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PSICOLOGIA E POLÍTICA

Caros CãoPincha

Antes de tudo, felicito-vos mais uma vez pela publicação, no vosso blog <compincha.wordpress.com>,  das transcrições de CONTOS PROIBIDOS, de Rui Mateus, que me incitou ainda mais a fazer este post.
Como vos prometi, lembrei-me de rever o meu novo livro sobre a psicologia em si e a psicoterapia que estou a fazer e encontrei um capítulo inteiro sobre a minha posição pessoal, como cidadão, há mais de meio século, no mundo da política, expressa em diálogo com o meu amigo Antunes, há mais de uma década. Por isso vou transcrevê-lo, a seguir, por inteiro.Imagina-B

PSICOLOGIA NA PROMOÇÃO, PUBLICIDADE E POLÍTICA

Depois da minha resposta interrogativa, o Antunes ficou calado e a meditar. Regressámos a casa. A mulher do Antunes já tinha pedido que lhe déssemos, logo que possível, algumas indicações suplementares, do mesmo modo como em tempos tínhamos respondido a muitas perguntas no Jornal de Queluz. Comprometemo-nos a facultar essas indicações que ela desejava, desde que o casal Antunes seguisse os conselhos que a minha mulher lhes dera no bar da praia. Depois, que nos comunicassem o resultado de tudo, ao fim de dois meses de «trabalho».

Logo que regressaram ao Porto, a filha do Antunes foi submetida a exames psicológicos e houve a recomendação de lhe dar apoio psicopedagógico e psicoterapêutico. O Antunes quis saber o que devia fazer com esses resultados. Perante a minha quase admiração com a maneira como estava redigido o enorme relatório que ele leu ao telefone, o Antunes perguntou-me se não tinha algum psicólogo conhecido no Porto que desejasse recomendar. Com a minha informação de que não conhecia alguém da minha confiança, o Antunes parece que ficou suspenso das minhas palavras. Aproveitei para lhe perguntar qual a razão de ele próprio não dar apoio à filha já que tinha livros que o podiam ajudar, patrões que o «libertavam» do seu trabalho para dar assistência à família e inteligência de sobra.
Passados dois meses, os telefonemas da mulher do Antunes para a minha mulher e a carta dele para mim, diziam que as coisas estavam a mudar em casa. A filha parecia estar mais atenta nas aulas e a mulher era mais capaz de «dialogar». Com esta última constatação na sua carta, imaginei que, de certeza, o Antunes ainda não se estava a ver ao espelho. No serviço, o Antunes parecia menos tenso e não estava pior nem se sentia tão «pressionado» como antigamente. Até lhe parecia que o chefe o via com outros olhos. Como ele já tinha mais de 25 anos «de casa», os donos da financeira estavam a ponderar a hipótese de poder trabalhar em tempo reduzido para conseguir acompanhar e ajudar melhor a filha.
Pouco antes do Natal, o Antunes telefonou-me para dizer que pensava vir logo de manhãzinha à «capital do Império», passar o dia connosco e regressar a casa à noitinha. Qual o dia em que poderíamos estar disponíveis? Combinámos o sábado seguinte porque lhe interessava não faltar ao serviço, visto que os patrões lhe davam agora bastantes folgas. Eles já tinham compreendido que o Antunes trabalhava mais e melhor quando estava despreocupado e satisfeito e, sendo um dos elementos principais na empresa, era o seu bem-estar que lhes interessava porque assim «rendia» mais.
Quando chegou a minha casa, cerca das 10.30, mostrou-se interessado em saber de que modo se utiliza a psicologia na promoção e publicidade. Dizia ele que a empresa teria de investir nesse meio de comunicação social para poder aumentar a procura das suas ofertas. Os tempos que se avizinhavam deviam ser de crise. Por este motivo, as suas perguntas continuaram, enquanto a mulher dele explicava à minha as vantagens que estava a ter com a mudança do comportamento de ambos em casa. Até a filha estava mais satisfeita e dava-se melhor com as amigas. Nesse sábado, ela estava em casa de uma amiga que fazia anos e que a convidara para jantar. Se quisesse, até podia lá dormir. Depois destas informações, as perguntas não se fizeram esperar.

– De que modo a psicologia pode influenciar a publicidade e a promoção?
– A publicidade procura estimular determinadas necessidades ou motivações que possam orientar o público visado, a querer satisfazer a vontade assim criada de possuir os produtos ou serviços correspondentes. A promoção pretende alterar a atitude das pessoas visadas, para a execução de comportamentos que interessam aos «promotores». Estimular alguém a gostar de um carro de determinada marca e feitio e fazer com que a pessoa visada o adquira, é o objectivo da publicidade e da promoção, que se socorrem dos conhecimentos da Psicologia Social e Experimental e das técnicas inerentes para alcançarem esse seu objectivo. Muitos dos que utilizam as técnicas psicológicas podem até não saber o que fazem e porquê. Contudo, existem mentores que os orientam na execução dos comportamentos necessários para a consecução dos objectivos.
“Estas técnicas foram amplamente utilizadas na guerra de guerrilha em muitos sítios e nas que houve nas antigas colónias. Embora os militares portugueses e os guerrilheiros nacionalistas ou independentistas não soubessem a razão por que utilizavam determinadas técnicas, bem como o seu modo de funcionamento, a acção deles foi da maior importância de ambos os lados da belicosidade.
“Vemos os anúncios de carros, casas, empréstimos, electrodomésticos e outros artigos, muitas vezes, enganosos e supérfluos. Estimula-se uma pessoa a mudar de carro envergonhando-a, muitas vezes, por não possuir um, melhor do que o do vizinho ou conhecido. Motiva-se a pessoa a fumar e a beber álcool e, por fim, aumentam-se as clínicas de desintoxicação e as multas por infracções devidas aos excessos. Apela-se às pessoas que mudem para uma casa nova, confortável e mais atraente. Estimula-se o crédito para atingir esse fim e, por último, «culpa-se» essa pessoa por se endividar em demasia. Por este motivo, é importante que as pessoas conheçam os mecanismos do comportamento humano, compreendam o seu próprio comportamento e façam as opções com racionalidade e sem se deixarem envolver e ludibriar com os anúncios que apresentam um seixo vulgar como uma pedra preciosa do maior valor.
“Neste sentido, vês aparecerem na televisão a toda a hora os constantes anúncios de artigos que não interessam ao próprio.”

– Se a psicologia funciona assim na publicidade, como funciona na política?
Sem qualquer alienação partidária e fortemente descontente com o que se passa na governação, parecia que me tinham dado uma forte alfinetada e reagi quase instintivamente. Parecia que tinha deixado de ser psicólogo para me transformar num cidadão amargurado e descrente, dum «rectângulo» à beira-mar plantado, que nunca mais se endireita. Desabafei:
– Não me faças rir com uma pergunta tão ingénua. Ainda não compreendeste que a maioria dos políticos tem consigo uma legião de acólitos e seguidores que os bajulam e os fazem chegar ao lugar que irão «ocupar»? Desconheces que quase nenhum político fala «verdade»? Nas campanhas eleitorais, todos dizem aquilo que o eleitorado quer ouvir. E o que o eleitorado deseja ouvir são as vantagens que irá legitimamente ter no futuro, com a eleição e a governação desses indivíduos! Esta posição dos eleitores é humana e lícita porque, em democracia, é através dos políticos e, especialmente do seu político, que eles devem fazer ouvir a sua voz, manifestar os seus desejos e conseguir o projecto político almejado.

– E qual é o mal que vês nisso?
– É muito simples. Esses políticos vão sempre tentar saber antecipadamente aquilo que os eleitores preferem e gostariam que os políticos fizessem, no caso de eles serem eleitos. É exactamente isso que eles vão dizer, fazendo crer a um número cada vez maior de possíveis eleitores o que irá acontecer, hipoteticamente, logo após a sua eleição. Mesmo os que estão no poder dizem que tudo vai ser melhor no futuro sem explicar a razão por que ainda não o foi durante a sua governação. Porém, depois de chegar ao «poleiro» acompanhados do séquito de seguidores, apoiantes e arrivistas, esses políticos preocupam-se em consolidar a sua posição e «manter o tacho» durante a maior quantidade de tempo possível, «esquecendo-se?» do que prometeram aos eleitores no decurso da sua campanha eleitoral e tentando arranjar justificações para o incumprimento das promessas. Todos, invariavelmente, afirmam que a culpa é sempre dos antecessores e dos opositores. Além disso, é triste ver o espectáculo degradante em que todos eles se insultam da maneira mais mesquinha e ordinária, em vez de se preocuparem em apresentar os seus planos, pontos de vista, conceitos e propostas de melhoria da vida da população. Com este espectáculo, quais os modelos que oferecem aos seus eleitores?

– De que modo pensas que devem de agir?
– Se não for com honestidade, pelo menos do modo como se faz numa publicidade não muito enganosa. Viste alguma marca de carro falar mal da outra? Se assim fosse, despertariam a atenção dos compradores para essa marca. Por isso, apresentam sempre as vantagens, muitas vezes exageradas, dos seus próprios veículos. Se não, poucos produtos novos e melhores se introduziriam no mercado, embora mais dispendiosos. Mas, os compradores também têm de achar que valeu a pena adquirir um certo produto, do mesmo modo como os eleitores deverão sentir que valeu a pena votar no «seu» político. É assim que se modifica a atitude do eleitor favoravelmente em relação a um partido. Porém, não é isso que acontece, porque os políticos – futuros governantes que até poderão funcionar por «quotas» – agarrados ao tacho, vão-no esvaziando até ao fundo enquanto mais alguém não o «surripia» ou não arranjam outro melhor, sempre «para o bem do povo» e nunca por seu interesse pessoal. São uns eternos sacrificados pelo bem comum! Logo que se encontram no poder, aproveitam-se da oportunidade para distribuírem benesses por muitos «boys» e «girls» que servirão, provavelmente, para lhes garantir um futuro «emprego» quando alguém lhes roubar o «tacho».
“Todos eles se apresentam como «incorruptos». Contudo, o tráfico de influências, o nepotismo e o compadrio não faltam. Muitos se enganam ao fazer as declarações do IRS, outros esquecem-se de mencionar todos os proventos pecuniários (que até nem são deles, mas dos familiares que vivem em outros países). Ainda outros, de vez em quando, vão fazer trabalho suplementar onde existem «off-shores». Alguns «não se lembram daquilo que esqueceram». Dizem peremptoriamente que existe uma distância bem definida entre o futebol e a política, mas não existe político que se preze que não fale em futebol e em termos futebolísticos, até nas campanhas eleitorais. Cartões amarelos e dourados, apitos dourados e «Força Portugal» são a demonstração disso. Como pode um cidadão acreditar que será governado por pessoas sérias e dedicadas à causa comum? Como pode um cidadão não entrar em dissonância cognitiva com tanta informação contraditória apresentada com intensidade cada vez maior? Gostarias de comprar um carro novo «bem anunciado» e ter de o entregar ao mecânico para reparações urgentes na semana seguinte?”

– Achas o «panorama» tão mau?
– Há bem pouco tempo ouvia-se dizer que Portugal nunca aprovaria um transporte de alta velocidade enquanto houvesse serviços de saúde deficitários e doentes em lista de espera. Presentemente (2000), com listas de espera talvez menos extensas porque devidamente camufladas, anunciam-se os comboios de alta velocidade à vontade dos Espanhóis. Futuramente, em outras eleições os portugueses terão de votar em alguém. Em quem? (K) Naquele em quem confiam ou em algum de quem desconfiam menos? É geralmente um conflito a resolver entre duas opções negativas: a bolsa ou a vida! Os vendedores de quimeras e os dos apartamentos de «time-sharing» não se portam tão mal!
“Também, enquanto os políticos e futuros governantes falarem estupidamente em vitórias e derrotas dos seus partidos políticos, em vez de valorizarem a vontade do povo ou dos eleitores, não é de admirar que, por enquanto, a abstenção seja o maior partido político. Tentar enganar-nos com a argumentação de que as campanhas foram curtas ou interrompidas por factores estranhos e inesperados é outro estratagema bastante em voga. O que falta, como alguns aventam, é existir um quadradinho em que se possa votar que nenhum dos candidatos interessa. O que não presta são os políticos.”

– Estás tão desiludido?
– A que beco escuro nos conduziram as políticas seguidas desde 1974, falando mal de Salazar? A instrução, a educação e a investigação foram preteridas em detrimento de uma certa economia com que «alguns» empresários se banqueteiam. A construção civil desordenada e as obras públicas dão vantagens a certos grupos de empresários em detrimento de uma política de desenvolvimento necessária no turismo, agricultura, pescas e produtos regionais. A saúde e a segurança social foram menosprezadas face à ganância de certo tipo de empresários e falsários. Estamos a ficar cada vez mais no fim da «cauda da Europa», mas com uma percentagem cada vez maior, tanto de milionários como de indigentes. O que é que isso quer dizer em termos de psicologia e sociologia política?
“Os portugueses têm memória fraca e curta, além de muita vontade de confiar nos seus «santinhos» para que lhes valham nas horas de aflição. Porém, isto não chega para «encher a barriga» dos familiares. Os portugueses «amocham», mas não são «burros». Estamos a ser constantemente iludidos no início e defraudados no fim de qualquer eleição. Aguentando este tipo de governação, ou entraremos em depressão aprendida ou reagiremos à frustração com uma resposta que não posso prever. Com estes políticos «de…» que se preocupam mais consigo próprios do que com a causa pública, ninguém se pode admirar que a população «vá aguentando» até um determinado momento em que «a tampa pode saltar». Já aconteceu há quase trinta anos mas parece que não serviu de coisa alguma!

– Como também não os podemos «descarregar pela sanita» e estamos num contexto europeu e mundial, o que fazemos agora?
– É difícil emendar os erros cometidos, mas isto não quer dizer que se deva governar com mentiras e fantasias. A segurança pessoal e nacional têm de ser garantidas, a educação ou a instrução exige remodelações profundas, a produtividade e a industrialização têm de aumentar, o apoio social é imprescindível e só depois de termos estas melhorias para TODOS podemos dar-nos ao luxo de obter outras benesses. Onde é que se gastam os fortíssimos impostos que pagamos? Não haverá despesas exageradas das quais os governantes não nos dão conta? Não existirão «subsídios» ou «abonos» para muita gente que tem dinheiro a abarrotar? O que são esses cartões de crédito e outras benesses de que certos dirigentes beneficiam? Para que se dão os prémios de desempenho só aos gestores, se são tão funcionários como os outros que põem a máquina a trabalhar? Porque se nomeiam gestores sem concurso público? Qual a razão de se adjudicarem obras vultosas por ajuste directo? Para onde vão os fundos que vêm da CEE? E as parcerias publico-privadas? Tudo isto é muito suspeito porque os impostos que pagamos, bem orientados, chegam para muito. «Nos tempos antigos», com muito menos impostos, a vida não era muito pior do que agora para a maioria da população. Quando uma população carenciada exige vestuário, é melhor dar-lhe roupa interior e agasalhos em vez de gravatas e cachecóis. O essencial é gastar menos com coisas supérfluas do que com aquilo que faz mais falta. Preocupemo-nos primeiro com o essencial e depois com o acessório. Os outros países já fizeram isso há mais tempo porque tiveram governantes mais eficazes ou, pelo menos, menos ineficazes.

– Mas isso não acontece também muitas vezes noutros países?
– Eu sei disso mas, às vezes, esses países podem dar-se ao luxo de desperdiçar muita coisa porque são economicamente mais fortes e, às vezes, os «donos do mundo». Isto não quer dizer que tenhamos de os imitar ou de nos submeter servilmente aos desejos dos todos-poderosos. Como sabemos, G. W. Bush atacou o Iraque apenas por causa das armas de destruição maciça que nunca encontrou, embora os seus serviços secretos garantissem que sabiam da sua existência. Também Saddam Hussein passou a ser considerado ditador de um dia para o outro, apesar de anos antes ter sido aliado dos EUA, do mesmo modo que Bin Laden. Apesar de tudo isto, a imagem de G. W. Bush está a ser «devidamente tratada» por especialistas muito conceituados e dispendiosos a fim de que o público dos EUA o reeleja como Presidente. São factos destes, públicos e notórios, que deixam a psicologia nas mãos de quem manipula as suas técnicas, não para o proveito da humanidade mas sim para satisfazer a ganância de uns poucos em desfavor de muitos. Os nossos governantes não sabem disso? Que interesses os movem? Infelizmente, é assim. Por isso, se as pessoas vulgares não conhecerem também os mecanismos que impulsionam as suas condutas, não poderão esperar dias melhores. É importante que sejamos «políticos esclarecidos» embora não pertencendo a qualquer partido. A nossa «intervenção» é imprescindível. O desconhecimento de tudo isto pode ajudar a que o mundo nunca mais melhore, pelo menos neste cantinho à beira-mar plantado, ficando cada vez mais nas mãos dos burlões e vigaristas que vão abundando.

No fim, com esta minha acaloradíssima intervenção de não-psicólogo que me deixou quase exausto, o Antunes, com os olhos esbugalhados, deu um suspiro de alívio e ficou pensativo. Olhando para o céu, apenas exclamou:
Nunca te tinha visto assim! Parece que achas que a Psicologia está a ser aplicada mais em fins perversos do que na óptima utilização que se pode fazer da mesma! Não falaste como psicólogo mas como um cidadão revoltado e descrente. Afinal, em cada resposta, desabafaste mais do que me fizeste ver que eu tinha falado na minha primeira intervenção antes de te perguntar: “Afinal, vou ou não vou? ”

Concordei plenamente com ele e apenas lhe disse que eu, além de psicólogo, também sou cidadão português à espera, desde 1974, que o País se desenvolva de maneira equilibrada e democrática, sem continuar nas mãos de alguns prepotentes, como tinha acontecido nas décadas anteriores. Disse-lhe que também tenho o «direito à indignação», bem como ao «alívio da minha ansiedade».
Sabendo que a Psicologia tinha sido antigamente inviabilizada nas Universidades por causa das suas prováveis implicações na vida social democrática, custava-me aceitar a sua não utilização em benefício da população, porque é para isso que ela deve servir. O meu intuito de divulgar os conceitos psicológicos em linguagem simples, tem em mente a possibilidade de que mais pessoas com pouca instrução possam usufruir destes conhecimentos, essenciais a qualquer ser humano que se considera «civilizado». A minha intenção é ajudar as pessoas a não se deixarem manipular nem pelos «fazedores de opinião» nem pelas contrariedades que assolam qualquer pessoa nos tempos actuais (ver agora <psicologiaparaque.wordpress.com>, <livroseterapia.wordpress.com> e, no facebook, <Centro De Psicologia Clinica>).
Bastam as catástrofes naturais.

O Antunes gostou da explicação que acabara de lhe dar e disse-me que também estava desiludido com a política. Disse que a sua explicação política era outra e ficava indignado com o modo como alguns dirigentes se aproveitam do lugar para o qual foram eleitos pelo povo, para logo de seguida o prejudicarem, assumindo ares de arrogância como se estivessem a fazer um grande favor em o desempenhar. E depois, desabafou também:

– Sabes que há bem pouco tempo um autarca do Norte «mandou à merda» agentes da polícia que lhe detectaram uma infracção! Quando o caso chegar a Tribunal, garanto-te que a Justiça é capaz de não «encontrar provas» contra esse dirigente porque ele, de facto, não conseguiu enfiar os agentes pela sanita abaixo. Se os factos ocorressem ao contrário, só a intenção de os agentes mandarem o autarca pela sanita abaixo seria mais do que o necessário para a Justiça e a Disciplina os incriminarem e castigarem, com provas mais do que suficientes. Bonitas moldagens, modelagens, estímulos e reforços que são dados por esses «políticos» para que as «autoridades» de escalão inferior fiquem «domesticadas», desiludidas e corruptas. A população honesta vai ficando cada vez mais desejosa de poder correr com esses políticos dos cargos que ocupam. A mudança de atitude e de comportamento dos subalternos pode trazer-lhes reforço negativo enquanto a ganância e o enriquecimento ilícito provocam, seguramente, reforço positivo aleatório.

“Estes politiqueiros de pacotilha, fabricados no caldeirão dos oportunismos, não são aquilo de que necessitamos. Precisamos de gente de bem. E, para a «fabricar», temos de nos «sacrificar» educando os filhos como deve ser. A melhor prevenção que podemos fazer, é a da «educação», «instrução» e «exemplo familiar».”

Ficando admirado com a análise sócio-político-psicológica que o Antunes tinha efectuado, exclamei:
– Afinal, já sabes muita coisa, que utilizas com precisão e rigor científico! – respondi muito admirado, mas ele continuou:

– O que julgas que andei a fazer a partir das férias? Já tenho conseguido redução no tempo do serviço na financeira e momentos livres para poder ler sofregamente todos os livros recomendados, enquanto não tenho necessidade de ajudar a filha. Com o alívio que a minha mulher tem quanto às dificuldades escolares da filha, que são reduzidas por mim na reeducação, ela sente-se mais tranquila e satisfeita e, quando vê que o rendimento escolar aumenta, fica entusiasmada e mais bem-disposta. Entretanto, tanto a filha como eu começamos a tirar reforço da situação de eu ser um factor de melhoria no rendimento escolar e convivência familiar. Assim, de reforço em reforço que, por sua vez, funciona como incentivo ou estímulo para mais comportamentos semelhantes, os quais funcionam como reforço aleatório, as coisas vão melhorando substancialmente tanto em casa como na escola. A professora também se mostra satisfeita com a nossa filha e admirada com a sua inesperada colaboração e entusiasmo nas tarefas escolares. É o efeito dominó.

Entretanto, reparámos que as nossas duas mulheres conversavam animadamente sobre alguns problemas entre pais e filhos e as dificuldades que inúmeras crianças revelam.
Enquanto eu tomava atenção à conversa das duas senhoras, o Antunes ficou a vasculhar os meus papéis e o esboço do “DESEQUILÍBRIO PSICOLÓGICO? A autoterapia possível” (B), bem como da nova versão de “DEPRESSÃO? Não Obrigado!”, a ser publicada com o título “COMBATA OU EVITE A DEPRESSÃO” (H). Descobriu também que eu estava a consultar alguns livros de Goleman, Caplan, Breggin e Glenmullen, sobre inteligência emocional e os malefícios das drogas psiquiátricas. Pegou também num exemplar da minha tese sobre a terapia do equilíbrio afectivo e, com o pretexto de que eu não poderia refundir o original sobre a depressão e preparar coisa alguma sobre autoterapia enquanto me concentrava na leitura de outros livros, levou também as cópias dos originais com a promessa de que as devolveria logo que eu actualizasse devidamente e lhe mandasse as «consultas ou perguntas» solicitadas pela mulher.

Antes de lanchar para se irem embora para o Porto, o Antunes quis experimentar fazer os relaxamentos muscular e mental, para que eu visse e lhe pudesse dizer se alguma coisa corria mal ou estava irregular.
Gostei da maneira como o Antunes estava a ensaiar as duas vertentes do relaxamento e pareceu-me que já praticara isso antes. Disse-lhe que podia continuar assim, sempre que quisesse. Isto até o poderia ajudar a melhorar o seu desempenho profissional. 

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A CRISE «MORDE» A VIDA DOS PORTUGUESES

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A dor «morde» a vida dos portugueses
à medida que a crise vai aumentando

Este artigo de 
BARRY HATTON — 8 de Abril de 2013, 09.40
foi traduzido por mim, por sugestão de um dos amigos do facebook.
Ainda não sei quem é, por minha ignorância e desconhecimento da manipulação das informações, . Vou tentar dar com o caso mas, por precaução, insiro isto no meu blog, http://psicologiaparaque.wordpress.com/2009/11/17/a-historia-do-nosso-blog/, sem as fotos que não consigo colocar aqui, mas podem ser vistas no seguinte link:                                                                
http://bigstory.ap.org/article/pain-bites-portuguese-life-crisis-deepens
Pela simples razão de que muito tem a ver com a psicologia social e política. Prometo anunciá-lo no facebook.
As minhas desculpas por alguma coisa que tenha corrido mal.

LISBON, Portugal (AP) — A servir uma refeição frugal na sua cozinha, não muito maior do que uma casa de banho, Pedro e Helena Batista deitam uma perna de frango com molho, em cima de batatas cosidas, deixando as asas mais saborosas para a sua filha Vânia, de 12 anos e seu filho João, de 7 anos.
A família Batista encontra-se entre as «baixas» causadas pela infindável crise financeira que sufoca a vida de algumas das  economias da União Europeia, incluindo Portugal. Pedro Batista, um homem bem constituído de 37 anos, conseguiu um emprego em tempo parcial para lavador de janelas, mas a sua mulher Helena, de 35 anos, viveu do subsídio de desemprego cerca de um ano, depois de ter perdido o lugar numa cantina escolar. Agarrando-se a um orçamento mensal de 650€ ($840) e dirigindo-se constantemente de chapéu na mão às associações de caridade e aos familiares, a sua confiança está abalada.
Mas Pedro está determinado em encarar a vida de forma positiva. “Altos e baixos, fazem parte da vida. As coisas hão-de melhorar” diz ele. “Temos de nos aguentar.”

É difícil dizer durante quanto tempo, contudo, como o primeiro ministro de Portugal avisa a nação, ela tem de estar preparada para mais austeridade.
Parece que os líderes da Europa que limitaram a crise de 3 anos do continente ao excessivo endividamento do governo, volta a repercutir-se — com testemunho dos recentes acontecimentos no Chipre. Parece que se está a desvanecer a crença anterior de toda a Europa, de que o estado iria proporcionar o bem-estar dos cidadãos.
Em vez dos empréstimos, os governos de todo o lado estão a diminuir as despesas e aumentar os impostos. Contudo, a austeridade tem o efeito de asfixiar o crescimento necessário para empurrar os países para fora da estagnação. Apesar do trabalho insano, o Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho disse no Domingo que o seu governo tem de cortar ainda mais. É por causa de o Tribunal Constitucional ter inviabilizado algumas medidas de austeridade destinadas aos trabalhadores e pensionistas do governo, reduzindo em 1.3 mil milhões de euros de poupanças antecipadas do governo.
Entretanto, a crise das dívidas arrisca-se a saltar de Chipre para Portugal. Os credores que emprestaram a Portugal 78 mil milhões de euros numa tranche, há dois anos, exigem que o governo reduza as despesas em mais 4 mil milhões de euros em 2014 e 2015. Se Portugal não cumprir, pode-lhe ser negada outra tranche.
A desgraça de Portugal exigiu que se começasse a enviar emissários para a Europa, mesmo com a dor a tornar-se intensa em casa. Pensionistas, escolas e funcionários públicos encontram-se na mira dos últimos cortes das despesas. A austeridade está a destruir uma legião de pequenas empresas. E as associações de caridade estão a lutar para aguentar com o dilúvio de pedidos de ajuda.
Eis aqui um panorama da sociedade martirizada pela austeridade de Portugal.

PENSIONISTAS:
Consultando o saldo bancário para verificar qual a sua pensão mensal, Maria Luísa Cabral começou a olhar silenciosamente a folha de papel. Quando finalmente falou, a voz desta velha bibliotecária de 66 anos, tremeu e as lágrimas começaram a correr.
“São cerca de 10 por cento a menos todos os meses” disse ela. “Sinto uma raiva tão grande!”
Os idosos de Portugal foram duramente castigados pela austeridade. As taxas e os córtes tinham já tirado 20 por cento do rendimento de Cabral nos anos anteriores. Este ano, o governo dará uma nova mordidela nas pensões superiores a 1350 euros.
Houve manifestações públicas em relação aos aumentos de impostos, que até o ministro das finanças considerou “enormes.” Além de agredir os pensionistas, os impostos custam aos trabalhadores o equivalente a um mês de salário.
Ao longo de 40 anos, Cabral entregou parte dos seus vencimentos para uma pensão dos funcionários do estado, calculando aquilo que teria para viver depois da aposentação.
“Deduzimos dinheiro ao longo da nossa vida de trabalho na presunção de que será dada uma pensão ao fim da vida” disse Cabral.
Compreende que vai ter de abdicar os pequenos luxos da vida que tinha — comprar um livro, por exemplo, ou ir a um cinema ou concerto.
Ao longo de toda a Europa, os Governos acham difícil conseguir o pagamento de pensões. A quantidade de pessoas reformadas está a aumentar rapidamente enquanto os orçamentos diminuem. De acordo com o governo, em Portugal, o panorama das despesas das pensões do estado aumentou de 9 para14.5 por cento do PIB desde 2000. A previsão é aumentar este montante até 2020.
Os pensionistas apontam para números que dizem ser assustadores: quase 80 por cento 1.7 milhões de reformados do país vão ter de receber menos de €500 por mês.
Enquanto as pensões baixam, o custo de vida continua a aumentar. Os impostos ns vendas aumentaram bastante tal como os 23 por cento do IVA e 6 por cento na electricidade; o governo de centro-direita desmarcou-se do controlo das rendas; os pagamentos para a consulta médica no serviço nacional de saúde aumentaram, assim como os bilhetes dos transportes públicos; o apoio do governo para a aquisição de medicamentos, foi reduzida
Cabral e milhares de outros pensionistas associaram-se no APRE, criado em Outubro de 2012, quando foi apresentado o orçamento de 2013. Cabral diz que se sentiu na obrigação de agir quando viu os idosos contarem furtivamente contar na palma da mão os cêntimos, para ver se tinham dinheiro suficiente para comprar aquilo de que necessitavam. Nas farmácias, ela viu perguntar — embaraçados, à frente das pessoas em fila — se poderiam pagar os remédios em prestações.
“As pessoas estão a sentir (a crise) nos seus estômagos,” disse Cabral.

INSTRUÇÃO/EDUCAÇÃO
O Liceu Camões, em Lisboa, é um dos mais antigos e prestigiados estabelecimentos de ensino em Portugal. Os seus balcões em ferro forjado e pátios elegantes com frondosas palmeiras recordavam o bem-estar e a majestade da capital portuguesa e, quando a mesma abriu no início do último século, Portugal ainda tinha um império.
A escola tem o nome do grande poeta renascentista de Portugal e as figuras mais importantes do país estudaram nas salas de aulas das grossas paredes e altas janelas.
Contudo, em 2013, esta escola é uma verdadeira demonstração daquilo que acontece quando a austeridade é secundada com austeridade.
Vidros partidos, paredes fendidas, pinturas degradadas, infiltrações do tecto são a nova realidade. Os cortinados ficam pendurados fora dos seus suportes, a tapar janelas. Os jardins à volta dos edifícios da escola crescem desmesuradamente. O campo de jogos está fechado e o seu pavimento artificial está fendido e irregular. Os pais dos cerca de 1200 alunos, tem ido aos fins-de-semana e feriados para colocar remendos nas salas de aula e corredores.
Uma inspecção de engenharia recomendou reparações estruturais. O director da escola, Jaime João, contorce-se quando recorda o modo como o Ministério da Educação reagiu quando ele lhes telefonou acerca deste assunto: “Eles disseram que não tinham dinheiro.”
Entre 2010 e 2012, Portugal reduziu em mais de 5 por cento o orçamento para a educação, segundo números do último mês, da Comissão Europeia: um dos maiores apertões de cinto do continente. Os reitores das Universidades portuguesas dizem que durante os últimos 2 anos foram concedidos cerca de menos 20.000 bolsas de estudo, baixando este ano para cerca de menos 55.000. É provável que haja mais reduções. O Fundo Monetário Internacional, um dos credores, propôs que fossem eliminados pelo menos 50.000 docentes nos próximos anos.
O estado moral dos professores é uma outra preocupação diz João. Como funcionários públicos, sujeitos aos cortes dos que dependem do orçamento do estado, os professores viram o seu nível de vida decrescer fortemente desde 2008. Em 2008, um professor «médio» do ensino secundário podia ter um vencimento anual de 20,0005€, de acordo com a Federação Nacional de Educação que representa o pessoal do secundário e universitário. A Federação diz que os mesmos professores recebem agora cerca de 16,500€.
Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, federação nacional de professores, diz que mais cortes irão agravar ainda mais os problemas da educação.
“Sinceramente, não sei onde é que eles podem cortar mais ainda,” diz Nogueira. “Já estamos quase no osso.”

PARA BAIXO, PARA BAIXO, PARA BAIXO
Uma simpática livraria de bairro, próxima de Lisboa, promoveu numerosos lançamentos de livros, declamação de poemas, e exibições artísticas nos anos mais chegados. No mês passado, depois do seu fecho, os proprietários colocaram numa janela da loja já vazia, um cartaz com palavras amargas. Dizia o cartaz que a mesma teve de fechar por causa do “empobrecimento selvagem e queda brutal no poder de compra” verificado em Portugal, o qual ocasionou uma “uma queda brutal” nas receitas da livraria.
É o resultado dos efeitos do golpe da austeridade. O Instituto Nacional de Estatística diz que as despesas familiares diminuíram cerca de 7 por cento no último ano. Foi um pouco pior do que em 2011, e está a deprimir a economia que contraiu 3.2 por cento no ano passado. O desemprego atingiu um máximo histórico de 17.5 por cento e a previsão é o seu aumento.
Por todo o país existem sinais duma espiral de morte.
A Associação Portuguesa de Hotéis, Restaurantes e Estabelecimentos Similares diz que 11000 dos seus membros encerraram o seu negócio no último ano quando o IVA saltou de 13 para 23 por cento.
No último ano, as vendas de cimento foram as mais baixas desde 1973, desde que a construção quase parou. Os armazéns cheios ao longo das vias principais e em muitos postas de venda, são uma visão bastante comum.
Os meios de comunicação local denunciaram que depois de uma das maiores cadeias de cinema ter fechado quase metade das suas 106 salas ao longo do país, 212 das 308 áreas de diversão em Portugal não tem salas de cinema. Quase 6.700 empresas declararam falência no último ano, com um aumento de 41 por cento em relação a 2011, de acordo com um estudo da companhia de seguros COSEC.

ASSOCIAÇÕES DE CARIDADE
A associação de caridade AMI — Assistência Médica Internacional — foi constituída há cerca de três décadas, como e uma organização de resposta rápida para catástrofes no estrangeiro. Agora, e emergência está em casa.
Antes de 2008, cerca de 8.000 pessoas pediam a ajuda da AMI em Portugal. Em 2012, passou quase a 16.000. Em alguns locais tais como Porto, a segunda maior cidade de Portugal, o aumento de pessoas a procurar a associação tem sido mais de 250 por cento desde 2008. E, alguns dos necessitados são licenciados.
Ana Martins, directora nacional da AMI durante os últimos 18 anos, diz que as pessoas a pedir ajuda desejavam mais encontrar um emprego para resolver a situação social, ou problemas familiares.
Nestes dias, pedem comida.
“Nunca vi tantas pessoas numa situação precária, com falta de tantas coisas básicas,” dia ela. Isto inclui famílias a viver em casas sem electricidade ou gás natural para a cozinha porque o fornecimento foi cortado por causa do pagamento em dívida ou falta do mesmo.
O centro de assistência da AMI nas Olaias, um subúrbio de Lisboa de baixos rendimentos, e de abundância de blocos de apartamentos, é uma versão do século 21 da sopa aos pobres existentes na Grande Depressão. O pessoal começa a servir o almoço às 11.30 a dezenas de pessoas entre 20 e mais de 60 anos. Vendo a maneira como eles devoram a comida, parecem que não tomaram o pequeno-almoço.
Margarida Mendes, que dirigiu o centro desde que teve início em 1994 para ajudar pessoas sem-abrigo, diz que o seu trabalho mudou nos últimos anos. Agora, são maioritariamente famílias a pedir ajuda.
Diz ela que o seu trabalho pode ser perturbador e os episódios mais custosos englobam crianças. Recentemente, uma criancinha desatou a pular e a gritar de alegria quando viu uma embalagem barata de bolachas a encimar o pacote de ajuda familiar mensal como apoio alimentar. Esta pequena cena significou para Mendes: “Pense para si mesmo. Que espécie de país é este em que este tipo de coisas acontece?”
A família Batista vem de Olaias para levar ingredientes para comida. Contém óleo de cozinha, latas de salsichas, farinha. Não é muito, mas ajuda. Conseguem também roupas usadas e livros escolares para o casal de filhos.
A crise financeira capturou as suas vidas. Apenas há 5 anos, eles recebiam, em conjunto, 1600€ por mês — próximo do salário médio dum casal em Portugal. Hoje, vivem com pouco mais do que um terço.
“Para nós, o ano passado tem sido o mais duro da nossa vida,” diz Pedro, o pai, na sua pequena cozinha que funciona também como sala de estar, embora não tenha nem sofá nem cadeiras de braços.
Vítor Gaspar, o Ministro das Finanças, disse recentemente que o endireitamento das finanças de Portugal deve levar anos e exigir os sacrifícios duma geração.
A família Batista pertence a essa geração.

Depois de ler este artigo, que se situa muito dentro da psicologia social e política, fiquei como Maria Luísa Cabral e decidi traduzir rapidamente este artigo no final de que me apetece fazer algumas perguntas:

– Se eu, com um salário médio, descontei toda a vida para poder ter uma velhice descansada e não fiz dívidas exageradas, qual a razão de ter de pagar as dívidas que eu não contraí?

– Se as dívidas não são minhas, qual a razão de as pagar?

– Se houve alguém que as contraiu, qual a razão de não as pagar?

– Se com essas dívidas, alguém engordou qual a razão da não pagar com as suas gorduras?

– Se houve quem se tivesse «abotoado» com todo este esquema, qual a razão de não se lhe deitar a mão e obrigá-lo a pagar o que deve?

– Se existe um governo eleito, mesmo que com uma maioria da minoria que o elege, com um programa eleitoral, clamorosamente debitado à nossa custa durante mais de 30 dias, qual a razão de não ser cumprido e tergiversado?

Assim não há democracia que resista.

Chego a pensar que os partidos são umas Centrais de Negócios bem montadas, cada um à sua maneira, que continuam a funcionar melhor ainda depois do «25 de Abril».

Acabemos com isso de vez. Haja gente honesta. Para isso, todos temos de trabalhar, educando os vindouros com os valores necessários para tal.

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PSICOLOGIA PARA TODOS – curso

Perguntaram-me há dias qual a razão, depois deste blog ou em conjunto com o mesmo, de não fazermos, através da internet, um curso sobre os assuntos nele tratados, englobando os casos do dia-a-dia.Psicologia-B

Esse curso serviria para que pessoas, mesmo que tivessem apenas o nível de instrução do ensino obrigatório, pudessem lidar melhor com os filhos, com os colegas, ajudar na reeducação, na interacção social, no tratamento de doentes, nos lares de apoio, na chefia das empresas, na venda de produtos e em diversas situações do dia-a-dia em que, às vezes, «perdemos a cabeça» sem necessidade disso, só por desconhecermos os mecanismos comportamentais. Tudo isto está explicado detalhadamente no livro PSICOLOGIA PARA TODOS (F) http://livroseterapia.wordpress.com/2011/09/23/psicologia-para-todos-f/  a ser publicado logo que possível.

A minha resposta à pergunta formulada, foi nunca ter colocado esta hipótese porque o encargo resultante exigiria muito trabalho suplementar regular, com envolvimento de despesas.

Contudo, pensando bem, depois da docência de psicologia, psicopatologia, psicopedagogia e psicologia social e do exercício da psicologia clínica e psicoterapia durante mais de 35 anos, se existem pessoas, que desejam esse curso relacionado com a psicologia ou, melhor dizendo, com a modificação do comportamento, achei que só com um grupo de 50 se pode avançar com a ideia que será a seguinte. 

▫ O curso pode ter a duração de 12 meses.
▫ O material didáctico para esse curso será por nós fornecido.
▫ Serão feitos 10 exames, com 10 perguntas cada, um em cada um dos meses seguintes ao início do curso, com provas enviadas e respondidas via electrónica, no prazo de uma semana.
▫ Para consolidar os conhecimentos, as provas constarão da apresentação de casos do dia-a-dia, a serem enquadrados na teoria.
▫ As respostas serão de escolha da «mais completa» de uma de 4 hipóteses apresentadas.
▫ As correcções indicarão ao interessado as suas respostas certas, com valorização da prova, em percentagem.
▫ Muitas das dúvidas poderão ser eliminadas com recurso a este blog, iniciando pela consulta de (clique a seguir) http://psicologiaparaque.wordpress.com/2009/11/17/a-historia-do-nosso-blog/
▫ Todas as outras dúvidas poderão ser apresentadas por e-mail ou, melhor ainda, por comentário, mesmo que anónimo, feito neste blog.
▫ As respostas a essas dúvidas ou comentários serão dadas de imediato ou através de novo post, se necessário.

Para que tudo isso se possa implementar, interessa, antes de tudo, que existam 50 inscrições.
▫ Depois de atingir o número das inscrições necessárias, os interessados serão solicitados a fazer o pagamento que pode ser de duas maneiras:
– 50€ no momento da inscrição e de 20€ em cada um dos 11 meses seguintes, ou
– quantia única de 250€ no momento da inscrição, poupando 20€.
▫ Cada pessoa inscrita será notificada para efectuar o pagamento por cheque ou transferência bancária, a fim de se iniciar o processo, dentro dos 15 dias necessários para preparar o material didáctico.
▫ Para a inscrição, a ser feita pelo e-mail cpcclinica@gmail.com, bastará indicar o nome, o grau de instrução e quaisquer outros elementos julgados necessários pelo interessado, além da informação da modalidade do pagamento preferido.
 
Antes da inscrição para o curso, que deve ser mais racional do que emocional, é desejável que o interessado consulte os dois blogs, um sobre a matéria em si http://psicologiaparaque.wordpress.com/author/psicologiaparaque/
e outro sobre os livros preparados e à espera de publicação
http://livroseterapia.wordpress.com/2011/09/17/benvindos/

Através deste dois blogs, os interessados saberão a qualidade do curso e os recursos disponíveis.
 
Embora este curso não conceda qualquer diploma, o interessado pode ter uma avaliação quantitativa e qualitativa da sua actividade discente.
 
Esperamos que as pessoas interessadas se manifestem e digam se, de facto, desejam inscrever-se no curso.

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REEDUCAÇÃO DE DEFICIENTES 6

Perante este comentário:

Li este prefácio mas não consegui saber como poderei dar apoio aoneuropsicologia-B meu filho que necessita de alguma ajuda. A minha mulher tem muito trabalho mas eu disponho de algum tempo e pouco dinheiro. O filho de 9 anos está com dificuldades na escola e eu não posso pagar a uma especialista. Sabe como estão os tempos actuais. Posso ter alguma ajuda?

feito por um anónimo no último post sobre reeducação e não tendo mais informações sobre a criança, posso transcrever as paginas. 245 a 248 do novo livro NEUROPSICOLOGIA NA REEDUCAÇÃO E REABILITAÇÃO (I). Nelas, vê-se o caso de uma criança que foi ajudada pelo irmão um pouco mais velho e até por dois colegas, mesmo no decurso das férias de Verão. O importante é ter os livros à mão e consultá-los sempre que necessário para obter indicadores de como se deve proceder. É o caso do Jorge.

“Embora as férias tivessem começado em fins de Junho, os pais do Jorge sucess2quiseram que ele continuasse a reeducação. Durante esse tempo, ele foi com o irmão à praia que ficava muito perto da sua casa. O irmão continuou a dar a sua preciosa ajuda agora, melhor do que nunca, já que o tempo de praia é uma ocasião em que muitos dos exercícios de reeducação podem ser vantajosamente desenvolvidos através de jogos e brincadeiras. Para reeducar os itens em que o Jorge estava avaliado com 4 ou menos, apenas faltavam os exercícios sobre o cálculo mental.

 48 Cálculo mental

Os exercícios indicados nas «dicas» ajudaram o irmão do Jorge e os seus amigos a utilizar jogos em que a parte predominante eram os números e a noção de quantidade. As pontuações dos torneios ou jogos que eles realizavam tinham de ser registadas e mantidas pelo Jorge numa contabilidade especial. Como era um grupo de quatro, o irmão mais velho, uma menina e um rapaz, todos mais novos do que o Jorge, este tinha de manter os registos que, às vezes, se transferiam de um dia para o outro.

De vez em quando, os amigos acompanhavam o Jorge à reeducação e além de assistirem a parte de uma sessão, combinavam com o reeducador o que tinham de fazer. Descobriram assim que, quase ao fim de dois anos de reeducação, muito podiam contribuir para aumentar a capacidade de cálculo mental do Jorge através dos jogos que eram controlados pelo irmão.

Assim, na praia, o comprimento do salto que davam na areia depois de umaPsicologia2 corrida, a quantidade de saltos que davam de cada vez, etc. eram contabilizados pelo Jorge. Além disso, o orçamento «fraternal» para o lanche tinha de ser controlado pelo Jorge que anotava as despesas e verificava tudo aquilo que era necessário pedir aos pais para o dia seguinte. O tempo das corridas na areia e na água era também anotado e registado pelo Jorge que tinha de apresentar diariamente a classificação relativa de cada um dos amigos e dizer quanto tinham de melhorar para atingirem uma determinada meta. Quando jogava à cabra-cega, o Jorge tinha de se orientar para a direita e esquerda, sem a ajuda dos irmãos. Muitas vezes pediam-lhe para competir em jogos de destreza manual tais como: enfiar a linha na agulha, lançar pedras a uma determinada distância, indicar, de olhos fechados, qual o seu dedo que estava a ser estimulado, de que lado vinha um determinado som, para que lado seguia o irmão que marchava, batendo com força os pés no chão.

O reeducador, ao verificar o empenho e a solidariedade do irmão e dos amigosapoio2 do Jorge propôs-lhes que fizessem jogos tais como dizer durante dez minutos o maior número de palavras começadas por uma determinada letra. Essas palavras podiam, por exemplo, dizer respeito a capitais de países, flores, nomes próprios ou ferramentas. Podiam também associar uma flor com o nome de uma pessoa começado pela mesma letra e, se a primeira palavra era no masculino, a outra também tinha de ser do mesmo género ou, numa outra opção, de género diferente.

Podiam planear ir a um país gozar férias e tentar fazer um orçamento para verificar se os pais teriam possibilidade de custear as despesas desse desejo. Logicamente, o trabalho tinha de ser do Jorge e do irmão, mas os amigos podiam ajudá-lo. Os cálculos estendiam-se também a viagens de automóvel, utilizando as distâncias de um mapa de estradas e as velocidades aceitáveis para o percurso pretendido. E o alojamento? A alimentação? Que outras despesas seriam prováveis numa viagem? Quais as demoras indispensáveis para descansar? Podia-se programar o tempo necessário para ver os locais mais interessantes do país visitado? Como economizar o mais possível para prolongar a visita por mais dias? Se houvesse uma quantidade limitada de dinheiro que opções tinham de fazer e que prioridades iriam estabelecer? Porquê?

No final das inúmeras discussões que tiveram, competiu sempre ao Jorge fazerInteracção-B uma espécie de relatório do que se tinha passado. Além disso, o protagonista principal era ele. Estas simples «brincadeiras», em que muito se fantasiou e nem sempre se chegou a soluções correctas, ajudaram o Jorge, pelo menos, na sua reeducação de Imaginação criadora, Aprendizagem associativa, Resolução de problemas, Abstracção, Raciocínio, Cálculo mental, Leitura de dois ou mais dígitos, Articulação de palavras, Contagem e noção de quantidade, Orientação espacial, Coordenação motora fina, Destreza digital, Coordenação bi-manual, Mímica, Coordenação psicomotora, Lateralização, Conhecimento da direita/esquerda, Esquema corporal e Composição.

Alterar apenas as capacidades como se indica a seguir não é pouco. De brincadeira em brincadeira, devidamente orientada e com objectivo específico, conseguiram-se melhorar substancialmente as capacidades do Jorge. A ajuda dada pelo irmão e pelos amigos durou mais do que dois anos e intensificou-se no fim do segundo ano.

No início, todos manifestaram, pouco interesse, mas depois colaboraram muito bem e até se divertiram imenso chegando ao ponto de dizer que nunca tinham tido uma interacção tão grande e proveitosa. Agora, conheciam-se melhor e sabiam desculpar-se mutuamente.

A sensação de pertença ao grupo não teria aumentado em todos eles? Não Acredita2terão todos ficado motivados a colaborar em caso de necessidade? Não teriam sido ajudados a ficar muito mais aptos a enfrentar os pequenos revezes que surgem na vida? No caso duma súbita «falta dos pais» não estariam mais do que aptos a se entre-ajudarem? Não será também uma óptima profilaxia contra a exclusão familiar e a tão falada «droga»? É um assunto em que vale a pena pensar não limitando a reeducação a uma simples ajuda para o aumento das capacidades de uma criança com dificuldades escolares (B).

Este tipo de ajuda, que poucas vezes é utilizado pode, no entanto, trazer outros dividendos que não se avaliam à primeira vista: são os «danos colaterais» ou «efeitos secundários» que muito se podem utilizar em psicologia, especialmente na técnica de moldagem (F).

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REEDUCAÇÃO DE DEFICIENTES 5

Face ao seguinte comentário dos CãoPincha:

“A propósito deste artigo, da reeducação deficientes e das actuais crise e austeridade que não deixam dinheiro nem para o essencial, goataria de saber se existe alguma solução para as crianças mais carenciadas.
A mãe duma criança que é conhecida do nosso grupo necessita de reeducação para a sua filha de 8 anos. Está desempregada, não consegue arranjar emprego e o dinheiro que o marido ainda ganha não chega para as despesas usuais.
A escola não dá qualquer apoio a não ser a crianças em grupos que não apresentam qualquer melhora.
O que se poderá fazer? Se puder dar alguma ideia, agradecemos sinceramente.”

acima seguido, vou transcrever um dos prefácios do livro em melhoramento eNeuropsicologia-B2 que já foi editado anteriormente em três volumes indicados na letra (I) do blog <livroseterapia.wordpress.com>

Atendendo às circunstâncias difíceis da actual situação económica e financeira, bem como da dificuldade em obter apoio psicopedagógico adequado, a nossa intenção é que cada um utilize os recursos existentes para minimizar os prejuízos e aumentar a eficácia.

Nós já tentamos fazer isso no passado e descrevemos as experiências, além de outros, o Antunes (B) que demonstrou, eficazmente, isso ser possível.

Não sei quais as dificuldades reais da criança mas, suponho que pelo menos essas indicações poderão ser obtidas na escola.

Os livros indicados servirão para o efeito, desde que a mãe utilize o tempo que for possível com a criança, melhorando também o clima afectivo e emocional de toda a família.

Aproveitem os conhecimentos ao máximo para ultrapassar a crise tirando o melhor proveito possível do tempo que a mãe tem de passar em cada sem trabalhar.

Boa sorte.

PREFÁCIO

O insucesso inunda as escolas e transforma em autêntico sacrifício a boa sucess2vontade de professores honestos, talvez porque se pense mais em combater o insucesso do que em promover o sucesso. A reabilitação também não tem tido um sucesso muito melhor.

Não é fácil lidar numa sala de aula com uma criança que é incapaz de dar o rendimento indispensável, por ter défices nas suas capacidades cognitivas, por se sentir perturbada com diversos problemas pessoais ou ainda porque a aquisição dos vários conhecimentos não lhe diz algo de significativo. Também os deficientes e os acidentados gostariam de ter uma vida melhor do que a actual.

Referimo-nos em primeiro lugar ao sucesso ou ao bom rendimento que a pessoa deve ter na vida escolar, em função da sua natural motivação para a curiosidade e para o sucesso académico na idade propícia da pré-adolescência e adolescência.

As causas do insucesso podem ser muitas, desde os problemas genéticos eAcredita2 peri-natais até às doenças infecciosas, má nutrição, mau ambiente familiar, défices no desenvolvimento psicofisiológico, pressões sociais, acidentes, etc. Não podemos, de modo algum, tentar debelar todas as causas, mas havendo condições profissionais e técnicas adequadas, boa vontade da parte dos terapeutas, professores e especialmente dos pais ou outros familiares, muitas das causas do insucesso escolar ou incapacidades podem ser reduzidas ou, melhor ainda, inactivadas, como profilaxia imprescindível para o desenvolvimento saudável das funções cognitivas da criança ou do bom desempenho do adolescente ou do adulto.

Como primeiro passo, os pais podem tentar proporcionar à criança o melhor ambiente socio-familiar que lhes for possível. Uma conversa diária amigável pode ajudar a criança a «depositar» nos pais a sua «carga de problemas». Ouvir é mais importante do que dar conselhos. Ajudar a obter soluções é mais vantajoso do que arranjar soluções pré-fabricadas.

Os chineses já nos fizeram entender que ensinar um faminto a pescar é mais vantajoso do que dar-lhe o peixe. Deste modo, ninguém fica na nossa dependência, nem nos incomoda com futuros pedidos de auxílio. Por este motivo, os chineses continuam a ajudar os filhos a exercitarem-se nos estudos desde a mais tenra idade e ficamos admirados com o enorme progresso que começaram a ter no século XXI, depois de muitos anos de estagnação e isolamento do Ocidente. O que o Ocidente inovou, está a ser rápida e eficazmente «absorvido» por eles com o treino de aprendizagem que sempre mantiveram durante séculos.

Uma alimentação saudável e racional, com dieta proteica adequada sempre que possível, é extremamente importante. Neste caso, a distribuição de um suplemento alimentar ou dietético na escola pode servir de «remédio».

É também salutar que a criança se consiga identificar com os pais modelando-Psicologia2se nos seus comportamentos. Desenvolver as capacidades e aptidões desde a mais tenra idade é lançar os alicerces para uma boa aquisição de conhecimentos e para um desenvolvimento equilibrado da personalidade. Para tanto, a criança necessita de treino. Se esse treino não se efectuar por iniciativa própria, compete aos progenitores e educadores favorecer a estimulação psicomotora, verbal, conceptual e ideativa desde o nascimento. Assim, a pouco e pouco, a criança vai ganhando prática e confiança nas suas aptidões. O treino é indispensável não só para a minoria das crianças consideradas «deficientes» mas, com maior razão, para a maioria das «normais» nas quais é desejável desenvolver ao máximo todas as suas potencialidades.

Essas capacidades estão latentes desde a nascença e vão-se desenvolvendo ao longo de toda a vida em permanente interacção com o meio ambiente. Não é apoio2por acaso que as crianças abandonadas ou «selvagens» não conseguem desenvolver a sua aptidão para a linguagem falada quando a mesma lhes seria normalmente incentivada se estivessem em contacto com a sociedade humana. Contudo, em interacção com o «meio animal e selvagem», elas conseguem desenvolver outras capacidades (visuais, auditivas, sensitivas, motoras, etc.), em muito melhores condições do que as crianças «civilizadas». Tudo isto é consequência da influência do meio ambiente no desenvolvimento cerebral.

O conteúdo deste livro é um repositório de experiências, conceitos e termos indispensáveis, não só para despistes e intervenções profilácticas e preventivas com o intuito de se obter um óptimo sucesso escolar, mas também para uma recuperação eficaz ou para um desenvolvimento superior àquele que se poderia obter sem uma intervenção suplementar ou extra-curricular.

Os seus autores são dois especialistas bem conhecidos em Psicopedagogia. ALN-b adaptação da Bateria Neuropsicológica LURIA-NEBRASKA para português, preparada por eles no Centro de Psicologia Clínica, oferece a possibilidade de escrutinar mais eficazmente, com critérios objectivos e científicos, as dificuldades das crianças na sua tentativa de sucesso escolar. Parece-nos importante que os conhecimentos de psicologia e pedagogia sejam utilizados com o máximo empenho, explorando na totalidade as potencialidades dos indivíduos em formação.

Como «EDUCADORES POR EXCELÊNCIA», colocamos em primeiro planoreed2 os pais e professores de todas as crianças, quer «normais» quer «deficientes», visto que, para a sua espinhosa e difícil missão não recebem qualquer treino específico, pautando muitas vezes a sua acção ao sabor do acaso e com resultados totalmente imprevisíveis. São-lhes especialmente destinadas as páginas que se seguem, porque julgamos que, com a ajuda dos pais, professores, familiares e técnicos, as noções especializadas de psicologia e pedagogia servirão para reduzir muitos dos males que afligem as nossas escolas e sociedade, tendo como causa e consequência fundamentais o actual insucesso escolar.

Além de outras obras, a vasta gama de folhetos sobre reeducação, comportamento humano e psicoterapia, publicados pelo CENTRO DEImaginação Orientada_resize PSICOLOGIA CLÍNICA, de Mem Martins, são do maior interesse para professores, terapeutas, psicólogos e educadores. Porém, a paixão dos dois autores pela preparação e divulgação de livros de carácter técnico e científico de índole prática, ainda não acabou e recentemente soubemos do seu interesse em preparar uma nova colecção com a aglutinação e reformulação de quase todas as suas antigas publicações, conjugadas com outras, originais, sobre educação e psicoterapia, tal como a imaginação orientada.

Natal de 1990 e ANO NOVO de 2012.

Charles J. Golden, PhD
Past-Professor of Medical PsychologyLN-a
University of Nebraska Medical Center
Director of Neuropsychology Clinic
Head Injury Recovery Associates
Drexel University – Philadelphia
U.S.A.

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PSICOTERAPIA 4

Há dias, recebi um e-mail de uma pessoa amiga que me dizia o seguinte:
 

Tenho duas boas notícias e uma má…
As boas é que estando a trabalhar, só deixei uma cadeira para trás e namoro com uma rapariga que tem sido espectacular para mim e muito meiga! Identifico-me muito com ela :)
A má é que parece voltei a “recuperar” alguns medos como de inicio… Tenho sempre feito o relaxamento, mas acordo tenso e ando tenso e não consigo estar bem…!
………………………………………………
Faço todos os dias o relaxamento mais que uma vez e mesmo assim fico relaxado nos primeiros minutos e o resto tenso…!
Ate à consulta, o que devo fazer para sentir me bem?
……………………………………………….
Falo com a minha namorada sobre isto que ela sabe, só que faz me relaxar de tal maneira que consigo… fechar os olhos, massaja a minha cabeça e consigo relaxar… 
 
Este «pedido de socorro» faz-me lembrar um caso que tive há uma década.

O rapaz tinha medos que foram diminuindo com bastantes exercícios dePsi-Bem-C relaxamento, que ele julgava serem apenas corporais. Em psicoterapia, já não eram só corporais ou físicos: eram mentais.
O importante é que o relaxamento corporal pode ajudar a conseguir entrar no relaxamento mental, que é o mais importante. Ou, melhor dizendo, é um relaxamento em que a mente fica relativamente livre de pensamentos que não sejam orientados pelo próprio. Isso nunca pode ser feito pelo psicoterapeuta. Este, só pode ajudar o paciente a atingir o estado necessário. Se tudo for feito no consultório, são horas e horas de psicoterapia desnecessárias. O que aconteceu, em grande parte, com a Cristina, pode exemplificar isso. O que aconteceu com o Januário pode indicar o contrário.
Durante estes pensamentos – no relaxamento mental –, que devem serConsegui-B orientados para os problemas existentes ou sentidos, a pessoa pode «ver», como num ecrã, os seus medos e até os pode sentir e descobrir o modo como eles vão desaparecendo, foram desaparecendo ou deixam de existir quando os enfrentamos (C).
Os medos, as dificuldades, a ansiedade ou quaisquer destes sintomas surgem na «nossa cabeça», à qual ninguém mais tem acesso a não ser o próprio. Eles não são reais, mas são factuais e amedrontadores para essa pessoa.
http://psicologiaparaque.wordpress.com/2013/02/11/autoterapia-2/

Em sua função e para fugir dos mesmos, a pessoa adopta comportamentosPsicologia-B que, em caso de sucesso, ocasionam reforço secundário negativo. E, como a aprendizagem já obtida, nem sempre produz os mesmos efeitos, ela é aumentada com o treino para se poder atingir algum alívio – é o que interessa àquela pessoa naquele momento, que vai transformando esse reforço secundário negativo em aleatório, e que provoca a maior quantidade de aprendizagem. O mesmo acontece com os medicamentos que são tomados para reduzir a ansiedade, a depressão, etc.
Com o reforço secundário negativo aleatório, a pessoa fica viciada, quer nos medicamentos, quer nos comportamentos inadequados e alienantes que vai adquirindo e consolidando.

Para isso, a pessoa em causa tem de compreender os mecanismos doAcredita-B comportamento humano (F), ler muitos livros (C) que falam daquilo que aconteceu com os outros, praticar o relaxamento mental (B) – mesmo que fisicamente possa não estar relaxado – e descobrir os medos, os modos de os ultrapassar, as maneiras como já os ultrapassou, as formas de os evitar e ir ganhando coragem e confiança para os olhar com sobranceria.
Contudo, existe uma outra coisa com que se deve ter cuidado. Quando uma situação desagradável que provoca medo, é antecedida por um sinal, mesmo que inócuo, a fuga à situação de medo provoca, à mesma, reforço negativo. Este sinal (aparentemente) inócuo, ficando associado à situação de medo, irá provocar, só por si, uma resposta comportamental de fuga semelhante àquela que era provocada pela situação real de medo.
Isto faz com que essa resposta de medo, que existia só no caso da situação real, vá acontecendo com esse sinal condicional que antecipou o medo. Assim, sempre que aparece esse sinal condicional (inócuo) a força da resposta inicial à situação de medo vai aumentando sempre em 20% em relação ao medo anterior.
http://psicologiaparaque.wordpress.com/2013/02/08/vicio/

A ansiedade provocada apenas por esse sinal condicional, vai-se tornando insuportável até quase alienar a pessoa ajudando a viciar-se na resposta dada, quer seja comportamental quer seja medicamentosa. É assim que se alimentam os vícios, incluindo os medicamentosos.

No caso do rapaz de quem estamos a falar: Psicopata-B
● quase não lia qualquer livro, a não ser esporadicamente;
● não conseguia praticar o relaxamento mental nas devidas condições;
● não anotava sistematicamente as suas dificuldades;
● não fazia a auto-análise;
● ficava à espera que tudo melhorasse com as sessões de psicoterapia;
● desejava que tudo se resolvesse como por encanto, ficando entusiasmado facilmente com os mais pequenos «avanços»;
e, além disso, esquecia-se que:
● a «cabeça» era dele;
● todos os problemas de medos a fantasias eram lá formados;
● ninguém mais poderia fazer esse trabalho por ele.
http://psicologiaparaque.wordpress.com/2012/10/03/relaxamento-4/

Além do mais, conseguindo ter algumas melhoras, sem querer admitir que aSaude-B felicidade é aquilo que cada um consegue conquistar no dia-a-dia, tinha deixado de namorar uma moça, começando, de repente, a namorar outra que lhe parecia o ideal: uma maravilha. Todos queremos atingir a felicidade e não sabemos como. Porém, quando atingimos algo que pareça ser felicidade, agarramo-nos a ela como se de uma tábua de salvação se tratasse. E depois, vem a desilusão. Exemplos não faltam muito perto de nós e com pessoas que bem conhecemos. Podemos afirmar que isso não acontecerá connosco. Mas, não aconteceu já? Não seria melhor andamos devagar, com passo firme e sem utopias? Seria muito mais exequível e sem os desencorajamentos futuros  que são os piores, porque ficam aliados a um segundo sinal condicional que se antecipa a uma situação desagradável.  http://psicologiaparaque.wordpress.com/2010/12/04/prevencao-e-profilxia/

Com o caso a que me refiro, esse ideal, que não era real mas fictício, esboroou-se em pouco tempo. Também se esboroa anos depois do casamento. E os filhos? Como ficam? Que herança têm? Como se comportam?
De que maneira é possível saber em meia dúzia de horas ou dias que uma determinada moça é o nosso ideal? Às vezes não o sabemos depois de anos de convivência…! São necessários exemplos?

Ficamos enleados com a aparência e as palavras de ocasião, não nos preocupando com a essência que se  vai descobrindo a pouco e pouco.  Quem gosta de nós não necessita de artifícios e fica sempre connosco desde que também estejamos com ela.                                                                                                       

No caso concreto, do rapaz em questão, passado algum tempo, tudo se desmanchou com fortes críticas mútuas.                                                                                                         

Se esse rapaz – que também se queria licenciar, sem conseguir frequentar as aulas –, que tinha tido uma namorada, tivesse utilizado o relaxamento mental para descobrir as razões dos seus medos e os modos de os ter ultrapassado temporariamente e conseguisse descobrir aquilo que tinhaDepressão-B corrido mal no primeiro namoro e o «desastre» acontecido no segundo, talvez não se entusiasmasse muito com mais um namoro em tom definitivo, sem ter algum tempo de convivência e reflexão. As aprendizagens anteriores não serviram para coisa alguma? Dizer:
namoro com uma rapariga que tem sido espectacular para mim e muito meiga! Identifico-me muito com ela :)
pode ser o segundo sinal condicional que desperta todas as vivências anteriores (de insucesso e de ansiedade) que foram reduzidas com muitas horas de psicoterapia, mas com pouquíssima ajuda do próprio.
O relaxamento mental é o mais importante, assim como toda a colaboração do paciente em ter de aturar o psicoterapeuta, seguindo todas as suas indicações que podem ser iniciadas e mantidas todos os dias apenas no momento de ir para a cama e dormir ou não, mas a pensar em tudo o que cada um conseguiu ultrapassar.                                                                                     É o reforço do comportamento incompatível.
Só cada um pode fazer isso! Mais ninguém.
Senão, como é que a pessoa se vai autonomizar em relação aoMaluco2 psicoterapeuta, pais, família, sociedade, medicamentos e outras alienações, para conseguir ter uma vida saudável, sem depender de ninguém mas em boa convivência com todos?
Ficará sempre na dependência da sorte, dos outros ou de qualquer outra coisa imponderável e a culpar sempre os outros pelo mal de que está a sofrer. O Júlio (E) demonstrou isso. Não basta dizer que quer. É necessário trabalhar para isso. E, o relaxamento mental, com uma revisão mental dos acontecimentos passados é muito importante.
Este blog, para quem o deseje utilizar, também pode ajudar muito.
Não vale a pena deixar perder uma conquista que deu muito trabalho a ser conseguida.

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É aconselhável consultar o ÍNDICE REMISSO
de cada livro editado em post individual.

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Para tirar o máximo proveito deste blog, consulte primeiro o post inicial “HISTÓRIA DO NOSSO BLOG – sempre actualizada”, de Novembro de 2009 e escolha o assunto que mais lhe interessa. Depois, leia o post escolhido, com todos os comentários que são feitos. Pode ser que descubra também algum assunto acerca do qual nunca tivesse pensado.

Para saber mais sobre este blog, clique abaixo

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AUTOTERAPIA 2

LISTA DE PROCEDIMENTOS

►Antes de tudo, comece por verificar se tem, de facto, algum problemaPsicopata-B psicológico. Decida depois se deseja uma consulta de psicologia ou, na sua impossibilidade, prefere tentar experimentar uma autoterapia ou uma co-psicoterapia.

►Muitas vezes, as pessoas que sentem ligeiros problemas, vão ao médico para que lhes receitem alguns medicamentos que as deixem menos aflitas do que no início. Se decidir fazer psicoterapia, não é aconselhável tomar drogas psiquiátricas. Reduz substancialmente toda a acção psicoterapêutica séria e que se deseja rápida e eficaz.
 

►No caso de decidir, com segurança, que quer experimentar fazer uma autoterapia, pense bem se terá disponibilidade de tempo e assegure-se que vai ter persistência e força de vontade suficientes para ler bastante, treinar e continuar com o relaxamento durante um ano ou mais, pelo menos todas as noites, à hora de dormir.
 

►No início, pode necessitar de dispor de uma hora para o treino de relaxamento, a qualquer hora do dia, mas é preferível que seja à hora de dormir. Quando tiver treino suficiente, ao fim de semanas ou meses – variando muito de pessoa para pessoa – esse tempo irá encurtando até poder ficar reduzido a cerca de 5 minutos.
 

►Qualquer autopsicoterapia vai necessitar de conhecimentos sobre aPsicologia-B modificação do comportamento (F) e interacção social (K), assuntos que são apresentados de forma simples com exemplos do dia-a-dia e com várias psicoterapias já realizadas (B) (C) (E) (H) (J) (L) (M) (N). Ajudam a compreender toda esta técnica muito específica e inovadora, além de preventiva e profiláctica.
 

►Além de tempo, deve dispor de paciência e força de vontade para ler tudo o que é necessário a fim de colmatar a ausência de um psicoterapeuta que o ajudaria e orientaria num caso «normal».
 

►Mesmo com a ajuda dum especialista, este treino de relaxamento temConsegui-B de ser feito pelo próprio como complemento da acção do psicoterapeuta. Existem livros resumidos, já mencionados, que descrevem aquilo que esses «pacientes» fizeram, tal como o «Joel». É necessário e aconselhável consultar pelo menos alguns desses livros, se possível, em primeiro lugar.
 

►Depois de tomar a decisão de começar o treino, lembre-se das sensações que o afligem e o deixam num estado de descompensação. Descubra tudo o que sente e faça uma lista completa dessas sensações. Pode utilizar uma folha semelhante ao modelo já utilizado largamente e também apresentado a seguir.

  Sensações desagradáveis      (data __/___/___)

Val

Sinto-me imcompetente

8

Sinto-me inferiorizado

9

Acho que os outros não querem falar comigo

7

 

 

 

►Neste modelo em que são indicados, para exemplo, apenas três sensações e que poderiam ser muitas mais, as mesmas são mencionadas na coluna da esquerda, a partir da segunda linha, reservando-se a primeira para escrever a data. A coluna da direita serve para registar o valor numérico da auto-avaliação.
 

►Pensando bem nessas sensações, faça a auto-avaliação de cada uma,Maluco2 tal como se fez também com o «Joel» (E/21), atribuindo o valor que achar adequado na escala de 11 pontos/conceitos. No exemplo dado acima, depois de escrever a data da avaliação na linha superior, o valor da auto-avaliação de cada sensação mencionada nessa linha é colocado na coluna da direita (8, 9, 7).
 

►A escala de 11pontos/conceitos que é apresentada a seguir, pode ser utilizada tanto para as sensações, sentimentos e dificuldades, como para o progresso.

Por isso, os valores devem ser invertidos, como acontece na coluna de direita, de acordo com a vontade de cada um. Contudo, só se pode utilizar um tipo de valores – ou mal-estar, ou bem-estar.
 

10

máximo – óptimo

 

0

9

muitíssimo

1

8

muito

2

7

bastante

3

6

acima da média

4

5

média – regular – normal– central

5

4

abaixo da média

6

3

pouco

7

2

pouquíssimo

8

1

insignificante

9

0

mínimo – péssimo

10

 

 

 

 

 

 

 

►Todas estas folhas de auto-avaliação, devidamente datadas e cuja periodicidade deve ser determinada por cada um (bi-semanal, semanal, diária?), devem ser guardadas sem ser vistas pelo próprio, senão depois se efectuarem pelo menos 5 a 10 auto-avaliações.
 

►Pensando também nas dificuldades que o afligem e que o deixam num estado de descompensação, descubra-as e mencione todas numa outra lista, utilizando também, a partir da segunda linha, a coluna da esquerda para descrever as dificuldades, e a da direita para registar o valor da sua auto-avaliação (8, 7, 6), tal como fez com as sensações e se exemplifica a seguir:
 

         Dificuldade                 (data ___/___/___)

Val

Não conseguir dormir

8

Ficar com uma sensação de desmaio

7

Ficar com os pés a transpirar

6

 

 

 

►Comece a praticar o Relaxamento muscular
▫ Em primeiro lugar, garanta que nada vai interromper o seuDepressão-B relaxamento (60 minutos?). Para isso, interessa que desligue a campainha da porta, o telefone, os telemóveis ou qualquer outro equipamento que o possa obrigar a uma distracção, mesmo que seja leve ou momentânea. Não ter este cuidado, pode ocasionar reacções ou resultados diversos, se não forem adversos.
▫ Depois, apenas se for necessário, utilize o conta-minutos ou um temporizador regulando-o para um período mínimo de 30 minutos. Será melhor um tempo mais prolongado e pode ser ainda mais proveitoso se o relaxamento for feito à hora de de dormir.

  • Antes de tudo, a digestão deve estar concluída.
  • Prepare um lugar onde possa deitar-se à vontade, sendo preferível a cama com um colchão plano e duro.
  • Garanta um período de tempo de cerca de 60 minutos para estar completamente à vontade e sozinho, sem quaisquer interrupções ou distracções.
  • No caso de ter dificuldade em dispor de tempo durante o dia, aproveite o momento de ir dormir, que é o melhor.
  • Deite-se de costas e durante alguns segundos, deixe descontrair todos os músculos o mais possível, sem esforço nem preocupação, respirando lenta e profundamente.
  • Comece as contracções/descontracções em que cada ciclo demora, geralmente, menos de 80 segundos, sendo importante que não haja pressa. Proceda do seguinte modo:
  1. Inspire pelo nariz até encher completamente o peito de ar e retenha-o, contraindo, ao mesmo tempo, com força, todos os músculos do corpo.
  2. Mantenha os músculos totalmente contraídos e o ar retido no peito, o máximo tempo possível.
  3. Ao ser impossível manter esta situação, abra a boca permitindo que o ar saia bruscamente pela mesma, enquanto deixa entrar em descontracção completa todos os músculos do corpo.
  4. A seguir, deixe que aconteçam, sem forçar muito, cerca de três inspirações/expirações vagarosas e profundas (inspire pelo nariz e expire pela boca).
  • Repita o ciclo enchendo totalmente, de novo, o peito de ar e retendo-o o máximo tempo possível, para fazer, de imediato, outra contracção/descontracção brusca, seguida de inspirações vagarosas e profundas como anteriormente.

Ao fim de cerca de 15 repetições que devem demorar aproximadamente 25 minutos, descanse respirando lenta e profundamente, enquanto desejar.
 

Em seguida, durante os restantes cerca de 35 minutos, tente orientar a mente, sem a forçar, para recordações de quaisquer momentos da vida, agradáveis e satisfatórios. Deixe que a mente continue a evocar recordações agradáveis até completar os 60 minutos previstos, podendo continuar por muito mais tempo até dormir, se o sono não tiver já tomado conta da situação.
Não evite entrar no sono e dormir.
 

►Quando acordar, tente escrever numa espécie de diário, (datado), tudo aquilo que tiver recordado durante o sono e também o que for acontecendo durante o dia, seja bom ou mau. Tudo isto pode ser consultado quando necessário, sendo muito importante para o futuro. Se descobrir mais sensações, sentimentos ou dificuldades que o incapacitam, acrescente-os na lista respectiva e faça a auto-avaliação de cada uma daí em diante.
 

►Passadas duas semanas, tente verificar se consegue atingir o relaxamento em menor tempo do que no início da sua prática. Se assimAcredita-B for e se ainda não leu muitos dos livros já referenciados anteriormente e que também estão mencionados no capitulo RESUMO DO CONTEÚDO DOS LIVROS INDICADOS, pense em arranjar tempo para saber mais sobre o comportamento e a autopsicoterapia.
 

► Todos os que tentaram a autoterapia leram muito sobre o que acontece no mundo dos nossos comportamentos e da psicopatologia. Enquanto antigamente eles tiveram de se socorrer de apontamentos, existem actualmente livros que podem ajudar quem necessite dessas leituras. Basta consultar este blog e o <livroseterapia.word-press.com>.  BEM-VINDOS 

No entanto, a indicação dos livros que mais interessam é:

IMAGINAÇÃO ORIENTADA (J) explica os fundamentos e osImagina-B resultados desta modalidade de psicoterapia que foi iniciada com a terapia do equilíbrio afectivo há mais de 35 anos.
SAÚDE MENTAL sem psicopatologia (A), informa-nos sobre as diversas situações e classificações dos distúrbios mentais indicando formas de resolver, contrariar ou prevenir essa situação.
PSICOLOGIA PARA TODOS (F) apresenta o panorama geral da psicologia comportamental que afecta o dia-a-dia de todos e mostra as ligações que existem entre os diversos comportamentos que provocam vários efeitos, dependendo uns dos outros.
INTERACÇÃO SOCIAL (K) fala sobre os comportamentos doInteracção-B indivíduo na sua interacção em sociedade.
JOANA, a traquina ou simplesmente criança? (D) dá exemplos de modificação do comportamento na prática, realizados com uma criança de 8 anos e experimentada por ela mais tarde.
NEUROPSICOLOGIA NA REEDUCAÇÃO E REABILITAÇÃO (I) informa-nos sobre as vantagens e possibilidades de melhorar as capacidades das crianças para estruturarem uma personalidade bem equilibrada, tanto do ponto de vista emocional como cognitivo.
 

►Só a leitura destes livros ou dos seus substitutos, ajuda aSaude-B compreender melhor o âmbito da psicoterapia e a exercitar tudo o que será bom fazer daí em diante. Os restantes livros, contendo os «casos» de diversos intervenientes, ajudam ainda mais.
 

►Passado pelo menos um mês de prática diária do relaxamento, tente ir dormir à hora habitual, recordar alguma coisa desagradável que tenha acontecido ou de que se esteja a lembrar e faça uma contracção/descontracção rápida.

Veja do que é que se lembra depois da contracção/descontracção rápida.

Se essa lembrança desaparecer da imaginação ou tiver tendência a diminuir de intensidade, tente continuar com o exercício.

Se a recordação não desaparecer ou não diminuir depois da contracção/descontracção, não insista e continue apenas com o exer-cício do relaxamento muscular, sem quaisquer recordações.

Quer tenha conseguido ou não fazer desaparecer os pensamentos desagradáveis depois da contracção/descontracção muscular, termine sempre qualquer exercício provocando recordações agradáveis.

Exercite-se nisso o melhor que puder.

É o reforço positivo do comportamento incompatível que é sempre conveniente utilizar no fim de cada sessão.                                                        Continue assim no futuro depois de ter imaginado as situações desagradáveis.
 

►Tente experimentar todos os dias a evocação dessa dificuldade desagradável que não desapareceu depois da contracção/descontracção até que o consiga, mas não insista muitas vezes, nesse dia, se a mesma não desaparecer com prontidão.
 

►Se a recordação da dificuldade desaparecer, pode evocar outras dificuldades e verificar igualmente se desaparecem ou diminuem de intensidade, para ir evocando mais situações semelhantes.
 

►Quando as evocações das situações desagradáveis tiverem tendência a desaparecer – indicação de que o relaxamento muscular está a funcionar – experimente o «relaxamento mental».

Se preferir utilizar um sinal condicional que o ajude ainda mais, ponha uma música a tocar, sempre a mesma, sem haver a preocupação de a desligar.
«deixe que as coisas aconteçam»

▫ Deitado como no relaxamento muscular, de olhos fechados, sem os forçar, comece a sentir as pontas dos dedos, as mãos, os pés, os braços, as pernas, os músculos das costas, dos ombros, do peito e todas as outras partes do corpo. Interessa que «tome conhecimento», de todas as partes do corpo, lenta e sequencialmente, sem qualquer preocupação com a ordem estabelecida ou conseguida. Basta apenas sentir, sem qualquer preocupação, se cada uma dessas partes do corpo está:
- quente ou fria;
- contraída ou descontraída;
- bem ou mal colocada.

Continue este exercício sem ninguém no local para se poder manter um silêncio total. Concentre toda a atenção no seu corpo e sinta-o muito bem, em qualquer sequência, mas em toda a sua extensão, incidindo também no pescoço, nuca, faces, testa, olhos, etc., assim como na respiração e no ar que entra e sai pelo nariz.
Tente apenas sentir o corpo sem o contrair ou descontrair por sua iniciativa.

Devagar e à medida que o tempo passa, a respiração começa a ficar lenta, calma, profunda. Quando apenas se «toma conhecimento» do que se passa connosco e não se insiste espeficamente no relaxamento, o corpo vai ficando mole, para depois se descontrair e ficar relaxado como ao fim dum cansaço.
 

►A nossa disponibilidade mental, clareza de raciocínio e controlo emocional são imprescindíveis para reduzir ou evitar o desequilíbrio psicológico.

Ao atingir esta fase, pode imaginar à sua frente um ecrã gigante onde existiam nuvens que se vão afastando para deixar um espaço branco e vazio onde se pode projectar tudo o que se desejar.
 

►Procure recordar e projectar nesse espaço do ecrã todas as coisas agradáveis, antigas ou novas, que foram acontecendo ao longo da vida. Tente revivê-las, se possível, o melhor que puder.
 

►Quando conseguir evocar facilmente as memórias dos factos agradáveis que tiverem acontecido, é sinal de que já é capaz de desencadear o reforço positivo do comportamento incompatível. Também é sinal de que a grande parte inicial da autopsicoterapia deu resultado positivo e, por isso, além das leituras que devem sempre complementar estes exercícios, convém ir verificar os valores comparativos das auto-avaliações feitas ao longo deste tempo.
 

►Então, ao fim das primeiras 15 semanas, convém passar para mapas como o da página seguinte, as auto-avaliações em relação a cada uma das sensações desagradáveis, devendo acontecer o mesmo com as dificuldades que se deseja reduzir ou eliminar.

No caso seguinte, a sensação, a dificuldade ou a média das mesmas, arredondada para cima, situou-se em 9 na primeira avaliação, baixou para 6 na segunda, foi aumentando e diminuindo a seguir, até se fixar em 2 na 18ª e 19ª avaliações.

O mapa a seguir refere-se às 19 sessões do Joel.

Dificuldade …………(ou sensação) – média global

  1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 16 17 18 19
10                                      
9                                    
8                                      
7                                    
6                              
5                          
4                                
3                                  
2                                  
1                                      
0                                      
  9 6 6 5 7 6 5 5 4 5 6 5 5 4 4 3 3 2 2

 

 Cada dificuldade ou sensação, com um mapa semelhante, pode indicar quando e em quanto aumentou ou diminuiu cada uma das sensações ou dificuldades. Verificando através destes mapas se as sensações e dificuldades foram diminuindo ou aumentando, pode fazer-se posteriormente um juízo de valor através da sua relação com o diário. Talvez se chegue a alguma conclusão, pelo menos quanto a certas sensações e dificuldades, que devem ter necessidade de maior empenho e treino na sua redução ou eliminação.

Se escrutinarmos o caso do Joel, vemos que na 6ª sessão, ele acabou por ter mais esperanças de melhorar e «mudar de vida» do que posteriormente, quando se sentiu menos seguro e as dificuldades aumentaram ligeiramente. Nas últimas duas sessões de auto-avaliação, verifica-se que a psicoterapia começou a surtir efeito, porque as dificuldades ou sensações baixaram, apesar do afastamento da noiva. É o que se verifica no mapa já apresentado.

► A fim de ser expedito, económico e abrangente, pode fazer, em cada semana, um mapa conjunto de todas as dificuldades ou sensações desagradáveis atribuindo a cada um dos itens uma letra para colocar nessa linha o valor da auto-avaliação. No quadro seguinte vê-se (canto superior esquerdo) uma avaliação da semana:

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

a

 

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

b

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

c

 

 

 

 

 

 

 

x

 

 

 

d

 

 

 

 

 

 

 

 

x

 

 

 Psi-Bem-C

 

 

Enquanto no canto superior esquerdo se coloca o número da semana, utilizando um calendário apropriado, escrevem-se na linha superior os valores da escala de 11 pontos/conceitos da auto-avaliação. Escrevendo na coluna da esquerda a letra correspondente à sensação ou dificuldade avaliada – estão aqui enumeradas quatro, – um x indica a auto-avaliação correspondente. Através deste quadro, pode visualizar-se, em conjunto, quais são as sensações ou dificuldades mais resistentes ou incomodativas (c e d).

►Depois das primeiras dez semanas de terapia, estes valores devem indicar pelo menos uma ligeira diminuição, embora, de vez em quando, tenham tendência a aumentar: pode ser o pico da extinção. Guardar esses mapas num lugar seguro onde possam ser continuados e consultados no futuro, o que é muito importante.
 

►De acordo com esses mapas, passa a ser possível insistir mais na recordação das dificuldades que tiveram uma diminuição menor do que as outras.
 

►Tomar nota de tudo no diário.

Como já se disse, é bom anotar tudo isto no diário. Também, se não dormir durante o relaxamento ou, quando acordar no fim do mesmo, tenha o cuidado de tomar apontamentos sucintos dos pensamentos, sonhos, recordações ou quaisquer ideias fora do vulgar, mesmo que pareçam absurdas e disparatadas.

É bom fazer o mesmo em relação a quaisquer outras recordações, imagens, medos e factos, ocorridos durante o dia.

Se as recordações tiverem desaparecido da memória voltarão mais tarde e poderão ajudar a fazer uma rápida «terapia de pro-fundidade». Não é necessário fazer um esforço especial para reatar ou relembrar os pensamentos que surgirem durante o relaxamento.
 

Fazer a auto-análise (opcional, mas vantajosa)

Entretanto, se quiser aumentar o seu equilíbrio emocional, mesmo a partir do início deste treino, se achar bem e tiver tempo e disponibilidade, além do diário, faça a «auto-análise» que tem procedimentos específicos. Para isso, reserve uma pequeníssima parte do dia, entre 5 a 15 minutos, para escrever. É diferente dos apontamentos tomados depois do relaxamento ou no diário. É preferível que a auto-análise não seja feita depois do relaxamento quando o mesmo se efectua à noite, à hora de dormir.

É ideal que essa «auto-análise» seja efectuada antes de ir para a cama e antes do início do relaxamento.

O procedimento é simples. Para que não haja justificações de uma interrupção, desligue o telefone, a campainha da porta, etc., se for necessário, do mesmo modo como deve acontecer no relaxamento.

Determine a quantidade de tempo fixo, sempre o mesmo, que deseja escrever todos os dias.

Convém ser sempre, mais ou menos, à mesma hora.

Sente-se num local calmo e tenha junto de si mais do que o dobro de folhas de papel que puder preencher com a sua escrita durante esse tempo, além de três lápis ou esferográficas, para a eventualidade de alguma delas deixar de funcionar. O papel, conforme o desejo e as posses de cada um, pode ser pautado, branco ou até de rascunho e já utilizado num dos lados, mas convém que esteja previamente furado para, se necessário, ser fácil e rapidamente ar-quivado após a utilização. Tenha também à mão a capa onde essas folhas vão ser arquivadas, sem ser lidas durante algum tempo.

Regule o despertador, o temporizador ou o conta-minutos para o tempo estipulado e, depois de mencionar sempre a data no topo da folha, comece a escrever sem parar, tudo o que lhe vier à mente.

Pode, por exemplo, acontecer que não se lembre de nada. Neste caso, muito simplesmente, escreva as vezes que forem necessárias: “Não me lembro de nada”, sem parar.

Pode, algumas vezes acontecer que a folha ou as folhas fiquem totalmente escritas com:

Para quê esta merda! Tudo o que estou a fazer não tem sentido. Os psicólogos só servem para enfiar barretes aos incautos. O melhor que temos a fazer é tomar os medicamentos necessários e deixarmo-nos de parvoíces. Não vou continuar com esta palhaçada. Já não sei o que faço. E o meu curso actual! Serei capaz de o completar? Para que vai servir o mesmo depois de tanto esforço?     ou com qualquer outra coisa (E/35).

O que quer que fique escrito, tem muita importância porque indica o que «vai na cabeça de cada um» nesse momento. Em função da delimitação do tempo e, se a caneta estiver «ligada» ao cérebro como se deseja, a quantidade de folhas escritas ou preenchidas em cada dia será quase sempre idêntica, porque a pessoa nunca deve parar de escrever para pensar e «elaborar» a escrita.

Metaforicamente, uma pessoa não pára um vómito, mas continua, «deitando fora» a «carga» que tem dentro de si.

No final do tempo estipulado, quando o despertador tocar, interrompa a escrita sem tentar acabar qualquer frase que estiver incompleta e guarde as folhas preenchidas sem as ler.

Devem ficar bem guardadas numa pasta para as afastar dos olhos dos curiosos – e até do próprio, antes do tempo.

◘ Mais ou menos ao fim de seis meses desta «escrita» ou «auto-análise», num dia de semana pré-determinado, antes da hora prevista para a escrita diária, leia o que escreveu durante a primeira semana e arquivou cuidadosamente na pasta ou capa apropriada.
No final da leitura, faça a escrita do dia com o tempo já definido.

Posteriormente, no mesmo dia da semana seguinte, antes do exercício diário de escrita, leia as folhas escritas durante a segunda semana. Continue assim nas semanas posteriores.

◘ Como é bom continuar este exercício durante muito tempo, ao fim de um ano, seleccione o material escrito nos primeiros seis meses e, num outro dia de semana, leia-o antes de começar a escrever nesse dia. Ao fim de ano e meio, seleccione o material dos seis meses seguintes e leia-o do mesmo modo como anteriormente. Continue a fazer o mesmo de seis em seis meses.

►Entretanto, vale a pena fazer a média da auto-avaliação quer das sensações quer das dificuldades.

Feitas até ao momento, lançando-as para um mapa como o que se apresenta, podem indicar se houve um progresso real e satisfatório conforme os desejos do próprio, se situarem em 5 ou menos, e até se houve um pico de extinção (6ª semana).

Média das sensações                       dificuldades individuais

  1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 16 17 18 19
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►Tente experimentar fazer o relaxamento muscular ou mental inatantâneo, em qualquer posição, sem estar deitado. Pode começar por se sentar numa cadeira e fazer uma contracção/descontracção muito rápida ou experimentar o relaxamento mental. Quando conseguir relaxar-se nessa posição, pode sentar-se em qualquer local pouco cómodo. Depois, pode esperimentá-lo em pé. Qualquer destas posições pode ser necessária no momento em que houver dificuldades ao lidar com outras pessoas.

Ler os livros, ajuda a saber o que se passou com os outros.

Efectue o treino de imaginação orientada  (se desejar e lhe for possível).

Se já conseguiu baixar as dificuldades e as sensações desagradáveis e é capaz de fazer relaxamento com facilidade, isto é, sentir o corpo e conseguir desligar-se de tudo, tanto na posição de sentado como deitado, «deixando que as coisas aconteçam», pode começar a fazer o treino de imaginação orientada. Não necessita de qualquer CD especial.

Este procedimento, que é muito simples, pode ser utilizado desde o início do treino de relaxamento muscular por quem não se deixa desencorajar facilmente com os primeiros possíveis insucessos, falta de resultados palpáveis ou os aparentes insucessos intermédios devidos ao pico de extinção (E/92-93) (F).

Deve deitar-se, de preferência à noite, em qualquer posição que seja mais confortável e pode utilizar uma cassete, um disco ou um CD do seu agrado, sempre com a mesma música, num aparelho que desligue automaticamente.

Passado algum tempo, como se disse antes, esta música, se necesária, irá funcionar como sinal ou estímulo condicional (F) para ajudar a entrar fácil e rapidamente em relaxamento.

Inicie depois o procedimento de sentir o corpo enquanto começa a pensar em qualquer coisa que lhe interessa. Pode ser algum acontecimento do passado ou a imagem de qualquer coisa que deseja. Sem ter muita preocupação ou desejo de que não existam falhas ou insucessos, deve permitir que as imagens apareçam como num ecrã e deixar que o processo continue «ao seu ritmo», sem pretender controlá-lo ou tentar obter resultados positivos ou palpáveis.

Como exemplo, uma pessoa pode desejar, de acordo com o seu interesse ou profissão:

* lembrar-se de algum facto específico acontecido aos 6 anos de idade;

* recordar o que se teria passado quando fez uma viagem com toda a família;

* relembrar uma briga com um rival quando ele tentou seduzir o seu namorado ou namorada;

* recordar pormenorizadamente a descompostura dada pelo chefe, no dia anterior;

* tentar visualizar a conversa com um vendedor quando ele propõe um negócio;

* imaginar como poderá abordar o chefe para lhe propor o aumento de ordenado;

* tentar imaginar como poderá dar uma aula importante ou fazer uma conferência.

Podem-se dar muitos outros exemplos, mas todos diferem de pessoa para pessoa, de acordo com os interesses do momento. Se cada pessoa tiver o bom senso de se situar no espaço e no tempo adequado, com a noção das suas capacidades e limitações, pode deixar o processo correr ao seu ritmo próprio. A solução não deixará de surgir, mesmo sem cada um se aperceber disso. Mais uma vez se realça que tudo tem de ser feito ao ritmo natural, sem pressas nem precipitações ou pretensão de se conseguirem determinados resultados, evitando a consequente frustração ao não atingir aquilo que se esperava.

Por este motivo, vale a pena a pessoa começar a pensar naquilo que mais a preocupa ou deseja atingir, pôr a tocar a música habitual e começar a fazer o relaxamento.  

Pode entrar no sono logo de seguida ou continuar desperta.

◘ No caso de existirem dificuldades, é bom relembrá-las e tentar esmiuçá-las ao máximo como se fossem assuntos de outra pessoa. Se o assunto fosse com mais alguém, que conselhos poderia dar? De que maneira ela poderia resolver a situação a seu favor? Se a solução não for a mais satisfatória, quais as alternativas existentes?

◘ Como já se disse anteriormente, é sempre bom finalizar os exercícios com a recordação de factos agradáveis, a não ser que o sono tenha tomado conta da situação, o que não é mau. Se houver insónias, também se pode utilizar esse tempo para a evocação das situações desagradáveis e sua possível solução, tentando sempre terminar o exercício com a recordação de factos agradáveis (reforço positivo do comportamento incompatível).

►Continue a preencher o mapa das auto-avaliações e a consultá-lo de vez em quando para verificar qual a alteração nos valores, a fim de insistir mais nas dificuldades que estiverem a persistir.

►Mesmo depois de melhorar, é bom não esquecer uma espécie de exercício da auto-análise, sem o formalismo inicial, que quase todos os referenciados nos diversos livros continuaram, como se fosse uma escrita espontânea e esporádica, como um sucedâneo ou intermediário entre diário e auto-análise.

► A pessoa motivada para o sucesso pode «dormir» sobre os seus problemas e desejos, questionando cada vez mais tudo o que fez, para tentar melhorar a sua actuação, ficando à espera que a solução apareça quando e como necessário e possível. Será a melhor estratégia para essa pessoa, naquele momento e no contexto que estiver a viver.

►O mais importante é deixar que a mente continue a trabalhar ao seu ritmo. Quando surgirem soluções para os problemas existentes, vale a pena descobrir, dentro de cada um, o «advogado do diabo» que contraponha inúmeras dificuldades como se fosse uma «prova de fogo» contra possíveis frustrações.

Assim, talvez até surjam soluções novas para ultrapassar essas dificuldades artificialmente propostas, como devem fazer muitos pais na educação dos filhos, quando desejarem que eles aprendam a resistir à frustração, descobrindo soluções cada vez mais inovadoras.

Contudo, o importante é manter o relaxamento e deixar que a mente vá funcionando ao seu ritmo. 

Deixe que tudo corra ao seu ritmo normal. 

Não force os acontecimentos. Tenha calma.

►Depois de tudo o que ficou explicado, podemos deduzir que grande parte da psicoterapia se não for toda, depende essencialmente do próprio, podendo o psicoterapeuta ser necessário no início, ou em alguns casos complicados e de longa duração. Descobrimos também que todas estas condições só podem ser criadas pelo próprio através de treino e força de vontade convenientes.

►Para saber se resolveu o seu problema, reuna todos os mapas da auto-avaliação das dificuldades e sensações, faça uma média global de tudo e registe-a num mapa que foi mencionado há pouco, na página 99. Se a média global for inferior a 5, quer dizer que melhorou, mas se for inferior a 3 quer dizer que resolveu o seu problema.

►Contudo, ficam duas perguntas no ar:

– Fica satisfeito com o resultado e não se quer prevenir para o futuro?  

– Não deseja melhorar a sua vida ainda mais do que até ao momento?

►Por isso, se uma pessoa desejar manter-se «equilibrada» mesmo que em caso de descompensação não consiga obter qualquer apoio técnico, deve fazer muito daquilo que os diversos protaginistas fizeram, apesar de não terem tido inicialmente a noção da origem das suas dificuldades:

Antunes (B) ficou desorientado com a morte prematura e súbita do seu pai deixando a família na miséria. A sua aflição para que a família não sofresse o mesmo, ocasionou a reacção de trabalhar muito para ganhar bastante e amealhar para o «futuro». O resultado poderia ter sido a perturbação emocional da mulher, acrescido do desequilíbrio cognitivo e académico da filha.

Cidália (C) desorientou-se por causa do comportamento dos pais que, despois de terem vivido sempre «juntos» «abandonando» a filha nas mãos dos avós, resolveram vir a Portugal, «casaram-se» e mantiveram parceiros sexuais diferentes, exigindo que a filha fosse viver com eles.

Júlio (E), sentiu-se «desterrado» em Lisboa, residindo em casa do padrinho, quando foi necessário ter de estudar, mais do que poderia fazer na sua terra.

Isilda (H), desgostosa com o controlo «excessivo» que a mãe queria exercer nela, tentou suicidar-se.

▫ A nova paciente (H), quase abandonada pelo marido, ficou extremamente traumatizada, deprimida e quase incapaz de trabalhar.

Cristina (L), sem os pais se aperceberem do mal que faziam, teve uma educação tão «civilizada» e «precoceituosa» que a impossibilitou de manter uma vida social minimamente aceitável.

Germana (L) teve problemas familiares que a obrigaram a aceitar uma «amantização» pouco digna e desejável.

Januário (L), ficou tão traumatizado com inúmeras terapias medicamentosas, de psicanálise e de psicoterapia vulgar, que ficou completamente descrente em qualquer apoio desse tipo. Naquele tempo, necessitou delas porque se sentiu descompensado por não ter tirado o curso superior no momento oportuno, quando esteve em Lisboa, onde o podia ter concluído com facilidade.

▫ «Mijão» (M) nunca antes teve o apoio necessário, que conseguiu só quandoDifíceis-B adulto porque continuava a «molhar» a cama, depois de casado e com filhos.

▫ «Calimero» (M) uma criança muito querida e mimada, filho de pais que começaram a desentender-se logo depois de casados, esteve nas mãos de terapeutas e psicólogos para lhe darem apoio no 1º ciclo, com psicoterapia posterior até aos 21 anos. Foi ganhando cada vez mais medos e inibições até que começou a treinar por si a fazer um relaxamento minimamente aceitável e adequado.Joana-B

Joana (D) é o exemplo de como até crianças que foram tratadas com as técnicas de modificação do comportamento as podem utilizar quando bem apoiadas, ajudando os pais a «re-unirem-se» depois de se terem «des-unido» algum tempo antes, por causa dela.

►Os vários factos mencionados em relação a cada um dos protagonistas destes livros funcionaram como traumatismos. Percebidos numa determinada perspectiva, provocaram danos psicológicos que foram recalcados. Em determinados momentos da vida, esses traumatismos funcionam como um sinal condicional ou um estímulo que provoca sentimentos, sensações ou comportamentos disparatados que não nos interessam e que nos deixam descompensados. Nestes casos, só a psicoterapia, com ou sem apoio, é o único meio de ultrapassar a situação. É o que o medicamento não faz.

► Para obter o muito do que conseguiram, sem ou com pouca ajuda do psicoterapeuta, todos os protagonistas destes livros fizeram muitas leituras que são essenciais para compreender o modo como os comportamentos humanos funcionam e para descobrir a maneira como os outros procederam no caso particular de cada um. Essas leituras são essenciais para se saber de que maneira, cada um deve ou pode proceder no seu caso específico. Além da literatura indicada, o blogs já mencionados <psicologiaparaque.wordpress.com> e <livroseterapia.wordpress.com>, também dão uma ajuda substancial.

► Apesar de fazer tudo o que foi dito e descrito nos livros indicados, nas bibliografias e nos blogs acima mencionados, se a pessoa continuar a sentir-se desorientada, o melhor é consultar um psicólogo de confiança logo que for possível para obter ajuda, não deixando que os sintomas se agravem. É um procedimento a não descurar na maior parte dos casos, para iniciar uma recuperação ou profilaxia imediata sem menosprezar o apoio e a colaboração que cada um pode e deve dar com os exercícios indicados e com a leitura de literatura adequada. O resultado pode ser um aumento substancial da melhoria, com muito maior rapidez e resultados mais duradouros.

►Para conseguir isso, não deixe de fazer pelo menos o relaxamento todos os dias:

● Lembre-se do que conseguiu com todo o esforço que fez.

● Imagine uma vida futura melhor do que a actual.

● Do mesmo modo como fez uma lista das dificuldades, pode fazer agora uma lista dos anseios de melhoria e progresso.

● Auto-avalie aquilo que conseguiu até ao momento, mantendo essas auto-avaliações com uma periodicidade adequada.

● Quando se for deitar para fazer o relaxamento, lembre-se daquilo que deseja atingir e tente descobrir os meios para o fazer. O Antunes, o Júlio e a Cidália fizeram isso, de certeza.

● Quando encontrar uma solução, contraponha dificuldades absolutamente «normais» e vulgares na nossa sociedade. Procure obter soluções «dando a volta por cima». É a maneira saudável de ultrapassar frustrações.

● Ao fim de algumas semanas ou algumas auto-avaliações, faça um mapa de cada um desses anseios para verificar o progresso que fez. Consultando esses mapas verifique se está no bom caminho ou se necessita de inflectir o seu comportamento noutra direcção.

◘ Continue sempre com o relaxamento e com o diário, nem que seja de forma esporádica. Vai ser a sua grande ajuda no futuro.

◘ Todo este trabalho porfiado tem de ser de cada um.

►Quantas consultas, períodos de psicoterapia ou horas de aconselhamento iria gastar para adquirir a prática com as noções existentes apenas nesta lista de procedimentos?

Se ler os livros indicados e tentar praticar sozinho o relaxamento não irá economizar muito mais?

Pode fazê-lo no momento mais desejável e sem o desconforto de horas de viagens e de esperas.

Boa sorte!

Como complemento, vamos fazer uma lista dos comentários ou recomendações colhidas dos pacientes que se submeteram a este tipo de terapia com ou sem ajuda do psicoterapeuta.

◘ Diário vulgar ou anotações

Além da «auto-análise» e dos apontamentos tomados depois do relaxamento ou até independentemente deste, é benéfico que cada um escreva, numa espécie de diário, tudo aquilo que recordar ou lhe acontecer fora do vulgar, quer quando acordado, quer em sonhos, por mais disparatado que pareça. Além de ajudar a recordar os factos do dia-a-dia, pode fazer reviver, através de pequeníssimos acontecimentos facilmente esquecidos, mas que ficam registadas ao correr da pena, as imagens do passado que foram recalcadas e relegadas para segundo ou terceiro plano, donde nos passam a incomodar sem darmos por isso.

◘ Os registos podem ajudar a recordar ou a «projectar» qualquer «material» que seja importante tanto para a psicoterapia como para os exercícios de recordação de factos agradáveis ou de imaginação orientada, feitos em casa, com ou sem ajuda do psicoterapeuta. É bom deixar que a mente vá divagando e recordando livremente factos passados. É uma ajuda a não menosprezar quando queremos «regular», «equilibrar» ou «melhorar» a nossa vida. A mente é de cada um e só o próprio pode ajudar a sua recuperação ou profilaxia.

◘Como todos temos «altos e baixos» na vida, é importante valorizar os «altos» para compensar os «baixos». Para isso, é necessário descansar, ter calma suficiente e concentrar a atenção naquilo que se passa connosco. É importante pensar em tudo racionalmente e não emocionalmente. Vulgarmente, isto não é possível sem estarmos relaxados. Para tanto, é importante atingir o relaxamento que, muitas vezes, tem de ser alcançado através do exercício muscular se não se conseguir fazer o relaxamento mental.

◘ Depois do relaxamento, convém relembrar conscientemente todos os momentos bons que vivemos. Em seguida, estamos prontos para recordar os insucessos actuais, verificar as suas causas e o modo como os poderíamos ter altrapassado ou evitado.

◘ Comparando as nossas novas estratégias com aquelas que foram utilizadas no passado, podemos tirar proveito com a recordação dos sucessos obtidos, o que deve provocar em todos um auto-reforço cada vez maior.

◘ Conseguir melhoras, é uma questão de utilizar a imaginação orientada que pode ser induzida logo que se entre em relaxamento mental. Antes de qualquer outra iniciativa, basta consciencializar e imaginar o assunto que nos interessa, iniciar o relaxamento e deixar que as coisas aconteçam.

◘ Podem-se imaginar e projectar muitas coisas para o futuro. É bom sermos capazes de imaginar e de «vivenciar» tudo isto numa espécie de ecrã à nossa frente. O importante é que toda esta imaginação seja mais ou menos realizável e não irrealista. Temos de ter os pés bem assentes na terra. É por isso, que a razão e o realismo têm de funcionar efectivamente, em conjunto.

◘ Todos os procedimentos não demoram inicialmente mais do que:

▫ 60 minutos, à hora de dormir e que, com a prática, podem passar a ser 5;

▫ 1 ou 2 minutos semanais para fazer a auto-avaliação;

▫ tempo de ler os livros a qualquer hora do dia ou local (sala, transportes públicos, casa de banho?);

▫ 5 minutos mensais para fazer as médias das auto-avaliações;

▫ 1 ou 2 minutos diários para escrever;

▫ 5 a 10 minutos diários (opcionais) para a auto-análise.

◘ Se não despendermos pelo menos este tempo connosco, gratuitamente, para resolver dificuldades e/ou melhorar a nossa sanidade mental, será preferível passar o tempo em consultas dispendiosas para procurar medicamentos que «atamancam» temporária e pontualmente a situação?

◘ Os traumatismos são como as pedrinhas pontiagudas que se metem no sapato e nos provocam uma dor excruciante quando menos esperamos e desejamos. Se não nos pudermos ver livres das pedrinhas naquele momento, porque não arranjar um meio de evitar que entrem no sapato ou que, pelo menos, saiam com facilidade?

◘ Será preferível vivermos infelizes «por dentro» enquanto ostentamos penosamente perante outros uma «felicidade» aparente que não usufruímos (ver post PREVENÇÃO E PROFILAXIA, de 4 Dez 2010, do blog <psicologiaparaque.wordpress.com>?

◘ Além do mais, é bom voltar a recordar que nem sempre é exequível tudo aquilo que desejamos. Depende muito do ambiente em que estivermos inseridos e das contingências do momento, que devemos saber aproveitar com oportunidade e realismo, sem nos deixarmos «ir abaixo» com o insucesso.

◘. Compete a cada um decidir aquilo que mais lhe convém mas, muitas vezes, a nossa tendência é enveredar pelo facilitismo que nos empurra para a solução mais à mão – a de tomar o medicamento para não pensar no assunto que nos procupa no momento.

O resultado pode ser a nossa inutilização para uma vida mentalmente saudável, com a possibilidade de culpar os outros, as circunstâncias ou o destino de todo o mal que nos avassala.

◘ A propósito da ideia que pode existir de que a psicoterapia deve ser conduzida numa só linha teórica, é necessário afirmar que Joel foi ajudado através de desensibilização, flooding, aconselhamento, reestruturação cognitiva, inferência analítica, psicodrama, facilitação social, decepção, terapia centrada no cliente, auto-hipnose, autoterapia e, possivelmente, outras técnicas que um psicoterapeuta utiliza quase «instintiva» e «automaticamente» à medida que a psicoterapia avança. Todas estas técnicas, utilizadas mais como instrumentos do que como teorias, cabem sobejamente na terapia do equilíbrio afectivo e, mais ainda, na imaginação orientada.

◘ Não será melhor cada um tratar de si enquanto é tempo, para ter uma vida de melhor qualidade, durante mais tempo e em melhores condições a fim de gozar o mundo e a família que muito espera de nós? Ou vamos deixar-nos alienar?

A decisão é de cada um.

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de cada livro editado em post individual.

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VÍCIO

 Há dias, uma pessoa amiga perguntou-me se tinha visto no noticiário da manhã do canal 1, um programa, tipo consultório, em que o médico falara sobre o vício do tabaco, relacionando-o com a ansiedade que era reduzida com o fumo.

Saude-BDe facto, não vi, mas as perguntas que essa pessoa me colocou, levaram-me a dizer que, logo que possível, daria alguma explicação num novo post com este título.

Também, a minha ida à médica de família, deu-me a oportunidade de saber que os medicamentos para a ansiedade não podem ser receitados para tempo prolongado, mas os da depressão, sim, mas, o assunto relacionava-se com as novas legislações sanitárias.

Psicopata-BFazendo uma ilação rápida, pareceu-me que os «dirigentes da saúde», isto é, aqueles que «mandam» nas nossas doenças a partir dos pelouros do governo, têm alguma razão:

Não estamos ansiosos por aquilo que nos vai acontecer mas andamos deprimidos com o que nos está a acontecer.

 A propósito da ansiedade, que é um estado que nos deixa inquietos e talvez com medo do que possa acontecer, os medicamentos vão baixar a nossa sensibilidade para sentir essa ansiedade ou medo: é um reforço negativo, geralmente aleatório, que nos deixa sem forças para ter ansiedade. É um «deixa andar, não te rales» que pode não nos ajudar a enfrentar a realidade e a reagir adequada e oportunamente quando necessário.

Depressão-BA propósito da depressão, o medicamento vai-nos arrebitar. Sentimo-nos com mais ânimo para a nossa vida. Contudo, como o estado de depressão não é, geralmente, contínuo e linear, existem momentos de euforia que nos deixam mais animados. Porém, nesses momentos, o medicamento não é posto de lado, retirado ou eliminado. Com o efeito desses medicamentos, o resultado pode ser a euforia a mais e talvez actos inesperados, impensados, recalcados e inoportunos, donde, a possível propensão para o ataque ao próprio ou ao outro. Falando ironicamente, num estado semelhante, a pessoa deprimida e medicada, poderia perpetrar actos contra alguém ou contra si próprio.

Interacção-BComo o legislador está bem protegido com os seus guarda-costas, restam os outros, uns que podem não produzir para as finanças públicas e os outros, que é o próprio, que pode ser algum pensionista a aliviar as contas do Estado. É tudo economia…

Depois deste comentário macabro, que substituiu ( meu deslocamento) a vontade que tenho de desancar no governo, resta-nos analisar o vício em si.

Psicologia-BQuando, em vez da felicidade que todos desejamos, sentimo-nos infelizes com o que inevitavelmente nos vai acontecendo, procuramos fugir desse pesadelo. Todo o comportamento que nos dê essa satisfação, aliviando o nosso desconforto, provoca reforço negativo. Como o reforço é o que mais desejamos, vamos sempre atrás dele. Contudo, a quantidade de desprendimento que conseguimos com uma determinada dose inicial de comprimidos, vai diminuindo, exigindo o aumento dessa dose. Além disso, é um pronto-socorro sempre à mão. Vamos aprendendo a reduzir a ansiedade com os comprimidos.

Além disso, quando a situação desagradável é precedida de algum sinal que nos faça prever que essa situação vai ou pode acontecer, a nossa ansiedade aumenta em 20% de cada vez que o mesmo aparece. Inicia-se, assim, uma ansiedade cada vez maior à medida que se vai ocasionando a aprendizagem de que a situação desconfortável deve estar a aparecer depois desse sinal. Essa ansiedade, desencadeada pelo tal sinal condicional, vai fazendo com que a dose tenha de ser cada vez maior, provocando o vício de tomar a medicação, quase como prevenção da situação desagradável.

■ Se a medicação reduz o estado de ansiedade – reforço negativo;Acredita-B
■ se a ansiedade é aumentada com a aprendizagem através do sinal condicional anterior – 20% de aumento;
■ se o medicamento perde a sua força inicial à medida que existe habituação;
■ se a dosagem tem de ser aumentada porque a ansiedade aumentou;
■ e se a própria medicação pode ter efeitos colaterais de alienação fisiológica;
como podemos deixar de ficar viciados com o reforço secundário negativo aleatório que vamos recebendo com uma dose cada vez maior do medicamento?

A alienação e o vício passam a funcionar cada vez mais.Consegui-B

É por isso, que o relaxamento mental é importante, talvez ligado ao físico, mas sem a colaboração, por mais pequena que seja, do medicamento, seja em que circunstâncias fôr.

A Cidália que o diga, e o Antunes que confirme esta ideia por experiência própria e contra as indicações do médico. Também eu posso dar o meu testemunho a favor do relaxamento mental e da imaginação orientada que sempre utilizo.

Existem, neste blog, vários posts relacionados com Modificação doImagina-Bcomportamento, Prevenção, Profilaxia, Efeitos colaterais, Tabaco, Droga, Delinquência, Frustração, Relaxamento, Extinção, Reforços Positivo, Negativo, Aleatório, do Comportamento incompatível, e outros que, porventura possam interessar.

O que fazemos por nós próprios e com antecipação, talvez seja mais importante.
 

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REEDUCAÇÃO DE DEFICIENTES 4

Agradeço a resposta que deu com REEDUCAÇÃO DE DEFICIENTES 3, mas necessito de mais esclarecimentos, se me puder dar.
O meu filho de 10 anos, está sempre inquieto nas aulas, dá-se pouco com os outros, tem pouco rendimento e a directora de turma aconselhou-me a fazer exames psicológicos.
Foi a uma consulta de psicologia donde o encaminharam para um centroneuropsicologia-Bespecializado. Fez exames em vários dias. No final, o relatório disse que ele devia ser levado para uma consulta de especialidade para saber se tinha o sindroma de Asperger.
O neurologista disse que não era esse sindroma nem o da hiperactividade mas que podia ser qualquer coisa relacionada com dislexia.
A psicóloga inicial disse que o assunto não era da sua competência e que devia ser tratado numa clínica para disléxicos.
O rapaz foi também sujeito ao luto do pai vivo. Ao meu actual marido ele chama pai na presença das pessoas, mas não em casa.
Não sei o que fazer porque o assunto arrasta-se desde o início do ano lectivo e estou muito longe de si.” 

Minha senhora.
Perante este comentário seu, que transcrevi acima, também não sei o que responder porque não conheço minimamente o caso, nem fiz qualquer observação.

Se foi a uma clínica especializada e não lhe darem um relatório com os exames feitos e os resultados, acho mal mas, parece que é a moda. Se fosse comigo, gostaria de ter relatórios com resultados qualitativos e quantitativos e não exclusivamente muitas palavras que são, geralmente, impressões de quem observa.

Não compreendi o que é e porquê o luto do pai se ele ainda está vivo. São procedimentos que desconheço. Contudo, julgo que existe uma componente de interacção familiar muito forte a influenciar tudo isto. Já tive casos desses e o remédio foi «mexer» em toda a família para a criança se «curar». Será o caso? Julgo que a senhora vai necessitar duma consulta a sério, com alguém competente para evitar demoras, deterioração da situação e futuros arrependimentos.

Além de diversos casos parecidos descritos em PSICOLOGIA PARA TODOS (F), lembrei-me da conversa que tive com o meu amigo Antunes que, por causa dePsicologia-B depressão dele, a mulher esteve desorientada e a filha obtinha maus resultados na escola. Também ela tinha 9 anos nessa época. A conversa tida com o Antunes, há mais de 10 anos, vai ficar transcrita das páginas 69 a 76 da IMAGINAÇÃO ORIENTADA (J):
 

– Então, como escolher o terapeuta ou reeducador?
– Algumas sugestões podem ajudar a efectuar a escolha mais adequada. Em qualquer terapia ou reeducação englobam-se factores relacionados com a motivação, a ética, a personalidade e os valores do indivíduo em questão. SãoImagina-B aspectos até certo ponto íntimos do indivíduo com quem lidamos e que têm de ser respeitados. Além desse respeito pelo sujeito humano, o terapeuta ou reeducador necessita de competência técnica para poder levar a bom termo a sua função. Será, portanto, de extraordinária vantagem para o paciente, ter confiança nas capacidades do especialista ou técnico que escolher. Não é, geralmente, na primeira entrevista que essa confiança se pode criar quando a mesma não existe. Também, as atitudes quer de dúvida, quer de expectativa de solução quase milagrosa das dificuldades, são prejudiciais. O mais importante é abordar o especialista com confiança e desejo de colaborar, para que a indecisão inicial seja solucionada em comum. Contudo, uma atitude crítica pode ajudar a eliminar dúvidas e a colocar no momento oportuno perguntas pertinentes para o aprofundamento do processo terapêutico ou reeducativo. A confiança no terapeuta ou reeducador pode conseguir-se através do conhecimento do seu trabalho, do seu currículo, da sua idoneidade moral e, essencialmente, através da opinião das pessoas que tiverem recorrido aos seus serviços.
 
Pareceu-me que o Antunes ficou satisfeito com os esclarecimentos que acabara de lhe dar, especialmente quando disse que uma informação aprofundada da opinião dos amigos e pacientes, pode dar uma ideia mais clara da isenção e competência com que os assuntos são conduzidos pelo terapeuta ou reeducador.
Mas, quando lhe disse que uma observação cuidada e uma avaliação posterior e permanente dos pais ou educadores são essenciais, permaneceu «meditabundo» enquanto a minha família não regressou da praia. Devia estar a pensar no assunto acerca do qual tínhamos acabado de falar.
Por isso, depois do almoço, mostrou-se curioso quando nos sentámos todos na sala de estar, a saborear um digestivo. Quis saber acerca da possibilidade de acções psicológicas que se conseguem efectuar para evitar ou minimizar os riscos do alcoolismo, da droga, etc. e as suas perguntas não se fizeram esperar.
 

– Por que existe tanto ênfase na terapia familiar, quando somente uma criança ou um jovem se encontra «doente»?
– Em determinados casos, a criança pode ser um «sintoma duma doençaAcredita-B familiar» da mesma maneira como a febre pode ser a indicação de uma infecção muito grave no aparelho digestivo, embora também se possa apresentar como indicativo duma simples constipação que desaparece em 24 horas com dois comprimidos de aspirina. No caso de infecção, a aspirina pode não ser a solução adequada e ajudar a aumentar a doença com o atraso que provoca no reconhecimento da situação real, baixando pontualmente a febre. Se o insucesso escolar for causado por desavenças ou mal-estar na constelação familiar, o importante é alterar essa interacção de modo a que a sua mudança provoque uma melhoria no sucesso escolar. Se em substituição desta interacção nos preocuparmos somente em reeducar as capacidades deficitárias da criança, esse treino pode melhorar temporária e artificialmente o sucesso escolar, mas não vai reduzir o mal-estar sentido em consequência da má interacção familiar (F/231-237). Deste modo, a criança, em vez de reduzir a sua tensão através de respostas inadequadas conducentes ao insucesso escolar, pode procurar dar respostas alternativas que reduzam a sua frustração por não conseguir uma boa interacção familiar. Podemos ter assim respostasDifíceis-B «deslocadas» relacionadas com o consumo da droga, delinquência, neuroses, etc. (M), enquanto o sucesso escolar se mantém ou diminui ilusoriamente. É importante que os pais compreendam a situação e não vejam o insucesso escolar como uma consequência exclusiva de défices cognitivos ou psicomotores. Esta compreensão surge às vezes muito tardiamente quando os filhos estão irremediavelmente metidos na droga sem qualquer revés escolar anterior (F). Além da compreensão, é necessário que os pais aceitem ajuda para modificar o seu próprio comportamento em benefício duma situação que, depois de melhorada, pode trazer inúmeros benefícios (B).
 

– Então, achas que se deve facilitar a vida das crianças, dando-lhes todo o conforto?
– Não é bem isso. Contudo, não é especificamente a pobreza, o conforto ou a austeridade na educação ou até a complacência dos pais que provocam só porConsegui-B si o desequilíbrio. Todo o ser humano gosta de afecto e de segurança. Uma criança que seja educada através de normas consistentes, com carinho, que sinta segurança e que consiga ter, pelo menos nos pais e na restante família, apoio suficiente para crescer, desenvolver-se saudavelmente e sentir-se envolvida no ambiente familiar, dificilmente ficará desequilibrada, mesmo que os pais sejam relativamente austeros, pobres e de condição social pouco invejável. Se assim não fosse, nunca teríamos ricos com doenças mentais nem filhos de pobres, equilibrados e instruídos. Contudo, é imprescindível que a criança aprenda a ultrapassar dificuldades para estruturar a sua personalidade de maneira adequada.
“Vou dar um exemplo muito simples para comprovar o que digo. Uma mãe vai à consulta para saber se o seu filho deverá seguir uma determinada carreira a partir do 10° ano, quando o rapaz deseja dedicar-se exclusivamente à ginástica na companhia de outros amigos que se viciam na droga. Ao ouvir dizer que seria necessário estudar o caso avaliando a personalidade do filho, as suas motivações e interesses, a sua interacção com os pais e outros familiares, e as razões que o possam incentivar a ter o comportamento de desinteresse pelas aulas, a mãe mostra-se bastante frustrada e desconsolada em relação à psicologia. Neste caso, é necessário explicar-lhe que a interacção do filho com outras personalidades, só pode ser avaliada no contexto global, isto é, observando o contacto íntimo que o filho tem com o seu meio ambiente imediato.
“Tudo isto demora muito tempo, especialmente quando se torna necessário desmistificar os mecanismos de defesa que as pessoas criam e que utilizam, normalmente, com base nos preconceitos sociais e ideias preconcebidas, como acontece também no caso dos traumatismos. Muitas vezes, essas falsasSaude Mental-B ideias e preconceitos são os principais responsáveis pela criação de situações anómalas, obrigando ao prolongamento e à multiplicação de sessões de aconselhamento que têm a finalidade de relacionar e aclarar os falsos conceitos acerca do comportamento humano. Situações destas podem redundar, muitas vezes, numa terapia menos económica do que a desejada, como acontecia com esta mãe, que se ia separar do marido. Porquê? Às vezes, até podem aumentar ou nunca ser resolvidas, como tenciono mencionar claramente num novo livro que escreverei logo que puder (M).”
 

– Existe recuperação para os toxicodependentes?
– Supõe-se que sim, desde que se detectem as causas e se modifique o ambiente em que se iniciou o «vício». Porém, é extraordinariamente difícil alterar o meio ambiente, sendo ainda mais difícil fazer a análise retrospectiva para detectar o momento e as causas da apetência para a droga, a qual se pode imbricar tanto na composição genética como na formação da personalidade, ou ainda nas condicionantes do ambiente familiar e social. Não se pode passarInteracção-B uma esponja e fazer desaparecer os traços deixados por uma vivência de vários anos em que se foram formando conceitos, preconceitos, hábitos, etc. e se aprendeu a reagir de uma maneira peculiar aos estímulos que o meio ambiente proporciona (F/122). É muito mais difícil aprender uma língua estrangeira em adulto do que em criança e muitas pessoas até não conseguem perder o sotaque peculiar da sua língua natal. Se uma coisa tão simples está arreigada deste modo nos nossos hábitos, como poderemos perder, com facilidade, hábitos muito mais marcantes? É por isso que se insiste tanto na importância da «educação» a ser dada nos primeiros anos da vida do indivíduo.
 

– O que são sessões de aconselhamento e para que servem?
– O aconselhamento, que depende essencialmente do tempo e dos meios dispendidos para o efeito, serve-se de suportes verbais, audiovisuais, psicodramáticos ou quaisquer outros para consciencializar o interessado, ajudando-o a analisar e a compreender a situação e a desencadear acções que contrariem as dificuldades sentidas ou que ajudem a melhorar o comportamento que não é considerado totalmente satisfatório. O aconselhamento efectua-se com a plena consciência do interessado e sem relaxamento, como pode acontecer também numa psicoterapia. Estas sessões servem geralmente para responder a dúvidas que as pessoas possuem em relação à carreira escolar ou profissional, educação dos filhos, gestão de empresas, relacionamento social, etc. Infelizmente, algumas pessoas imaginam que podem expor um caso minuciosamente sob o ponto de vista do próprio e obter uma resposta imediata em relação à correcção ou incorrecção do seu comportamento. Quando a pergunta se refere ao comportamento do próprio, com dúvidas em relação à escolha da carreira ou outro facto objectivo não relacionado com a interacção humana, a resposta pode não ser difícil nem demorada embora, tenha de ser dada, muitas vezes, em mais do que uma sessão, para o bom acompanhamento da situação. Contudo, se o aconselhamento se referir ao comportamento que é necessário ter com outras pessoas (pais, filhos, empregados, amigos, etc.), a necessidade de conhecer mais profundamente as diversas personalidades envolvidas nesse contexto, bem como muitas outras que podem influenciar a situação em si, faz com que a resposta seja demorada, podendo até exigir, como já disse, a realização de várias sessões com todos os intervenientes na situação, que deve ser estudada minuciosamente.
 

– Existe qualquer outra alternativa?
– A resposta já foi dada anteriormente, mas vou sintetizá-la melhor. Para uma pessoa que ignora quase tudo acerca do comportamento, da psicologia, da psicoterapia ou da psicopedagogia, é conveniente frequentar sessões que se destinam aos pais, educadores, professores, terapeutas e efectuar muitas leituras destinadas a apreender os conhecimentos necessários acerca do modo como o comportamento se forma, se mantém ou se elimina. Os cursos são mais económicos do que as consultas e os livros, muito mais. A etapa seguinte é procurar fazer ou treinar aquilo que interessa. Em caso de dificuldade, dúvida ou impossibilidade de aplicar alguns dos conselhos ou de utilizar o material ou equipamento disponível, podem realizar-se sessões de grupo nas quais, mais economicamente do que numa consulta isolada, se podem fazer treinos ou adquirir novos conhecimentos (B/117-129). Em último lugar, existe a consulta isolada, que é, geralmente, paga em função do tempo dispendido. Contudo, para poupar muitas consultas, nada melhor do que ler muitos livros sérios para esclarecer certas dúvidas, eliminar preconceitos ou ideias preconcebidas e conhecer uma linguagem que é muito usada no aconselhamento psicológico.
 

– Existem quaisquer outros meios de divulgação da informação?
– As sessões de sensibilização destinam-se à divulgação de informações diversas que podem ajudar a formar conceitos correctos, desmistificar determinados preconceitos e clarificar situações que, de outro modo, conduzem a ideias absurdas acerca da vida, da sua especificidade e das naturais dificuldades que todo o ser humano tem de enfrentar ao longo da sua existência.
“Quando se efectuam em grupo, com meios áudio-visuais, são um meio complementar económico para tentar equilibrar a personalidade e as relações interpessoais ou ajudar os próprios ou seus familiares e facilitar a reabilitação (B/117-124).
“Através destas sessões, cada um pode aprender a avaliar os seus problemas, a evitá-los em tempo oportuno ou a aprender a dar apoio psicoterapêutico ou psicopedagógico aos seus familiares, o que, às vezes, é necessário, mas difícil de se obter fora do ambiente familiar.
“Os pais podem assistir a sessões de sensibilização em que lhes são dadas noções que vão funcionar como incentivo para uma melhor actuação futura e uma maior capacidade de compreensão e apoio dos educandos.
“Estas sessões são uma maneira muito eficaz, expedita, económica e prática de cada um aprender a comportar-se de um modo adequado. Não servem, geralmente, para ajudar os outros. Porém, numa discussão, uma pessoa mais esclarecida pode ajudar outras, que ainda não são conhecedoras das informações correctas.
“Além de tudo isto, também as publicações são outro meio de divulgar noções de psicologia e facilitar às pessoas interessadas o acesso a conhecimentos especializados, o que, de outra forma, seria difícil. O resumo ou a descrição sintética do modo como algumas pessoas melhoraram ou resolveram as suas dificuldades, ajuda outras a compreender o modo como poderão vir a actuar. Cada um pode tentar fazer uma autoterapia através de técnicas que já foram utilizadas e estão descritas de uma forma simples (B) (C) (E) (L) (M).
“Também, através da leitura desses livros, as pessoas podem conseguir compreender os mecanismos do comportamento, efectuar uma acção profiláctica ou tentar ajudar os filhos ou pessoas conhecidas a resolver as suas dificuldades, quer comportamentais quer escolares, especialmente quando, por razões de localização, falta de tempo, escassez de recursos financeiros ou indisponibilidade de técnicos, não conseguem obter o apoio directo de um técnico especializado (E) (F) (G) (K) (H) (I) (L) (M).”
 

– Então, há possibilidade de fazer uma autoterapia sem a orientação ou apoio permanente do psicólogo ou psicoterapeuta?
– Acho que sim e até julgo ser uma ideia louvável. Existem publicações que ajudam a realizar autoterapias e brevemente irei publicar uma sobre este tema. Contudo, o mais importante é o trabalho, o empenho e a perseverança de cada um. Na futura edição do livro DEPRESSÃO? NÃO, OBRIGADO! (H) teremos o exemplo de uma «nova paciente» que leu especialmente as histórias da Isilda e da Cristina (L) e conseguiu resolver o seu problema muito a contento.
 

– Há, de facto, vantagem em realizar uma autoterapia?
– Na minha opinião, até acho que é uma maneira de gastar menos tempo e dinheiro e obter maiores benefícios. Além disso, é também um método de socorro permanente à disposição do próprio, sem quaisquer condicionalismos ou despesas. Também, a leitura de assuntos relacionados com o comportamento humano e o seu estudo deixam-nos mais preparados para a nossa interacção do dia-a-dia, quer no emprego, quer no seio familiar ou até entre amigos. Tudo isto está amplamente explanado e discutido nos livros que descrevem as terapias com Isilda, Cristina, Germana e Januário (H) (L).
 

Neste caso, qual a razão por que as pessoas não aderem a este modo de resolver os seus problemas?
– Para mim, a razão é muito simples. As pessoas têm de ler e apreender algumas coisas sobre o comportamento e a sua modificação e executar os exercícios mínimos que são necessários para conseguir modificar o comportamento. Do mesmo modo como muitas pessoas se desculpam com os preços das consultas particulares, muitos dizem que os livros são caros. Contudo, essas mesmas pessoas não se importam de pagar bilhetes caríssimos para assistir aos jogos de futebol e aos «concertos» que abundam cada vez mais neste país. Além disso, também muitos dizem que não têm tempo para ler os livros quando esse tempo lhes sobra para passar as tardes nos cafés e as noites nas discotecas. Se quisermos acrescentar a tudo isto a ideia que temos, de que os cuidados com a saúde devem competir exclusivamente ao Estado e aos técnicos respectivos, estamos a esquecer que o corpo e a mente são nossos e que o maior benefício da boa saúde é para cada um. Para completar o «ramalhete», não podemos esquecer os muitos comodistas que consultam um especialista para lhe dizer quase literalmente, de forma tácita: “tome conta de mim que eu fico a ver o que vai fazendo” e talvez até lhes apetecesse acrescentar: “e vou tomando nota de tudo para criticar aquilo que achar mal.”
“Porém, esquecem-se que os problemas psicológicos se situam na mente de cada um e que, por melhor que seja o terapeuta, sem esse «cada um» «trabalhar» eficazmente, não há terapia que chegue a bom termo! (M).”
 
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REEDUCAÇÃO DE DEFICIENTES 3

Comentário feito hoje no post REEDUCAÇÃO DE DEFICIENTES 2

“Visitei este blogue e gostei de algumas coisas que disse sobre reeducação.“Estou ligeiramente desorientada e gostaria de saber para que serve a psicopedagogia ou a reeducação e quando é que se devem utilizar esses serviços porque tenho um problema em relação ao meu filho de 10 anos.”

Imagina-BPara responder a esta pergunta ou comentário, posso transcrever as páginas 64 a 68 do novo livro IMAGINAÇÃO ORIENTADA (J), em que tive uma conversa sobre a psicopedagogia com o meu amigo Antunes.

– Explica-me lá como é que a psicologia pode ser utilizada na educação e no ensino.
– Com toda a certeza. Quando ouvimos falar em psicopedagogia, estamos a referir-nos à aplicação dos conhecimentos e das técnicas de psicologia na docência, educação e reeducação. É uma área da psicologia muito interessante e ainda pouco utilizada em Portugal.

– Quando é que se torna necessário recorrer à psicopedagogia?
– Os conhecimentos da psicopedagogia são muito úteis e necessários naneuropsicologia-B docência, especialmente quando existem dificuldades de aprendizagem. Torna-se imprescindível quando o nível intelectual global do indivíduo se situa dentro dos valores normais ou aceitáveis e se nota uma dificuldade acentuada numa determinada área das diversas capacidades. Temos também casos em que factores emocionais prejudicam o nível intelectual, fazendo crer que as capacidades do indivíduo estão diminuídas. Com uma acção correctiva e incentivadora em psicopedagogia ou reeducação, é possível ajudar o indivíduo em questão a ganhar a autoconfiança suficiente e o equilíbrio emocional indispensável para um bom rendimento intelectual.
“Os indivíduos que têm necessidade de reeducação pedagógica, bem como do equilíbrio e estabilidade emocional, situam-se numa área de anormalidade limítrofe da normalidade. Deixam, por vezes, muitas dúvidas naqueles que os observam, quando não se conseguem aperceber da subtileza dos seus problemas.”

– De que maneira funciona a psicopedagogia?
– A reeducação ou o apoio psicopedagógico é sempre necessário quando asPsicologia-B crianças têm um nível intelectual pouco desenvolvido. Também pode trazer muitas vantagens para as crianças que possuem um nível intelectual global dentro da «normalidade», mas que apresentam falhas parciais no desenvolvimento da lateralidade, esquema corporal, psicomotricidade, atenção, memória, orientação espacial, estereognosia, gnosia digital, soletração, escrita, fluência verbal, etc. Estas falhas, quando não são reeducadas ou minimizadas, fazem baixar o nível intelectual global e não poucas vezes fazem aparentar um nível intelectual inferior à «normalidade» (G).
“Mesmo que a criança em idade escolar ou nos ciclos básicos não tenha dificuldades emocionais e possua o nível intelectual, a psicomotricidade, as funções proprioceptivas e somestésicas dentro duma «normalidade» global, os ligeiros défices localizados que prejudicam o bom rendimento escolar, podem ser reduzidos através duma reeducação adequada, mesmo que não tenham sido detectados e/ou eliminados numa fase pré-escolar bem orientada.
“O período pré-escolar é o momento mais oportuno para se fazerem funcionar, nas melhores condições, as estruturas mentais apropriadas ou incentivar o funcionamento de estruturas alternativas para substituir as primeiras quando estas se encontram danificadas ou inutilizadas (I).
“Quer os educadores, quer o pai ou a mãe, no decurso de brincadeiras «orientadas» e «estruturadas» com a criança, podem executar essa tarefa reeducativa, de maneira muito simples, eficaz e proveitosa (F/220-222). OJoana-B sucesso escolar e a estrutura equilibrada da personalidade dependem em grande parte do desenvolvimento harmonioso de todas as funções psíquicas e, para tanto, é indispensável que os défices sejam detectados em tempo oportuno e corrigidos da melhor maneira possível (I).
“Enquanto a avaliação e a discriminação de défices se pode efectuar com exames psicológicos ou avaliações psicopedagógicas, a reeducação pode ser feita por especialistas e complementada ou suplementada pelos pais ou familiares que, para isso, se podem socorrer de publicações (I) e sessões de sensibilização adequadas.
“Quanto ao reeducador, a personalidade deste é muito importante para a qualidade e quantidade dos resultados obtidos. A motivação que o reeducador consegue infundir na criança, a modelagem que provoca e a moldagem a que a sujeita, são factores a ter em consideração.”

– Com o apoio psicopedagógico ou sessões de reeducação em acções suplementares às aulas, as crianças não ficam desorientadas ou envergonhadas?
– Não se imagina por que razão e de que modo o apoio psicopedagógico podeSaude Mental-B desorientar ou envergonhar uma criança. Toda a reeducação é efectuada no sentido de ajudar a pessoa a atingir o máximo das suas capacidades ainda não demonstradas nos resultados obtidos. Mostra-se ao indivíduo o modo como pode e deve superar as suas dificuldades, ajuda-se a executar o comportamento desejável e reforça-se positivamente a acção efectuada de maneira a provocar novo incentivo para acções futuras, cada vez mais precisas a eficazes. Em face desta orientação, a criança não só se satisfaz consigo própria, como ainda se sente motivada para prosseguir com outras formas de superar as dificuldades que porventura possam surgir. Supõe-se que os pais são, em alguns casos, os maiores óbices para um bom rendimento da reeducação, não só porque esperam, por vezes, «milagres», mas também porque menosprezam os poucos progressos realizados pela criança, desmoralizando-a e desmotivando-a com frequência. Muitas vezes, mesmo na presença das crianças, são os terapeutas que ouvem as «queixas» dos pais acerca das incapacidades dos filhos, o que é, de facto, possivelmente traumatizante e desencorajante para elas. É um comportamento que os pais devem evitar, tanto quanto possível, para o bem das crianças.

– É fácil prever o tempo ou a duração das reeducações e do apoio psicopedagógico?
– No apoio psicopedagógico, é difícil fazer uma previsão exclusivamente baseada em exames, os quais indicam determinados défices. A aprendizagemAcredita-B e o desenvolvimento das capacidades e aptidões são pouco previsíveis, a não ser através da observação directa e da interacção com o indivíduo. Após algum tempo de interacção e de aprendizagem, conseguimos fazer uma estimativa aceitável do tempo de duração da reeducação. Em grande parte, as reeducações são lentas e com pouco rendimento quando não se iniciam com a detecção precoce das dificuldades da criança. Convém também esclarecer que, tal como nas intervenções em neurocirurgia, antes e depois da intervenção cirúrgica, os exames de funções específicas são úteis na avaliação dos défices e na programação da reabilitação ou recuperação, sendo extremamante importantes para a avaliação do progresso realizado pelo indivíduo em questão (I). Os exames e as avaliações psicológicas têm uma finalidade bem definida que não vale a pena desvirtuar, quer exagerando a sua aplicação, quer negando sistematicamente a sua utilidade. Por este motivo, tanto os exames iniciais como os intercalares e até as observações directas servem para se estabelecer, pelo menos de modo grosseiro, o tempo previsível da reeducação necessária.

 – Tanto quanto é do meu conhecimento através de um colega, as reeducações demoram muito tempo! Por que razão não se faz um maior número de sessões ou sessões de maior duração num período de tempo mais curto?
– É uma pergunta excelente e que pode ajudar a compreender muitas situações que, às vezes, os pais julgam ser incongruentes. A aprendizagem tem os seus limites e depende em grande parte não só da matéria a aprender mas também da pessoa que a apreende. Temos de avaliar a capacidade de aprendizagem de conhecimentos novos, o grau de saturação, o tempo de atenção possível a ser dispensado numa determinada tarefa, a capacidade de memorização, etc. Só jogando com todos estes factores numa observação directa da criança, pode-se, em grande parte dos casos, tentar determinar o tempo aproximado de duração, frequência e tipo de matéria de que deve constar a reeducação. Além disso, quanto mais distribuída e repetitiva for a reeducação, maior será a aprendizagem (F) (I). Por enquanto, COMO MODIFICAR O COMPORTAMENTO, SUCESSO ESCOLAR, APOIO PSICOPEDAGÓGICO, REEDUCAR COMO? e outras publicações relacionadas com a reeducação, podem desmistificar certos preconceitos relacionados com este assunto.

– As dificuldades escolares podem, de algum modo, influenciar a aquisição do vício de droga ou quaisquer outros?
– O insucesso escolar não é agradável para um estudante. Todos procuramos uma compensação ou um alívio em casos de descompensação ou desagrado, como por exemplo, no caso das dificuldades escolares, tentando obter uma solução satisfatória. Ao resolver as dificuldades temos o sucesso, do mesmo modo como qualquer outra solução também pode reduzir a angústia do insucesso. Se a mesma compensação se repetir várias vezes, pode fixar-se como uma resposta permanente e, às vezes, desejável e imprescindível para que o próprio consiga a resolução da situação do momento. Qualquer alienação tem um fundo comum: necessidade de apoio e reforço negativo obtido através da solução utilizada. Ao preencher esta necessidade duma determinada maneira, a satisfação obtida e a sua repetição podem fixar-se com o reforço negativo que é, geralmente, de razão variável. Não é somente o insucesso escolar que pode provocar esta aprendizagem. Quaisquer outros comportamentos provocam o mesmo efeito e a resposta de satisfação com a redução do desconforto ou da insatisfação, pode consistir em ingestão de droga ou álcool, utilização de tabaco, execução de comportamentos inadequados, exibição de aparência peculiar, etc., que se transformam facilmente em vício (F/112).

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