PSICOLOGIA PARA TODOS

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RESPOSTA 21

Em relação ao seguinte e-mail que recebemos ontem:

“Caro colega de blog:
Se conseguiu seguir o julgamento de Rui Pedro, em Lousada, o que é que tem a dizer, em psicologia, sobre o silêncio total do acusado durante o julgamento e comprometer-se a falar agora particularmente com a família, com a condição de não ser condenado?
Cão Pincha

posso dar apenas a seguinte resposta:

Em psicologia, não devo fazer qualquer julgamento de valor, mas sim limitar-me aos factos. Contudo, à luz dos ensinamentos colhidos na psicologia social (K), posso fazer uma atribuição relacionando as diversas fases do julgamento, desde o acontecimento em si.

Quando ocorreu o desaparecimento de Rui Pedro, as investigações quase nada indicaram de positivo em relação aos indícios sobre o paradeiro ou percurso da criança, a partir do momento em que deixou de ser vista pelos pais e colegas.

Não houve notícias posteriores, mas as investigações conseguiram deduzir que as últimas duas pessoas que viram o Rui Pedro são a prostituta e o acusado.
A prostituta fez declarações no tribunal indicando o acusado como figura interveniente, mas o acusado negou muita coisa e não conseguiu «encaixar» os factos com uma certa coerência.
Desde o desaparecimento do rapaz, nada mais se soube de concreto, a não ser que muitos aspectos tinham mudado na paisagem urbana onde o acontecimento tinha ocorrido, o que serviu para que a defesa descredibilizasse os testemunhos a favor do rapaz.
Por fim, a apresentação, pela defesa, de vídeos do local da ocorrência, realizados na ocasião do desaparecimento, parece que «lançaram» alguma luz sobre a veracidade dos factos, sobre os quais, utilizando o seu direito legal de não falar, o acusado nada esclareceu.

* Se ele está inocente, qual a razão do seu silêncio?

* Se está inocente, porque não diz isso em público para todos o ouvirem em tribunal?

* Se nada sabe acerca do acontecimento para além do que já esclareceu em audições anteriores, qual a razão de se disponibilizar para falar agora com os pais, em particular, “SÓ SE NÃO FOR CONDENADO”?

* Depois de todas as acções dilatórias e de silêncio, utilizadas pelo acusado de uma maneira muito «fria», é admissível que esta seja mais uma «manobra» para não ser condenado, em função de muitas pistas que o indicam como conivente no desaparecimento do Rui Pedro.

* Pode-nos também fazer suspeitar que existe mais alguma coisa relacionada com este desaparecimento, especialmente porque o acusado é motorista de longo curso e está frequentemente no estrangeiro, em contacto com muita gente, que fica fora do alcance imediato e fácil dos investigadores.

* Se não for mais uma manobra bem urdida de um psicopata, o que mais poderia ele contar aos pais do rapaz, que não pudesse dizer já em público?

* Se o relatório pericial do Instituto de Medicina Legal o considerou pessoa normal, qual a razão de não se pronunciar em tribunal, mas dispor-se a falar em privado com os pais, desde que não seja condenado?

* Como psicólogo que tem mais de 35 anos de prática clínica, posso perguntar também se esse relatório foi elaborado com transcrições da entrevista com o examinando e impressões do examinador ou com base em determinadas provas e seus resultados quantitativos e qualitativos? (B)

* As conclusões do relatório foram baseadas em dados e factos obtidos com as provas aplicadas ou nas presunções científicas dos psicólogos que o elaboraram para incriminar ou ilibar o examinando?

* Quem nos garante que tudo isto não é uma bem montada estratégia legal de defesa, utilizada para evitar uma possível condenação?

Como não sou adivinho, não consigo imaginar coisa alguma …
mas, «casos» destes deviam continuar a ser investigados «discretamente» para evitar «complicações futuras» para a população em geral.

Por todos estes motivos, insistimos muito na «educação» que pode prevenir muitas coisas que, num futuro imediato, se podem transformar em situações a querer remediar o irremediável. A velocidade da Internet não permite isso!

Convém ler também o nosso post “SÍNDROME DE PERSEGUIÇÃO FILIAL” publicado em 24 de Janeiro de 2010, há mais de um ano, com um caso muito «interessante» e um desfecho trágico para uma criança que não sei se já terá «reconstruído a sua personalidade e vivência emocional”, conforme «determinou» o juiz.

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RESPOSTA 20

Há dias, quando perguntei a uma pessoa amiga qual a sua opinião sobre o livro JOANA a traquina ou simplesmente criança? (D), disse-me que ainda não o tinha lido mas que um casal amigo opinara que parecia um livro técnico.

Expliquei que, na estruturação e disposição de toda a matéria explicada nesse livro, a intenção primordial é tentar fazer chegar ao conhecimento de leigos as normas e as forças que regem ou influenciam o comportamento humano.

Isto quer dizer que é uma tentativa de explicar, de forma ligeira e romanceada, à luz da ciência do comportamento humano, os acontecimentos que nos afectam no dia-a-dia. Isto quer dizer que se tenta explicar com linguagem simples, através dos factos do dia-a-dia, a razão da sua ocorrência, assim como as suas causas, consequências e a maneira de os prever e evitar tanto quanto é possível.

Tudo isto é feito com a experiência de mais de 15 anos de consultas, de 1975 a 1990, nas quais foram dadas respostas a centenas de pais que nos pediram conselhos para lidar melhor com os filhos.

Muitos desses pais, se tivessem lido um livro como o da Joana, teriam evitado pelo menos algumas consultas, visto que os casos por eles apresentados não se resolveram em menos de 5 a 10 sessões de aconselhamento. E tiveram muita sorte porque, numa ocasião em que não havia estes livros, foi apenas possível disponibilizar-lhes alguns apontamentos policopiados sobre a modificação do comportamento.

A necessidade de incluir nos livros alguns termos técnicos baseia-se na economia de tempo que se consegue fazer nas consultas, reduzindo o seu número.

Com um exemplo prático, talvez se consiga compreender melhor. Depois de algumas aulas sobre a modificação do comportamento, uma senhora quis tentar «fazer desaparecer» ou «reduzir» o medo que a sua filha tinha das galinhas (F), visto que nem se aproximava delas. O psicólogo disse-lhe que poderia ser utilizada a técnica de dessensibilização.

A senhora foi para casa, chamou a filha, colocou uma galinha nas mãos, fez-lhe passar a mão pelas penas e, depois de a filha ter lançado a galinha para o ar, foi dizer ao psicólogo, muito triunfante, na aula seguinte, que já tinha utilizado a técnica de dessensibilização com a filha e ela até tinha passado as mãos pelas penas da galinha.

Quando o psicólogo perguntou se a filha já se aproximava à vontade das galinhas, a resposta foi não.

– O que a senhora fez não se insere na técnica de dessensibilização, mas aproxima-se da técnica de saciação ou flooding, muito mal feita e com possibilidades de aumentar o medo das galinhas – disse-lhe o psicólogo.

Pediu-lhe depois que lesse os apontamentos que tinha em casa (F), compreendesse bem o significado das técnicas e, só depois, com a ajuda de mais pessoas, tentasse utilizar a técnica da saciação desde que tivesse a certeza de que a filha não conseguiria «fugir» e «livrar-se» da galinha que tinha de ficar nas suas mãos. Além disso, a filha, com a galinha nas mãos, devia estar completamente à vontade.

Como era sexta-feira, tinha alguns dias para fazer com que a filha repetisse mais vezes esse procedimento a fim de consolidar a aprendizagem. Se a filha conseguisse fugir da galinha, poderia ter reforço secundário negativo aleatório que aumentaria o medo, cada vez mais.

Na aula seguinte, na terça-feira, poderia comunicar o resultado das suas experiências. Assim, o psicólogo ficaria a saber se a técnica da saciação tinha sido bem sucedida.

Se não fosse a utilização dos termos técnicos – desensibilização, saciação, reforço secundário negativo aleatório – com uma pessoa leiga na matéria da modificação do comportamento, quantas palavras e tempo seria necessário despender para explicar um procedimento que deu resultado, mas que talvez necessitasse de intervenção dum psicólogo durante mais de 3 ou 4 sessões? O mesmo acontece com outros pais que vão à consulta do psicólogo.

A indicação da bibliografia adequada ou de «casos» entre parêntesis (ver…), muitas vezes, com a indicação da publicação apropriada com uma letra, por exemplo (F), destina-se a tornar os procedimentos compreensíveis e facilmente consultáveis. Economiza-se em tempo, dinheiro, comodidade e eficácia.

 Também, quem quiser saber utilizar esses procedimentos, pode assistir a sessões em que em cerca de 12 horas e com a ajuda de vários livros, pode evitar muitas consultas de psicologia para a resolução de um caso que exigiria várias horas de terapia.

Uma ajuda suplementar, é comentar este post, ou qualquer dos outros deste blog, apresentando as dúvidas ou necessidades, que vão surgindo ao longo do tempo e de diversas circunstâncias.  

Utilizando este procedimento, comodamente instalada em casa, a pessoa que consultar este blog, com a leitura de alguns livros essenciais, pode às vezes, tentar resolver os seus problemas, sem a necessidade de se deslocar para consultas que consomem tempo, dinheiro e paciência.

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Ler ou mandar ler?

 Este post baseia-se numa conversa que fez reviver em mim a ideia de que cada um tem de mudar a sua atitude para «engendrar» novos comportamentos capazes de transformar uma «educação» sem objectivo específico, numa outra capaz de melhorar o futuro de todos e especialmente dos que nos são mais queridos.

Essa conversa, que tive hoje com um velho amigo com quem me encontrei por acaso, foi mais ou menos baseada na avaliação que ele fez do livro sobre a JOANA (D).

Dizia-me ele que já tinha acabado de ler o livro e que o achava muito necessário e útil para todos os pais. Estava escrito em linguagem compreensível, sem linguagem complicada e com bastante explicação sobre os termos técnicos que, de vez em quando, é necessário utilizar. Achava que contem muita matéria que os pais devem saber para educar os filhos.

Por isso, ele julgava que sua neta de 15 anos devia lê-lo. Contudo, não se referia aos seus próprios filhos e filhas, todos com famílias. Ele queria também mais exemplares desse livro e estava à espera de ir à Bertrand para os adquirir, já que um dos funcionários era seu conhecido e lhe podia fazer um desconto.

Tive de lhe explicar, antes de tudo, que seria muito mais útil que, em vez da neta, fossem os pais dela e de outros netos a ler o livro porque no nosso contacto familiar, o «comando» fica geralmente nas mãos dos mais velhos. São eles que dão os exemplos e incentivam os mais novos a terem um determinado tipo de comportamentos. Se forem só os filhos a ler os livros, pode ser que «descubram» nos pais uma série de comportamentos, inadequados para atingir os objectivos desejados numa boa educação. Também, se forem só os filhos a ler o livro, estes não terão modelos para seguir ou imitar, ficando os pais sem saber como actuar.

A modelagem, a moldagem, a identificação e a manipulação dos reforços são «armas» importantes a ser utilizadas numa «educação» que pode trazer vantagens para todos os familiares.

Expliquei-lhe depois que se a Joana (D) tivesse mais idade e lesse o livro, talvez não conseguisse voltar a «juntar» os pais que se iam separar por maus entendimentos, despropositados e desnecessários, especialmente porque não tinham lido um livro semelhante.

Porém, no caso da Cristina (L) – já com 23 anos –, embora não tivesse lido o livro, teve acesso aos originais dactilografados de muitos livros que a ajudaram a iniciar a sua psicoterapia.

Quando se lê um livro deste tipo, existe uma grande diferença entre a compreensão duma criança e dum adulto. Além disso, é necessário que se possa fazer uma utilização correcta dos conceitos nele inseridos.

Por isso, tive de fazer ver que a consulta do blog <psicologiaparaque.wordpress.com> é importante e que a aquisição de mais livros não pode ser feita na Bertrand porque ficaram todos na minha posse a fim de não serem onerados com a comissão das livrarias. Qualquer pessoa podia solicitar os livros através duma mensagem para mariodenoronha@gmail.com, indicando apenas a morada para onde devem ser enviados. O livro chegaria à cobrança através dos correios com porte pago.

Para isso, depois de ler os diversos posts incluídos no blog acima indicado, podia passar para o outro blog <livroseterapia.wordpress.com>, clicando apenas em BEMVINDOS. Aí, lendo o resumo de cada livro, escolheria os mais desejados e, indicando o nome do livro ou até a letra correspondente, faria o pedido que seria satisfeito com a rapidez possível.

Alertei também que seria muito útil, ler todos os comentários feitos em cada um dos posts espalhados pelo blog que pode ser consultado em qualquer parte do mundo, desde que se utilize a internet.

Todos têm respostas dadas a pessoas que delas necessitaram num determinado momento e que podem outras pessoas que estejam em condições idênticas.

Enquanto não houve o blog, a Cidália (C) muito utilizou os apontamentos dactilografados que tinha no momento, para complementar e suplementar a sua psicoterapia que foi muito bem sucedida e económica.

No caso do meu amigo, disse-lhe que ele também devia consultar os blogs com a ajuda da neta que lhe poderia também dar algumas lições sobre esse manuseamento. Entrando na internet e no Google, basta procurar Mário de Noronha para aparecer a indicação do blog PSICOLOGIA PARA TODOS. A neta podia dedicar-se a assuntos mais interessantes para a sua idade e ele, lendo os posts e os livros, devia elucidar os filhos, as noras e os genros que tinham a possibilidade de estar ocupados com outras coisas.

Desejei muita sorte e um bom ano de 2012 ao meu amigo. Deseja o mesmo a todos os que consultarem este post.

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Perceber e/ou Resolver? (2ª continuação)

 Para responder a um e-mail de quem me obrigou a elaborar os dois posts anteriores sobrePerceber e/ou Resolver?”, de 30 de abril e 1 de Maio, ambos de 2011, vou acrescentar este que, por não transcrever aqui esse e-mail, pode ser pouco perceptível para muitos. Contudo, arrisco-me a transformar a minha resposta pessoal em post porque pode ajudar outra pessoa para além do destinatário principal.

 Acabei de ler o seu texto e gostei do seu sonho… em qualquer parte do mundo, desde que se dê bem com ele e com a pessoa com quem o quer concretizar. Além de tudo, ter uma vida independente exige que existam meios de subsistência capazes de aguentar as necessidades do momento e não só, passados alguns anos… E o Ano Novo está apenas a começar com o Primeiro-Ministro a dizer para emigrarmos…  Mas, aqui também, para pormos o país a funcionar com equidade de rendimentos e não para ficarmos com um país de cada vez mais ricos com cada vez mais pobres, necessitamos de gente capaz e não de «conta-dinheiro» malucos…                           

Vá «vomitando» tudo o que puder. Como já tinha dito há muito, só assim se pode fazer «uma lavagem ao estômago». É mais ou menos como uma «lavagem ao cérebro» para compreendermos e percebermos o que se passou connosco, sem haver necessidade de retaliar, desculpar ou aceitar.  Como pode haver agora, entre nós,  muito mais gente a necessitar disso, torno esta resposta visível para além do distinatário. É necessário sentir para compreender, analisar, enquadrar, saber o que se passou e porquê e aprender a viver com isso, a fim de resolver o futuro deitando definitivamente muitas coisas atrás das costas.

 As doenças crónicas, especialmente a de Alzheimer, deixam, às vezes, essas pessoas, especialmente as mais idosas,  descontroladas, desorientadas e desmemoriadas. É necessário compreender isso e não ligar importância ou aceitá-las como «normais» e especiais.

 Também, quando alguém nos serve algum sumo ou dá qualquer coisa, sabendo que não gostamos disso, o mais prudente e benéfico é utilizar o reforço do comportamento incompatível ou a extinção. Pode mudar-se a conversa para outro tema ou não ligar importância à anterior. Insistir no assunto, tentando explicar de novo, qual a razão de não se gostar do sumo àquela hora, pode criar problemas com os quais cada um se vai desgastar ainda mais, mesmo depois do desfecho da conversa.

 Quando vamos para o trabalho e começamos ou temos vontade de chorar, é porque o trabalho parece não ser tão agradável como deveria, para nos deixar completamente absorvidos. É importante empenharmo-nos nele e melhorarmos os procedimentos para criar através do mesmo uma distracção que irá funcionar como reforço do comportamento incompatível.

Os “palhacinhos” existem para captar a atenção dos outros, divertindo-os ao mesmo tempo. Se eu não conseguir captar a atenção de alguém de outra forma, o melhor é utilizar um «argumento forte», que pode ser esse, mas que desperte a atenção dos visados. Se não, a preparação da arena do circo para a actuação seguinte, muito diferente da anterior, seria quase impossível de maneira agradável. É esse o choque necessário para cativar a atenção do público que deixa de conseguir olhar para os preparos que se estão a fazer no palco ou arena, sem ficar aborrecido durante o tempo em que o palhaço actua.                             

E se o autor do aludido e-mail metesse tudo isto na cabeça juntamente com o quebra-cabeças indicado na resposta ao seu e-mail, talvez conseguisse resolver alguma coisa sem dar por isso. 
As 5 acções necessárias para a aceleração da psicoterapia a ser tomadas em consideração e implementadas na medida do possível são:

1 – 5 minutos do início da prática do relaxamento, todas as noites;
2 – escrita de tudo o que recordar ou acontecer fora do vulgar;
3 – leitura dos «casos» já descritos em livros;
4 – manutenção de 5 minutos diários da auto-análise, se possível;
5 – prática constante do relaxamento instantâneo, em qualquer sítio e a qualquer momento.
Para isso, basta ler as páginas 37 a 48 de ACREDITA EM TI. SÊ PERSEVERANTE (B).Isto pode ajudar a concentrar a atenção nas ideias ou recordações absurdas que podem surgir durante o sono, para as conseguir eliminar ou reduzir.

Boa sorte.

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DIFICULDADES NO COMPORTAMENTO

Comentário de um anónimo:
“Estou confuso com o que devo fazer com o meu filho que ficou comigo depois do divórcio. Está no 8º ano, com probabilidade de chumbar pela primeira vez.”

Para lhe dar uma resposta sem ter mais elementos sobre este caso, vou transcrever uma resposta genérica dada a outra pessoa no meu anterior blog <psicologiaparaque.blogspot.com>
Não lhe posso dar mais indicações sem ter informações pelo menos sobre o seu nível intelectual, percurso escolar, contacto com os pais (ambos), amizades e outros elementos possivelmente importantes para o aconselhar bem.

 “Estou divorciado há cerca de dois anos e tenho um filho com 10 anos que está a viver comigo desde que foi concretizado o divórcio. No entanto, ele visita a mãe um dia por semana e tem tido um comportamento mais ou menos equilibrado, não parecendo ter sido muito afectado pela nossa separação. Contudo, ultimamente, ao longo deste ano lectivo, a professora tem vindo a alertar-me pela falta de atenção e desinteresse que ele tem demonstrado e que o está a prejudicar no seu aproveitamento escolar. Também em casa, comigo, está pouco comunicativo, já não fala em jogar ou brincar e parece triste e desinteressado.
Estou muito preocupado e não sei o que lhe dizer nem o que fazer.
Depois de conversar com algumas pessoas amigas que me falaram no seu blogue, resolvi expor-lhe o meu problema e espero que me possa ajudar e resolvê-lo.”

Recebi a sua longa carta mas transcrevo apenas o essencial para a minha resposta.
Seria muito importante que o seu filho fosse visto por um psicólogo e talvez até que lhe fossem feitos alguns exames. Bom seria também conseguir compreender qual o comportamento dele com a mãe desde a separação parental e se existe qualquer outra pessoa que interfira junto de qualquer dos dois elementos do antigo casal. Porém, se isso não é viável, posso recomendar que leia pelo menos o caso do BOSCO, descrito no SUCESSO ESCOLAR já que não posso aconselhar a leitura do caso da filha do Antunes porque ainda não foi publicado. Além disso, os livros sobre modificação do comportamento, também da Plátano, podem ser úteis. O caso desse rapaz pode ser semelhante ao do seu filho. Com esta leitura e de outras complementares, como por exemplo, a história da Joana contada em 4 livros a começar por COMO COMPREENDER AS CRIANÇAS, pode conseguir uma compreensão melhor da situação já que os pais dela estavam para se separar e passaram a «re-unir-se».
Porém, toda a actuação tem de ser sua e só uma avaliação cuidada da situação pode dar mais consistência a toda a estratégia que tem de ser concertada e reformulada se a sua acção imediata não produzir o efeito desejado. Lembre-se que os resultados são lentos e é necessário saber esperar e conseguir «medir» os pequenos resultados ou avanços conseguidos, persistindo com firmeza quando se chega a verificar o mais pequeno «avanço». É necessário saber esperar e alterar a estratégia logo que as circunstâncias assim o exigirem.
Espero que tenha boa sorte.

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A CRISE

                                
Hoje, de manhã, quando fui saber do dono da oficina qual a disponibilidade para ir buscar o meu carro, já arranjado, estive a conversar com ele sobre a nossa actual crise. Acerca deste assunto, o nosso diálogo foi mais ou menos o seguinte:

– O seu amigo Álvaro, da Nazaré, perguntou por si e desejou saber o que acha desta crise, como professor que leccionou psicologia social no ISMAT.
– Afecta todos e a mim também. Há cerca de 10 anos, não estava à espera deste desfecho.
– Já reparou que a crise não afecta todos por igual ou equitativamente?
– Como psicólogo, não digo coisa alguma sobre isso mas, como cidadão, tenho de concordar consigo.
– Estão agora a falar do Banco BIC. Quem está à frente do mesmo? Não foi um político que esteve como governante e, logo que perdeu o tacho, arranjou logo outro melhor ainda, na CGD e foi de seguida para gestor doutro banco? Enquanto eu, que trabalhei desde os meus 13 anos a ganhar uma miséria e a descontar para o Estado, ainda tenho de continuar a descontar para manter a actividade, esses senhores, recebem já a pensão do Banco donde se reformaram, um subsídio de reinserção ou uma subvenção vitalícia e um ordenado chorudo no lugar que actualmente ocupam, provavelmente, porque são conhecidos das pessoas com quem têm de negociar. Que belo tacho que arranjaram com o lugar que ocuparam na política!
– A única coisa que posso constatar em psicologia social é que, em política, é assim. Em quase todo o mundo acontece quase o mesmo. O blog compincha.wordpress.com refere-se muito a estes desmandos.
– Sim. É o que eu vejo também em todo o lado. E o outro que está noutra Empresa, mesmo depois se ter metido em negócios escuros trocando robalos por alheiras?
– Já sei de quem está a falar. O indivíduo foi capaz de negociar, defender a sua posição e dar vantagens aos seus clientes. Em psicologia social, só posso dizer que demonstrou eficácia. É o acontece com os que saem bem nos seus negócios defraudando os Bancos, o Estado ou a População, para aumentar os seus lucros pessoais. Quando há um negócio a ser montado, esses são os indivíduos preferidos para tomar conta deles. Já deram provas públicas da sua capacidade, assim como da sua impunidade. Em psicologia geral ou social, o que posso dizer sobre isso, é que a Justiça não funciona ou é favorável para os prevaricadores. Senão, não teríamos tantos em lugares cimeiros e na chamada «alta sociedade» ou na «alta política». Se a Justiça é para averiguar a verdade e punir os culpados, já alertei para os perigos de se punir deixando fugas para a impunidade (F). No caso de isso acontecer, pode funcionar como reforço positivo e aumentar a frequência e a intensidade das acções ilegais. O que acontece em Oeiras? Agora, deixando de ser de psicólogo e olhando para a nossa sociedade como cidadão comum, o que tenho visto nos últimos anos, deixa-me preocupado. Parece que quase todos os culpados ficam impunes e até podem beneficiar com o pretenso castigo se não conseguirem depois, de algum modo, benefícios ainda maiores, tais como prescrições, indultos e até indemnizações.
– E acha que não há volta a dar a tudo isto?
– A única volta a dar a sério, é a educação. Se todas as pessoas não educarem os filhos no sentido de honestidade, verdade, respeito pelo próximo, direitos dos outros, solidariedade e outros valores sociais, nunca mais teremos uma sociedade menos injusta do que a actual, porque a percentagem das pessoas normais que devia ser de, pelo menos,  70 por cento, com mais 15 por cento acima deste valor, irá diminuindo, para aumentar os 15 por cento dos que exibem menos valores sociais. A previsão que posso fazer é de que esses 15 por cento serão acrescentados, em muito, com os que já estão bem na vida e a usufruírem das suas posições cimeiras a fim de aumentar os seus lucros e poder. Nos finais do ano passado, li um post do compincha.wordpress.com sobre os nossos orçamentos e a transparência no Governo da Suécia. Quais são as semelhanças e as diferenças? Quais os ordenados dos governantes e gestores deles? Servirá de exemplo? Pelo que consigo observar, imagino que a nossa política, ao contrário da Suécia, é um óptimo campo para este tipo de influência e proveitos.
– Mas, a educação iria mudar o quê?
– A educação, como já disse, é importante, mas não se pode limitar a debitar conceitos aos mais novos e menos graduados. A modelagem é fundamental e a identificação também. Dar o exemplo é fundamental, se não, pode criar dissonância cognitiva como no sermão em que se diz e se faz significar: «faz o que eu digo, mas não faças o que eu faço».
– O que é que diz do homem que, em França, meteu o filho numa máquina de secar a roupa?
Há cerca de meio ano, já tive ocasião de alertar, no post CONSEQUÊNCIAS e PREVISÕES, uma senhora que me apresentou a sua filha metida numa maquina de lavar a roupa. Pode ter sido por brincadeira «contextualizada» como se costuma dizer, mas também uma «descontextualização» pode ocasionar, subitamente um desastre. Depois, chegam as civilizadas «desculpas» e a «falta de intenção» de fazer mal à criança. Dizem também que a mãe deste rapaz, de França, é amorosa.
– E o Anders Breivik, da Noruega?
– Julgo que também tive oportunidade de falar dele e tecer algumas considerações no livro sobre o caso do Joel (PSICOPATA! Eu?), classificando-o possivelmente como sociopata. Só posso concordar com o diagnóstico actual, se servir para o internar permanentemente como «doente mental perigoso» e não como cidadão que pode continuar à solta, para voltar a incomodar os outros, como acontece em Portugal.
– Infelizmente, no nosso país estamos sujeitos a ir ficando ainda pior do que já estávamos nos tempos de Salazar. Agora, até dizem que no Estado os carros são comprados com contratos para os utilizar durante 30.000 quilómetros, com manutenção incluída, para depois os entregarem e trocarem por novos. Tudo alta gama e sem problemas de utilização. Só alguns (muitos) da Polícia e das Forças Armadas é que parece que não são assim porque os mandados podem esperar enquanto os mandantes têm de chegar bem e depressa. O POVO é que paga…
– O pior, é nós chegarmos mal e devagar, se algum dia chegarmos, não é? A moldagem a que estamos a ficar sujeitos pode não nos deixar chegar a lado algum
– Não haverá alguma possibilidade de abrir os olhos às pessoas para os descalabros actuais?
– Julgo que a única possibilidade, como os compincha.wordpress.com preconizam, é exigir que exista um quadradinho em que numa votação possamos escolher legitimamente um “NÃO“ ou votar com uma cruz sobre o boletim de voto como já comecei a fazer. Quando descobrirem que muitos discordam dos propostos, pode ser que abram os olhos. Mas, é necessário ir votar e não deixar o voto em branco. Pode ser que assim aconteça qualquer coisa. Para mim, é melhor do que as greves.

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RESPOSTA 19

Senhor comentador.

Tentando responder melhor ao seu comentário feito no post “RESPOSTA 17” em relação a uma pergunta de D. Maria Correia, e às consequentes transcrições, em 10 posts, de um capítulo de PSICOLOGIA PARA TODOS (F)
“Como seria possível termos melhores noções sobre isto?
Pode dar alguma ideia?”
depois de lhe dar uma primeira resposta:
“Se ler com atenção o post “RESPOSTA 17″ pode encontrar nas afirmações dos enfermeiros a resposta que possivelmente lhe irei dar logo que tiver disponibilidade para isso.”
peço que, depois de ler tudo isso, tente raciocinar comigo para ver se consegue descobrir alguma solução para a sua dúvida.

As considerações tecidas por alguns dos meus antigos alunos de enfermagem, são a informação daquilo que eles ganharam com as aulas de psicologia que lhes dei no Hospital de Vila Franca de Xira e outros, equivalentes a muitas das consultas englobadas no livro da JOANA (D).

Muitos deles, questionando o «débito» da matéria teórica que estava a ser dada, colocaram questões a ser resolvidas na vida prática.

Alguns problemas podiam estar relacionados com o «questionador», mas outros, referiam-se a problemas que eles viam em pessoas com quem contactavam. Assim, não se expunham directamente mas aprendiam com a «desgraça» dos outros.

As soluções foram discutidas com enquadramento teórico, não para o psicólogo as utilizar mas para os próprios experimentarem ou ajudarem outras pessoas a experimentá-las. Como resultado, muitos conseguiram resolver ou minimizar os seus problemas.

Com essa experiência prática de resolução de dificuldades, enquadradas teoricamente, conseguiram compreender aquilo que deviam fazer para resolver o que queriam ou evitar aquilo que não desejavam. Portanto, avançaram no sentido da prevenção e da profilaxia.

Não me lembro quantas horas foram utilizadas nesta acção mas, seguramente, não foram menos do que uma dezena.

Se qualquer dessas pessoas quisesse resolver o seu problema, de quantas consultas individuais necessitaria? Não seriam, seguramente, menos do que 3 ou 4 em cada caso. Do modo como tudo aconteceu, cada uma dessas pessoas assistiu a 20 consultas, partindo do princípio que participou apenas em 10 aulas.

Se alguns resolveram o problema, também se tornaram aptos a evitá-lo no futuro, especialmente, quando enriquecidos com as teorias expostas para a resolução do caso e a aprendizagem de possível evitamento futuro.

Se 30 pessoas com problemas, provavelmente diversificados se juntarem, essas sessões ficam automaticamente divididas por 30, com a vantagem de algumas pessoas conseguirem verificar o que se pode fazer em casos diferentes do seu. E ficam precavidos para o futuro.

Se cada pessoa, necessitasse apenas de uma consulta (com a qual pouco ou nada poderá resolver), juntando-se a mais 29 pessoas, como os alunos fizeram, vai beneficiar com a possível resolução do seu problema, da aprendizagem da resolução de problemas diferentes e com a assistência de 20 consultas, partindo do princípio que uma aula demora o dobro do tempo duma consulta de psicologia.

Tudo depende de quem estiver interessado em juntar-se a outras pessoas, arranjar um local onde se possa fazer essas reuniões e, se possível, a utilizar a projecção de powerpoint para uma aprendizagem mais eficaz.

A propósito dessas aulas da ciência de psicologia (modificação do comportamento), também posso dizer que os enfermeiros, entusiasmados com os resultados, quiseram que a experiência se repetisse com outros grupos de pessoas, em 4 fins de semana em que cada sessão durou 3 horas. Foram 12 horas de aulas em 4 fins-de-semana semana, marcadas segundo as suas conveniências, para cada um poder experimentar aquilo que tinha aprendido e discutido no decurso das aulas e reformular tudo conforme as necessidades.

Como resultado destas acções, lembro-me, por acaso, de dois ou três casos resolvidos a seu contento.

Um casal em que o marido, depois do jantar, deixava a esposa em casa a lavar a louça e ia tomar a bica com os amigos para regressar tarde, a mulher conseguiu que ele passasse a ficar em casa, a tomar café com ela e até a ajudá-la a enxugar a louça.

Uma senhora cuja filha tinha medo de galinhas, fugindo delas a sete pés, conseguiu que a criança de 7 anos, brincasse com as galinhas e até as afagasse.

Outra senhora que tinha um sobrinho a sofrer de enurésia nocturna e usava fraldas para dormir, conseguiu que ele não necessitasse de qualquer fralda quando estava em sua casa. Posteriormente, a mãe do mesmo rapaz, a quem chamava amorosamente «pinguim», também conseguiu isso quando assistiu às aulas de psicologia e discutiu o assunto com o psicólogo.

Em qualquer destas situações, quantas consultas de psicologia seriam necessárias para resolver o assunto? Estas situações ficaram sanadas apenas com o equivalente a uma consulta de psicologia, assistida 20 vezes na companhia de mais 29 pessoas, durante 3 horas em cada uma das 4 semanas que durou o respectivo seminário? (ou workshop como gostam de dizer agora?)

Se o assunto não ficar resolvido, diminui, pelo menos em um terço a quantidade de consultas individuais necessárias porque a pessoa «entrou» nos mecanismos da modificação do comportamento que se pretendem utilizar.

Em relação à psicoterapia, esta ideia foi apresentada em ACREDITA EM TI. SÊ PERSEVERANTE! (B/117-129).

Se isto puder servir de algum proveito para a sua curiosidade, dou-me por totalmente satisfeito.

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PSICOLOGIA PARA TODOS –10

Caro senhor Anónimo,
Conforme prometi, estou a transcrever mais uma parte da capítulo GRATIFICAÇÕES E PUNIÇÃOES do livro PSICOLOGIA PARA TODOS (F)
Boa sorte na leitura e na execução.

PUNIÇÃO E SEUS EFEITOS

 A vida não se compõe somente de satisfações e nem sempre se consegue um comportamento adequado exclusivamente com a gratificação, como aconteceu com o Manuel. Desde os tempos de «Adão e Eva», o «paraíso» não foi para nós o suficiente, tendo havido necessidade frequente de cercear a nossa ambição.
A punição torna-se muitas vezes necessária. Por isso, é indis-pensável verificar em primeiro lugar se todas as outras soluções se esgotaram e se a punição é imprescindível. Após esta verificação, deve ser determinada qual a punição mais adequada para aquela pessoa, naquele momento. As características mais importantes a considerar numa punição são:
* ser facilmente reconhecível como punição (não confundível com gratificação);
* estar especificamente relacionada com o comportamento a punir;
* ser eficaz como medida de dissuasão ou contenção;
* ser utilizada na dose minimamente necessária e eficaz;
* ser aplicada no momento em que o comportamento inadequado se inicia, não deixando que a pessoa obtenha o mais pequeno prazer com a execução do mesmo.
Esta última característica é fácil de exemplificar.
Vamos estacionar o carro num local proibido.
Podemos, então, considerar várias hipóteses:
1ª – Quando regressamos cerca de 2 horas mais tarde, após a resolução de  todos os nossos afazeres, temos no pára-brisas uma notificação de multa que deverá ser paga na sede da Polícia no prazo de uma semana a fim de que o processo não seja enviado a Tribunal para cobrança coerciva.     
2ª- Quando regressamos após a resolução das nossas necessidades, um polícia com o recibo na mão só nos deixa tirar o carro após o pagamento da multa.
3ª – Quando vamos arrumar o carro aparece um polícia que não nos deixa estacionar nesse local.
Como punição, esta 3ª hipótese é a mais eficaz: ela não proporciona qualquer satisfação com o estacionamento do veículo.
A 2ª hipótese é menos eficaz do que a 3ª. Após satisfação com a execução do acto, podemos eventualmente voltar a estacionar o carro no local proibido quando necessitamos de o deixar próximo e possuimos dinheiro para pagar a multa.
A 1ª hipótese tem muito que se lhe diga. O estacionamento do carro não só não implica qualquer sanção imediata, como ainda uma amnistia pode perdoar as multas a serem coercivamente cobradas pela via judicial, muito tempo depois da infracção. É importante que, ainda nesta hipótese, a punição não passe a servir de reforço. Se o indivíduo em questão obtém satisfação com a realização do seu acto inadequado, o reforço daí obtido provoca aprendizagem socialmente indesejável. Após a satisfação de estacionar o carro em local proibido, sem multa imediata, com a vantagem de não pagar essa multa em consequência da amnistia, o castigo ou a punição podem transformar-se em prémio para quem prevaricou executando comportamentos inadequados que se desejariam eliminar. Por acaso, conheci um Professor Catedrático que fazia isso, por sistema!
 

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PSICOLOGIA PARA TODOS –9

Caro senhor Anónimo,
Conforme prometi, estou a transcrever mais uma parte da capítulo GRATIFICAÇÕES E PUNIÇÃOES do livro PSICOLOGIA PARA TODOS (F)
Boa sorte na leitura e na execução.

 APRENDIZAGEM CONJUGANDO GRATIFICAÇÃO E PUNIÇÃO

Como a recompensa e a punição ocasionam aprendizagens com a mesma cadência, experimentou-se juntar a recompensa à punição e o resultado foi a redução, para metade, no tempo de aprendizagem.
Manuel consegue o seu primeiro emprego numa Empresa e verifica que os seus conhecimentos escolares são insuficientes no trabalho de secretaria para o qual é destinado. O seu chefe verifica o mesmo e ordena-lhe que aprenda o mais rápido possível as normas da Empresa. Como Manuel não se interessa muito pelo trabalho, o chefe castiga-o com trabalhos extra quando as tarefas que lhe estão destinadas não são bem executadas. Passado um mês, Manuel aprende a utilizar com correcção as normas da Empresa. Contudo, se não houver uma vigilância aturada, as falhas não se fazem esperar.
Em colaboração com o psicólogo consultor da Empresa, o chefe, que descobrira bastantes capacidades no Manuel, decide aproveitá-lo e treiná-lo com maior eficiência. Fazendo as contas das vantagens e prejuízos provocados, respectivamente, com a eficiência e com a negligência do Manuel, verificam que as suas negligências prejudicam diariamente a Empresa em cerca de 300€ enquanto a eficiência não só elimina os prejuízos como beneficia em cerca de Esc: 150€ diários.
O chefe chama o Manuel para o seu gabinete, elogia-o, dá-lhe conhecimento do apreço que nutre por ele quando executa os trabalhos com correcção e diz que poderá continuar a trabalhar na Empresa só se conseguir melhorar a sua produtividade. Estabelecendo metas calculadas financeiramente, as falhas serão punidas. No dia em que houver falhas no seu trabalho, Manuel perderá até 25€ mas poderá ganhar até 25€ extra quando exceder a eficácia mínima que lhe é exigida.
Na primeira semana deste contrato Manuel perde 15€ mas ganha 5€. Entre a segunda e a quarta semanas, não existem perdas nem ganhos. Na quinta semana, passa a haver ganhos e é chamado ao gabinete do chefe para ser elogiado e para lhe fazer constar que poderá haver eventualmente, dentro de 6 meses, uma vaga de nível superior a ser preenchida pelo melhor funcionário da Empresa. O recurso a pessoas estranhas só será utilizado se não houver na Empresa alguém capaz de preencher a vaga.
Em pouco menos de 3 meses Manuel deixa de falhar como anteriormente e melhora o seu rendimento de tal maneira que o ordenado passa a ser quase igual ao do novo posto a poder ocupar. Como é o mais capaz de todos os funcionários e se torna o mais eficiente e responsável, é facilmente aceite pelos outros para o novo posto em que ganhará pouco mais do que no momento, mas gozará do respeito e consideração dos restantes colegas.
Conhecendo as capacidades do rapaz e desejando melhorar a sua eficácia no trabalho, a utilização da gratificação foi extremamente vantajosa quando combinada inicialmente com a punição da ineficiência ou descuido, que era contrária ao bom rendimento que se pretendia incentivar. Se para atingir a meta almejada de «bom desempenho da função» a punição não fosse minimamente utilizada, a aprendizagem e a alteração do comportamento do Manuel não se processariam com a celeridade verificada. Provavelmente, outro funcionário teria ocupado o posto de trabalho com desvantagens para o Manuel. A Empresa também poderia não ficar tão bem servida como com o Manuel, visto que um outro funcionário da Empresa ou um recém-admitido não estaria igualmente inteirado das particularidades e funcionamento do serviço em causa.
 

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PSICOLOGIA PARA TODOS –8

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 APRENDIZAGEM COM ULTRAPASSAGEM DA FRUSTRAÇÃO
 

Como não há bem que sempre dure, Flora viu-se na contingência de atender o público, sozinha, durante vários dias das férias dos colegas. Por mais que se esforçasse, muita coisa lhe escapava e as reclamações dos clientes eram frequentes. Sendo constantemente punida com as recriminações deles, Flora resolveu dizer ao chefe que não suportava mais a situação e que queria abandonar o emprego. O Chefe ponderou os factos e pediu-lhe que esperasse mais três dias, prontificando-se a dar-lhe a ajuda pontual de que ela necessitava.
Ficou então combinado que ela atenderia muito bem o cliente e, dizendo-lhe que necessitava de consultar documentos ou os supervisores para poder dar informações actualizadas, telefonaria ao chefe. Falaria com ele eliminando as dúvidas. Saindo-se bem desta dificuldade, ao terceiro dia, Flora foi informar o chefe que poderia continuar a trabalhar na empresa, desempenhando a mesma função de sempre.
A punição inicial com as reclamações dos clientes, provocou em Flora um comportamento de fuga ou de evitamento da punição. Contudo, a frustração assim provocada (não conseguir atingir o objectivo de atender eficazmente os clientes), foi resolvida satisfatoriamente (reforço social positivo de razão fixa) com os telefonemas pontuais para o chefe quando os apontamentos eram insuficientes.
A resolução da frustração, provocou, neste caso, uma aprendizagem que foi futuramente utilizada em muitas ocasiões. Caso isso não acontecesse, a punição teria provocado os seus efeitos, ocasionando futuramente medo de enfrentar os clientes, isto é, tecnicamente, uma fobia e uma possível depressão.
 
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