PSICOLOGIA PARA TODOS

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CONVERSA ENTRE AMIGOS − 5

Depois de ter recebido o comentário:
O meu nome é Edmar da Silva, sou psicoterapeuta e promotor e animador da leitura para grupos de pessoas.
Neste sentido, desenvolvo formações para biblioterapia em Portugal e no Brasil.
Desenvolvo alguns projetos na área da Leitura em Lisboa, Barreiro e Algarve. 
Depois de ler este poste e de ter consultado o seu blogue PSICOLOGIA PARA TODOS apeteceu-me falar consigo pessoalmente para discutir algumas das suas ideias sobre BIBLIOTERAPIA que estou a incentivar e que são compartilhadas no seu blogue TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS.
Como já sei o local por onde vai passar na quinta-feira, podemos encontrar-nos e bater um papo durante algum tempo para debater ideias novas, que até podem ser difundidas no seu blogue para mais gente tomar conhecimento das vantagens, como diz que gosta?
Eu também estou a manter o blogue SOS DAS EMOÇÕES” e o projecto de amigos de leitura,
encontramo-nos no café por onde passo e mantivemos um diálogo salutar e esclarecedor.

 

ES: Já li os seus blogues e parece-me que é fã da Biblioterapia. Como eu também estou a desenvolver projetos semelhantes, incluindo o gosto pela leitura, gostaria de saber de que modo desenvolveu essa sua ideia que diz ser muito mais antiga do que a de Neil Frude, da Inglaterra.
MN: Agradeço o seu interesse nesta conversa mas parece-me que tenho de ir às origens de tudo o que me aconteceu.

ES: Se não está com pressa, leve o tempo que quiser mas esclareça-me.
MN: Antes de tudo, tenho de dizer que tudo começou comigo.
Em 1967, quando estava como navegador da Força Aérea na base das Lajes, tive a oportunidade de saber que poderia ingressar na SUISSAIR se tivesse o brevet civil.
Consegui obter o brevet civil e, como já estava a sentir-me cansado e fisicamente depauperado com taquicardias, diarreias, transpiração abundante e inesperada, vertigens, etc., devido ao trabalho árduo a que estávamos sujeitos na Força Aérea, fiquei à espera de completar os 8 anos de serviço como oficial do quadro permanente para poder pedir licença ilimitada. Porém, naquela ocasião, depois de obter o brevet civil, consegui saber que poderia ter ingresso imediato na TAP. Por isso, só me faltava esperar pelo fim dos 8 anos. Porém, o meu espanto foi muitíssimo grande quando, súbita e inesperadamente, de forma intimidatória, fui nomeado à pressa para uma comissão de 2 anos em Angola.

ES: Isso foi desagradável?
MN: Não só foi desagradável como piorou toda a situação da saúde, com agravamento dos sintomas. Uma vez em Luanda, como estava no Comando da 2ª Região Aérea, tinha à mão os livros de Pierre Daco, que fui lendo e dos quais gostei. Consegui
algumas explicações para os meus sintomas, mas os mesmos não cederam porque, onde estava, nem acompanhamento psiquiátrico podia ter, quanto mais psicológico. Quando regressei a Lisboa, em 1970, os sintomas agravaram-se e fui parar às mãos de um psiquiatra que me medicava e dizia que eu tinha de resolver os conflitos que deveria ter tido com o meu pai. Passados mais de 40 anos, ainda não sei a que conflitos ele se referia, a não ser o de não ter podido iniciar, por razões pecuniárias, o curso de Direito logo que terminei o 7º ano do Liceu, com dispensa de exame para ingresso na Faculdade, em 1953.
Entretanto, como a Força Aérea não me tinha autorizado a continuar o curso de Direito que já tinha começado a frequentar em 1958, matriculei-me no curso de Psicologia Clínica, no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, vulgo ISPA, que era uma instituição particular e não me exigia a tal autorização mas apenas propinas.

ES: Mas matriculou-se lá por causa dos seus problemas?
MN: Não foi por isso, mas sim porque um amigo meu também lá estava, já mais adiantado e eu dava-me muito bem com ele.
Nos primeiros anos, com a medicação que estava a tomar e com o conhecimento de que eu já estava numa Universidade, as pressões na Força Aérea foram aumentando e a pouca frequência das aulas, bem como a minha saúde não ajudaram a progredir, até que fui dado como necessitando de sair das tripulações e ficar numa Direcção-Geral, com tempo de vôo reduzido ao mínimo, já que continuava a ser medicado em psiquiatria.
O importante, é que a medicação deixava-me ainda pior e com vontade de «desaparecer» porque até a saúde física ia ficando cada vez mais degradada. Uma das vezes em que conduzia à noite, comecei a ver ou a ter a ilusão de que dois carros vinham contra mim. Resolvi deixar de tomar a medicação e «ir aguentando». Não conseguia ler nem estudar coisa alguma, a não ser esporadicamente, tendo feito exames só em duas ou três disciplinas, até que, em 1973, consegui assistir a «workshops» de terapia comportamental, nos Hospitais de Santa Maria e Júlio de Matos, orientadas pelo Doutor Victor Meyer, Reader in Clinical Psychology da Faculdade de Medicina do Middlessex Hospital, de Londres. Porém, também isso não me resolvia o problema, mas fazia compreender que tinha de reagir comportamentalmente. Como seria possível?
Comecei a ler muita coisa sobre modificação do comportamento até que as aulas da Psicologia Geral com o Prof. Orlindo Gouveia Pereira me ajudaram a compreender as teorias de aprendizagem e condicionamento de Thorndike, Pavlov e Skinner, baseadas nas suas experiências.

ES: Quer dizer que se baseou nessas teorias para resolver os seus problemas?
MN: De maneira alguma. Só isso não chegava, mas as leituras parece que me ajudaram a compreender e suportar a situação um pouco melhor. Por isso, continuei a ler muita coisa sobre isso e sobre a psicanálise de Freud, o que também necessitava para as disciplinas do curso, que fui concluindo aos poucos.
Ingressei também num grupo de alunos de terapia comportamental onde o relaxamento de Jacobson era muito valorizado.
Entretanto, como a minha situação médica se agravava, em vez de melhorar, fui dado como incapaz para o serviço de vôo por uma Junta de Saúde, em 22 de Abril de 1974, com o diagnóstico de neurose depressiva reactiva grave.
Assim, tendo mais tempo livre para estudar, consegui concentrar-me um pouco mais e ir respondendo a mais disciplinas, em regime militar, isto é, marcando a data do exame com o professor, até que, com o «25 de Abril», os «revolucionários» exigiram passagem administrativa sem nota, o que fez baixar a minha média, apesar de ter trabalhos preparados para algumas cadeiras em que estava matriculado no 3º e 4º anos.

ES: Isso prejudicou-o em alguma coisa?
MN: Prejudicou-me a média final do curso e a impossibilidade de sua conclusão antes da época normal dos exames. Mas, como os futuros «clientes» não se preocupariam com isso, não me importei. Como a minha mulher ia nessa ocasião a Inglaterra para se especializar na integração nas classes normais, de crianças com dificuldades, também a acompanhei e tirei esses cursos. Nesses cursos, estágios e visitas às escolas que tivemos de fazer, por nossa vontade, estávamos ocupados o dia inteiro e quase que não tínhamos tempo para dormir. Entusiasmei-me quanodo que os ingleses utilizavam muito a modificação do comportamento e, sabendo do adiantado de meu curso, dos «workshops» em Lisboa e vendo o meu entusiasmo na aprendizagem das técnicas de reintegração, os futuros colegas quase me empurraram para a Ordem dos Psicólogos Britânica a fim de obter a cédula para clinicar na Inglaterra.
Como estivera com Victor Meyer em Lisboa e ele me conhecia bem, quando lhe falei sobre o assunto, disse-me que contactasse Lawrence Burns, Associate e dirigente da BPS, já que ele era o responsável pela clínica da Psicologia no Hospital de Rochadale e eu estaria uns dias em Nottingham. O ingresso na Ordem dos Psicólogos Britânica exigia um doutoramento americano ou um mestrado inglês ou um exame na Ordem, com entrevista especializada. Quando contactei Lawrence Burns, ele disse-me que fizesses o diagnóstico dum obsessivo-compulsivo que ele estava a tratar no momento e discutiu comigo o tratamento. Disse-lhe que a dessensibilização seria boa de imediato, mas que a saciação (flooding) o poderia ajudar ainda mais se não nos esquecêssemos de tentar saber qual era a «causa» das suas dificuldades. Olhando para mim de forma perscrutadora, parece que gostou da resposta mas inquiriu de que modo eu pensava fazer isso. Disse-lhe que, nestes casos, um relaxamento mental tão profundo quanto possível, com uma tentativa de análise do passado seria excelente e era assim que faria se o caso me fosse entregue, o que poderia não acontecer no grupo de terapia comportamental em que estava a tentar fazer um pré-estagio, em Lisboa.
Depois da entrevista, parecendo que tinha ficado satisfeito, disse-me não havia vaga para eu trabalhar no Hospital mas que seria bom eu falar com H. R. Beech, em Birmingham e dirigir-me depois à sede da Ordem dos Psicólogos, em Londres.
Quando no hospital de Birmingham fui falar com Beech, parecendo que já estava informado sobre o meu assunto, disse-me que a única vaga que exista se destinava a um dos dois candidatos ingleses com belíssimas notas. Gostaria que eu ficasse lá, mas a minhas expensas, o que não me convinha naquela época.
Quando fui a Londres e pedi o formulário para me candidatar, logo que souberam do meu nome, disseram que, por indicação de Lawrence Burns, regressando a Lisboa e terminando o curso, deveria mandar o diploma de finalização e uma cópia do conteúdo das cadeiras, devidamente traduzido. Não tinha de fazer mais nenhum exame.
Logo que regressei a Lisboa, como estava «desempregado» consegui frequentar aulas extra e fazer dois estágios escolares obrigatórios, em vez de um – terapia comportamental e grupanálise – os quais não me deram a satisfação que eu desejava.
Na terapia comportamental, o relaxamento não me satisfazia e era muito estruturado, moroso, pouco eficaz e de efeito reduzido. Na grupanálise, quase que faziam adivinhações e arranjavam justificações para os desequilíbrios. Por isso, comecei a experimentar o tipo de relaxamento que utilizo agora e com o qual comecei a dar-me muito bem. O trabalho era intenso e quase que não tinha tempo para dormir. Logo que chegou a época dos exames, finalizei o curso antes dos meus colegas regulares, não-trabalhadores nem militares, e enviei a papelada para a Inglaterra.

ES: Isso foi violento, não foi?
MN: Só sei que fiquei tão «embrulhado» nos acontecimentos, que me esqueci que estava «doente», mas nunca me esqueci do relaxamento, todas as noites, à minha maneira. De vez em quando, também me lembrava do meu passado e tentava analisá-lo com frieza, objectividade e bom-senso.
Entretanto, comecei o estágio profissional onde me empenhei em aplicar testes diversos e a corrigi-los. Fui continuando as leituras, especialmente as relacionadas com a psicanálise e modificação do comportamento até que as experiências de Eysenck me elucidaram quando ao reforço negativo e ao aumento progressivo da sua intensidade com um segundo sinal condicional antecipado. Além disso, em “Psychoanalyse Yourself”, Pickworth Farrow falava da sua experiência na autoanálise e Victor Franckl apresentava os seus trabalhos nos campos de concentração em “Man´s Search for Meaning”.
Dois meses depois de enviar a papelada para Inglaterra, recebia uma comunicação de que que já era Graduate Member (nº 0092843/1975) da BPS, com direito a clinicar legalmente na Inglaterra. Portanto, antes de Portugal, eu já estava inscrito na Inglaterra. Isso entusiasmou-me bastante e, como estava no fim do estágio profissional, já me podia inscrever no Sindicato Nacional dos Profissionais de Psicologia e exercer a clínica em Portugal.
Fiquei tão entusiasmado com o que estava a conseguir que, passados os dois anos obrigatórios sobre a minha incapacidade para o vôo, quando poderia ingressar na TAP depois de 1976, desisti dessa possibilidade bastante lucrativa e continuei em Psicologia que já me estava a fascinar e envolver-me completamente.

ES: Foi um bom percurso. E depois?
MN: Como não era fácil conseguir clientes, comecei com estágios voluntários em dois hospitais de cada vez, que continuei durante 4 anos, e comecei a dar aulas de Psicologia e Psicopatologia a enfermeiros. Nesses cursos, utilizando os conhecimentos adquiridos na modificação do comportamento, consegui apoiar alguns dos alunos e seus familiares, o que me entusiasmou muito. Porém, a pouco e pouco a clientela foi aumentando e comecei a conseguir iniciar um tratamento que tinha idealizado para mim, com bons resultados e que estava decidido a experimentar nos outros. Quando, em 1976, comecei essa experiência que se prolongou até 1979 verifiquei que 23% dos 71 pacientes estudados tinham resolvido os seus problemas e que 63% tinham melhorado, não podendo muitos deles continuar o tratamento por falta de financiamento.

ES: O resultado parece ter sido bom.
MN: Para mim, foi bom porque os estudos citados por Eysenck não apresentavam resultados que chegassem a 70%. Isso entusiasmou-me de tal maneira que pensei candidatar-me a mestrado mas, quando tentei isso enviando o currículo e o plano de pesquisa, recebi a informação de que já tinha a equivalência para mestrado e que era melhor enveredar por um doutoramento. Por isso, para não perder tempo e a força anímica que me ajudava a conseguir trabalhar incansavelmente, matriculei-me na California Christian University que me exigia trabalho de prática clínica, 4 trabalhos de pesquisa e um exame-questionário feito num estabelecimento diplomático dos EUA em Lisboa. A tese seria discutida com o orientador Rev. Dr. W. G. Rummerfield, em Cambridge, onde eles tinham uma ramificação, cujo responsável, Doutor Ernest Kay, era director de International Biographical Center e me iria dando apoio quando necessário, sem marcação prévia. Como ia muitas vezes a Inglaterra com a minha mulher, para cursos estágios e congressos, aproveitei esses lapsos de tempo, com alguns prolongamentos, para tratar da tese e para tirar também o curso de hipnose terapêutica da Baxter Academy. Em Maio de 1980 já tinha concluído a tese sobre a Terapia do Equilíbrio Afectivo mas não estava satisfeito, porque imaginava que poderia obter melhores resultados utilizando a hipnose depois de ler o livro Hypnotherapy, de Milton Erickson e Ernest Rossi.

ES: Então, sempre se meteu na hipnose!
MN: Se eu utilizada o relaxamento muscular para atingir o relaxamento mental e tentar desencadear nas pessoas as recordações boas que elas tinham guardado no fundo dos seus arquivos pessoais, talvez lhes pudesse aprofundar e acelerar o processo com a hipnose, o que seria muito melhor. Se Milton Erickson utilizou a Guided Imagery durantes horas de cada vez, com os seus pacientes, qual a razão de eu não poder utilizar um processo semelhante para desenterrar melhor e mais rapidamente as suas recordações boas com os afectos associados às mesmas? Tinha de trabalhar nesse sentido e já tinha conseguido alguma coisa de positivo com o Joel (G), que me tinha passado pelas mãos. Surgiu depois, inesperadamente, o caso do Júlio (E) que aproveitei para experimentar e aprofundar as minhas ideias, utilizando apenas os apontamentos policopiados que serviam para as aulas dos enfermeiros. Mas, neste caso, além de resolver o problema de depressão, desorientação, transpiração, etc. do Júlio, também tinha de o motivar para melhorar no futuro, já que ele não utilizara todas as suas capacidades quando estava no 10º ano, por estar longe dos pais e sentir-se abandonado, desagradando-se com isso. Por isso, tinha de utilizar a sua Imaginação e era minha obrigação Orientá-la da melhor maneira possível. Para isso, também ele tinha de compreender os mecanismos do funcionamento do comportamento humano para se poder fazer uma reestruturação cognitiva, motivando-o para melhorar muito mais, utilizando as suas capacidades adormecidas. Para isso a sua colaboração para a leitura e compreensão dos textos era fundamental, apesar de tudo isso estar apenas em apontamentos policopiados, utilizados para as aulas de Psicologia e Psicopatologia.

ES: Parece-me que já vi que isso deu resultado.
MN: Deu um resultado que eu não esperava e de que só consegui tomar conhecimento pleno cerca de 20 anos depois, quando reencontrei o Júlio. E repare que foram apenas 19 sessões de duas ou mais horas, com cerca de 122 períodos de meia hora, sentados à mesa de um velho e vasto café, mas pouca gente perto de nós.

ES: Quer dizer que essas sessões de muito tempo ou tempo prolongado dão melhor resultado?
MN: Comigo deram sempre, desde que as pessoas se empenharam na sua recuperação e se dispuseram a ter persistência, treinar em casa, adquirir a capacidade de analisar o seu comportamento com bom-senso, racionalidade e humildade, lendo muito para conseguir «estar dentro do sistema». Saber aquilo que os outros fizeram também ajuda imenso porque cada um pode copiar aquilo que achar melhor, adaptando tudo ao seu caso. É a aprendizagem social em acção, com a modelagem, que é uma das técnicas de modificação do comportamento.

ES: Tem tido bons resultados com isso?
MN: Desde que exista a colaboração do próprio, os resultados são sempre melhores do que na psicoterapia tradicional em que se utilizam as sacramentais horas de 50 minutos. E tudo isso se reflecte não só no próprio como na família e até nos amigos mais chegados. O caso do Antunes (B), que fez a psicoterapia quase autonomamente é elucidativo. Afinal, as dificuldades escolares da filha eram o reflexo ou consequência das dificuldades do pai, que envolviam também a mãe. Bastou ele «apoiar» a filha, para ela melhorar nos resultados escolares, a mãe começar a sentir-se melhor e ele ficar incentivado a fazer a sua própria psicoterapia com perseverança, à base das leituras e dos treinos necessários. Depois, até ajudou e sua «sobrinha» Cidália (C). Com a Cristina, Germana e Januário (L) viram-se os resultados. Foi por isso que o Joel, anos depois de ter melhorado substancialmente, se queixou da «falta de educação» que teve quando dela mais necessitava, englobado numa família coerente. Depois de ler muito daquilo que tinha sido publicado no tempo dele, o que se preconiza na Biblioterapia (Q), conseguiu analisar-se convenientemente, o que o ajudou a melhorar substancialmente o seu comportamento. Também foi por experiência própria que ele insistiu muito para que se fizesse uma Lista de Procedimentos (P) que, agora, foi transformada num livro, em sua homenagem.

ES: O que diz quanto aos movimentos de Psicologia Positiva e Mindfullness que são divulgados presentemente?
MN: Não sei se viu os dois posts que fiz sobre estes assuntos, mas aquilo a que eu assisti não me convenceu e, em relação à meditação transcendental, uma pessoa da minha total confiança foi praticá-la e atribuiram-lhe um mantra.  Ela começou a repeti-lo, mas a sentir-se desconfortável com a posição adoptada e, às tantas, esqueceu-se do mantra e sentiu-se cada vez pior. Nunca mais lá voltou. Não sei quais os resultados reais que os seus utilizadores obtém, mas posso dizer que, quando estive em Goa para o casamento de uma pessoa amiga, tive a oportunidade de visitar Índia, depois de 37 anos de ausência e fui passear por Jaipur. Falei com um iogui que desejou saber qual era a minha profissão e, depois de falar comigo bastante tempo sobre a TEA e a IO, quando lhe perguntei como é que faria o ioga, respondeu-me, a sorrir, que deveria sentar-me e praticar. O seu sorriso parecia querer perguntar-me: “O que é que você faz normalmente?” Com isso, convenci-me que não estava muito longe disso, mas que não tinha de adoptar qualquer posição especial. A minha posição de deitado era mais do que o suficiente. O importante era o «envolvimento da minha cabeça» em todo o processo. Para corroborar as minhas dúvidas, pergunto qual a razão de algumas pessoas que praticam Mindfullness serem quase intratávais, irascíveis e conflituosas. Também, se na Psicologia Positiva as pessoas tèm de se apresentar muito alegres e divertidas, qual a razão de elas estarem deprimidas e até se suicidarem, como aconteceu com o comediante Robin Williams.

ES: Qual é a conclusão a que chega com tudo aquilo que falámos?
MN: Antes de tudo, aquilo que se passou comigo foi o prenúncio da Biblioterapia. Ninguém me ajudou a não ser a «afundar-me» com medicamentos, mas os livros serviram de muito. Depois, discordando de muitas teorias seguidas à risca, fui experimentando a Terapia do Equilíbrio Afectivo que só pode ser utilizada com a colaboração do próprio. A partir dos êxitos obtidos comigo e com os outros, Imaginação Orientada entrou em acção. Com a análise do comportamento, foi possível verificar as causas dos efeitos nocivos que não interessavam e, com uma reestruturação cognitiva, foi possível planear, em relaxamento profundo, novas acções para obter efeitos mais adequados.
Muita coisa funciona com base nas causas→efeitos e não em função de justificações e explicações. Todo este funcionamento pode ser explicado a muita gente ao mesmo tempo, ocasião em que também se pode melhorar a eficácia e a qualidade das práticas, podendo-se prolongar nessas sessões o efeito da recordação/imaginação, para se obter uma melhoria mais consistente. Mas, para isso, as pessoas também têm de conhecer como tudo funciona e o modo como os outros resolveram os seus problemas. O exemplo dos outros pode funcionar como modelo para uma aprendizagem social, até com reforço vicariante. Isso pode ser possível só com leituras bem orientadas acompanhados de alguns esclarecimentos atempados e oportunos, que podem acelerar e consolidar todo o processo de reequilíbrio.

ES: Já estou a ver de que modo faz a psicoterapia. Mas não pode ser necessário fazer qualquer diagnóstico com exames, etc? Como é que faz isso?
MN: Pode ser necessário fazer exames ou outras perícias. A Drª Graça Martins que colabora na FISIOCONVENTO, Rua Almirante Gago Coutinho, em Mafra e na PSICAIS, na Avª do Ultramar, em Cascais, ajuda ou participa, com toda a confiança, quando existe necessidade de avaliação de personalidade e de funções cognitivas, de orientação escolar ou profissional ou até de apoio psicopedagógico ou psicoterapêutico. Da minha parte, dedico-me a manter os blogs, a actualizar os livros da colecção para uma Biblioterapia bem orientada e a atender algum paciente antigo ou especialmente recomendado, já que acabei agora a minha actividade docente, no ISMAT, ao fim de 10 anos de docência, em 2010/11.

ES: Com esta conversa, parece-me que gosta bastante da Biblioterapia. Vendo o seu currículo, anterior a tudo o que mencionou, parece-me que foi conservador da Biblioteca Nacional de Goa. Isso não lhe terá criado um bichinho para gostar da biblioterapia?
MN: Confesso que não tinha pensado bem nisso, mas foi nessa ocasião que me entusiasmei bastante pelas leituras. Começando por Júlio Diniz, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, etc. continuei com Gilberto Freire, Jorge Amado, Erico Veríssimo, José Lins do Rego, etc. e, especialmente, Francisco Luís Gomes, que era meu patrício. Por isso, posso considerar isso como uma Bibliofilia.  As leituras subsequentes, a partir de 1968, relacionadas com psicanálise, modificação do comportamento,  etc. que acabei de mencionar, é que podem ter contribuído para a Biblioterapia incentivada pela minha bibliofilia anterior.  Esta foi uma necessidade sentida e desencadeada pelo anterior gosto pela leitura.
Enquanto o gosto pela leitura e a sua efectivação ocasiona o reforço do comportamento incompatível, a leitura e compreensão de livros adequados e orientadores, ocasiona a possibilidade de poder melhorar o desequilíbrio psicológico desde que seja acompanhada dos treinos convenientes. É uma espécie de reforço do comportamento incompatível permanente.
Mas agora, depois de me sentir muito melhor com esse reforço e de me ter enfronhado completamente na psicoterapia, num interregno de quase 20 anos, dediquei-me, quase por necessidade, apenas aos textos de psicologia, até começar a escrever alguma coisa para a posteridade.
E, a propósito, o meu primeiro livro foi “A Psicologia no Dia-a-Dia“, publicado inicialmente com o título “O Uso Social de Psicologia“, aconselhado por dois especialistas da editora, que distorceram também a sequência do livro. Foi pena ter de se mudar tudo muito mal e à pressa porque o livro não estava a ser vendido. A capa mudou mas o conteúdo ficou distorcido.

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TERAPIA ATRAVÉS DE LIVROS para a Biblioterapia
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CONVERSA ENTRE AMIGOS – 4

Hoje de manhã, quando dava o meu passeio habitual, o senhor que tinha conversado comigo há bastante tempo e a quem eu dera o livro «AUTO{psico}TERAPIA» (P) obrigando-me quase a fazer um post sobre PREVENÇÃO E PROFILAXIA, estava à minha espera à porta do café para «irmos conversando».

P: O que se poderia fazer de facto para melhorar o estado de coisas em que estamos?  
R: Mobilizar as pessoas interessadas tomando consciência do estado em que estão as coisas. Isto só se consegue tomando conhecimento de toda a situação envolvente. Para isso, é necessária muita leitura e conhecimento da situação real. Da minha parte, estou a manter o blog [psicologiaparaque.wordpress.com] para dar respostas às dúvidas das pessoas com base nos comentários que fizerem. Estou a trabalhar nos livros e a divulga-los através de outro blog [livroseterapia.wordpress.com] a fim de que as pessoas interessadas os conheçam. Tudo isto se insere na estratégia da Biblioterapia que eu comecei já em 1980 só com apontamentos policopiados que se transformaram depois em livros. Agora, esta estratégia está a ser seguida na Inglaterra, País de Gales, apenas desde os princípios deste século, como tratamento «low cost» porque os seus serviços de saúde não chegam para atender todos os que vão aumentando no desequilíbrio psicológico com a vida frenética que vão tendo. É a vida.

P: Não acha que seria melhor entregar os livros a uma editora?  
R: Acerca disso, posso falar das minhas más experiências. Estive ligado a uma editora como consultor e director de colecção e as decisões finais não conseguiam ser minhas . Publiquei os livros através da Plátano, da Clássica, da Escolar, da Hugin e da Calçada das Letras, mas nenhum dos livros ficou totalmente ao meu gosto e até as capas não foram do meu inteiro agrado. Fui sócio de editora e distribuidora mas não deu bom resultado. Com toda esta aprendizagem acumulada, resolvi seguir conselhos de alguns dos meus consulentes: “Ser editor dos meus livros“. Assim, consigo acompanha-los até ao fim, alterá-los e dar a apresentação que me parece que eles merecem. É por isso que faço a edição em impressão digital, com tiragem reduzida. Só necessito que os livros sejam adquiridos por aqueles de quem necessitam deles. Para isso tem a internet, os correios e o meu endereço electrónico.

P: Parece-me boa esta explicação mas se, na psicoterapia, isso se consegue com a ajuda de livros, melhor é começar a pensar no assunto e reagir logo que possível.
R: Dou-lhe toda a razão e, por isso, prometo a minha colaboração. Os interessados que se movimentem para fazer a sua parte. Boa sorte para todos, porque, logo que chegar a casa, vou já transformar a nossa conversa em post para que muita mais gente tome conta destes factos, antes que a «doença mental» aumente mais do que os 25% que conseguiu progredir na última década.

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PREVENÇÃO e PROFILAXIA – 3

Quando na quarta-feira resolvi adiantar-me e dar a minha voltinha habitual, o senhor que já me tinha telefonado para marcar encontro para o dia seguinte, estava à minha espera no café.
Cumprimentou-me, pediu para conversarmos durante algum tempo no café e aceitou o livro que lhe estava a dar.
Enquanto olhava para o mesmo ostensivamente, deu um golpe de vista, muito sorrateiro, pela sala toda à sua volta e disse-me que as pessoas ainda desconfiavam muito da psicologia e dos psicólogos, imaginando que só «quem estava  mal da cabeça» os consultava.

Para o sossegar ou esclarecer, contei o caso de duas consulentes que tinham problemas conjugais e iam à consulta por causa disso. Um dia, como normalmente cumprimentava na rua as pessoas que eu conhecia, cumprimentei-as simpaticamente. Pareceram-me constrangidas e a olhar para os lados.  Quando qualquer delas foi de novo à consulta, disse-me que não valia a pena cumprimentá-las publicamente porque as pessoas desconfiavam dos iam à consulta de psicologia. A partir desse dia, comecei a ter o cuidado de não cumprimentar as pessoas, deliberadamente, por minha iniciativa, mas passar a corresponder ao seu cumprimento ou ao gesto de o fazer. Não queria deixar ninguém embaraçado por causa disso. Contudo, expliquei às senhoras que, quem pensa e se sente dessa maneira, pode estar momentâneamente desequilibrado e com medo que as outras pessoas saibam disso. Também expliquei que todos ficamos desequilibrados de vez em quando, mas que «entramos nos eixos» logo que praticarmos aquilo que é necessário. Elas iriam saber disso com a experiência.

Por causa disso, expliquei ao senhor que estava comigo que eu estava a manter as mesmas práticas, há mais de 40 anos, utilizando a IO, com a técnica de TEA, apoiada pela autohipnose, num sentido de logoterapia, para uma reestruturação cognitiva, destinada a manter o equilibrio psicológico e a pomover o desenvolvimento pessoal. Com a prática, não necessitando de muitos dos procedimentos, essenciais no início da aprendizagem, despendia apenas cerca de 3 a 5 minutos, todas as noites, à hora de dormir.

O mais importante é que a psicologia serve essencialmente para melhorar o nosso desempenho ou o bem-estar psicológico e, para isso, não é necessário «estar maluco» mas sim ter gosto em o próprio se sentir cada vez melhor.

Com esta minha constatação, o senhor disse-me que  já tinha lido o capitulo de que eu lhe falara no encontro anterior. Julgava que, por todos os factos de que eu falara, seria muito bom publicar esse capítulo num post, porque poderia alertar muita gente em relação às medidas que se podem tomar ANTES que haja necessidade de remediar a situação DEPOIS de ter ocasionado prejuízos, como estava a acontecer com ele. Também me disse que já tinha conseguido ler alguns livros iniciais que deram origem à reorganização do JOANA (D). Se ele tivesse tido esses conhecimentos mais cedo, talvez as suas dificuldades do momento fossem menores ou não existissem.

Fiquei satisfeito com esta constatação e, apesar de já ter publicado dois posts  sobre este tema, um em Dez 10 e outro em Nov 13, resolvi publicar de imediato da páginas 33 a 40 do livro agora publicado. 

 

“PREVENÇÃO E PROFILAXIA

Complementando a indicação dos livros, existe ainda o blog [psicologiaparaque.wordpress.com] que, só com comentários, dá permanentemente uma ajuda substancial, além da (BIBLIOTERAPIA) − [livroseterapia.wordpress.com] − que constitui uma colecção.
Explicando melhor, para compreender bem e em linguagem simples, grande parte do que é necessário, bem como o modo de funcionamento do comportamento humano individual e em interação com o meio ambiente, dois livros parecem ser essenciais:
►PSICOLOGIA PARA TODOS (F) explica o modo como se forma e se prevê um comportamento e quais as forças (e técnicas) que o incentivam, mantém, alteram, reduzem, aumentam ou extinguem.
►INTERACÇÃO HUMANA (K) indica quais são as forças ou os factores psicológicos e sociais que influenciam os comportamentos na nossa interacção com todo o meio ambiente.

Com a leitura cuidadosa destes dois livros e de vários outros (D) (I), para a utilização da modificação do comportamento na vida prática do dia-a-dia, a pessoa pode apreender as noções exactas, bem como os conceitos científicos utilizados na Psicopedagogia, Psicologia Social, Psicopatologia e Psicoterapia.
Interessam, pelo menos, aqueles que se indicam a seguir:
▪ afiliação,
▪ anulação,
▪ ansiedade,
▪ aprendizagem,
▪ atenção,
▪ autohipnose,
▪ autoridade,
▪ autoritarismo,
▪ comunicação,
▪ condicionamento clássico,
▪ condicionamento operante,
▪ conflito,
▪ conformismo,
▪ cultura,
▪ democracia,
▪ depressão,
▪ desaprendizagem,
▪ deslocamento,
▪ dessensibilização,
▪ dissonância cognitiva,
▪ efeito de Zeigarnick,
▪ estímulo,
▪ estímulo subliminar,
▪ estruturação da personalidade,
▪ extinção,
▪ facilitação, inibição e pressão social,
▪ fases do desenvolvimento humano,
▪ filtro,
▪ feedback ou reaferição
▪ frustração,
▪ gratificação,
▪ halo,
▪ identificação,
▪ Imaginação Orientada (IO),
▪ laxismo,
▪ modelagem,
▪ moldagem,
▪ negação
▪ obediência,
▪ papel social,
▪ percepção,
▪ personalidade,
▪ pico de extinção,
▪ poder,
▪ preconceito,
▪ primeiras impressões,
▪ psicossomática,
▪ punição,
▪ recalcamento,
▪ reforço aleatório,
▪ reforço de intervalo fixo,
▪ reforço de intervalo variável,
▪ reforço de razão fixa,
▪ reforço de razão variável,
▪ reforço diferido,
▪ reforço do comportamento incompatível,
▪ reforço negativo,
▪ reforço positivo,
▪ reforço primário,
▪ reforço secundário,
▪ reforço vicariante,
▪ regressão,
▪ resolução de conflitos,
▪ resposta,
▪ saciação ou implosão (flooding),
▪ sublimação,
▪ sugestão,
▪ superprotecção,
▪ Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA),
▪ tipos de conflito,
▪ transferência,
▪ traumatismo negativo,
▪ traumatismo positivo,
▪ última impressão,
▪ valores.

Além dos dois livros já mencionados, que exemplificam muitos destes conceitos, outros dois podem dar uma noção da saúde mental, «normal», «anormal», desejável, indesejável e patológica:
■ SAÚDE MENTAL, sem psicopatologia (A) aborda as várias facetas da saúde e da insanidade mental ao longo dos tempos, bem como os diversos comportamentos humanos desejáveis e indesejáveis, assim como os mecanismos inconscientes, as psicoterapias e as consequências dos medicamentos psiquiátricos, com os seus efeitos secundários ou colaterais prejudiciais, imediatos e a longo prazo.
■ NEUROPSICOLOGIA NA REEDUCAÇÃO E REABILITAÇÃO (I) aborda facetas das dificuldades neuropsicológicas em geral e das deficiências na aprendizagem escolar e social, bem como as técnicas de reeducação e reabilitação possíveis e vantajosas.

Também, mais dois livros podem dar uma noção exacta sobre os diagnósticos errados que se fazem precipitadamente, às vezes, por «imperativo de serviço», bem como os fundamentos em que se baseia o tipo de terapia agora proposta que, partindo do modo de actuação de um psicoterapeuta, pretende ser uma forma de cada um se poder precaver contra os males que o podem avassalar:
● PSICOPATA! Eu? (G) apresenta o desfecho desagradável ocasionado por um diagnóstico precipitado, um conselho e uma medicação do psiquiatra, em toda a vida do indivíduo implicado neste caso e que tentou matar a noiva, pela terceira vez, sem sucesso.
● IMAGINAÇÃO ORIENTADA (J) apresenta os fundamentos da psicoterapia agora proposta, baseada essencialmente nos princípios e nas técnicas da Terapia do Equilíbrio Afectivo (TEA), da Imaginação Orientada (IO) e da hipnose ou autohipnose, no sentido da logoterapia, com resultados mais do que invejáveis.
Apesar de fazer tudo o que foi dito e descrito nos livros indicados, nas bibliografias e nos blogs acima mencionados, se a pessoa continuar a sentir-se desorientada, é imperativo consultar um psicólogo de confiança, logo que possível, para obter ajuda, não deixando que os sintomas se agravem.

É um procedimento a não descurar na maior parte dos casos, para iniciar uma recuperação ou profilaxia imediata (M), sem menosprezar o apoio e a colaboração que cada um pode e deve dar com os exercícios indicados e com a leitura de bibliografia adequada (Q). Isso pode traduzir-se num aumento substancial da melhoria de desempenho e de interacção familiar e social, com uma rapidez cada vez maior e resultados ainda mais eficazes e duradouros (B) (C) (E) (L).

Tentar deixar para o fim, dificuldades que se podem resolver quase de imediato e, às vezes, como prevenção para o futuro, pode ajudar a camuflar as mesmas. Além disso, pode criar e avolumar um mal que consegue ser facilmente evitado ou reduzido, especialmente quando não forem utilizadas soluções de recurso, que distorcem toda a situação, dando alívio temporário, muito efémero e enganador.
Por isso, a «EDUCAÇÃO» também é muito importante (D) (M).

O que aconteceu com a Joana (D) é o exemplo do modo como até uma criança tratada com as técnicas de modificação do com-portamento, as conseguiu utilizar quando bem apoiada, ajudando os pais a se «re-unirem» depois de se terem «des-unido» algum tempo antes, por causa da educação dela. Joana foi, praticamente, a «causa» da «des-união» bem como da «re-união» dos pais que, por terem tido «educações» diferentes, começaram por se desentender («efeito») na educação a dar à filha, a ponto de chegarem a vias de separação.
Um encontro fortuito num comboio suburbano, as traquinices da Joana, as conversas do pai com um aluno finalista da ciência do comportamento, as muitas leituras dos pais e a demonstração prática do que se pode realizar em modificação do comportamento, fizeram com que o casal se «re-unisse» e que até a Joana fosse capaz de utilizar com sucesso essas noções com um irmão que nasceu logo depois.

É também bom nunca esquecer que algumas melhoras iniciais, muito rápidas, são tão enganadoras como o desencorajamento que, quase sempre, acontece depois das mesmas.
Pode ser o pico de extinção a funcionar (P).
Como corolário de tudo o que foi dito, até em face dos acontecimentos actuais, tais como os tiroteios e fogos que são desencade-ados por pirómanos ou delinquentes, toxicodependências enquistadas em indivíduos cujas famílias são desestruturadas, incoerentes e desarmoniosas, fraudes e nepotismos perpetrados por indivíduos ou grupos de pessoas gananciosas, más gestões ocasionadas por desejos de enriquecimento ilícito, etc., podemos chegar à conclusão de que a «educação», na sua mais profunda essência, é a causa principal.

Se não houvesse pirómanos, viciados, prepotentes ou gananciosos, muitos factos que se mencionam nos noticiários, não teriam ocorrido ou existiriam em menor número e com intensidade reduzida.
Para tanto, todos os causadores desses problemas ou «desgraças» deveriam ter tido uma «EDUCAÇÃO» humanista e democrá-tica, baseada nos princípios duma psicologia e ética, bem aplicadas.
Tal como aconteceu com a «Joana» (D), as crianças devem ser educadas com reforços adequados, especialmente o vicariante, com modelos de identificação coerentes, sem sofrer de dissonância cognitiva, aprendendo a resolver conflitos, dum modo mais adequado, sem se deixar sucumbir pela frustração, mas aprendendo a ultrapassá-la com criatividade e êxito, integradas numa família coe-rente, dentro duma cultura com valores de verdadeira democracia.

Se não houver as «causas» mencionadas – devidas à educação, estrutura da personalidade, meio envolvente e oportunidades – os «efeitos» serão completamente diversos, pelo menos, com poucos incêndios, menos drogados e alcoólicos, raras famílias desestruturadas e «doentes», menos fraudes, poucos crimes e corrupção e, essencialmente, menos indivíduos prepotentes e gananciosos, talvez causadores de tudo, a beneficiarem de toda a situação que vivemos!

Explicitando melhor as causas e os efeitos:
Com menos tiroteios e incêndios, haverá menos danos, mortes, crimes e incêndios.
Com menos toxicodependência e alcoolismo haverá menos viciados e necessidade de poucos centros de reabilitação.
Com menos fraudes, não haverá necessidade de tantos tribunais.
Com menos prepotência, haverá menos insatisfação, geradora da consequente frustração, por não se conseguir derrubar um poder auto-ritarista, coercivo e socialmente insensível.
Com menos famílias desestruturadas, não haverá necessidade de despesas com tanto apoio social, psicológico e medicamentoso.
Com menos despesas, os impostos que todos pagamos, serão em muito menor quantidade e as receitas servirão para melhorar o bem-estar de toda a população e não para aumentar a riqueza e a ostentação de alguns, que vão proliferando com o aproveita-mento da situação global, a fim de poder avolumar incomensu-ravelmente o seu património, em desfavor da democracia e da equidade social que têm de existir para que a sociedade funcione de forma harmoniosa e equilibrada e com mais tempos de lazer.

Sublata causa, tollitur effectus, diziam os latinos.
Por isso, eliminando a causa, desaparece o efeito que não nos interessa e pode ser substituído por um outro, que se ambiciona.

Como último reparo, interessa realçar de novo, que este livro foi concebido para funcionar em três partes:
A primeira parte, que termina no capítulo “Imaginação Orientada”, destina-se essencialmente a quem deseja tentar remediar rapi-damente o seu problema sem se importar com uma recaída futura.
A segunda parte, a iniciar no capítulo “Continuação da Auto-Terapia”, é dedicada aos que desejam resultados sólidos e duradouros e querem ficar prevenidos, pensando no futuro.
A terceira parte, a começar com “Provas de Autoconhecimento” fica reservada para quem pretende ajudar-se a si próprio, além de proporcionar um bom ambiente à sua volta, difundindo os novos conhecimentos adquiridos, bem como as experiências vividas.
Por isso, podemos falar na «educação» que, se fôr dada com conhecimento de causa, sabendo das experiências dos outros e consultando obras de referência, pode ser muito mais profícua, proveitosa, original e criativa. A «BIBLIOTERAPIA» (Q) indica como!
Por este motivo, depois das provas para o conhecimento de cada um, apresentam-se as várias obras que contêm muito do que se pode fazer em psicoterapia, com descrição de «casos», noções sobre o comportamento humano, psicologia social, psicopedagogia, psicopatologia e psicoterapia, com a razão dos seus fundamentos.
Além disso, a extensa Bibliografia apresentada a seguir e que pode ser consultada quando necessária por quem estiver profundamente interessado neste assunto, refere-se às várias obras que ajudaram também a preparação dos 17 livros da BIBLIOTERAPIA (Q).
Assim, quem quiser, pode ir às origens.

É também bom compreender que muitos dos problemas que enfrentamos são originados por «pequenas coisas» sem importância, que, em outra pessoa ou em momento diferente não teriam a dimensão que provocaram um mal-estar muito grande naquele momento.
Nesse sentido, entende-se bem a «causaefeito».

Para uma boa leitura, ao consultar quaisquer das publicações indicadas, ou outras, bem como muitas das mencionadas na Bibliografia seguinte, relacionada com todos os livros publicados nesta colecção, além do índice vulgar, deve ser possível descobrir em alguns o ÍNDICE REMISSIVO, geralmente nas páginas finais.
Através desses índices, cada um pode procurar o assunto que lhe interessa e consultar rapidamente as páginas correspondentes.
A última página deste livro com as Anotações, é a recordatória dos passos imediatos para o início da Auto{psico}Terapia.

Boa sorte e melhor trabalho, essencialmente com esta terceira parte que é mais difusa, muito opcional, mas vantajosa para quem quiser melhorar muito mais no futuro, ajudando também os outros.
Com a BIBLIOTERAPIA que utilizar, como agora se está a fazer em grande parte do mundo «civilizado», além de ajudar o pró-prio, [https://www.facebook.com/centrode.psicologiaclinica.3] pode também apoiar os outros com o exemplo dado e a difusão de conhecimentos.

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CONVERSA ENTRE AMIGOS – 3

Ontem de manhã, quando dava o meu passeio habitual, o senhor que tinha conversado comigo na semana anterior, estava à minha espera à porta do café, solicitando que entrasse para podermos conversar mais um bocado.
Ele tinha visto no «ACADEMIA.edu» a versão inicial do livro «AUTOTERAPIA» publicado sob o título «SELF-THERAPY» e tinha gostado. Contudo, não achava fácil executar tudo o que tinha lido sem uma ajuda, pelo menos, pontual e esporádica.
Assim, começámos a conversa para esclarecer aquilo que mais lhe interessava.

 

P: Não acha que tudo aquilo que diz nesse artigo tem de ser devidamente acompanhado?
R: Antes de tudo, tenho de confessar que tudo isso começou comigo, quando entrei em depressão profunda e a única ajuda que tive foi a do psiquiatra que me medicou durante quase ano e meio, diziendo que eu tinha de resolver os «conflitos» antigos que tinha com o meu pai.
Com o meu pai, a única divergência que tinha tido, era a de não ter ingressado no curso de Direito logo depois de terminar o curso dos liceus, mas esse facto devia-se essencialmente a dificuldades financeiras.
Por isso, depois de ser conservador interino na Biblioteca Nacional de Goa durante 3 anos, ingressei na Força Aérea, esperando ir para os TAIP, depois dos 4 anos de serviço obrigatório por contrato.
Contudo, não foi isso que aconteceu e fui destacado para Angola ao fim de mais de 3 anos de serviço.
Na minha 2ª comissão em Angola, depois de destacamentos nos Açores e Guiné e com 8 anos de serviço no quadro permanente, nos momentos em que estava totalmente frustrado, em Luanda, já tinha lido, os livros de Pierre Daco que estavam ao meu alcance.
Mesmo depois dessa comissão, a Força Aérea obrigava-me a continuar no activo, sem poder ter licença ilimitada findos os 8 anos de oficial do quadro permanente, para ingressar na TAP, onde ganharia pelo menos mais do que o quíntuplo e ficaria em muito melhores condições.
Afinal, o meu total desengano e a minha grande frustração era ocasionada pela Força Aérea que, durante 7 anos não me deu autorização para continuar o curso de Direito que já tinha iniciado em 1958, nem me libertou da sua tutela.
Tudo isto já tinha começado e repercutir-se fortemente na minha saúde, provocando constantes diarreias, mal-estar, enxaquecas, descontrolo cardíaco, transpiração abundante, dores musculares e várias outras «mazelas». São as tais doenças psicossomáticas. Tive de me «desenrascar» por mim próprio e tudo isto foi conversado com o meu amigo Antunes (J).

P: Essa leitura de que me falou, ajudou muito?
R: Posso garantir que essa leitura, vagarosa, bem introjectada e cuidadosa, deu-me a ideia de que existem muitas coisas que se passam na nossa vida que nos podem incomodar imenso num determinado momento e em certas condições e passar depois a um esquecimento voluntário ou «forçado», podendo servir de «gatilho» para haver disparos, anos mais tarde, às vezes, sem darmos conta disso e nos momentos mais inesperados.

P: Já estou a compreender. Mas o que se faz lendo e compreendendo essas coisas?
R: Respondendo por mim, posso dizer que comecei a compreender que existem mais causas, do que «culpas», para os nossos comportamentos, que são os efeitos que, às vezes, podem não nos interessar.
Por exemplo, se tivermos medo dos relâmpagos, pode ser que a causa tenha sido o facto de ver a avó muito aflita nos momentos de trovoada. Uma criança impressiona-se muito com isso e vendo a avó com medo, pode julgar que ter medo pode ajudar em alguma coisa. Esconder-se debaixo duma almofada pode ajudar a reduzir ou a não ouvir o estrondo dos trovões. São sinais condicionais que ficam associados aos nossos comportamentos.
Comecei a compreender tudo isto quando tive as magníficas aulas de Psicologia Geral com o Prof. Orlindo Gouveia Pereira e assisti, em 1973, aos seminários que o Doutor Victor Meyer, da Faculdade de Medicina do Hospital de Middllesex, Londres, conduziu nos Hospitais de Santa Maria e Júlio de Matos.
Quando regressei de Luanda, eu já estava, desde 1970, no curso de Psicologia do ISPA que, por ser privado, não me exigia a tal autorização da «tropa» para tirar o curso.

P: Isso serviu de muito?
R: Tudo isso fez-me compreender que a minha depressão não poderia ser ultrapassada com os comprimidos que me estavam a receitar mas sim com uma metodologia diferente. Além disso, até me podiam deixar na sua dependência e degradar a saúde.
Com essa depressão, eu estava tão «em baixo» que fui retirado das tripulações e colocado numa Direcção de Serviço e, pouco depois, fui dado com incapaz para o de serviço de vôo.
Foi por isso que passei à reserva através duma Junta de Saúde, em 22 de Abril de 1974.
Comecei a ler muito sobre esses temas e compreendi que não basta só «desvendar» as dificuldades passadas ou recalcadas mas sim descobrir a maneira de as ter podido evitar ou de as ultrapassar.
Por isso, a psicanálise não me seduzia, mas uma análise profunda ajudaria a descobrir as causas.
Era necessário examinar as capacidades e possibilidades de cada um e saber de que modo se poderia ter actuado de maneira diferente para não sentir a «carga» dessas dificuldades.
Para isso, só o comportamentismo ou «behaviorismo» também não chegava.
Seria necessário juntar as duas coisas, ter uma visão global (gestalt) e descobrir o sentido da vida para alterar as nossas cognições.
A descoberta de muitos livros como o «Man´s Search For Meaning» de Viktor Flankl e «Psychoanalyse Yourself», de Edward Pickworth Farrow e diversos outros sobre Modificação do Comportamento, ajudaram-me a compreender que muitos dos nossos comportamentos (efeitos) são modificáveis desde que se alterem as «causas» ou estímulos que os provocam ou ocasionam. Muitas vezes, eles são incentivados por estímulos esporádicos e «despretensiosos» mas que causaram em nós algum impacto anterior, funcionando como sinais condicionais.

P: É interessante esta maneira de utilizar a psicologia! Nunca tinha pensado assim.
R: É muito natural que não pense assim, especialmente se estiver a ver os programas de televisão em que os da Polícia Judiciária parecem estar a falar mais em Psicologia do que os Psicólogos que lá aparecem.
A minha ideia é completamente diferente.
Todos os problemas passam-se na nossa cabeça. É aí que temos de actuar. Quem melhor do que o próprio pode fazer isso? Como é que uma pessoa consegue actuar exactamente como qualquer outra? Cada um tem os seus recursos e é com eles que deve actuar. Se souber como agir, melhor ainda. Não tem de ficar dependente de alguém que o vá orientar e monitorizar. Foi o que aconteceu comigo e, até certo ponto, com o meu amigo Antunes (B).
Também, como é que se poderia adivinhar que, no caso dele, os problemas académicos ou o insucesso da filha se deviam à falta de assistência do pai em casa, por estar «quase casado» com a Empresa Financeira onde trabalhava? E os problemas dele? E aqueles que ele provocava na mulher, que se sentia desamparada?
Tudo isso tinha de ser compreendido por ele através da leitura que ele se prontificou a fazer a partir das conversas que teve comigo, mas que se podem difundir também com palestras que estou a propor (B/109).
Se cada um souber o modo como os comportamentos funcionam, isoladamente e em grupo, muitos deles poderão ser modificados desde que se saiba quais são as causas.
E, quem melhor do que o próprio pode saber isso? Como poderá compreender toda essa problemática se não analisar o seu comportamento na interacção com o meio envolvente? Como poderá conseguir analisar tudo isso se não tiver calma e discernimento suficientes? E a humildade, com sinceridade, que é necessária para reconhecer as causas que, frequentemente, confundimos com culpas? A necessidade de apresentarmos uma boa imagem é tão grande que, geralmente, descobrimos «justificações» para tudo. Os outros poderão «aclarar» isso melhor do que cada um? E quem poderá praticar, por nós, o relaxamento mental que é necessário para isso?

P: Então, o que se deve fazer?
R: Por isso, julgo que é melhor e mais apropriado cada um despir-se sozinho, tanto quanto necessário, para ir descobrindo as suas características, que contém muitas qualidades e inúmeros defeitos. Algumas vezes, pode necessitar de ajuda especializada, mas só naquilo que não conseguir compreender e analisar devidamente. Para isso, também tem de compreender o funcionamento do comportamento. Por isso, julgo que as leituras são importantes e os livros «Psicologia para Todos» (F) e «Interacção Social» (K) são essenciais.
Contudo, apenas a leitura de «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» (D) em que se fala da utilização da modificação do comportamento na prática do dia-a-dia, pode ajudar imenso. Se uma criança «birrenta», ocasionou a «des-união» dos pais e conseguiu a sua «re-união» através da modificação do seu próprio comportamento, qual a razão de os mais velhos não conseguirem fazer o mesmo? E, se essa criança, através da modificação do seu comportamento aprendeu as técnicas necessárias, qual a razão de os mais velhos não as poderem aprender para as empregar com eficiência?

P: Acha que isso chega?
R: De modo algum. Por isso, a maneira de se chegar a um relaxamento mental está bem explicado nesse novo livro sobre «AUTO{psico}TERAPIA» (P). Necessita de prática e de persistência que só pode ser de cada um. Os conselhos não servem para mais nada a não ser como orientação e ajuda inicial, momentânea ou temporária e pontual. Às vezes, até podem frustrar quando a pessoa não conseguir atingir aquilo que o técnico diz ser possível. Porém, esse técnico pode ser um factor de orientação, encorajamento e de motivação para que o «paciente» leve a bom termo a sua tarefa. Aconteceu especialmente com a Cidália, de «Eu Também Consegui!» (C). Contudo existem pessoas que são renitentes em praticar o relaxamento e até se recusam o ler o que é
necessário. Os «casos» descritos em «Psicoterapias Difíceis» (M) são elucidativos e, quando o meio ambiente familiar, profissional ou social não ajudam, as coisas podem ficar ainda piores.

P: Se me diz que o ambiente familiar é muito importante, já me está a implicar nisso e parece-me que está a dizer que eu tenho de mudar alguma coisa em mim próprio para dar apoio ao meu filho.
R: Veja como chegou a esta conclusão sem eu ter de lhe dizer isto numa consulta. O que mais me importa é que as pessoas, lendo os livros, vejam reflectidos neles em alguns dos seus traços e, fazendo as comparações necessárias, descubram de que modo terão de se modificar para alterar o meio ambiente da maneira que mais lhes agradar ou fôr necessário, precisando, às vezes, de alguma ajuda suplementar de técnicos competentes e honestos.

P: Isso consegue-se com a ajuda de livros?
R: Da minha parte, posso garantir que sim. O Antunes (B) dirá quase a mesma coisa. O Júlio (E) necessitou de algum apoio para os primeiros ensaios. A Cidália (C) teve alguma ajuda durante bastante tempo. Faltam também os casos da Cristina, da Germana, do Januário (L), da Isilda, da «nova paciente» (H). Lendo com cuidado as suas histórias, podem-se tirar muitas ilações e confrontando-as com as do «Mijão», do «Calimero», da «Perfeccionista» e do «Pasteleiro», verificar de que modo o meio ambiente pode influenciar negativamente os comportamentos que dependem, em grande parte, do mesmo. Como os pais fazem grande parte do comportamento dos filhos, verificou-se o modo como a «JOANA» (D), conseguiu modificar rapidamente o seu comportamento desde que os pais alteraram o seu.

P: Já estou a compreender.
R: É por este motivo que, depois de 40 anos de clínica, estou que a lutar pela prevenção mais do que pela cura. Tudo se torna mais vantajoso, harmonioso, económico e fácil de lidar, sem receio de sobressaltos desnecessários.
É a herança que podemos deixar aos nossos descendentes para um mundo melhor do que o nosso.
Quando tiver entre mãos o novo livro de «AUTO{psico}TERAPIA» (P), leia com muito cuidado o capítulo «PREVENÇÃO e PROFILAXIA» para se certificar do que estou a dizer agora.

P: Estou a lembrar-me que muito se pode fazer também na nossa religião católica.
R: É uma constatação interessante mas que exige perguntas: “Qual religião?” “Só a nossa?” “E as outras?”
Concordo plenamente, desde que a religião seja de concórdia e não de ódio. O mesmo acontece com muitas práticas, como as de Psicologia Positiva. Mindfullness, Yoga, Meditação, etc. e muito já escrevi sobre isto neste blog. O importante é a cabeça de cada um e os valores que ela pratica e defende.
Falando por mim, posso dizer que os meus antepassados imediatos foram católicos, mas os mais remotos foram hindús. E os mais remotos ainda não sei o que foram. Contudo, em Goa, todos nos dávamos muito bem uns com os outros, a ponto de o proprietário duma devalaia chamar «prima» à minha mãe. No meu tempo, nunca houve problemas. Contudo, uma intransigência de que tive conhecimento foi a do vigário da nossa paróquia, não deixando que um hindú custeasse as despesas das festas da semana-santa. Apesar de ser «gãocar», isto é habitante legítimo e antigo dessa paróquia, não foi autorizado. A intolerância parece que foi do pároco de quem também nunca gostei. O que diria agora o Papa Francisco? Também, nisto, o mais importante é a cabeça de cada um, com os valores que introjectou na estruturação da sua personalidade e o modo como utiliza os seus recursos. A Psicologia é para todos e não existe religião, credo, etnia, género ou qualquer outra peculiaridade que a diferencie. O importante é a pessoa humana e o seu ambiente.

P: Gostei desta conversa que me esclareceu bastante. Fico à espera do livro, já que diz que a leitura é muito importante. Mas, não consigo compreender a importância que lhe atribui.
R: Deixe-me ser muito «ordinário» com o exemplo que lhe vou dar! As nossas estradas e ruas não são das melhores e, muitas vezes, existem pedrinhas que incomodam, obstáculos que teremos de passar ou enfrentar, além de poças de água e lama barrenta. Se, por ouvir dizer ou por não lermos alguma coisa séria e científica sobre isso, não soubermos que a água pode molhar e a lama estragar certo calçado ou que os carros podem esparrinhar água e sujar a roupa, além de nos atropelar, não teremos o cuidado suficiente para nos precavermos disso, olhando bem para o terreno que iremos  pisar, calculando todas as situações. Se não houver livros que nos dêem as noções necessárias para a precaução a ter ou de «defesas e capacidades de ultrapassagem» a manter nas circunstâncias adversas, até somos capazes de «alegremente» «meter a pata na poça»! Compreendeu agora o meu ponto de vista?
Se não tivermos o cuidado de nos precavermos ANTES, conhecendo o que é necessário, teremos de ficar a maldizer a sorte e os estragos sofridos DEPOIS, quando tudo isso poderia ter sido evitado.
Até à próxima quinta-feira para lhe entregar o livro, ou para publicar em novo post com o capítulo de que falei.

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CONVERSA ENTRE AMIGOS – 2

Ao comentário no último post (19) sobre «ESCOLA / CONFLITOS»:

“Conheci a Drª Zélia há muitos anos.
O grupo acabou de ler todos os artigos da «ESCOLA / CONFLITOS» e gostou muito.
Houve uma pessoa que mora junto de vocês e gostaria de falar sobre a psicoterapia porque tem um filho com dificuldades e não pode disponibilizar de dinheiro para as consultas, nem deseja sujeitar-se aos medicamentos que podem fazer mal.
Pode ser que esse senhor possa contactar pessoalmente o Dr. Noronha num dia em que ele esteja mais disponível.
Suponho que será numa quinta-feira.
Obrigado pela ajuda dada e que talvez possam continuar a dar.”

tinha respondido que nesta quinta-feira estaria disponível para conversar com o senhor de quem a Fernanda falava nesse comentário.

 

Estava a chegar ao café por onde passo vulgarmente, quando vi um senhor aproximar-se de mim, chamar-me pelo meu nome e dizer que era a pessoa de quem a Fernanda me tinha falado no seu comentário.
Com esta constatação, convidou-me a entrar para o café a fim de podermos conversar mais à vontade sem ter necessidade de nos preocuparmos com a chiva e o trânsito, para o caso de estarmos a passear.
Ele tinha lido todos os 19 posts da «ESCOLA / CONFLITOS» e muitos mais, mas não sabia como poderia utilizar os conhecimentos adquiridos, com o seu filho, que estava a «claudicar» no 10º ano. Antes disso, o rapaz não tinha tido qualquer insucesso escolar, apesar de as notas se situarem numa média de 3 na escala de 0-5. Esta constatação fez-me lembrar também o «caso» do «Calimero» (M), ocorrido (ou socorrido?) nos princípios deste século.

P: Se eu não tenho qualquer apoio dado pelo Estado nem sistema de saúde a que possa recorrer, como é que vou tentar resolver ou, pelo menos, diminuir o problema?
R: O que lhe posso dizer imediatamente é que, não sabendo qual é a verdadeira causa das dificuldades do seu filho e como não tem qualquer apoio em consultas ou exames de despistagem e avaliação, será bom ler o livro «IMAGINAÇÃO ORIENTADA» (J) em que um problema semelhante foi discutido com o meu amigo Antunes cujo caso está descrito no livro «ACREDITA EM TI. SÊ PERSEVARANTE!» (B). Embora este último livro já esteja publicado, o anterior ainda não está. Mas parte essencial da conversa que tive com o Antunes e que pode ser necessária para si, está no livro anterior «Para Que Serve a Psicologia?» publicado, há muitos anos, pela Plátano Editora.

P: Eu devo poder obter os livros, mas o que faço depois?
R: Tem de verificar se existem problemas em sua casa que possam afectar o filho. O Antunes estava completamente ocupado, preocupado e obcecado em «trabalhar» e amealhar dinheiro para que, em caso de «eventualidade», a família não sofresse as dificuldades que ele tinha passado. Por isso, deixou a mulher «desequilibrada», apesar de se dar muito bem com ela e ocasionou as dificuldades escolares da filha porque o ambiente familiar não era harmonioso e apoiante na idade em que ela estava. Sem o devido apoio em casa, ela começou a preocupar-se com isso e tudo se reflectiu no seu insucesso escolar, que foi aumentando com o tempo, assim como com o seu comportamento social que ficou desestabilizado (ou desinquieto?).

P: Acha que eu poderei resolver a situação com isso? A ritalina não poderia ser uma ajuda?
R: Antes de tudo tenho de o prevenir contra a ritalina e outros produtos psicotrópicos que podem ter efeitos muitíssimo prejudiciais. Há algum tempo, alertei um pai quanto a isso e os descalabros do filho desse casal desavindo e separado, começaram a ficar reduzidos só quando o pai resolveu deixar de administrar ao filho esse medicamento receitado pelo médico e prestar-lhe mais atenção quando estava com ele. Contudo, agora vai ter de «lutar» contra os telemóveis e a internet… que «consomem» a maior parte de tempo de muitas crianças.
Por isso, no seu caso, depois de ler os livros que recomendei, pode ser que obtenha alguma capacidade de conseguir observar todo o comportamento e a interacção familiar e, especialmente, com o filho. Também deve poder dialogar com os professores para saber notícias mais fidedignas acerca do comportamento dele.
Mas, é muito importante o senhor conhecer o modo como o comportamento humano funciona em termos reais e não fantasiosos, tal como, às vezes, se apresenta nos meios de comunicação social. Para isso, recomendo que leia pelo menos o livro «JOANA, a traquina ou simplesmente criança?» (D) onde são abordados muitos temas do funcionamento do comportamento humano, de forma muito prática e científica e que o podem ajudar a compreender tudo aquilo de que acabei de falar. São muitos anos de consultas a pais e crianças transformados num livro. Essa JOANA também tinha vários problemas de comportamento a ponto de obrigar os pais a «separarem-se». Depois de compreender aquilo de que lhe falei, conseguiram modificar o seu próprio comportamento, assim como o da filha, voltando a viver juntos e em harmonia, para terem outro filho e ajudar a JOANA (birrenta) a aprender a «educar» o irmão, cerca de 8 anos mais novo.

P: Já agora, o que é feito dessa JOANA?
R: A Joana, que já tinha tirado um curso superior, casada, com família, devido às dificuldades que começamos a passar por cá, emigrou para a Austrália, levou também o irmão, com família constituída e estão todos muito bem. Os pais, já reformados, é que passam lá grande parte do tempo, deixando a casa de Sintra para qualquer deles vir passar férias quando apetecer. Ficou tudo quase em família e os dois filhos têm a ajuda dos pais (avós) para tomar conta das crianças.

P: Acha que eu poderei também fazer isso?
R:  Não sei a que se refere mas, no caso da filha do Antunes, bastou o pai começar a interagir mais e melhor com ela e a ajudá-la nos trabalhos escolares para as suas notas começarem a subir e o seu comportamento modificar-se completamente num sentido adequado a ponto de se tornar um exemplo e um incentivo para toda a turma. Para conseguir isso, também o Antunes teve de ler muita coisa, especialmente os originais dos livros anteriores que lhe recomendei, assim como os de Reeducação (I), além de praticar aquilo que hoje em dia já está num guia resumido e sistematizado, muito específico para a «AUTO{psico}TERAPIA» (P). Assim, cada um pode praticar todas as noites o necessário para conseguir um comportamento equilibrado, mais ideias para desenvolver as suas próprias possibilidades e manter uma interacção familiar e social mais saudável.

P: Será isso tão importante?
R: Acho que é o mais importante. Se cada um não estiver de bem consigo próprio e com os outros, com ideias claras, bom senso e calma, de que maneira poderá ajudar os outros. Para isso tem de ler muito, o que pode fazer começando por consultar muitos dos posts que já estão publicados e que se referem a reforço, motivação, reforço do comportamento incompatível, frustração, autoterapia, biblioterapia, psicoterapia, aprendizagem, etc. Tudo isso já está explicado a muitas pessoas. É por isso que desejo publicar esta nossa conversa num post novo. Também é pela mesma razão que advogo as palestras que podem ser direccionadas para grupos de cerca de 30 pessoas (B/109). Nessas reuniões podem-se explicar vários conceitos e práticas a muita gente ao mesmo tempo, além de incentivar todos a praticar o relaxamento muscular, instanteâneo e mental durante um mês, despendendo apenas uma hora à noite, para o conseguir continuar posteriormente, com um dispêndio de 5 minutos apenas, todas as noites, à hora de dormir, a fim de conseguir ter um sono tranquilo ou um relaxamento mental capaz de ajudar a solucionar muitos problemas que todos temos de enfrentar ao longo da vida.

P: Já que diz que é bastante importante ler, se não conseguir os livros numa biblioteca, como é que os poderei obter? É uma despesa que parece que ainda posso fazer.
R: Antes de tudo, oriente-se pelo blog dos livros que lhe vai dar toda a informação. Os livros publicados pelo Centro de Psicologia Clínica não se encontram nas livrarias. Só podem ser adquiridos pessoalmente ou pelo correio contactando através do meu e-mail. Os anteriores, que os têm de substituir enquanto não se fizer a nova edição do CPC, podem ser adquiridos numa livraria ou com pedidos feitos à Plátano. O Antunes adquiriu-os pessoalmente e, naquele tempo, o Centro ainda não tinha pensado na colecção da Biblioterapia. Em último recurso, eu posso fornecê-los, se os quiser receber pessoalmente porque solicita-los-ei à Plátano, como faço habitualmente.
Mas digo que a leitura é muitíssimo importante não só para ajudar o seu filho como até para melhorar o relacionamento em casa e no emprego e ajudar a desenvolver-se pessoalmente.

P: Se eu não conseguir fazer tudo o que está a dizer, o que poderá acontecer?
R: Não posso prever exactamente o que pode acontecer. Mas posso imaginar que o filho vá criando mais problemas do que aqueles que já tem, sentindo-se desencorajado e diminuído perante os outros, além de vos preocupar ainda mais. Veja na «JOANA» o caso do filho do bancário, amigo do pai dela que ia «descarrilando» aos poucos enquanto o pai não adquiriu as noções adequadas do funcionamento do comportamento humano. Se o seu filho entrar em frustração, não sei qual será a sua resposta ou reacção. Pode sentir-se deprimido e entrar em conformismo, maldizendo a sorte. Pode, sem querer, reagir contra os pais que não lhe deram o apoio de que ele necessitava num determinado momento. Uma das consequências poderá ser a delinquência? Muito daquilo que se pode adquirir e melhorar com um pequeno «investimento» agora, não será possível se se deixar passar algum tempo. O rapaz pode fazer uma aprendizagem de «maus hábitos» os quais será difícil erradicar. Se houver reforço secundário negativo aleatório, pode-se criar o vício. As companhias podem desencaminha-lo porque o estudo pode não proporcionar a satisfação desejada. Basta só isso para «desencaminhar», havendo muitíssima dificuldade em «tentar endireitar» mais tarde. Julgo que é uma ocasião que não deve perder agora.

P: Vou um bocado aflito mas menos desconhecedor dos factos reais. Obrigado por tudo.
R: Eu é que lhe agradeço a oportunidade de poder preparar já um novo post que deve ajudar muita gente. É bom que as pessoas intervenham logo que possível para termos uma sociedade mais equilibrada e próspera. É exactamente por isso que estou a manter os blogs, a preparar os livros e a tentar publica-los, acompanhados de palestras. Depois da «AUTOTERAPIA» (P), penso continuar com «Eu Não Sou MALUCO!» (E), «Psicoterapias Difíceis» (M) e «Imaginação Orientada» (J) se não tiver também de republicar o livro de JOANA (D). Tudo depende da aceitação que tiver e dos pedidos que as pessoas fizerem em relação aos livros que fôr publicando, em tiragem muito reduzida.

P: Oxalá que tenha sorte naquilo que está a fazer. Contudo, parece-me uma tarefa que vai dar muito que fazer.
R: Esta ideia de intervir com blogs «Psicologia para Todos» e «Terapia Através de Livros» além do facebook, nasceu de várias conversas com alunos do ISMAT, consulentes e outras pessoas conhecidas.
Julgo que é muito mais prático evitar que os desequilíbrios aconteçam do que tentar reduzi-los depois de terem provocado alguns estragos, muitas vezes irremediáveis. Os nossos comportamentos ou desequilíbrios são efeitos de causas anteriores que parecem, às vezes irrisórias e sem importância, mas que, no momento,  tiveram um grande impacto na nossa vida, naquele momento. Podem passar ao aparente esquecimento mas também podem funcionar como recalcamentos que são um gatlho que pode ser pressionado em qualquer ocasião inesperada (A).
Foi neste sentido que já fiz propostas de actuação que não criaram o entusiasmo necessário para levar a efeito uma tarefa tão boa e necessária na sociedade actual.
Vejo os tempos actuais como de muito desencanto para a maioria da população que não tem emprego, dinheiro que chegue, nem serviços que apoiem. Já existem estudos estatísticos que dizem que as doenças metais aumentaram 25% nos últimos tempos. O que fará toda esse gente? E quando tem filhos e netos que sofrem e que poderiam ser ajudados pelos mais idosos? Esperemos que o tempo e as circunstâncias vão melhorando.
Estou sinceramente preocupado com a saúde mental que, em vez de ficar degradada, pode ser melhorada no nosso país com medidas simples e económicas. Não temos de ficar à espera de «novidades» que venham de fora quando temos essas possibilidades no nosso país, ensaiadas há mais de 30 anos, com bons resultados. Na Inglaterra, já estão a tentar fazer isso, só há uma dezena de anos. Veja os posts sobre Biblioterapia.

É necessário que as pessoas adiram e que as diversas instituições ajudem.
No seu caso, desejo boa sorte e, se possível, espero que vá dando notícias.

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ESCOLA – CONFLITOS – 19

CONCLUSÃOescol-conf-c

Depois de analisar diversos «casos» e de os enquadrar teoricamente, chegámos à conclusão de que existem algumas características fundamentais que devem ser apanágio do bom professor.
Fazendo um à-parte extra livro, ainda bem que hoje em dia as escolas estão mais bem espalhadas pelo país, não obrigando os jovens, ainda imaturos, a terem de abandonar a casa dos pais para ir estudar longe, tal como acontecia nos meados do século passado (E).
GOSTAR DA PROFISSÃO

É necessário que o docente goste da sua profissão, mais do que qualquer dos profissionais de outros ramos da ciência, técnica ou arte. A falta de gosto pela profissão ou seu exercício por necessidade de subsistência ou conveniência pode originar mau relacionamento com os alunos, deslocando para eles frustrações das quais não são culpados mas de que serão vítimas. Que tipo de personalidade se formará nos alunos educados e instruídos por professores que não gostam do seu mester?

 

GOSTAR DOS ALUNOSbiblio-b30

Outras características importantes são a simpatia, a afeição e a amizade que devem existir entre alunos e professores. Se não existir esse laço de união entre eles, que tipo de modelagem e moldagem poderão os professores fazer a não ser através de punições? Gostar do aluno é uma das componentes que ajuda o professor a dar-lhe o apoio necessário. Essa amizade faz com que o aluno responda da mesma maneira, sentindo que o professor é alguém com quem pode contar nos seus momentos de dificuldade. Com essa amizade, até muitos insucessos podem ser reduzidos porque a aquisição de conhecimentos irá aumentando com o esforço suplemen­tar feito pelo aluno (P).mario-70

 

CONHECER BEM A CLASSE

Este conhecimento é indispensável para que o professor possa «manipular» o comportamento da turma e as diferentes situações. Isto exige não só o conhecimento das leis do comportamento mas ainda uma compreensão do ambiente em si. Sem esse conhecimento, o professor sujeita-se a que muitas das suas acções tenham pouca oportunidade ou que até sejam inoportunas e prejudiciais. Dizer um sim ou um não não custa mas fazê-lo coincidir com o neuropsicologia-Bmomento adequado só será possível conhecendo o terreno que se pisa (K)

 

PRESSENTIR A ECLOSÃO DO CONFLITO

O professor necessita ter uma sensibilidade bastante desenvolvida para conseguir descobrir o momento em que algo de pouco vulgar está a acontecer. Pode assim, em muitos casos, desencadear reacções que consiga controlar. Para tanto, a observação cuidada, a percepção adequada e objectiva dos fenómenos que ocorrem na aula e fora dela, o conhecimentos da classe, são indispensáveis a fim de pressentir a eclosão do conflito que, em certas condições, pode ser gerido Psicologia-Bfavoravelmente (J).

 

TER EQUILÍBRIO EMOCIONAL

Claro está que qualquer observação cuidada e objectiva exige muita calma e perspicácia ao menos durante os momentos em que essa observação está a ser efectuada. O equilíbrio emocional pode ser conseguido com exercícios e prática adequada. Qualquer observação efectuada nos momentos em que estamos emocionalmente perturbados Interacção-B30ficará forçosamente eivada de subjectivismos que em nada ajudam a manter uma atitude de isenção e de realismo que é necessário quando se lida com conflitos. Como se diz vulgarmente, a cabeça tem de estar fria e isso significa ter equilíbrio emocional (P).

 

UTILIZAR O BOM SENSO

A estabilidade emocional é uma das características mais importantes ligadas ao bom senso. Para termos bom senso, são Saude-Bindispensáveis cabeça fria, e pensamento racional e objectivo. Portanto, se quisermos gerir um conflito sem bom senso, não se conseguirá senão uma vitória ilusória enquanto o mesmo não for aumentando para eclodir mais tarde quando menos se espera e no momento mais inoportuno. Infelizmente, grande parte dos conflitos apanham-nos desprevenidos porque não soubemos perscrutar, com bom senso, os seus indícios (I).

Com esta trsnscrição fica completa a apresentação do livro que começou com o post nº 1, com este título. 

 

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ESCOLA – CONFLITOS – 18

RESUMO DE PROCEDIMENTOSescol-conf-c

Tendo procurado conglomerar as práticas comportamentais apresentadas, exemplificando-as com «casos» nos diversos capítulos antecedentes, vamos tentar sistematizar e ordenar num só corpo os procedimentos que, em nosso entender, achamos necessários quando existe algum conflito, sua suspeita ou possibilidade de eclosão em qualquer momento da vida escolar ou extra-escolar do professor (Q).

  1. Mantenha a calma

Quando, por qualquer razão, nos encontramos irritados, deprimidos, frustrados, desiludidos ou «nervosos», as nossas percepções alteram-se e não conseguimos entender os factos tal como se apresentam, havendo tendência para os distorcer no sentido que mais nos convém, isto é, de acordo com os nossos «pré-conceitos». Atribuimos a qualquer coisa valores que de facto não tem e que os interlocutores não atribuíram (P). Antes de tudo, tente relaxar-se, ganhar calma e só depois observar os factos com objectividade. Se não consegue ganhar calma e estabilidade emocional logo mario-70após a vivência de uma situação traumatizante, cho­cante, inesperada ou fora do vulgar, tente praticar sistematicamente o relaxamento a fim de desenvolver essa capacidade e recuperar facilmente duma situação «estressora» (B).

  1. Observe os factos com objectividade

Infelizmente, estamos habituados a observar o mundo que nos rodeia de um modo já pré-concebido, exclusivamente segundo o nosso ponto de vista. As nossas crenças e valores interferem na observação dos factos. Esta nossa distorção verifica-se até na linguagem, pelo valor ético ou moral que atribuímos a termos que, sem Acredita-Bqualificação suplementar, deveriam ter significação mais restrita. Por exemplo, personalidade quer dizer maneira de ser de um indivíduo; essa maneira de ser necessita de ter um qualificativo. Porém, quando dizemos que determinada pessoa tem personalidade, queremos, geralmente, significar que tem uma maneira de ser forte. Na realidade, ninguém pode deixar de ter personalidade; porém, a mesma pode ser neurótica, psicótica, esquizofrénica, obsessiva, fóbica, equilibrada, desequilibrada, «normal», «anormal», saudável, etc. (A). Este qualificativo é imprescindível. Dizemos também que uma pessoa «tem cultura», quando queremos significar que é mais instruída. Do mesmo modo como atribuímos a uma palavra um valor que ela não possui, fazemos uma observação com a atribuição de valores éticos e morais de bom, mau, lícito, ilícito, verdadeiro, falso, etc. que reduz a Saude-Bfidedignidade e objectividade que uma observação científica deve possuir. Portanto, a ingenuidade e a ausência de ideias preconcebidas são características fundamentais para que uma observação seja objectiva e fidedigna tal como é efectuada com registos ópticos ou sonoros através da fotografia, registo magnético, cinema ou vídeo (J).

  1. Registe tudo aquilo que for possível

Se tivéssemos à mão gravadores, máquinas fotográficas ou de filmar, talvez o registo da observação fosse fidedigno. Porém, na falta desses meios, a anotação das palavras, gestos, postura, frequência com que os factos ocorrem bemImagina-B como uma descrição pormenorizada dos mesmos são uma solução útil para a análise da situação e da tomada de decisão.

  1. Faça uma análise sem preconceitos

Quando determinados factos ocorrem, especialmente conflitos e frustrações, existe o envolvimento de mais do que uma pessoa. Cada pessoa tem as suas vivências, percepções e valores e irá agir de acordo com os mesmos. Na análise, é necessário tomar em conta todos estes pontos de vista diferentes que determinam as percepções e as motivações das pessoas envolvidas. Portanto, numa análise cuidada e escrupulosa, como é necessária, a conjugação de todos neuropsicologia-Bestes factores irá conduzir à compreensão da situação.

  1. Compreenda a situação global

Na compreensão da situação é necessário ter em conta os valores, as crenças e os preconceitos dos outros. A intencionalidade de algumas frases ou actos e a oportunidade temporal e espacial dos acontecimentos necessitam ser tomadas em conta para compreender uma situação com rigor (K).

  1. Determine o seu objectivoDifíceis-B

A escolha e a determinação do objectivo são muito importantes. Supondo que o aluno se portou mal na aula, depois de observar, analisar e compreender a situação global, o professor não pode ter uma reacção estereotipada, por exemplo, a de repreender o aluno de um modo pré-estabelecido. Se a falta for ligeira, uma repreensão muito forte pode punir exageradamente e frustrar o aluno; se for grave, essa punição pode ser tão peque­na que o encoraje a continuar. Para um aluno que necessite da atenção dos outros, pode ser um reforço que o incite a acções futuras semelhantes. A determinação do objectivo faz com que o professor defina aquilo que deseja atingir: redução do comportamento, «educação» do aluno, desencorajamento generalizado de acções desse tipo, etc..Maluco2

  1. Escolha a técnica mais adequada

A fim de se atingir o objectivo, é necessário escolher a técnica mais adequada. Para um aluno que tenta despertar a atenção do professor através do comportamento desadequado, a melhor técnica é a extinção, ao passo que o aluno que tem comportamentos desadequados para desafiar o professor, necessita de uma punição que, forçosamente, terá de ser eficiente a fim de não se transformar em reforço (ver O USO SOCIAL DA PSICOLOGIA) (F).Psicologia-B

  1. Faça um inventário dos meios disponíveis

Em determinadas circunstâncias, podemos não ter possibilidades de aplicar certas técnicas não só porque é impossível no momento por falta de tempo, meios etc., mas ainda porque a situação global não o permite. Certos castigos podem prejudicar toda a turma. A «ignorância» ou desconhecimento necessários à extinção de um comportamento desadequado, podem não ser aconselháveis num determinado momento a fim de evitar perdas de tempo ou provocar maus hábitos nos restantes alunos (por exemplo, deixar que um deles faça barulho, permitindo Interacção-B30que os restantes lhes sigam o exemplo). Somente a reavaliação global da situação, tendo em conta os factos objectivos, as variáveis intervenientes, as personalidades em confronto, o meio ambiente e os meios disponíveis é que se pode tomar uma decisão certa. Por exemplo, se um aluno é muito tímido não se vai tomar a mesma acção que se tomaria com um rufião que habitualmente se comporta mal. Certos alunos de meios mais desfavorecidos podem não ter capacidade de compreender tão bem as situações como outros, oriundos de famílias mais abastadas. Alunos originários de famílias desavindas podem ter carên­cias especiais que outros não apresentam. Isto não quer dizer que o professor deva ter tratamentos de excepção para todos eles mas significa que não se pode furtar a tratamentos diferenciados e adaptados a cada caso específico. É por isso que a Psicopata-Breavaliação é imprescindível e útil para que o bom senso impere, ajudando a tomar uma decisão acertada a fim de resolver a situação do modo mais conveniente.

  1. Tome a decisão com objectividade

Após a reavaliação da situação global, a decisão tem de tomar em conta o objectivo (os resultados que se pretendem atingir) bem como a sua possível falha, exigindo, consequentemente, a previsão de acções alternativas que não frustrem o professor. Verificou-se a existência deste risco com os alunos (Mário e António) que usavam o lenço na cabeça e com o aluno que foi mandado sair da sala de aula; neste caso, a professora teve de ponderar Consegui-Bantecipadamente aquilo que faria se ele fechasse a porta com força ou desse qualquer resposta desagradável; o mesmo se pode dizer do Antero que não quis ini­cialmente sair da sala de aula. Contudo a decisão não pode demorar muito.

  1. Actue com calma e sem emocionalidade

Especialmente no que se refere a castigos, estes têm de ser eficientes e aplicados em consequência de uma acção incorrecta e não como descarga emocional de quem pune. Além disso é necessário estar à espera da reacção do organismo (frustrado) a quem o mesmo se aplica. Quer uma quer outra coisa exigem do professor muita calma, Bibliocontrolo da emocionalidade e bom senso para que o aluno não associe o castigo à má disposição ou idiossincrasia do professor.

  1. Mantenha-se firme e coerente

A falta de firmeza ou segurança da parte do professor é vivamente sentida pelos alunos que, na maior parte das vezes, o tomam como seu modelo, sendo seu alvo de observação preferencial.

  1. Reconheça com honestidade e calma os erros cometidosPsi-Bem-C

No caso do João,em que a professora reconsiderou a punição dada por si no dia anterior (mandar sair da aula), temos um exemplo do que se recomenda. Um feedback quer imediato quer a longo prazo das situações vividas é de toda a utilidade. Se foi importante a professora reconsiderar tudo no dia seguinte de manhã e falar com todos calmamente pedindo a sua compreensão, seria prejudicial que deixasse entrar imediatamente o rapaz após a sua saída da aula de forma intempestiva só porque acabara de compreender que o castigo fora injusto. Poderia provocar nos alunos uma aprendizagem de bater com a porta violentamente, no futuro, para regressarem triunfantemente para a sala de aula; em outras situações, «refilar» poderia ser uma aprendizagem para Organizar-Bconseguirem aquilo que desejassem, embora isso não fosse lícito (por exemplo, ficar com o lenço na cabeça e sair da aula mais cedo, como poderia ter acontecido no caso do António).

  1. Tente integrar-se no espírito do «verdadeiro professor»

Adquira ou desenvolva as qualidades necessárias, descritas no capítulo anterior. Além disso, a leitura de publicações que descrevem diversas formas práticas de condução de reuniões, aulas, conferências, etc. e que apresentam modos de manter e fomentar um bom relacionamento humano é totalmente recomendável porque se baseia na prática de quem já passou por situações semelhantes àquelas que se desejam evitar, construindo outras que se Respostas-B30propõem incentivar. A prática de relaxamento e de controlo da emocionalidade também se torna útil e necessária.

A transcrição do livro com este título, vai terminar com a publicação do post nº 19.

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ESCOLA / CONFLITOS – 17

QUALIDADES, PREPARAÇÃO E TREINO DO PROFESSORescol-conf-c

Qualidades

 Por qualidades, queremos significar as características essenciais que um profissional do ensino deve ter para poder transmitir conhecimentos aos seus alunos motivando-os a que os apreendam com gosto e a façam deles uma boa utilização posterior quando necessário e útil, para si e para a sociedade.

Infelizmente, aquilo que em primeiro lugar se verifica em quase todas as sociedades, é a preparação técnica de quem vai exercer a docência, sem a mínima preocupação com a sua capacidade de transmitir os conhecimentos, motivando os alunos a aprender com interesse. Sob este ponto de vista, seria essencial fazer selecção ou orientação, aconselhamento e acompanhamento adequados de todos os candidatos a professores. Pior ainda, é a utilização de mão-de-obra barata e não qualificada, não pela inexistência de docentes competentes, mas por razões financeiras e de poupança.mario-70

Por isso, antes de tudo, é importante que as Escolas e Faculdades de preparação de docentes, a qualquer nível, tenham um corpo de orientadores e conselheiros que desde o início possam encorajar os candidatos a prosseguirem na carreira docente. Os que não fossem antecipadamente seleccionados para o ensino, teriam muitas opções, grande parte das vezes mais remuneradoras. Os que não tivessem uma avaliação antes da conclusão do curso, deveriam ser avaliados quando decidissem enveredar pela carreira docente.

Evitar-se-ia assim o grande número de pessoas que se dedicam ao ensino porque não conseguem outro emprego mais a seu Interacção-B30gosto, porque desejam ficar colocados em determinados locais, ou porque se enganaram inicialmente na sua escolha profissional.

 

Características da personalidade de um bom professor

  1. Ser emocionalmente estável: conseguir manter a calma e o bom humor em todos os momentos, especialmente quando a situação exigir que o professor seja o orientador, o árbitro ou o amigo e conselheiro.Joana
  2. Ser persistente e resistente à frustração: muitas são as ilusões que os professores vão perdendo ao longo da sua carreira. Sem falar nas condições económicas e financeiras, as próprias condições de trabalho nunca são as ideais, nem os alunos são sempre receptivos e colaborantes; muitos deles vêm de famílias perturbadas; lidar com eles exige uma dose bastante grande de resistência à frustração porque na maior parte das vezes as medidas tomadas não dão os resultados pretendidos (P).
  3. Ser sociável: dar-se bem tanto com os alunos como com os colegas, encarregados de educação, pessoal administrativo e auxiliar, mantendo um bom relacionamento mesmo em momentos de conflito e de divergência de pontos de vista (K).
  4. Ser responsável: é importante que o professor com o seu exem­plo, mostre aos alunos que os horários e as normas Acredita-Bdevem ser cumpridos, assim como a palavra dada deve ser respeitada, assu­mindo cada um a responsabilidade dos seus actos; para tanto, a flexibilidade e a benevolência são qualidades bastante importan­tes (D).
  5. Ser flexível: a flexibilidade tem muito a ver com a ausência de autoritarismo; faz que o professor se adapte facilmente às diferentes situações, à maneira de ser dos seus alunos e suas famílias para depois os conseguir orientar de modo a alcançar a solução mais adequada para cada situação. A flexibilidade ajuda ainda o professor a dar aos alunos o apoio indispensável para que eles se tornem pessoas verdadeiramente instruidas e respeitadas (B).
  6. Ser benevolente: muitas vezes as crianças (e até os adultos) se distraem involuntariamente, porque estão preocupadas Difíceis-Bcom outras coisas, praticando actos irreflectidos. Reconhecê-los, corrigi-los, evitá-los ou até ajudar os alunos a prever esses momentos, é uma tarefa que vale a pena ser exercida pelo professor.
  7. Sentir segurança e autoridade: qualquer técnico que esteja numa situação de orientação e controlo, necessita sentir e demonstrar que é capaz de «aguentar» e resolver as situações que forem surgindo, por pior que sejam ou pareçam (M).
  8. Ser criativo: um professor deve ajudar a desenvolver as capacidades dos alunos; não deve impor, mas fazer evidenciar aquilo que o aluno já possui, orientando-lhe as capacidades naturais para apreender um número de conhecimentos cada vez maior (G).Psicopata-B
  9. Saber ajudar os alunos a aprender: transmitir conhecimentos sem dar a impressão de estar a ensinar, mas dialogar de modo a ajudar os alunos a adquirir voluntariamente os conhecimentos que lhes são transmitidos.
  10. Ser directo: saber encarar uma situação com naturalidade e sem preconceitos, indo directamente ao assunto ou cerne da questão, sem rodeios ou falsas justificações e assumindo a responsabilidade dos seus actos.
  11. Ser objectivo: tentar apreender as situações com realismo e sem subjectivismos ou ideias pré-concebidas (Q).Biblio
  12. Ser paciente: o ensino exige muita paciência porque cada aluno percebe a seu tempo e é frequentemente necessário repetir a informação diversas vezes e até desculpar pequenas distracções que podem não ser voluntárias mas ocasionadas pelas circunstâncias do momento (I).
  13. Ser autónomo: o professor necessita ser um modelo de actuação para os seus alunos; a autonomia é importante na medida em que ajuda cada um a responsabilizar-se e a trabalhar por si sem ficar à espera da orientação, apoio ou protecção dos outros; os alunos vão crescendo e é importante que se tornem cada vez mais autónomos e responsáveis (E).
  14. Tentar ser justo: manter um relacionamento equivalente com todos os alunos, sem favorecer qualquer um, quer seja neuropsicologia-Bmais ou menos intelectualmente dotado, bem ou mal comportado, de estrato social ou económi­co favorecido ou desfavorecido (A).
  15. Ser apoiante: é importante que os alunos sintam que o professor é uma pessoa em quem podem depositar toda a confiança e com quem devem ser sinceros. É geralmente importante que sintam da parte do professor um apoio forte e incondicional, já que muitas vezes é ele o substituto dos próprios pais (C).

A qualidade do que se ensina depende essencialmente das características pessoais do professor, da relação com as turmas, da capacidade de motivar os alunos e de orientar as actividades das aulas, da segurança Maluco2demonstrada e do apoio que os alunos sentem no «seu» professor (Highet, 1972).

 

Preparação

A preparação é uma das facetas importantes da formação do professor. Contudo, parece-nos que existe um investimento muito maior na vertente científica e técnica do que na humana, pedagógica e de relacionamento interpessoal. Se o investimento nesta segunda vertente fosse idêntico ao da primeira, teríamos mais professores dedicados e
Saude-Bcompetentes, capazes de resolver confli­tos e até de reduzi-los ou evitá-los. Porém são frequentes as queixas de pais insatisfeitos e alunos mal avaliados.

Os professores ficam tecnicamente bem preparados mas humanamente incapazes de resolver simples dificuldades que ocorrem em qualquer relacionamento humano. Não necessitamos da escola para verificar isso. Em qualquer emprego existem querelas. Porém, na escola, o professor é o único que tem de lidar com 20 a 30 alunos de cada vez, cada um com um tipo de educação e ambiente familiar diferente e, muitas vezes, perturbado. Que treino tem o professor para conseguir não sucumbir à mais pequena dificuldade? Que preparação teórica lhe é dada durante o seu curso de formação para a docência? As disciplinas de sociologia, psicologia, relações humanas, gestão de Consegui-Bconflitos, pedagogia e didáctica têm o mesmo «peso» das restantes disciplinas «científicas»? (F)

O assunto transcende-nos, mas compete-nos alertar os investigadores para que tomem conta dele e façam o planeamento dos currículos e das cargas horárias dos diversos cursos destinados aos agentes do ensino com a devida ponderação. Se esse planeamento for feito de acordo com a experiência ganha pelos ensinamentos colhidos em muitos anos de ensino e investigação, é certamente melhor do que se for realizado por alguns técnicos essencialmente teóricos e que nunca deram uma aula. Estes poderão exercer o papel de investigadores e conselheiros técnicos mas nunca o de planeadores definitivos. Porém, julgamos que nenhuma opinião de professores mais experimentados se solicita e se toma em consideração quando da elaboração de Psicologia-Ccurrículos, as formas de avaliação, etc.. As greves, tanto dos alunos como dos professores, podem ser uma consequência do estado pouco satisfatório a que o nosso ensino chegou.

Também em relação a este ponto, as disciplinas e as especialidades de psicologia, sociologia, relações humanas e gestão de conflitos são muito importantes, não só num currículo de docência mas ainda na assessoria das Escolas de ensino ou nos próprios centros de decisão.

Enquanto a preparação científico-técnica nos desilude um pouco, o treino pedagógico-profissional afigura-se-nos bastante fraco. O forte é a teoria; porém, a prática é o que mais interessa, especialmente quando as qualidades do Organizar-Bprofessor não são devidamente evidenciadas, avaliadas, orientadas e desenvolvidas ao longo da formação. Portanto, a prática é da máxima importância (N).

 

Treino

Queremos significar por treino, toda a prática pedagógica inicial que os docentes deveriam ter como quaisquer outros profissionais. Porém, enquanto os outros profissionais tais como engenheiros, médicos, enfermeiros, advogados, etc., só iniciam o seu estágio ou prática profissional após a conclusão dos respectivos cursos, sendo os mesmos indispensáveis para sucess2o exercício da profissão, na docência isso não acontece. Actualmente só se exige um estágio, tal como o antigo exame de estado, para a profissionalização ou provimento definitivo do cargo de professor. Contu­do, para o exercício da profissão, os professores podem ter habilitação própria, habilitação suficiente e habilitação insuficiente. Fazemos esta última referência porque se chegou ao ponto de pessoas só com o 5º ano dos Liceus darem aulas ao 5º ano; ou seja, a níveis actuais, os habilitados só com o 9º ano poderiam dar aulas do 9º ano.
Que prática pedagógica têm os professores com habilitação própria que dão aulas antes de se profisionalizarem?
Que prática pedagógica têm os professores com habilitação suficiente que dão aulas nas nossas escolas? E que nível de habilitação técnico-científica possuem?apoio2
Que habilitação técnico-científica e que preparação pedagógica têm os professores que só com o curso secundário dão aulas no ensino preparatório ou secundário?

Seria lógico que se promovessem a médicos praticantes os alunos do 3º ano de medicina? Seriamos capazes de aceitar como engenheiros aqueles que acabam de se inscrever no curso superior de engenharia? Porquê a anomalia que se verifica no ramo educacional? Será o menos importante? Como se poderão formar devidamente os cidadãos do futuro?
Embora o ideal para a dignificação da profissão de docência é que ela fosse ser exercida exclusivamente por pessoas com reed-como-bqualidades exigidas a um bom professor, parece de extrema importância que ela nunca seja atribuída a não ser a indivíduos tecnicamente preparados e pedagogicamente treinados. Infelizmente, não é isso que acontece, com todos os inconvenientes que daí decorrem.

Este treino não se pode fazer em menos do que dois anos durante os quais o técnico, já cientificamente preparado, deve ter sempre apoio de um colega mais habilitado e mais capaz. Em vez de estruturar demasiadamente o estágio com normas e orientações, seria muito mais importante que o docente em preparação fosse sempre criativo e permanentemente confrontado com os factos do dia-a-dia, aprendendo a resolver os diversos conflitos que ocorrem geralmente nas aulas. O orientador deveria ser essencialmente «apoiante» e capaz deAdolescencia-B «obrigar» o docente em preparação a resolver por si próprio as dificuldades, discutindo posteriormente todas as acções efectuadas e as alternativas possíveis. O seu bom relacionamento com os alunos e pelo restante pessoal, também deveria ser avaliada e desenvolvida durante o treino.
Este treino deveria ter também o apoio de psicólogos e gestores, além de pedagogos e especialistas na disciplina do futuro professor.

Tudo isto exige um esforço financeiro bastante vultuoso, mas uma racionalização adequada das forças que se encontram em acção no ministério respectivo pode dar um contributo bastante grande.

Educar-BUm outro ponto importante é dotar as escolas com meios audiovisuais indispensáveis e com manutençäo adequada. Caso contrário, a eficiência será reduzida. Podem-se filmar aulas de professores «novos» e «mais antigos», analisá-las e discuti-las para se alterar aquilo que for necessário. Se os novos professores tiverem um termo de comparação e uma possibilidade de aprender por modelo (e porque não por identificação), a preparação dos novos professores terá tendência a melhorar.

A transcrição do conteúto do livro com este título vai continuar com a publicação do post nº 18.

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ESCOLA / CONFLITOS – 16

SITUAÇÕES COMPLEXASescol-conf-c

Existem muitas situações que não se enquadram exclusivamente na frustração, motivação (ou desmotivação), conflitos, reforços ou aprendizagem vicariante mas que são factos do dia-a-dia, constituídos por um conjunto de diversas variáveis, que temos de viver, enfrentar, compreender, aceitar e resolver. Para tanto, além deste livro, convém que sejam consultadas outras duas publicações já editadas:

O USO SOCIAL DA PSICOLOGIA (Clássica Editora) (F) (K)
SUCESSO ESCOLAR (Plátano − Edições Técnicas) (I).

Embora existam mais publicações em preparação e que complementarão as ideias expostas neste livro, as duas mencionadas, dão indicações sobre as leis do comportamento e os modos como o mesmo pode ser alterado, especialmente num contexto escolar.

Os diversos casos apresentados a seguir, ocorridos em várias escolas do país e que têm probabilidades de se repetir, como Psicologia-Banteriormente descritos, deixam o docente preparado para a actuação que julgar necessária e mais adequada à resolução da situação.

Antes de fazer um resumo do que parece ser o comportamento mais adequado (ou desadequado) para o docente, todas essas situações são enquadradas em parâmetros ético-profissionais.

########

Pedro, aluno do 8º ano foi visto por um empregado da escola a riscar o carro de um dos seus professores. Quando o professor Interacção-B30verificou que o seu carro estava riscado, foi queixar-se ao Conselho Directivo da escola que, após indagações junto do pessoal administrativo, conseguiu saber quem era o autor desse incidente.

Depois disso, o Conselho Directivo, por insistência do professor e visto que o Director de Turma se encontrava na escola, ficou à espera que o professor resolvesse o problema com o aluno.

Quando passados dois dias o Director de Turma já se encontrava na escola, o professor em causa foi contar-lhe a ocorrência. O Director de Turma prontificou-se a tratar imediatemente do assunto, tendo solicitado ao professor que apresentasse, por escrito, um relatório pormenorizado dos acontecimentos. O professor fur­tou-se a isso, alegando Joanaque o Conselho Directivo já tomara conta da ocorrência e que o aluno em questão iria tratar da pintura do carro. O Director de Turma avisou-o que não iria proceder a quaisquer averiguações ou recomendar qualquer acção disciplinar contra o aluno sem lhe ser apresentada uma participação escrita. O professor disse que nada disso era necessário. Estava tudo resolvido. O aluno confessara tudo, dissera que os colegas o tinham incitado a riscar o carro e mostrara-se arrependido, prontificando-se a reparar o dano causado.

De facto, alguns dias depois, o carro apareceu «pintado» e o professor aceitou essa pintura. Porém, pouco tempo depois, o Conselho Directivo resolveu convocar um conselho disciplinar para apreciar os factos. O Director de Turma não concordou com a reunião do conselho disciplinar para tratar de um caso que já fora resolvido de outra Psicopata-Bmaneira, por iniciativa do lesado e com apoio do Conselho Directivo. Como é que se iria punir um aluno que já fora castigado com o pagamento de uma pintura, sendo-lhe perdoado o seu acto irreflectido? Que tipo de moral se estava a utilizar para voltar a punir o aluno que tinha confessado a sua culpa e reparado o erro com a promessa de não lhe serem aplicadas mais sanções?

Por acaso, uns dias antes de se realizar o conselho disciplinar, os pais desse aluno foram à escola e souberam, em conversa com o Director de Turma, que o aluno ia ser sujeito a conselho disciplinar.

Os pais dirigiram-se imediatamente ao Conselho Directivo para tomar conhecimento dos factos. Ficaram surpreendidos por Acredita-Bsaberem que fora feito um telefonema para a sua casa, atendido pela filha que nada dissera aos pais. Contudo, não conseguiam compreender por que razão o caso não fora tratado pelo Director de Turma fazendo intervir os pais no momento mais necessário: tomar conhecimento do ocorrido e resolver o problema da indemnização dos prejuízos.

Perante a perplexidade e estranheza dos pais em relação ao comportamento dos membros do Conselho Directivo, ocorre perguntar:
− É admissível um procedimento semelhante numa escola de «hoje» quando se diz que o ensino é moderno, democrático e compreensivo?Difíceis-B
− A «culpa» é dos alunos, dos pais, dos professores, do sistema ou de todos nós que não denunciamos aquilo que está mal, especialmente no que se refere ao treino de pedagogos e gestores que estudem soluções adequadas?
− Enquadrando o «caso» cientificamente, como analisá-lo?
− O comportamento de dizer a verdade assumindo o erro cometido é duplamente punido com a reparação dos estragos e um conselho disciplinar? Não haverá aprendizagem, por frustração, de que é necessário não confiar na palavra dos mais velhos e responsáveis pelas instituições que se dizem democráticas? Que traumatismos sofrerá uma criança que desde logo verifica não poder confiar na palavra dos mais velhos? E como reagirá no futuro?Consegui-B

########

Uma turma do 5º ano iniciou o ano lectivo na disciplina de português com uma professora de quem os alunos começaram a gostar mas que teve de se ausentar ao fim de 2 meses e meio por motivo de doença prolongada. Durante a sua ausência a profes­sora foi substituída por uma jovem que nunca tinha dado aulas e muito menos enfrentado uma turma como aquela. Tinha frequentado o Instituto Britânico e, nesse momento, estava a concluir o curso superior de Gestão.Biblio

Durante dois meses e meio, os alunos brincaram mais do que aprenderam e até tiveram oportunidade de jogar à bola dentro da sala de aula. No princípio do terceiro período, a antiga professora estava de volta e retomou as suas aulas. Tendo verificado que os alunos tinham um comportamento completamente diferente daquele a que ela estava habituada, conversou com eles e fez-lhes ver que estavam ali para aprender, que tinham os intervalos para brincar e necessitavam de trabalhar e estar mais atentos nas aulas.

Não foi muito difícil para essa professora que os alunos voltassem de novo a trabalhar nas suas aulas.Auterapia-B30

A confiança que os alunos aprendem a depositar nos mais velhos, com os quais muitas vezes se identificam (na generalidade, primeiro os pais, a seguir os familiares mais chegados e depois os professores, especialmente a partir da pré-adolescência) é uma variável muito importante a ter em conta na aprendizagem. Os professores têm de servir de modelos de identificação. Se a sua palavra for para os alunos uma fonte de confiança, oferece-lhes segurança que de outra maneira podem não obter de outros adultos com quem interagem com frequência. Portanto, antes de enveredarem pela carreira docente, especialmente nos graus de ensino primário e preparatório, é muito importante que os candidatos se certifiquem que estão plenamente preparados e vocacionados para serem professores de Saude-Bverdade. Para estes, o ensino torna-se agradável e gratificante apesar dos fracos ordenados e das condições adversas que têm de suportar a maior parte das vezes.

##########

Uma turma do 9º ano aguardava o início da sua segunda aula da manhã. Depois de a professora entrar na sala, os alunos entraram também e juntamente com eles um canzarrão, com umas orelhas enormes. Era possivelmente um São Bernardo. A professora nem esperou que os alunos se sentassem e imediatamente fez uma série de perguntas aos três alunos que acompanhavam o cão:Maluco2
− Mas o que é isto? Onde é que vão com esse canzarrão? O que pretendem fazer?
− Vamos deixá-lo connosco aqui na aula − respondeu um deles.
− Aqui na aula? Acham então que uma sala de aula é lugar para acomodar cães?
− Não, «Setora». Mas deixe-o ficar porque ele está sossegado e não faz mal.
− Meus caros amigos, que a sala de aula não é lugar para cães parece-me que já compreenderam. Imaginem agora que um de vocês traz hoje um cão, outro resolve trazer amanhã um gato e no outro dia alguém traz um papagaio; temos a aula transformada num jardim zoológico. Além de tudo, seria mais uma grande ajuda para todos se Biblio
manterem distraídos durante a aula. Vamos pensar melhor e levar esse cão para fora da sala. O cão pertence a algum de vocês?
− É do Gonçalo − disse um dos alunos − mas a «Setora» podia deixá-lo ficar porque na aula antes desta ele esteve dentro da sala durante toda a hora de aula.
− Isso foi na outra aula e com outro professor. Pensem melhor, ponham o vosso bom senso a trabalhar e digam-me se tem alguma lógica o cão ficar onde não deve, provocando distracções.

Ficaram todos em silêncio. Então a professora acrescentou:
− O Gonçalo vai levar o cão para fora da escola juntamente com o empregado que eu vou chamar.Depressão-B

O Gonçalo saiu da aula com o cão e foi acompanhado pelo empregado que o ajudou a levar o cão para fora da escola.

Examinando o comportamento dos alunos, verificamos que é absolutamente «normal» mas que não é adequado para uma situação de aprendizagem eficiente. O cão seria forçosamente uma fonte de distracção e uma acção facilitadora de outros comportamentos e hábitos provavelmente prejudiciais. Na aula antecedente, o docente provavelmente não tivera jeito ou coragem ou capacidade para se impor e fazer com que o cão não «assistisse» à aula.Psi-Bem-C

É importante que na sua aula o professor tenha controlo das situações e que consiga dar o exemplo necessário de honestidade, seriedade, compreensão e bom senso que é indispensável. Esta professora também teve muito cuidado ao fazer a pergunta: “O cão pertence a algum de vocês?”, em vez de perguntar: “De quem é o cão?”. A TV apresenta constantemente um anúncio da «CONTROL» no qual, infelizmente, um professor pergunta: − De quem é isto? − e os alunos vão respondendo sucessivamente, “É meu”, “É meu”…. O facto descrito, com a aprendizagem provocada pelo anúncio da TV, podia transformar-se, facilmente, por generalização, numa brincadeira, com direito a risota geral, exigindo da professora um tipo de comportamento diferente.

#########Organizar-B

Numa das turmas do 8º ano, ao entrarem para a sala de aula, dois alunos usavam na cabeça lenços de cores atados com vários nós. A professora viu-os, deixou que todos se sentassem, mas ainda antes da turma estar em ordem para se iniciar a aula, aqueles dois alunos dirigiram-se à professora e um deles disse:
− «Setora». Nós precisávamos que nos deixasse sair 5 a 3 minutos mais cedo porque temos de ir a casa do António (o outro aluno que o acompanhava e que morava perto da escola), trazer dois grupos de fotocópias dos trabalhos que são necessários para a aula que temos a seguir.
− Precisam de ir os dois? – perguntou a professora.Respostas-B30
− Sim, porque o António é que tem a chave da casa e eu vou ajudá-lo.
− Vamos tentar resolver o assunto; mas … digam-me, estão doentes?
− Nós? Não, «Setora».
− Então, dói-lhes a cabeça? − insistiu a professora.
− Também não, mas porquê?
− Como entraram na aula de lenço na cabeça a ainda não o tiraram, julguei que se estivessem a sentir mal.
− Não, «Setora». É que nós gostamos de usar o lenço.
− Ah! Está bem. Então visto que estão de perfeita saúde, não há necessidade de usarem o lenço dentro da sala de aula e será Imagina-Bmais correcto da vossa parte se o tirarem da cabeça. Depois, quando saírem, estão perfeitamente à vontade para o tornarem a usar.
− Mas a «Setora» ainda não disse se nos deixava sair mais cedo. Deixa?
− Quando tirarem o lenço da cabeça, certamente que vos deixo sair para tratarem das fotocópias.

Ao ouvir isto, o Mário tirou imediatamente o lenço mas o António respondeu: – Eu não tiro porque dá muito trabalho a pôr.
− Com certeza. Então quando faltarem 5 minutos para a aula terminar, o Mário não precisa de me dizer nada e pode sair para tratar do que necessita.
− E eu? Não posso sair? − perguntou o António.Suces-esc-B
− Vocês gostam sempre que alguém, neste caso a professora, vos ajude e satisfaça os vossos desejos. Sabem que podem sempre contar comigo dentro do que é razoável. Mas quando vos peço qualquer coisa que normalmente tem a ver com a vossa educação ou para vos dar a conhecer regras que vocês desconhecem, não concordam ou não estão dispostos a fazer. Pois bem, se o António não quer tirar o lenço não há problema. Vai para o seu lugar, abre o caderno, copia tudo o que se escrever no quadro, toma atenção à leitura e não perturba os colegas; mas não vai sair 5 minutos mais cedo.
− Oh! «Setora» não faça isso − disse o António.Apoio-B
−  Vamos sentar que já é tempo de começar a aula.

O António continuou com o lenço na cabeça, cumpriu o que a professora tinha dito e não saiu da aula 5 minutos mais cedo tal como dizia que precisava. O Mário saiu mas não conseguiu fazer o que era necessário porque o António é que tinha a chave da casa.

Numa aula, é importante conseguir manter a disciplina e, às vezes, os professores têm de ajudar os alunos a compreenderem as normas de conduta, de convivência social e de respeito pelas regras que vulgarmente se seguem. Entrar nas «Educar»-Baulas como se fossem vestidos para um assalto de carnaval, pode dar azo a uma aprendizagem errada de não se submeterem às normas sociais; podem generalizar essa aprendizagem a outras situações da vida. Além disso, os jovens têm de aprender a sacrificarem-se um pouco e a aguentarem as frustrações e as contrariedades a fim de não ficarem «deprimidos» quando elas surgirem no decurso das suas vidas; é o que normalmente acontece. É uma aprendizagem que ajuda a formar uma personalidade mais resistente à frustração e mais capaz de viver em harmonia social, sem egoísmos exagerados e com respeito pelos seus semelhantes. É uma tarefa difícil e ingrata mas que se torna indispensável porque nos tempos que correm, geralmente, os pais ou facilitam demasiadamente a vida dos filhos ou não têm tempo para lhes dedicar. E, infelizmente, a consequência disso é um comportamento desviado ou a desestabilização de toda a família com necessidade de apoio psicoterapêuti­co ou aconselhamentoDepress-nao-B especializado.

#########

Quando a professora se dirigia para a aula, os alunos ainda estavam no corredor e davam pontapés, como se jogassem à bola, num bocado de cartão que se encontrava no chão. Antes que a professora lhes dissesse qualquer coisa, uma outra professora que passava por aí apanhou rapidamente o bocado de cartão e disse qualquer coisa aos alunos que eles não conseguiram ouvir. Entretanto, a professora que lhes ia dar aula, entrou na sala e depois de estarem todos nos seus lugares perguntou:tecnicas1
− O bocado de cartão pertencia a algum de vocês?
− Não, «Setora», estava ali na chão e aproveitámos para fazer de bola.
− Há três anos que nos conhecemos e parece-me que já estão demasiadamente crescidos para se lembrarem de jogar à bola no corredor. Mas porque seria que a Drª Raquel apanhou o cartão?

Então um dos alunos respondeu:teoria2
− Não sabemos «Setora». Só sabemos que se fosse a «Setora» não tinha apanhado o bocado de cartão mas pedia a um de nós para o apanhar.
− Estou satisfeita com essa resposta; prova que já me conhe­cem e que alguma coisa retiveram entre as muitas que constantemente vos digo sobre educação cívica.

Este exemplo elucida como as crianças conseguem discriminar correctamente o comportamento dos professores esperando de cada um deles, reacções diferentes. Se conseguem discriminar tão bem aquilo que observam, que tipo de modelos irão os alunos imitar quando os professores tiverem comportamentos menos correctos ou até pratica2pouco dignos? Este é um ponto importante em que qualquer docente deve meditar. A aprendizagem por identificação e modelo, com reforço vicariante, é quase fundamental nestas idades.

#########

Decorria normalmente a aula de Matemática. Todos os alunos estavam ocupados a fazer uma ficha de trabalho. De repente, o Franisco e o Pedro que se encontravam sentados nos últimos lugares, levantaram-se e avançaram para junto da professora dizendo:
− «Setora», cheira mal aqui, cheira muito mal.casos2
− Se por acaso cheira mal, nenhum dos vossos colegas se queixou e como não há lugares à frente, vocês voltam para o vosso lugar, sentam-se e continuam o trabalho que estavam a fazer.
Os alunos voltaram para os seus lugares mas o Francisco tornou a dizer em voz muito alta:
– Cheira mesmo mal. Isto não pode ser!
− Nenhum dos seus colegas parece estar incomodado com o cheiro. Por isso, a única alternativa é cheirar e continuar o seu trabalho.

previsão2Fez-se silêncio na sala.
Então o Francisco virou-se para uma colega que estava junto da janela e gritou:
−  Ana abre a janela!
Quando a Ana se preparava para abrir a janela, a professora exclamou com firmeza e decisão:
− A Ana não abre a janela!
Novamente o Francisco insistiu em tom gritante, parecendo estar a desafiar a professora:
− Ana, abre já a janela!
− Ninguém abre qualquer janela – ripostou a professora e continuou − Em primeiro lugar, nunca houve qualquer mau cheiro nesta sala e nisso estamos todos de acordo neste momento, excepto o Francisco. Em segundo lugar, se alguém numa sala de pqsp2aulas tem de dar ordens, esse alguém é o professor. Caso o Francisco não concorde com o que acabei de dizer, vamos para os procedimentos normais que suponho, já conhece; se o aluno for incorrecto e insolente, marca-se-lhe a respectiva falta de presença, comunica- se por escrito ao Director de Turma e reune-se um conselho disciplinar.

Fez-se de novo silêncio. O Francisco não voltou a falar e a professora continuou a aula como se nada tivesse acontecido.
Isto ocorreu a meio do primeiro período; desde então até ao fim do ano lectivo, o Francisco foi modificando aos poucos o seu comportamento, começou a conversar melhor com a professora e não mais tornou a ser incorrecto ou insolente.stress2

Incidentes deste tipo não são raros e muitas vezes reflectem a educação que os alunos têm em casa. Os pais não os controlam e sujeitam-se às suas exigências. Muitas vezes os filhos procedem desta maneira para poderem «mandar» como em casa ou dar nas vistas. Contudo, o mais plausível, é desejarem chamar a atenção sobre si ou terem necessidade de maior contacto com os mais velhos o que, em suas casas, só é conseguido com comportamentos idênticos a este. Quando o professor é firme e não deixa que os acon­tecimentos tomem rumos indesejáveis, desconhecidos ou incontroláveis, os alunos até ajudam desde que se lhes possa garantir que existe «segurança e coerência» no comportamento do professor e que esse professor será para eles uma ajuda importante quando a mesma for necessária. É imprescindível que os alunos vejam no pro­fessor alguém que, além de ter psicoterapia2consideração por eles, também os ajuda a aprender não só a parte académica mas ainda as boas maneiras e as regras de boa convivência e respeito social.

#########

Numa aula de adultos, um aluno diz ao professor: − Empreste- me a caneta, que não tenho a minha.

O professor, achando que os alunos não deviam ser mal habituados, devendo todos ter sempre o seu material, responde: − Não. Esta é minha e não empresto.
molhar2Porém, pouco depois, olhando para a sala vê uma esferográfica no chão e diz para o aluno: − Está lá uma. Apanha-a.
O aluno responde-lhe: − Mas essa não é minha.
Entäo o professor riposta: − Mas agora passa a ser tua.

Com professores assim, qual é a moral que os alunos vão introjectar? Isto é exactamente o oposto daquilo que deve ser incutido numa escola onde para além das matérias escolares, a moral e os bons costumes também devem ser tidos em consideração. Parece que, neste caso, o professor até ajudava aluno a ter poucos escrúpulos em se apoderar das coisas dos outros!DIA-A-DIA B

Moral da história: Todos aqueles que leccionam, serão, de facto, «professores», apesar de terem as devidas habilitações profissionais?

A transcrição do conteúto do livro com este título vai continuar com a publicação do post nº 17.

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ESCOLA / CONFLITOS – 15

ELIMINAR AS DESMOTIVAÇÕESescol-conf-c

Numa escola de Lisboa, os armários de cada disciplina onde os professores guardavam toda a documentação, livros, cassetes, gravadores, fichas de trabalho e todo o material necessário para as aulas, encontravam-se numa das salas de aula. Um professor que estava a preparar as suas lições, necessitou subitamente de um livro e teve de ir a essa sala. Como estava a decorrer uma aula, bateu à porta, pediu licença à colega e entrou.

Ao entrar, ficou admirado com o que se passava na sala de aula: uma aluna estava junto do quadro, em cima de uma cadeira, com o giz numa das mãos e o apagador na outra. De vez em quando escrevia no quadro o que a professora ou os colegas lhe diziam. Reinava uma confusão tremenda dentro da sala de aula. Uns falavam, outros riam, alguns olhavam desconsolados para aquele cenário, mas poucos escreviam ou prestavam atenção ao que a professora dizia.

O professor tirou o livro que necessitava, agradeceu à colega e saiu pensando consigo próprio: “Como se poderão dar aulas num ambiente destes?” “O que aprenderão os alunos?” “Que motivação terão para aprenderem a neuropsicologia-Bmatéria escolar no reino da confusão, em que quase todo o tempo de aula é desperdiçado com brincadeira improdutiva?”

Não havia naquela aula a mínima motivação, indispensável para uma aprendizagem razoável. Na adolescência e pré-adolescência, as crianças têm a motivação geral da curiosidade e da competência, com o objectivo de sucesso, que deve ser devidamente reforçado para que funcione como incentivo duma motivação posterior. O que se verificava com aqueles alunos naquela sala de aula era um reforço para comportamentos lúdicos, de desatenção, de desinteresse pela matéria académica, como se a desordem estivesse a ser reforçada para continuar em todas as aulas. E se esse comportamento ficasse suficientemente reforçado nessa aula até ao ponto de ocasionar Psicologia-Bgeneralização para outras aulas? A desmotivação para a aprendizagem académica não estaria a ser uma variável, introduzida provavelmente sem intenção, por falta de controlo da professora em causa? Por acaso, ainda bem que os alunos eram capazes de fazer uma discriminação entre essa aula e as restantes; caso contrário, o ensino estaria comprometido pelo descuido de uma professora que não tinha noções suficientes de pedagogia, modificação do comportamento e psicologia de grupo (K).

***

O relato de uma professora a uma colega diz mais ou menos o que se segue.Interacção-B30

“Imagina o nosso jovem colega a defender um método moderno de ensino insurgindo-se contra o antigo sistema, classificado, por ele, de «fascizante». Não aceita que os alunos devam estar sentados nos seus lugares, a ouvir o professor, para poderem compreender as matérias e tomar apontamentos. Diz ele que cada um aprende como entende, sem ter de estar com o mínimo de atenção nas aulas. Os resultados da turma nessa disciplina foram os piores; nas restantes, os alunos comportavam-se de maneira tradicional, embora com bastante liberdade para se sentirem completamente à vontade com os professores e os resultados alcançados foram satisfatórios.Joana

Como era Directora de Turma do 7º ano, necessitei de fazer um aviso importante aos meus alunos; não tendo possibilidade de os contactar ao longo de todo o dia, resolvi bater à porta da sala de aula para lhes dar a informação. Quando entrei, alguns alunos estavam sentados sobre as mesas com as pernas a balouçar e a conversar, tal como o professor; outros riam e conversavam e poucos, sentados normalmente, copiavam para os cadernos o que estava escrito no quadro. Entretanto, alguns entraram nesse momento porque tinham saído para ir à casa de banho e outros já se preparavam para abandonar a sala de aula. Perguntei ao meu colega se podia fazer rapidamente um aviso à turma e depois de ter a sua concordância, pedi aos alunos que se sentassem todos nas Acredita-Bcadeiras e tomassem atenção. Os alunos reagiram rápida e ordeiramente e, depois de todos acomodados e transmitida a informação necessária, agradeci ao meu colega e saí da sala.

Mais tarde encontrámo-nos na sala de professores e ele disse-me que talvez tivesse estranhado o comportamento dos alunos; era uma aula em que eles estavam à vontade e aprendiam uma língua estrangeira em moldes completamente modernos. Como também dava aulas de língua estrangeira, perguntei-lhe se o resultado obtido pelo seu método era superior ao obtido por essa turma em outra língua estrangeira, leccionada de maneira tradicional. Perguntei-lhe também se os resultados obtidos no ano antecedente tinham sido mario-70satisfatórios. Respondeu que os alunos estavam a tomar contacto com a língua e que os mal sucedidos eram os que pouco ou nada se interessavam pela aprendizagem.

As minhas últimas perguntas e exclamações, todas seguidas, foram efectuadas para obrigar o colega a reconsiderar o «seu método de ensino» e a pensar nas consequências negativas que o mesmo estava a trazer para os alunos:
− Se o seu método é tão bom, o insucesso já verificado, especialmente em comparação com os resultados de outras turmas é devido à incapacidade dos alunos ou à falta de capacidade pedagógico-didática do professor?
− Se o método «considerado fascizante» não é bom, qual a justificação do melhor resultado obtido pelos mesmos alunos na Bibliooutra língua estrangeira?
− Se o método é considerado «fascizante», porquê o «bom relacionamento», espontâneo, voluntário e ordeiro dos alunos com a professora da outra língua estrangeira que entrou na sala?
− Não será uma total desmotivação para a aprendizagem de uma língua, aquilo que estava a acontecer na sua aula, reforçando um comportamento de desinteresse e de desordem, sem os alunos terem possibilidade de apreender a matéria necessária?

Fazendo estas perguntas, acrescentei:
− Os alunos podem até julgar que todo aquele rebuliço que notei nas suas aulas é vantajoso e encorajado pelo professor. ComoSaude-B Directora de turma tenho obrigação de zelar pelos interesses dos meus alunos. Tudo o que disse não foi uma crítica mas uma tentativa de ajuda para o «colega» repensar e reavaliar o seu método e ensino.

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Numa escola muito pequena, todas as salas de aula do rés-do-chão, com janelas bastante baixas, davam para os corredores do pátio de recreios. Os alunos que por vezes não tinham aulas, passavam junto das janelas e alguns punham-se a olhar para dentro, faziam «momices», riam-se através dos vidros e, por vezes, se alguma das janelas estava aberta, metiam a cabeça para dentro da sala e tentavam conversar com os que estavam na aula. Por sua vez, os Maluco2alunos que estavam dentro da sala distraiam-se, achavam graça, sorriam para os seus colegas «engraçadinhos» e até tentavam responder às suas gracinhas.

Para conseguirem ter mais sossego dum modo geral, os professores que davam aulas nessas salas, costumavam fechar as janelas e baixar as persianas, tendo, por isso, de trabalhar com luzes acesas. No tempo frio e chuvoso de inverno, essas aulas passavam-se normalmente. No entanto, quando surgia o bom tempo em muitos dias de Inverno ou se aproximava a Primavera, era difícil e muito desagradável tanto para os alunos como para o professor continuar a ter aulas de persianas corridas.

Psicopata-BTudo aquilo que estava a acontecer era desmotivante quer para os alunos quer para os professores. Os alunos distraiam-se e não conseguiam apreender a matéria. Os professores que desejavam sucesso na sua tarefa de ensino não conseguiam transmitir aos alunos os conceitos que desejavam. Quer uns quer outros se sentiam frustrados embora a reacção de qualquer deles não conseguisse ser a mais adequada: os alunos distraiam-se com o que se passava fora e os professores irritavam-se e zangavam-se com os alunos nos constantes momentos em que isso acontecia.

O Conselho Directivo resolveu fazer reuniões separadas com alunos e professores para expor o problema e solicitar dos dois grupos uma colaboração específica: dos alunos pedia-se que tentassem não ligar importância àquilo que Consegui-Balguns colegas menos avisados faziam fora da aula (evitando o reforço desse seu com­portamento); aos professores solicitava-se que não ligassem importância às possíveis distracções esporádicas dos alunos, reforçando-os imediatamente quando se portassem bem. Foram-lhes dadas noções de reforço do comportamento incompatível em modificação do comportamento (F). Em seguida, todos os alunos da escola foram avisados que deviam evitar fazer barulho junto das salas nas horas de aulas, não se aproximar das janelas abertas nem espreitar para dentro das salas de aula. Foi-lhes também recomendado que fossem para as suas salas de aula e estudassem qualquer coisa quando os professores faltassem. O Conselho Directivo conseguiu ainda que dois professores com horário incompleto e de muito boa vontade, ajudassem os alunos a ocupar os tempos Imagina-Blivres especialmente quando algum professor faltava.

Toda esta tentativa de entendimento foi reforçada pelo Conselho Directivo, que pediu aos professores e empregados para tomarem especial nota dos alunos que se portavam bem, divulgando os seus nomes em cada reunião de Conselho Pedagógico para que os alunos fossem recompensados ou elogiados pelo seu comportamento. A colaboração foi boa atendendo às dificuldades iniciais e ao comportamento vulgarmente mantido por professores e alunos. Contudo, além da iniciativa inédita do Conselho Directivo, o êxito dependeu imenso da pequenez da escola, do reduzido número de alunos e da compreensão e colaboração dos professores. A desmotivação reduziu-se nesse ano lectivo, o rendimento escolar aumentou e a colaboração entre professores, alunos, pessoal administrativo, Depressão-Bauxiliar e pais foi muito maior do que em outros anos. Porém, no ano lectivo seguinte, com a mudança do Conselho Directivo as coisas tornaram-se bem diferentes, originan­do-se muitos conflitos, processos disciplinares, faltas de castigo e mal-entendidos que quase tinham sido eliminados. Com a descrição deste acontecimento, parece-nos que a atitude do Conselho Directivo é muito importante, servindo o seu comportamento de modelo para todos os restantes membros do agregado escolar (D).

Um dos professores que tinha todos os dias aulas nas salas do rés-do-chão, depois de combinar com os seus alunos que iriam ignorar a existência dos possíveis espectadores que se aproximassem das janelas, resolveu deixar as persianas abertas em todas as aulas. Ninguém olharia para eles e a aula decorreria como se nada de especial estivesseDifíceis-B a acontecer fora da sala. Quando algum dos curiosos insistia um pouco mais com as suas manobras de distracção, o professor aproximava-se da janela e, num tom calmo e afável, convidava-os a afastarem-se para que os colegas pudessem trabalhar sem se distraírem (I).

Havia dias em que os alunos se esqueciam do que tinham combinado com o professor e distraíam-se facilmente com as momices dos que se aproximavam das janelas. Sempre que isto acontecia, o professor, muito serenamente, fazia-lhes lembrar que se eles queriam que os colegas se afastassem das janelas, o melhor que tinham a fazer era ignorarem por completo (extinção) a sua presença.

Psi-Bem-CAo fim de aproximadamente dois anos de convívio com a mesma turma, o professor conseguiu que a maioria dos alunos ignorasse a presença dos que se aproximavam das janelas e estes, por sua vez, como ninguém lhes ligava importância, acabavam por se afastar. Graças à sua persistência, equilíbrio emocional e conhecimento humano, este professor ajudou os seus alunos, através das técnicas de modificação do comportamento, a aprender como se extingue um comportamento desagradável, conseguindo ao mesmo tempo que eles estivessem com atenção nas aulas (P).

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