ – Depois dos 25 minutos iniciais do relaxamento muscular, deve ser possível cada um sentir ou tomar consciência das diversas partes do corpo.
Também é provável que comecem a surgir várias recordações que serão importantes para a psicoterapia de profundidade, sendo vantajoso que tudo isso fique anotado.
♦ – Ler o livro da Cidália e, depois, o do Antunes, pode ajudar muito, porque o do Júlio ainda não está publicado.
Este livro, muitíssimo interessante para a psicoterapia, só será publicado se houver inscrições para a sua aquisição.
♦ – Tudo o resto poderá ser feito nas consulktas ou sessões de psicoterapia, com muito maior repidez e eficácia, se houver todo o «trabalho de casa» que ficou mencionado → treino, leitura, recordação, anotação, persistência.

Existem várias dúvidas que se podem esclarecer publicamente antes ou durante uma psicoterapia para a encurtar, melhorar, tornar mais cómoda e económica.
É por isso que estou a falar sempre nas palestras que podem ajudar muito, embora os livros em si, bem orientadas, também possam apoiar e muito mais.
Como exemplo, posso dizer que os esclarecimentos deste post, com muitas mais conversas, seriam dados em, pelo menos 3 consultas, se não houvesse nem livros nem palestras.
Quantas viagens fará uma pessoa, em quanto tempo, para assistir às três consultas?
− Quanto tempo de demora existirá nessas consultas?
− Qual será a incomodidade das horas de atendimento?
− Quanto se gastará, em dinheiro, nessas consultas, transportes, etc.?
− Quem poderá praticar o relaxamento, a não ser o próprio?
− Se não o praticar em casa, essa pessoa não terá de fazer isso no consultório, pagando os respectivos honorários?
− Quem poderá fazer a autoavaliação semanal a não ser o próprio?
− Se não fizer isso em casa, não terá de fazer no consultório, pagando os respectivos honorários?
− Como se poderá «avançar» para um estado de relaxamento mental profundo e Imaginação Orientada (IO) com (TEA) e autohipnose, para se chegar ao não-consciente ou inconsciente sem toda a prática e treino anterior?

Fazendo uma comparação, podemos também perguntar:
Quanto tempo gastará uma pessoa para ler este post?
Em que locais, momentos e posições poderá fazer isso?
Quanto dinheiro gastará com isso?
Isto não é economia, comodidade e autonomia?

É por isso que espero que esse senhor leia atentamente este post, pratique aquilo que é necessário e que foi aqui mencionado, sem se preocupar muito com a resposta às provas de autoconhecimento, do relaxamento mental, do relaxamento instantâneo e da leitura desse livro até ao fim.
Tudo isso irá acontecendo aos poucos, quando se treinar bem no relaxamento muscular, na recordação e registo dos acontecimentos e autoavaliação dos sintomas.
Em tudo isso, a percepção de cada um é muitíssimo importante.

Na figura à direita, vê-se o queixo da adolescente
ou a ponta do nariz duma velhota?

As leituras recomendadas poderão ajudar ainda mais para prosseguir a psicoterapia, com sucesso, quando se apresentar na consulta dentro de dias.

Afinal, toda a psicoterapia tem de ser feita pelo próprio, com a sua cabeça, colaboração, treino e persistência, embora o psicólogo possa orientar, motivar e ajudar a encontrar o melhor caminho.

Deste modo, a psicoterapia, com pouquíssima ajuda, pode ser muito mais benéfica, duradoura, económica e propiciadora de aprendizagem para a resolução ou evitamento de futuras dificuldades, talvez até sem a utilização de medicamentos, que têm efeitos colaterais ou secundários e prejudiciais. 

Para mais esclarecimentos, podem ser lidos, com calma, os livros relacionados com «PSICOTERAPIA… através de LIVROS...», «BIBLIOTERAPIA», «Psicoterapias bem-sucedidas – 3 casos» e, para verificar aquilo que se pode  «perder» sem uma intervenção e EDUCAÇÃO atempadas e adequadas, temos «Psicoterapias Difíceis» ou os seus substitutos anteriores ou antecedentes.

 

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RESPOSTA – 55

Face ao comentário seguinte feito no post «AUTOANÁLISE»:

Mário e Zélia de Noronha,
Eu não sei bem o que dizer, nem mesmo o que escrever.
O que sinto é que poderia ser mais e não consigo por algum entrave ou até de estar com uma visão distorcida das coisas.
Tenho 30 anos e tenho inúmeros comportamentos infantis.
Posso estar a transferir a minha mágoa de não ter sido acarinhada em criança para a minha relação amorosa.
Não consigo impor-me, deixo sempre que todos façam de mim o que querem. Depois eu própria crio desculpas para comportamentos de falta de respeito dos meus pais para comigo.
Temo não ser adulta suficiente para reter um emprego, apesar das boas oportunidades que já tive.
Ajuda dizer que tenho uma irmã (1ano mais velha) e um casal de meios irmãos (14anos mais velhos)?
Antes eu era diferente.
Até ao 5 ano tinha uma perspectiva e tinha uma curiosidade insaciável, depois parece que adormeci. Parece que já nada me afecta.
Ajuda dizer que antes eu queria muito, muito comunicar tudo o que aprendia e aos poucos, sem que ninguém me falasse, reparei que todos em casa me gozavam por andar a “chatear” os professores até à porta da sala deles?
Talvez até esteja a ser enormemente dramática e nem tenho problema algum…Não sei, estou tão confusa.
tive de pensar bem no assunto antes de lhe dar uma resposta adequada.

 

Prezada Lara

Pelo pouco que me descreve, julgo que devem existir traumatismos, provavelmente profundos e muito bem recalcados, que tem de ser revividos, analisados, compreendidos e «arrumados» em local próprio para, com essa aprendizagem, «construir» novos comportamentos compensatórios e adequados para o momento actual.

Geralmente, isso consegue-se com uma psicoterapia adequada que, no seu caso, calculo que, com muita colaboração sua, não deve demorar menos de 6 meses, com cerca de 2 sessões por semana ou períodos de terapia correspondente, podendo continuar por muito mais tempo.

Contudo, como o comentário foi feito num post, julgo que o deve ter lido com cuidado.

A autoanálise tem indicações específicas e só pode ter alguma utilidade ao fim de 6 meses de escrita como está especificado também em outro post.

Além disso, só a autoanálise, tal como se propagandeia na biblioterapia, não ocasiona resultados aceitáveis quando não é combinada e bem orientada com um bom relaxamento mental e psicoterapia adequada.

Eu reli esse post e julgo que a Lara não me disse coisa alguma sobre aquilo que faz e que está recomendado nele.

Agradeço que o leia de novo, com todos os links, e experimente fazer aquilo que está recomendado.

Se ainda tiver dificuldades, espero que me contacte pelo email [mariodenoronha@gmail.com], apenas para lhe dar mais alguns esclarecimentos muito pessoalizados, porque não faço consultas à distância, por correspondência. 

Por acaso, as suas palavras fizeram-me lembrar o caso duma jovem que está descrita e ocasionou o livro «Biblioterapia». (Q)

Este caso, em que havia a separação dos pais, já com outras famílias constituídas, não ficou resolvido porque o tio dela não a conseguiu ajudar devidamente, embora ambos julguem que está, porque continua a tomar os comprimidos que lhe são receitados para a ansiedade e depressão.

Como ela começou a conviver bastante com os amigos, coisa que não fazia nos últimos tempos, acham que o caso ficou resolvido, mas não sabem que dentro de algum tempo, à mais pequena dificuldade, pode recrudescer e avolumar-se de forma incomensurável.

Depois, serão feitos diagnósticos maravilhosos, sujeitando-se a pessoa aos medicamentos que alienam cada vez mais como no caso do «Pasteleiro» e da «Perfeccionista» (M).

Se estas duas senhoras elas se empenhassem nas leituras adequadas e praticassem o relaxamento, com poucas sessões poderiam resolver o seu problema do momento, preparando-se para enfrentar futuras dificuldades.    

No entanto, posso dizer que o meu amigo Antunes, depois de muita «conversa», conseguiu fazer autoterapia descrita em «Acredita em Ti. Sê Perseverante!» (B).

Com a sua experiência, conseguiu ajudar a sua «sobrinha» Cidália que, por causa duma situação familiar traumatizante com os pais, que a tinham abandonado à nascença nas mãos dos avós, sofrendo duma forte depressão, se ia alcoolizando e mantendo relações sexuais promiscuas → «Eu Também CONSEGUI!» (C).

Às vezes, esses traumatismos são tão insignificantes que nem o próprio pode admitir que lhe tenham provocado algum dano, tal como aconteceu com o Júlio, de «Eu Não Sou MALUCO!» (E), que esteve longe dos pais, bem instalado em Lisboa, para poder estudar desde o 5º até ao 10º ano, porque na sua terra, naquela época, isso não era possível.  

Porém, se quiser fazer uma psicoterapia por si, pode utilizar as indicações dadas em «AUTO{psico}TERAPIA» (P).

Não se esqueça que tem de ler o suficiente e ir treinando em casa de acordo com as indicações dadas no livro.

Serão passos que terá de seguir se fizer uma psicoterapia adequada e eficaz autónoma ou acompanhada, apoiada ou orientada por um psicólogo para obter resultados sólidos e duradouras.

Numa boa psicoterapia, o objectivo fundamental é ajudar a pessoa a aprender a ultrapassar as suas dificuldades do momento, tornando-se autónoma e capaz de enfrentar o futuro com optimismo.

Foi o que se «conversou» bastante com o casal JOLA durante mais de 3 horas, o que deu origem a que eles quisessem ficar com os livros necessários em vez de terem de vir várias vezes, do Algarve para Sintra, para serem pontualmente ajudados.

O resultado dessa conversa foi o comentário de satisfação deles, passadas apenas duas semanas.  

Por causa da explicação dessas vantagens, publicámos recentemente o livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R)

No caso dos livros, a fim de que haja sempre uma actualização e possibilidades de orientação, os que os desejam podem recorrer ao post respectivo dos blogs e solicitá-los.

Além disso, estão a ser mantidas três páginas no facebook:

– Uma em nome do seu gestor Mário de Noronha

– Outra em nome da BILBLIOTERAPIA

– E a terceira em nome de Centro De Psicologia Clínica

Em qualquer dessas páginas, peço desculpas por não saber trabalhar com as mensagens ou messages.

Por isso, tem de me contactar pelo meu email, que já conhece.  

Como já tive ocasião de explicar em várias ocasiões, estou muito mais interessado em ajudar as pessoas a tornarem-se independentes ou autónomas, para conseguirem ultrapassar as suas dificuldades do momento, preparando-se para enfrentar e ultrapassar autonomamente as seguintes, que serão inevitáveis.

É exactamente por isso que estou interessado em publicar todos os 18 livros da colecção da Biblioterapia, a começar pelo do Júlio, seguido do caso do Joel e da «Imaginação Orientada» (J) depois de ter tornado a publicar há pouco tempo o livro da JOANA (D), que é essencial para se compreender, em linguagem simples, despretensiosa e divertida, os fundamentos do funcionamento do comportamento humano e da sua modificação.  

É só com muita leitura, e treino que se conseguirá reequilibrar uma personalidade desequilibrada, podendo até evitar-se esse desequilíbrio com uma «EDUCAÇÃO» adequada.

A Cristina (L) que o diga.

Esses livros estão comigo e podem ser solicitados com facilidade.

Depois de ler este post, com todos os links nele mencionados, se necessário, espero que me contacte, se não desejar ficar na «dependência» da psicoterapia dum psicólogo, ou dos medicamentos dum psiquiatra, com todas as despesas, incomodidades e efeitos colaterais que isso pode acarretar.

Se não conseguir fazer, pelo menos, isso – ler tudo – é melhor solicitar uma consulta para expor o problema mais adequadamente.

É também por isso que pugno por algumas palestras promovidas pelos interessados ou por quem de direito, a fim de se poderem dar vários esclarecimentos muito úteis e que evitam inúmeras crises desnecessárias.

Na figura à direita vê o queixo duma adolescente ou  o nariz duma velha? 

Boa sorte e até à próxima.

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COMENTÁRIO – 2

De manhã, quando abri a caixa dos e-mails, tinha o texto que vou reproduzir, quase na íntegra, mas reorganizado e com anotações e links, que me parecem bastante importantes para pessoas que sabem pouco de psicologia, psicoterapia e farmacoterapia, relacionados com os casos de neuroses e, especialmente, das menos graves.

 

“Estimado Dr. Noronha.
Agradecemos imenso mais uma vez a sua ajuda no domingo em que, quase há duas semanas, passámos horas a fio a «conversar» e a «praticar».
À noite, depois do telefonema da minha amiga e da informação de que o pai dela estaria cá entre 25 de abril e 1 de maio, fomos seguindo as indicações que ela deu, parecendo que o pai dela estava nas proximidades.

Com o nosso comentário anterior e a sua pronta resposta de concordância, fui seguindo as indicações que o Sr. Antunes tinha dado através da filha e pratiquei bastante tudo isso com a ajuda do meu marido quando ele se encontrava em casa.
Ambos fomos lendo e ficamos muitíssimo admirados com o seu caso apresentado em «Acredita em Ti. Sê Perseverante!» (B).
Seguidamente, lemos «Como «EDUCAR» Hoje», da Hugin (L), ficando surpreendidos com o modo como uma educação muito «simpática» e «civilizada» pode ajudar uma criança a formar ideias confusas na sua cabeça e a criar «problemas» posteriores.
Isso deixou-nos confusos porque não imaginávamos que isso pudesse acontecer.

Com os exercícios e as anotações que eu tinha de fazer, sempre acompanhada pelo meu marido, ainda tivemos tempo de dar um golpe de vista por «Para Que Serve a Psicologia? (J), da Plátano, de que gostámos imenso.
Afinal, o Sr. Antunes, leu muito e conversou imenso consigo, em Lagos e, por isso, ficamos ansiosamente à espera dele, porque nos pareceu que ele sabia bastante acerca deste assunto.

Quando ele chegou cá, descansou da viagem no dia 25 e começou a tratar dos assuntos da família em 26 e 27.
Em 28, o meu marido conseguiu folga e pudemos falar com o Sr. Antunes, que se mostrou muito satisfeito por termos seguido,  com a sua concordância, as indicações dadas por ele.
Ele ficou admirado que já tivéssemos lido os livros sobre o caso dele e da Cristina e que, o das «conversas» dele consigo já tivesse sido encetado.

Quis saber quais eram os meus problemas e eu disse-lhe que os dois mais importantes eram apenas:
ficava muitíssimo perturbada e com suores frios quando tinha de enfrentar multidões ou estava no meio delas;
não me sentia bem quando estava num quarto fechado e a falta de ar obrigava-me a abrir as portas ou a janela, o que era mau quando chovia, porque nem o estore podia baixar.

Ele ouviu-nos e disse que valia a pena ler agora, com atenção, o livro da JOANA (D), mesmo enquanto estivéssemos a ler o das conversas dele consigo.
Como eu não deveria poder fazer, de imediato, uma terapia de profundidade, devia experimentar sozinha uma dessensibilização.
Devíamos poder compreender isso com a leitura do livro da JOANA ou, se necessário, ele podia emprestar os 5 livros de «Modificação do Comportamento» (F) publicados pela Plátano.
Contudo, o procedimento era simples.
Explicou que era quase o mesmo que foi utilizado inicialmente com o JOEL, cujo caso foi apresentado no 1º Congresso de Psicologia, em Lisboa, em 1979, sob o título «ESTUDO DE UM CASO – Psicopatia», com a presença anónima do próprio e muitos comentários pouco adequados de alguns participantes, psicólogos, sem qualquer reacção hostil da parte dele.
Já que o livro com o «caso dele» ainda não tinha sido publicado, ele enviaria juntamente com os livros, a brochura do Centro de Psicologia Clínica, «A Psicologia e as Terapias», onde a comunicação tinha sido publicada, só em 1983.
Embora se consiga ler muito mal esse artigo, poderia servir de alguma ajuda.

Por isso, imaginando que eu teria alguns desses problemas, ele tinha insistido em que eu praticasse o relaxamento muscular e o instantâneo, que mantivesse o diário de anotações e que fizesse uma lista das dificuldades, avaliando-as semanalmente.
Isso era importante para conseguir saber se estava a melhorar ou a piorar com os exercícios que fizesse.

Continuando a conversar, disse que embora não pudesse e devesse dar conselhos sobre isso, podia descrever as experiências dele e aquilo que ele faria no meu caso, tal como aconteceu no caso dele.
Se ele estivesse no meu caso, iria deitar-se, fechar os olhos e recordar momentos de ter estado no meio de uma grande multidão de pessoas.
Iria manter isso na mente durante 1 minuto e, logo depois, faria uma contracção/descontracção como no relaxamento muscular.

Depois, iria verificar se se lembrava desse receio de estar no meio da multidão e fazer uma avaliação desse medo.
Para isso era importante a prática da auto-avaliação.
A presença e o apoio do marido era bastante importante, não só para marcar os tempos com um conta-segundos, mas ainda para ajudar a tomar nota dessa avaliação.
Depois, valia a pena continuar a fazer esses exercícios várias vezes para verificar se a autoavaliação ficava alterada.
Para isso, a prática do relaxamento muscular e instantâneo era muito importante.
Bastava a auto-avaliação ficar reduzida apenas 1 ponto para conseguir compreender que os exercícios de «dessensibilização» estavam a dar resultado positivo.
Repetir este exercício cerca de 10 vezes todas as noites seria muito bom, especialmente se o praticasse apenas com as duas dificuldades que eu tinha mencionado.
As memórias deviam estar ainda muito frescas.
Depois, podia ficar a descansar e a relembrar os bons momentos da minha vida.

Desejando experimentar este procedimento com apoio, fomos para o quarto e, deitada por cima das roupas da cama, fiz este exercício três vezes.
Ele mostrou ao meu marido como é que ele também poderia ajudar, anotando o tempo para recordar e manter a dificuldade na memória durante 1 minuto, dando depois a indicação para fazer o relaxamento brusco e respirar normalmente.
Podia também ajudar a tomar nota da auto-avaliação da recordação da dificuldade.
Isso daria um bom começo para o relaxamento mental, para ir praticando mais tarde a Imaginação Orientada.

Com estas informações obtidas no sábado, depois de termos deitado a nossa a filha, fomos praticar isso quase durante uma hora e o resultado foi conseguir baixar esses medos em quase 1 ponto.
A conversa com o Sr. Antunes tinha sido de grande ajuda por causa da possibilidade de obter algum apoio dele, naquele momento, por ser uma pessoa já experiente.

No domingo, quando voltamos a falar com ele, cerca das 10.30, estava a ver um programa da «SOS – DONOS EM APUROS, na CMTv».
Disse-nos que esse programa com cães, servia para os pais aprenderem muito, como se fossem os treinadores dos filhos para eles aprenderem a dar-se bem na vida.
Baseava-se muito no condicionamento operante, aprendizagem e reforço e mostrou-se muito satisfeito com o resultado atingido por mim, advertindo que essas melhoras poderiam não ser tão rápidas e até diminuírem de vez em quando.
Para compreender isso, seria bom ler o livro da JOANA com cuidado, além dos 5 volumes pequenos sobre «Como Modificar o Comportamento» e a revista do CPC com os artigos sobre o caso do Joel e sobre Auto-Terapia, que eu receberia pelo correio, porque nós não iríamos a Lisboa tão cedo.
Era necessário compreendermos muito bem o modo como o comportamento humano funciona, especialmente no que toca a aprendizagem, reforço, condicionamento, facilitação, pico de extinção, etc.
Enquanto não recebêssemos os livros sobre a «Modificação do Comportamento», o livro da JOANA, embora não fosse o ideal, poderia ajudar muito a compreender isso, já que «Eu Não Sou MALUCO!» (E) ainda não estava publicado.

Esteve a falar connosco durante muito tempo, explicando que, no seu caso, a impossibilidade de continuar o curso de Direito, a falha financeira por causa da morte súbita do pai e a má colocação dum testamento «bem guardado» por ele, tinham-no conduzido a uma depressão grave, que ocasionava ao mesmo tempo uma forte depressão na mulher e falhas graves nos resultados académicos da filha.
Se não tivesse resolvido o seu caso, que destino teria a família dele?
O que seria dele, que ficaria inutilizado para o seu trabalho?
O que seria da mulher?
O que faria a filha com maus resultados na escola e comportamentos perturbados?
Com que dinheiro iriam sobreviver depois de tudo isso?

Baseando-se muito no seu exemplo, recomendou que o exercício fosse feito pelo menos durante cerca de uma hora todas as noites, mesmo que o marido não estivesse em casa para dar apoio.
O importante era insistir todos os dias, pelo menos durante o primeiro mês.
Depois disso, poderia continuar com menos insistência, mas valia a pena prolongar durante bastante tempo porque era à hora de dormir.
Depois, à medida que fosse ganhando prática, o relaxamento muscular poderia ser relaxamento instantâneo, conseguindo passar facilmente para relaxamento mental, com muito mais à-vontade.
Para isso, tínhamos de ler com cuidado o livro da «AUTO{psico}Terapia» (P) até ao fim e ir praticando com perseverança, tudo o resto, durante anos.
Ele ainda praticava tudo isso de vez em quando, mas não demorava mais do que 3 a 5 minutos à hora de dormir e também não necessitava de tomar nota do que fosse acontecendo porque recordava-se de tudo, logo que se fosse deitar.
As vantagens das aprendizagens e dos condicionamentos eram essas.
Poderíamos assim descobrir cenas da vida em que vários outros medos tivessem começado e continuado com os condicionamentos ocorridos, sendo aumentados com o reforço negativo e sua repetição.

Recomendou-nos que fosse lendo também os «casos» da Cidália, da Germana e do Januário, em suas antigas versões, que já tínhamos adquirido, quando da visita a Sintra.
Isso poderia ajudar-nos a obter algum «reforço vicariante positivo» para seguir esses modelos de persistência e de treino em casa.
Como ainda não tínhamos o «SAÚDE MENTAL sem psicopatologia» (A) para conseguir mais informações sobre a chamada «doença mental», valia a pena ler com cuidado os dois livros ultimamente publicados.
– «BiblioTerapia» (Q) daria as indicações necessárias para compreender que aprender a ultrapassar dificuldades, é muito mais importante do que tentar apenas fugir das mesmas, reduzi-las ou tentar ignorá-las, porque os condicionamentos podem funcionar a todo o momento tornando a vida num constante desassossego.
– «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R) serviria para verificar que a leitura, com gosto, pode ajudar a superar muitas dificuldades, coisa que também tinha acontecido com ele quase duas décadas antes.

Recomendou que nos mantivéssemos firmes, comunicando-lhe alguma coisa de vez em quando, nem que fosse nos telefonemas para a filha.
Teríamos muito tempo para isso e para discutir tudo se necessário se, por causa dos nossos afazeres, não fossemos antes a Lisboa.
Eles e a família da filha estariam em Manta Rota, mais do que um mês, nas férias dos netos.
Nessa ocasião, talvez ele pudesse dar alguma ajuda suplementar, com as leituras que fazia e com os telefonemas para o seu amigo psicólogo.

Insistiu para que não desistíssemos de fazer os exercícios, porque poderiam também influenciar positivamente e nossa filha.
Disse que o exemplo dado pelos pais, a confiança demonstrada, a firmeza, a simpatia e a compreensão, juntamente com uma autoridade racional e bem enquadrada, são muito importantes para ajudar os filhos a «crescer mentalmente saudáveis» e evitar muito do que se vê e ouve nos meios de comunicação social.
Situações dessas não faltavam mas, se fossem evitadas, muito se poderia ganhar.
Disse-nos que um futuro melhor, tanto nosso como da sociedade, poderia depender disso.

O Sr. Antunes também disse que já tinha lido os primeiros originais de quase todos os livros da colecção da Biblioterapia e que tinha pena de ser muito difícil publica-los do modo como o autor queria, em impressão digital, com tiragem reduzida, sem distribuidor e sem os deixar, pelo menos, em algumas livrarias de confiança.
Quem quisesse os livros tinha de os solicitar directamente ao autor, por email para ele.

O Sr. Antunes tratou dos seus últimos assuntos na segunda-feira e, na terça, logo de manhã, foram-se embora para o Porto, para poderem estar com a família da filha à hora do jantar.
Assim terminou este encontro, à espera do próximo, nas férias grandes, mas com um incentivo muito grande para nós podermos continuar a trabalhar e a obter melhores resultados.

Com o seu regresso ao Porto, recebemos logo no dia seguinte, enviadas pela filha do Sr. Antunes por correio expresso, os livros e a brochura prometidos, porque ele devia ter telefonado à filha para os enviar com urgência.
Cada vez mais incentivados pela sua conversa e informações, além da ênfase que ele colocou no caso do Joel, fomos lendo este caso.
Depois, lendo os outros livros nas horas vagas, fui praticando aquilo que tinha feito com a sua ajuda e com a do Sr. Antunes.
Passaram-se assim dois dias em que os medos baixaram mais 1 ponto.

Fomos continuando com os exercícios, enquanto começávamos com novas leituras, cada um de nós com a sua.
Especialmente o caso do Joel, impressionou-nos muitíssimo.
Entretanto, os meus sintomas, no sábado à noite, continuavam com o abaixamento dos 2 pontos já conseguidos.
Fiquei satisfeita e entusiasmada, porque começaram a surgir na minha mente algumas recordações em que eu ficava quase petrificada com esses medos quando tinha 7 a 8 anos e as minhas tias não me deixavam fugir, envergonhando-me com isso e sem qualquer outra ajuda.

Julgo que vou ler com cuidado as páginas finais de Auto{psico}Terapia (P) e tentar seguir aquilo que lá está descrito.
Vou tendo comigo o meu marido, que me tem dado bastante ajuda.
Se calhar, até vou tentar fazer a tal Autoanálise, como deve ser, só durante 5 minutos.
Na loja onde estou, de vez em quando, fico a ver o seu blog para descobrir alguma coisa que me interesse e parece que já me estou a sentir um pouco melhor, lendo de vez em quando alguns dos artigos que lá estão publicadas.

Vou esperar que as coisas mudem e que possa dar uma ajuda bastante grande à nossa filha.
Afinal, se eu tivesse tido uma ajuda adequada dos pais e restantes familiares, talvez não tivesse as dificuldades actuais.
São estas as informações que posso dar até ao momento.
Embora prefira comentários, estamos a escrever este email para dizer pormenorizadamente aquilo que se passou.
Como é noite de domingo, temos mais disponibilidade.
Se assim o desejar, pode transformar tudo isso em comentário, adaptando-o da maneira que achar mais conveniente.
Mas ………………………………….
JOLA”

************************

Depois desta longa carta explicativa do que se tinha passado, recebida nesta manhã, vou transformá-la imediatamente em comentário de JOLA, por vontade deste casal, que ganhou alguma coisa com as «conversas fiadas» que foram tendo há alguns dias, com as leituras orientadas que fizeram, com os treinos efectuados, sendo mantidos com a persistência demonstrada ao longo de mais de duas semanas.
Concordando com tudo aquilo que combinaram com o meu amigo Antunes, recomendo que, além da leitura cuidadosa de tudo, a recordação das dificuldades antigas seja iniciada, vivenciada e contrariada com o relaxamento instantâneo.
É bom que depois, exista um período de recordação da coisas boas, podendo até ser imaginado o modo como as dificuldades inicialmente recordadas poderiam ter sido contrariadas, reduzidas, eliminadas ou evitadas.
O período de tempo para a recordação de dificuldades deve ir diminuindo, as recordações boas surgirão mais rapidamente e até poderão surgir formas de comportamento com que se poderiam ter evitado essas dificuldades.
Se, ao fim de 6 meses destes exercícios, houver uma diminuição de mais 2 pontos na avaliação das dificuldades, já é bom sinal e a possibilidade de começar a ler as anotações da autoanálise pode ajudar muito mais.
Desejo-vos felicidades e bom êxito na terapia feita à distância

M. de Noronha

 

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TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

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CONVERSA ENTRE AMIGOS – 14

Há dias, o meu amigo Antunes telefonou para nos desejar uma boa Páscoa e dizer que uma senhora a viver no Algarve, amiga de infância da filha, gostaria de «falar» comigo porque ela tinha algumas dificuldades, tais como sentir-se mal no meio de muita gente, desconforto em estar em locais ou ambientes fechados, calores e transpiração súbita e abundante ao estar no meio duma multidão, além de outras coisas que não me especificou.
Ela tinha consigo o livro «AUTO{psico}TERAPIA» (P) que a filha dele lhe emprestara no Natal, mas não conseguia utilizá-lo devidamente, além de que não obtinha resultados palpáveis.

A médica de família tinha-a encaminhado para um psicólogo, que lhe disse que isso era timidez, não fazendo muita diferença, tendo-a aconselhado a conviver mais, dizendo que deveria continuar com algumas consultas de psicoterapia.
A filha do Antunes desejava ajuda-la e, como sabia que ela fora consultada por um psicólogo, sem resultados palpáveis e com o aumento das dificuldades, tinha pedido ao pai que lhe desse algum apoio se fosse possível.

Como o Antunes já me conhecia bem, para evitar a tal «arenga» que ele tinha feito no início do seu problema, esclareceu-me que essa senhora estava a trabalhar como auxiliar numa loja de electrodomésticos e informática e que o marido, mais ou menos da mesma idade, era segurança, trabalhando por turnos.
Ambos tinam o 10º ano de escolaridade, davam-se bem e tinham uma filha, um pouco mais velha do que o seu neto e que já apresentava um certo receio de enfrentar aglomerações, não tendo muita vontade de continuar os estudos.
Os problemas dessa senhora estavam a aumentar, embora se desse bem com o marido e com a sociedade.
Por isso, os pais estavam com medo que a filha também ficasse afectada, porque receavam que a hereditariedade influenciasse e desorganizasse a vida dela.

Não seria possível eu «falar» com eles e dar-lhes algum apoio ou orientação, já que eu compreendia isso muito bem, demonstrando-o com a recente publicação da JOANA?
O Antunes sabia, por experiência própria, que as pessoas relacionam muito as suas dificuldades com a hereditariedade e com o comportamento dos outros, como se nada se pudesse fazer acerca do assunto, a não ser tomar medicamentos e ir aguentando tudo isso ao longo da vida, como já tinha acontecido e fora quase confirmado pelo psicólogo consultado.

Como sabia que eu gostava de «despachar» as coisas com rapidez, obtendo bons resultados sem desperdiçar tempo, além de que eles não podiam deslocar-se muitas vezes a Lisboa, já tinha explicado aos interessados a minha maneira de ser e de actuar e estava a dar-me as indicações julgadas imprescindíveis, informando que ela possuía apenas o livro da «AUTO{psico}TERAPIA» emprestado pela sua filha.
Logo que fosse possível, eles telefonariam para tentar combinar uma data aceitável para mim, dentro dos condicionalismos a que também eles estavam sujeitos.

Já que eles tinham o livro, respondi ao Antunes que lhe fizesse compreender que a «autoavaliação» semanal dos sintomas é muito importante e que a prática do «relaxamento muscular» torna-se indispensável, mesmo antes da 1ª consulta, para se poder iniciar uma psicoterapia de forma mais autónoma possível.
Quanto ao resto, não tendo mais livros, poderiam consultar os dois blogs e, especialmente, os excertos apresentados nos três  textos já publicados em 2012, com as Respostas 17, 19, e 20.

Este «trabalho» apenas poderia ser feito por eles e não por mim ou em consulta, podendo até socorrerem-se do «down-load» desses posts para ela ler tudo em casa, com calma, até com a ajuda do marido.
Quanto à filha deles, seria bom que o Antunes se lembrasse da sua própria filha e que aconselhasse o casal a aumentar a comunicação com ela, dando «bons» exemplos.
Em conversas entre os pais e com a filha apresentariam bons exemplos de pessoas que são bem-sucedidas com melhores estudos e com o comportamento de estar à vontade no meio da multidão.
Contudo, para ocasionar uma nova aprendizagem social, por modelo e reforço vicariante, não a «forçariam» a ver isso, quer ao vivo quer até em filmes.
Quando preveni o meu amigo Antunes de que eu poderia querer gravar toda a conversa para uma futura utilização ou até para fazer um post que pudesse ser útil para mais pessoas, a pronta resposta dele foi que já tinha «tratado» de tudo, porque me conhecia muito bem, até com as «conversas» que tínhamos tido anos antes, em Lagos.
Tinha também explicado à senhora que as minhas intervenções poderiam ser muitíssimo prolongadas como se fossem várias consultas.
Por isso, eles já deveriam ir prevenidos…
Queria apenas que eu não me referisse a ele como Antunes, mas com o seu nome verdadeiro com o qual eles o conheciam.
Assim, até eu poderia falar do «seu» livro, acerca do qual ele já se referira vagamente para demonstrar que cada um pode fazer uma psicoterapia sem a ajuda de outra pessoa.
Por isso, neste post, o meu amigo Antunes, vai ficar referenciado como «Anónimo» para evitar «confusões» que poderiam
acontecer se fosse tratado com o seu nome verdadeiro!

Quando o casal, que combinou vir num domingo, porque os restantes dias ocasionavam confusões no trabalho, chegou às 10 da manhã, começámos logo a tratar das dificuldades da senhora porque eles já vinham «totalmente industriados» em todos os sentidos pela filha do Anónimo.
A primeira coisa que fizemos, foi abrir o livro «AUTO{psico}TERAPIA» que tinham trazido consigo e fomos falando (ou dialogando: → casal = C; Noronha = N ) acerca do mesmo e dos exercícios feitos em casa, abrindo, de imediato a 1ª parte na página 9.

NJá fizeram a lista das dificuldades e o «Registo de Autoavaliações»?
C − Bem. Não sabíamos como deveríamos fazer e que isso era importante e, por isso, deixamos para depois.
Mas lemos aqueles artigos que foram publicados no blogue de que o Sr. Anónimo falou.

NSe não fizeram isso, quem mais pode fazer isso por vocês?
É a única maneira de «medir» ou avaliar as dificuldades e saber se elas aumentam ou diminuem com o tempo e com os exercícios que estiver a fazer.
Que eu saiba, a senhora «sente-se desconfortável em ambientes fechados», «sente-se mal no meio de muita gente» «sente calor e transpira abundantemente quando está no meio da multidão».
Limitando-nos apenas a estes três sintomas que diz que a incomodam, interessa avaliar cada um deles neste momento, utilizando a escala de 0 a 10 que se encontra na página seguinte.
Depois, no mapa ou quadro que se vê no topo dessa mesma página 10, coloca a cruzinha respectiva em cada uma das folhas que for preparada para isso e para todos os outros sintomas que ambos descobrirem quando chegarem a casa e estiverem a pensar em tudo, com calma.
Talvez seja bom deixar o domingo como dia da avaliação semanal.
C – Obrigado. Isto já está compreendido e a avaliação é 9 no primeiro e 8 nos dois seguintes.

N − Já que conseguimos avançar um pouco, vamos para a página 13 para experimentar o «Relaxamento Muscular» seguindo aquilo que está no livro.
Deite-se na marquesa e tente descontrair-se o melhor que puder sem pensar em coisa alguma → bastam apenas 2 minutos.
Agora, vá inspirando pelo nariz, até encher completamente o peito de ar, para o reter lá dentro a maior quantidade de tempo possível, com todos os músculos do corpo bem contraídos ou apertados, até não conseguir aguentar mais.
É como se estivesse muitíssimo zangada com alguém e com vontade de dar um valente murro.
Depois, quando já não aguentar mais, abra a boca e deixe sair o ar bruscamente, sem forçar, até o peito ficar completamente vazio.
Deve sentir algum cansaço só com isso.
Vá tentando respirar «normalmente», sem forçar, com 2, 3 ou 4 inspirações/expirações regulares.
Volte a repetir o ciclo → inspirar / encher completamente o peito / contrair todos os músculos / reter o ar o máximo tempo possível / abrir a boca e expirar bruscamente / fazer algumas respirações «normais».
Provavelmente, ao fim de mais ou menos 25 exercícios deste tipo, deve sentir-se cansada e com vontade de descansar.
Descanse à vontade e, se não estiver a dormir, vá tentando pensar em várias coisas boas que aconteceram na sua vida. 
C Já consegui apanhar o jeito, só com estas duas inspirações/expirações e parece que consegui aprender alguma coisa que não tinha conseguido antes.
Em casa, ficava muito tensa, tentava relaxar e, às vezes, aborrecia-me por não o conseguir.

NConseguiu verificar que as coisas são muito mais simples do que às vezes imaginamos?
Se fosse a uma consulta, a primeira consulta seria para a senhora me dizer aquilo que o meu amigo me contou acerca de si, para elaborar a sua história pessoal e compreender o seu caso ou dificuldades.
Depois falaria neste livro, para ajudar a senhora a tomar consciência daquilo que tem de fazer e que pode fazer em casa sozinha, sem a ajuda de qualquer especialista.
Ajudaria também a fazer várias vezes este exercício que tem de ser repetido todos os dias ou noites, até conseguir relaxar-se em muito menos tempo, podendo até ficar em sonolência ou a dormir.
Agora, em casa, até pode ter a ajuda do marido e, se quiser, pode ajudar a sua filha a olhar para os seus exercícios, para ela aprender com os mesmos.
É uma preparação para ela não ter «receios» e «medos» e até para «progredir» na escola, melhorando a interacção com as colegas.
Os exemplos de casa servem de muito.
C Agradeço imenso esta consulta. Não é preciso mais nada? Quando é que teremos de vir outra vez?

NSe quiserem vir para mais consultas eu não me importo mas, de acordo com o que o meu amigo me pediu, vou tentar «despachar-vos» o melhor e o mais rapidamente que puder ainda hoje, se não estiverem com pressa.
C – Então….!

NVamos já para a página 15 do livro e verificar que «Relaxamento Muscular» que acabou de fazer, depois de experimentado e praticado durante alguns dias na cama, tem de ser praticado em qualquer lado, podendo ser num maple, numa cadeira ou até em pé, passando a ser assim «Relaxamento Instantâneo». 
É importante que se faça isso porque o mesmo pode ser necessário nos momentos mais imprevisíveis, por exemplo, enquanto estiver no meio duma multidão.
Neste caso, qual é a cama que vai utilizar para fazer isso?
Ou vai ficar a transpirar abundantemente com vontade de fugir desse local, sem possibilidades para isso?
E como vai contrariar os efeitos gastrointestinais que surgem, muitas vezes, nestas condições?
É bom pensar nisso e estar apta a enfrentar as situações → Antes Prevenir que tarde Remediar, e mal.
C Já vamos mais descansados.

NEu é que não acabei! Estão com muita pressa?
C − Por nós, podemos ficar cá mais duas a três horas pelo menos, para depois comermos alguma coisa antes de regressar a Manta Rota a fim de estar em casa pelo menos às oito da tarde.

N Então, tem muito que aguentar, porque eu também quero saber a opinião das pessoas, com «conversas» deste tipo.
Até agora, sem desvendar as «dificuldades» da senhora, que qualquer pessoa tem, diga-me se não seria possível fazer esta conversa com um grupo de 30 ou 40 pessoas, voluntariando-se uma delas para se deitar numa manta, no chão, e experimentar o relaxamento muscular para os outros verem?
C Achamos que nada de particular ou confidencial se disse até aqui e tudo poderia ser feito em público.

N Já conseguem compreender a minha preocupação em fazer palestras para muitas pessoas e publicar os livros que as possam ajudar a ter uma vida saudável, sem desequilíbrios psicológicos?
Mas, o que a senhora fez até agora não chega para isso.
Muitos dos nossos problemas − pequenos ou grandes, mas que se vão avolumando com o tempo – devem-se a factos que aconteceram no passado e que, às vezes são despertados com acontecimentos do momento, que julgamos ser

 completamente inofensivos e que não fazem qualquer diferença em certas ocasiões e em algumas pessoas.
Para isso, é necessário manter um «Diário de Anotações» explicado na página 17 do livro, a fim de descobrir se existe qualquer coisa actual que possa despertar esses medos ou dificuldades, que houve no passado e que ficaram «camuflados», «mal enterrados» ou «soterrados» durante vários anos, sem nos fazerem muita diferença.
São os tais recalcamentos.
Os mesmos não se manifestam nem se evidenciam enquanto houver forças para os reter ou quando houver comportamentos de fuga ou de evitamento que diminuam o seu impacto.
Para isso, é necessário saber o modo como o comportamento humano funciona, conhecendo os conceitos das aprendizagens, especialmente a social ou por modelo, pico de extinção, estímulos, leis do efeito e da repetição, condicionamentos, reforços primário, secundário ou social, positivo, negativo, imediato e diferido ou a longo prazo, vicariante, aleatório, de comportamento incompatível, facilitação e pressão social, dissonância cognitiva, motivação e várias outras coisas.
Tudo isto teve de ser explicado a muitos pais e crianças e ficou agora conglomerado na história ficcionada da JOANA.
Este livro é muito importante para que as pessoas sem instrução especial possam compreender e utilizar esses conhecimentos em seu benefício que, por sua vez, podem ser revertidos a favor duma sociedade menos desequilibrada do que a nossa, especialmente em quase todo o mundo que se considera civilizado.
Porém, quando tive o «caso» da Joana, os pais dela tiveram de ler apontamentos mais sofisticados que ficaram agora englobados nos livros «PSICOLOGIA PARA TODOS», «INTERACÇÃO SOCIAL» e «SAÚDE MENTAL sem psicopatologia».
Esses apontamentos policopiados para os cursos de enfermagem, deram origem aos livros antigos, publicados pela Plátano Editora, com outros nomes e estão explicitados agora no blog «TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS»
C Já estamos a ficar mais esclarecidos e não sabíamos bem que havia mais livros e ainda não lemos este até ao fim.
Mas, qual é a utilidade desses livros?

NVamos continuando a conversar, para explicar que a minha preocupação de publicar os livros ao meu gosto, insere-se na necessidade de fazer alguma coisa para evitar os malefícios que estamos a ver, incluindo os seus.
Em vez de os tentar apenas reduzir depois de se manifestarem e de causarem bastantes prejuízos e inquietações, vergonhas e dissabores, podemos evitá-los e até ajudar os filhos a ter uma vida saudável e melhor do que a nossa.
Sabendo aquilo que os outros fizeram, podemos aprender muito e tentar imitar aqueles que tiveram bons resultados.
Isso dá-nos força para continuar a insistir nos exercícios que, às vezes, tornam-se fastidiosos e desencorajantes.
Por exemplo, no registo das avaliações, depois de conseguirmos bastantes avanços, começa um declínio ou um retrocesso brusco e grande, que nos pode deixar completamente desencorajados e com vontade de desistir, o que acontece, muitas vezes, e, especialmente aos que começam a deixar a medicação bruscamente.
É o pico de extinção de que temos de tomar conhecimento.
C − Quer dizer que há muita coisa de que temos de tomar conhecimento?

NConseguem compreender que, se não fizerem os exercícios e as leituras necessárias vão ter de pedir conselhos constantes, ficando dependentes das consultas até nos momentos de maior aflição, quando podem não conseguir esse apoio?
Foi por isso que me preocupei com o Júlio e tentei ajudá-lo quase à mesa de um velho café, onde nos encontrámos durante cerca de 3 horas de cada vez, em 1980, durante 19 tardes, nos intervalos das minhas aulas de manhã e de tarde.
Não tinha melhor oportunidade ou solução e essas quase 60 horas, equivalentes e 120 períodos de psicoterapia, chegaram para o ajudar a resolver um problema que ele não tinha conseguido diminuir no ano e meio anterior, com dois tratamentos medicamentosos de 15 dias cada, feitos de 5 em 5 meses.
E afinal, o mal dele era ficar desorientado, tal como a senhora, e a causa disso era ele ter-se sentido «desterrado» ou «enjeitado» pelos pais, quando teve de estar em Lisboa, dos 10 aos 16 anos, apesar de bem instalado em casa do primo e padrinho, para poder estudar, aquilo que na sua terra, perto de Coimbra, não podia fazer, tendo chumbado no 10º ano.
Os seus três irmãos bastante mais novos é que conseguiram estudar muito mais do que ele, no seu tempo.
Sendo agora empresário de sucesso, com curso superior e boa família, foi um dos que me incitou a publicar os livros, dizendo que se os houvesse no seu tempo, poderiam tê-lo ajudado imenso.
Insistiu comigo nessa ideia 20 anos depois, quando me encontrou em Lisboa e voltou a insistir 10 anos mais tarde.
Sem querer, as pessoas que leem as suas histórias, vão extraindo dai aquilo que lhes interessa, para os imitar, se possível.
É a aprendizagem social, por modelo, com reforço vicariante.
Não é isso que acontece também na moda?
C − Já estamos a compreender melhor a história dos livros e parece que está a fazer sentido.

NMas, no caso dele, tivemos de fazer todo o «trabalho» só com apontamentos mais técnicos do que os do livro da JOANA. Entretanto, a nossa conversa não acabou porque ainda não se falou na «Autoanálise» que está descrita a partir de página 19, mas que é opcional, embora vantajosa.
Torna-se muito útil para os que querem fazer um tratamento eficaz e prolongado, ficando aptos para enfrentar o futuro com confiança e esperança de melhores dias.
Leiam isso com atenção, porque não é um «Diário de Anotações» e só pode ser lido em determinadas condições, muito tempo depois de escrito, sem preocupação com a ortografia, correcção, etc., durante a escrita.
É como se a caneta estivesse ligada ao cérebro e fosse rabiscando automaticamente no papel, sem parar, sem pensar ou construir as frases.
Mas agora, o mais importante é o «Relaxamento Mental» apresentado na página 21 e que a senhora vai tentar fazer deitando-se outra vez para facilitar as coisas e para o experimentar e praticar em casa.
Agora, faça três vezes o «Relaxamento Muscular» e, depois das inspirações e expirações finais, feche os olhos e tente sentir todo o corpo.
Vá sentindo as mãos, os pés, os braços, as pernas, os músculos de nuca, do pescoço, da testa, dos olhos… sem tentar contrair e descontrair seja o que for.
Tome consciência de todas essas partes do corpo, sentindo-as muito bem sem as tentar contrair ou descontrair → apenas sentir.
Vai verificar que, aos poucos, irá sentir os músculos menos tensos e, talvez, vontade de fechar os olhos….
C − Já estou a sentir todo o corpo, com olhos cansados.

 

NÓptimo.
Pode agora fechar os olhos, sem fazer força e tentar recordar as coisas boas da sua vida, quaisquer que sejam.
Se se lembrar de alguma coisa boa, o seu dedo polegar da mão direita vai-se levantar e continuar levantado enquanto as recordações continuarem.
Quando o dedo baixar, vou saber que as recordações desapareceram e pode abrir os olhos, com calma.
C Consegui lembrar-me de muitas coisas da infância e tinha os olhos pesados antes de os abrir.

NJá verificou aquilo que é o «Relaxamento Mental» durante cerca de 4 minutos, porque até entrou num estado hipnoidal, com a dificuldade final de abrir os olhos.
Em casa, pode ir para a cama, iniciar o «Relaxamento Muscular» e quando sentir que está cansada, fechar os olhos, sentir o corpo e iniciar o «Relaxamento Mental» para começar a tentar recordar muitos dos factos bons que aconteceram na sua vida e que podem continuar a acontecer.
É a Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA) em que as recordações boas são utilizadas para contrariar as más a fim de nos dar um certo ânimo, alento e incentivo para combater as dificuldades e frustrações que sempre existirão.
Com isso, será possível «engendrar» um futuro, com as aprendizagens feitas a fim de combater as dificuldades do momento.
Para isso, vai servir a «Imaginação Orientada» (IO) apresentada a partir da página 23.
Tudo o que se passou de bom na nossa vida, serve para nos dar ânimo e coragem, ajudando a enfrentar a vida.
O mal que aconteceu deve ser cuidadosamente analisado, verificando as suas causas e as possibilidades de ter procedido de outro modo.
Se nos tivermos recordado de um insucesso, será bom verificar se haveria possibilidade de o ter evitado ou combatido com as possibilidades do momento.
É uma aprendizagem a fazer com os erros do passado para descobrir se, procedendo de outro modo, poderíamos ter melhores resultados.
De qualquer modo, a aprendizagem feita com estas recordações servirá para imaginar de que modo poderemos actuar para ultrapassar as dificuldades que irão surgindo ao longo da vida.
Podemos planear um futuro melhor, dentro das nossas possibilidades, mas temos de ser realistas e objectivos.
C Parece que já percebemos muita coisa e o modo como podemos agir no futuro.

NHaveria mais alguém que pudesse fazer por si aquilo que a senhora fez?
Não acha que temos de ser nós próprios a mudar a nossa mentalidade e comportamentos para alterar muita coisa?
Como exemplo, posso citar o «Januário», descrito no livro «Psicoterapia Para Quê?» a quem foi dado apoio apenas num fim-de-semana, em Lagos, para nunca mais ter necessidade de apoio e de ter sua vida completamente mudada. 
Repare que ele, já tinha ficado desiludido com os tratamentos de medicamentos, psicanálise e psicoterapia aos quais se sujeitara, anos antes de conhecer a mulher, que também fora minha paciente.
Mas, grande parte do sucesso dele deveu-se a ela, por ele ter sido quase «obrigado» pela mulher a ler muita coisa e a praticar o relaxamento muscular e mental em casa, antes de qualquer consulta comigo.
Por sua vez ela a «Germana», apresentada em «STRESS? Reduza-o Já!» devido a várias outras dificuldades, tinha sido ajudada por mim com recurso a muitas leituras e treino em casa, tendo chegado quase a desistir, no início.
Porém, fora obrigada por uma amiga a continuar o «tratamento», porque exige muita persistência do interessado e o «tio» dela conhecia-me muito bem. 
A leitura e a compreensão do funcionamento do comportamento humano fazem muita falta e, se não for assim, há necessidade de «gastar» ou «desperdiçar» muito tempo para explicar tudo isso, disfarçadamente, porque a pessoa não admite que que tenha desequilíbrios psicológicos porque «não se sente maluca»!
Foi o que aconteceu com a «Cristina», descrita em «Como «EDUCAR» Hoje!», da Hugin, que só pôde ter o apoio necessário com mais do que o dobro do tempo exigido no consultório e muito mais do que seria preciso se ela fizesse as leituras e os treinos indispensáveis desde o início.
Estras três «casos», embora já publicados vão ser aglomerados no livro «Psicoterapias Bem-Sucedidas – 3 casos».
C – Gostaríamos de conseguir ler esses livros, mas…fica para a próxima.

NJá que parece que ficaram entusiasmadas com a psicoterapia feita com poucas consultas, posso perguntar se não seria ainda melhor fazê-la autonomamente.
C Bom, Isso seria o ideal.

NJá que me respondem que é o ideal, porque é que não falam com ele?
C − Como?

N Não foi ele que os mandou para cá?
C Não compreendemos.

NNão? Quando chegar o verão, falem com ele, mais do que com a filha mas, antes disso, leiam o livro «Acredita em Ti. Sê Perseverante!»
Será um bom começo para o vosso diálogo e uma boa ajuda que pode ser dada até nas férias porque eles devem lá estar pelo menos durante um mês, ou mais.
Deve ficar tudo muito mais perto do que vir a Lisboa.
A Germana e o Januário também são de lá, mas não posso revelar os seus nomes.
E se quiserem saber o que pode acontecer quando a educação e o ambiente familiar são desagradáveis, podem ler a história de Joel apresentada em «PSICOPATA! Eu?», mas eu posso dar-vos a brochura que tem o texto da comunicação apresentada no 1º Congresso de Psicologia, em 1979.
Além do Júlio que me incentivou a pensar na colecção de Biblioterapia, o último desejo do Joel foi transformado no livro que ele desejou que fosse feito e que o teria ajudado muito nos seus tempos de «inferiorizações e frustrações».
É esse que estamos a consultar agora.
C Eh pá. Estamos a apanhar uma ensaboadela bem boa.
Mas, quando chegar o verão, iremos falar primeiro com a filha e depois com o pai, porque ele deixou-nos com muitas dúvidas quando falou no senhor doutor.
Não compreendemos bem o que era, mas agora começamos a ver a coisa melhor.

N – Se apanharam uma boa ensaboadela, falta limpar e lavar bem o corpo e passar a água final, o que vai levar mais algum tempo, paciência e persistência e pode ser concluído depois dos treinos, das leituras e das conversas com o meu amigo Anónimo.
Ele também teve muitas dúvidas no início, que foram tiradas aos poucos com algumas brochuras existentes naquela época no Centro de Psicologia Clínica e com muitas conversas, porque eu também estava muito tempo em Lagos.
Podem ver isso em «Para que serve a Psicologia?» que agora, está conglomerada em «Imaginação Orientada»
C Estamos a perceber melhor toda a situação.
Como já passa da uma hora de tarde e o senhor também não almoçou, talvez pudesse dizer-nos quanto é que devemos.

N Se quiserem saber isso, até agora é o equivalente a uma primeira consulta e a mais cinco sessões de psicoterapia.
Contudo, como combinei com o meu amigo de longa data, que bem conhecem, isso fica para a próxima.
C Então, como viemos prevenidos, para não irmos com as mãos a abanar e como existe material para podermos falar melhor com o senhor Anónimo, gostaríamos de poder levar os livros que nos pudesse dispensar:

NSe assim é, limitando-nos só aos livros que estão publicados, aproveitando a vossa boa vontade, no vosso caso, depois de utilizar o livro
♦ «AUTO{psico}TERAPIA», posso recomendar as leituras seguintes:
♦ «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?»
♦ «Como «EDUCAR» Hoje!»
Só estes dois livros vão ajudar a compreender de que modo a verdadeira educação é importante para a formação da personalidade e para o equilíbrio emocional

Porém, se cada um quiser ser totalmente independente, pode orientar-se por si próprio com:
♦ «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…»
É um livro que apresenta o modo de resolver as situações autonomamente, servindo-se, para isso, em cada caso, de alguns dos 18 livros da colecção de Biblioterapia.
Em casos de desequilíbrio psicológico, apoio psicopedagógico, melhoria de interacção social ou desenvolvimento pessoal, podem-se também utilizar os seus substitutos anteriores.

Se a pessoa desejar saber quais são as vantagens da terapia através de livros, além da comodidade, economia e eficácia, o livro seguinte pode dar imensa ajuda:
♦«Biblioterapia»

Depois, se quiserem saber o que fizeram os outros em psicoterapia e aquilo que, especialmente, a Germana e o Januário conseguiram quase autonomamente ou com pouca ajuda, podem ler:
♦ «STRESS? Reduza-o Já!»
♦ «Psicoterapia Para Quê?»

Para saber se a psicoterapia pode ser feita autonomamente, quase sem ajuda, podem discutir isso muito à vontade, durante o verão, no Algarve, com o vosso amigo e pedir esclarecimentos suplementares, depois de ler a sua história em:
♦ «Acredita em Ti. Sê Perseverante!»

Porém, tudo isso começou com conversas que estão apresentadas em:
♦ «Para Que Serve a Psicologia?»

Isso também o ajudou a dar apoio ou um «empurrão», que às vezes as pessoas necessitam, e que está apresentado em:
♦ «Eu Também Consegui!»

A falta que faz uma educação adequada e uma boa integração em qualquer família, está apresentada no livro que explica a vida e os infortúnios do Joel, que foram aumentados durante o apoio que lhe foi dado, em psiquiatria, em vez de se ter precavido a situação antes, e com um apoio conveniente depois:
♦ «PSICOPATA! Eu?»

No apoio psicopedagógico e no desenvolvimento pessoal que está agora apresentado em:
♦ «NEUROPSICOLOGIA na Reeducação e Reabilitação», também existiam livros publicados pela Plátano, que podem ajudar:
♦ «Sucesso Escolar»
♦ «Apoio Psicopedagógico»
♦ «Reeducar Como?»

Para o desenvolvimento pessoal e interacção social, que está agora apresentada em:
♦ «Comportamento nas Organizações», havia os livros da Clássica Editora:
♦ «Marketing e Venda»
♦ «Humanismo na Gestão»
♦ «Falhas Organizacionais»
C – Esta lista nunca mais acaba, mas a nós interessam mais aqueles que nos podem fazer falta e estão disponíveis.
Se nos puder dispensar, parece que vamos levar os dez primeiros livros, porque este que temos entre mãos, foi-nos emprestado.
Mas também queremos a lista dos livros, para podermos facilitar a vida de outras pessoas, e que não devem faltar.

N Se vos disser, depois de fazer as contas, que os 10 livros que desejam, ficam num montante muito inferior ao que teriam de pagar por esta mega-consulta (1ª + 5 períodos), ficam satisfeitos?
Além disso, os livros ficam «à mão de semear» para serem consultados quando e onde desejarem, com informações sempre disponíveis, até para os familiares e amigos.
Vão acrescentando cada vez mais conhecimentos, com a informação daquilo que os outros fizeram
C Já estamos a compreender melhor toda esta situação.

NNão me digam que tudo o que vos apresentei não poderia ser explicado a um grupo de 30 a 40 pessoas.
Por sua vez, algumas delas poderiam fazer perguntas ou apresentar dúvidas que seriam esclarecidas também para os restantes participantes, que não se tinham lembrado das mesmas, além de ser muito mais económico.
Estou a lembrar-me de casos como o de «Mijão», «Calimero», «Perfeccionista» e «Pasteleiro» que foram tratados muito tardiamente, deram pouco resultado ou foram interrompidos porque a colaboração era pouca, os preconceitos eram muitos, o meio ambiente familiar e social não ajudavam ou a medicamentação tornava-se prejudicial.
Estão reunidos no livro que ainda não foi publicado:
♦ «Psicoterapia Difíceis»
C Então, tem muitos livros por publicar.

NDos 18 livros desta colecção, falta publicar alguns e outros estão esgotados mas, quando puder, vou continuar a fazer a sua publicação em impressão digital e tiragem reduzida e, provavelmente, continuarão a ficar só comigo.
Quem os quiser, pode contactar-me directamente ou através de comentários no blog que vos indiquei no início.
Já que agora não há mais tempo e seria uma maçada muito grande, para vocês, a 2ªe a 3ª parte do livro, que começa na página 25 pode ser «conversada» com o meu amigo Anónimo ou numa segunda visita que me quiserem fazer dentro de dois ou três meses, depois de terem praticado bastante o relaxamento muscular e a Imaginação Orientada e de terem lido estes livros que vão levar.
Neste momento, não sei se terei possibilidade de publicar, mais ou menos seguidamente, pelo menos:
♦«Eu Não Sou MALUCO!»
♦ «PSICOPATA! Eu?»
♦ «Imaginação Orientada»
♦ «Psicoterapias Bem-Sucedidas – 3 casos»
♦ «Psicoterapia Difíceis»
Ainda não estou com muita vontade de publicar os restantes livros mencionados na colecção, incluindo o:
♦ «Combata ou Evite a Depressão», porque existem as publicações anteriores.
C Então, tem muito que fazer.

NEsperemos que consiga realizar pelo menos parte daquilo que está no projecto.
Contudo, embora o deseje difundir, não quero «impingir» coisa alguma nem publicitar demasiado como acontece frequentemente.
São as próprias pessoas que têm de decidir se a ideia e o projecto são úteis, ajudando-me a fazer aquilo que lhes pode trazer benefícios palpáveis.
C Doutor, desejamos muita sorte, mas agora, temos de ir para não nos atrasarmos.
Embora prevenidos, não esperávamos ficar tanto tempo e com tanta conversa útil.
Estamos muito curiosos em consultar melhor o seu blogue e, se fizermos algum comentário, será em nome de JOLA, porque, como já sabe, o meu nome começa por Jo e o da minha mulher por La.

NBoa viagem, felicidades, bom proveito e melhoras.
C Mais uma vez obrigado por tudo e pelo tempo que despendeu connosco.

Logo que o casal se foi embora, com a fome que tinha, fui almoçar e apeteceu-me voltar a ver  NANNY ON TOUR, da SIC, que me não pareceu muito mau, mas que necessita de explicações mais científicas que são apresentadas no livro da JOANA, em linguagem muito simples e com exemplos do dia-a-dia.

Depois, sentei-me ao computador para escrever este post.

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CONVERSA ENTRE AMIGOS – 13

Ontem, quando estive a conversar com o amigo David Martins, falámos no programa de Supernanny, da SIC, que estava quase definitivamente interrompido, mas que me parecera um pouco estapafúrdio.

Durante essa troca de impressões disse-lhe que isso tinha-me feito lembrar os tempos passados por mim com o Álvaro, tanto em casa dele, como na praia e no campo, com outras crianças, a fim de que os pais observassem toda a interacção, filmada no momento e apresentada num Congresso, na Escócia, com o consentimento dos pais e satisfação de muitos especialistas brasileiros.

Tudo isso era feito para que os pais conseguissem rever as situações ao seu gosto e compreendessem o modo como poderiam lidar com os filhos de forma proveitosa.

Muito do que se tinha passado com o Álvaro e depois da experiência falhada de comprometer os pais na alteração do comportamento dos filhos, por falta de vontade dos mesmos em colaborar, as aulas de Psicologia e de Psicopatologia aos ajudantes de enfermeiros do Hospital de Vila Franca de Xira e outros hospitais, tinham-me dado a oportunidade de, quase,  fazer consultas conjuntas durante as aulas, da utilidade das quais os participantes duvidavam no início, mas de que lhes deram imenso proveito e satisfação.

Também lhe disse que a minha posterior interacção com os pais da Joana, além das consultas a outros pais e crianças, prolongadas durante muito mais de 10 anos, tinham-me dado a ideia de tentar publicar, na Plátano, os primeiros livros sobre o comportamento das crianças, quer em casa quer na escola.

Posteriormente, com o exemplo tido com a Cristina, além da história dela, tinha-me surgido a ideia de agrupar e transformar esses primeiros livros da Plátano, no livro actual, reorganizado e actualizado, sobre a JOANA, publicado em 2010.

Agora, com a apresentação desse programa na SIC, pensando bem no assunto e em tudo o que se tinha passado comigo durante mais 40 anos, tinha sentido a necessidade de dar mais uns retoques e apressar-me, para voltar a publicar a JOANA, em segunda edição, a fim de fazer parte definitiva da colecção da BIBLIOTERAPIA.

Quando David Martins me disse que estava a pensar ser pai e que, por isso, estava a ver o programa «JO FROST: Nanny On Tour» da SIC mulher, com uma produção americana e uma actriz inglesa, fiquei com imensa curiosidade.

Como não conhecia essa série, fui vê-la logo à noite e pareceu-me muito mais razoável e compreensível do que a possível versão portuguesa que estava interrompida.

Contudo, vendo os primeiros episódios, embora possa concordar com muito do que se passa nessa série, acho que existe uma falha de conhecimentos sobre o comportamento humano, a partir das causas/efeitos que os actuantes deveriam conhecer e que deveria ser explicado aos pais, sem atribuir «culpas» aos outros ou ao meio ambiente circundante, humano ou não.
Tudo isso foi devidamente explicado e demonstrado aos pais da JOANA e muitos outros, para os deixar precavidos e prontos a intervir autonomamente em caso de necessidade, a fim de resolver qualquer situação momentânea e até de numa perspectiva preventiva e profiláctica.

Embora todos esses conhecimentos estejam agora apresentados no «PSICOLOGIA PARA TODOS» (F) e «INTERACÇÂO SOCIAL» (K), destinados aos mais esclarecidos, a sua explicação em linguagem simplificada, com exemplos práticos do dia-a-dia, tornam-se importantes.

Como não me interessa a que as pessoas, como aconteceu com muitos, cheguem ao ponto de ter de resolver as situações desagradáveis em vez de as evitar, resolvi pensar no assunto durante a meu sono e surgiu a ideia deste post para que até o amigo que o originou o possa difundir entre os seus conhecidos, parentes e amigos.

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CONVERSA ENTRE AMIGOS – 12

Quando, há dias, dava o meu passeio habitual, o Sr. Felício aproximou-se de mim apressadamente, acompanhado de outra pessoa.
Vieram ao meu encontro e disseram que não compreendiam a razão da minha insistência nas palestras.
– Se achava que as palestras eram boas, qual a razão de eu não as promover?
– Se tudo isso já tinha sido proposto, em 2015, à Câmara Municipal de Sintra, qual a razão de a própria entidade pública não promover essas reuniões para os interessados?

Expliquei-lhe que, quanto à última pergunta, a Câmara tinha-me dito que estava tudo resolvido e que a saúde mental estava bem entregue aos profissionais do sector, nada pretendendo fazer contra ou além disso.
As palestras promovidas por mim, tinham de juntar público e, para isso, eu teria de as promover com anúncios e outras formas de publicidade, comportando despesas a serem ressarcidas pelos participantes.
Isso podia induzir pessoas não interessadas no assunto, a assistir às mesmas, ocasionando-lhes despesas inúteis, assim como no Calcitrim e outros produtos, quase «milagrosos», como colchões, tachos, etc., que abundam nos anúncios das televisões.

O que mais me interessa é que as pessoas necessitando de apoio psicológico se juntem e, sem qualquer promoção ou publicidade, tentem organizar esses encontros, que serão benéficos e proveitosos para evitar quaisquer percalços futuros em desequilíbrios comportamentais.
Exemplos não faltam, com as constantes notícias de casos e pessoas com problemas mentais.
Em vez de nos precavermos contra isso, vamos tentando «apagar o fogo» depois dos estragos causados, às vezes, irremediáveis.

Como eles tinham muita pressa em chegar ao emprego e não podíamos conversar mais, comprometi-me, logo que chegasse a casa e tivesse tempo e paciência para isso, transcrever algumas experiências ocorridas em várias aulas de Psicologia e Psicopatologia dadas a enfermeiros, apenas do Hospital de Vila Franca de Xira, há mais de três dezenas de anos.
Todos os alunos, geralmente da minha idade ou mais velhos, não acreditavam na Psicologia, dizendo que servia para ouvir umas «tretas», que na vida prática não tinham qualquer utilização prática e até os médicos partilhavam da mesma ideia.
Presentemente, talvez eu diga o mesmo dos programas apresentados nas diversas televisões, a culminar com a SUPERNANNY.

Contudo, quando no final do curso foi feita a avaliação, em grupos de 4 a 6 alunos, foram ouvidas e lidas ideias muito interessantes.
Com esses excertos já publicados no blog, o Sr. Felício e outros poderiam fazer a ideia da necessidade e talvez vantagem, das palestras para pessoas que quesram estar preparadas para «aguentar» e «ultrapassar» ou até «evitar», económica e saudavelmente os dissabores da vida, que não são poucos.

Estes excertos estão apresentadas nos textos já publicados nas Respostas 17, 19, e 20, deste blog, em 2012,  sendo reproduzidos a seguir.

Parte do resultado desta actividade, avaliada e apreciada pelos diversos grupos de alunos, foi apresentada sinteticamente no livro PSICOLOGIA  PARA TODOS (F/267-268), no capítulo seguinte:

A MODIFICAÇÃO DO COMPORTAMENTO É POSSÍVEL?

    • “As constatações seguintes feitas apenas pela generalidade das 4 turmas de enfermeiros do curso de promoção no Hospital de Vila Franca de Xira em 1975/76, confirmam isso”.
    • “A Psicologia deve ser dada de forma prática, sempre em ligação com casos do dia-a-dia, não devendo a sua aprendizagem terminar com o curso de formação/promoção.”
    • “Serviu para diferenciar a Psicologia empírica da científica, utilizando esta mais sistematicamente.”
    • “As aulas de Psicologia motivaram-me bastante para a minha vida profissional.”
    • “Deu-nos a conhecer comportamentos diversos e a maneira mais fácil de nos compreendermos a nós próprios e aos outros.”
    • “Tenho aprendido a modificar-me na minha maneira de ser e estou bastante diferente na relação com as outras pessoas, no contacto diário com os outros colegas e com a própria família.”
    • “A minha maneira de ser modificou-se bastante; deixei de dizer apenas “ela fez isto desta maneira porque…” “ela pensou desta maneira porque…”.
    • Em casa, as relações com os filhos de 13 e 14 anos, são de verdadeira camaradagem. Tudo se tornou mais leve. Tive a mesma sensação de quando aprendi a nadar. Já não tenho medo de ir ao fundo.”
    • “Serviu para orientar uma pessoa de família que pela sua teimosia muito me fazia aborrecer.”
    • “Costumava gritar com o meu filho quando ele fazia qualquer coisa mal feita; hoje tento ignorar o que está mal e faço os possíveis por observar o que está bem, fazendo na altura própria um elogio ou até mesmo dando um pequeno prémio.”
    • “O meu marido disse-me que tinha ganho muito com aquilo que aprendi em Psicologia, embora eu não tenha dado conta desta modificação. A minha interacção com os colegas e chefes também mudou.”
    • “Ao chegar junto de uma pequenita de 7 anos, consigo administrar medicação intramuscular sem que ela chore.”
    • “Consegui interessar as crianças para que fizessem lembrar às professoras acerca das vacinas, das quais antigamente tinham medo.”

Como resultado destas acções, lembro-me, por acaso, de outros dois ou três casos resolvidos a contento dos interessados.

  • Num casal em que o marido, depois do jantar, deixava a esposa em casa a lavar a louça e ia tomar a bica com os amigos para regressar tarde, a mulher conseguiu que ele passasse a ficar em casa, a tomar café com ela e até a ajudá-la a enxugar a louça.
  • Uma senhora cuja filha tinha medo de galinhas, fugindo delas a sete pés, conseguiu que a criança de 7 anos, brincasse com as galinhas e até as afagasse (ver a seguir a descrição do caso).
  • Outra senhora, que tinha um sobrinho a sofrer de enurésia nocturna e usava fraldas para dormir, conseguiu que ele não necessitasse de qualquer fralda quando estava em sua casa.

Posteriormente, a mãe do mesmo rapaz, a quem chamava amorosamente «pinguim», também conseguiu isso quando assistiu às aulas de psicologia e discutiu o assunto com o psicólogo.

Em qualquer destas situações, quantas consultas de psicologia seriam necessárias para resolver o assunto? Estas situações ficaram sanadas apenas com o equivalente a uma consulta de psicologia, assistida 20 vezes num  grupo de mais 29 pessoas, durante 3 horas, em cada uma das 4 semanas que durou o respectivo curso (ou seminário? ou workshop?, como gostam de dizer agora)

Se um assunto deste tipo não ficar resolvido, diminui, pelo menos, em um terço ou mais a quantidade de consultas individuais necessárias, porque a pessoa «entrou» durante as aulas, curso ou workshop, nos mecanismos da modificação do comportamento que se devem utilizar.

Muitos desses pais, se tivessem lido um livro como o da Joana, teriam evitado pelo menos algumas consultas, visto que os casos por eles apresentados não se resolveriam em menos de 5 a 10 sessões de aconselhamento. E tiveram muita sorte porque, numa ocasião em que não havia estes livros, foi apenas possível disponibilizar-lhes alguns apontamentos policopiados sobre a modificação do comportamento.

A ideia de preparação dos livros iniciais da colecção Biblioterapia surgiu a partir desses apontamentos policopiados disponibilizados aos alunos e «encadernados» por alguns.
Além disso, muitas informações foram dadas no «Jornal de Queluz», assim como nas brochuras editadas pelo «Centro de Psicologia Clínica»,  logo de seguida, quase a partir dessa data.

Os «casos» foram sendo acrescentados mais tarde, depois da óptima experiência com o Júlio, em 1980.

A necessidade de incluir nos livros alguns termos técnicos baseia-se na economia de tempo que se consegue fazer nas consultas, reduzindo o seu número.

Com um exemplo prático, talvez se consiga compreender melhor.
Depois de dar algumas aulas sobre a modificação do comportamento, no Hospital de Vila Franca de Xira, uma enfermeira quis tentar «fazer desaparecer» ou «reduzir» o medo que a sua filha tinha das galinhas (F), visto que nem se aproximava delas.
O psicólogo disse-lhe que poderia ser utilizada a técnica de dessensibilização.
A senhora foi para casa, chamou a filha, colocou uma galinha nas mãos, fez-lhe passar a mão pelas penas e, depois de a filha ter lançado a galinha para o ar foi, muito triunfante, dizer ao psicólogo, na aula seguinte, que já tinha utilizado a técnica de dessensibilização com a filha e ela até tinha passado as mãos pelas penas da galinha.
Quando o psicólogo perguntou se a filha já se aproximava à vontade das galinhas, a resposta foi «não».
– O que a senhora fez não se insere na técnica de dessensibilização, mas aproxima-se da técnica de saciação ou flooding, muito mal feita e com possibilidades de aumentar o medo das galinhas – disse-lhe o psicólogo.
Pediu-lhe depois que lesse com cuidado os apontamentos que tinha em casa (F), compreendesse bem o significado das técnicas e, só depois, com a ajuda de mais pessoas, tentasse utilizar a técnica da saciação desde que tivesse a certeza de que a filha não conseguiria «fugir» e «livrar-se» da galinha que tinha de ficar nas suas mãos.
Além disso, a filha, com a galinha nas mãos, devia estar completamente à vontade.
Como era sexta-feira, tinha alguns dias para fazer com que a filha repetisse mais vezes esse procedimento a fim de consolidar a aprendizagem.
Se a filha conseguisse fugir da galinha, poderia ter reforço secundário negativo aleatório, que aumentaria cada vez mais esse medo.
Na aula seguinte, na terça-feira, poderia comunicar o resultado das suas experiências.
Assim, tanto o psicólogo como o resto dos alunos ficariam a saber se a técnica da saciação tinha sido bem-sucedida.

Se não fosse a utilização dos termos técnicos – desensibilizaçãosaciaçãoreforço secundário negativo aleatório – com uma pessoa leiga na matéria da modificação do comportamento, quantas palavras e quanto tempo seria necessário despender para explicar um procedimento que deu resultado, mas que talvez necessitasse de intervenção dum psicólogo durante mais de 3 ou 4 sessões, talvez indo à casa do paciente?

O mesmo acontece com outros pais que vão à consulta do psicólogo para ouvirem «conselhos», que se podem dar em público.

A indicação da bibliografia adequada ou de «casos» entre parêntesis (ver…), muitas vezes, com a indicação da publicação apropriada com uma letra, por exemplo (F), destina-se a tornar os procedimentos compreensíveis e facilmente consultáveis nas respectivas publicações.
Economiza-se em tempo, dinheiro, comodidade e eficácia.

Também, quem quiser saber utilizar esses procedimentos, pode assistir a sessões em que, em cerca de 12 horas e com a ajuda de vários livros, pode evitar muitas consultas de psicologia para a resolução de um caso simples que exigiria várias horas de terapia.

Depois de apresentar estes testemunhos, acho que cada um deve ponderar e avaliar as suas necessidades e resolver aquilo que desejar.

Existem muitas colectividades que podem fazer aquilo que é proveitoso, pelo menos, para os seus associados, como aconteceu com a Euterpe Alhandrense, logo depois desses cursos.
Esses enfermeitos quiseram que os filhos tivessem esses conhecimentos, embora só com apontamentos policopiados que existiam nesse tempo.

A ideia da preparação dos livros e do seu acrescento com «casos», foi-se tornando cada vez mais incisiva, a partir das diversas experiências clínicas ao longo de muitos anos de prática, o que ajudou a promover a AUTO{psico}TERAPIA experimentada pelo Antunes e descrita no seu livro, o qual indica os males ou os efeitos secundários ou danos colaterais que podem ser causados a outras pessoas e até na própria família.

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RESPOSTA – 54

Comentário dum anónimo:
Estive a ler com atenção todo o post solicitado pelo comentário de TL e demorei mais do que um dia, porque quis consultar todos os links, alguns de novo.
É muitíssimo extenso.
É pena que os artigos sejam tão vastos.
Parece que não gostou minimamente do Supernanny.
Porque? 

 

Antes de tudo, tenho de esclarecer que os meus posts são extensos para abranger todas as informações possíveis e que possam ser úteis aos leitores.
Não gosto de «receitas» que se dão nos meios de comunicação social ou até em vários livros…
Como tem toda a razão quando diz que Álvaro é capaz de ser  protagonista de um dos meus livros, por uma questão de «clareza» em relação ao comentário feito no post Resposta – 53 (19 fev 18), vou transcrever os originais das páginas 305 a 328 do «NEUROPSICOLOGIA na REEDUCAÇÂO e REABILITAÇÃO» (I) para demonstrar que todo o trabalho de modificação do comportamento pode ser feito discretamente a até com a colaboração e na companhia de outras crianças, conseguindo muitos pais complementar o trabalho do especialista, embora não queiram assumir esse encargo, porque o acham muito oneroso ou «especializado».

Esta cópia do texto inicial, não tem os quadros que vão existir no livro mas apresenta todos os pormenores necessários.

No final, direi mais qualquer coisa e talvez faça perguntas mais pertinentes!

 

“O CONDICIONAMENTO OPERANTE
E OS DEFICIENTES

 

Até ao momento, falou-se da reeducação de crianças com nível intelectual aceitável e ligeiros défices cognitivos e de comportamento.
Porém, será possível reeducar crianças deficientes cujas capacidades cognitivas e comportamentais são bastante deficitárias?
As crianças «deficientes», na sua maioria, têm dificuldades na aprendizagem e, às vezes, executam comportamentos inadequados.
– As técnicas de modificação do comportamento ou condicionamento operante (F) terão a possibilidade de ajudar estas crianças «deficientes» a realizar uma aprendizagem mais adequada do que aquela que se efectua nas salas de aula das escolas especiais tradicionais?
Vários autores citados na bibliografia mostram-nos, quer através das suas investigações, quer através de exposições teóricas, que a modificação de comportamento pode dar um contributo muito valioso na reeducação e reabilitação dos «deficientes», tanto mentais, como neurológicos.
As técnicas de modificação do comportamento que se baseiam nas conquistas científicas da psicologia no domínio da pesquisa experimental realizada em condicionamento operante, podem ser utilizadas no âmbito da terapia comportamental, psiquiatria e psicoterapia, conseguindo ser muito úteis no campo da psicopedagogia (F) (J) (P) (Q) (R).
Por este motivo, nos vários casos descritos, os princípios da modificação do comportamento utilizados tanto na terapia da fala como na ocupacional, na musicoterapia ou ainda na reeducação da psicomotricidade, não só ajudaram os terapeutas aligeirando o seu trabalho, como ainda melhoraram a sua eficácia e encurtaram os tempos de reeducação ou reabilitação (F).

Vejamos, por isso, o caso de uma criança que foi apoiada em 1976, quando as possibilidades de intervenção técnica na reeducação e na psicopedagogia eram muito inferiores ao que se pode fazer nos tempos actuais (psicologiaparaque.wordpress.com).
Vamos ver como se conseguiu utilizar, na prática, um conjunto de técnicas de modificação do comportamento num caso de reeducação com uma criança, até completar 8 anos de idade cronológica.
A metodologia fundamental baseou-se nas técnicas de condicionamento operante utilizadas na terapia ou modificação de comportamento.

Álvaro, nascido a 1 de Outubro de 1968, era uma criança com deficiência mental.
Na ocasião do seu nascimento o pai tinha 43 anos e a mãe 38 (A).
Foi uma criança que viveu sempre com os pais e com uma irmã, 14 anos mais velha, a concluir, na ocasião, um curso superior.
O parto foi prematuro (7 meses) e Álvaro nasceu com deficiência respiratória.
Esteve internado durante o primeiro mês e meio no serviço de prematuros por sofrer de complicações gastro-intestinais.
A mãe começou a notar nele dificuldades de preensão nos primeiros anos de vida.
Até aos 3 anos, não pronunciou qualquer palavra.
O psiquiatra infantil que o acompanhou, diagnosticou hiperactividade e atraso geral acentuado.
Por isso, aconselhou lições com uma educadora infantil que foram interrompidas por não darem resultados satisfatórios.
O Álvaro utilizava de preferência a mão esquerda, tendência que nunca foi contrariada.
Dos 5 aos 8 anos, Álvaro frequentou uma bem conhecida escola especial em Lisboa, sem quaisquer resultados positivos, tendo a directora declarado que não tinha meios técnicos adequados para a educação desta criança. Contudo, esta escola tinha também terapeutas de fala a trabalhar com outras crianças.

O Álvaro, que deixou de poder frequentar a escola especial onde esteve três anos, não conseguiu matricular-se em qualquer escola no ano lectivo 1976-77.
Uma professora primária, que trabalhava na integração de crianças deficientes motoras, contactada pelos pais, prontificou-se a dar apoio ao rapaz se tivesse a ajuda de um psicólogo porque não conseguia captar a atenção da criança.
Uma terapeuta da fala corroborou esta constatação porque não conseguiu qualquer colaboração do Álvaro na aprendizagem que se deveria efectuar.
Também os pais e especialmente a mãe e a irmã, não controlavam os comportamentos do rapaz.
O Álvaro nunca fora observado por um neurologista e, nem o psiquiatra nem o pediatra, tinham conseguido que a sua aprendizagem escolar adiantasse ou melhorasse.
Aconselharam apenas a frequência de uma escola especial apesar de parecer ter regredido naquela que já tinha frequentado.

Em Agosto de 1976, Álvaro tinha 7 anos, quando recorreu aos serviços do psicólogo.
Não sendo possível aplicar-lhe os «testes» convencionais, foi feita uma avaliação global baseada numa observação sistemática durante um período prolongado, cujo relatório de resultados foi mais ou menos o seguinte:
– compreensão de certas ordens familiares superior à de ordens novas, com dificuldade na generalização, discriminação e transferência de aprendizagem;
– psicomotricidade desorganizada, embora com a capacidade de uma criança de cerca 5 anos;
– dominância manual esquerda;
– dominância pouco acentuada do olho direito e pé direito;
– hiperactividade, com grande desorganização do comportamento;
– estereotipias várias;
– dificuldade bastante acentuada de compreensão geral .
A situação total parece ser mais funcional do que permanente e inalterável.

Quando o psicólogo iniciou a experiência em Novembro de 1976, deslocou-se à casa da criança e avaliou-a como tendo capacidades para:

  • pronunciar cerca de 10 fonemas (letras e palavras);
  • comer sozinha, embora revelando muito mau comportamento à mesa;
  • andar na rua, desde que acompanhada, para não sair do passeio.

Entre as dificuldades que se podiam notar, citam-se:

  • não conseguir pronunciar quaisquer outros fonemas além dos 10 fonemas (letras e palavras) já mencionados nas capacidades;
  • sofrer de enurésia nocturna;
  • sofrer de onicofagia;
  • sujar a mesa ao implicar com as outras pessoas à hora da refeição;
  • ser muito irrequieto;
  • mexer constantemente em tudo (interruptores, janelas, televisão, gravador, cabides, etc.) de forma desordenada;
  • implicar com as outras pessoas, puxando-lhes o cabelo, casaco, braço, etc.;
  • mexer nos carros e outros objectos ao andar na rua;
  • não descer as escadas sem a ajuda de outra pessoa;
  • não se vestir, despir, calçar ou descalçar sozinho;
  • não brincar sozinho;
  • não brincar com outras crianças mais pequenas sem as maltratar;
  • não tocar nas outras crianças sem as magoar;
  • não utilizar normalmente o escorrega do parque infantil;
  • não conseguir movimentar os braços sozinho;
  • não estar sentado ou quieto durante dois minutos;
  • interromper constantemente qualquer conversa;
  • puxar os fios do telefone enquanto a mãe o utilizava;
  • não ter os movimentos coordenados;
  • não ter a noção do seu próprio corpo e a localização de esquerda e direita;
  • não ser capaz de desenhar, embora conseguisse fazer rabiscos descoordenados.

Apesar de tudo isto e de não conseguir executar correctamente ordens que não fossem muito curtas, a criança parecia ter, de vez em quando, uma compreensão razoável, o que foi verificado pelo psicólogo que a observou sistematicamente ao fazer a avaliação inicial antes da reeducação.
Um episódio muito fortuito, inesperado e curto foi o suficiente para esta conclusão.
O psicólogo combinou ir a casa da criança a uma determinada hora. Contudo, adiantou-se um pouco e chegou 15 minutos mais cedo. Entretanto, a mãe tinha utilizado esse tempo para ir à rua com o Álvaro, a fim de comprar pão para preparar um lanche para todos. O psicólogo foi recebido pelo pai que lhe pediu para se sentar na sala de visitas.

Quando a mãe chegou com o Álvaro, cumprimentou o psicólogo que retribuiu o cumprimento.
Depois, o psicólogo propôs ao Álvaro que despisse o sobretudo para ficar mais à vontade, mas a pronta intervenção da mãe:
– Ah! Sr. Dr. o Álvaro não sabe despir-se sozinho! – fez com que este voltasse a vestir o sobretudo que já estava quase despido.
O psicólogo não interveio e calou-se, enquanto a mãe ajudava carinhosamente o Álvaro a despir o sobretudo.
Entretanto, acabou por ouvir as explicações dela acerca das «incapacidades» do filho e da necessidade que ele tinha de ajuda permanente.
Além disso, a mãe contou que o Álvaro tinha passado a dizer repentinamente a palavra “Amanhã” desde que vira na televisão uma nova locutora, muito sorridente, começar a despedir-se dos telespectadores com um simpático “Até amanhã”.
Estes simples factos, vulgares, furtuitos e singelos, bem como a constatação do episódio do sobretudo, acontecido com a mãe, deu ao psicólogo a noção de que, apesar de o Álvaro ter capacidade de aprendizagem, a mãe podia estar a superprotegê-lo, tornando-o incapaz de aprender algo de novo no sentido da sua autonomia (M).

Entre 21 de Novembro de 1976 e 27 de Maio de 1977, decorreram 27 semanas durante as quais o psicólogo se dedicou à modificação do comportamento e realizou um trabalho de terapia com esta criança, em princípio, para ajudar a professora de integração.
No entanto, esta trabalhou na totalidade somente 20 horas sem comunicar com o psicólogo e com uma actuação pouco adequada em relação aos problemas específicos que deveriam ter sido enfrentados concertadamente pelo psicólogo e pela professora.

O psicólogo executou o seu trabalho com o Álvaro em casa do próprio, ajudado em parte pelos pais, com o intuito de não deixar fugir a oportunidade de uma experiência que avalizasse e garantisse a possibilidade de instituir uma forma de actuação simples, expedita, económica e eficaz, em que os pais também ficariam envolvidos para aumentar e potencializar os resultados.
Afinal, com a conclusão da experiência, os pais podiam continuar a utilizar futuramente a prática obtida com a reeducação do filho.
Interessava realizar este estudo com o intuito de determinar se valia a pena conduzir em seguida uma experiência de reeducação de uma dezena de crianças na qual os pais também seriam envolvidos como co-terapeutas ou co-reeducadores.
− Se não se realizasse esta experiência piloto, de que maneira se poderia avaliar a importância que o ambiente social tem na manutenção do estado de «deficiência» em que muitas das crianças se encontram?
− Como se poderia descobrir o modo mais eficaz e económico de minimizar essas deficiências que se mantêm, às vezes, com o conhecimento e complacência das Entidades Oficiais e sem os próprios pais ou educadores colaborarem em todo este processo?

Descreve-se seguidamente o resultado do trabalho realizado pelo psicólogo durante cerca de 70 horas, em sessões médias de 1 hora, duas a três vezes por semana e no qual os pais colaboraram cerca de 100 horas.
Como primeira avaliação dos resultados, verificou-se que a mãe, de quem pouca colaboração se conseguia obter, deixou de ser tão ansiosa como era no início e passou a controlar o filho, muito melhor do que a professora de integração a quem a criança nunca obedeceu por completo.

Em relação à linguagem, em que não foram especificamente treinadas determinadas palavras, utilizou-se a técnica de prompting behavior que consiste em recompensar (reforçar positivamente) com o reforço primário (comida) ou secundário (palavras de encorajamento ou demonstração de satisfação ou afecto), qualquer som vocal emitido que a criança, melhorando-o (moldagem), para poder pronunciar qualquer palavra nova (F).
Convém salientar que, com a ideia de que a sopa e as batatas fritas funcionariam como reforçadores primários válidos, a actuação do psicólogo iniciava-se pouco antes da hora do almoço, momento em que a criança deveria começar a ficar com fome.
A comida só era dada depois de a criança ter pronunciado algo de significativo para a ocasião.

No início da terapia ou reeducação, a criança só sabia dizer:
A – I – Dá – Papá – Mamã  − Popó – Bom − Olha − Minha − Amanhã
 
Tendo o pai funcionado como avaliador da correcção da pronúncia da criança, numa escala de 7 pontos, apresentam-se a seguir as novas palavras que ela conseguiu pronunciar correctamente (com valorização 7) ao fim de um treino de:

  • 7 (sete) semanas:

E, U, AA, EE, II, OO, UU, Pó, Pia, Av

  • 11 (onze) semanas:

O

  • 21 (vinte e uma) semanas:

Bola, Bota.

  • 27 (vinte e sete) semanas:

Porta.

Além destas palavras, o Álvaro já era capaz de pronunciar, com uma nota superior a 5:

Avô, Um, Cu, Ovo, Eu, Papa.

Enquanto na 1ª semana o Álvaro pronunciava com uma valorização de 7:

A – I – Dá – Papá – Mamã  − Popó – Bom − Olha − Minha – Amanhã

já na 7ª semana pronunciava E – U com a valorização 7

e na 21ª semana O – Bola,

além de que a palavra avô atingiu apenas a valorização 5 na 27ª semana.

Era interessante notar a satisfação no rosto do Álvaro quando dizia Cu, o que fazia pressupor que ele sabia mais ou menos o significado «social» da palavra.

Em relação aos comportamentos inadequados indicados a seguir e que era necessário «construir» de novo, para atingirem uma nota de 7 na escala anteriormente referida, temos o seguinte resultado:

  • Ao fim de 7 semanas:

▫ (A) utilizar o escorrega pequeno.

  • Ao fim de 11 semanas:

▫ (B) deixar de molhar a cama (enurésia).

  • Ao fim de 15 semanas:

▫ (C) deixar de roer as unhas (onicofagia).

 

  • Ao fim de 27 semanas, com uma nota superior a 5:

▫ (D) descer as escadas sem ajuda de outra pessoa;
▫ (E) sentar-se num muro baixo;
▫ (F) segurar a mão do acompanhante e não o empurrar na rua;
▫ (G) não implicar com as outras pessoas no jardim;
▫ (H) movimentar-se sozinho no balouço;
▫ (I) não bater nos vidros das portas, janelas, etc.;
▫ (J) brincar com outras crianças sem as maltratar;
▫ (K) conseguir brincar sozinho;
▫ (L) não se excitar demasiado com algumas brincadeiras;
▫ (M) cumprimentar as pessoas com aperto de mão sem as magoar;
▫ (N) não mexer no gravador, cassetes, etc.;
▫ (O) não acender e apagar constantemente as luzes;
▫ (P) sentar-se quieto durante mais de 5 minutos;
▫ (Q) lavar as mãos sozinho;
▫ (R) dar pequenos recados aos familiares;
▫ (S) conseguir bochechar e deitar a água fora da boca;
▫ (T) opor correctamente o polegar ao indicador da mão direita;
▫ (U) entrar sem medo no ringue de patinagem e jogar à bola dentro dele.

Nesta terapia, foram utilizadas essencialmente as técnicas de:
modeling (modelagem) fazendo com que a criança visse um modelo (outra criança ou pessoa adulta) a realizar uma tarefa que ela própria executaria a seguir. Para isso utilizaram-se cenas reais, diapositivos, gravações e alguns brinquedos;
prompting behavior, estimulando e reforçando ou recompensando imediatamente qualquer comportamento aceitável;
shaping (moldagem), reforçando positivamente os comportamentos desejáveis e reforçando negativamente, com retirada da recompensa, os comportamentos não aceitáveis. Até se utilizou o reforço vicariante, mostrando uma criança deficiente a ser positivamente reforçada quando executava aquilo que se queria que o Álvaro fizesse.

Contudo, como existiam no início hábitos muito maus, como por exemplo, o de largar a mão da mãe e fugir pelo passeio, houve necessidade de utilizar uma ligeira punição. Por exemplo, o psicólogo segurava a mão do Álvaro de modo a que este não se pudesse soltar. Ao mais pequeno indício de querer soltar a mão, o psicólogo apertava-lhe o pulso com força até que à décima tentativa o aperto passou a ser ligeiro, acompanhado de um olhar significativo do psicólogo que acenara um «não» com a cabeça. Pouco tempo depois, já nem era necessário segurar a mão mas sim orientar o Álvaro com um mexer da cabeça ou um olhar significativo com um «sim» ou um «não». Dois meses depois, Álvaro seguia pelo passeio sem agarrar a mão do psicólogo e parava logo que chegava ao fim do passeio, voltando a segurar a mão do psicólogo para atravessar a rua. O reforço positivo secundário nunca era exíguo e, às vezes, até parecia exagerado mas era do que o Álvaro gostava muito, fartando-se de rir.

Para o registo da avaliação das capacidades e do progresso, os pais utilizavam uma escala de 7 (sete) em vez de 11 (onze) pontos em impressos que podem ser inovados ou inventados de acordo com as circunstâncias (F).

Foi feita uma tentativa de treinar os pais, trabalhando em primeiro lugar com o pai e depois com a mãe. Embora este treino tenha sido incipiente e muito curto, o pai aparentou ter uma capacidade ligeiramente superior à da mãe que ficava emocionalmente envolvida em todo o processo. Contudo, apesar de não ter sido submetida a uma terapia específica, aparentou ficar menos ansiosa, além de ganhar maior controlo sobre os comportamentos do filho. A sua capacidade de ajudar a educar a criança no sentido da aprendizagem de novos comportamentos, melhorou um pouco. Contudo, esta aprendizagem que deveria ser mais prolongada e persistente, deixou de existir ao fim das 27 semanas iniciais que findaram com a época de férias. Consequentemente, deixou de haver o treino necessário para consolidar os conhecimentos adquiridos.

Enquanto as crianças «normais» têm uma interacção semanal na escola de mais de 20 horas e outras tantas com os colegas (40 horas no total), este rapaz não teve outra companhia senão a da família, excepto durante cerca de 5 horas em que esteve em interacção com o psicólogo. Contudo, poderia ter estado outras 5 horas no parque infantil quando passeava com a mãe.
Esta redução no tempo de interacção pode tornar a sua aprendizagem mais lenta do que a de outras crianças consideradas «normais», as quais também têm a vantagem de ser melhor «equipadas» orgânica a psiquicamente.

O Álvaro demonstrou grandes possibilidades de aprendizagem que poderiam ter sido desenvolvidas se fosse integrado entre outras crianças «normais» cuja companhia procurava com frequência e bastante insistência.
Depois desta experiência e da análise dos seus resultados, verificámos a grande contribuição que o meio ambiente proporciona na educação e na aprendizagem. Temos a certeza de que a contribuição do meio familiar é muito importante e pode melhorar substancialmente a aprendizagem, potenciando os resultados.

Contudo, quando chegou o momento de juntar um grupo de 10 pais que quisessem contribuir para a educação dos filhos com o trabalho de duas manhãs ou tardes por semana, foi difícil chegar a um consenso, compromisso e proposta de colaboração com o psicólogo. A experiência seguinte que se prolongaria por um ano lectivo, com dez crianças que estariam conjuntamente integradas em escolas regulares, não se realizou, por recusa de os pais colaborarem na reeducação, ficando todas elas e até o Álvaro obrigadas a frequentar escolas especiais.

Como curiosidade, alguns episódios servirão de reflexão.
▫ A mãe do Álvaro ia com ele à mercearia fazer compras. Ele costumava segurar um dos sacos que, devido à sua dificuldade de preensão, caía para o chão se não estivesse bem agarrado à mão. Se a mãe não tomasse conta da situação, o saco desprendia-se de entre os dedos. Uma vez, quando o Álvaro, viu um burro zurrar com muita força ficou a olhar para o animal, muito entusiasmado, e o saco de peixe que tinha na mão foi parar a uma sarjeta.

▫ Quando ia pela rua, se o acompanhante não lhe agarasse a mão, era difícil que ele quisesse segurar a mão da mãe. Sabendo disto, o psicólogo treinou-o a andar pelo passeio sem segurar a mão e a esperar antes de atravessar a rua. O psicólogo estava sempre alerta para que, antes do fim do treino não houvesse qualquer deslize. No final, só um olhar ou uma palavra (sinal condicional) faziam com que o Álvaro parasse logo que via ou ouvia a «ordem». Porém, isto não acontecia com a mãe, na companhia de quem dava pontapés nas rodas dos carros estacionados, mexia nos retrovisores, tendo, uma vez, ficado com um deles na mão quando lhe bateu com força.

▫ Uma vez, num parque infantil acompanhado da irmã mais velha, do psicólogo e de uma criança de 12 anos que o acompanhava, o Álvaro começou a implicar com a irmã e a magoá-la com pontapés. Quando a irmã estava sentada no banco atingiu-a perto do joelho e ficou a rir-se quando a ouviu gritar. Aproximou-se depois da acompanhante do psicólogo sentada ao lado da irmã. Tentou fazer o mesmo, mas cessou imediatamente ao olhar para a cara dela e ver o seu ar reprovador. Parou, ficou a observá-la e começou a sorrir quando a viu mais satisfeita com a cessação do seu gesto.

▫ O Álvaro mexia em todos os manípulos do carro do pai. Por isso, quando viajavam, o pai sentava-se ao volante e a mãe ou a irmã seguravam o Álvaro no banco traseiro. Os cintos de segurança ainda não eram obrigatórios. O psicólogo resolveu levá-lo no seu carro. Começou primeiro por treiná-lo a aproximar-se do carro e a não mexer no manípulo da porta. Seguidamente, treinou-o a abrir a porta e a sentar-se no assento da frente só quando o psicólogo lhe dissesse. Em seguida, foi treinado a não mexer em qualquer alavanca, manípulo ou instrumento do carro ou do tablier. Só saía do carro quando o psicólogo dizia. Depois disso, o psicólogo fez algumas viagens sem quaisquer incidentes ou «maus comportamentos» do Álvaro que o acompanhou, sentado no banco da frente. Ao ver a criança comportar-se assim com o psicólogo, o pai resolveu fazer uma viagem no seu carro, ficando o Álvaro sentado no banco traseiro com a mãe, mas sem ela se preocupar em o segurar, como fazia normalmente. Na primeira curva mais acentuada, o rapaz, que não estava a ser segurado pela mãe, deitou a mão à alavanca de mudanças e provocou um acidente fazendo com que o carro a embatesse num muro.

No início da experiência agora descrita com algum pormenor, a nossa aposta tinha sido a de fazer com que dentro de quatro a seis anos o Álvaro pudesse ajudar o pai numa papelaria, tabacaria ou quiosque de jornais que o pai pensava instalar quando passasse à reforma. Porém, passados dez anos, vimos o Álvaro sentado à varanda da sua casa, a balançar-se em movimentos ritmados e repetitivos enquanto proferia alguns sons sem nexo. Já tinha um corpanzil bastante avantajado mas supomos que deveria ter menos capacidades e aptidão de interacção social do que aquelas que adquirira no final da curta experiência de 27 semanas de condicionamento operante.
Se os pais do Álvaro tivessem colaborado melhor e motivado os pais das outras crianças a fazer o mesmo, conduzindo uma experiência que seria proveitosa para muitos, a situação dele seria, actualmente, a que nós observámos?

Mesmo naquela época, já havia um subsídio não oficial para a realização da experiência durante um ano!
− E as outras crianças intervenientes nesse processo ganhariam alguma coisa?
Foi uma resposta que não conseguimos obter mas que cada um pode imaginar ao seu gosto.
Pela nossa experiência, parece que propostas sérias nunca tem um fim feliz, pelo menos no nosso país!

Este caso, filmado com a concordância dos pais para poderem ser devidamente orientados, apresentado no World Congress on Future Special Education, em Stirling, na Escócia, em 1978, despertou a curiosidade de muitos participantes, especialmente dos brasileiros, já que o apresentador era português e podia dar-lhes algumas informações mais precisas sobre este assunto.
Presentemente, parece que, em Portugal, ainda não se deu conta das técnicas que podem ser utilizadas até com os autistas.
Contudo, de vez em quando surgem especialistas americanos a dizer como é que se faz, mas parece que tudo fica na mesma.”

 

Senhor comentador anónimo
Tendo acabado de transcrever o (extenso) capítulo do referido livro, posso dizer que apresentar as coisas de forma superficial de modo que «agradem» a certas pessoas e aumentem a venda das revistas, acho não ser adequado, porque podem conter meias verdades ou muitas inexactidões.  Fi-lo com gosto, voluntariamente e com agrado, tendo começado logo depois de dar a resposta para o terminar só agora, esperando que possa ser útil pelo menos para si …. e talvez mais alguém?
Bem bastam as informações difundidas pela IURD na Folha de Portugal…
Quem não estiver interessado em ler artigos extensos, pode deixar de o fazer e até não consultar os links, perdendo alguma informação relevante.
Apetece perguntar qual a razão de se apresentarem espectáculos pouco elucidativos e menos educativos ainda, como os da SUPERNANNY e outros similares?
Será porque são estrangeiros e o que se faz «lá fora» é bom?
A «pomposidade» da orientadora desse espectáculo seria adequada?
Agora, não seria bom fazer um «seguimento» (ou follow-up) da situação e saber de que modo funciona essa família? 
E a «prescrição de livros» em casos de depressão, etc. servirá para alguma coisa?
Que responda quem quiser e souber!

 

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RESPOSTA – 53

O seu post é muito interessante e compreendi-o muito bem.
Tenho muitos amigos que estão na mesma fase de vida do que eu (pais recentemente), e vou procurar divulgar a informação porque espero que sejam tão interessados como eu…
Gostava de lhe perguntar se não pensa em realizar uma palestra sobre o assunto (educação dos filhos).
Estou interessado!
As novas alterações ao livro “Joana”, são suficientes para justificar da minha parte a sua aquisição?
Tenho o livro anterior.
TL

Face a este comentário feito no post A Propósito – 2, o qual agradeço imenso, a minha resposta é a seguinte:

 

Ψ Se tem o livro anterior, o actual vai incluir algumas alterações e mais esclarecimentos, mas a sua essência não mudou.

Ψ Se se quiser certificar, vê os diversos posts publicados neste blog relacionados com o livro e vai verificar que o conteúdo principal é o mesmo.

Ψ Julgo que este livro é muitíssimo importante não só para os pais poderem educar devidamente os filhos, sem «embarcar» nas muitas falácias que se propagandeiam na comunicação social e até em vários livros, mas ainda para prevenir futuros desequilíbrios psicológicos e ajudar o bom desenvolvimento da personalidade, com uma interacção familiar e social satisfatória.

Ψ Se consultar o índice do livro e até um dos posts dedicados ao mesmo, vai verificar que é importante as pessoas tomarem conhecimento dos diversos mecanismos e forças que influenciam o comportamento humano.
É uma abordagem científica apresentada em linguagem muito simples, com exemplos do dia-a-dia e da vida prática de qualquer de nós, sem haver a limitação à utilização restrita do significado etimológico de cada um dos termos.
O importante é apreender o conceito de cada termo para o aproveitar com oportunidade, utilizando com eficácia as técnicas necessárias, a fim de obter o resultado pretendido.

Ψ Aproveitando a experiência de mais de 10 anos de consultas a centenas de pais e crianças, a mesma foi transformada numa história ficcionada duma criança que foi apoiada mais amiudadamente do que muitas outras, porque o problema principal  dela (efeito), eram os comportamentos díspares e inadequados dos pais (causa).
Parece-me que é quase o contrário do que foi apresentado (muito mal, na minha opinião) na SUPERNANNY.

Ψ Acerca disso, custa-me aceitar que fiquemos indiscriminadamente «encantados» com tudo o que vem «de fora», quando muito mais do que isso já cá tínhamos há muito, em melhores condições, e que também se comece a imitar tudo muito mal, sem ter a noção das consequências nefastas que isso possa provocar.

Ψ Estou a falar também na apresentação da «prescrição de livros» nos princípios deste século, no País de Gales, quando isso já se fazia cá a partir de 1980, só com apontamentos policopiados que deram origem ao livro da JOANA assim como a:
«SAÚDE MENTAL sem psicopatologia»
«PSICOLOGIA PARA TODOS»
«INTERACÇÃO SOCIAL»

Ψ O pior de tudo, é que se utilizam muito mal essas experiências e informações estrangeiras, deturpando o seu sentido verdadeiro para servirem apenas como proveito pessoal.

Ψ É exactamente isso que eu não quero fazer com as palestras.
Se elas fossem promovidas por mim, teria de as publicitar e «encantar» as pessoas com as mesmas, tal como o Calcitrim, podendo ser desnecessárias para algumas pessoas.
Se forem as pessoas necessitadas ou interessadas a promover essas palestras, estou pronto para colaborar com aquilo que é da minha especialidade.
Os interessados podem-se reunir e promover aquilo que desejarem, porque reuniões de 3 ou 4 horas devem servir para esclarecer muitas dúvidas e imprecisões de 30 ou mais pessoas ao mesmo tempo.
Já me aconteceu isso no Hospital de Vila Franca de Xira, há dezenas de anos.
Aliás, essas dúvidas sempre existirão e necessitarão de muitas consultas individuais feitas com tempo limitado (e talvez sem direito e perguntas excessivas).
É muito mais vantajoso fazer consultas conjuntas porque, além de muitíssimo mais económico, as outras pessoas podem ter dúvidas que serão esclarecidas, deixando os restantes participantes mais preparados para o futuro → prevenção e profilaxia em acção.

Ψ Contudo, para que tudo isso se possa concretizar, é necessário que os participantes leiam e compreendem aquilo que está exemplificado no livro da JOANA a fim de poderem solicitar, nessas reuniões, os esclarecimentos necessários.
São as noções mais básicas que podem ocasionar dúvidas, que podem ser clarificadas e melhor explanadas nas palestras e sem as quais poderemos situar-nos apenas no reino das ilusões e dos conceitos morais ou éticos.

Ψ Nessas reuniões, além de esclarecer certas dúvidas e imprecisões, é possível abordar diversas outras dificuldades como as fobias, depressões, obesidade, outros desequilíbrios psicológicos, apoio psicopedagógico, dificuldades de interacção social ou necessidades de desenvolvimento pessoal, sem ser em forma de «receitas» que se costuma apresentar em muitos cursos de formação.

Ψ É por esse motivo que a colecção de BIBLIOTERAPIA, com os seus 18 livros, além da teoria e prática exposta, foi reorganizada e acrescentada com «casos» que foram resolvidos obtendo bons resultados («Calimero»), exemplificando também de que modo o meio ambiente é importante para a modificação do comportamento.
Esses exemplos podem ser seguidos, devidamente adaptados para cada um.
É o que o medicamento não pode fazer e os especialistas mais experientes e honestos explicam as razões, recomendando uma abordagem diferente em que o próprio «paciente» é o elemento mais importante.

Ψ Sintetizando o que ficou explanado, parece que se pode chegar à conclusão de que a prevenção é melhor do que uma má tentativa de resolução depois de o mal estar instalado, ocasionando muitos prejuízos, com resultados desagradáveis ou desastrosos.
Não é por acaso que se fala agora mais nos tiroteios, assassinatos, depressõessequestros, maus tratos, assédios, etc. quando a própria «civilização» nos deveria enveredar por um caminho diferente.

Ψ Por acaso, para as pessoas «menos preparadas» ou «mais desiludidas com a família», os vários filmes e modelos apresentados nos meios de comunicação social, não serão um forte motivo e modelo para se fazer uma aprendizagem social que pode proporcionar reforço vicariante, transformado em reforço secundário negativo, conduzindo muitos indivíduos a um comportamento descontrolado?
É bom pensar nisso e agir enquanto é tempo.

Ψ É por este motivo que a minha preocupação de apresentar os 18 livros da colecção, em impressão digital e tiragem reduzida, irá continuar à medida das minhas possibilidades e da aceitação pelos interessados, sem os entregar a outras editoras, ficando eu sempre disponível para os actualizar.

Ψ É por este motivo que estou a tentar disponibilizar o livro da JOANA por 23.00€ com uma inscrição para  pedido atempado e um pagamento antecipado, quando o seu preço, depois de publicado, terá de ser 35.00€.
Os modos de actuação ou procedimentos necessários para essa inscrição estão explícitos no link do livro, a fim de cada um poder resolver o que desejar depois de o consultar com cuidado.

Ψ Começando as palestras com base neste livro, muitas coisas mais se poderão fazer, tal como aconteceu com o Júlio, cuja história será publicado em seguida para ajudar as pessoas a evitar ou reduzir os desequilíbrios psicológicos, especialmente os da depressão, que abundam agora em todo o mundo «civilizado».
É um exemplo que pode ser seguido por muitos, porque o seu «caso» ficou resolvido com duas sessões de meia hora em ambiente hospitalar e cerca de 60 horas de «conversa» e experiências de hipnose e autohipnose em 19 tardes, no decurso de 8 semanas, à mesa de um velho café em Lisboa, só com o apoio de apontamentos policopiados que deram origem a vários livros da nova colecção.
Se assim não fosse, ele teria de pagar 122 consultas ou períodos de picoterapia, apesar do apoio desses apontamentos (ou livros?), porque, sem esse apoio, o tempo de terapia seria mais do que o dobro.
Afinal, as «conversas» mantidas com ele durante cerca de dois terços desse tempo, podem ser em palestras com muitas mais pessoas.
Só o resto do tempo teria de ser individual.
O grande mal dele (efeito) era ter-se sentido «desterrado», em Lisboa, longe da família entre os 10 e os 16 anos (causa), para prosseguir os seus estudos, que não poderiam ser na sua terra natal.

Ψ Como última informação ou advertência posso dizer que em casos de desequilíbrio psicológico ou necessidade de melhor desenvolvimento pessoal, ir a um curandeiro ou até ao psiquiatra ou psicólogo e solicitar que ponham o transviado «em ordem» será totalmente irrealista e impossível se a «cabeça do próprio» não colaborar e também o ambiente não se modificar.
Todos nós nos influenciamos uns aos outros → De que modo? Com que intensidade? Em que direcção? Quando? Com que finalidade?

Ψ Tudo isso pode ser esclarecido nas palestras que se podem ter em ambiente descontraído.
É por isso que os participantes devem estar antecipadamente esclarecidos, sendo muito importante que consultem todos os links que foram apresentados e façam leituras complementares.

Ψ Para orientar os interessados sem as palestras, ou até antes das mesmas, existem agora os livros «PSICOTERAPIA… através de LIVROS...» (R) que pode orientar as leituras, «BIBLIOTERAPIA» (Q) que indica que o objectivo fundamental é ajudar as pessoas a ultrapassar dificuldades e «AUTO{psico}TERAPIA» (P) que apresenta um conjunto de procedimentos para que cada um possa realizar a maior parte das tarefas que se conseguem fazer em casa, à hora de dormir e que num consultório ocasionariam incómodos, gastos de tempo e despesas desnecessárias.

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A PROPÓSITO – 3

Faço este post de muito boa vontade porque acho que os amigos da página de BIBLIOTERAPIA, que vão aumentando à medida que o tempo passa,  merecem que se apresente continuamente, actualizados e com todas as informações possíveis, um em cada dia, os antigos posts publicados nos blogs
Psicologia Para Todos do blogspot.com e, posteriormente,
Psicologia Para Todos do wordpress.com, do mesmo modo como tem acontecido até agora na
página do Centro De Psicologia Clínica, do facebook.

Nesses artigos, escritos essencialmente a pedido de vários interessados, para responder às suas dúvidas, perguntas ou comentários, estamos a tentar dar, em linguagem simples, uma ideia realista, acessível e prática da Psicologia ou Ciência do Comportamento a fim de que «casos» como os apresentados na Supernanny não se repitam, tendo sido preferível que nunca existissem. Como?

Para isso, estamos a reorganizar o livro da JOANA, a traquina ou simplesmente criança? (D), um «caso» real, mas que foi ficcionado para englobar muitos aspectos do comportamento humano com que foi necessário lidar com inúmeras famílias, em muito mais de que 10 anos de consultas a crianças e pais.

Serve também para exemplificar que até uma criança com cerca de 8 anos, bem treinada, pode utilizar com objectividade e bom senso, num sentido humanista, democrático e de respeito pelo próximo, muitas das técnicas de modificação do comportamento que tinham sido utilizadas com ela para acabar com as suas «birras», ajudando os pais a se «re-unirem» em vez de continuarem «des-unidos» por causa da sua EDUCAÇÃO.

A Psicologia, desde que bem compreendida e utilizada com bom senso e pragmatismo, serve muitíssimo bem para melhorar a vida dos seres animados.

É nesse sentido que foi constituída e reorganizada a colecção dos 18 livros da BIBLIOTERAPIA que serão publicados aos poucos e à medida que haja interesse dos seus utilizadores, com a possibilidade de se fazerem palestras explicativas sobre a utilização e aproveitamento correcto, restrito e adequado dos diversos livros nela incluídos.

A propósito e mesmo a propósito, a Psicologia é muito necessária na abordagem social porque podemos cair numa esparrela como me ia acontecendo.
Há dias, quando íamos buscar o almoço, dois indivíduos que iam num carro escuro, tipo station, abordaram-nos tendo um deles perguntado se já não o conhecia.
O que estava do nosso lado, disse à minha mulher que era filho do Aniceto, um primo que não víamos há muitos anos.
Como já tinham passado mais de 30 anos, a minha mulher disse que não o conseguia reconhecer e perguntou se era Fernandes.
Quando ele disse que sim e começamos a falar, ele ofereceu uma caixa com um objecto que parecia um relógio.
Disse que era para ela e não para mim e pediu que não deixássemos de passar pela sua nova loja que ficaria situada junto do Banco Santander, em Mem Martins.
Fiquei a olhar para a sua fisionomia e devo ter feito algum gesto de espanto que não deve ter passado despercebido à minha mulher.
Enquanto isso, ele debruçou-se para dentro do carro e pegou em mais uma caixa, no momento em que chegou outro carro que necessitava de passar e eles tiveram de se afastar um pouco para lhe dar passagem.
Nesse momento, lembrando-se duma cena muito semelhante que se tinha passado connosco há mais de uma dezena de anos em Lagos, a minha mulher adiantou-se subitamente para o carro e devolveu a caixa dizendo que não o reconhecia.
Os homens foram-se embora rapidamente sem termos tido a ideia de anotar a matrícula da viatura.
Logo que eles se foram embora, um senhor aproximou-se de nós muito apressadamente para perguntar se tínhamos comprado alguma coisa deles.
Sabendo que não, parece que suspirou de alívio e explicou que duas pessoas das redondezas tinham sido burladas em moldes semelhantes.
Quando chegamos ao café para adquirir comida para o almoço, também nos disseram que já mais pessoas tinham sido burladas.

Ψ Como psicólogo, em vez de «largar bocas» para os outros, eu devia ter tido o cuidado de escrutinar a identidade do sujeito, não deixando que a amígdala desse uma resposta emocional (A), tanto mais que já tínhamos tido uma experiência semelhante há uma dezena de anos.
Nessa ocasião, quando saíamos de casa para nos aproximarmos da nossa viatura, em Lagos, um senhor que se movimentava numa viatura muito parecida com aquela com que um pessoa conhecida vinha para a nossa casa e ia visitar o filho, na Amadora, aproximou-se de mim e cumprimentou-me com satisfação.
Como já não o via há uma dezena de anos, também me aproximei dele por delicadeza e disse: “Sr. Arsénio, até parece mais jovem” ao que ele respondeu:
− “Sou o filho”. Não se lembra? Eu vinha cá de vez em quando com o meu pai − e a conversa continuou:
− Não estava na Amadora?
Agora já estou aqui. Vou abrir uma loja perto da Caixa Geral de Depósitos.
Depois disso, deu-me uma caixa com um relógio e antes que eu me fosse embora, pediu que lhe emprestasse 150.00€ porque estava no começo do novo negócio.
Como julguei que era filho dessa pessoa amiga minha conhecida e não muito abastada e o filho necessitava de ajuda, emprestei-lhe o que pedia e fui-me embora dizendo que não podia ficar com mais nada do que ele me queria oferecer.
Quando regressei a casa, telefonei ao pai dele para saber como estava e pedi notícias do filho, felicitando-o por já o ter ao pé de si e a quem tinha emprestado 150.00€.
Quando lhe expliquei o que se tinha passado, fiquei a saber que tinha sido burlado, porque o filho da Amadora continuava lá, bem colocado e sem ideias de regressar a Lagos.
Fomos imediatamente à Polícia relatar o acontecimento mas, apesar de tentar reconhecer algumas fotografias de pessoas parecidas, não descobrimos nenhuma semelhante, nem carros utilizados para essas burlas.

Ψ Este acontecimento devia ter-me «vacinado» para futuros eventos em que, por «minha culpa», tinha confundido o sujeito que me abordou, como filho duma pessoa conhecida, «facilitando-lhe» a sua actuação fraudulenta.
Do modo como tudo aconteceu, a aprendizagem anterior não serviu para muito, porque nunca mais me lembrei desse acontecimento, quer acordado, quer a dormir.

Ψ É para isso que serve a Imaginação Orientada (IO) ajudando a entrar em relaxamento mental para analisar as situações vividas e verificar a sua correcção, aproveitando-as para emendar o que estiver mal.

  • A minha mulher não devia ter secundado a informação inicial dele com uma pergunta «Fernandes» (filho do Aniceto Fernandes?).
  • Até certo ponto, podia e devia ter perguntado “Aniceto Rodrigues?” e, com uma provável resposta afirmativa, saberia de imediato que era uma burla.
  • Se a resposta fosse negativa, tinha a obrigação de pedir mais informações sobre o percurso de vida do pai e do filho, já que não os via há mais de 30 anos, nem tinha conhecimento das suas actividades.
  • Qualquer de nós devia ter tomado nota da cor da viatura, da sua matrícula e, possivelmente, da fisionomia dos sujeitos.

Ψ No fim do episódio, exclamei para mim próprio
Que burro que eu fui, sem ofensa para os burros! Digo aos outros e não pratico!
E lembrei-me do ditado: “Faz o que eu digo e não faças o que eu faço!
Se não nos mantivermos precavidos contra estes contratempos, não seremos assolados apenas pela má governação, nepotismo e corrupção, mas ainda pelos delinquentes que começam a abundar por estas terras….
Os conhecimentos de Psicologia servem para isso e eu deveria ter feito imediatamente um relaxamento instantâneo (P) para aclarar as ideias, sem me deixar avassalar subitamente pelas boas recordações que tinha desse parente!

Ψ Com isso, o que teria acontecido, era a mente ir buscar as recordações ao hipocampo e reagir em conformidade, não deixando que a amígdala reagisse de imediato sem recorrer ao armazém das recordações vividas e analisadas anteriormente num processo de aprendizagem bem feito e que faz muita falta (F) (K).
Espero que não tenha mais surpresas do género!

Ψ Para isso, nas  noites seguintes, fui revendo todos os pormenores dos dois episódios para verificar de que modo poderia ter agido, não só para me defender, mas ainda para dar à Polícia os dados necessários para a execução da sua tarefa de salvaguardar o bem público.

Ψ Prevenir é sempre melhor do que remediar, sem termos de colocar trancas na porta depois de roubados.

Ψ Este episódio incitou-me ainda mais a verificar e a finalizar o original da JOANA, em que se explana de maneira muito simples, o modo como a Psicologia pode ser utilizada proveiotosamente na nossa vida do dia-a-dia, de forma prática, sabendo aquilo que se deve fazer,  como, quando, porquê e com que finalidade e resultados, porque os livros com os «casos» de Antunes, Cidália, Júlio, Joel, Isilda, «nova paciente», Cristina, Germana e Januário  servem para exemplificar o modo como cada um deles utilizou esses conhecimentos autonomamente ou com ligeira ajuda especializada.
Também os «casos» de «Mijão, «Calimero», Perfeccionista» e «Pasteleiro» servem para demonstrar quais os prejuizos que podem ser ocasionados pelos medicamentos ou quando o apoio não é dado em tempo devido e com competência, ou existem ambientes familiares que desajudam e prejudicam o bom andamento de todo o processo de recuperação.

Ψ Por este motivo, a partir de agora, a página da Biblioterapia vai passar a ter um post em cada dia, reavivando as memórias do que foi feito desde 2009 no blog e que estamos a manter para dar as informações possíveis e ao nosso alcance, indicando os livros que podem ser consultados para o efeito.

 

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TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
PSICOLOGIA PARA TODOS (o antigo)

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A PROPÓSITO – 2

Ao comentário seguinte do Sr. Felício:

Dr. Noronha.
Já lemos este post com todos os links e gostamos.
Ficámos à espera de ver a supernanny mais uma vez, mas acabamos de saber que foi interdita a sua apresentação.
Não quer dizer alguma coisa mais concreta especificamente ligada às actuações anteriores?
Vamos ficar decepcionados se não disser coisa alguma – uma avaliação desses dois programas.
Foram bons ou maus? Actuaram bem ou mal?
Agradecemos a sua colaboração.

respondi:
Obrigado pelo comentário, que vou responder já.
Acabei de ver cerca das 09,30, também na SIC, uma reportagem directa, de Faro, sobre treino de cães em que o treinador dizia que mais perigosos do que os cães eram os seus donos, que tinham de ser treinados em primeiro lugar.
Concordo com isso e digo o mesmo em relação à supernanny.

Do que revi nos dois programas da supernanny, já que no Domingo não houve a terceira transmissão, mais pereciam um espectáculo do que uma demonstração de técnica ou de modos de actuação adequados e correctos que pudessem ser úteis para os espectadores.

Como já disse em relação a outras apresentações, com plateias pagas a aplaudir qualquer actuação para «ganhar» audiências mais do que para transmitir ou difundir conhecimentos, estas duas apresentações não pareceram muito diferentes.

Se a peça servisse para informar ou esclarecer o público em relação a certos problemas que surgem ou até acontecem frequentemente em muitas famílias, não havia necessidade de apresentar as coisas do modo como o foram.

Porém, se uma família inteira foi exposta na realidade e não como «representação», julgo que houve consentimento ou até concordância dada pelos mais velhos e responsáveis.

É como fazem em muitos espectáculos, que não são poucos e, especialmente, nos programas das manhãs e das tardes em quase todos os canais, com espectadores pagos, que até parece estarem lá por vontade própria e não por contrato de prestação de serviço.

Se, de facto, a intenção era provocar aprendizagem do público, em psicologia ou modificação do comportamento, seria de toda a razoabilidade filmar toda a interacção familiar, sem interferência ou presença de outras pessoas.

Essa filmagem deveria ser vista inicialmente por um técnico devidamente preparado.

Baseando-me apenas naquilo que se viu no programa, as dificuldades maiores circunscreviam-se ao comportamento dos filhos, especialmente com a mãe e à divergência de pontos de vista e de actuação dos pais, que deveriam mudar o seu comportamento, em primeiro lugar (causa), para incentivar comportamentos diferentes nos filhos (efeito).

Por este motivo, o filme deveria ser exibido só para os pais, analisando com cuidado os comportamentos a serem alterados e suas possíveis causas para detectar os momentos, os modos e as condições em que as «novas medidas» deveriam ser utilizadas para alteração desses efeitos no sentido desejado.

Para isso, seria imprescindível que os pais tivessem, em primeiro lugar, algumas noções de modificação do comportamento, tal como aconteceu com a JOANA, cuja alteração do comportamento foi quase pública sem ninguém dar por isso, a não ser o resultado obtido.

Os pais tinham de aprender bem, em primeiro lugar, o modo de funcionamento do comportamento humano e compreender tudo o que se relaciona, pelo menos, com gratificação, punição, reforço (primário, secundário, positivo, negativo, imediato, diferido, de razão fixa e variável, de intervalo fico e variável, aleatório, vicariante, do comportamento incompatível) extinção, leis do efeito e da repetição, condicionamentos clássico e operante, aprendizagem, modelagem, moldagem, identificação, facilitação, dissonância cognitiva e resolução de conflitos.

Também deveriam aprender a utilizar as técnicas aplicadas que me pereceram ser punição ou time out e token economy ou economia de fichas verificando os resultados e as consequências, tentando obter um feedback imediato.

Deveria ser realçada a diferença de tratamento e de atitude que o pai e mãe mantinham em relação aos filhos e, especialmente em relação ao rapaz.

Esse assunto deveria ser resolvido em primeiro lugar para não criar nos filhos dissonância cognitiva.

No comportamento da filha, haveria algum problema com o nascimento do irmão e diferenciação no tratamento?
Parece que ela demonstrou isso e os pais aperceberam-se, ficando satisfeito quando as demonstrações dessa insatisfação diminuíram (ou foram reprimidas e camufladas?).
Este assunto deveria ser bem esclarecido de imediato e resolvido antes de tudo.

Depois disso, se não houvesse filmes técnicos a serem apresentados aos pais, o técnico especializado deveria actuar com as crianças, demonstrando de que modo, em que ocasião e em que medida a acção deveria ser efectuada: seria uma aprendizagem social, com modelo.

Depois desta apresentação, deveria ser realçado que no comportamento da mãe, especialmente com o filho, os dois pareciam mais colegas a brigar do que uma mãe a impor ou estabelecer regras ou exigir o cumprimento delas.
Quando disseram que a mãe parecia um general, deu-me vontade de rir.
Com as quase duas dezenas de anos que passei na tropa, lembrei-me mais da mãe como um cabo desorientado a querer disciplinar com soldado rebelde, enquanto o pai, como sargento, tentava «aguentar» a situação.

Por esse motivo, como a actuação da mãe deveria ser maior e mais frequente do que a do pai, ela deveria aprender a relaxar-se e treinar imediatamente, para ter comportamentos mais firmes, calmos, seguros e adequados do que os apresentados nas filmagens.

Além disso, o problema da dissonância cognitiva ocasionada pelos comportamentos dos progenitores deveria voltar a ser realçada e sanada, de imediato, com a colaboração dos dois progenitores.

No final da apresentação, fiquei sem saber se o problema tinha ficado resolvido, durante quanto tempo e em que medida.
Muito do que aconteceu não se irá repetir ou não será evidenciado de outro modo e com outras cambiantes?
Na ausência dessa pomposa supernanny o que pode acontecer?
Não serão os pais a ter de intervir?
Como, com que conhecimentos e prática?

♦ Se as crianças não tiverem compreendido bem e não tiverem interiorizado as normas que lhes foram apresentadas num sentido quase moralista, podem-se esperar efeitos secundários ocasionados pelo reforço negativo obtido para fugir às punições do momento.

♦ A fuga a uma punição ou seu evitamento pode ocasionar reforço secundário negativo que conduz ao vício, ajudando a manter comportamentos inadequados.

♦ Não perece que as crianças nas idades de 5 e 7 anos possam compreender e apreender as normas de obediência e de deveres que lhes foram apresentadas no filme porque o seu poder de abstracção é bastante reduzido.

♦ Antes dos 10 anos, a não ser que estejam bem treinadas, as crianças conseguem reagir mais à satisfação e à insatisfação, o que lhes proporciona reforços positivo e negativo.

♦ Além dos reforços proporcionados pelos pais, os modelos que lhes são expostos por eles, têm a máxima importância.

É exactamente por este motivo que estou a «trabalhar» afincadamente na nova edição do livro da JOANA, a fim de se poderem fazer algumas palestras que possam ajudar os pais a não chegar ao extremo de solicitar uma supernanny que não sei que resultados poderá ocasionar a longo prazo.

É também por este motivo que estou a rever toda a colecção dos 18 livros da Biblioterapia para a poder publicar qualquer dia se os interessados assim o desejarem.

Além de alguns livros, como já aconteceu em aulas, as palestras podem complementar, em casos específicos, os apoios necessários a muitas famílias que não têm outra ajuda disponível e que vão sofrendo problemas semelhantes ao longo de toda a vida, até se tornem insustentáveis e deletérios.

É por este motivo que os dois posts sobre o ANTES e DEPOIS tem o seu interesse.

No caso concreto da supernanny, como psicólogo, faço as seguintes perguntas ou reparos:
Ψ Os pais do Francisco (5 anos) e da Lara (11 anos) não pediram ajuda anteriormente?
Ψ Por acaso,  não haveria «ciumeira» da irmã por ter «perdido» um pouco a atenção dos pais a favor do irmão?
Ψ Qual foi o resultado?
Ψ Qual será o desfecho de todo o espectáulo que foi exibido na televisão?
Ψ Quais serão os «ganhos» (ou efeitos nefastos?) para aquelas duas crianças?
Ψ Qual o resultado dos castigos de 5 a 11 minutos sentados no banco? 
Lembrei de repente do caso do Álvaro. Quando o voltei a ver pela última vez, se ele continuasse a fazer os disparates como fazia na época em que o conheci, deveria ficar sentado no banquinho durante 17 minutos?
Ψ Qual será a aprendizagem que os espectadores terão conseguido fazer?
Ψ Não irá provocar nestes uma aprendizagem inadequada, imitando (inadequadamente?) muito daquilo que lá se viu, sem saber qual a razão de cada procedimento?
Ψ Oxalá que dentro de pouco tempo não existam mais famílias problemáticas…
Ψ Espero que, os que consultarem o meu blog façam perguntas ou comentários, lendo, se necessário, o último post e todos os links que estão apresentados neste.
Ψ O meu último livro «PSICOTERAPIA… através de LIVROS…» (R) também pode dar uma ajuda substancial.
Ψ Fico muito desgostoso porque, em relação à Psicologia, ou Ciência do Comportamento, se continuem a fazer os disparates contra os quais sempre lutei durante mais de 40 anos, e que são apresentados agora como  «maravilhas» «vindas do estrangeiro»…..

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